Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Garis dão show de força, resistência e velocidade

ATLETAS NO LIXO

A partir deste momento, trago para você uma grande reportagem produzida pelo meu colega LUÍS FERRARI, que trabalha na editoria de Internacional. Também corredor amador, Ferrari produziu o texto como parte de um curso sobre jornalismo literário. É um trabalho de fôlego, apresentado aqui em várias partes. Agora, sem mais delongas, fique com a reportagem de Ferrari.

 

A corrida poderia ser atrás de ouro, prata e bronze, medalhas e pódios para o país que almeja se consolidar como uma potência esportiva e tem a pretensão de receber os Jogos Olímpicos de 2016. Mas, com uma rodagem semanal superior à de muitos fundistas, em sapatos sem o amortecimento adequado, com solado de borracha de pneu ou em raros treinamentos inventados por eles mesmos e sem o acompanhamento de um professor de educação física, correm mesmo é atrás do lixo da maior cidade do Brasil. Inalam o odor do conteúdo dos sacos, misturado à fumaça, produto da combustão de óleo diesel do caminhão que têm de seguir.

Com algum incentivo e preparação minimamente adequada, poderiam suar a camisa atrás de premiações de provas internacionais como as maratonas de Dubai (US$ 250 mil para o vencedor), Berlim (US$ 60 mil) ou São Paulo (R$ 16 mil). Mas levam o corpo ao limite por cerca de R$ 1.200 mensais (salário de R$ 755, adicional de insalubridade de R$ 186 e ao menos R$ 300 em horas extra) -o equivalente ao preço de dois pares de tênis mais sofisticados para a prática da corrida. E, num dia tranquilo de trabalho, lançam em média 3 toneladas de lixo para trás do caminhão.

Como bons corredores, porém, não se entregam à autocomiseração. Exausto num treino ou numa prova, se tiver pena de si próprio, o atleta desiste, sucumbe às inevitáveis dores. Atingido um determinado nível de desgaste, é a cabeça -não o corpo- a responsável por manter a sucessão de passadas.

Essa é a lógica que eles seguem. A rotina dos garis impõe uma série de superações. A superação do cansaço de virar a madrugada correndo no trabalho e disputar uma prova no dia seguinte. Ou uma ultramaratona, de 75 km, no dia seguinte e mais uma maratona (42,195 km) no dia subsequente, como fez Fernando Beserra da Silva.

A corrida modifica a vida deles, faz seu trabalho parecer fácil, como mostraram Ivanildo Severino Pinheiro, o Pica Pau, e Israel de Almeida Ferraz, o Muamba, que pareciam estar brincando na noite em que foram acompanhados em ação recolhendo o lixo ao longo do percurso de 62 km que fazem na Vila Leopoldina, zona oeste da capital.

O esporte os faz buscar novos conhecimentos, conforme relata o autodidata Benedito Mariano da Silva, que busca se informar por conta própria para aprimorar sua performance. E sai inconformado de uma prova em que obteve ‘só‘ o índice da maratona de Boston, evento internacional conhecido no circuito por ser uma restrito a corredores gabaritados.

De quebra, a atividade os faz largar maus hábitos como a cachaça, caso de Basílio Cordeiro da Rocha, ou ao menos os motiva a tentar novos desafios, situação de José Carlos Ramos, que está tomando coragem para sua primeira prova ‘profissional‘.

Esta é a história dos seres humanos dentro das berrantes vestimentas laranjas, sombras coloridas responsáveis por limpar a cidade e atravancar o trânsito momentaneamente, numa das profissões mais estigmatizadas dos cenários urbanos.

E do motorista de caminhão de lixo que, na prática, lhes serve de treinador. E da fisioterapeuta que tenta impor algum método no caótico estilo de treinamentos. E do que acontece quando um corredor amador se mete a treinar com dois deles.

CONTINUA...

 

PS.: As fotos que ilustram a reportagem são de Guta Galli; na cena acima, quem aparece é o Pica-Pau.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h58

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Atletas no lixo - parte 2

O TRABALHO

 Continuação da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog....

 Parado, seja no carro com o trânsito travado atrás do caminhão de lixo, seja na calçada vendo sua passagem em ritmo mais lento que o do resto do tráfego, um observador não tem condição de avaliar de forma precisa a velocidade da viatura responsável por transportar para longe dele a sujeira da cidade.

Apenas em pé, no estribo do caminhão, com o vento na cara e os solavancos causados pelos buracos das ruas, exposto a um ritmo de 30 km/h ou mais é que se tem noção disso.

Somente ao tentar saltar do veículo em movimento a 25 km/h é possível ter uma ideia da habilidade atlética e do equilíbrio necessários para o trabalho de gari -sem falar no preparo físico, para correr durante a noite toda, infinitos piques curtos, levando peso e saltando de volta ao estribo, desviando de outros carros e ainda por cima tendo de aturar um ou outro xingamento.

E o cheiro? A nuvem fedorenta que um observador parado sente por meio minuto quando passa o caminhão de lixo em sua frente é a que vai no nariz do gari por até 12 horas. Eles são obrigados a jogar para a caçamba do caminhão todo tipo de tranqueira imaginável - contam que o lixo mais fedorento é o de corpos de cachorro em decomposição, que, ao serem lançados na prensa, liberam um cheiro capaz de esvaziar um quarteirão de pedestres.

Não é um trabalho fácil. Mas, dizem, fica menos duro -chega a ser divertido até- se o profissional tem alguma habilidade como corredor. É o que demonstram Ivanildo Severino Pinheiro, o Pica Pau, e Ismael de Almeida Ferraz, o Muamba.

A dupla esbanja irreverência numa fria noite de sábado em que é acompanhada nos 62 km que percorrem recolhendo lixo pela Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista.

De bigode fino e compleição física esguia, Pica Pau lembra um Carlitos lançando sacos e sacos de lixo na traseira do caminhão. Mesmo depois de duas horas de trabalho, ele não acusa uma gota de suor e exibe o uniforme laranja limpo como se tivesse acabado de vesti-lo, na saída do banho. ‘Hoje tá fácil, vou chegar cedo para ver a patroa‘, diz o pernambucano, estimando chegar em casa por volta de 4h da manhã -o serviço começou às 19h.

Corredor há 16 anos e coletor de lixo desde 1995, ele tem no currículo três maratonas e quatro São Silvestres, várias medalhas e alguns troféus de corridas. O primeiro, confessa, conquistado com malandragem. ‘Minha primeira corrida foi de Pernambuco, na minha cidade, Caruaru, a capital do forró, e eu não cheguei a terminar a prova. Era de 10 km. Quando chegou nos 8 km, quebrei. Tava eu, minha mulher e um primo meu, que tava com carro. Ele disse ’entra aqui, eu te deixo na frente e você vai ganhar troféu’. Aí eu cheguei em terceiro colocado.‘

Ao lembrar da fraude, Pica Pau se diz arrependido. Hoje, diz ele, tem consciência de que o meio dos corredores não é lugar para falcatruas. E cita um episódio vivido pelo colega.

‘Gosto de fazer as provas porque vejo coisas interessantes, aqueles senhor de idade se esforçando, é bonito. Nas corridas só tem coisa boa. Que nem, o Mumaba, quando foi numa corrida lá em Santo André e perdeu a carteira dele. Já pensou? Se fosse em outro canto, num bar, num forró, ele não ia recuperar nada. No máximo o documento.‘

‘Mas alguém achou, e devolveu com dinheiro e tudo‘, diz sorrindo o baiano, de 35 anos, de rosto redondo com algumas marcas de espinhas. ‘Sabiam que eu era corredor. Daí o cara que achou pegou meu RG, anunciou lá e me chamou. Tava tudo lá dentro, R$ 400. Por isso que eu falo, nas corridas só vai gente boa. Tudo de bom tem nela. Pessoal não tem vício de fumar, de bebida. Quando me devolveram a carteira eu fiquei alegre, agradeci o cara, chamei o cara pra tomar uma cerveja, ele falou que não precisava... Quis dar uma caixinha, ele falou que não precisava.‘

‘Falei pra ele, cara, difícil acontecer isso aí, só em corrida mesmo‘, interrompe Pica Pau.

‘Eu também já achei carteira com documento e devolvi. Trabalhando no lixo. Várias coisas nós acha no lixo. Documento.... Não serve pra nada, né, aí eu acho o telefone, ligo e devolvo‘, relata Muamba, revelando outros traços que evidenciaria mais tarde: camaradagem e cordialidade.

Enquanto trabalham, os dois pacientemente atendem aos pedidos para posarem para fotos e, vez por outra, pedem alguma coisa para comer em padarias e pizzarias por onde passa o caminhão, sempre brincando com os comerciantes que já conhecem.

A simpatia no contato com as pessoas do circuito que percorrem é um trunfo para engordar o orçamento dos garis. Dezembro é o mês das caixinhas, e há relatos de profissionais que conseguem até R$ 10 mil de gratificação natalina. Eles dizem que os mais generosos são os moradores de bairros residenciais com mais casas que prédios. Nas redondezas com mais apartamentos, a negociação é com os zeladores, que frequentemente ficam com um pedágio do rateio destinado aos garis.

Num determinado momento do percurso, ao notar que a fotógrafa que os acompanha deseja subir na cabine do veículo, Muamba larga o serviço e gentilmente abre a porta para ela.

Mais tarde, quando repórter e fotógrafa se despedem dos garis, dando por encerrada a imersão no serviço de coleta, ele insiste para que levem uma pizza que pegou pelo caminho, acompanhada de uma garrafa de Fanta uva. Não aceita as insistentes recusas.

‘Corredor é assim mesmo, somos tudo gente boa. Leva a pizza, vai‘, diz, de maneira inapelável.

Mais tarde em casa, ao comer a pizza e beber o refrigerante que consumira pela última vez há uns 20 anos, experimentei múltiplas satisfações: encher a barriga, lembrar da infância, desfrutar da generosidade de quem divide o pouco que tem e ter seguido o prudente impulso de não pular do estribo do caminhão a 25 km/h (se o tivesse feito, creio, desabaria no chão e provavelmente teria sido obrigado a recolher os pinos usados para reconstruir o ligamento do joelho e os lançado, inúteis, na traseira do caminhão).

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h56

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Atletas no lixo - parte 3

 

O TREINADOR

Continuação da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog....

 

Exceto por esporádicas consultas a planilhas de treinamento publicadas em sites ou revistas especializadas em corrida, o treinador dos garis fundistas, na prática, é o motorista do caminhão que eles seguem.

É o motorista quem determina o ritmo da coleta, quem dita os piques e os saltos dos coletores, do estribo do caminhão para a rua e de volta para o estribo.

Há 28 anos dirigindo caminhões de lixo, Isaías, como foi batizado o motorista conhecido entre os garis como Zeca Pagodinho, já trabalhou com muitas equipes de coletores. Sua preferida era uma que tinha todos os garis corredores. Ele não titubeia ao explicar por que prefere ter em seu caminhão profissionais como Pica Pau e Muamba.

‘Eles costumam ser mais disciplinados. Em matéria de falta, por exemplo, com quem eu já trabalhei, não só nessa empresa, mas em outras também, os corredores eram os que menos faltavam. Acho que eles se sentem bem correndo. E outra, que quando saem do serviço às vezes ainda vão pra casa correndo. Com certeza eles são mais concentrados que os outros, porque eu acho que têm mais interesse no serviço que fazem. Se eles pudessem ficar a vida inteira correndo sem nem subir no caminhão, eles nem subiam. Nem todos ’guentam’ trabalhar no ritmo deles, né. Só alguns aí na empresa ficam no ritmo deles. Tem alguns garis que nem querem vir nesse setor daqui porque tem que correr bastante. É muita quilometragem. Sábado passado teve um aqui comigo, ele veio, tentou, completou o turno morto. E falou que ele preferia ser mandado embora da empresa, mas que nesse setor aqui ele não ia mais. Por causa do ritmo né, o ritmo é mais forte.‘

O baiano de 47 anos, cujas feições lembram de longe o pagodeiro que lhe empresta o apelido, é encarregado de conduzir o caminhão por um percurso de 62 km na Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista. É um dos mais longos setores operados pela empresa na cidade.

Durante o recolhimento, Zeca Pagodinho não tira os olhos dos retrovisores. Ele monitora constantemente a movimentação dos três coletores nas ruas, com atenção particular em avenidas por onde passam linhas de ônibus -nas quais a tocada precisa ser um pouco mais rápida, para não travar o trânsito, menos intenso, mas ainda assim razoável durante a noite, quando eles saem para o trabalho.

O caminhão sai da garagem do Jaguaré às 19h e menos de meia hora mais tarde, já no setor que será coberto, começa o trabalho de recolhimento.

Indagado se tem ideia da fração dos 62 km que os garis passam no estribo do caminhão e do trecho que percorrem na rua, ele confessa: ‘nunca prestei atenção direito, mas vamos supor que, praticamente assim, correndo mesmo, acho que é uma faixa de 30 km, 35 km mais ou menos‘.

A mesma reação de sincera e inocente indiferença, ele manifesta depois de arrancar com velocidade ladeira acima, ao responder a observação de que não tinha pena de ver os rapazes levando sacos que pareciam pesados ficando para trás. ‘É que eu já acostumei. É sempre assim, eles alcançam‘, fala rindo.

Já quanto à velocidade média que deve observar no percurso, ele tem dados precisos. ‘Eles têm de andar mais ou menos uns 20, 25 km/h, durante a semana, quando tem mais lixo e o recolhimento leva mais tempo. Hoje, como é sábado, a média vai ser de uns 30, 35 km/h mais ou menos. Devemos demorar umas quatro horas. Na segunda-feira, como tem lixo acumulado, vai para 12 horas. Durante a semana, de terça pra frente, leva oito‘, diz, antes de engatar uma segunda marcha e forçar Pica Pau, Muamba e o terceiro gari da equipe (que já começa a ficar para trás dos colegas depois de cerca de meia hora de trabalho) a darem um pique mais longo, de cerca de 80 m.

Apesar de nunca ter ido ver os colegas participarem de uma prova de rua e muito menos ter vontade de correr, Zeca Pagodinho diz que os incentiva a manterem a atividade. ‘Faz bem pra saúde deles, e quem sabe um vira profissional algum dia. Potencial eles têm. Contam que já ganharam medalhas e que poderiam correr na Olimpíada se tivessem mais condições. Só que a empresa eu acho que deveria ajudar. Até hoje eu nunca vi a empresa ajudar. Eles têm corrida pra correr no domingo, trabalham sábado, vão pra casa e acordam no domingo pra correr. É um esgotamento. A empresa tinha que dar o dia pra eles, eles provando que vão correr...‘

Mas os garis corredores não reclamam, nem do pouco incentivo que têm da empresa, muito menos do trabalho ‘que é, claro, muito pesado‘, narra o motorista -‘pelo menos os que trabalham comigo não se queixam‘.

Como tem anos de experiência no serviço, ele pode comparar com segurança as mudanças que observou no sistema de recolhimento de lixo da capital nas últimas três décadas. ‘Antigamente era bem mais rápido, os setores eram maiores e eles corriam bem mais. Mas os coletores eram todos eram funcionários públicos, da prefeitura. Então eles trabalhavam só meio período, tinha horário de café, parava para almoço... Se não desse para fazer o setor todo em meio período, tinha que recolher o caminhão e chamar outra equipe para terminar. Depois, houve renovação do contrato, e as empresas passaram a fornecer para a prefeitura os caminhões e as equipes, então muita gente não quis mais trabalhar na coleta. Hoje em dia, para achar uma vaga é difícil, quase não tem. Mas naquela época eram poucos os que quiseram continuar.‘

E o senhor, Zeca, por que quis entrar no recolhimento de lixo?

‘Eu trabalhava em uma empresa que era a Alberto Odebecht, de operador máquina de terraplanagem. Depois eu fui enjoando com aquilo, era muito novo também na época, aí peguei e desisti de trabalhar com máquina. Então arrumei de motorista de caminhão de caçamba, de carregar areia... Arrumei com ônibus, também não me dei muito com ônibus por causa... sei lá, acho muito enjoativo trabalhar com ônibus, porque tem que lidar com seres humanos, e então uns reclamam, outros gritam, ’o motorista isso, o motorista aquilo outro’, então eu parei. Consegui entrar pra coleta de lixo e daí pra cá não saí mais.‘

E nem pretende. Diz estar satisfeito. Tanto com a função remunerada quanto com o circunstancial papel de treinador dos garis fundistas.

 CONTINUA...

 

PS.: Na foto do alto, Pica-Pau (de bigode) e Muamba

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h54

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Atletas no lixo - parte 4

O AUTODIDATA

 Continuação da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog.

Atualmente trabalhando na coleta de lixo hospitalar --que tem remuneração superior e não demanda corridas pelas ruas de São Paulo--, Benedito Mariano da Silva é o único dos garis fundistas da empresa que não tem, na prática, o condutor do caminhão como treinador.

Aos 41 anos (sendo os 13 últimos dedicados à corrida), o pernambucano de Santa Maria de Cambucá assina revistas especializadas em corrida, onde se inspira para traçar suas metas.

Conhecedor dos principais nomes do circuito internacional de maratonas -ele cita sem tropeçar nas letras o nome do recordista mundial dos 42,195 km, o etíope Haile Gebrselassie-, Mariano adota um tom que mimetiza o dos atletas profissionais quando se refere ao seu próprio desempenho nas provas.

‘Neste ano, fiz um tempo horrível, 3h18 na maratona de São Paulo. Meu melhor tempo é 2h53, quando fui 71º no geral, em 2003. Mas neste ano eu senti o baço, me quebrou no sétimo quilômetro. Melhorei no 15, mas no quilômetro 20 senti de novo, só melhorei no 27, aí eu forcei até o 39, desce primeiro túnel, aí no segundo túnel, câimbra na coxa, senti a fisgada, parei, alonguei, perdi dois minutos, aí fui. No outro túnel, de novo, na outra perna, aí tive que parar de novo pra alongar... Só forcei faltando 600 m. Muito alto esse tempo. Não fiquei nada satisfeito‘, conta ele, exibindo a foto de sua chegada e a listagem com os tempos oficiais da prova.

Sua marca, porém, o classificaria para a maratona de Boston. O ‘tempo horrível‘ de Mariano, obtido em meio a paradas e câimbras na prova paulistana de 2009 é dois minutos mais baixo que o índice de sua faixa etária para o evento nos EUA que é conhecido internacionalmente como uma prova de elite, por só aceitar atletas com marcas respeitáveis -há inclusive uma relação de ‘provas rápidas‘ (o oposto do perfil da maratona paulistana, em virtude de seus aclives, túneis, e horário de largada) indicadas especificamente para quem sonha em correr Boston obter o rigoroso índice exigido pelos organizadores.

Ao ouvir que a marca não é lá tão ruim e que seu interlocutor correu a mesma distância em cinco horas, ele muda o tom de voz, desfranze o rosto e ri, mostrando os grandes dentes.

‘Tá brincando! É pelo meu aspecto, como já tem mais de dez anos que corro, eu suporto né. Eu já tenho essa carga grande, então o meu psicológico é exigente... Não aceito certas coisas‘, explica, do alto de seu 1,64 m e 63 kg.

Entretanto, mesmo quando iniciante, ele já revelava perfeccionismo.

Decidiu correr sua primeira prova em 1995, depois de ver na TV o comercial daquela que seria a primeira edição da maratona paulistana.

‘Nunca tinha corrido nada. Fui até o quilômetro 17, aí fui resgatado, né, lógico, o joelho estourado. Vi uns caras correndo, e me inscrevi. Não tinha noção de distância, de treino, nada... Aí acabei com o joelho arrebentado. Tive que esperar o ’buso’ levar a gente, aí no final veio a moça dar medalha, falei ’ó, não quero medalha não’. Eu devia ter pegado, mas eu não queria. Tava arrasado mesmo. Aí foi que no outro ano eu corri, fiz em 3h30, e peguei a medalha. Naquele tempo, eu ainda não trabalhava na coleta, se trabalhasse, estaria mais preparado.‘

Para treinar para a primeira maratona que terminou, em 1996, Mariano saía correndo a esmo, uma, duas horas por dia. Depois entrou na coleta ‘num setor suave, de só 45 km‘ e então viu sua condição física melhorar rápido.

Paralelamente, passou a realizar treinos mais elaborados, sempre montados por ele mesmo -pois não acredita em treinadores.

‘Eu pego uma matéria da revista porque não tenho técnico. Os treinadores são muito fraquinhos. Os corredores treinam lá com eles e eu não vejo resultado. Se o cara tem um potencial desse e eu tenho mais do que ele, eu corro mais do que ele. Os caras fazem tiro lá e eu passo na frente deles. Então, pô, prefiro treinar só, porque tô vendo o rendimento deles. Chegar nas provas só pra completar não adianta, então prefiro treinar só. Sei que é ignorância minha, tem que ter treinador. Desde que você tenha uma carga de treinamento forte, e trabalhar em cima daquela carga, ou acima dela, né, não aliviar, porque se aliviou o treino ou não vai ter rendimento na prova ou não vai melhorar. Mas eles trabalham fraco, aí chega na prova e não dá o rendimento. Eles trabalham muito fraquinho, então pra eu pagar pra eles... eu vou é pegar noção da revista e faço meus treinos lá individual mesmo.‘

A preparação psicológica vem da mesma fonte. Quando está cansado, sofrendo num treino ou numa prova, Mariano conta que usa como motivação a lembrança de uma reportagem sobre Gebrselassie. ‘Busco inspiração em alguns ponteiros que tem por aí, por exemplo o Haile. Tento superar pelos limites, a vida que ele teve, vida dura, não foi vida fácil. Então eu vendo ele correndo, entendeu, na revista, isso me motiva muito. E alguns brasileiros bom de corrida que tem aí, Wanderlei Cordeiro...‘

Então revela o papo que teve com o medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, que impressionou o mundo pelo fato de ter buscado forças para seguir na prova depois de ter sido jogado ao chão por um padre irlandês enquanto liderava a corrida.

‘Eu falei ’você é alto, cara!’‘, conta, com tom enfaticamente irônico. Cordeiro de Lima tem 1,58 m e pesa 45 kg.

‘Ele respondeu ’meu, nunca mais você fala isso, nas coisas pequenas é que estão as coisas maiores’. Ele deu uma grande abertura na minha mente. Eu sou pequeno, e ele falou que nas coisas pequenas é que tem as coisas grandes. O cara é fenômeno, nos 10 mil, nos 5.000, em maratona, é um atleta completo. Então foi uma motivação grande. O Wanderlei, pela estatura, motiva. Porque se você é alto, vai focar numa pessoa que é da sua estatura, para ver o potencial do ídolo.‘

Neste momento, os olhos negros de Mariano ficam cheios d’água, o que voltaria a acontecer quando ele citou as mortes dos pais e de uma filha ao ser indagado sobre baques da vida pessoal que conseguiu superar com ajuda da corrida.

Mas, a exemplo do pequenino maratonista em que se espelha, que ganhou notoriedade mais pela volta por cima que pelo metal de sua medalha olímpica, o gari se recompõe emocionalmente ao falar do filho, Rodrigo, de 21 anos. E volta a sorrir.

‘Ele inclusive trabalha aqui. Falou que queria ser gari, eu falei ’você vai sofrer, hein’. Terminou o ginásio e tudo, eu queria por em outra área, curso de computação. Mas ele quis ser gari. A corrida ainda não entrou na cabeça dele, apesar de eu o incentivar a participar. Mas, por enquanto, ele não quer nada, só namorar mesmo.‘

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Atletas no luixo - parte 5

O AMADOR

Continuação da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog....

O gari José Carlos Ramos é uma espécie de Forrest Gump. Apontado pelos colegas de trabalho como incansável, ele sempre gostou de correr, mesmo na época em que era fumante e antes da sua atual profissão, em que está há oito anos. ‘Sempre fui assim. Se eu ia numa padaria, eu ia correndo, se eu ia para outro bairro, eu ia correndo, nunca fui de pegar muito ônibus não. Hoje tenho 32 anos e comecei com essa mania com 17, 18...‘

Entretanto, ao ser indagado sobre seus melhores tempos, suas distâncias favoritas e provas completadas, ele dá uma resposta evasiva. ‘Eu corro faz muito tempo, mas não profissionalmente. Meu negócio é mais treinar, nunca participei de maratona não. Já até completei uma provinha de 10 km. Mas nunca cronometrei‘, explica, olhando de soslaio, como se tivesse envergonhado da declaração.

Então ele desenvolve mais o raciocínio, ainda com o olhar furtivo. ‘É que eu gosto da corrida. É mais por gostar mesmo, não é pra competir. A minha pretensão era correr mesmo, sempre me vi correndo numa prova, numa são silvestre. Sei que isso é um sonho. Minha pretensão era essa, mas eu nunca tive coragem.‘

Zé Carlos, ou Ronaldinho, como é conhecido pelos colegas em virtude da semelhança física com o boleiro gaúcho -de quem realmente parece um clone, salvo pela ausência de um dente no largo sorriso que vez por outra exibe-, trabalha num setor de 36 km no bairro de Higienópolis. Toda madrugada, ele corre cerca de 30 km, subindo e descendo as ladeiras entre a rua Amaral Gurgel e a avenida Doutor Arnaldo.

A quilometragem que percorre fora do caminhão é o dobro da distância da prova que sonha em disputar, e a diferença de altimetria (entre o espigão da avenida Paulista e a região central da cidade) idêntica à da São Silvestre. Ou seja, condições de concluir a mais tradicional prova de rua do Brasil ele tem de sobra. O que o impede?

‘Me falta coragem, por ... não sei explicar direito. Sou uma pessoa muito competitiva‘, então, pela primeira vez, olha seu interlocutor de frente e prossegue: ‘Então se eu for entrar numa prova dessa e não conseguir, malandro, vixi, isso vai acabar comigo, cara. Eu sou muito assim, mesmo no trabalho. Se vejo um papel solto na rua, eu paro pra pegar e jogar no caminhão, nego aqui até brinca comigo por causa disso.‘

O relato é confirmado por colegas e chefes, que descrevem o corredor amador como um dos garis mais profissionais entre os 1.700 da empresa.

‘Eu falo pros caras com quem eu trabalho: ’a firma me paga pra eu trabalhar, pra eu fazer isso, então eu quero fazer da melhor forma possível.’ Isso vai evitar que as pessoas da rua reclamem, liguem pra garagem e falem ’ó, os cara passou aqui e não coletou direito o lixo’. Quando chegar no fim do ano, quem sabe, até o cara que nunca dá caixinha pode dar uma caixinha pra nós, ’Pô, os caras tão o ano todo aqui, fazendo serviço de primeira, então porque eu não vou colaborar, reconhecer que eles merecem uma caixinha, uma gratificação?’ Então isso é bom, de repente alguém até liga lá, né, que neguinho só costuma ligar pra falar mal da gente, quem sabe nego liga lá e fala ’pô, a equipe que faz aqui no meu bairro aqui tá de parabéns, trabalha bem, queria registrar isso aí pra vocês, que os caras aqui são dez mesmo’. Tudo bem, a gente não vai ganhar nada com isso, mas pelo menos assim os homem lá não vai pegar no nosso pé. Vai saber que nós somos profissionais e que somos capacitados e que nós fazemos nosso trampo da melhor forma possível.‘

Ex-funcionário temporário da subprefeitura da Mooca, quando atuava na poda de árvores, corte de grama e limpeza de bueiros, Ronaldinho diz que a motivação para seu trabalho como coletor ‘são minha mulher e os dois pivetes que tenho em casa‘, em alusão aos filhos Gleison, de dez anos, e Tifany, de sete. Mas revela uma noção de cidadania incomum entre seus pares, ao explicar sua predileção por trabalhar durante a madrugada e não no turno do dia, que lhe permitiria passar mais tempo com os filhos.

‘Trabalhei seis anos de dia, agora tô na noite, e eu prefiro. A noite é menos desgastante. De dia é mais estressante, porque tem feira, tem trânsito, sem contar que é cachorro no meio da rua e muitas coisas mais. O pessoal para atrás do caminhão, buzina, xinga, não respeita mesmo. São poucos que reconhecem que a gente tá fazendo um serviço essencial, pro bem estar de todos os munícipes.‘

E, apesar de gaguejar na última palavra, amador como atleta e profissional como gari, volta a olhar de frente depois da última frase.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h51

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Atletas no lixo - parte 6

A MOTIVADORA

Continuação da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog.

 

Coordenadora de qualidade de vida da empresa, Priscila Rosa trocou um apartamento na região da avenida Paulista por outro mais perto da sede da empresa, na Mooca, porque ‘não agüentava mais morar longe do trabalho e ter que madrugar‘.

Pudera. A fisioterapeuta de 28 anos chega à firma antes mesmo do raiar do dia e entra na empresa pelo portão lateral, de ferro, o mesmo usado pelos garis e motoristas, não pela porta de entrada do prédio principal, de vidro blindex, que ainda nem abriu nesta hora.

Sua meta é começar a jornada no período de transição, para encontrar os garis que voltam do serviço noturno e os que chegam para a sessão diurna. Isto é, antes das 5h da manhã, quando costuma entrar na empresa sorrindo e cumprimentando os funcionários citando seus nomes com um simpático bom dia. ‘A coordenadora de qualidade de vida não pode chegar cabisbaixa nem desanimada, muito menos cansada, tenho que transmitir empolgação para os meninos.‘

A via de acesso à firma e o momento de sua chegada, evidentemente distinto do horário comercial que caracteriza a rotina de trabalho dos demais funcionários da empresa incumbidos das funções administrativas, não são os únicos componentes excepcionais no trabalho de Priscila.

Diferentemente do que acontece com seus colegas nos postos burocráticos, a sala dela não fica no prédio que abriga os gabinetes, mas no meio da garagem, cercada de caminhões de lixo -o que permite um contato mais direto com os garis cuja qualidade de vida pretende melhorar.

Parte desse projeto passa por incentivar os funcionários a participarem de corridas. Para os garis fundistas, a fisioterapeuta mineira é uma espécie de patrocinadora.

É verdade que, efetivamente, ela não tem quase nada a oferecer além de camisetas regatas com o logotipo da empresa, palavras de incentivo e alguma orientação. Mas o planejamento é ousado. Ela elaborou um protocolo para os corredores, com três categorias distintas, que espera implantar no futuro. Há pré-requisitos e bônus em cada uma delas, de acordo com o desempenho dos garis no trabalho e nas competições de que venham a participar.

Entre as obrigações, estão usar os equipamentos de proteção corretamente, não ter faltas no semestre e participar da ginástica laboral -outra medida que foi adotada na empresa por iniciativa da fisioterapeuta e que, segundo ela, tem reduzido o número de lesões nos profissionais (e conseqüentemente o gasto da empresa com o tratamento e ausência deles). A contrapartida oferecida é o fornecimento de tênis para corrida, uniforme para provas e treinos e suplementação alimentar, além de inscrições em algumas competições (para os corredores de melhor performance). O sonho é poder contratar uma assessoria esportiva, ao menos para definir o treinamento dos mais graduados.

‘Nunca vi os garis corredores mau-humorados, extremamente cansados ou exauridos por causa do trabalho. Alem disso, quando preciso, por exemplo, testar um equipamento novo, como um sapato ou palmilha, para checar se é viável ser usado por todos eles, recorro aos corredores. Eles são uma espécie de tropa de elite dos garis‘, conta ela.

Além da óbvia questão empresarial -mais disciplinados, avessos a maus hábitos, fisicamente bem preparados, menos vulneráveis a contusões, consequentemente mais eficazes no trabalho- o incentivo à prática esportiva pelos coletores integra um conceito mais amplo, para incentivar a auto-estima deles.

‘Buscamos convencê-los de que seus corpos são sua ferramenta de trabalho e quebrar estigmas. ’O cara que não deu certo na vida, que não estudou e virou lixeiro’ Essa palavra já é uma palavra muito antiga... Hoje em dia, é coletor. Lixeiro somos nós que produzimos o lixo. Ele coleta o nosso lixo. Limpa nossa sujeita. Sujos somos nós, não eles‘, e aumenta o tom de voz, deixando mais evidente o sotaque de Poços de Caldas. ‘A gente ouvia lá atrás nossos avós dizendo ’se você não estudar, vai virar lixeiro’. Olha como essa cultura vem‘.

Há três anos na empresa, a loira de sardas e grandes olhos verdes é primeira fisioterapeuta contratada na história da firma. E teve que lutar contra seus próprios preconceitos no início. ‘Eu imaginava um lugar triste, cheio de pessoas derrotadas, deprimidas. E vi que não era nada daquilo. São profissionais que estão satisfeitos com seu trabalho. A grande maioria não quer ir embora, pensa que não vão encontrar um emprego tão bom quanto esse. Hoje em dia, não entra mais analfabeto, acho que o perfil deles mudou ao longo do tempo.‘

E, se o projeto que ela sonha em implantar efetivamente sair do papel, a expectativa é que mude mais ainda no futuro.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h49

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Atletas no lixo - final

EM FAMÍLIA

Última parte da reportagem produzida por LUÍS FERRARI e publicada com exclusividade neste blog.

 

 

‘Rapaz, quando eu comecei a correr é engraçado. Eu morava lá em Pernambuco, né. Tomei uma cachaça da porra, aí os cara falou que eu corria bastante, porque eu jogava bola, aí montaram uma maratona lá onde a gente morava, ganhava R$ 500 e a inscrição na São Silvestre, pra ir pra São Paulo. Aí eu falei ’vou entrar’. Peguei um sapato Topper, calcei, e comecei a treinar feito doido na rua lá, e fiquei treinando. Faltava um mês mais ou menos pra corrida. Aí um dia antes eu fiquei enchendo a cara de cachaça, foi no sábado isso, passei a noite toda na rua. Quando foi no domingo a gente foi correr. Saí em primeiro e cheguei em último. Foi muito engraçado, e daí por diante eu comecei a correr. Deixei de beber até hoje.‘

A prova narrada acima aconteceu em Tejucopapo, distrito da região metropolitana do Recife, em 2004. O ex-cachaceiro -hoje gari e atleta - autor do relato obteve, neste ano, o respeitável 41º lugar na maratona de São Paulo. Foi a primeira vez que Basílio Cordeiro da Rocha disputou uma corrida de 42,195 km.

Nesse intervalo de cinco anos, sua a vida mudou bastante. Primeiro, deixou para trás sete dos irmãos nove irmãos que vivem em Pernambuco -‘era 11 irmãos, dois morreram e ficaram nove, mas só tem dois em São Paulo‘. Empregado na capital, casou e teve um filho,Vitor Hugo, há dois anos. O futebol, pelo qual antes era fissurado, foi dando espaço à corrida -que alimenta o sonho do mulato com nariz de boxeador um dia conseguir patrocínio e quem sabe deixar o trabalho de gari que exerce desde quando migrou.

‘Teve uma prova da Nike que a gente correu com uns quenianos, e eu cheguei em quinto. Me senti com um vencedor, porque eu trabalhei à noite e ainda fui correr de dia do lado dos profissionais‘, narra, esperançoso, o pernambucano, de 1,72 m e 70 kg. Ao mostrar os troféus que conseguiu correndo, seus olhos negros brilham, neutralizando a aparência de cansaço que exibia no início da manhã, depois de encerrar seu trabalho durante a madrugada.

Hoje extrovertido, ele conta que teve de perder a vergonha justamente em função da profissão. ‘Nesse trampo não dá pra ser vergonhoso. Logo quando eu tava começando, tinha receio de pedir um sanduíche, um copo d’água nos locais onde passava pra recolher o lixo. Mas vi que não ia adiantar ser assim. Teve uma noite em que tinha umas pessoas bebendo numa mesa de bar na calçada e tocando música. Naquela noite, uma mulher do grupo me chamou pra dançar, daí eu tomei coragem e fui. Daí pra frente, a vergonha ficou esquecida‘, conta com um simpático sorriso largo, que revela um dente faltando.

A extroversão despertada como coletor aliada aos dotes de corredor que desenvolveu pouco a pouco tanto no trabalho quanto nos treinos diários que formula por conta própria são responsáveis pelas primeiras passadas de sua mulher no esporte.

Basílio sempre convidava Marli Benta da Silva para correr com ele e ouvia ‘Isso é loucura‘. Um dia, porém, o casal foi passear em Ferraz de Vasconcelos, onde ele costuma treinar depois que larga o serviço -‘hoje em dia estou tirando férias aqui, num setor pequeno, de uns 25 km, mas antes eu fazia um de 78 km, sempre durante a noite‘. Lá, duas moças que costumam vê-lo se exercitando durante as tardes, quiseram saber como havia sido o desempenho do fundista numa prova de 10 km que fizera no final de semana anterior. Como demonstraram certa empolgação e foram mais enfáticas nos parabéns ao saberem que ele havia conquistado um troféu pelo terceiro lugar, ‘chegou em casa, e minha mulher falou ’amor, vou correr com você’. Aí pronto, começou a correr. Tá correndo até hoje, quando eu chego em casa ela me chama pra treinar. Ela é baxinha, corre bem. Já pegou troféu também na categoria‘.

No ano que vem, espera Basílio, talvez Marli tente a maratona paulistana pela primeira vez. Neste ano, ela acompanhou pela TV e ficou satisfeita ao ver o marido cumprir a promessa que lhe fizera, de aparecer na Globo. Já o filho se assustou um pouco quando viu pela TV a imagem do pai agachado depois de cruzar a linha de chegada e comentou ‘coitado do papai, caiu‘. O gari tranquilizou Vitor Hugo mais tarde, ao chegar em casa. Disse que era só cansaço, que logo passou. E rechaçou o papel de vítima.

‘Os cara às vezes pensa que nós somos uns coitados por causa do nosso trabalho. Outra noite eu tava com um saco pesado, levando pro caminhão, daí um bacana passou num carrão do lado e gritou pra mim ’ei, lixeiro, vem aqui’. Tirou uma nota de R$ 20 e me deu, falando pra eu não gastar tudo em cachaça. Mas eu nem bebo. Eu gosto é de correr.‘

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h48

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Esporte vira arma contra opressão em regime racista

Futebol na ilha

 

A Robben Island, ao largo da bela Cidade do Cabo, vem sendo usada ao longo dos séculos como retiro, local de descanso para nobres e abonados, hospital, base militar e, durante as últimas dezenas de anos do regime racista que oprimiu a África do Sul, como prisão política.

Comunistas, nacionalistas, liberais ou nem uma coisa nem outras, mas todos negros, foram mandados para lá para apodrecer, perder o viço e a vontade de lutar.

Não perderam, como demonstra Nelson Mandela, exemplo de resistência e força de vontade.

Pois saiba que um dos fatores que ajudaram os presos a manter a sanidade e a organização, em meio a torturas, humilhações e trabalhos forçados, foi o futebol.

Apesar de, há alguns anos, ter visitado Robben Island e seu museu ao ar livre, ouvido relato de ex-presos e lido alguns documentos sobre a história daquela ilha de terror, não tinha a mínima ideia até a manhã de hoje, quando pude assistir a parte de um belíssimo documentário que, em português, recebeu o título "No Futebol, Nasce Uma Esperança" (o título original desse filme de 2007 é "More Than Just a Game", mais que apenas um jogo, frase usada por um dos ex-prisioneiros políticos entrevistados no filme.

Basicamente, o filme conta a história da luta dos presos para conquistar o direito de fazer um esporte coletivo, o futebol. Mostra como eles se organizaram, suas discussões políticas, pessoais e técnicas --chegaram a montar uma liga esportiva, com campeonatos e tudo o mais. Depois de um tempo, conquistaram até o direito de jogar vestindo uniforme de times de futebol, e não o traje de preso.

O futebol foi mais uma forma de os presos conseguirem se comunicar, trocar informações e, acima de tudo, manter viva a chama da esperança e do desejo de lutar, mostra o filme, que nem de longe é melodramático. Ao contrário, procura até manter um certo distanciamento, combinando narrativa e trechos de entrevistas com ex-presos; também traz dramatizações de momentos especiais na trajetória da associação esportiva dos presos.

Ou seja, combina depoimentos reais, tomados nos dias de hoje, com filmagens baseadas em fatos reais. A entidade que eles criaram, a Makana Football Association, existiu até 1991, quando o presídio político foi desativado; quando a África do sul foi eleita sede da Copa-2010, a MKA ganhou o título de membro honorário da Fifa, entregue por Joseph Blatter.

Em seu discurso na cerimônia, Blatter disse: "Os valores do futebol, de solidariedade, democracia, disciplina e respeito por todos devem ser preservados e defendidos, hoje mais do que nunca. Essa é a lição que nos deixa a Makana".

Bom, vou parando por aqui. Vi o filme na HBO; se estiver certa a grade de programação on-line, haverá uma reprise do filme na próxima quinta-feira, dia 27, às 12h05, na HBO2. Assista ou grave, que vale a pena.

As fotos que ilustram este texto são de cenas do filme, disponíveis no site oficial, que você pode visitar AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h55

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Fotos da vitória da jovem chinesa em Berlim

Vitória da experiência

Quem disse que juventude não combina com experiência? Quem disse que os jovens não conseguem se conter? Quem quer que tenha dito pode até ter razão, mas nem sempre, como prova o resultado da maratona feminina realizada hoje no Mundial de Atletismo, em Berlim.

Com apenas 20 anos, a chinesa Xue Bai mostrou sangue frio e autoconhecimento que muitos só esperam de pessoas com mais experiência. Ela fez uma prova contida, mantendo-se no pelotão da frente, mas sempre meio escondida, como se fosse apenas figurante. Às vezes, dava uma atacada: passou a meia em nono lugar, melhorou um posto nos 25, tornou-se terceira no 30, ponteou no 35, mas ficou para trás no 40, passando atrás da etíope Aselefech Mergia e da japonesa Yoshimi Ozaki. No 41, arrancou para não mais entregar a liderança, fechando em 2h25min25 (foto EFE).

Bai, de apenas 20 anos, festeja com a bandeira de sua pátria nas ruas de Berlim. Ela tinha como melhor tempo na maratona a marca de 2h23min27, o que não era muito: sua compatriota mais experiente, a Zhou, de 30 anos, ostentava um tempo mais impressionante, de 2h19min51 (Reuters).

Tinha mesmo muito a festejar, pois leva o ouro desejado, e a China vence a Copa do Mundo, competição entre as equipes nacionais que participaram da maratona do Mundial (EFE). Ela, cujo nome significa "neve branca", se tornou a mais jovem campeã do evento. Mais foi ainda mais jovem que começou na longa distância: aos 14 anos, correu a maratona em 2h37min07, para "ver como era a corrida", segundo recomendação de seu técnico. Depois completou outras nove maratonas, inclusive na Olimpíada. No Mundial, fez sua 11ª maratona, e a terceira neste ano.

 

As brasileiras Maria Zeferina Baldaia e Adriana Aparecida Da Silva (à esq.) correram assim, próximas, por um bom tempo. Mas Baldaia desistiu depois da metade da prova, enquanto Adriana conseguiu ir até o final para estabelecer o melhor tempo de sua carreira, 2h40min54, chegando em 43º lugar (na meia maratona, estava no 61º posto) (EFE).

Mas todas sofreram muito com o calor. A medalhista de bronze teve de ser apoiada pouco depois da chegada (EFE)....

 

...enquanto outra atleta precisou ser carregada... (EFE)

e outra bota os bofes para fora, sofrendo com o esforço excessivo (EFE).

 

Mas houve quem festejasse, como a dupla francesa. Patricia Lossouarn (à esq.) e Laurence Klein correram juntas o tempo todo e juntas dançaram depois de terem cruzado os Portões de Brandeburgo (Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h50

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Espanhola força passagem, ganha e não leva

Ouro confiscado

 

A corredora etíope liderava Gelete Burka liderava a prova dos 1.500 m no Mundial de atletismo, hoje em Berlim, quando foi cutucada quando faltavam menos de 200 m para o final. A espanhola Natalia Rodríguez (à esq.) forçou a passagem pela esquerda e acabou derrubando a adversária.

Rodriguez estava acelerando e passou de passagem pelas demais contendoras, chegando à vitória. Mas não festejou de imediato, indo até a colega que derrubara, talvez pedir desculpas ou dizer alguma palavra de consolo.

A corredora faz apenas um arremedo da tradicional pose dos vencedores, com a bandeira de seu país. Natalia ainda chora e mostra fisionomia preocupada.

O placar chega a mostrar a vitória da espanhola, mas, depois, faz a correção. Com a desclassificação da corredora, o ouro ficou com Maryam Yusuf Jamal, de Bahrain (fotos EFE).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h35

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Brasileira faz seu melhor tempo na carreira

Adriana do Brasil....

Maria Zeferina Baldaia abandonou a prova depois da meia maratona, mas Adriana foi até o fim.

Adriana não só passou pelos Portões de Brandeburgo como também estabeleceu em Berlim o melhor tempo de sua carreira:

43175Adriana Aparecida DA SILVABRA2:40:54 PB +15:39

Ela também ganhou duas dezenas de posição, pois havia passado o km no lugar 64...

Adriana tem 28 anos e seu melhor tempo, te agora, foi exatamente a marca com se se classificou para disputar o Mundial:

Marathon2:41:30 Florianópolis19/04/2009
.

Depois eu conto mias.

Se quiser "rever" os momentos mais emocionantes da prova, confira no meu twitter, buscando por #rrlucena.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h10

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Jovem chinesa vence a maratona feminina

Xue Bai, ouro

Ela mostrou que tem nervos de aço.

Veio de trás, mas no 35 ja estava no trio de liderança.

Depois, ficou por ali, deixando que a japonesa e a etíope se revezassem com ela, que sempre prefriu ficar em segundo.

Depois do 35, as tres começaram a acelerar, Mergia chegou a tentar a ponta, mas se atrapalhou na passagem do 40, quando a japonesa aproveitou para atacar.

Ozaki assumiu a liderança, mas a chinesa ficou firmona nos seus calcanhares.

No km 41, Bai disse: Chega! e passou a adversária, ampliando um pouco a diferença, apenas para ficar mais ou menos confortável.

Com algumas pequenissimas quebras, manteve a diferença por quase todo o tempo restante, fechando em 2h25min15, seguida pela japonesa e a etiope Mergia.

A chinesa hou, que tem o melhor tempo entre todas as competidoras, tinha ficado para trás, mas tratou de recuperar desde o km 38, mais ou menso, e chegou a dar um calafrio no coração de Mergia, que via a competidora chegando... Mas ela ficou em quarto, seguida por sua compatriota Zhu.

Assim, a China fez a camepã do mundo e foi, também, campeã da copa do mundo por equipes.

A Brasileira Baldaia abaandonou pouco depois da meia maratrona, e Adriana não aparece na minha lista neste momento. Depois conto o que aconteceu.

Os tempos oficiais:

 Mark  Gap
1214Xue BAICHN2:25:15 SB  
2573Yoshimi OZAKIJPN2:25:25 SB +0:10
3336Aselefech MERGIAETH2:25:32   +0:17
4233Chunxiu ZHOUCHN2:25:39 SB +0:24
5234Xiaolin ZHUCHN2:26:08 SB +0:53
6733Marisa BARROSPOR2:26:50   +1:35
7565Yuri KANOJPN2:26:57 SB +1:42
8833Nailiya YULAMANOVARUS2:27:08   +1:53
9780Alevtina BIKTIMIROVARUS2:27:39 SB +2:24
10993Kara GOUCHERUSA2:27:48 SB +2:33

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h52

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Trio calafrio lidera

Sem terem estado nas listas das favoritas, a japonesa Ozaki, a chinesa Bai e a etioe Mergia lideram....

Neste momento, faltam cerca de 5 km para o final...

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h25

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Passagem no km 20

1337Dire TUNEETH1:09:47 
2764Lidia SIMONROU1:09:47 
3336Aselefech MERGIAETH1:09:47 
4595Helena Loshanyang KIROPKEN1:09:48+0:01
5762Nuta OLARUROU1:09:48+0:01
6601Julia Mumbi MURAGAKEN1:09:48+0:01
7233Chunxiu ZHOUCHN1:09:48+0:01
8234Xiaolin ZHUCHN1:09:48+0:01
9225Weiwei SUNCHN1:09:48+0:01
10214Xue BAICHN1:09:48+0:01
11747Kum-Ok KIMPRK1:09:48+0:01

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h34

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Brasileiras paua a pau no km 15

63175Adriana Aparecida DA SILVABRA56:26+4:16
64161Maria Zeferina BALDAIABRA56:26+4:16

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h12

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Ritmo segue aumentando

Passagem dos 15 indica 2h25min30 para final, mas sera que elas conseguem manter?

O calor esta forte

A chinesa Zhou passou em primeiro no km 15, acompanhada por outras fortes competidoras no primeiro peloitao

Zakharova, da Russia, e Goucher, dos EUA correm juntas um pouco atras da lider, mas no primeiro pelotao, que ainda é bem grandinho

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h09

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Mundial feminino -

Elas quase se estapeiam pela agua na altura do km 15

Ruanda, etiopia, china, quenia e romenia firme na frente

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h01

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Brasileiras correm juntas

Chegando perto da marca dos 10 km, Adriana está um pouquinho atrás de Baldaia, no pelotao intermediario.

Na frente, ruanda seguida por etiopia e as chinesas

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h49

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Como é a prova

Se você não lembra, a prova é feita em quatro voltas, passando pelos pontos históricos e turisticos da cidade, como vc viu nas fotos que coloquei ontem aqui n blog

Agora , a tv mostra imagens da catedral de Berlim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h45

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Filminhos são os mesmos

A TV alemã volta a passar filminhos mostrando locais importantes da cidade, sempre com a participação do mascote Berlino.

Agora a atleta de rUANDA LIDERA O PELOTAO SEGUIDA POR DUAS JAPONESAS

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h41

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Filminhos são os mesmos

A TV alemã volta a passar filminhos mostrando locais importantes da cidade, sempre com a participação do mascote Berlino.

Agora a atleta de rUANDA LIDERA O PELOTAO SEGUIDA POR DUAS JAPONESAS

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h41

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Mundial feminino - 5 km

Passaram em 17min42, com uma atleta de Riuanda liderando, mas o pelorao da frente ainda esta muito grande

.

A corredora de Ruanda é

Epiphanie NYIRABARAMERWA

As brasileiras passaram com 18min27

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h36

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Maratona feminina - 5 km

Uma chinesa assume a ponta, ao lado de duas etiopes.

A americana Kara Goucher corre no meio do primeiro pelotao, acaba de passar na frente para pegar sua agua e mostrar seu corpo, que parece enorme perto da etipe Bekele

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h32

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Maratona feminina no mundial

Adraina e Baldaia estao correndo juntas, no pelotao intermediario

Adriana fica dois metros atras de Baldaia, que é mais experiente

Uma japonesa e varias africanas na frente; uma chinesa tb, ela é a que tem o melhor tempo na prova entre as competidoras.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h25

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Cenas da Maratona no Mundial de atletismo

História e drama

 

A largada foi em frente aos Portões de Brandeburgo (Reuters).

Os corredores passaram por outros marcos históricos de Berlim, como a Coluna da Vitória (EFE)...

...e o Reichstag, prédio onde se reunia o Parlamento e que foi incendiado em 1933 por seguidores do então chanceler Adolf Hitler, que colocou a culpa nos comunistas, iniciando uma perseguição sem trégua a seus adversários, numa campanha considerada crucial para o estabelecimento da Alemanha nazista (Reuters).

Outra passagem por marcos da cidade: a catedral e, ao fundo, à direita, a torre de TV (Reuters).

 

Por algum tempo, Marílson conseguiu ficar no grupo que liderava a prova (EFE).

 

Mas o brasileiro não foi capaz de guardar forças para um ataque final, como fez o etíope Tsegay Kebede, que, como fez na Olimpíada de Pequim, esperou até os últimos quilômetros para dar sua arrancada e, novamente, conquistou o bronze (AP).

 

O brasileiro Adriano Bastos é aplaudido (EFE).

José Teles chega com dores (EFE). Veja como o uniforme brasileiro é bonito (pelo menos, para o meu gosto).

A alegria serena do campeão e recordista Abel Kirui (AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h02

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Confira os resultados oficiais

Recorde em Berlim

Como você sabe, o queniano Abel Kirui venceu a prova em 2h06min54, estabelecendo novo recorde no Mundial e derrubando a marca do marroquino Jaouad Gharib --que, por sinal, como eu havia dito logo no início da cobertura, não apareceu para competir.

A marca de Gharib era de 2h08min31 e fora estabelecida em Paris, no Mundial de 2003.

A prata foi do queniano Emmanuel Kipchirchir Mutai, que vomitou várias vezes nas últimas centenas de metros e mesmo depois de cruzar os Portões de Brandeburgo com a marca de 2h07min48.

O etíope Tsegay Kebede voltou a fazer das suas e conquistou o bronze fazendo uma corrida tática e precisa, fechando com 2h08min35.

O melhor brasileiro foi Marílson Gomes dos Santos, em 16º posto, com 2h15min13; foi seguido por Adriano bastos, que fechou no 19º lugar com 2h15min39, melhor marca de sua carreiraelo; e o terceiro brasileiro, Jose Teles, concluiu na 23ª classificação, terminado com muitas dores em 2h16min40.

Destaque para o japonês Atsushi Sato, que festejou o sexto posto com mais entusiasmo que Kirui comemorou a própria vitória. E ainda para o espanhol José Manuel Martínez, que alegrou a torcida ao disputar posição contra dois portugueses, vencendo nos últimos metros.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h54

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Amanhã tem mais

Começa às 6h15

 

Neste domingo, a partir das 6h10 estarei a postos para contar a história da maratona feminina no Mundial de atletismo.

Vou manter o mesmo esquema, com alguns post aqui e atualizações em ritmo mais rápido no Twitter, onde você pode me encontrar buscando por rrlucena.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h36

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Incêndio destrói subúrbios de Maratona, na Grécia

 

Fogo na mata

 

 Moradores fogem de região atingida por incêndio no subúrbio de Maratona, a nordeste de Atenas.

O fogo está destruindo uma floresta de pinheiros e já atingiu também plantações de oliveiras.

A população tenta ajudar o trabalho dos bombeiros, como faz esse sujeito carregando um balde de água, enquanto outros buscam ajudam ou passam informações enquanto escapam da tragédia (fotos AP).

Foi de Maratona que, no ano 496 aC, partiu um soldado para avisar os atenienses que os invasores persas tinham sido derrotados. Correndo cerca de 40 km com roupas de guerra, o soldado conseguiu apenas chegar e dar a boa nova, morrendo em seguida.

Sua história foi a inspiração para a criação da maratona, mais de 2.000 anos depois: a prova foi concebida pouco antes da primeira edição dos Jogos Olímpicos da nossa era, em 1896, em Atenas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h58

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Brasileiros vão até o final

Adriano é o destaque

Marilson fechou a maratona do Mundial com o melhor dos brasileiros, concluindo na 16ª posição, em 2h15min13, um tempo bem fraco para a história dele.

Provavelmente, pagou pelo esforço feito no inicio ao tentar se manter entre os dez líderes. As escapadas do ruandês Disi perturbaram vários do grupo líder, e Marilson acabou sentindo muito.

Pelo menos, desta vez ele foi até o final.

Mas, na minha opinião, o destaque brasileiro foi o Adriano Bastos, convocado depois que Damião teve de ser cortado por lesão.

Ele mostrou que conhece muito suas próprias possibilidades. Correu atrás e foi esperando que os outros quebrassem, deixando para acelecerar quando tinha certeza de que poderia chegar bem ao final.

Foi asim que conseguiu passar José Teles, que tem tempo na carreira melhor do que o dele, e conquistou em Paris a melhor marca de sua vida, 2h15min39, chegando no posto 19, apenas três posições atrás de Marilson.

José Teles fechou quase exatamente um minuto depois, no 24º lugar.

Volto a pedir desculpas por eventuais erros de digitação ao longo desta cobertura, mas espero que ela tenha sido útil.

Mais tarde, trago fotos e confirmarei todos os dados de tempos e colocações, ok

Obrigado pela companhia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h16

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Corrigindo o tempo

Foi de 2h06min54, segundo diz a TV, o tempo do vitorioso Abel Kirui.

Marilson ainda não apareceu. Mas fez uma belíssima prova até lá pelo km 23; daí não aguentou mais....

Japones Sato festeja um montão ao chegar em mais de 2h12!! Mostra fibra e coração. Gostei de ver. Foi o sexto colocado e vem correr com a bandeira de sua pátria.

Dois portugueses chegando, mais um espanhol

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h58

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Recorde no Mundial

Abel Kirui confirmou a expectativa e derrubou o recorde do Mundial, fechando em 2h06min55.

Mutai, seu compatriota, passou mal no final, vomitou pelo menos duas vezes pertinho da chegada, mas segundo a patra, 55 segundos depois de Kirui.

Kebede, da Etiópia, repete no Mundial o bronze que conquistou em Pequim.

Mutai melhora, se abraça a Kirui, e os dois se envolvem na bandeira do Quênia....

 

Mais tarde, muitas fotos do evento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h54

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Recorde do Mundial deve cair

Kirui, ao que tudo indica, vai chegar na faixa dos 2h06, 2h07....

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h46

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Bastos e Teles na tela

De óculos escuros e bandana na cabeça, o multicampeão da Disney acaba de passar o corredor do Piauí

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h45

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Kirui agora está sozinho

Ele deixou para trás seu compatriota Mutai, faltando cerca de dez minutos para o final.

É bem capaz de cair o recorde do Mundial...

Kebede, etíope, repete o feito de pequim, quando roubou o bronze de Merga, e já está em terceiro, começando a acelerar.

Eele tem 2h05min20 como melhor tempo da carreira.

Adriano esta no 32 lugar, perto do Jose telles, 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h43

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Dois quenianos na luta pelo ouro

Parece que Merga foi tirado do páreo.

Os dois jovens quenianos, Kirui,27, e Mutai, 24, se desgarram da perseguição de Merga...

Por sinal, o etíope está reduzindo e pode ser vitima da perseguição de um compatriota....

Marilson não aparece....

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h33

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Cheruiyot fica para trás

É pouca coisa, mas o ex-campeão da Marathon Majors e quatro vezes campeao de Boston fica um pouco para trás do pelotao lider, ja são varios metros.

Mutai, do Quenia, olha para trás, aperta o ritmo para tentar quebrar o merga, da etiopia; kirui segue junto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h27

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Velocidade destruidora

O ruandês Disi, que fez dois arranques fortissimos antes do km 20, caiu fora da prova.

Dois do time etiope também não conseguiram acompnhar os lideres, mas ficam na perseguição.

Marilson não aguentou, esta agora em um setimo longinquo posto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h11

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Merga x Cheruiyot???

O pelotao da frente agora so tem cinco.

São os tres quenianos, liderados por Chruiyot, mais o etíope Merga, e Disi, de Ruanda.

Marilson fica bem para trás.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h01

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Marilson perde contato

Quenia lidera em bloco, Etiopia ainda ali para brigar, Marilson ja não esta mais no mesmo segundo dos lideres.

Ao contrario, ficou para trás varios metros, ja nao aparece na tv ao lado da turma

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h58

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Pelotao da frente afina

Pessoal, o pelotao da frente ja esta menos compacto.

Marilson fica um pouco para tras.

Vamos ver o que vai rolar.

As coisas começam a parecer se encaminhar para umm decisao

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h54

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Mundial está superforte

Passagem do km20 foi 59min42!!!

Impressionante

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h46

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Mundial da maratona - 11

Grupão afina

Marilson continua no pelotao lider, com tres quenianos, dois etiopes e um cara de ruanda

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h36

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MM - 10

Faltou dizer

 

Tem um japonês ali tambem

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h25

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MM - 10

Faltou dizer

 

Tem um japonês ali tambem

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h25

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MM 9

So dá Marilson

Pelo que posso ver, o brasileiro é o único não africano no primeiro pelotao;

esta entre os dez, acho eu

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h24

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MM -8

Meu twitter esta devagar....

vou tentando atualizar tb por aqui

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h19

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MM 7

Ritmo aumenta

Passaram o km 10 em 30min08

A segunda metade foi em 14min58, mais forte do que a primeira..

Marilson toma gel de carbnoidrato no km 10.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h17

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MM 6

Correndo para ganhar

 

Os atletas tidos como favoritos, como Merga, da Etiopia, e Cheruiyot, do Quenia, estao correndo no pelotao, tranquilos, mas mantendo as primeiras posições.

Por enquanto, ninguem sai, estao todos se estudando, mas parece que eles vao mesmo é correr para a medalha, pois o ritmo esta em 3min02, mais ou menos.

Marilson continua no pelotao da frente

Jose Teles nao aparece mais nem entre os persegudires.

Adriano Bastos nao apareceu ainda na TV.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h12

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MM 5

Queniano Cheruiyot na frente, time da etiopia em volta

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h04

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MM 5

Italiano viu que a Tv estava de olho nele e fez sinal da vitoria

ele esta correndo la pelo terceiro ou quarto pelotao

Jose Telles ja esta bem para trás na passagem pelo primeiro posto de hidratação

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h02

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mm - 4

Nos 3 km

 

Entraram com 9min06.

Ja tem um cara correndo com uma esponja na mão

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h55

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MM - 3

Jose Telles tb aparece no primeiro pelotao

O teitter nao esta atualizando tao rapidamente qto eu gostaria

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h50

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Maratona Mundial - 2

Um cara da namibia já sentou na calçada e ficou

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h48

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Maratona Mundial - 1

Largaram

 

O grupo sai correndo forte, passando pelo Memorial do Holocausto.

Temperatura está em torno de 20 graus

agora vi marilson no grupao, esta por volta do decimo

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h46

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Maratona no Mundial - siga tb no Twitter

Estou mais rapido no Twitter, ok

 

Procure por rrlucena

A maratona sera disputada em um circuito de 10 km, passando por pontos turisticos.

Eu ja corri por la tudo, treinando...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h40

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Maratona no Mundial - antes da largada

Agora vai

Começo agora a cobertura da Maratona no Mundial de atletismo em Berlim.

Aqui no Blog, vou escrver direto na tela, então desculpe, por favor, eventuais erros de digitação.

Começamos o dia sob o bom impacto da noticia de que o 4x100 brasileiro está na final.

Esta certo que o desempenho na etapa de classificação não foi o esperado, pois imaginavamos que a equipe teria forças para entrar pelo proprio tempo.

Mas correram o que deu e ficaram de fora. Pareciam ter ficado de fora, pois a equipe dos EUA errou e foi desclassificada.

O Brasil, que ficara em nono, com 37s90, disputa o ouro hoje às 15h50.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h38

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Brasileiro corre na frente nos 800 m

Não deu, mas deu

 

O brasileiro Fabiano Peçanha mostrou a que veio no Mundial de atletismo. Com coragem que alguns poderiam até classificar de um tanto irresponsável, saltou à frente do pelotão, na semifinal de hoje à tarde, e assumiu a liderança da prova (fotos EFE).

Abriu bastante na reta final da primeira volta, mas as coisas começaram a mudar já na saída da primeira curva depois do sino.

O pelotão alcançou o brasileiro, que foi engolido para terminar em modesto sexto lugar em sua bateria, 11º na classificação geral.

"Tinha de arriscar alguma coisa. Eu aguentei até onde deu, pena que não foi o suficiente, pois queria muito ir para a final", disse ele.

Mas, vendo as coisas em uma perspectiva mais ampla, até que não foi tão ruim, no dizer no próprio corredor:

"Eu cheguei aqui com o 15º melhor tempo. Não era o favorito e quase cheguei lá. Foi um grande Mundial, queria ir para a final, mas eles são melhores. Não tem jeito."

Bom, como torcedor, eu adorei ver a camiseta brasileira na frente, mesmo que por pouquíssimo tempo --cerca de um minuto, um pouco mais talvez, mas por aí.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h01

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Maurren salta só para a vaga

Tem de melhorar

 

 As brasileiras brasileiras Maurren Higa Maggi e Keila Costa estão classificadas para a final do salto em distância no Mundial de atletismo, em Berlim. Apesar de não terem conseguido a marca exigida pela IAAf, obtiveram a classificação pelo índice técnico. A final será domingo, às 11h15.

A campeã olímpica, que você vê aqui em vários momentos de seus saltos (as fotos EFE não são todas do mesmo salto), abriu os trabalhos com 6,68 m, que lhe garantiu a classificação. Os outros dois saltos foram piores, mas ela disse que não deu muita bola para isso:

"Foi um salto seguro, pois eu vi depois do primeiro salto que classificava com 6,68 m. Os dois saltos seguintes foram só para arrumar a corrida. Até pensei em não saltar, mas acabou sendo bom para mim", afirmou. Ela também disse não ter sentido dores no joelho direito, mas usou uma banda no joelho a partir do segundo salto.

Keila Costa, a outra competidora brasileira, classificou-se na sétima posição, com dois centímetros a menos que Maurren.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h39

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Acompanhe aqui a maratona no Mundial

A vez de Marílson???

No início da manhã deste sábado, horário brasileiro, chega a hora da verdade. A se confirmar a programação, que até agora tem sido bastante precisa, às 6h45 será dada a largada da maratona masculina no Mundial de Berlim.

A SporTV promete transmitir ao vivo, e eu vou acompanhar tudo tintim por tintim e contar para você aqui neste blog. Vou tentar também fazer uma microcobertura pelo microblog Twitter, onde você me encontra sob o nome rrlucena.

Bom, e quais são as perspectivas para a prova deste domingo?

Serão 101 atletas de 39 países, informa o site da IAAF. E claro que são muito rápidos: 22 deles já correram a maratona abaixo de 2h09.

Além disso, 13 fizeram marca melhor do que isso neste ano, o que não é o caso do melhor corredor brasileiro, Marílson Gomes dos Santos, que também está nesse ranking do sub2h09 na carreira.

Muita coisa pode complicar a vida dos atletas, a começar pelo clima. Quem está acompanhando o Mundial tem percebido os dias de sol intenso. Com o calor, as estratégias mudam, os ritmos caem, o que pode aumentar as chances de corredores não tão rápidos, mas resistentes, capazes de aguentar a dor...

É o caso de Marílson. Treinadores com quem converso têm apostado no brasileiro, acreditando que ele tenha chances de beliscar alguma coisa --talvez não o ouro, mas pelo menos um lugar no pódio.

Outra coisa: o esquema dessa corrida é diferente das provas de rua mais rápidas do mundo, pois são quatro voltas, para facilitar a presença de torcedores ao longo do percurso. Imagino que isso também tenha alguma influência sobre o desempenho e o espírito dos atletas.

De qualquer forma, quem viver verá. Minha vida de blogueiro é mais voltada para a cobertura de eventos, para comentário sobre fatos, e não para elocubrações.

Falando em fatos, há que lembrar que, entre aqueles 22 sub2h09, os tempos de Marílson (2h08min30 como melhor da carreira e 2h08min43 como tempo de classificação) não são exatamente impressionantes. Ao contrário, estão entre os mais lentos, pois 17 daqueles atletas já correram sub2h08 e quatro têm sub2h06!!!

O que é um bom indicativo das possibilidades de cada um, mas não muito mais do que isso, porque retrospecto não ganha prova. Que o diga o próprio Marilson dando um pau no Paul Tergat em Nova York...

Bom, tudo isso saberemos amanhã, quando você terá neste blog a cobertura completa e em enxame de fotos da prova.

Antes de dizer tchau, lembro que, no domingo, a prova feminina começará mais cedo, às 6h15, horário de Brasília, e também terá a cobertura deste blog e do meu Twitter, ale‘m, é claro, da transmissão ao vivo pela SporTV. A britânica Paula Radcliffe, recordista mundial da distância, anunciou ontem que está fora do evento. Ela recentemente voltou a competir, dez meses depois de uma cirurgia no pé; ganhou a meia maratona de Nova York com dois segundos abaixo do recorde da prova, mas prefere continuar nos treinos e nos trabalhos de recuperação, dizendo que seu alvo é Londres 2012. Aposto que, antes disso, vai dar uma palhinha em Nova York em novembro próximo... Ou, pelo menos, no Mundial de meia maratona, em outubro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h06

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O bisturi ficou para trás

Corri

Foram apenas 50 metros e, mesmo assim, dentro da água, mas deu para sentir os músculos da perna contraindo e distendendo, o coração batendo mais forte, a respiração chegando até a ficar ofegante.

Foi um exercício rico, intercalado com dois tiros de 500 metros de natação, que mereceria ser filmada, de tão ruim que é (nado ainda pior do que corro, o que para alguns pode parecer uma façanha...).

O melhor é que não vou ficar por aí: no domingo volto aos treinos de corrida propriamente ditos. Vou ver se troto de leve e caminho para completar os 10 km da Duque de Caxias, naquele percurso batido do Ibirapuera.

Donde se conclui, como você pode perceber, que não precisei nem vou precisar ser operado. Aliás, meu ortopedista, profundo conhecedor que é das necessidades dos esportistas --foi atleta olímpico--, nem sequer recomendou que eu fizesse alteração em meus planos de competições futuras. O negócio é superar cada passo.

Com o que relembro para você, passo a passo, esses meus dias de terror até a consulta de ontem com o dr. Wagner Castropil.

No domingo mesmo, assim que senti as dores no joelho, que pareciam indicar que uma cartilagem estava rompida, raspando por detro. Mandei um e-mail para ele contando toda a história e dizendo que talvez fosse o caso de partir logo para algum exame de imagem.

Antes mesmo de qualquer consulta, ele mandou a requisição para uma ressonância, que consegui marcar rapidamente. A entrega do resultado, a pedido do médico, também foi acelerada.

Peguei a pasta ontem à tarde e, diferentemente do que costumo fazer com exames, nem olhei laudo nem nada, pois sabia que, neste caso, não iria conseguir saber se precisaria ou não de um ataque bisturístico. Mas bastou ao médico passar os olhos no laudo para dizer: "Ah, isso é tranquilo..."

Tranquilo para quem, cara-pálida?

Ele olhou as várias fotos do meu joelho, nos mais diferentes cortes imaginéticos, e disse que o que tinha acontecido era uma inflamação, provavelmente fruto de estresse ou forte esforço. Era o resultado da sequência de subidas e descidas de Bombinhas...

Em linguagem médica, o exame revelou: "Alteração de sinal intrasubstancial do terço médio do revestimento condral da faceta lateral da patela relacionado a condropatia incipiente, sem erosões ou alterações do osso subcondral".

O que eu gostei foi do "incipiente", melhorado ainda mais pelo "sem erosões ou alterações do osso...".

Tudo vai ser tratado com fisioterapia, alguns remédios para fortalecimento e recuperação da tal cartilagem machucada e cuidados básicos nos treinos: durante um mês, evitar subidas e descidas, procurar terrenos menos agressivos etc. e tal. Provavelmente ainda vou ter dores por alguns dias, mas elas hão de passar ("elas passarão, eu passarinho", parafraseando o poeta gaúcho Mário Quintana).

E ainda saí com elogios aos meus joelhos, que estão bem saudáveis e fortes, apesar dos pesares.

Então, turma, vamo que vamo, não sem antes agradecer a você e a todos que se solidarizaram com minhas dores e temores, mandando mensagens de apoio e incentivo. Vocês são demais!

Vamos nessa, pois agora é já, e depois é mais tarde.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h13

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O medo do corredor diante da cirurgia

Explosão em Bombinhas

Às vezes, é bom dar um tempo antes de escrever sobre um evento extremamente marcante. Olhadas à distância, as coisas ganham outra perspectiva, o que foi muito emocionante perde a dramaticidade, o ridículo se torna compreensível, as dificuldades já não parecem tão grandes --ou tudo ao contrário.

Às vezes, não é bom. As exigências da vida atropelam o desejo de escrever, que exige um certo descanso e tranquilidade para desabrochar adequadamente, e o que foi adiado uma vez é novamente postergado, esquecido, deixado de lado, pois, como disse o poeta, "um valor mais alto se alevanta".

Pois é o que acontece agora comigo. Começo desfocado este relato da maratona de percurso mais difícil --e talvez mais belo-- que já enfrentei. Foi no sábado passado, em Bombinhas, no litoral de Santa Catarina, e ela me trouxe muitas alegrias e fortes emoções, tudo agora embaçado pelo medo, por um choro contido que teima em vir, mas é sufocado no nascedouro. Acho que vou ter de ser submetido a uma cirurgia. Meu joelho esquerdo dói, alguma coisa raspa por dentro, e a perna às vezes fica bamba. Talvez uma cartilagem deslocada, maleva tal qual o demo, mas isso a ressonância magnética vai revelar ainda hoje. O veredicto mesmo só terei amanhã, talvez depois, já nem sei quando.

Por enquanto, então, há que seguir o script ensinado pela sabedoria popular, que receita: "O que não tem remédio remediado está". Mas eu prefiro outra, menos submissa, mais ativa e rica de sabor e decisão: "Já que não tem tu, vai tu mesmo". E volto a contar a história da K42 Bombinhas, que se apresenta como a primeira maratona de trilhas no Brasil --título duvidoso, para dizer o mínimo, pois já tivemos provas longas nas serras do Paraná, sem falar dos 50 quilômetros de Urubici, que também conta com trechos rasgados na montanha.

De qualquer forma, é a primeira edição brasileira de um circuito que já conta com provas em outros territórios latino-americanos (nasceu na hermana Argentina) e na Europa. Feita esta introdução, permita-me recuperar um texto escrito na madrugada de domingo, que deveria ser o início do relato da prova. Começo por ele e já engreno tudo na sequência.

Não escorreguei, não quebrei a perna, não torci o tornozelo nem sequer me arranhei; se não fosse por uma onda traiçoeira no km 18, teria até saído com os tênis secos da minha primeira experiência em uma maratona em trilha, a K42 Bombinhas, mais difícil percurso que já enfrentei nesta vida curta, mas movimentada, de corredor. Foi uma bela maneira de chegar à 30ª prova longa da minha carreira.

Beleza, por sinal, é a marca dessa corrida, sediada em um dos pontos mais bacanas do litoral catarinense, a praia de Bombinhas. Dali partem os corredores para subidas e descidas fantasmagóricas, alucinantes, aterrorizantes, embasbacantes, amazônicas, mesopotâmicas, paquidérmicas; do trajeto, avistamos maravilhas do mar e das montanhas, dos rochedos e das matas.

É tudo difícil, sempre. Mas poderia ter sido muito pior se a ventania que se abateu sobre nós na noite de sexta-feira, durante a conversa técnica, tivesse trazido meia gota de água... Um minuto de chuva, dez minutinhos de garoa teriam tornado impraticável boa parte do percurso --que, para mim, só foi praticável porque eu tinha mesmo muita vontade de chegar até o final (como é bom chegar ao final...).

A largada foi na manhã de sábado, 15 de agosto, dia do aniversário de meu tio mais jovem, que não tem nada a ver com a história, mas a quem aproveito para homenagear. Apesar do prometido rigor com o horário, a contagem regressiva começou 22 minutos depois da hora marcada, e o sol àquela altura já dava mostras de que iria torrar nossas costas. Saímos a correr pela areia fofa da praia, buscando já o terreno mais firme, porém, molhado; o trecho foi curto, pois logo embicamos para pegar um trecho urbano (se é que se pode chamar assim), por onde percorreríamos seis quilômetros até chegar à encosta do primeiro morro.

Foi ali que começou a caminhada. Minha estratégia era simples: se tiver cheiro de subida, caminho; nas descidas, faço o que for possível, e corro quando tiver algum trechinho plano. Aquele quase quilômetro foi, portanto, de caminhada, chegando à marca do km 7 com 53 minutos. Era o alto da montanha, e lá Eleonora me esperava com providencial garrafa de água. Tomei meu primeiro sachê de carboidrato, pois imaginava que ainda levaria muito tempo para chegar ao próximo ponto de apoio.

Eu estava certo: o que parecia ser o topo do morro não passa de um platozinho sem-vergonha em comparação com o que ainda iria enfrentar: era apenas a entrada para a trilha na montanha, que ainda seguiu aberta por mais uns três quilômetros. Permitiu até que, lá do alto, vislumbrasse ao longe a praia e as belas construções de Porto Belo, outra pérola do litoral norte catarinense.

E aí acabou a moleza, como dizem os fortes. Entramos pela mata, onde o solo, protegido dos raios de sol pela vegetação, ainda guardava a chuva de dias atrás ou acumulava, sôfrego, a umidade de cada noite, sei lá.

O certo é que o terreno passava a ser embarrado, escorregadio, estreito, cheio de voçorocas, como chamam a buraqueira provocada pela erosão. Precisava seguir bem pelo cantinho do arremedo de trilha para evitar o barral ou tratava de me equilibrar na crista de pedaços de terra firme. Mas continuava em frente, pois ainda havia mais uns poucos quilômetros de subida --e subir é cansativo, mas é fácil, se comparado com descer.

No km 13, estava descendo, e meu relógio marcou 2h02, me levando a crer que talvez fosse possível fechar em cerca de seis horas e meia, pois sabia que tinha pelo menos dois trechos bons para correr. A primeira praia começaria no km 16. Mas eu precisava descer até ela.

 

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h23

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K42 Bombinhas - segunda parte

Vento no cangote

É na descida que mora o perigo. Tem gente que encara o morro abaixo com alegria, coragem, disposição. Eu, não: vou devagar, com medo, pensando em tudo que pode acontecer caso eu tenha apenas um escorregão. Se a perna bambear, me quebro todo. Se o pé entortar, deixo de correr não sei quantas provas que tenho agendadas no meu caderninho de sonhos. Por isso sigo de olho grudado no terreno, escolhendo cada ponto em, que colocar o pé, parando quando dá e resistindo ao impulso de deixar a gravidade me chamar para um trote mais desabrido.

Apesar do matagal, o sol àquela altura já esquenta o corpo mais do que o desejado, o suor escorre, e não há água no percurso --culpa minha, que preferi não carregar o peso da garrafinha particular, como a organização havia recomendado, pois não estava mesmo prevista a instalação de posto de hidratação naquele trecho de matagal e trilha fechada.

Assim, sedento, cansado e com fome, chego enfim ao km 16, onde, logo ao sair da trilha, sob a sombra de um arbusto, há água e incentivo da turma da corrida. Mais um sachê e a alegria de ver a praia, pedindo corrida.

Me vou como cachorro solto no campo, feliz de ver, ao longe, mas não distante, a Eleonora que me espera. Vou até ela, que me abraça, dá mais água e passa protetor solar em uma massagem que revigora. Fica mais fácil correr pela praia de Zimbros, uma das tantas do rosário de belezas que cruzamos ou avistamos pelo percurso (na foto, o grande ultramaratonista Carlos Duarte, organizador de algumas das melhores provas de aventura no Brasil).

Eu sigo por ela até o final, até encontrar a montanha, não ser antes ter o único dissabor do trajeto: não consegui evitar uma lagoinha que desaguava no mar. Procurei cruzar bem pela beira, na hora em que as ondas desciam, mas veio uma mais rápida e me encharcou os pés até então secos, apesar de todo o barral que já atravessara.

Não faz mal. Foi um refresco para os pés. Confiando no sol e no evento, imaginei que logo tudo iria secar. E, depois de comer frutas na marca da metade da prova, entro enfim na Trilha da Tainha, tida como o primeiro trecho difícil da prova (o que teria sido, então, o inferno vivido entre o 13 e o 16?). Como um aviso, o percurso começa tão íngreme que nem sequer é talhado na montanha: foi construída uma escadaria de cimento armado para permitir que os peregrinos alcançassem o primeiro platô (pouco metros á minha frente, um corredor avisa: "Rodolfo, é a muralha da China de novo!").

Mais difícil, gente, mais difícil. Esse trecho de cerca de seis quilômetros é puro barro, raízes na trilha, morrinho e morrões, subida íngreme, descidas terríveis, pontezinhas improvisadas, pedronas que exigem quebra-corpo para que o corredor possa seguir seu caminho.

Mas oferece também maravilhas, como uma gruta que surge protetora, convidativa: "Fica aqui, meu nego, descansa, dorme, traz tua amada e aproveita a sombra", parece dizer a pedra, quase uma alcova na montanha. Mas há que seguir, e quem segue encontra a vegetação florida, sobe mais morro para ver a praia lá embaixo e então desaba para aterrissar na praia da Conceição.

Na descida, sabendo que sou um dos últimos, fico imaginando como alguém podia passar por ali em ritmo mais rápido que o meu. E os ponteiros passam, pulam, derrapam, destemidos, morro abaixo. Eu não queria nem ver a cena, mas deve ser algo impressionante. No meu caso, trato de buscar meu centro de gravidade, fortaleço os músculos do abdômen, chamo a ajuda do transverso, que nunca me faltou, dobro os joelhos mais do que o que seria necessário, e vou me equilibrando porca e parcamente...

Mas chego à Conceição, porta de entrada para os primeiros momentos de verdadeira corrida de prazer. Já é mais de uma e meia da tarde, ganho a praia do Mariscal e, apesar do sol forte, um vento friozinho reconforta e me chama para mexer as pernas. Encontro novamente Eleonora, que agora me traz alimento sólido, bolachas, uma fruta, água. Para ela eu corro, como se a musculatura estivesse nova. Dá para abrir a passada, como se estivesse em prova de asfalto, me exibindo para ela, dando tchauzinho e seguindo, agora sozinho, até o final dessa praiona amiga, gostosa e linda.

Ainda abano para um convescote de trilheiros que estaciona no final da praia --mas eles estão em jipões 4x4, vão enfrentar trilhas muito mais tranquilas do que as já passada por minhas pernas e as que ainda me esperavam...

Antes de chegar à próxima, porém, há um breve trecho de asfalto, também uma subidinha. Acho que dá para correr, mesmo assim, e aperto o passo. É quando sinto um aviso no joelho esquerdo, uma dorzinha fina, amarga, cortante. Nem penso: recolho os alfes, como se diziam nos velhos tempos do futebol, me defendo, encurto a passada e a dor se vai. Caminho por aqui e já chego a novos trechos de chão batido, seco, com pedregulhos soltos. Caminho para subir e caminho para descer, medroso de escorregões e também sentindo que começa a se formar uma bolha na planta do pé direito.

Foi a estratégia de deixar secar a meia pelo andar da carruagem --mais precisamente, pela batida no asfalto. Molhada de água salgada, o pano, que era protetor, se torna abrasivo, raspa a planta do pé. No meu próximo encontro com Eleonora, faço uma parada técnica, passo vaselina nos pés --não tenho a mínima idéia se isso serve para alguma coisa, mas só a idéia de fazer uma rápida massagem foi relaxante-- e troco as meias para seguir viagem.

 

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h19

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K42 Bombinhas - final

Precipício e praia

Já são muitas horas correndo, o que me dá certeza de que vou passar das sete horas na estrada (o máximo tolerado são nove horas). O abatimento é chacoalhado pela próxima praia, a maravilhosa Quatro Ilhas, que conheci há mais de 20 anos, ainda quase selvagem. É uma pequena baía, com um lado um pouco mais comprido e afilado que o outro, parecendo mais uma cimitarra do que uma meia-lua, formato que talvez seja a causa de ela oferecer tantos mares em um mar só: no canto esquerdo de quem olha o oceano, o mar é calmo, permite brincadeiras de crianças; mais ao centro, as ondas já trovejam para a alegria da garotada mais parrudinha, de namorados pulando na bruma; e na extrema direita o território é dominado pelos surfistas; a areia é branca, fina, e o solo é um pouco inclinado, mas permite uma caminhada confortável por seu quase um quilômetro de chão, de onde se avistam as tais ilhas: Deserta, Arvoredo e dois pedrões que ganham nome de ilha, mas nem sempre são visíveis; há ainda, ao largo, a ilha de Galés; Macuco, dali, nem parece ilha, mas sim a ponta do continente nesse promontório de desenho tão peculiar.

Pois entro por Quatro Ilhas, imaginando que iria logo para esquerda, para o último morro, a última trilha, mas me orientam para seguir para a direita. Como um dos últimos, sem condições de seguir a orientação de outros ponteiros, passo a partir de agora, faltando menos de dez quilômetros para o final, a ser acompanhando por gente da organização que dita o caminho.

E o caminho é gostoso. Passando o km 35, subo uma trilhazinha de grama fofa até o alto do morro da Cruz; desço com cuidado, é certo, mas dá até para sorrir para a câmera, fingir que corro mesmo depois de tantos quilômetros. Volto para Quatro Ilhas, que corro sozinho; ao passar pela pousada em que estamos hospedados, outros convivas de lá me saúdam, e a Eleonora me beija e avisa: "Te espero na chegada!".

Ali sou todo sorrisos, mas não tinha a mínima idéia do que ainda me esperava. São apenas três quilômetros, a me fiar no mapa oferecido no site da prova. Do km 38 ao 41, sobe-se a trilha para o Retiro dos Padres, avista-se a praia de mesmo nome, circula-se sobre o recanto que tem o sugestivo nome de Sepultura, passa-se por Entulho e Lagoinha para ganhar o último quilômetro, que não oferece maior dificuldade.

É um horror! Desce-se escorregando, há trecho em que fui de quatro, de bunda, de ladinho... Depois de um momento de descanso, chega-se a um costão, onde o caminho é pelas pedras. "Só não pisa no molhado", orienta o meu guia, pois ali não dá para ter idéia de qual o percurso a seguir. Vou para a frente, me equilibrando nas rochas lambidas pelo mar, que troveja e ronca ao meu lado, como se fosse um imenso estômago faminto.

Ainda tenho forças para ver, ao longe, no que parece ser o final das pedras, um outro corredor desaparecer pelo morro. Pois o costão se encaixa no morro, e ai há uma subida. São apenas algumas centenas de metros, mas íngremes; parece uma tosca escada absolutamente vertical construída por raízes, tufos de grama, torrões de terra e o escambau. O coração vem na boca: é a primeira vez que tenho de parar no percurso para descasar. Como uma banana, sigo e, como por encanto, alcanço o topo, de onde vejo mais uma praia linda --talvez, o ponto de chegada (não é).

Mas o trajeto não terminou: é preciso descer o tanto que se subiu, mas agora do lado do continente, rumo à terra firme, e não ao mar. Parece que esse negócio não vai acabar nunca, pois, quando enfim saio da trilha ainda há percurso de chão batido, mais voltas, subidas e descidas. Eu estou meio tonto, zonzo, não sei direito por onde seguir. Pergunto o caminho a a cada vez que vejo alguém de camiseta verde, marca do pessoal do apoio. Finalmente, um corre comigo até a entrada da última praia.

Avisto o pórtico de chegada, sei que a Eleonora está lá me esperando. Parece que todo o cansaço se esvai. Alguns banhistas aplaudem o último esforço, outros sorriem, e eu vou embora, acelero meio torto, mas tenho passadas de corredor.

Ouço o locutor avisar que estou chegando, vejo a Eleonora do outro lado do pórtico, no alto-falante o narrador grita: "É Lucena, do Brasiiil", eu ergo os braços para cruzar a linha sem gritar, só para abraçar Eleonora, dizer que terminei, que cheguei, que estou ali.

Como é bom chegar.

 

PS.: Terminei em 7h53min51 (na chegada, o locutor disse que o tempo fora de 7h53min53...), fechando em penúltimo. O vencedor foi um corredor da região, Giliard Altair Pinheiro, que concluiu em 3h07min; a primeira mulher foi Dbora Aparecida de Simas, com 4h20min14. No total, 132 corredores concluíram a maratona; o revezamento teve 38 duplas e a prova de 8 km, 114 concluintes. De modo geral e pelo que pude observar, a prova foi bem organizada e forneceu tudo o que prometeu; corredores mais rápidos reclamaram de falhas de marcação em alguns trechos do percurso --de fato, os últimos trechos foram bem complicados. O chip estava embutido em uma fita de plástico colocada no número, armada em forma de gota, o que não me pareceu muito adequado para uma corrida de trilho, pois formava ótimo alvo para enganchar arbustos e gravetos, mas, pelo menos comigo, nada aconteceu.

Corri tirando fotos ao longo de todo o percurso, e a Eleonora também fez centenas de cliques nos trechos em que nos encontramos e na largada. Veja AQUI as imagens, que estão em duas sequências, a da minha câmera e a da câmera da Eleonora. Confira também o SITE OFICIAL da prova, que traz vídeos, imagens e mapas, além dos resultados gerais (você vai ver que todos os caras de mais de 60 anos foram muito mais rápidos do que eu, o que não me diminui em nada, mas mostra como o povo de mais de 60 pode ter bom desempenho em qualquer tipo de evento).

E fique atento a este blog se quiser saber se, afinal, vou ser operado ou não. Espero que não, mas saiba que, na noite passada, sonhei que estava fazendo fisioterapia e que tinha uma pequena cicatriz no joelho esquerdo, marca das cirurgias modernas. Torça comigo para que o sonha não tenha sido uma premonição, enquanto eu sigo vida afora morrendo de medo.

Saravá!

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h12

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Momento mágico na final dos 100 m feminino

Que cena!

 A jamaicana Shelley-Ann Fraser, à direita, se espicha toda para vencer a compatriota Kerron Stewart, agora há pouco, no Mundial de Berlim (foto AP).

Com 10s73, Fraser cravou a melhor marca do ano na distância, mas ainda está longe do recorde, considerando que, nos 100 m, tudo se conta em centésimos de segundo.

A melhor marca do mundo --10s49-- foi estabelecida há 11 anos, pela norte-americana Florence Griffith-Joyner.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h22

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Corrida, carteiros e rock’n’roll

Estreia nos 10 km

O jornalista JULIANO BARRETO, 26, editor da "Info", acaba de fazer sua estreia na bela distância de 10 km. Um dos responsáveis pelo blog Resenha em 6, Juliano começou a treinar em janeiro, participou de uma prova de 5 km e agora debuta na distância maior na Corrida dos Carteiros, que nos relata no texto a seguir.

 

"Como parte das comemorações pelos 40 anos dos Correios, a etapa de São Paulo da Corrida dos Carteiros, realizada ontem, teve detalhes bacanas, que conferiram algum charme para a prova. A confirmação de inscrição veio por telegrama. A camisa dos participantes era no inconfundível amarelo dos correios. E, antes da prova e do Hino Nacional, rolou um discurso lembrando da importância desses profissionais/heróis anônimos.

Minha semana de preparação foi precária. Correr domingo de manhã pressupõe descanso e distância da boemia na sexta e no sábado. Coisa que não aconteceu. Já contando com essa indisciplina, preparei uma playlist com músicas para durar pelo menos 1h10 -o tempo em que eu pretendia percorrer os 10 km.

Nos primeiros três quilômetros, temi ser superado pelo simpático pessoal da equipe Vovô Cops.

Além do calor, da ressaca e do tempo seco, logo depois da largada na rua Mergenthaler (local da sede dos Correios) já começava a subida no viaduto Mofarrej. No tocador de MP3, alguns clássicos do AC/DC, que combinavam com a velocidade obrigatória imposta pela estreita faixa reservada aos corredores. A dificuldade para ultrapassar fazia os corredores mais rápidos visitarem a faixa do viaduto em que ainda passavam carros em alta velocidade.

Quando o percurso voltou para as ruas da Vila Leopoldina (zona oeste de SP), o maior vilão foi o piso acidentado. Os buracos e remendos mostraram como as ruas próximas do Ceagesp tratam mal os caminhões e carros que circulam pela região. Na corrida, em muitos momentos só se podia escolher entre torturar os tornozelos e joelhos em ruas de paralelepípedos ou em calçadas esburacadas. A solução era maneirar no ritmo para evitar contusões. Para o trecho, a trilha sonora teve que mudar para Weezer e Jon Spencer and the Blues Explosion.

Depois do km 5, o percurso se repetiu. Mas o cansaço das noitadas já começava a aparecer. O jeito foi se hipnotizar pela batida rápida do punk-rock da banda Riverdales. O som, que emula perfeitamente o espírito dos Ramones, serviu para dar o último gás, ignorar os buracos da rua e terminar bem a prova.

Os vencedores foram Marcelo Cabrini, com 31min16, e Maria Cristina Vaqueiro, com 37min04. Ultrapassei a linha de chegada ao som de "It’s a long way to the top if you wanna rock’n’roll" depois de 52min15. Pessoalmente, também foi uma vitória."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h51

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Masai, a pluma do Quênia, leva os 10.000 m

19 anos e campeã mundial

 Confira só a alegria da queniana Linet Chepkwemoi Masai, que festeja depois de ter conquistado o primeiro ouro feminino do Mundial de atletismo ao vencer, no sábado, a prova de 10.000 m.

Ao 19 anos, a garota desbancou poderosas oponentes, deixando para trás, por exemplo, a etíope Meselech Melkamu. Masai, que deve pesar quase nada, a julgar pela imagem (Reuters), integra uma família de corredores: seu irmão mais velho, Ndiema Masai foi campeão africano júnior nos 5.000 m e 10.000 m; o irmão mais novo também é corredor.

Apesar de muito jovem, a garota, que completa 20 anos em dezembro, já tem uma boa experiência internacional. No ano passado, terminou em quarto lugar nos 10.000 m em Pequim, estabelecendo um novo recorde mundial júnior (30min26s50).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h02

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Vitória mostra Radcliffe pronta para o Mundial

O pé não doeu

Mesmo saindo em uma certa muvuca (foto), a britânica Paula Radcliffe não deu chances para ninguém e venceu soberana a meia maratona de Nova York, disputada ontem.

Para a recordista mundial da maratona, a prova de ontem foi um teste para ver se ela está pronta para enfrentar os 42.195 metros no Mundial de Berlim. Foi sua primeira corrida desde que sofreu uma cirurgia no pé, há dez meses.

Com 1h09min45, deixou mais de um minuto atrás a etíope Mamitu Daska, que chegou a tentar disputar a liderança. A elegantérrima Catherine Ndereba, do Quênia, ex-campeã da prova, terminou em terceiro.

Também em terceiro chegou o queridinho local, Ryan Hall (que também aparece na foto acima, da AP), que perdeu o segundo posto no finalzinho da prova, suplantado pelo marroquino Ridouane Harroufi. O título foi para Tadese Tola, da Etiópia, que concluiu em 1h01min06.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h42

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Bolt, acima de todos

A história de um recorde

Como você sabe, o jamaicano Usain Bolt estraçalhou seu próprio recorde mundial, correndo os 100 m em 9s58 ontem em Berlim, durante o Mundial de Atletismo.

A Folha traz hoje ampla cobertura do acontecimento, e você também encontra notícias atualizadas na Folha Online. Mas eu vou aqui dar uma palhinha publicando uma ótima arte que saiu hoje no caderno Esporte da Folha.

Ela mostra a evolução do recorde e um monte de outros dados essenciais para rechear aquela conversa em mesa de bar (ou, no caso dos corredores, papo furado durante o alongamento).

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h07

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Últimos testes para o Mundial de Berlim

Quase na hora

 

Atletas testam a pista de corrida do estádio Olímpico de Berlim, no apronto final para o Mundial de Atletismo, que começa neste sábado (foto AP).

A primeira medalha vai sair para a marcha atlética de 20 km, masculino. O primeiro ouro das mulheres sairá para a vencedora da prova de 10.000 m, disputada também no dia 15.

Confira o completíssimo site do Mundial AQUI.

A se confirmar a grade de programação disponível hoje na internet, a SporTV vai transmitir o Mundial a partir de pouco antes das cinco da matina. A cobertura segue até as 7h e depois volta pouco antes das 12h30.

Para as 11h, está previsto um Super GP de Atletismo, mas não há na grade mais informações sobre o evento.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h42

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Corrida leva a passeio pela história

De Guararapes a Lennon

Eu adoro a Lapa. Esta é uma revelação terrível, que eu só fui descobrir hoje, enquanto corria no chuvisqueiro paulistano pelas ruas desse bairro da zona oeste, quase tão antigo como a própria cidade (saiba mais AQUI).

Gaúcho de Porto Alegre, vivo em São Paulo já lá se vão mais anos do que gostaria de lembrar, mas minha terra é sempre a a pátria à beira do Guaíba (lago? estuário? rio?). Odeio o trânsito de São Paulo, temo a violência explosiva, desgosto do cinzento opressivo, enfumaçado.

Mas gosto da Lapa, dei-me conta ao longo de um treininho besta, cheio de subidas, descidas e paradas no sinal vermelho. O bairro é múltiplo, com zonas rica e pobre, área de comércio vibrante e de silêncio atacadista. Os trilhos do trem rompem o ventre das ruas lapeanas, a Lapa de Baixo é lapinha, mais pobre, mas com um quê de orgulho de quem foi berço do movimento sindical, palco de lutas trabalhistas das mais importantes.

Falando em lutas, sem nem me dar conta entrei hoje na rua Guararapes, uma via encurvada, quem parece não ter fim (mas tem); ela nem é importante, mas seu nome, sim: as Batalhas de Guararapes, no final dos anos 1640, ajudaram a formara a nacionalidade: batalhões chefiados por portugueses, brasileiros, negros e índios enfrentaram e derrotaram os invasores holandeses.

Enquanto cruzava as centenas de metros da rua, procurava me lembrar das aulas de história, mas logo me atraiu outra beleza: a avenida Mercedes é gostosíssima de correr; sempre que vou por aquelas bandas trato de pelo menos cruzar por ela.

Para compensar, digamos assim, me enfio pela Raimundo Pereira Magalhães. Imagino que a maioria conheça essa rua por sua área mais portentosa, do outro lado da marginal Tietê: é também chama da estrada Velha de Campinas, perigosa pista que se encabrita por morros e buracos. Foi como a conheci, nos início dos anos 1990, percorrendo-a para chegar a um barraco da periferia onde uma família chorava um filho, garoto adolescente morto com um tiro nas costas pela polícia.

Era uma das histórias incluídas em uma reportagem que o Banco de Dados da Folha resume assim: "Alguns casos em que a ação da polícia provocou a morte de pessoas inocentes e opinião dos familiares das vítimas sobre o assunto, particularmente com relação à punição dos responsáveis; a família de um policial morto durante uma troca de tiros com um assaltante fala sobre a discriminação que é feita pela sociedade contra aqueles que, na verdade, estão combatendo o crime".

Pois a Raimundo Pereira Magalhães também existe do lado de cá, e não tem jeito de avenida não: começa exatamente por baixo dos trilhos do trem e segue feiosa como o quê.

Mas suas calçadas são livres, é bom correr por lá, apesar de toda a feiúra. De lá sigo por uma mais feia ainda, a Fortunato alguma coisa, que praticamente virou estacionamento de uma enorme fieira de caminhões carregados de grãos para despacho para empresas da área de alimentos ali sediados.

Deságuo quase na marginal, pertinho do acesso à Anhaguera (de novo os nomes da história do Brasil acompanham meu trajeto), mas trato de começar a voltar.

No caminho de retorno, ainda cruzo por mais história com poesia: a praça John Lennon (foto), que, de fato, são três praças reunidas sob um só nome. As das pontas têm formato triangular, digamos assim, e a do centro é um grande círculo, que tem também grande círculo no seu meio, ideal para passear com cachorros. É isso o que fazem os frequentadores, mas não hoje: afugentados pela chuva, deixaram a ver navios uma equipe da Prefeitura que lá se instalou para fazer nos cães das redondezes a vacina anual contra a raiva.

Eu, limpo de toda raiva --pelo menos, naquela hora,que é o que vale--, segui meu caminho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h58

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Ex-atleta desdiz o que disse contra Jayme Netto

Nova versão

O ex-velocista Edson Luciano voltou atrás na denúncia que fez contra o treinador Jayme Netto Jr., que está envolvido no escândalo do doping dos atletas da equipe Rede.

Segundo reportagem publicada hoje em "O Estado de S. Paulo", Luciano havia anteriormente dito o seguinte: "Pelo meu biotipo, o Jayme disse que eu poderia melhorar o desempenho se tomasse um medicamento que ele sugeriu. Eu não sabia o que era, não sabia do que ele estava falando".

Com a publicação da denúncia, a CBAt abriu investigação sobre o caso, como você leu neste blog. E Luciano está sujeito a ser desligado do programa Heróis Olímpicos, mantido pela CBAt e a Caixa, caso se confirme que ele deixou de denunciar oferta de doping.

Seja por que razão for, no texto publicado hoje Luciano disse que foi "mal interpretado". Suas novas declarações, segundo o jornal, são as seguintes: "Foi apenas uma conversa sobre melhorar o meu rendimento, mas nunca tive informação de que o Jayme usava substância proibida".

Vou parando por aqui, pois, do jeito que estão as coisas, é melhor esperar os resultados das investigações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h47

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Correndo com os cachorros na ilha do Mel

Pedacinho do Paraíso

Um dos destinos que estão gravados no meu caderninho de sonhos é a ilha do Mel, no litoral do Paraná. Desde não sei quando quero visitar esse recanto, cantado em prosa e verso como maravilhoso, esplendoroso, delicioso. Quando descobri que uma corrida iria ser realizada naquela plagas, não tive dúvidas: fiz inscrição, reservei hotel e fiquei planejando a diversão. Mas, no último momento, acabei não indo para a corrida, que foi realizada ontem, em plena manhã do Dia dos Pais. Mesmo assim, você não fica sem um relato do evento, pois o prezado leitor DIMAS VALERIO MARTINEZ lá esteve e conta como foi a festança.

DIMAS, 53, começou a correr em 2004, para corrigir alguns problemas de saúde. Corrigiu tão bem que já fez cinco maratonas --a melhor foi em Curitiba, 3h48-- e treina para a de Nova York. Enquanto a prova norte-americana não chega, vai se divertindo com corridas nacionais mesmo. Leia a seguir o que ele nos conta.

 "Resolvi ir para a ilha do Mel na sexta, final de tarde, e cheguei a tempo de pegar o último barco para a ilha, em Pontal do Sul. No local, parque ecológico, não é permitida a circulação de carros ou motos, e os caminhos, com no máximo 3 m de largura, em areia fofa, no meio da vegetação característica de região de mangues, formam um emaranhado de trilhas que se cruzam, unindo dois povoados de pescadores: Brasília e Encantadas.

Por essas trilhas se chega às diversas pousadas. Fiquei em uma belíssima, decorada com estilo indonésio, na Praia Grande, a dois quilômetros do trapiche, onde desembarquei, já de noite e sem lanterna. O caminho a seguir era "sempre a direita nas bifurcações" (a aventura já começava...)..

Saímos pelas trilhas, noite escura sem lua. Enquanto tivemos o acompanhamento de algumas pessoas, que iam para outras pousadas, tudo bem, mas o último quilômetro foi sozinho, escuridão total, não enxergava um palmo na frente do nariz, quanto mais as bifurcações do caminho. Mas acabai chegando.

No sábado, acordei cedo e fui explorar o local. Dia de Sol maravilhoso, aproveitei para dar uma corrida pela praia em frente a pousada --uma faixa de areia de 1,5 km entre dois rochedos. À noite, o jantar para os atletas foi servido: tainha na brasa, salmão e acompanhamentos, uma beleza.

Acordei cedo no domingo e vi que o tempo havia mudado. Fazia frio, e uma fina garoa incomodava. Fui tomar meu café, e o pessoal já estava na praia montando a arena da prova. O pórtico balançava ao sabor do vento gelado que soprava.

Prevista para as 9h30, a largada atrasou para esperar corredores que vinham na balsa, também atrasada. Alguns corriam para se aquecer, outros buscavam a proteção da tendas.

Éramos uns cem corredores para os 12k e um pouco menos para a caminhada de 6K. Próximo das 10h foi dada a largada, no estilo contagem regressiva.

Saímos em disparada pela areia dura da praia. Uma matilha de cachorros caiçaras foi nos acompanhando, festa total, os bichos pulando de um lado para o outro, no meio da galera. Um vira-lata quase me derruba pulando nas minhas costas, uma corredora tropeçando em outro, e os bichinhos achando tudo uma brincadeira.

Assim fomos até o final da praia. Nos rochedos, a galera se espalhou tentando achar o melhor caminho, num sobe, desce e pula pedra. O marzão embaixo açoitando. Para quem já conhecia o percurso, havia o caminho ideal, chamado pelos organizadores de "passagem da fenda". Uma passagem estreita de uns 20 cm, entre duas pedras gigantes. Para passar ali, só de ladinho e com a cara ralando na rocha, meio claustrofóbico. Gordinho ali entala.

Do outro lado, saímos na praia do Miguel, faixa de areia dura de cerca de um quilômetro que leva até a subida do morro do Sabão, uma trilha íngreme de uns 200 m. No topo, visual belíssimo, iniciamos a descida para a praia da Bica de Norinho. Nessa praia, de areia fofa em diversos pontos, chegamos ao acesso e à passarela de madeira para a Gruta das Encantadas. Nesse ponto havia um PC para controle da passagem dos atletas.

Agora era fazer o caminho de volta. A nova subida do morro do Sabão foi opor outra trilha, muito mais íngreme --em alguns pontos, tive de subir de quatro; nos últimos 30 m, busquei p apoio de uma corda para poder atingir o cume.

Corremos um pequeno trecho pela crista plana da montanha, desfrutando de um cenário magnífico, e iniciamos a descida, que também exigiu muito cuidado, retornando á praia do Miguel.

De lá entramos numa trilha fechada e plana, com piso em areia fofa e tomando o cuidado para não bater a cabeça nos galhos das árvores (típicas de mangue). Chegamos a um novo trecho de rochedos, não muito altos, mas extremamente lisos.

Estava difícil parar em pé, tínhamos que sentar e passar de pedra em pedra. O ponteiro que puxava nosso grupo de uns cinco corredores escorregou sentado até a beirada das pedras, onde tinha areia (a maré estava baixa).

Fizemos o mesmo para seguir pela lateral das pedras, mas o terreno era totalmente instável. Atolava os pés na altura do tornozelo. Quase saiu meu tênis numa dessas.

Percorremos esse trajeto por uns 100m, quando finalmente voltamos para a trilha, agora, um pouco mais aberta, mas com areia fofa. Chegamos ao morro do Farol das Conchas, ponto turístico da ilha. Uma longa escadaria feita de pedras nos levava ao Farol.

Na primeira olhada me lembrei da Muralha da China, com suas escadarias (versão tupiniquim..rs). Consegui subir uma parte no trote, mas as pernas começaram a queimar e não teve jeito, fomos subindo na manha. No alto do morro, contornamos o Farol e nesse ponto havia mais um posto para controle de passagem.

Descemos as escadarias e, antes que chegássemos no final, havia um staff informando que deveríamos entrar À esquerda, numa trilha que mal dava para ver, onde haviam voçorocas (erosões) e pedras, além de uma planta parecida com pé de abacaxi --era relar nela e sair rasgado.

Chegamos à Praia de Fora, pequena (uns 500 m), que nos levou para o último obstáculo: a subida do último morro, por uma trilha aberta no meio do capinzal (não utilizada normalmente). Subida braba, com a ajuda das mãos. Chegamos ao topo e lá de cima podia ver na praia ao lado o pórtico de chegada.

Só havia uma descida enjoada me separando da chegada. E algumas pedras relativamente altas pelo caminho.

Mas, ainda que meio alquebrado, cheguei, fechando em 1h16.

Peguei minha medalha e corri para o marzão gelado.

PS: A cachorrada conseguiu nos acompanhar, com algumas baixas, até o km 5, quando não conseguiram superar o morro do Sabão, o trecho com a corda...rsrs "

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h49

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Confederação investiga declarações de velocista

Medicamento suspeito

As declarações do ex-medalhista Edson Luciano Ribeiro tiveram repercussão imediata entre a cartolagem do atletismo.

A CBAt ontem mesmo divulgou nota em que informa estar investigando também esse caso.

Diz o texto divulgado pela entidade: "A Confederação Brasileira de Atletismo, ao tomar conhecimento, pela imprensa, de declarações do ex-atleta Edson Luciano Ribeiro de que o técnico Jayme Netto Jr. lhe havia oferecido um medicamento, que lhe parecera suspeito, e que melhoraria o seu desempenho, quando com ele treinava, está questionando o desportista a esclarecer essa ocorrência.

"Caso fique comprovado que o ex-atleta tinha conhecimento de suposto emprego de substância proibida pelo treinador e não comunicou esse fato, ele será imediatamente suspenso do Programa Heróis Olímpicos da CBAt e a Confederação, de pronto, iniciará procedimentos para apurar essa denúncia."

Vamos aguardar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h21

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Escândalo do doping pode acabar com equipe da Rede

Desemprego à vista

O presidente da Rede Atletismo disse estar muito abalado com o escândalo que atingiu a equipe, que teve vários atletas suspensos por causa de doping.

Na semana passada, Jorge Queiroz de Moraes Júnior, presidente da Rede Atletismo, admitiu acabar com a equipe.

‘O fim do programa para atletas profissionais me passa pela cabeça. Com certeza, pelo menos o investimento vai diminuir‘, declarou.

Com isso, ficam em risco empregos de atletas consagrados, como a maior estrela da equipe, a medalhista de ouro em Pequim Maurren Maggi, cujo contrato vence em setembro.

‘Para falar a verdade, não sabemos se vamos renovar com ninguém. Ainda estamos tentando assimilar o golpe‘, comentou Marcos Coreno, diretor técnico da Rede Atletismo.

Essas informações foram publicadas nas áreas de esporte da Folha Online e do UOL que, como a Folha, estão acompanhando de perto o caso. Recomendo que os interessados no assunto fiquem ligados, pois novidades continuam pipocando. Eu também irei, aos poucos, atualizando as informações.

No sábado, por exemplo, o UOL levantou um antigo caso, em que o medalhista olímpico Edson Luciano acusava o técnico Jayme Netto Júnior de lhe sugerir um medicamento proibido para correr mais. O treinador está envolvido no escândalo do doping da Rede Atletismo, que tirou cinco atletas brasileiros do Mundial de Berlim.

Além das questões técnicas, Luciano e Jayme brigam na Justiça por uma ação trabalhista de vínculo empregatício de data de 2007. Ao lado de Luciano, estão atletas da APA (Associação Prudentina de Atletismo) e os velocistas Eronildes de Araújo, Sabrina Manzolli e Josiane Tito.

O corredor não quis saber de meias-palavras e acusou o treinador: "Ele é ladrão mesmo, sempre foi ladrão, me deve por baixo R$ 20 mil. O Jayme falou que o patrocínio da Brasil Telecom era de R$ 50 mil [mês], mas descobri que era de R$ 150 mil. Me roubou, roubou o André Domingos e o Eronildes Araújo. Só descobri tarde o quanto ele tinha me roubado", declarou.

Segundo a reportagem publicada no UOL, o técnico Jayme Netto Júnior preferiu não rebater as acusações do ex-atleta. "Nada a declarar, mas, se ele falou, vai ter de provar na Justiça. Não quero comentar qualquer fala desse moço", disse.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h37

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Conheça a história de Bazda, o corredor apaixonado

Quebra, mas não se dobra

Ontem fui ver um filme excepcional. Cheio de drama, emoção, sentimentalismo e até um pouco de chorumela, mas também seco, sólido, documental, testemunhal: uma denúncia emocionada e apaixonada da situação em que vivem os fugitivos terceiro-mundistas que vão tentar conquistar na Europa uma vida melhor.

Trata-se de "Bem-Vindo" (confira AQUI a ficha técnica do filme), que conta a história de um garoto curdo que foge da guerra no Iraque para ir à França, cabeça-de-ponte para tentar chegar á Inglaterra, onde já está morando sua amada.

O jovem era conhecido, em seu país, pelo apelido de Bazda, corredor, homenagem às suas façanhas nas partidas de futebol jogadas no Curdistão.

Pois sua habilidade e juventude o ajudaram para que conseguisse percorrer a pé, ao longo de meses, o duro e gelado caminho até Calais, porto francês onde os fugitivos tentavam conseguir uma vaga clandestina para cruzar o canal da Mancha e chegar à Inglaterra.

Incapaz de driblar a vigilância da polícia de fronteira, o corredor resolve tentar outro caminho: o mar.

Vai cruzar o canal da Mancha em busca de seu amor.

Precisa deixar de ser Bazda, o corredor, para virar nadador de longas distâncias, processo no qual é ajudado por um francês ex-campeão de natação e também ele às voltas com uma complicada relação amorosa.

O certo é que, na estrada ou no mar, o menino Bazda demonstra decisão férrea, de quem vai até o fim custe o que custar. de quem, como diz o ditado, "quebra, mas não verga".

E mais não conto porque senão acabo revelando demais o filme, do qual você pode ver um trailer AQUI.

Ah, só tem um porém: se você for ver o filme na avenida Paulista, procure ir de metrô. Ontem fui de carro, e o custo do estacionamento foi mais alto do que o valor da entrada! Um roubo!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h13

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Esquentando os tamborins para o Mundial de Atletismo

Objetos de desejo

Berlino, o mascote oficial da 12ª edição do Mundial de atletismo, que será realizado neste mês, mostra medalhas de ouro, prata e bronze que serão usadas na competição para premiar os líderes de cada prova (foto Reuters).

As medalhas foram apresentadas hoje em uma cerimônia oficial.

Tomara que os controles antidoping durante o Mundial sejam tão bons como parecem estar sendo os trabalhos de preparação, pois eu já estou "por aqui" de ver atletas bombados levando prêmios e deixando outros "limpos" a ver navios.

Alguém pode até duvidar da existência de competidores "limpos" no Olimpo das grandes competições internacionais, mas acho que é melhor manter a escrita de que todo mundo é inocente até que sua culpa seja provada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h37

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Dona Mitico dá show nos 10.000m

Três provas, três medalhas

 

Há alguns dias, falei aqui da sensacional dona Mitiko Nakatami, que trouxe para o Brasil a medalha de prata na prova de marcha no Mundial de veteranos, realizado em Helsinque.

Pois, como você se lembra, naquela mensagem adiantei que viriam mais medalhas por aí, pois dona Mitiko treina mais a corrida do que a marcha.

E, de fato, essa supervovó de 77 anos e apenas 1m39, voltou ao pódio por duas vezes em Helsinque. No domingo passado, conquistou o bronze nos 5.000 m; e ontem, levou a prata nos 10.000 m, mostrando determinação e um sensacional poder de recuperação.

Parabéns a dona Mitiko e que ela sirva de exemplo e inspiração para todos nós.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h16

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Treinador assume culpa por doping

 Atletas não sabiam

O treinador Jayme Netto assumiu hoje a responsabilidade por administrar doping a cinco atletas da equipe rede Atletismo, que foram pegos no antidoping e estão suspensos, como você leu ontem neste blog.

"Sei que o treinamento é importante, mas há substâncias que podem favorecer", disse ele em entrevista coletiva realizada hoje em Bragança Paulista.

Segundo o treinador, os atletas não sabiam qual substância seria injetada. O presidente da Rede, Jorge Queiroz de Moraes Jr. afirmou: "Eles não tinham a menor noção. Achavam que era aminoácido, receberam as injeções na barriga."

E o treinador ainda acrescentou: "Há outros casos no Brasil e a tragédia poderia ter sido ainda pior. Nunca antes tinha sido feito um exame [fora de competição] dessa maneira".

Ele não revelou o nome de outros possíveis envolvidos na fraude, mas disse que, no seu caso específico, foi induzido por um fisiologista (que não estava lá para se defender) a aplicar o doping nos atletas, como forma de acelerar o processo de recuperação.

Leia cobertura completa do caso na Folha desta quinta-feira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h34

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Sangue de corredor

Com os pés e o coração

Conheci Neide quando ela treinava às terças e quintas no parque Ibirapuera, no final dos anos 1990. Ela era uma jovem senhora sorridente, sempre disposta, com quem de vez em quando trocava algumas palavras do idioma do corredor: "Vamo que vamo!", "Vamos lá". Não sabia sua profissão nem seu sobrenome nem muito menos que morava no Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo tristemente famoso pela violência _é um dos vértices do chamado Triângulo da Morte, formado pelas regiões da zona sul com maior número de assassinatos.

Pois Neide lá morava e por lá treinava, correndo sempre no parque Santo Dias (nomeado em homenagem ao metalúrgico morto pela PM durante uma greve em 1979). E lá descobriu sua vocação. Não poucas vezes, enquanto trotava no parque, ouvia perguntas de outros frequentadores, pedidos de orientação sobre exercício, atividade física, corrida. Ela, que conhecia o atletismo pela própria experiência, pelo tanto que aprendera com seu treinador e com outros corredores, respondia, dava uma dica. Aos poucos, tinha um grupinho de corredores sob sua orientação.

De lá para cá, mais de 500 pessoas passaram pela Equipe de Corredores do Parque Santo Dias _a maioria delas mulheres. Hoje, o grupo liderado por Neide não só pratica corrida, mas também solidariedade. Recolhem alimentos que distribuem para os menos favorecidos da turma. E três vezes por ano saem do Capão Redondo para oferecer vida para desconhecidos, doando sangue no Hospital de Clínicas (foto Ayrton Vignola/Folha Imagem), como fizeram na semana passada, em uma viagem que acompanhei e que rendeu histórias emocionantes e edificantes.

Começo com a trajetória de Neide, como é conhecida Marineide Santos Silva, 48, baiana de Porto Seguro, que veio para São Paulo com cinco anos e aqui construiu sua vida e mudou a história da vida de dezenas de pessoas.

+CORRIDA - Como era sua vida na Bahia e por que sua família veio para São Paulo?

NEIDE - Minha família tinha uma fábrica de farinha. Eles plantavam mandioca, colhiam, fabricavam a farinha e viviam disso. Era uma família simples. Não eram fazendeiros. Eles pegavam empreitadas: plantavam, colhiam e depois dividiam o lucro com os donos da terra. Éramos em seis irmãos, uma família de nordestinos de seis irmãos. Um dia, as terras foram vendidas para outras pessoas, e aí a família não tinha mais sustento e veio tentar a vida em São Paulo. Meu pai foi tentar a vida na Serra Pelada, e minha mãe ficou aqui com seis filhos para criar. E, nisso tivemos uma notícia que estávamos sem pai, que ele tinha morrido de malária. Então as crianças também precisaram ajudar. Aos nove anos de idade, eu já trabalhava no próprio bairro. Aprendi a costurar, fazer bainhas de calça, ganhava moedas de dez centavos _no dinheiro de hoje, era R$ 1 por barra.

+CORRIDA - E você sempre morou ai na Zona Sul?

NEIDE - Sempre morei no Capão Redondo. Morava no Jardim Ângela, que é vizinho do Capão Redondo. Aos 14 anos, comecei a fazer esporte no colégio. Mesmo sem ter altura, jogava vôlei, basquete, handebol. Foi quando aconteceu um campeonato entre colégios e entrou o atletismo. Foi a ultima coisa que eu experimentei, e aí todas as baterias que tinha quem ganhava? Eu. E aí comecei a pegar gosto pelo esporte. Mas acontece que, aos 14 anos, tive também o primeiro registro em carteira, era um laboratório farmacêutico. E então só dava para treinar aos sábados, porque eu trabalhava de dia e estudava à noite.

+CORRIDA - Quando começou o projeto no Capão Redondo?

NEIDE - O projeto começou em 1999. As pessoas, lá no parque, queriam saber como correr, como alongar, que roupa usar... No início de janeiro, eu falei que ia dar orientação para eles durante 15 dias, que era o que eu tinha de férias. Só que acabaram as férias, e eu não tive mais coragem de deixar o grupo, entendeu? Porque eu na primeira semana comecei com seis, quando foi no final dos 15 dias, já tinha mais de 20 pessoas.

Conversei no meu trabalho [Neide presta serviços em um escritório de decoração nos Jardins], abri mão de 30% do salário para poder ficar com a turma no parque pela manhã. Já eram umas 40 pessoas...

Quando foi em 2000, a mulherada começou a levar as crianças para os treinos porque não tinham onde deixar, porque as mães do Capão Redondo são guardiãs dos seus filhos, não é? São mulheres que abrem mão de trabalhar fora para poderem cuidar dos seus filhos, para proteger os seus filhos. Quando foi em setembro de 2000, meu filho mais velho morreu, foi assassinado no Capão Redondo por um menor que tinha a estatura de uma criança.

+CORRIDA - Um assalto?

NEIDE - Foi, assaltaram e nessa tentativa de assalto assassinaram meu filho. E aí foi caindo a ficha que dentro do Capão Redondo eu era só mais uma da estatística, "mais uma Maria a chorar", como diz o dr. Drauzio Varella. Mas meu filho tinha deixado um jogo pronto. E ai passaram meses e meses, eu fiz um joguinho e ganhei um dinheirinho mínimo, não ganhei mega-sena não, ouviu? Eu falei: vou fazer alguma coisa. Meu filho adorava o meu trabalho, e vou continuar essa trabalho. Esse dinheirinho eu vou guardar e vou investir. Ai a partir desse dinheirinho eu comecei a fazer inscrição, levava o pessoal para correr, já tentava alugar um ônibus, dei o pontapé inicial, não é? Só que meu dinheiro acabou. Aí, no grupo, quem podia ajudava com R$ 1, começamos a fazer binguinho, fazer rifa para ir mantendo, não é? Aos poucos nós compramos colchonete, foi melhorando, compramos som, e a coisa foi crescendo. Aí veio a necessidade de atender as crianças. Comecei a trabalhar com a molecadinha de sábado.

+CORRIDA - E como é a participação nas corridas?

NEIDE - Nós conseguimos ajuda. Participamos em todas as corridas do circuito das subprefeituras, que são gratuitas, e tamb‘pem participamos de corridas em que os organizadores dão inscrições de cortesia [vários do grupo já participaram da São Silvestre e da maratona de São Paulo].

+CORRIDA - De todo esse trabalho, o que você considera sua maior conquista?

NEIDE - Meu objetivo é incentivar a nossa comunidade local a fazer esporte. O pessoal não tem condições de pagar academia, não pode sair de lá e ir para o Ibirapuera. E, assim, para minha felicidade, a comunidade aceitou bem. E a melhor conquista foi que, através do esporte, começamos a trabalhar o social. E todos os meus alunos, os adultos todos são doadores de sangue. Nós doamos sangue três vezes por ano. E também arrecadamos alimento: no final do mês, cada um traz um quilo de alimento. Para você ter uma ideia nós arrecadamos mais de cem quilos de alimentos mensal.

+CORRIDA - E aí vocês fazem o que com esses alimentos?

NEIDE - A gente dá para aqueles que tem menos condições ainda do que nós, entendeu? Quem pode traz dois, três quilos, mas tem aqueles que nunca trazem. Se não trazem é porque não têm como dar. A gente faz várias cestas e distribui para aqueles que não tem.

+CORRIDA - O Capão Redondo é, sabidamente, uma área muito violenta. Nunca ninguém do grupo foi atacado?

NEIDE - Não, não, não. O Capão Redondo não é tão feio quanto pintam. Há alguns anos atrás estava muito difícil, mas, agora, muita coisa melhorou. Há muitas ONGs atuando nessa região, tem a Casa do Zezinho, a do Jardim São Luís, a Fundação Cafu, o projeto Capão Cidadão. Eu percebo que nós, da comunidade, resolvemos não ficar de braços cruzados. Eu resolvi não ficar de braços cruzados, porque se for esperar pelo poder público é muita promessa. Um dia alguém me vê, porque o meu projeto, a minha mudança é a mudança social dos pés e do coração.

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h26

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Sangue de corredor - parte 2

Calor humano

A Equipe de Corredores do Parque Santo Dias, formada por moradores da periferia de São Paulo, tem como um de seus pontos de honra a solidariedade. Ajudam os colegas em dificuldade, arrecadam alimentos que distribuem para os mais necessitados do grupo e, regularmente, fazem doação de sangue. Na semana passada, eu acompanhei a viagem de mais de uma hora desde a zona sul até Pinheiros, no Hospital de Clínicas (falei disso na minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilíbrio, AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Foi na quarta-feira, que acordou fria, cinzenta e chuvosa. De madrugada, até granizo havia desabado sobre São Paulo. Cheguei à entrada principal do parque Santo Dias às 7h, e imaginava que a tal expedição iria gorar. Mas logo chegaram um ônibus da prefeitura e um carro do Corpo de Bombeiros, que iria abrir caminho para a travessia. Faltavam os corredores.

Aos poucos, começaram a aparecer, sem jeito de atletas, vestidos em roupas de frio, protegendo-se da chuva como podiam. Cumprimentavam a Neide, faziam rodinhas até a hora da partida. Embarcamos, e eu vou conversando com um e outro.

Dona Mariá ficou dez anos praticamente sem sair de casa, reclusa. "Só levantava para atender a campainha, só saía para fazer compras e pronto", conta ela, que mudou de vida desde que conheceu o grupo. Hoje com 61 anos, aposentada, contabiliza quatro São Silvestres no currículo de atleta. Além dos treinos com o grupo, também faz musculação em uma academia do bairro, pagando R$ 40 por mês.

"Tomei uma paixão pelas corridas: fico doente o dia que não corre. Eu me sinto muito bem", diz ela, veterana de viagens como essa: "Eu não sabia que na minha idade podia doar, mas pode. Já vim outras vezes. Se o meu sangue servir para alguém, vou ficar muito feliz".

Mas a ideia de entregar o braço para ser agulhado e ver o próprio sangue escorrer por um tubo, indo embora do corpo, não é atraente para todo mundo, mesmo gente bem mais jovem.

"Eu era meio receosa de doar sangue", diz Claudete Aparecida, 28, relembrando a primeira vez que participou da ação. O receio foi deixado de lado: "Fui com o grupo e gostei da sensação. Gosta de fazer alguma coisa pelos outros", diz ela, que trabalha no Corpo de Bombeiros e é uma entusiasta da equipe de corridas: "Corrida para mim é tudo, eu arrumei um novo sentido para a vida. Ganhei uma família, não é só um grupo de corrida".

É semelhante ao que relata o segurança Jorge Luiz Correa, 54, conhecido como "Delegado do Parque". Ele parou de fumar em 2002 --deu suas últimas baforadas no último minuto do jogo do Brasil, na final da Copa do Mundo. Tempos depois, conheceu o pessoal do parque, onde ia para caminhar, e se aproximou do grupo.

"Troquei o vício do cigarro pela corrida. Hoje, tenho pressão boa, não sou mais fedorento...".

Ele não parava de correr. Quando trabalhava como segurança em, uma gráfica em Embu, voltava do serviço correndo, depois de uma noite em claro. E seus tempos são muito bons: "Na minha primeira corrida, em Itaquera, fiz os cinco km em 40 minutos, morrendo, bufando. Hoje eu faço na metade do tempo, sem cansar". Até maratona já fez: no ano passado, cumpriu os 42.195 metros em 3h40; neste ano, queria reduzir a marca, mas uma fisgada na coxa fez com que concluísse a prova em 3h50 --tempo altamente respeitável...

"Corrida faz bem à saúde, traz alegria, alegra o espírito da gente", diz. Alegria que parece não combinar com o ar sisudo que se espera de um delegado... É que Correa ganhou o apelido não por ter trabalhado na polícia, mas por encarnar o personagem nas festas juninas organizadas pelo grupo. Ele atua como delegado nas danças de Quadrilha --sorrindo sempre, como nas suas conquistas no asfalto.

Conquistas, aliás, sua vizinha de ônibus tem aos montes. "Hoje são mais de 20 medalhas", orgulha-se Maria Aparecida santa Rita, 46, que começou a correr no ano passado: "Foi a melhor coisa que já fiz na vida. Não tem dia que eu não corra. Eu me sinto outra pessoa. É um vício bom".

Ela vem pela segunda vez com o grupo participar da doação de sangue: "É importante, a gente pode estar salvando uma vida".

Vidas que a corrida também salvou, de certo modo, ajudando a melhorar a disposição e a saúde. "Depois de sete anos como aposentado, resolvi que precisava fazer alguma coisa", conta Adeilton de Souza, 62, motorista de ônibus aposentado. Ele estava com 81 kg, hoje contabiliza 15 a menos e festeja: "Acordo disposto, com vontade de fazer as coisas".

Disposição que ajuda também a vida familiar, como mostra o professor Pedro Paulo, 46, que não corre, mas aplaude a mulher, Celeste Rocha, 45, que no ano passado conseguiu pela primeira vez fazer uma corrida de 5 km inteira sem andar nenhuma vez. Paulo participa da ação da equipe de corredores: "Não basta ser marido, tem de doar sangue junto", brinca ele.

Pois foi brincando, brincando, que Paulo Roberto da Silva Jr., 35, arrastou a mulher, Cristiane (na foto acima, os dois) para o mundo das corridas: "Ela ia só caminhar, mas resolveu correr comigo, e terminamos juntos a prova", lembra ele sobre uma prova em Guarapiranga, no ano passado.

Ele já estava no grupo desde 2006. Começou caminhando, em respeito ao seu peso de então: 145 quilos. Mas a energia do grupo o chamou para o asfalto. Com três meses e meio de treino e dez quilos a menos, fez sua primeira prova. Foi uma corrida de sete quilômetros, em Interlagos. "Cheguei a comparar com um parto, de tanto que sofri. Mas, para mim, aquilo foi o início de uma nova vida.

Hoje, como 118 kg, está "uma pluma", como diz. Acaba de marcar seu recorde pessoal nos 10 km, que fechou em 58 minutos. E virou um divulgador incansável da corrida: já conquistou a mulher, os dois filhos e ainda dois sobrinhos...

Quem sabe, um dia faz uma maratona...

PS.: Todas as fotos publicadas nesta reportagem são de Ayrton Vignola/Folha Imagem

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h23

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Sangue de corredor - final

Questões técnicas

Os atletas da Equipe de Corredores Parque Santo Dias lotaram a sala de coleta da fundação Pró-Sangue, no Hospital de Clínicas. Segundo me informa a assessoria da entidade, é o primeiro grupo de atletas "que se apresenta na doação como tal" (foto Ayrton Vignola/Folha Imagem). Mas há muitos doadores maratonistas, corredores profissionais e amadores, diz a assessora.

Mesmo assim, imagino que sempre fique uma pulga atrás da orelha quando se trata de entrar em um hospital e passar pelos procedimentos envolvidos na doação de sangue. Por isso, mandei para a Pró-Sangue algumas perguntas sobre doação de sangue e prática de esportes.

+CORRIDA - Há alguma incompatibilidade entre a prática de esportes e a doação de sangue?

CYNTIA ARRAIS - Absolutamente não. Pessoas que têm o hábito de se exercitar regularmente são excelentes candidatos à doação de sangue uma vez que aparentemente devem estar em boas condições de saúde.

+CORRIDA - O atleta pode doar sangue antes de um treino? Depois? Qual deve ser o intervalo entre o treino e a doação de sangue? É melhor fazer a doação antes ou depois de ter treinado?

CYNTIA ARRAIS - Após doar cerca de 450 l de sangue total, a melhor forma de recuperação desse volume é a hidratação. Mesmo os atletas devem respeitar o dia da doação de sangue como um dia de descanso e o retorno às atividades físicas no dia após a doação deve ser feito com cautela. Não existe contra-indicação à doação de sangue após o treino, desde que o doador esteja se sentindo bem e preencha os requisitos necessários para a doação de sangue. [NR.: Os requisitos básicos para doar sangue são os seguintes: estar em boas condições de saúde; ter entre 18 e 65 anos; pesar no mínimo 50 kg; estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação); e apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial.]

+CORRIDA - E quem está se preparando para uma competição importante e extenuante, como uma maratona, pode doar sangue? Ou até quantos dias antes da prova a pessoa pode doar?

CYNTIA ARRAIS - O atleta que vai participar de uma maratona pode fazer a doação de sangue, mas o ideal é que essa doação seja feita pelo menos uma semana antes da prova.

+CORRIDA - Quanto sangue é retirado em cada doação?

CYNTIA ARRAIS - O volume admitido por doação é de 450 ml. Isso resulta em uma queda de aproximadamente 10% do volume sanguineo total.

+CORRIDA - Doar sangue regularmente pode beneficiar o atleta?

CYNTIA ARRAIS - Antes da doação de sangue, todos os candidatos, atletas ou não, passam por um questionário feito por um profissional de saúde e por uma checagem de sinais vitais e do nível de hemoglobina no sangue. A sensação de bem-estar do doador por ter ajudado alguém também não pode ser desconsiderada como um benefício.

+CORRIDA - Doar sangue poucos dias antes de uma prova pode melhorar o desempenho?

CYNTIA ARRAIS - Estudos que avaliaram ciclistas competidores com teste de esforço máximo e consumo de oxigênio duas horas, dois dias e sete dias após a doação de sangue demonstraram que a performance máxima desses atletas foi diminuída pelo período de uma semana, e a performance submáxima não foi alterada, portanto não houve benefício.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h19

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Bagunça no Sul-Americano de Corridas em Montanha

Desvio errado

Por causa de informações erradas, o campeão brasileiro de corridas em montanha, Naval Freiras, amargou uma triste derrota no 4º Campeonato Sul-americano de Corridas em Montanha, realizado no sábado passado no Equador.

Ele liderava a prova, uns 15 segundos à frente de um grupo de quatro corredores do Equador e da Venezuela, quando recebeu da diretora técnica do evento uma informação errada sobre o percurso. O grupo perseguidor também foi prejudicado.

"Mesmo assim, não desisti. Passei por baixo de cinco cercas de arame e procurei voltar ao percurso o mais rapidamente possível, para tentar tirar a diferença", disse ele em e-mail que mandou para este blog.

A frustração foi maior porque o corredor brasileiro se sentia totalmente em condições de brigar firme pelo título: "Eu estava me sentindo muito bem, apesar de tudo estar meio bagunçado e apesar das condições adversas --largada à uma da tarde com 32 graus de temperatura, a uma altitude de 2.750 metros".

Naval terminou em nono lugar na prova, sendo o quinto sul-americano, completando em 1h02min46 o percurso de 12 km. A representante brasileira foi Luzia Aluísio Mesquita, que terminou em décimo lugar, completando os 8 km da prova feminina em 51min21.

Os donos da casa ficaram com os títulos no masculino, com Marco Almachi (57min38), e no feminino, com Rosa Alba Chacha (41min50).

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h37

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Cinco brasileiros são pegos no antidoping

Lamentável

Cinco atletas brasileiros que já estavam na Alemanha, participando de camping de treinamento preparatório para o Mundial de atletismo, estão voltando para casa mais cedo. Eles foram pegos em exame antidoping, segundo comunicado que a Confederação Brasileira de Atletismo divulgou hoje à tarde.

O texto informa: "Em 03 de agosto corrente, a CBAt recebeu comunicado enviado na noite de 31 de julho próximo passado, por fax, pelo laboratório credenciado pela IAAF em Montreal, Canadá, de que a análise das amostras ‘A‘ dos atletas Bruno Lins Tenório de Barros, Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane da Silva Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre apresentaram resultados adversos para uso de substâncias proibidas em teste surpresa". O teste havia sido realizado fora de competição, em 15 de junho passado, em Presidente Prudente, pela agência antidoping da CBAt.

Bruno Lins, 22 anos é velocista (prova principal: 200 m) e conquistou 32 pódios na temporada. Jorge Célio da Rocha Sena e velocista e tem 11 pódios no ano. Josiane da Silva Tito tem como prova principal o 800 m e já subiu sete vezes ao pódio no ano. Luciana França, do 400m com barreiras, conquistou oito pódios neste ano. Lucimara Silvestre da Silva é do heptatlo e já subiu ao pódio 23 vezes nesta temporada.

Todos eles são da equipe Rede Atletismo, que hoje exibe na tela de abertura de seu site um comunicado em tarja negra, que diz: "O Rede Atletismo está de luto". O texto se refere a um caso anterior de doping: a atleta Lucimar Theodoro apresentou resultado positivo de doping em exame realizado durante o Troféu Brasil em junho/2009.

Os atletas que agora foram pegos solicitaram a análise das amostras ‘B‘, da contra-prova, e estão voltando ao Brasil, com seus treinadores, Jayme Netto Junior e Inaldo Justino de Sena. Vão apresentar sua defesa no país.

Eles estão impedidos de participar de qualquer competição oficial até que saia o resultado da análise da amostra "B". Além disso, a CBAt determinou abertura de inquérito administrativo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h30

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Sobe e desce na meia de São Bernardo

Feia, porém gostosa

Êta cidadezinha que não paga imposto para ser feia, essa São Bernardo. Glorioso palco de lutas sindicais que ajudaram a mudar este país, a vizinha de São Paulo não prima pelas belezas naturais nem arquitetônicas --contrário, lá a mão do homem parece ter sido usada só para enfeiar ainda mais as coisas, abusando da especulação imobiliária, da sujeira e do cinza.

Assim é que a meia maratona da cidade não poderia fugir do clima geral que domina São Bernardo. Mas, talvez para compensar a falta de atrações estéticas, os organizadores da prova montaram um percurso para lá de atraente, bacana como poucos para quem gosta de desafios.

Fiz essa prova há alguns anos, e já sabia do sobe e desce da cidade. Mas, na edição de hoje, o percurso foi bem diferente do que eu conhecia. Está mais rápido, menos chato, pois tiraram uma ida e volta chatinha lá da avenida Piraporinha, e muito técnico, como costuma dizer os especialistas quando se referem a um trajeto cheio de subidas e descidas.

Não estou brincando, não. Confira abaixo a altimetria do percurso. está certo que as subidas e descidas não são enormes, mas estão lá o tempo todo, exigindo a atenção do corredor (ainda bem, porque daí a gente não se ocupa tanto do mar de prédios).

A largada ocorreu na hora exata, saindo juntos os corredores da meia e de uma prova de 5 km, numa total de quase 3.000 atletas (foram 1.387 concluintes na meia e 1.287 nos 5 km). O dia estava uma maravilha, se comparado à semana chatérrima que tivemos. O sol ameaçava aparecer e, a crer nos termômetros de rua, largamos com 22 graus.

Não é a melhor temperatura do mundo para correr, mas só uma hora depois começou a esquentar mesmo. E não durou muito, porque nuvens vieram brigar com o sol, e o vento também ajudou a refrescar o ambiente.

Mesmo assim, alguns sofreram, talvez por não terem respeitado a própria condição física: antes do km 5, pelo menos dois corredores estavam estirados no chão e tiveram de receber socorro médico.

Quem seguiu correndo passou por avenidas largas, fechadas para o tráfego, bem boas de correr, ainda que, como disse, feinhas de doer. Por volta da metade da prova, as coisas melhoraram um pouco.

Subindo um viaduto para passar pela Anchieta, deu para ver vegetação e o céu azul; depois, rodamos cerca de um quilômetro pela autoestrada, uma novidade divertida para mim. Nos quilômetros seguintes, passamos por pátios de montadoras e por um clube, este, sim, repleto de árvores, uma raridade opor ali.

Àquela altura, já estávamos no quarto final da prova, quando acontece também a impiedosa subida da avenida Piraporinha. Ela é exigente, mas compensadora, porque sabemos que depois vai ser só alegria.

Não tanto, porém, porque os desenhadores do percurso não tiraram a crueldade do final: pouco antes do 21, a gente passa pelo pórtico de chegada, que está ali, ao nosso alcance, mas do outro lado da rua. Tem de ir até o fim do quarteirão, fazer o retorno e, então, entrar naquela que é a reta final.

E assim termina, com alegria de campeão, uma meia maratona feinha e gostosa como poucas.

Falando em campeão, tenho a dizer que o pessoal do pódio masculino mandou muito bem. Claro que o tempo de Ayele Megersa Feisa, que ganhou com 1h06min06, não é nenhuma marca sensacional. Mas é melhor do que muita gente está fazendo pelo mundo afora.

Para você ter uma idéia: os cinco primeiros colocados de hoje em São Bernando foram mais rápidos que o vencedor da Rock ’n’ Roll Chicago Half Marathon, também realizada hoje, com a participação de 18 mil corredores.

As mulheres também foram razoavelmente bem, na comparação com o pódio norte-americano. Se não fosse por Kara Goucher, que está em um patamar superior de desempenho, as três primeiras de São Bernardo também dominariam o pódio nos EUA.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h07

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Salve, Cielo!

Sem respirar

O brasileiro César Cielo Filho festeja depois de ganhar o ouro nos 50 m livres no Mundial de Esportes Aquáticos, hoje de manhã em Roma (foto EFE). Ele não respirou nem uma vez para fechar a piscina em 21s08, tornando-se o segundo homem da história a ser, ao mesmo tempo, campeão olímpico e mundial, igualando a façanha do épico russo Alexander Popov.

Como você lembra, nesta competição, Cielo já venceu, com quebra de recorde mundial, os 100 m livres.

Aos 22 anos, ele já é o maior nadador brasileiro da história. Além dos ouros em Roma, ele foi medalhista de ouro nos 50 metros livre e de bronze nos 100 metros livres nos Jogos de Pequim, no ano passado.

Com a conquista de Cielo, o Brasil passa a ter quatro medalhas no Mundial, em sua melhor performance na história. Além das conquistas do garoto de Santa Bárbara d’Oeste, o país contabiliza a prata de Felipe França (50 metros peito) e o maravilhoso bronze de Poliana Okimoto (maratona aquática, 5 km).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h28

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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