Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Dona Mitico é prata no Mundial

Ainda vem mais

A brasileira Mitico Nakatani conquistou ontem a medalha de prata no 5.000 m da marcha atlética no Mundial de masters, que está sendo realizado em Helsinque, na Finlândia.

A atleta completou o percurso em 41min17, chegando em segundo na categoria 75 a 79 anos --a primeira foi a neozelandesa Dawn Cumming, que terminou os 5.000 metros em 39min59s.

Mas Nakatani não está satisfeita. A medalha de prata foi uma surpresa, pois a marcha não é sua especialidade, já que seu treinamento é focado nas corridas de longa distância.

Ela já foi campeã mundial da maratona, em sua categoria, e ainda vai disputar no Mundial as corridas de 5.000 e 10.000 m, neste domingo e na quinta-feira próxima, o próximo domingo e na quinta-feira da semana.

Para você ter uma ideia melhor dos feitos dessa sensacional atleta, reproduzo aqui trechos de uma reportagem de Flavia Mantovani, publicada em 2005 no caderno Equilíbrio, da Folha, que traz mais dados sobre essa corredora que só aos 56 anos despertou para o mundo do esporte.

"Aos 73 anos, ela conquistou a medalha de ouro de maratona no Campeonato Mundial de Atletismo Veterano, em San Sebastián, na Espanha - torneio que reuniu mais de 6.000 atletas de 85 países, dos quais 57 faziam parte da delegação brasileira. A corredora completou os 42.195 metros do percurso em 4h57min55s, quase dois minutos à frente da segunda colocada.

Para dar conta do recado, Mitico treina duro. Todo dia, acorda às 4h30 para correr no parque Ibirapuera junto com seu técnico, Wanderlei de Oliveira, e só descansa às sextas-feiras. Duas vezes por semana, faz musculação e hidroginástica.

Há quase 20 anos, essa rotina seria impossível de conceber. Até os 56 anos Mitico levava uma vida totalmente sedentária, trabalhava como costureira e sentia vários incômodos físicos. ‘Eu não conseguia comer, tinha que tomar injeção para dormir e vivia nervosa. Meu marido chegou a me carregar para o posto de saúde, de tão fraca que eu estava‘, diz Mitico, que não chegou a descobrir o que tinha.

Após retirar todos os remédios -‘eram tantos que meu corpo ficou intoxicado‘-, uma médica receitou apenas um suco fortificante. Quando ela melhorou, recomendou que fizesse caminhadas. ‘Comecei a andar, mas sentia que faltava algo, que não estava bom para mim. Era muito monótono. Então, passei a correr pouco a pouco‘, conta Mitico.

Hoje, vários campeonatos depois, a corredora já conheceu países como Chile, Japão, Uruguai, Paraguai, Argentina e França. Nesse último, em 2004, ela e o marido comemoraram bodas de ouro. ‘Foi a corrida mais emocionante de todas. Quando cheguei, eles gritaram ‘Brasil!‘, falaram meu nome e tocaram o hino nacional‘, orgulha-se.

Quando não está correndo, Mitico leva uma vida comum na casa onde mora há 44 anos, na Saúde, em São Paulo. Cuida do marido, visita os dois filhos e os três netos, costura roupas para alguns clientes e cozinha, atividade que diz adorar. Os pratos do Japão, país onde nasceram seus pais, são os que ela mais gosta de preparar.

Mas muita coisa mudou desde que começou a competir. ‘A família japonesa é rigorosa. As mulheres não podem ficar saindo de casa, são sempre os homens que saem. Agora, eu vou a qualquer lugar‘, afirma Mitico, que fez vários amigos atletas e já influenciou até o marido, que chegou a correr distâncias curtas."

O texto completo da reportagem de Flávia Mantovani está AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL. Você também pode conferir AQUI uma outra reportagem, esta de 2004, quando Mitico venceu a maratona de Paris na sua categoria (a foto do alto é de 2004, de Marcelo Barabani/Folha Imagem).

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Foto do dia - Tyson Gay em Estocolmo

Vontade de vencer

foto mostra a gana de Tyson Gay de romper em primeiro lugar a fita dos 100 m no Super Grand Prix de estocolmo, hoje na capital sueca (Reuters). Seu compatriota Darvis Patton (à dir.) chegou em segundo, e o jamaicano Asafa Powell, ex-recordista mundial, mais uma vez ficou para trás.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Medalhista olímpica dá dicas para corredor comum

Descanso, paciência, comida

Em 2004, a norte-americana Deena Kastor deu um show de estratégia na maratona olímpica, cozinhando o galo até a hora que considerou precisa, para então atacar, beneficiando-se do cansaço das rivais. Conquistou o bronze e, dois anos depois, tornou-se a recordista norte-americana na distância (2h19min36, em Londres).

Em 2007, enfrentou e derrotou um câncer de pele, voltando aos Jogos Olímpicos em 2008. Não completou a prova por causa de uma fratura no pé, mas em outubro volta a enfrentar a maratona, em Chicago.

Enquanto isso, treina, corre e reflete sobre o esporte, dando dicas importantes para nós, corredores comuns, em uma entrevista publicada no site da maratona de Chicago.

Ela recomenda:

 

1. Tenha paciência. Não é um treino que vai mudar seu resultado na maratona, mas sim a combinação de treinos; orgulhe-se de seu trabalho de preparação

2. Presenteie-se com mais uma hora de sono. Com o aumento do volume dos treinos, você precisa garantir também tempo para o descanso

3. Beba durante os treinos. Treine sua hidratação durante os treinos e experimente também o isotônico que será servido na prova

4. Nos longos, treine sua alimentação pré-maratona. Na noite anterior a um longo e na manhã do treino, procure fazer refeições semelhantes às que você fará antes de sua prova

5. Alongue-se. Se você tem apenas uma hora para correr, alongue por cinco minutos e corra 55. Trabalhe os quadríceps e a musculatura flexora de quadril.

6. Sentiu dor? Cuide dela imediatamente para que não se transforme em problema mais grave

7. Presenteie-se com uma massagem. Você merece

8. Tome banhos gelados. Se fizer isso uma ou duas vezes, pode sentir como uma tortura, mas se incluir em sua rotina, logo vai se acostumar e verificar os enormes benefícios [desculpa lá, dona Deena, mas me inclua fora disso...]

9. Confira o solado dos seus tênis. Se alguma área estiver muito desgastada, talvez seja hora de trocá-los. Dependendo de seu peso e estilo de corrida, você não deve passar dos 600 km por par de tênis; trocá-los regularmente pode ajudá-lo a se manter livre de lesões

10. Cubra-se. Use protetor solar sempre. A pele é o maior órgão do seu corpo, e você deve protegê-la

 

PS.: Obrigado ao atento leitor Carlyle, que mandou para mim o texto original.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Conheça a seleção brasileira que vai a Berlim

Agora é para valer

A Confederação Brasileira de Atletismo divulgou a lista final dos convocados para o Mundial de atletismo, que será realizado em Berlim de 15 a 23 de agosto.

A delegação brasileira é formada por 45 atletas --21 homens e 24 mulheres.

Veja a seguir a lista dos convocados, com suas respectivas provas, e a comissão técnica.

MASCULINO

José Carlos Moreira - 100m, 4x100m

Vicente Lenilson - 100m, 4x100m

Basílio de Moraes - 100m, 4x100m

Bruno Lins - 200m, 4x100m

Sandro Viana - 200m

Jorge Célio Sena - 200m, 4x100m

Fabiano Peçanha - 800m

Kleberson Davide - 800m

Mahau Suguimati - 400m com barreiras

Jessé Farias - Salto em altura

Jadel Gregório - Salto triplo

Jefferson Sabino - Salto triplo

Leonardo Elisiário - Salto triplo

Fábio Gomes da Silva - Salto com vara

Júlio César de Oliveira - Lançamento do dardo

Mário José Santos Jr. - 50km Marcha

José Alessandro Bagio - 20km Marcha

Moacir Zimmermann - 20km Marcha

Marilson Gomes dos Santos - Maratona

José Telles de Souza - Maratona

Adriano Bastos - Maratona

FEMININO

Lucimar Moura - 100m, 4x100m

Luciana França - 400m com barreiras

Lucimar Teodoro - 400m com barreiras

Sabine Heitling - 3000m com obstáculos

Evelyn Santos - 4x100m

Thaissa Presti - 4x100m

Franciela Krasucki - 4x100m

Rosemar Coelho Neto - 4x100m

Vanda Gomes - 4x100m

Emmily Pinheiro - 4x400m

Jailma Sales de Lima - 4x400m

Geisa Coutinho - 4x400m

Josiane Tito - 4x400m

Sheila Ferreira - 4x400m

Maurren Maggi - Salto em distância

Keila Costa - Salto em distância

Gisele de Oliveira - Salto triplo

Fabiana Murer - Salto com vara

Elisângela Adriano - Lançamento do disco

Lucimara Silvestre - Heptatlo

Tânia Spindler - 20k Marcha

Alessandra Picagevicz - 20km Marcha

Maria Zeferina Baldaia - Maratona

Adriana Aparecida da Silva - Maratona

COMISSÃO TÉCNICA

Treinador-chefe: Ricardo D'Angelo. Treinadores: Peter Stanley, Nélio Moura, João Paulo Alves da Cunha, Jayme Netto Jr., Katsuhico Nakaya, Adauto Domingues, Claudio Roberto de Castilho, Kiyoshi Takahashi, Tânia Moura Elson Miranda, Carlos Morastoni, Inaldo Sena, Jorge Peçanha.

Médico: Cristiano Laurino. Fisioterapeutas: Rodrigo Iglesias e Maria Paula de Figueiredo. Massagistas: Jacy Castilho da Silva e Renato Anselmo de Oliveira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em St. Moritz, treino para o Mundial

Corridas e caçarolas

Um parte do grupo de maratonistas brasileiros que vão participar do Mundial de Atletismo, no mês que vem, já está em concentração, treinando forte para tentar um bom desempenho na Alemanha. O grupo está alojado em dois apartamentos alugados em Celerina, um pequeno vilarejo a menos de quatro quilômetros de St. Moritz, cidade suíça que é sinônimo de sofisticado resort de esportes de inverno.

Agora, no verão europeu, lá estão o bicampeão da maratona de Nova York, Marilson Gomes da Silva, o maratonista olímpico José Teles, a ex-campeã da São Silvestre e da maratona de São Paulo Maria Zeferina Baldaia e a campeã da maratona de Santa Catarina, Adriana Aparecida da Silva. Completam o grupo os marchadores Mário José dos Santos Jr., José Alessandro Bagio e Tânia Regina Spindler.

A julgar pelo que me contou o técnico Cláudio Castilho, que acompanha o grupo (outras treinadores chegam a partir da semana que vem), as condições oferecidas para o grupo são excelentes.

Não há exatamente um centro de treinamento, mas eles podem usar uma pista de atletismo com quatro raias de excelente qualidade e desfrutar de "muitas, mas muitas opções" de trajeto para rodagens deliciosas. "Imagine todas as necessidades de um corredor... Pois aqui você vai encontrá-las com fartura", diz Castilho.

Se você, como eu, nunca ouviu falar da cidade e estranhou a escolha, saiba que o motivo da seleção foi a localização da vila, a 1.800 m de altitude, com temperatura média entre 15 e 18 graus. Há percursos que permitem ao corredor chegar a altitudes de até 3.000 montanha acima.

E os brasileiros não estão sozinhos: "Aqui há um verdadeiro desfile de recordistas e campeões", diz Castilho. São atletas de fundo e meio-fundo que também vão competir no Mundial.

Em contrapartida às excelentes condições, os atletas brasileiros têm de dar o sangue. Por enquanto, os treinos são em dois turnos, mas há quem já faça três períodos de treinamento em alguns dias da semana.

No geral, pela manhã fazem os treinos mais duros, acompanhados pelo treinador, que segue de bicicleta para dar o ritmo aos corredores e também fornecer água. À tarde, são os mais leves, e aí até Castilho entra na dança, suando para acompanhar os maratonistas: "Cansa demais", diz ele.

Na hora do rango, as mulheres vão para a cozinha; depois, é a vez dos homens, que cuidam da lavação dos pratos. Olimpicamente, Castilho se exime de revelar quem é a melhor cozinheira: "As três mandam bem, e os pratos são sempre muito caprichados".

 

PS.: Como você percebeu, esta é mais uma reportagem exclusiva que o blog +Corrida traz para sua informação.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Exército saúda campeão da Badwater

Missão cumprida

Mais uma vez o mundo se curva ante o Brasil. Marco Farinazzo, conhecido na caserna como subtenente Farinazzo, foi o segundo homem no mundo a completar em menos de 24 horas a terrível ultramaratona de Badwater, 217 quilômetros de fogo no deserto da Califórnia. O primeiro foi Valmir Nunes, maior ultra da atualidade no Brasil, que detém o recorde da prova (22h51min29).

Farinazzo, 40, cumpriu o percurso em 23h39min18, no dia 14 de julho, e trouxe o caneco para a pátria. Na sua chegada ao Brasil, o Comando Militar do Leste, familiares e amigos prepararam uma recepção no Aeroporto Internacional Tom Jobim. O atleta, que serve atualmente no Hospital da Guarnição de Juiz de Fora, recebeu os cumprimentos do comandante militar do Leste, general Catão.

A epopeia de Farinazzo e as homenagens recebidas estão registradas em fotos no site do Exército, que você confere AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

20 km atrai mais na Estação Maratona

Pódio na chuva

No domingão de chuva, o povo de Ribeirão Pires organizou um evento bem bacana, ainda que com um certo tumulto no início. PATRÍCIA RESENDE, que já nos contou outras aventuras em edições passadas deste blog, esteve lá. Leia a seguir o relato que ela mandou.

 "Participei da corrida Estação Maratona em Ribeirão Pires e optei pela prova de 20 km --havia também provas de 30 km e de 40 km. Fui terceira colocada no geral, com o tempo de 1h37min33. Nunca tinha conseguido manter um ritmo bom para essa distância.

Ao chegar ao local da prova, havia um tumulto para retirada dos chips. Ninguém sabia se era fila única ou uma para cada distância. Era muita gente pra retirar --a maioria na prova dos 20 km--, e pouca gente pra organizar. Aumentou a sensação, que já tivera quando não encontrei muita informações sobre o evento, de que a prova era furada. O frio e a chuva fina contribuíam para o clima de desânimo.

Com número de peito e chip colocados, fiquei sabendo que precisaria entregar uma senha no meio do percurso. "Que coisa antiga", pensei eu.

Por causa do tumulto na entrega dos chips, a largada atrasou cerca de 20 minutos.

Eu estava lá, pronta para correr. A chuva tinha parado e o frio continuava, mas fui de shorts e regata, porque odeio correr com outro tipo de roupa e sei que em poucos quilômetros já estaria sentindo calor.

Todos alinhados no local de concentração da prova, deram um sinal que achamos ser a largada. Saímos em disparada para logo parar novamente: era apenas para nos posicionarmos uns 50 metros à frente, na mesma rua, para a largada. Não havia tapete com sensores de chips nem pórtico de largada.

Mas, à medida que os quilômetros passavam, a impressão de prova furada ficava pra trás. O percurso era legal, com muitas ruas quase sem movimento e muito verde ao redor --deve ser ótimo também para treinos.

Era uma mescla de ruas asfaltadas, com paralelepípedo, estrada de terra e muitas, muitas subidas. Nas estradas de terra, quando não era subida, o chão estava escorregadio por causa da chuva.

A prova parecia uma montanha russa: quando você acreditava que as subidas estavam acabando, lá vinha outra. Não me imaginava fazendo a prova de 40 km, que era praticamente duas voltas naquele percurso, com algumas alterações na segunda volta.

As ruas estavam tranquilas e fechadas na medida em que passávamos. Havia controle e preocupação dos organizadores em proteger os atletas nos locais onde o percurso era parcialmente liberado para carros.

Um ponto falho foi o esquema de abastecimento: não havia muitos postos de água, e o primeiro estava por volta do quinto quilômetro. Como a temperatura estava baixa, não fez falta pelo menos para mim, mas acho que o primeiro posto deveria estar antes.

Havia marcação dos quilômetros escrita no chão, porém eu só vi a do km 10 (passei com 50:05), exatamente quando acabava a estrada de terra e voltava para o asfalto, e a do km 16 (passei com 1:18:25).

O ponto onde entregamos a "senha", que deveria ser destacada do número de peito, era aproximadamente o km 13 onde o percurso fazia um vai e vem na mesma avenida.

Nesse ponto conseguíamos ver a colocação dos outros corredores. Ali consegui saber que eu era a quinta mulher no geral, sendo que uma das meninas à minha frente não estava na prova de 20 km --dava para saber porque a cor do número era diferente.

Enfim, a quarta mulher estava próxima, e eu fui em busca dela. Cerca de um quilômetro depois que fiz a curva e entreguei a senha consegui ultrapassá-la.

Imprimi um ritmo mais forte naquele momento para que ela não conseguisse reagir e fui por muito tempo sem sequer olhar pra trás. Naquela hora ganhei mais coragem e ânimo porque estava ciente de que estaria no pódio geral da prova se mantivesse o ritmo até o final.

Uns dois quilômetros antes da chegada havia um posto de água, e lá um cara me avisou da distância que faltava para completar a prova.

Continuei seguindo um cara que ditava um ritmo bom e fui até cruzar a linha de chegada com monte de gente gritando que eu era a terceira colocada ...

ADOREI !!!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chuva provoca síndrome de abstinência de corrida

Larica por quilômetros

Na terça-feira passada, corri 26 quilômetros. O dia estava frio para começar e foi amornando, solzinho fraco, côsa manera. Uma delícia.

Quarta corri 10 k e ainda fiz trabalhos de fortalecimento.

Quinta era para correr quatro horas, alternando corrida e caminhada. Mas o cansaço bateu, fiquei só na hora e meia de caminhada.

Sexta era de descaso mesmo, ficando só nos trabalhos de fortalecimento.

Sábado, na hora de sair para correr, bateu aquele temporal. Com medo da gripe, com frio e preguiça, rolei pro lado e dormi até o meio-dia no quentinho. Mas prometi que domingo sairia de qualquer jeito.

Às cinco da matina de hoje, acordei todo serelepe e já fui buscando as roupas para me trocar. Mas olho para a rua e vejo que ainda chove, o céu está cinzento, parece ainda mais frio do que ontem, ai, ai, ai, vou dormir só mais um pouquinho.

Quando bateu seis horas, houve um ronca-ronca na minha porta, uma batida surda, mais outra. Fui ver, eram os meus tênis, pedindo para sair. Me disseram que estavam ficando mofados, que o tempo já estava bom: "Olha o sol lá no céu", comando o pé esquerdo.

Que nada! A chuva tinha até apertado. Eu falou para eles que a gente iria hoje, sim, mas era preciso dar um tempo, não adiantava ver calor onde só tinha frio.

Acordo feito, fomos cada um para seu lado.

Dormi de novo, só para ser acordado um pouco depois por outra batida na porta, desta vez mais delicada, fofa.

Eram minhas meias especiais de corrida, acolchoadas nos lugares certos, sem costura, com adensamento de látex em pontos estratégicos. Adivinhe o que elas queriam! Correr, é claro.

Pelo menos, foram direto ao ponto, não ficaram inventando sol em dia de tempestade.

Juntei todo mundo e expliquei eu eu já sou velhinho, não posso arriscar uma gripe assim etc. e tal, até que eles se foram, cabisbaixos, acabrunhados, e eu mais uma vez rolei pro lado para tirar mais uma soneca quentinha.

Mas não deu. As pernas não paravam quietas, e eu já não ouvia o bate-bate da chuva. Não ia dar para segurar.

Juntei meias, tênis, botei calça comprida, camiseta quente e ainda uma de mangas compridas por cima, e lá nos fomos, eu e meus equipamentos, queimar o asfalto molhado.

A bem da verdade, avistei um lampejar de luz entre um turbilhão de nuvens, mas isso já importava.

Tinha entrado em velocidade de cruzeiro, deixava que os pensamentos fluíssem, seguia uma perna na frente da outra e vice-versa.

Ainda passei por outros corredores, uns quatro ou cinco. Fiquei imaginando se, como eu, eles estavam com fome de quilômetros...

Só pode, não é?

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O amor é lindo

Beijo de lama

 

Depois de um banho de lama no festival de música de Paleo, na Suíça, casal ensaia aquele beijão gostoso (foto Reuters).

Se você me disser que isso não tem nada a ver com corrida, o que tem a ver então?

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Isinbayeva perde em Londres

Primeira na temporada

A bela russa Elena Isinbayeva, multirrecordista mundial do salto com vara, sofreu hoje uma rara derrota (a primeira neste ano).

Apesar de empatada na altura do salto, deixou o ouro para a polonesa Anna Rogowska no Grande Prêmio de Londres (salto acima, foto Reuters), disputado hoje na capital britânica. As duas saltaram 4,68 m, mas a russa (abaixo, Reuters) só o fez na terceira tentativa, enquanto a adversária superou a marca no seu segundo salto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fiasco de Asafa no desafio a Bolt

Raio tremeluzente

O jamaicano Usain Bolt, campeão olímpico e recordista dos 100 m, dos 200 m e dos 4x100 m, ganhou hoje o Grande Prêmio de Londres com uma performance muito aquém da que pode oferecer.

Correu os 100 m em apenas 9s92, longe de seu recorde (9s69) e também atrás da melhor marca do ano, estabelecida pelo norte-americano Tyson Gay (9s77).

Para piorar as coisas, o esperado duelo entre Bolt (foto Reuters) e seu compatriota Asafa Powell, ex-recordista mundial, foi pífio, inexistente. Powell terminou em sexto, com 10s26. Uma das explicações foi o mau tempo que se abateu sobre Londres hoje.

Além disso, os jamaicanos correram sob o impacto do anúncio de que cinco integrantes da equipe nacional que participará do próximo Mundial testaram positivo para substâncias proibidas.

Um representante da federação da Jamaica afirmou que nenhum deles havia conquistado medalha nos Jogos de Pequim. Dois dos atletas que testaram positivo no antidoping participam da Racers Track Club, a mesma de Usain Bolt.

O representante da federação disse que todos testaram positivo para a mesma droga, que é considerada leve. Segundo ele, provavelmente os atletas sofrerão uma reprimenda, mas não serão suspensos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida dos EUA dá medalha de vidro reciclado

Ecologicamente corretas

A moda das corridas ecologicamente corretas, que vem crescendo no Brasil, parece ser avassaladora nos Estados Unidos.

Realizada no estado de Washington, a Nature's Path Whidbey Island Marathon dá aos concluintes uma medalha de vidro reciclado; o jantar de massas é com comida orgânica (esse modismo é um horror, qual comida não seria orgânica???) e a sacola de brindes é feita com papel reciclado.

Matéria da "Runner’s World" (republicada na Active.com) lista ainda outras nove corridas que se destacam pela preocupação com o ambiente.

Entre elas, a maratona de Austin, no Texas, dá camisetas orgânicas (de novo!!!) e recicla o lixo gerado pelo evento. A de Portland, no Oregon, dá aos concluintes uma mudinha de árvore, e os fiscais da prova circulam de bicicleta.

Outras investem em reciclagem oferecem comida produzida na região e dão jeito de economizar água ou garrafinhas --a maratona de Hartford, em Connecticut, tem um superbebedouro que serve 40 corredores. E, na meia maratona canadense Canmore Rocky Mountain, as áreas de largada e chegada são "sem lixo" --tudo deve ser reusável ou reciclável.

Bom, para ver a lista completa e até links para algumas das, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Exagero no esporte prejudica jovens

Coração de criança

Recebi do Hospital do Coração um release (material de informação para a imprensa) com informações assustadoras.

Segundo o texto, "levantamento realizado pela equipe do cardiologista Nabil Ghorayeb, coordenador do Sport Check-up HCor, com cerca de 700 garotos federados com idade entre 14 e 18 anos de um grande clube de São Paulo, detectou que 23% deles apresentaram alterações, de origem benigna ou duvidosa no eletrocardiograma. Além disso, descobriu-se muitos casos de "sopro" no coração, pressão arterial no limite, anemia e até taxas elevadas de colesterol e triglicérides, provenientes de erros alimentares".

Outro estudo, com 120 garotos da mesma faixa etária, que participaram de "peneiras" de quatro clubes de futebol de São Paulo, apontou as mesmas alterações em 17% dos casos. Neste segundo caso, os garotos são de classes sociais com renda mais baixa, o que, segundo o cardiologista, revela que os problemas independem de origem social.

Em suma, a gurizada está se arriscando desde cedo. E os pais precisam ficar atentos, não deixando de fazer com que seus filhos passem por exames médicos periódicos. Para ficar nos limites da segurança, eis algumas medidas recomendadas pelo doutor Ghorayeb:

* Buscar informações com o pediatra.

* Fazer pelo menos um eletrocardiograma anual (exigir laudo de um cardiologista).

* Até os 12 anos, fazer um "aprendizado dos esportes", para a criança escolher o esporte que quer praticar. Não a force fazer o que não tem vontade.

* Procurar um médico imediatamente, caso a criança sinta qualquer anormalidade ao praticar esporte.

* Realizar exames completos em caso de competição.

* Não exagerar nos treinamento e cobranças. Muitos abandonaram carreiras promissoras na primeira oportunidade.

* Escolher o material adequado para o esporte de sua preferência.

* Realizar alongamento antes e depois do exercício. Isso deixará a articulação mais flexível e menos propensa a sofrer uma contusão.

* Não tente ir além do seu limite. Músculos cansados aumentam o risco de machucar os joelhos.

* Antes de começar qualquer atividade física, procure um especialista.

* Ao primeiro sinal de dor, pare o exercício.

* Pratique atividade física regularmente para manter os músculos fortes.

* Não aumente a carga no treino sem a orientação de um professor. Muito peso sobrecarrega as articulações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida Interpraias é durona e divertida

Mar de montanhas

O passeio de barco até a largada é grátis, assim como o café da manhã de antes da partida e o almoço pós-prova --está tudo incluído na inscrição, que custa menos do que qualquer prova de 10 km da Corpore em São Paulo. Só isso já serviria de qualificação para essa corridinha interiorana, mas ela tem muito mais.

Tem sol, sal, céu, praias desertas, montanhas ameaçadoras --enfim, um percurso paradisíaco, como diz com precisão a propaganda da 11º Desafio da Rota do Sol - Corrida Rústica Interpraias, que corri no domingo em Balneário Camboriú.

O trajeto é de 18 km, começando na praia de Laranjeiras e fazendo o retorno na altura da praia do Estaleirinho. Laranjeiras é segredo guardado por montanhas: quem está no praião de Camboriú só vê um morrão, uma ponta de terra, e imagina que exista, sim, alguma coisa do outro lado, aonde se chega de barco ou de teleférico --o difícil é escolher qual o passeio mais divertido. Dá também para ir de carro, mas quem quer saber de trânsito num fim de semana praieiro (ou a qualquer época)?

O tom acolhedor da prova já é dado no dia anterior, na entrega dos kits, que é acompanhada por uma mesa de bolos, frutas e refrigerantes. Há uma certa baguncinha, mas é como se fosse todo mundo de casa: as coisas acontecem com rapidez e sem maiores problemas.

Assim também é com o transporte na manhã da prova. Ônibus fazem várias vezes o trajeto entre o hotel oficial da prova e a marina. Quando todo mundo está no barco dos piratas, partimos, uma turma um tanto ruidosa, com gente tirando fotos de todo o lado --ainda mais quando passamos por uma turma que, talvez ainda entusiasmada com a noitada, resolveu fazer nudismo acreditando que seria protegida por algumas pedras no sopé da montanha.

Chega-se à praia com tempo suficiente para que os organizadores recebam as últimas inscrições --moradores da redondeza chegam a pé e de carro-- e para que eventuais famélicos se fartem com sanduíches e frutas.

O incrível é que dá tempo para tudo, e, 15 minutos antes da largada, o diretor da prova já pega o microfone para começar a acertar os detalhes finais e organizar a tropa. Somos uns 300 e alguma coisa, entre corredores que vão enfrentar duas distâncias: 18 km e 7 km.

Mas que ninguém diga que a distância menor é fácil: ali há lomba para todos os gostos e desgostos, íngremes, curtas, longas, encurvadas, com sombra e no sol a pique.

A largada, aliás, é exemplo do percurso: uns dez metrinhos de chão de terra e uma lombona de paralelepípedos desarrumados, armadilhas para tombos que são devidamente contornadas até chegar ao asfalto, uns 200 metros acima, e iniciar a trajetória encabritada.

Saímos ainda com vento frio e sol encoberto, mas o dia vai virar e logo teremos calor e sol no céu azul, tornando as coisas ainda mais complicadas. A maioria de nós caminhamos nas subidas de ladeironas e ladeirinhas, deixando o trote para a descida e queimar o chão nos poucos trechos planos (confira abaixo a altimetria).

Eu vou sempre melhor nas subidas; nas descidas, morro de medo de torcer qualquer coisa ou ficar ainda mais escangalhado. Vou na maciota. Em contrapartida, qualquer plano, descida leve ou subida mais ou menos me pega voando (para meus padrões). No total, a prova é um fartlek de luxo, em que vou variando ritmo de acordo com as idiossincrasias do trajeto.

E que trajeto! Cada topo de montanha nos faz descortinar uma nova praia, uma mais linda que a outra. Passamos pela famosa praia do Pinho, "referência mundial do naturismo", segundo artigo na Wikipédia. Do asfalto, não deu para ver ninguém pelado por lá...

O que a gente via eram franjas de areia, cristas de onda, água beijando a terra, morros esverdeados de araucárias, vegetação vigorosa se espalhando pelo chão...

Tudo muito animado pela camaradagem entre os corredores, gente vinda de todos os rincões, do interior de São Paulo ao interior do Rio Grande do Sul, da famosa Xuxa (apelido de uma corredora veterana do meu Grêmio) aos menos conhecidos Cláudio e Marcelo, que pediram para aparecer no blog e cá estão --o Marcelo treina para a maratona de Nova York.

O desfrute era maior porque não tínhamos de nos preocupa com problemas tristemente corriqueiros em provas --havia água à vontade, frutas em vários postos e marcação correta da quilometragem. Aliás, o asfalto também estava marcado com palavras de incentivo, que ilustravam as principais subidas, até a derradeira: "Falta pouco", anunciava o texto caiado no chão.

E foi com aquele falta pouco que me fui até a praia, num esforço final, para ganhar meu beijo e um medalhão enorme, outro dos mimos dessa mimosa corrida pela ainda mais mimosa bela e Santa Catarina. 

PS.: Tirei muito mais fotos, mas antes da prova. No dia da corrida, deu mais vontade de correr do que de fotografar... De qualquer forma, dê uma olhada nas imagens que capturei das belas praias catarinenses clicando AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presos da Espanha correm ultramaratona

Passadas de liberdade

Correr liberta. A frase, que parece saída de manuais de autoajuda ou de guias espirituais, tem um sentido muito prático, claro e concreto para um grupo de presos que, no mês passado, cruzou os portões de uma penitenciária de Madri para participar de uma corrida de longa distância.

Sem correntes nem escolta policial, percorreram um total de 83 km, em três etapas, até o presídio da cidade de Estremera. Na empreitada, foram acompanhados por ativistas de grupos de apoio a detentos e pelo recordista espanhol da maratona Martín Fiz, 46, também ex-campeão mundial da modalidade.

Se você acha que já leu o texto acima em algum lugar, não se assuste. Foi com ele que eu comecei uma reportagem sobre corredores e equipes de corrida que usam o esporte como instrumento em projetos sociais. O texto foi publicado na Folha, no dia em que saiu minha coluna sobre o mesmo tema (AQUI, para assinantes da FOLHA e/ou do UOL).

O trabalho do maratonista espanhol, ao lado do educador Pablo Jiminez, foi um dos mais bacanas que conheci. Conversei por e-mail com Martín Fiz, que é uma lenda no esporte da Espanha (na foto da EFE, é o sujeito de camisa vermelha). Leia a seguir os principais trechos da entrevista, que foi realizada no final de junho.

+CORRIDA - O que é o projeto Corre Te Hace Libre?

MARTÍN FIZ - É um projeto que começou há dois anos. O educador Pablo Jimenez, do Centro Penitenciario Alcalá Meco, teve a grande idéia de incentivar os detentos a realizar atividade física, com treinamentos de corrida. Pablo adora correr. A princípio, os presos não mostraram muito interesse, mas, pouco a pouco, vendo que correndo seu estado físico e seu ânimo melhoravam, começaram a levar as coisas mais a sério. O grupo foi crescendo. E alguns presos até mesmo já conseguiram licença para sair e participar de corridas. Neste ano, Pablo foi mias longe. Sete presos de diferentes nacionalidades correram três etapas, em liberdade, da prisão de Alcalá-Meco, em Madri, até o Centro Penitenciario de Estremera. As etapas foram de 31, 26 e 26 km. Os presos responderam muito bem às expectativas, dando demonstrações de esforço, motivação, sacrifício, companheirismo.

+CORRIDA - Como foi a experiência?

MARTÍN FIZ - Foi sensacional. Os rapazes demonstraram sempre um desejo de superação que nunca tinha visto. Perceba que eles não estão acostumados a correr tantos quilômetros. Além disso, geralmente correm dando voltas em um pátio de pequenas dimensões. Para que você tenha uma idéia do grau de esforço e motivação deles, basta dizer que um deles é soropositivo e teve hepatite C. O mais importante é que todos eles mantenham alta sua autoestima.

+CORRIDA - Como foram os cuidados com a segurança? Você chegou a ter medo de ataques ou de fugas?

MARTÍN FIZ - A segurança foi mínima, não fez falta. O quie pretendíamos era que eles se sentissem livres. mais de uma vez brinquei com eles, perguntando se não iam fugir. E eles me respondiam dizendo que preferuem aguentar os anios que ainda lhes faltam para cumprir na prisão do que passar o resta da vida fugindo. Em nenhum momento eu tive medo.

+CORRIDA - Por que você participa do projeto?

MARTÍN FIZ - Considero que os desportistas que chegamos à elite do esporte mundial somos uma referência para muita gente. Não só os desportistas, mas atores, cantores, as pessoas famosas. Temos que dar exemplo e que ser um exemplo para a sociedade. Uma vez que deixei o esporte profissional, direcioneii minha atuação para projetos de solidariedade e que estão vinculados a palavras como esporte, corridas, atividade física, hábitos de vida saudável.

+CORRIDA - Você acredita mesmo que correr liberta?

MARTÍN FIZ - Claro que sim. Hoje tenho 46 anos. Passei minha vida toda correndo e digo que correr me dá muito espaço, me oxigena e me faz sentir livre. À minha família peço apenas uma hora por dia, que dedico só para mim. É a hora que passo correndo.

+CORRIDA - Você participa de outros projetos sociais?

MARTÍN FIZ - Participo de corridas solidárias: Carrera por la Integración, Carrera de la Mujer a favor de la Asociación Española Contra el Cáncer, Carrera del Orgullo Gay.... Mas fique claro que não sou gay.

+CORRIDA - Quais são suas atividades principais hoje?

MARTÍN FIZ - Eu divido a direção da edição espanhola da revista "Runner’s World" com Alex Calabuig. Somos uma grande equipe. Eu também faço palestras sobre a importância do esporte e de manter hábitos de vida saudável. Também organizo eventos _em Vitoria, onde nasci, organizo a Maratón Internacional Martín Fiz.

+CORRIDA - Quais são suas melhores recordações da vida como maratonista profissional? E as piores?

MARTÍN FIZ - Dois bons momentos. Campeonato Europeu em Helsinki 1994, quando três espanhóis tomamos o pódio: eu ganhei, seguido por Diego Garcia, que já morreu, e Alberto Juzdado Un ano depois, em Gotemburg, me tornei campeão mundial da maratona. A pior lembrança é dos Jogos Olímpicos de Atlanta-96: eu sonhava com uma medalha e não consegui, apesar de ter chegado muito perto. terminei em quarto lugar, um posto que hoje vejo com bons olhos.

+CORRIDA - O que a corrida ensina?

MARTÍN FIZ - Com a corrida, aprendi a lutar para me superar, tendo levado ao limite esse esforço de superação. Hoje, todos esses valores eu utilizo no meu cotidiano. Participar de competições me deu oportunidade de enfrentar e de conhecer gente de todas as cores e de todas as raças. E hoje muitos dos que foram meus rivais são meus amigos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Surpresa em treino pelo bairro do Limão

Galinha preta

Meu treino de hoje me fez descer a Sumaré, cruzar a Marginal e me embrenhar pelo coração do Limão.

Depois de circundar a Unidos do Peruche, escola de samba de primeira, embrenhei-me por uma ruelinha magrela e curtinha, cheia de casas pequenas, grudadinhas umas nas outras.

Mas cada uma tinha um pequeno jardim, uma varandinha, qualquer coisa que fizesse graça. Tudo no cimento, nada de flor nem grama, só lugar para uma guaipeca ali, outro aqui.

Por isso, foi com surpresa que vi, num quintal desses, pequenino, suburbano, cinzento como São Paulo, uma galinhazinha a ciscar (ou tentar, pois não há esporão que fure o cimento...).

Era pequena, preta, espevitada como todas as galinhas, e me fez ficar elocubrando o que será que fazia ali? Difícil ser peça de criação, que é proibida nas áreas urbanas. Aliás, acho que mesmo a venda de galinhas vivas sofre restrições --em Porto Alegre, nos tempos de antanho, a gente costumava comprar esses bichos em aviários, mas eram lugares muito fedidos, que a modernidade fez por bem em controlar ou eliminar, sei lá.

Quem sabe a galinha preta fosse animal de estimação... Não tem gente que cuida de iguana ou de porquinho em apartamento? Galinha faz tanto sentido quanto. E eu conheço uma moça muito séria que, nos seus tempos de infância, tinha uma galinha de estimação --alimentava e cuidava da bichinha e ficou não seis quantos dias sem comer quando a 40 (esse era o nome da galinha) foi para a panela.

Eu não. Até matar galinha matei, no pátio da casa do meu avô, em Porto Alegre. Ele criava um tantão de bicho: tinha galo garnizé e um rol de galinha Legorne, havia peru branco e peru preto --coisa boa ficar na frente da gaiola e dar um assobiozinho curto, só para ver os bichos ficarem doidões, glu-gluzando até enrouquecer. No pátio ainda tinha gaiolas para codornas e uma maior para o orgulho da raça: dois faisões elegantérrimos.

Num calendário pendurado na parede do galpão, meu vô anotava as galinhas chocas e previa as ninhadas; também, como base nas informações ali marcadas, dizia em quais bancadas deveríamos tirar ovos...

Falando assim, parece que era um terrenão; mas não, era só os fundos, como a gente chamava. Um terreno estreito, talvez uns oito metros de largura, e compridão: tinha o jardim, a casa e depois os fundos, divididos em duas partes. Primeiro, o tanque de lavar roupa e as estantes para guardar coisas de limpeza; nessa área, em dias de festa, empilhávamos tijolos para fazer uma improvisada churrasqueira. E depois era o lugar dos bichos, terminando com o galpão onde meu vô guardava as ferramentas e outros instrumentos de trabalho.

Os perus eram para comer no final do ano; as galinhas, quando desse na vontade da minha vó. Para matar o animal, minha tia segurava o bicho pela cabeça e, num rápido movimento do pulso, quebrava-lhe o pescoço.

Um dia, deram para mim a tarefa. Guri de uns sete anos, achava que sabia tudo. Corri atrás da galinha escolhida, peguei a maldita, segurei-lhe a cabeça e quem diz que ela morria?

Eu não tinha percebido que o jeitinho era só uma manobra de pulso, achava que o caminho era girar o pescoço. E lá fiquei girando a desgraçada, espalhando merda pelo quintal todo, até que o bicho morresse. Pois matar, eu matei mesmo.

E comi no almoço seguinte, sem o menor problema.

Com o que volto ao mote dessa história: qual será o destino da galinha preta do bairro do Limão?

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bekele ainda luta por US$ 1 milhão

Sobram quatro

O funil está ficando cada vez mais apertado. Depois da etapa de Roma, na última sexta-feira, sobraram apenas quatro contendores em condições de almejar o butim de US$ 1 milhão que será dado a quem conseguir trajetória invicta nos seis encontros da Liga de Ouro.

No masculino, a competição se esfumaçou, ficando de pé apenas Kenenisa Bekele, recordista mundial dos 5.000 m e dos 10.000 m, que segue firme no domínio da prova mais curta. Aliás, para não deixar dúvidas, fez em Roma o melhor tempo das três etapas já disputadas: 12min56s23.

No caso das moças, a competição está mais ferrenha. A bela russa Yelena Isinbayeva segue imbatível no salto com vara, mas parece que faz apenas o necessário para vencer, com marcas distantes de seus melhores desempenhos. Vamos ver o que ela está aprontando para o Mundial.

As outras no páreo são as velocistas Kerron Stewart (foto Reuters), da Jamaica, que vem melhorando seu tempo nos 100 m a cada evento (fechou Roma em 10s75), e a famosíssima norte-americana Sanya Richards, que domina os 400 m.

A próxima etapa é em Paris, na sexta-feira. Fique esperto, de olho na grade da SporTV, pois esse canal pago tem transmitido muitos eventos de atletismo. O único problema é que, por causa do fuso horário, as competições sempre caem em horário de trabalho...

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cearense corre rindo na praia de Iracema

Carreira arretada

 

Esse negócio de sisudez, cara amarrada, cabeça quente, pois olha, minha gente, no Ceará num tem disso não....

E a prova são as fotos e vídeos da corrida Pé na Carreira, que aconteceu hoje de manhã naquele cenário lindo da praia de Iracema (como você sabe, a praia homenageia a virgem dos lábios de mel, de cabelos mais negros que a asa da graúna...).

A leitora Lia Campos, que já nos brindou com relato de uma corrida na Europa, agora, mandou notícia sobre a primeira edição da Pé na Carreira (visite AQUI o site oficial), em Fortaleza.

O objetivo foi levar ao asfalto a alegria e a saudável molecagem do cearense, a começa pelas modalidades da prova. Tinha a É Bem Ali, de 10 km, a Café com Leite, de 5 km, e a Invocados, de cadeirantes.

Os corredores foram estimulados a usar fantasia, como a do casal Lampeão e Maria Bonita (mantenho a grafia dos números de peito), no alto com a própria Lia Campos e mais dois corredores. Aqui ao lado, Michael Jackson, que não se aguentou no além ao saber que tinha corrida no Ceará.

A largada foi dada ao som de uma poderosa vaia, devidamente ensaiada sob a batuta de uma humorista. Não sem antes haver a solene execução do Hino Nacional por uma dupla de sanfoneiros (veja o vídeo abaixo).

 

Obrigado à Lia pelas informações, fotos e vídeo.

Ah, e um esclarecimento: no e-mail que ela mandou, começou dizendo assim: "Sei que seu blog dá preferência para corridas longas...."

Quero dizer de novo a ela e a todos que este blog está aberto a todas as corridas de rua, de quaisquer distâncias. Também falamos de música, literatura e qualquer outra coisa que dê na cabeça deste blogueiro.

Por isso, não se avexe não. Fique sempre à vontade para mandar suas histórias, fotos e relatos. Todas são lidas com carinho, e algumas acabam mesmo indo ao ar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hoje corri na rua Maratona

Carne de pescoço

Meu treino de hoje me levou pelos caminhos da zona sul da cidade.

Fui até o começo da avenida Adolfo Pinheiro, circulei pela muvuca apertada e nervosa do largo 13, desci até o início da Washington Luis e então comecei a voltar.

Passei por avenidas, mas procurava fugir do movimento maior. Quando via uma rua mais simpática, entrava nela; quando dava com uma lomba, subia.

E foi assim, sem querer nem saber nem ter por quê, que cheguei a um baixio, ponto de partida para uma subidona do maior respeito.

Como a altura da dita cuja me impressionou, fui ver em que rua estava. E a placa no poste dizia: rua MARATONA.

Sorri comigo mesmo, ri-me de alegria.

"Tenho de cruzar por ela", ordenei-me, olhando em volta para ver qual seria o melhor caminho a tomar.

Estava bem no final da rua Maratona, que nem sonhando chegaria perto dos 42.195 metros.

Mas seus pouco mais de 500 metros encerram grande desafio, pois a subida é íngreme, com um desnível de cerca de 50 metros entre o ponto final e o início da rua, que é marcado por uma escola infantil de nome Guilherme Tell, o grande arqueiro que com uma flecha rasgou ao meio uma maçã colocada na cabeça do próprio filho.

Lá no alto, pensei em voltar até o baixio para tentar perceber melhor o espírito daquela rua, mas acabei achando que o nome já a revelava por inteiro.

Segui adiante, correndo atrás de meu nariz.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida da Nike é para poucos

Restrita e promocional

A montanha pariu um rato: depois de toda a preparação rocambolesca, quando a Nike finalmente revelou os detalhes dos tal desafio dos 600 km, o que sobrou foi uma prova elitista e restrita, montada para que a própria Nike brilhe.

O que não é crime nenhum. As empresas arquitetam as mais diversas formas para sua promoção, inclusive uma corrida de 600 km para apenas 20 equipes.

É isso aí: participarão do evento apenas 20 equipes de dez a 12 pessoas.

Mas não pense que é só juntar os amigos, pagar a inscrição e pronto. Os times serão formados por corredores indicados por assessorias esportivas escolhidas pela Nike.

Para quem não está ligado a nenhum dos grupos selecionados ou mora fora do eixo Nike (um grupo de cidades onde a seleção é via assessoria esportivas), haverá um outro processo de seleção.

Tudo envolve participar em eventos da Nike usando equipamentos da empresa (e também da Apple).

O prêmio é o direito de participação no tal desafio. Que não é tão desafiador assim, pois a quilometragem deve ser cumprida em três dias, o que dá mais ou menos 20 km por dia, por corredor. A maior exigência é o ritmo, pois cada equipe precisa fechar sua carga diária em 17h, o que é um tempo bem restritivo, pois exige que a média da equipe seja de 5min05/km aproximadamente.

Para as paradas, a Nike vai providenciar alojamento e outras benesses.

Enfim, é isso.

Para saber mais, visite o site da prova, AQUI. Não é muito didático nem esclarecedor, mas dá as informações básicas com mais detalhes.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nike fará revezamento de 600 km no Brasil

Corridaça em outubro

A Nike vai anunciar hoje à noite o que está chamando, nos convites para a imprensa, de uma "corrida que vai entrar para a história". Segundo um assessor, será "uma das maiores do mundo".

Estão guardando a sete chaves os detalhes do evento, mas já fiquei sabendo que será um superrevezamento, uma prova de 600 km para ser disputada em equipe.

Como disse, não tenha ainda detalhes, mas apurei que a prova será de São Paulo ao Rio. "Os 600 km começam no Ibirapuera e terminam em Ipanema", diz anúncio. "São de asfalto, terra e areia".

E a supercorrida deve acontecer em outubro.

Mais informações assim que eu as conseguir, mas a essência da coisa está aqui.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida protesta contra racismo no Canadá

A história de Henderson Paris

De surpresa, o garoto negro foi cercado por seus colegas de escola, brancos. Jeremy, então com 17 anos, foi derrubado, espancado, humilhado. Para seu pai, o vendedor de pneus Henderson Paris, negro, foi a gota d’água. Tudo bem que, ao longo de seu namoro e do casamento de longos e saborosos anos com a branca Carol, o casal tivesse sido vítima de ofensas e de discriminação, mas não podia aceitar a violência contra seu filho. E resolveu denunciar a todos que, em pleno 1990, a pacífica e progressista cidade de New Glasgow, no superdesenvolvido e defensor dos direitos humanos Canadá, era um antro de racismo e violência.

Corredor na juventude, resolveu fazer o que sabia: correr. E assim nasceu a Corrida Contra o Racismo, um dos projetos que, mundo afora, usam o esporte para mobilizar as pessoas por uma causa. Hoje vereador em New Glasgow, Paris comemora os resultados de seus 20 anos de luta na cidade, que considera agora um lugar melhor para viver. Ele concedeu entrevista exclusiva para este blogueiro, por e-mail, e parte de sua história foi contada na minha coluna mensal no caderno Equilíbrio (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Agora, publico os principais trechos de minha conversa eletrônica com esse homem que, literalmente, corre por uma causa.

FOLHA - Como começou o projeto da corrida contra o racismo?

HENDERSON PARIS - Em 1990, quando eu comecei a corrida, o motivo foi uma agressão racista sofrida na escola por meu filho mais velho. Ele tinha então 17 anos e foi cercado espancado por um grupo de brancos, e sua vida mudou para sempre. Eu sou negro e minha mulher é branca e temos dois filhos. Minha cidade, New Glasgow, e outras quatro, mais uma área rural e uma reserva indígena (Mi, qmaw), formam o Condado de Pictou County. Aqui, infelizmente, minha mulher e eu sofremos com o racismo e discriminação.

Na nossa região, há uma longa história de racismo e, quando nós começamos a namorar e depois casamos, houve reação por parte de racistas. Não permitiram que nós alugássemos um apartamento porque eu sou negro, e havia gente que nos ofendia quando caminhávamos juntos nas ruas. Houve uma série de incidentes em que eu, minha família ou amigos fomos vítimas, mas foi a agressão contra meu filho que me fez ver que não dava mais para ficar quieto. Eu precisava fazer alguma coisa para conscientizar a comunidade sobre o problema do racismo e da discriminação não apenas em New Glasgow e no Condado de Pictou, mas também nos âmbitos nacional e internacional.

FOLHA - Como foi a primeira corrida?

PARIS - Acho que, quando fiz aquela primeira corrida, as pessoas não sabiam muito bem o que esperar ou como reagir. Era um movimento muito simples, muito pequeno: apenas eu e mais três amigos começamos a corrida. Ao longo do caminho, alguns poucos foram se somando. No entanto, depois da corrida, muitas pessoas da comunidade vieram falar comigo, dizendo que eu devia continuar. Isso realmente poderia ser o início de mudanças em nossa comunidade.

FOLHA - Qual é a importância, para o senhor, do seu projeto de corrida?

PARIS - A Corrida contra o Racismo tem sido um sensacional para mim ao longo de toda a minha vida. O projeto me abriu muitas portas e possibilitou que eu treinasse atletas tanto no sistema escolar quanto em clubes privados e como treinador pessoal. Também possibilitou que minha mulher e eu viajássemos pelo país, divulgando nosso projeto e fazendo palestras sobre questões como discriminação racial, diversidade cultural e necessidade de compreensão entre as diversas culturas. Além disso, a corrida atrai pessoas de todos os estilos de vida e de todas as classes sociais e vem crescendo a cada ano. Parece que todos querem fazer parte dela e apoiá-la como podem.

FOLHA - Com a corrida, a sua cidade melhorou?

PARIS - Nossa cidade e o Condado se tornaram efetivamente um lugar melhor para viver. Nosso projeto ajudou a criar uma vontade de viver em paz e respeitando um ao outro. O projeto também ajudou a melhorar o relacionamento com as nações indígenas. Os grupos indígenas foram incluídos desde o primeiro momento, e eles apoiaram a corrida sem hesitação.

FOLHA - Há outros eventos semelhantes no Canadá?

PARIS - Nós temos a Campanha de 21 de Março, que foi criada para chamar a atenção para o Dia Internacional para Eliminar o Racismo e a Discriminação [NR: em homenagem às vítimas do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia do então governo racista da África do Sul abriu fogo contra manifestantes pacíficos, matando 69 negros e ferindo 180 _a maioria foi atingida pelas costas]. Como parte delas, há vários eventos e até algumas corridas, mas nenhuma com a amplitude de nossa Corrida Contra o Racismo.

Tradicionalmente, nossa corrida é realizada no dia 21 de março, mas neste ano resolvemos mudar a data: transferimos a corrida para 16 de abril na esperança de termos um clima melhor, um pouco mais quente, e também porque então as escolas já estariam funcionando. Nosso maior objetivo sempre tem sido procurar envolver os jovens, para quem tomem consciência e possam ter um futuro melhor. Esse tem sido nosso slogan desde sempre: "Juntos podemos fazer diferença".

Então, em abril passado, 20 anos depois de nossa primeira corrida, o projeto recebeu centenas de estudantes e adultos e foi um grande sucesso. Para mim, esse aniversário teve um sabor agridoce. Foi como se um círculo se completasse, pois estudantes, funcionários e professores da escola onde ocorreu o incidente com o meu filho deram agora apoio total à corrida. também tivemos cobertura de jornais e TVs locais e nacionais.

FOLHA - O senhor ainda corre maratonas?

PARIS - Já não corro maratonas há muitos anos, pois tenho me dedicado muito à organização da Corrida Contra o Racismo. Nos primeiros 15 anos, a corrida foi na distância de 38 milhas (61 km); nos quatro anos seguintes, baixou para 28 milhas (45 km). Neste ano, o do 20º aniversário, a corrida teve 22 milhas (35 km). Hoje sou vereador, cargo que tenho ocupado desde 2004. E continuo correndo, sim. Treino quase todos os dias, apesar de algumas lesões provocadas pelo volume de milhas percorridas ao longo de todos esses anos.

FOLHA - O que é correr para o senhor?

PARIS - Cada um corre por algum motivo. Eu corria para me manter em forma. Na minha juventude, fui corredor de pista e, por causa disso, sempre quis e procurei ajudar os jovens para que eles tivessem o apoio e as oportunidades que eu não tive.

 

Confira AQUI uma biografia de Henderson Paris. E visite o site oficial da prova AQUI. Ambos estão em inglês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida dos Bombeiros reúne milhares no Ipiranga

Multidão nas ladeiras

Participei hoje da Corrida dos Bombeiros, em volta do parque da Independência, na zona sul de São Paulo. É uma das provas de que mais gosto no circuito Corpore, ainda que tenha saudades do percurso original, com largada na frente do quartel dos Bombeiro na praça da Sé.

O dia estava uma beleza para correr, e a alegria da multidão que se concentrou no parque da Independência só fez aumentar o bom astral.

Aliás, correr é bom, mas é melhor ainda ver essa gente toda se divertindo em paz, saindo às ruas para se movimentar no seu ritmo, como puder e quiser, mostrando aos outros alegria, concentração, determinação e vontade de viver.

Gosto das ladeiras, especialmente da últimas subidas, em que minha lerdeza constante permite ultrapassar que, exagerou em momentos anteriores, mas nada sobrepujou, hoje, a delícia de ver a multidão na rua.

Teve gente que, claramente fora de forma, caminhou antes mesmo de completar o primeiro quilômetro. Eu bato palmas para eles, pois declaram para o mundo que estão dispostos a realizar seus desejos apesar de todas as dificuldades, mesmo que alguém possa considerá-los inadequados ou inapropriados.

Éramos gordos, velhos, jovens, magros, homens e mulheres das mais variadas etnias e origens sociais, credos e times do coração, todos ali suando nas ladeiras do Ipiranga, com prazer e alegria, nessa manhã cinzenta que se fez multicolorida por nossas passadas.

Saravá, irmão!

PS.: A foto que ilustra esta mensagem foi uma gentileza de Carlos Hideaki Fujinaga.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Correndo por uma causa - Fernanda Keller

Instrumento da paz

Na sequência da série de entrevistas com atletas e equipes que criaram ou apoiam programas sociais, trago agora para você uma entrevista com FERNANDA KELLER, a mulher de ferro, brasileira de maior sucesso em uma das mais desgastantes provas do mundo, o Ironman do Havaí.

Pois ela, além de correr, pedalar e nadar em níveis inimagináveis para a maioria de nós, ainda encontra tempo para tocar o Instituto Fernanda Keller, que dá orientação esportiva, educacional e vocacional para crianças carentes (na foto abaixo, Fernanda e crianças apoiadas pelo instituto).

FOLHA - O que é o Instituto Fernanda Keller?

FERNANDA KELLER - O Instituto Fernanda Keller, que tem o esporte como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento social, é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, criado com finalidades educacionais, culturais e desportivas, destinada a ser mantenedora de programas e projetos de alcance social, com sede na cidade de Niterói - RJ.

Os projetos são desenvolvidos em dois núcleos: Forte Barão do Rio Branco, em Jurujuba, onde são realizadas as aulas de natação (mar), ciclismo e corrida; e praia de Charitas, com aulas de natação realizadas na piscina do Comando de Bombeiro Área IX Metropolitana - Charitas.

São realizadas atividades relacionadas ao triatlon - natação, corrida e ciclismo. Os objetivos propostos nessas modalidades consideram principalmente a construção do aluno como ser humano e respeitador de suas limitações e diferenças.

Durante o processo das aulas, outros conteúdos, como saúde, higiene corporal, preservação do meio ambiente, alimentação e socialização, são trabalhados de forma interdisciplinar visando a formação integral dos alunos.

FOLHA - Quem e quantos são os beneficiados?

FERNANDA KELLER - São crianças e jovens da população de baixa renda, com idade entre sete e 18 anos, da rede pública de ensino. Atualmente 600 alunos integram os projetos que fazem parte do Instituto. 80% das crianças e adolescentes atendidos no Instituto moram em Charitas (Morro do Preventório) e Jurujuba. Os demais são de Barreto, Caramujo, Santa Bárbara e Morro do Castro.

FOLHA - Que resultados efetivos você já obteve com o projeto?

FERNANDA KELLER - A interferência na sua vida pessoal e profissional dos jovens, através de programas de caráter técnico e de auxílio em monitoria. Cerca de 35 alunos integram hoje a equipe que representa oficialmente o Instituto Fernanda Keller em competições municipais, estaduais e nacionais.

Atualmente, três alunos que iniciaram no Projeto Fernanda Keller com 8 anos de idade cursam a Faculdade de Educação Física, com bolsa de estudo integral, fazendo parte do Projeto Universidade Já e trabalhando como estagiários no Instituto.

Fazer parte da Rede Mundial do Esporte como Desenvolvimento Social, uma iniciativa do PNUD- Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas e da Nike, participando do lançamento da Rede, na Namíbia, na África.

Ter um grupo de 11 alunos do Projeto Competir – Equipe Fernanda Keller, ser convocado pela Confederação Brasileira de Triathlon para representar o Brasil no Campeonato Mundial de Aquatlon, em Monterrei, no México.

FOLHA - Como ele é financiado?

FERNANDA KELLER - No momento, por meio de convênios de patrocínio com a Prefeitura Municipal de Niterói, da Companhia Estadual de Gás-CEG e da Fundação Nestlé do Brasil.

FOLHA - Hoje, de que tipo de ajuda o projeto mais precisa?

FERNANDA KELLER - De apoio financeiro de empresas e governos, além das doações de pessoas físicas que sempre são bem vindas e em muito ajudam a garantir um atendimento condigno a essas crianças e jovens socialmente excluídos.

FOLHA - A corrida (ou o esporte) pode contribuir para a diminuir as distâncias sociais?

FERNANDA KELLER - O esporte é fundamental na vida de todas as pessoas, responsável por uma melhora na saúde física e mental, na integração das pessoas e o maior instrumento da paz. Os jogos desportivos dignificam o ser humano, pois no esporte vencer significa se superar.

Através do esporte, estamos conseguindo promover o desenvolvimento pessoal, físico e social dessas crianças e jovens, antes socialmente excluídos, numa tentativa de transformar suas realidades de vida e lhes dar esperança de um futuro melhor.

A prática regular de atividades físicas é fundamental nesta fase de formação do cidadão. O esporte educa, integra, passa disciplina e vontade de vencer mesmo diante das maiores dificuldades.

 

NR.: Para saber mais sobrer o trabalho do instituto, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Homenagem a Maria Esther Bueno

Cachorrinho traiçoeiro

Há 50 anos, uma jovem brasileira foi escolhida pela Associated Press, então --como hoje-- uma das maiores e mais importantes agências de notícias do mundo, a melhor atleta do planeta. Melhor e ponto, em todas as modalidades.

E isso que a moça não militava em um esporte de massa, mas sim no elitista tênis: Maria Esther Bueno tinha conquistado seu primeiro título em Wimbledon.

Era, como hoje, um 4 de julho: a garota paulistana de 19 anos venceu a norte-americana Darlene Hard por 6/4 e 6/3, em 43 minutos (foto do jogo em 1959, arquivo Folha Imagem), e se tornou a primeira sul-americana campeã . Hoje ela volta ao estádio como convidada de honra para acompanhar a decisão do torneio.

"O tênis sempre foi minha principal atividade, portanto foi através desse esporte que tive as minhas maiores chances na vida", disse ela em uma entrevista exclusiva que me concedeu em 2003, respondendo por fax a uma série de perguntas sobre sua trajetória e, mais especialmente, sobre suas conquistas no até então único Pan realizado no Brasil --o de São Paulo, em 1963.

Naquela conversa, ela revelou que, do torneio interamericano, guardava como lembrança um acontecimento ocorrido pouco antes das competições, mas que talvez tenha contribuído para prejudicar sua performance (ela conquistou apenas um ouro, levando ainda duas pratas).

"A principal recordação foi de um acontecimento um dia antes do início dos Jogos. Eu tinha ganhado um filhote de cachorro e estávamos brincando quando acidentalmente ele mordeu minha mão direita e rasgou bastante a parte interna de um dos dedos. Foi preciso fazer vários pontos e visitas diárias ao hospital durante o torneio para que eu pudesse jogar (com muita dificuldade para segurar a raquete) a semana toda."

Para ler a entrevista exclusiva feita por este blogueiro com a grande Estherzinha, como era chamada por seu fãs, clique AQUI.

A entrevista fez parte de uma produção especial que realizei, entrevistando os atletas brasileiros que foram campeões no Pan de 2003. O índice das entrevistas está AQUI.

Salve Maria Esther Bueno!

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Correndo por uma causa - Projeto Arrastão

Construindo o futuro

Ações de empresas e indivíduos conseguem ajudar comunidades carentes, interferindo e mudando vidas cujo destino de miséria e ignorância aparentemente já estaria traçado. Ver uma criança da periferia virar um adolescente com escola e um adulto com emprego é uma das alegrias dos que participam do Projeto Arrastão, uma ONG que atua na zona sul de São Paulo há mais de 40 anos.

Pois o Projeto Arrastão, através de sua parceria com a Marcos Paulo Reis Assessoria Esportiva, desenvolveu o Programa de Iniciação Esportiva, proporcionando a centenas de crianças, jovens e adultos moradores da região de Campo Limpo, zona sul, a oportunidade de usar o esporte como ferramenta para a melhora da qualidade de vida e da inclusão social. Para saber mais sobre o trabalho, conversei com o técnico MARCOS PAULO REIS. Leia a seguir a entrevista com ele, a terceira de uma série sobre o tema Correndo por uma Causa (role a página para ler as outras, com Mário Sérgio Silva e Vanderlei Cordeiro de Lima).

FOLHA - O que é o Projeto Arrastão?

MARCOS PAULO REIS - É tentar levar o esporte através de aula de educação física para uma comunidade carente. A ideia não é a performance ou tirar de lá novos talentos. Mas sim tentar beneficiar o maior numero de pessoas (crianças) através da prática esportiva.

Hoje já conseguimos visualizar que o esporte começa a fazer parte do dia a dia do Arrastão.

FOLHA - Quem e quantos são os beneficiados?

MARCOS PAULO - Em torno de 400 crianças.

FOLHA - Que resultados efetivos você já obteve com o projeto?

MARCOS PAULO - É muito legal ver isso. Tem garotos que treinaram com a gente e hoje fazem o curso de educação física. Acabam trabalhando na área e, mais importante, têm um futuro e uma cabeça voltada para coisas boas. Pois é isso que o esporte traz.

FOLHA - Quanto custa o projeto mensalmente (ou anualmente)?

MARCOS PAULO - Fazemos uma prova anualmente para o Arrastão, que gera 5% de toda a receita líquida anual do Arrastão. O dinheiro vai todo para eles e eles administram isso.

FOLHA - Hoje, de que tipo de ajuda o projeto mais precisa?

MARCOS PAULO - A ideia é sempre levar meus parceiros para dentro do projeto. Firmas que já me apoiam e amigos para conhecerem o projeto e verem a seriedade do mesmo.

FOLHA - A corrida (ou o esporte) pode contribuir para a diminuir as distâncias sociais?

MARCOS PAULO - Temos boas ferramentas para diminuir as distâncias sociais. Acho que o esporte é uma delas. Não vou colocá-la como a melhor. Mas acho que o esporte traz para o dia a dia companheirismo, honestidade, participação, integração, saúde, alem de inúmeros outros fatores.

NR.: Para saber mais sobre o Projeto Arrastão, clique AQUI. E veja AQUI o site da ONG.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Correndo por uma causa - Esporte Solidário

Educação pela corrida 

"Antes, eu pensava que ia crescer e virar traficante. Aí o projeto me ensinou, porque o pessoal da favela não se dá bem na escola. Abriu minha cabeça, me ensinou a buscar meus objetivos." Esse é o depoimento de Adriano Nogueira Ferreira, 20, que foi um dos adolescentes carentes atendidos pela Associação Solidário e hoje já não precisa do apoio do grupo, pois conseguiu emprego, está ganhando sua vida.

A entidade é um dos exemplos de trabalhos de grupos de corrida de São Paulo que procuram não apenas propiciar lazer para seus participantes mas exercer um papel social mais amplo. E mais uma demonstração de como o esporte e a corrida ajudam a arrancar de cada um de nós o que podemos oferecer de bom --esse foi o tema de reportagem que escrevi para o caderno Equilíbrio, da Folha, e de minha coluna deste mês (clique nos links em azul para acessar os textos).

Para produzir a reportagem, conversei com educadores, treinadores e esportistas do Brasil e do exterior, que contaram histórias muito bacanas. A maior parte delas não coube nos estreitos limites das páginas do jornal. Mas eles vêm na íntegra para a internet. Já publiquei entrevista com Vanderlei Cordeiro de Lima (role a página para ler) e, agora, trago para você minha conversa com MÁRIO SÉRGIO SILVA, diretor técnico da assessoria esportiva Run&Fun, de São Paulo, que criou a ASSOCIAÇÃO ESPORTE SOLIDÁRIO.

 

FOLHA - O que é o projeto Esporte Solidário?

MÁRIO SÉRGIO SILVA - O projeto, que iniciou em dezembro de 1999, é, através do esporte, ajudar no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes da zona oeste de São Paulo --especificamente, as comunidades carentes do entorno da USP.

FOLHA - Quem e quantos são os beneficiados?

MÁRIO SÉRGIO - Crianças e adolescentes de escolas públicas municipais e estaduais que preencham os requisitos de serem carentes mesmo. O que quero dizer é que, se tivermos apenas uma vaga e dois alunos, o mais pobre e em pior condição será atendido. Hoje atendemos 240 crianças e seus familiares.

FOLHA - Que resultados efetivos você já obteve com o projeto?

MÁRIO SÉRGIO - Temos hoje dois garotos na faculdade, um acabando engenharia e outro iniciando educação física. Além disso, outros dois que não eram do projeto tiveram seus cursos superiores pagos pela associação e um inclusive trabalha conosco. Temos ainda outra dezena de exemplos de empregabilidade de garotos que passaram por nós nesses anos todos. O que percebemos é que todo ano temos um percentual maior de empregabilidade do que os índices do Brasil. que tem nessa faixa etária de 16-25 anos o maior nível de desemprego.

FOLHA - Quanto custa o projeto mensalmente (ou anualmente)?

MÁRIO SÉRGIO - O projeto custa anualmente R$ 450 mil.

FOLHA - Como ele é financiado?

MÁRIO SÉRGIO - Por um conselho mantenedor de 3 empresários (45%), por dois patrocínios de empresa (30%), por doações de pessoas físicas (5%), por dois eventos que organizamos anualmente (10%) e por doação espontâneas de empresas (10%).

FOLHA - Hoje, de que tipo de ajuda o projeto mais precisa?

MÁRIO SÉRGIO - Hoje, passado esses anos todos, sabemos que dominamos o instrumento de educação pelo esporte. Temos na parte financeira o nosso maior desafio, pois o ideal para qualquer projeto social é a autosustentabilidade e isso, por não vendermos ainda produtos e nem serviços, ainda não é possível.

FOLHA - A corrida (ou o esporte) pode contribuir para a diminuir as distâncias sociais?

MÁRIO SÉRGIO - Eu não tenho dúvida: a corrida é muito democrática e onde se encontram ricos, pobres, jovens, idosos, negros, brancos --ou seja, todos estão representados. O esporte, além de tudo, tem um grande poder de sedução e educação entre os jovens. Por isso, quando você tem um olhar de educação na corrida e no esporte você pode conseguir muitas conquistas.

Acreditamos que o jovem carente brasileiro é pobre em sonhos. Ele está perdendo a capacidade de sonhar, de questionar e principalmente de que é possível evoluir e chegar lá. Acho que o projeto e o esporte mostram que, apesar de muito difícil, é possível, sim, conquistar avanços, ocupar seu espaço e principalmente ser incluído integralmente na sociedade.

NR.: Para saber mais sobre o projeto, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Correndo por uma causa - Vanderlei C. de Lima

Brasileiros em ação

 

A corrida mobiliza o que há de melhor em cada um de nós: bravura, determinação, decisão. Faz aflorar sentimentos nobres, de solidariedade e espírito público. Pelo menos, é o que corridas por uma causa _política ou benemerente_ vêm demonstrando no mundo todo.

Há corridas contra o racismo, há provas para arrecadar fundos para o combate a doenças ou o apoio a atingidos por catástrofes, há manifestações pela paz e maratonas em defesa do ambiente _esse é o tema de reportagem que fiz para a edição de hoje do caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL) e também o assunto de minha coluna (AQUI, com as mesmas restrições).

Um dos textos publicados fala das iniciativas brasileiras, mostrando como exemplo o maratonista Márcio Villar, que vai correr do Rio de Janeiro a Búzios para ajudar a arrecadar fundos para o Instituto Nacional de Câncer.

Mas há muitos outros: em agosto próximo, por exemplo, será realizada a Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama, que arrecada fundos para o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. E a Corpore tem uma série de ações sociais, que você pode conferir em detalhe AQUI.

Além disso, atletas famosos, como o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima e a mulher de ferro Fernanda Keller, assim como equipes de corridas, montam projetos para apoiar a juventude necessitada.

A partir de hoje, inicio a publicação de uma série de entrevistas com o tema geral CORRENDO POR UMA CAUSA. Conversei com os responsáveis por quatro projetos brasileiros e dois estrangeiros _um no Canadá, outro na Espanha. Vou começar com os brasileiros, abrindo os trabalhos com a entrevista com o maratonista de bronze, que você lê a seguir.

FOLHA - O que é o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima?

VANDERLEI CORDEIRO DE LIMA - Tento contribuir de maneira positiva para fazer do esporte uma oportunidade para aqueles que sonham e desejam se tornar cidadãos saudáveis e felizes. O Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima é a realização desse sonho. Fundado em 2008, o IVCL tem como objetivo proporcionar a prática lúdica do atletismo, aliado a atividades educativas e culturais, com crianças entre 11 e 18 anos. Com sede em Campinas (SP), o IVCL utiliza o esporte como meio para crescimento e desenvolvimento individual e coletivo. Inicialmente trabalharemos com o atletismo por ser a modalidade com a qual tive sucesso e tenho mais afinidade. No futuro podemos organizar novos núcleos em outras cidades de acordo com o desenvolvimento do projeto.

FOLHA - Quem e quantos são os beneficiados?

VANDERLEI - O Instituto atende a crianças carentes provenientes da periferia da Região Metropolitana de Campinas. Para ingressar no projeto, o participante deve estar matriculado na rede de ensino e comprovar frequência e notas escolares. Queremos dar oportunidade para essas crianças se desenvolverem física e socialmente. Atualmente 160 crianças são atendidas pela Orcampi, o núcleo esportivo do Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima. [NR: Pedi mais esclarecimentos sobre o que é a Orcampi e recebi as seguintes informações da assessoria do IVCL: "Orcampi é a sigla usada pela Organização Funilense de Atletismo, fundada em 1997. É um clube (o que permite que seus atletas participem de competições nacionais e internacionais) e uma entidade sem fins lucrativos. O Vanderlei já foi atleta da Orcampi e, desde o início, é padrinho do projeto. Em 2008, quando o IVCL foi fundado, a Orcampi foi integrada ao projeto como núcleo esportivo da instituição".]

FOLHA - Que resultados efetivos você já obteve com o projeto?

VANDERLEI - Em 12 anos, atletas da Orcampi participaram de importantes competições regionais, nacionais e internacionais. Em 2006, a Orcampi teve atletas presentes em todas as seleções brasileiras das categorias de base do atletismo nacional (de menores a sub-23). Dentre os atletas que foram revelados pela Orcampi, estão Fabiana Murer (salto com vara) e Fábio Gomes (salto com vara). Nos Pan de 2007, dos 85 atletas da equipe brasileira, dez tinham começado na Orcampi. Em Pequim, cinco atletas da seleção de atletismo foram revelados pelo projeto. A Orcampi encerrou 2008 como 3ª colocada no Ranking Paulista de Clubes e atendeu mais de 200 crianças.

Além dos resultados atléticos, o trabalho desenvolvido vem promovendo diversos benefícios sociais aos participantes, seja na ampliação da rede de apoio dos jovens, como também no aumento da motivação, autoestima e autoconfiança. É muito gratificante ver as crianças ocupando o tempo ocioso, melhorando os hábitos de vida saudáveis e criando metas e planos para o futuro.

FOLHA - Quanto custa o projeto mensalmente (ou anualmente)?

VANDERLEI - O núcleo esportivo do IVCL tem um custo anual de R$ 250 mil. Os demais núcleos ainda estão sendo estruturados.

FOLHA - Como ele é financiado?

VANDERLEI - A Orcampi, núcleo esportivo do IVCL, tem patrocínio da Unimed Campinas e recebe repasse de verba do Fiec (Fundo de Investimentos Esportivos de Campinas). Elaboramos um projeto desse núcleo e conseguimos a aprovação pela Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte. No momento, estamos em fase de captação de recursos.

FOLHA - Hoje, de que tipo de ajuda o projeto mais precisa?

VANDERLEI - Precisamos de toda ajuda que houver, seja através de verba, de produtos ou serviços. Atualmente oferecemos uniforme, treinamento técnico específico, acompanhamento médico e fisioterápico, suporte psicológico, lanches, passes municipais e intermunicipais e transporte e alimentação em competições. As crianças que se destacam no atletismo e na escola também recebem uma ajuda de custo. Com novos parceiros e patrocinadores, pretendemos aprimorar e ampliar os benefícios oferecidos e, consequentemente, aumentar o número de crianças atendidas.

FOLHA - A corrida (ou o esporte) pode contribuir para diminuir as distâncias sociais?

VANDERLEI - Sem dúvida nenhuma. E eu sou um bom exemplo disso. Quando comecei a correr nos intervalos do trabalho como bóia-fria no interior do Paraná, eu não imagina como a minha vida podia mudar. O atletismo me proporcionou conhecer diversos países, inúmeras pessoas e me deu condições para criar bem minhas filhas. Sou muito grato por ter tido essa oportunidade, mas também me esforcei demais para alcançar meus objetivos. Quem acredita tem que correr atrás, literalmente.

 

NR.: Para saber mais sobre o projeto de Vanderlei Cordeiro de Lima, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona do Rio de Janeiro, a imagem

Que alegria!

A satisfação pela conquista transparece no rosto suado de Marizete de Paula Resende, que venceu no domingo passado a maratona do Rio de Janeiro (foto EFE).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

São Paulo bota a turma para correr

Corre, tricolor paulista

 

A reportagem que fiz sobre o grupo de corridas do Corinthians suscitou muitos comentários. Vários leitores lembraram que outros times também têm seus grupos de corridas, mas JOSÉ ROBERTO ISABELLA, 55, corredor há mais de 26 anos, foi além. Torcedor e sócio do São Paulo, mandou uma detalhada mensagem sobre as iniciativas do clube na área do esporte amador e, especificamente, das corridas de rua. Passo a seguir a publicar o texto dele, que mandou também a foto acima.

Ah, se você não percebeu, procurei dar título e antetítulo semelhantes aos usados no texto sobre o Corinthians. Aqui a gente quer tratar todo mundo com o devido respeito e, desde já, digo que fico muito satisfeito em ver que mais clubes incentivam a prática de esportes além do futebol. Bom, chega de conversa e vamos ao texto de JOSÉ ROBERTO ISABELLA, que é dono de um salão de beleza no Paraíso (zona sul de São paulo) e já correu seis maratonas.

"Sou associado do São Paulo Futebol Clube e quero registrar que o Tricolor Paulista "corre na frente" há muito tempo e possui um departamento de esporte amador bastante atuante. O São Paulo já patrocinou grandes nomes do atletismo, como Adhemar Ferreira da Silva (salto triplo - bicampeão olímpico), José João da Silva (corredor) e de outros esportes como boxe (Eder Jofre) e judô (Aurélio Miguel).

"Especificamente em relação à corrida, o São Paulo tem um grupo de associados que se dedica às competições de rua desde o começo desta década. Também tem uma diretoria focada especificamente nesse esporte, que é comandada na atualidade por Hilton Sergio Pereira da Silva e treinada pelo professor José Luis Marques, que já integrou a delegação brasileira de atletismo.

"Durante a semana, realizamos nossos treinos na pista do estádio do Morumbi; aos sábados, vamos, preferencialmente, à USP para os "longões" --nosso apoio fica bem em frente à pista do matão.

"A equipe de corrida do São Paulo é bastante eclética, formada por pessoas de diferentes faixas etárias (dos 15 aos 75 anos) e até por torcedores de outros times. Participamos regularmente de provas de rua, na capital paulista e em outras cidades. Nesses eventos, os atletas do São Paulo comparecem uniformizados e têm total o apoio logístico, incluindo a montagem de tenda, que disponibiliza água, frutas, doces, isotônicos e também o transporte para os locais das provas. No último domingo, marcamos presença na maratona do Rio.

"Nos meses de outubro/novembro de cada ano, o São Paulo promove para seus associados a Olimpíada Preto, Branco e Vermelho, com diversas modalidades esportivas. Depois de uma semana de competição, a última prova é justamente a corrida, que tem início na pista de atletismo do estádio, percorre os arredores do clube e termina nas dependências sociais.

"O São Paulo Futebol Clube também corre com vontade, entusiasmo e organização."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.