Rodolfo Lucena

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Vovocop morre depois de passar mal na meia das Pontes

Exemplo de vida

Lamento informar que morreu ontem Pedro Pinto de Oliveira Júnior, 80, dentista e corredor. Integrante da equipe Vovocops, ele participou da meia maratona das Pontes, no domingo passado. Pretendia fazer o percurso de 10 km, mas passou mal durante a corrida. Foi atendido e hospitalizado, mas não resistiu. O enterro está marcado para hoje à tarde, no cemitério do Gethsêmani.

Ao lado da dedicação à carreira profissional, o dr. Pedro era um apaixonado por esporte. Na juventude, foi campeão paulista de remo e, mais tarde, passou a se dedicar ao atletismo. Chegou a ter 40 participações seguidas na São Silvestre, além de dizer presente também em corridas mais longas, como maratonas e meia maratonas.

Numa entrevista que deu ao jornal da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, há dois anos, ele afirmou: "A atividade física é algo básico para a manutenção da integridade corporal e psicológica. Não dá para ficar como um velho parado de 80 anos, ‘nerd‘, que só trabalha, ao passo que ao fazer uma atividade física bem monitorado, com uma boa retaguarda, o resultado para a saúde é excelente".

Sobre a relação entre atividade física e sua atividade profissional, disse: "A atividade física é básica para tudo, principalmente para a minha área profissional, porque eu ainda faço parte da fase antiga da odontologia que trabalha sempre em pé. Segundo, a odontologia exige muito da parte física, motora e, lógico, mental. É preciso ter todos os músculos funcionando bem e o psicológico estar ok. Mente e corpo devem estar em equilíbrio".

Leia AQUI a íntegra da entrevista, que mostra como esse corredor encarava a vida.

Ele deixa saudades.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h00

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Depois das fraldas, tudo muda na vida

Conselhos de uma recordista

Faz um tempão que tento conseguir uma entrevista com Joan Benoit Samuelson, a norte-americana que venceu a primeira maratona olímpica feminina, realizada em Los Angeles em 1984. Até agora não tive sucesso, mas fico pesquisando, tentando descobrir qual a programação dela, que costuma aparecer em diversos eventos esportivos.

Pois fiquei sabendo que ela iria participar, como conferencista e como atleta, da Waterfront Marathon, no último fim de semana, em Toronto. É a exata cidade em que atualmente mora e trabalha o meu amigo MARCOS SANCHES, corredor de primeira grandeza e blogueiro de alta qualidade (confira AQUI suas impressões sobre a vida no Canadá). Pedi ao Marcos que acompanhasse as palestras dos convidados especiais, e ele me mandou relatos preciosos.

Além de Joan Benoit, participaram também do evento Fauja Singh, 98, que é o maratonista de mais de 90 anos mais rápido do mundo, e Ed Whitlock, a quem eu já tive o prazer de entrevistar e que foi o primeiro ser humano de mais de 70 anos a correr a maratona em menos de três horas. Completando o elenco de estrelas, compareceu Silvia Ruegger, uma das mais importantes maratonistas do Canadá.

Vou dividir o relato mandado pelo MARCOS, começando com o que ele nos conta sobre a participação de Joan Benoit (foto Divulgação).

"Na sua palestra, Joan Benoit falou um pouco de sua vida como corredora, que foi cheia de conquistas, e também deu conselhos para os amadores.

Ela, que quebrou o recorde mundial em 1983, em Boston, exatamente um dia depois de uma nova marca ter sido estabelecida, na maratona de Londres, continua ativa. Corre, segundo disse, sete dias por semana, descansando somente quando sente que tem que precisa. Uma de suas recentes conquisas foi correr, aos 50 anos, a maratona abaixo de 2h50.

Dividiu sua vida de corredora em duas fases: BC (Before Children, antes de ter filhos) and AD (After Diappers, depois das fraldas). Segundo ela, essas duas fazes exigiram estratégias bem diferentes, pois na fase AD ela tinha que conciliar os treinos com o cuidado das crianças, o que era difícil.

Assim ela disse que todos devem tentar adaptar os seus treinos às suas condições, em vez de tentar seguir planilhas que o dia a dia não permite.

Corredora tradicional, ela geralmente não usa relógio ou medidor de frequência cardíaca. Também tenta não olhar as placas de quilometrôs nas corridas, procurando correr conforme sente que pode, concentrada em sua corrida e apenas tentando passar mais pessoas, homens e mulheres, do que ser passada.

Para ilustrar, ela falou de sua primeira maratona de Boston, que tem no percurso tem alguns morros famosos pela dificuldade. Em certo ponto, ela perguntou a um corredor sobre os tais esses morros e ficou sabendo que eles já tinham passado --tão concentrada estava quem nem sentiu...

Ela falou menos sobre si mesma e mais sobre recomendações para os corredores, mas contou que tem dois filhos, uma rapaz de 19 anos e uma moça de 21 anos, ambos corredores.

Suas recomendações para os corredores amadores foram focadas em ter objetivo, força e perseverança. Recomendou não experimentar coisas novas em maratonas e correr em seu ritmo, sem tentar seguir outras pessoas.

O domingo da maratona amanheceu nublado, querendo chover, temperatura de 15 graus. Eu peguei minha bicicleta e câmera fotográfica e fui ao km 10 esperar os atletas da maratona e da meia, que largaram as 7h30. Benoit passou incrivelmente rapida, pouco depois do pelotão masculino, rodeada apenas por homens. Terminou a meia maratona em 1h22min01."

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h29

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Maratonista de 98 anos recomenda vida ativa

Lutar pelos sonhos

Fauja Singh, um britânico de origem indiana de 98 anos, talvez seja o mais impressionante maratonista da história. Há seis anos, ele correu a Waterfront Marathon, no Canadá, em 5h40 (!!!!). No último fim de semana, voltou a Toronto para participar do evento, onde também fez uma palestra, ao lado de outro corredor das antigas, Ed Whitlock, recordista mundial da maratona na faixa etária de mais de 70 anos. Na plateia, estava o meu amigo MARCOS SANCHES, que conta como foi o evento.

"Depois de Joan Benoit, a dupla Ed Whitlock e Fauja Singh subiu ao palco.

Singh, em seus 98 anos, é uma pessoa alegre e com bastante energia. A sua enorme barba branca e a bandeira da Inglaterra que ele usava como a capa do Super-Homem escondiam a sua real idade. O idoso maratonista indiano não fala inglês, mas punjab, e o tradutor que arranjaram também tinha forte sotaque, o que tornou tudo mais difícil de entender.

Mesmo assim, não deixou de ser impressionante. Alegre, ele agradeceu a todos pela presença e disse que as pessoas devem ser ativas, devem praticar esporte, que isso é uma das coisas mais importantes da vida.

Ele é o recordista da maratona acima dos 90 anos, com 5h40 conseguidos na mesma Waterfront Marathon em 2003. Dessa vez porem ele veio para correr os 5 Km que faziam parte do evento. No dia da corrida, fui ao local da largada dos 5 km, e foi impressionante o número de pessoas que participaram.

Ed Witlock, agora com 78 anos, vive em Milton-ON e é o único atleta de mais de 70 anos a quebrar a marca das três horas na maratona. Em 2004, aqui mesmo na Waterfront, ele bateu o recorde mundial ao correr a prova em 2h59min10. Presente no palco ao lado de Singh, Ed pareceu mais tímido e estava formalmente vestido.

Alto e bem magro, Ed pareceu menos a vontade para falar, uma certa timidez talvez. Ele é uma pessoa muito simples, para a qual a modernidade das corridas não chegou, ou chegou e foi rejeitada. Os seus treinos, segundo ele, são principalmente ao redor de um cemitério que fica perto de sua casa: corre sozinho e não conta as voltas que dá no cemitério nem costuma marcar o tempo.

Disse que correr sozinho pode não ser o mais agradável, mas assim ele consegue correr do jeito que quer, sem seguir o ritmo de outros. Disse que corre em volta do cemitério porque é perto de casa, há pouco tráfico e menos probabilidade de ser atropelado, cachorros não são permitidos. Além disso, no verão tem bastante sombra e no inverno é bom porque ele conhece bem o piso (por causa da neve pode ser perigoso correr em lugares que você não conhece). Para conseguir os seu feitos ele treinou muito, precisou de bastante persistência.

Outra que também falou no sábado foi Silvia Ruegger. Ela é uma das principais maratonista da história do Canadá: foi oitava na maratona nos Jogos de Los Angeles, em 1984. Mostraram o vídeo com o final da prova e foi interessante ver ali na minha frente duas protagonistas da prova, Silvia Ruegger e Joan Benoit.

O discurso de Silvia foi cativante, a paixão com que ela falava de corrida foi contagiante. Pessoas que passavam paravam para ouvi-la.

Ela contou sua história luta para chegar aonde chegou. Crescendo em um tempo em que as mulheres eram poucas no esporte e quando a maratona feminina na olimpíada não existia, Silvia estabeleceu como objetivo a corrida profissional desde muito jovem, quando ainda corria pelo campo manejando gado.

À noite, sua mãe a acompanhava com o carro para que fosse possível treinar no escuro. Ela venceu as seletivas para representar o Canada nas olimpíadas de 1984 e realizou um grande sonho ao correr a maratona olímpica, tendo corrido apenas uma maratona antes. Ficou em oitavo lugar.

Era ainda jovem e o sonho de conseguir ir ainda mais longe em uma olimpíada era o que fornecia combustível pra os treinos diários. Mas ela nunca mais participou de uma maratona olímpica, principalmente por causa de lesões.

Disse que a luta por sonhos pode ser ainda mais recompensando do que realizar o sonho, por isso devemos buscar os nossos sonhos com paixão e seremos recompensados qualquer que seja o resultado.

Disse que sempre sentia medo e ansiedade antes das provas, mas aprendeu a ver um significado especial na palavra FEAR, medo em inglês, que ela "traduzia" por False Evidence Apearing Real (evidências falasas que parecem de verdade). Pensar assim a ajudava antes das provas.

Ela agora trabalha para projetos sociais, principalmente ligado a crianças carentes, e disse que a corrida de rua tem sido suporte direta ou indiretamente para muitos canadenses que passam por necessidades. O fato de poder ajudar essas pessoas é uma grande realização em sua vida. Silvia veio vestida a caráter, como corredora, e se movimentava muito o tempo todo no palco. Falava rápido, como se estivesse experimentando a ansiedade de uma corrida, como se estivesse experimentando os acontecimentos do passado que relatava, como se estivesse dando o máximo para transmitir aos ouvintes a sua paixão.

No dominfo, ela completou a meia maratona em 1h39min28, terminando depois do septuagenário Whitlock, que completou em 1h37min34. Fauja Singh terminou os 5 km em 35min18."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h22

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Morte na maratona da Cidade do México

Sem mais notícias

Um corredor de cerca de 40 anos morreu hoje enquanto participava da maratona da Cidade do México.

Os organizadores não divulgaram mais informações; supostamente, o atleta caiu vítima de problemas cardíacos. Aparentemente, não estava inscrito oficialmente, pois não levava número na sua camiseta cinza.

A prova, que já chegou a reunir mais de 30 mil corredores, teve hoje a presença de 6.000 atletas; na meia maratona, disputada em paralelo, havia 4.000 inscritos.

Apesar deses números, os aficionados locais lamentam a perda de importância da corrida, que já foi uma das maiores, se não a maior, da América Latina (olha, apesar do desânimo dos hermanos mexicanos, acredito que ainda é a maior e mais importante maratona abaixo do rio Grande).

Além da redução do número de participantes, uma análise feita por "El Universal", que você pode ler AQUI, em espanhol, lamenta também a queda de nível técnico.

De fato, a prova feminina foi vencida hoje em longas 2h54min06 pela mexicana Isabel Orellana (foto EFE); no masculino, o tempo do vencedor, Edilberto Méndez, foi também pouco inspirador: 2h21min34.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h32

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Faltou ponte na Meia Maratona das Pontes

Túneis em penca

 Vou já direto ao ponto: não atravessamos nenhuma ponte na Meia Maratona das Pontes, realizada na quentíssima manhã paulista de hoje.

É fato que a largada foi na ponte Estaiada, belo exemplo de engenharia, mas começamos já lá do alto, quase na metade da ponte. Então não dá para dizer que foi feita uma travessia da Estaiada; quanto muito, uma meia-travessia....

Com atraso de 15 minutos, a largada foi dada em clima alegre: a festa era feita pelos milhares de corredores, muitos grupos de academia, correndo uniformizados. Havia até um trio de palhaços que agitou o que pode --um deles correu muito bem, apesar dos sapatões poucos adequados à prática esportiva.

Como a largada foi lá no alto, começamos já com uma lomba abaixo bem forte, que enfrentei com todo o cuidado para não ouvir reclamação dos meus joelhos. Terminada a ponte, seguimos por uma rua que acompanha a lateral da marginal Pinheiros, passando em frente ao novo shopping de superluxo da cidade...

Dali, imaginei, forçando a memória para lembrar do mapa do percurso, iríamos subir a ponte Cidade Jardim, indo por ela até o parque do Povo, de onde retornaríamos para a avenida que passa em frente ao Jóquei.

Ledo e ivo engano. Aquela mísera descida da Estaiada foi o único cheiro de ponte que tivemos na Meia Maratona das Pontes. Depois de passar o Shopping Cidade Jardim, enveredamos para cruzar a marginal em direção ao centro, mas por baixo dela, pelo túnel da Juscelino.

Essa, sim, foi uma experiência diferente: o túnel se afunda brutalmente, pois tem de passar sob o leito do rio Pinheiros. Aqui, também, é preciso controlar para deixar quieto os joelhos. Em compensação, é mais fresquinho, pois o dia de hoje foi de um solaço para ninguém botar defeito.

Cruzado o túnel em direção ao centrol, o criativo percurso exigiu apenas que a gente desse uma meia volta, para cruzá-lo de volta em direção ao bairro, voltando para o chamado "lado de lá" da marginal Pinheiros.

E terminou por aí o que o trajeto tinha de novidades para nos oferecer. Agora é só seguir pela avenida em Frente ao Jóquei, num retão só até chegar á Cidade Universitária... Para isso, passamos ainda por outro túnel --está bom, talvez não mereça esse nome, mas é uma pequena passagem subterrânea para evitar que se cruze a avenida Francisco Moratto. Contabilizamos então, três passagens de túnel contra meia descida de ponte...

Na USP se completam os primeiros 10 km, e quem se inscreveu nessa distância se encaminha para o final, enquanto nós outros seguimos pela raia até o portão lá do fundão, que eu cruzo às 8h30, com 30 graus...

A partir daí é um tal de ir e vir que até cansa contar: sobe-se a Politécnica e volta-se por ela para retornar à USP, e aí são apenas mais cinco quilômetros de muito, mais muito calor. A organização de fato garantiu os postos de hidratação prometido, mas só consegui água gelada em dois deles.

Tudo bem, valeu pela festa, pelo encontro com os amigos. E, se o sol castigou e fez aumentar o cansaço, também abrilhantou o dia, que se abriu em beleza para as cores dos corredores. Mas, de fato, essa corrida devia se chamar Meia Maratona dos Túneis, e não das Pontes.

PS.: Faltou dizer que a prova teve a luxousa presença do melhor maratonista brasileiro da atualidade, Marilson Gomes dos Santos, que venceu com 1h04min34. No feminino, a campeã foi Sirlene de Souza Pinho, com 1h17min34.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h14

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Caminho de amoreiras engalana a Sumaré

Treino com sabor

 "Tu gosta de amora? Vou contar pro teu pai que tu namora."

Assim mesmo, sem os "ss", era a rima infantil nos tempos gaúchos. Se bela ou não é o que menos importa; o que vale é que a sabedoria popular há muito uniu na mesma frase amora e namoro.

Uma e outro são doces e amargos, bons de comer com a mão e paro por aqui para não ficar indecente; melhor ficar comigo a pudicícia, e com você a imaginação do que poderia ser.

Pois as amoras estão atapetando meus caminhos de corrida. Dia desses, corria pela Marquês de São Vicente sem pensar em nada nem para nada olhar, viajandão pelo mundo da mente, quando fui obrigado a parar um um sinal.

Olhei em volta, meio perdido, e vi uma enorme amoreira, com ramas que desabavam em seu redor, protetoras e convidativas tal qual coração de mãe.

A árvore era impressionante, mas o mais impressionante era o movimento no chão, sob suas ramas. Mulheres de todo o tipo, meia dúzia delas, talvez mais, se espichavam para colher os frutos que imagino dulcíssimos e suculentérrimos. Gordas, magras, jovens, experientes, de vestidão, saia e jeans superjustos, elas faziam uma coreografia, mostrando para o mundo apenas seus movimentos da cintura para baixo (o rosto, a identidade estavam protegidos pelos ramos da árvore)

E assim, perdido olhando aquela dança de membros inferiores (mas tão superiores) sob a amoreira, até perdi um sinal. O som dos carros me alertou, era hora de seguir.

E me vim embora, para entrar na Sumaré, caminho das pedras para a casa e também recheada de amoreiras carregadinhas. O percurso está em grande parte pintado pelas frutas caídas e decaídas, amassadas por passadas ou esborrachadas no choque com o cimento, a terra bruta.

Aproveito uma parada para também abiscoitar uma mãozada de frutas, que, descubro em rápida pesquisa pela internet, têm até propriedades medicinais. A estas não dou muita bola, importam-me mais as propriedades culinárias: quem não gosta de uma geleia de amora, um creminho de cor tão forte, um bolo azedinho de tão doce (você sabe, as palavras aqui pintadas de azul dão acesso a outras informações sobre essas delícias)?

Sigo olhando para elas, pensando em suas delícias, quando vejo uma espécie de contrabando entre o roxo que atapeta a Sumaré: um rubi enorme, do tamanho de um ovo de codorna... Olha com mais atenção, é outra delícia: pitangas que espalham pela chão, carregam árvores, se oferecem para o pedestre atento...

Já nem sei mais se corro ou como.

Na dúvida, faço os dois nesse meu treino cheio de gosto e sabor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h35

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Sete correm 24 horas em esteira

De 120 a 240

Como prometi, publico agora o resultado do Desafio 24 Horas, em que um grupo de ultramaratonistas ficou correndo em esteira durante 24 horas, em uma praça armada no Barra Shopping, em Porto Alegre.

Valmir Nunes, o único profissional entre eles, tentou bater o recorde mundial da modalidade, mas não conseguiu manter o ritmo depois de 21 horas de prova. Apesar de perder velocidade, se manteve firme e foi muito aplaudido pelo público e pelos colegas de desafio --além dos participantes da prova individual, havia também disputa entre quipes de revezamento.

No individual, o resultado foi o seguinte:

Valmir Nunes - 240 km

Luciano Prado - 220 km

Márcio Villar - 200 km

Sérgio Dias - 161 km

Luciane Santana - 157 km

João Gabbardo - 150 km

Sabine Breton - 120 km

Essa já foi a segunda edição do evento, que promete permanecer na agenda esportiva da capital gaúcha e demonstra que há um crescente interesse pelo superrestrito mundo dos ultramaratonistas.

É um terreno onde pelejam basicamente corredores amadores, muitos deles criando os seus próprios treinos que, às vezes, beiram a insanidade, se julgados pelos padrões dos mortais comuns.

Para ilustrar o que falei, cito apenas um exemplo. No último final de semana, enquanto aquele grupo de corredores se esfalfava nas esteiras, um outro atleta fazia um treino (quase) solitário pelas ruas de Goiânia. Rodrigo Cerqueira montou um circuito próprio, onde ficou correndo por 24 horas, como treino para sua participação na Arrowhead 135, prova de 217 km em trilhas geladas, que será realizada em fevereiro própximo nos EUA.

Segundo e-mail que recebi dele, completou 160 km em 23h35. Ao longo do período de treino, foi acompanhado por vários corredores, cada um pedaços do período, às vezes gigantes (um acompanhante, por exemplo, correu ao longo de 15 horas).

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h46

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Sem recorde, Haile é tetra em Berlim

Sem coelho, a queda

Haile passou o km 30 em ritmo de recorde mundial. A maratona de Berlim, que já vencera três vezes e onde se tornara o primeiro (e, por enquanto, único) homem a correr a distância em menos de 2h04, parecia que ir ver novo desempenho impressionante do etíope.
Ele já estava quase sozinho. No inicio, Haile e seu desafiante, o queniano Duncan Kibet, corriam acompanhados por um pelotão de sete coelhos, marcadores de ritmo que ajudar a impor um passo estupendo para a primeira etapa da prova.
Com dores do lado, um coelho parou no km 15, logo seguido por outros dois. Kibet e Haile seguiram com os outros quatro, mas o recordista mundial foi aos poucos se livrando da "multidão": passou o km 25 apenas com dois coelhos, e Kibet já ficara para trás.
Enquanto isso, entre as mulheres, um trio de ferro parecia ter domínio total da prova. Besuye, Getaneh e Daska, todas da Etiópia, se revezavam na liderança sem maiores problemas. De camiseta amarela, Besuye parecia a mais ritmada, constante, enquanto as outras às vezes arrancavam, às vzes ficavam um pouco para trás, como aconteceu com Daska, especialista em meia-maratona, que chegou a se desgarrar (para trás), mas conseguiu voltar à turma de líderes.
No masculino, Hailé logo perde mais um coelho, no km 30, e segue com o último, Sammy Kosgei, até o km 32. E aí as coisas começam a mudar.
Até o km 30, seus blocos de cinco quilômetros vinham sendo sempre mais rápidos (ou, pelo menos, iguais, como aconteceu do 20 ao 25 e do 25 ao 30), com resultado total melhor do que no ano passado. Do 30 ao 35, porém , a coisa degringolou, fechando a passagem com cerca de 30 segundos a mais do que em 2008.
A partir daí, foi uma luta brutal para manter o ritmo, sem resultado. A partir do km 40, ele pareceu relaxar, descansar. Respondia aos cumprimentos de ciclistas, fazia sinal de positivo para a câmera, iria correr apenas para a vitória.
Atrás deles, o queniano Kiprop já havia superado Kibet e egolia quilometros, tentando chegar. mas não houve supresas, e ele chegou depois do Haile, que fechou em com  a "lenta" marca de 2h06min08...
No feminino, Besuye também fecha tranquila (no alto, com Hailem, foto Reuters), mas atrás dela há uma revolução. Uma russa que nem sequer tinha aparecido na TV, Silvia Skvortsova, desponta para ocupar o terceiro lugar e logo, depois do 41, passa também a segunda colocada, a etíope Getaneh. Se a prova tivesse mais um quilometro, a russa bem que seria capaz de desafiar Besuye...
Quem já não tinha forças para desafiar ninguém era a Getanenh, que acabou perdendo até o bronze para a Daska.
E assim termina a história. Se vc quiser rever os detalhes, dê uma olhada no meu Twitter (@rrlucena). Fiz a cobertura ao vivo e, no desenrolar do evento, vi crescer o n[úmero de pessoas que acompnahavam o evento pela minha página. Obrigado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h58

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Valmir dá show de persistência

Ultra no shopping
 
 
Estive há pouco no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, onde estava para terminar um Desafio de 24 Horas em esteira.
O santista Valmir Nunes, maior ultramaratonista brasileiro, estava lá, tentando quebrar o recorde mundial dessa modalidade. Outra fera lá presente era Luciano Prado, seu desafiante.
Luciano já correu 249,6 km em esteira, e Valmir Nunes é recordista panamericano de rua com 273,8 km. O recorde mundial de 24 horas correndo em esteira é do australiano Arulanantham Suresh Joachim, com 257 km.
Quando cheguei, faltavam menos de três horas para o fim do desafio. Valmir tinha muitos quilômetros à frente de Luciano, mas já estava muito cansado.
"Fiz até 21 horas em ritmo de recorde, mas depois quebrei", ele me disse.
Quebrado ou não, com dores por todo o corpo, ele continuava na esteira, dando o maior exemplo de determinação e persistência, sendo aplaudido seguidas vezes pelo público que acompanhava o evento.
O cara é fera mesmo...
Não tenho os números finais oficiais; assim que tiver, coloco aqui.
Ah, e daqui a pouco, na madrugada de domingo, teremos a maratona de Berlim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h49

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Agora estamos sem Mary

Saudades

Fiquei chocado, triste, meio perdidão quando vi a notícia da morte de Mary Travers, do conjunto norte-americano de folk Peter, Paul and Mary.

E me surpreendi com a idade dela, que morreu ontem aos 72 anos. Para mim, era ainda aquela garota vibrante, que tornava mais divertidas as músicas populares e de protesto que me acompanharam nos anos 70 e, desde então, pela vida afora.

Mary sofria de leucemia e morreu em um hospital do Connecticut.

Salve ela!

Se você nunca tinha ouvido falar desse grupo, confira o vídeo abaixo.

 

E veja também este.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

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Maratona de Berlim passa ao vivo no domingo

Madrugadão

A se confirmar o que está na programação da SporTV, o canal vai transmitir ao vivo a maratona de Berlim, que acontece neste domingo.

O único problema é o horário: por causa da diferença de fuso, o início da prova cai no meio da madrugada cá por estas plagas. A transmissão está marcada para as 3h45, e a grade de programação que eu consegui ver não me permite dizer com certeza se é na SporTV ou na SporTV 2. Experimente as duas. Também recomendo ligar a TV um pouco antes, só para garantir.

Se você não tiver acesso a esses canais, não tem problema. Vou fazer o possível para acordar na hora certa e fazer aquela cobertura digital ao vivo por este blog e ainda pelo Facebook e pelo Twitter (se os caras do Twitter não me derrubarem desta vez).

Bom, como você sabe, a maior atração da prova é a torcida para ver se Haile quebra seu próprio recorde ou se um desafiante consegue a proeza.

Até lá. Para me encontrar no Twitter, basta pesquisar por rodolfo lucena; de qualquer forma, lá eu sou @rrlucena.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h53

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Como foi a corrida de 24 de Karnazes em Sampa

Parque, estádio, mercado...

 Alguns leitores perguntaram sobre a corrida de 24 horas feita em São Paulo pelo ultramaratonista norte-americano Dean Karnazes, que ontem lançou oficialmente no país a versão em português de seu livro "50 Maratonas em 50 Dias".

Como não acompanhei o evento, não posso reportar nada; mas vários leitores mandaram comentários, e eu também conferi alguns blogs que colocaram no ar mensagem sobre a corrida.

Um dos relatos mais completos, cheio de fotos (como não poderia deixar de ser), foi o do fotógrafo Marcos Viana "Pinguim" . Para conferir a história, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h25

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Comediante inglês larga o salto alto e corre 43 maratonas

Com bolhas, sem piadinhas....

 Gente, há cada vez mais doidões por este mundo afora. Ao que parece, ninguém precisa ter o físico e a rodagem de um Dean Karnazes para sair por aí correndo maratonas uma em cima da outra.

Pelo menos, é o que indica a experiência de um humorista inglês, que abandonou suas piadas televisivas, em que às vezes até usava salto alto, para colocar tênis e sair a correr pelo asfalto da ilha de Sua Majestade, a rainha da Inglaterra.

Estou falando de um sujeito chamado Eddie Izzard, que correu mais de 1.800 km ao longo de 51 dias para angariar fundos para uma entidade benemerente, a SportsRelief, que usa o esporte como ferramenta para melhorar a qualidade de vida de pessoas desasistidas na Grã-Bretanha e em outros países.

Aos 47 anos, ele partiu para o desafio, no dia 27 de julho passado. Sua primeira maratona foi completada em dez horas; a última perna do trajeto, corrida hoje e chegando de volta ao ponto de partida, lhe tomou cerca de cinco horas.

Donde se conclui que o sujeito melhorou seu tempo com a carga pesada que enfrentou... Isso, apesar das imensas dores musculares, que ele combatia com banhos gelados diários, ao fim de cada jornada. Quanto às bolhas, o único jeito era suportar, rangendo os dentes: elas estouravam, a pele se ia, depois se renovava e, frágil, recém-chegada, explodia novamente em bolhas...

Se você quer saber mais sobre a aventura do inglês, confira AQUI um bom texto da BBC (em inglês), que tem até um belo mapa mostrando o percurso enfrentado por Izzard.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h11

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Fabricantes de calçados defendem sobretaxa

Proteção do mercado nacional

Como prometi no meu texto anterior, entrei com contato com a associação de fabricantes de calçados, que fora acausada pela Asics de ser a mentora da decisão do governo que impôs uma sobretaxa nos tênis de alta performance importados da China.

A assessoria de imprensa da entidade mandou o seguinte texto:

"A Abicalçados reitera que sua intenção em propor medidas de proteção ao mercado nacional de calçados foi realmente para defender uma indústria que emprega mais de 300 mil pessoas.

A invasão continuada de calçados da China --devido à necessidade de colocaçao de seus estoques excedentes causados pela crise global-- estava causando danos irreparáveis para esse setor, que emprega cerca de sete por cento da mao-de-obra industrial do país. Por isto, o governo federal foi atento aos nossos pedidos.

Além disto, o parque industrial brasileiro tem todas as condições de produzir os mais diversos calçados, inclusive os mais sofisticados. O que nao tínhamos era a competitividade de preço, uma vez que o custo de produçao na China é sabidamente subsidiado."

Bom, com isso, ficam contempladas as posições de acusadores e acusados.

Eu não tenho elementos para avaliar a decisão do governo, mas sei que essa decisão NÃO é a responsável pelo fato de os tênis de corrida serem vendidos aqui no Brasil por preços muito maiores do que no exterior, pois a enorme diferença já existia antes do anúncio da tal sobretaxa.

Os fabricantes estrangeiros, em geral, acusam os impostos brasileiros de responsáveis pela diferença de preço, mas, cá com os meus cadarços de tênis, acho que o preço é muito mais uma questão de vontade política e empresarial.

Falo isso baseado em minhas observações como jornalista de informática, um terreno onde também há muitos produtos importados. Os da Apple são um exemplo. Até uns três ou quatro anos atrás, a empresa oferecia seus computadores no Brasil por preços muito acima dos da concorrência.

Hoje, porém, os preços da Apple, ainda que em geral mais altos do que os dos computadores tipo PC, estão bem mais próximos da concorrência. E, ao que eu saiba, os impostos continuam os mesmos....

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h57

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Asics diz que Azaleia está por trás da sobretaxa a tênis importados

Importadora contra-ataca

Em vez de dar logo a notícia, vou começar do começo. Na semana passada, o governo anunciou que passaria a aplicar uma sobretaxa na importação de calçados produzidos na China. Decisão da Camex (Câmara de Comércio Exterior) determinou a sobretaxação provisória de US$ 12,47 para cada par fabricado no país asiático, após investigações apontarem que os chineses exportam esses produtos a preços inferiores ao praticados internamente, prejudicando a indústria nacional.

Isso vai afetar também os preços dos tênis de corrida, que ficarão mais caros.

A medida provocou grita geral dos fabricantes estrangeiros, que argumentam que os tênis de alto desempenho já entram no país com taxa de 35%, a maior permitida pela OMC (Organização Mundial do Comércio) em condições normais de concorrência. Para empresários do setor, a alíquota adicional, como punição por um suposto movimento desleal, acabaria prejudicando os usuários.

Hoje, a Asics distribuiu nota em que acusa o governo de ter cedido a um lobby dos produtores brasileiros. A nota afirma: "Para a Asics, a decisão foi resultado de uma enorme pressão da Associação Brasileira da Indústria de Calçados - Abicalçados, que tem à sua frente o presidente do conglomerado Vulcabrás/Azaleia, que produz no Brasil os tênis Reebok e Olimpikus e é o único beneficiado das marcas esportivas com a Resolução 48".

O texto também diz: "A Asics considera impossível manter a mesma qualidade de seus calçados produzidos internacionalmente nas fábricas do país. Esse foi um dos motivos que levou a Asics a assumir sua operação própria em 2007, deixando de ser licenciada da Azaleia, pois os produtos por ela fabricados não se adequavam aos nossos rigorosos padrões técnicos e de qualidade".

Bom, como você já percebeu, esse assunto ainda vai dar muita discussão. Assim que eu obtiver resposta da Azaleia e/ou da Abicalçados, você ficará sabendo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h50

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Grécia abriga show dos campeões

Mordendo o ouro

Na linha de chegada, o etíope Kenenisa Bekele festeja sua vitória nos 3.000 m na Final Mundial do atletismo, realizada no último fim de semana em Tessalônica, na Grécia (foto AP).

O evento promovido pela IAAF (A Fifa do atletismo) reuniu a nata do atletismo internacional. Lá estiveram, por exemplo,a superestrela jamacaina Usain Bolt e a bela croata Blanka Vlasic.

O evento também serviu para que os vencedores da Liga de Ouro confirmassem suas conquistas. Na sexta-feira retrasada, Bekele, a norte-americana Sanya Richards e a russa Yelena Isinbayeva dividiram o US$ 1 milhão devido a quem vencesse em sua modalidade nos seis eventos da Liga.

Cada um levou levou um checão de US$ 333.333,33 e ainda uma barra de ouro falsa, especial para posar para fotos como esta (Reuters):

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h12

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Dicas para quem quer começar a correr

 

Devagar e sempre

Tenho recebido mensagens de leitores que buscam orientação para começar um programa de atividade física, passar da caminhada à corrida.

Sempre digo que não sou técnico nem médico, posso apenas falar de minha experiência e do que aprendi nesses anos corridos, mas nem sempre o que um aprende é ensinamento e caminho certo para o outro.

Por isso, aproveito este momento para resgatar um dos textos de especialistas que publiquei aqui no blog e que novos leitores podem não ter visto, pois foi publicado em 2006 e republicado em 2007.

Trata-se de um artigo do professor João Gilberto Carazzato, médico decano da ortopedia esportiva no Brasil. O texto traz orientações para o iniciante, para quem deseja sair do sedentarismo para iniciar uma atividade física.

Confira clicando AQUI (tem de rolar a página, ok).

Já corredores mais experientes, assim como debutantes, podem se beneficiar na leitura do "Manual do Corredor", que também já citei nestas páginas. Trata-se de uma publicação da Associação dos Treinadores de Corrida de Rua de São Paulo, com montes de informações interessantes e úteis, como dicas para alongamento e algumas orientações de treinamento. Fique esperto, porém, pois o leitor desavisado pode confundir alguns textos publicitários com material editorial (os textos de propaganda estão dentro de boxes ou separados por fios, mas, para meu gosto, deveriam estar mais bem sinalizados).

Para baixar o manual, que tem 40 páginas em arquivo PDF, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h19

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Artista plástica festeja com ultra seus 75 anos

Universo em expansão

Professora universitária e artista plástica com obras expostas em museus nos quatro cantos do mundo, Elaine Breiger precisa encontrar algo criativo para festejar seus 75 anos.

Que tal uma ultramaratona?

Do pensamento à ação, foi um pulo. Apenas duas semanas depois de ter completado a maratona de Nova York em pouco mais de seis horas e meia, voltou ao Central Park para sua estreia em provas de superlonga distância. Apesar do frio e da chuva intensa, enfrentou com galhardia os 60 km da Knickerbocker 60k, que fechou em 9h57min02.

Mas não foi o maior desafio de sua vida. Em 1991, aos 58 anos, teve câncer de mama e foi obrigada a extirpar os seios. Passou por uma cirurgia de reconstrução e seguiu a vida, apenas para ser atingida por mais um raio: no ano seguinte, sua irmã gêmea, Dorothy, caiu vítima do câncer, e não resistiu. A dor pareceu gerar novas forças em Elaine, que, apesar de ter vivido sempre uma vida basicamenter sedentária, resolveu inaugurar uma nova etapa, mais física, em sua trajetória: sem nenhum treinamento, inscreveu-se na maratona de Nova York, que completou com sucesso aos 59 anos. Foi o início de uma nova paixão.

Conversei com Elaine Breiger por e-mail, na semana passada, e sua história foi o tema de minha coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Acompanhe agora mais detalhes da entrevista com essa artista ultramaratonista nascida em 1933, em Springfield, Massachusetts, filha de um comerciante e de uma professora de dança de salão.

+CORRIDA - O que a senhora fazia antes de começar a correr?

ELAINE BREIGER - Sempre fui muito envolvida com desenho e entalhe. Dou aulas na faculdade de Artes Visuais, em Nova York, desde 1976. E tinha a minha com meu marido, Maurice, que conheci num bar. Foi um encontro que durou 25 anos [NR.: Ele morreu em 2004]. Foi o segundo casamento para nós dois. Ele trabalhava como fornecedor de restaurantes e adorava fazer compras e cozinhar, o que o transformava num companheiro ideal para uma artista. Quando nós compramos um loft, ele ficou responsável pelo projeto, menos pela minha área de trabalho. Quando vi a quantidade de armários que ele havia colocado na cozinha, estranhei, mas ele disse: "Vou precisar deles". E, de fato, usava cada um...

+CORRIDA - Como a senhora partiu direto de uma vide sedentária para a maratona?

ELAINE BREIGER - Em 1991, sofri o infortúnio de ter câncer de mama, e os médicos recomendaram que eu extirpasse os dois seios e passasse por cirurgias para reconstrução das mamas. No ano seguinte, minha irmã gêmea também foi vítima do câncer. Ela parecia sempre tão em forma, levando uma vida ativa, indo à academia, andando de bicicleta... Ela era minha melhor amiga, alguém com que eu queria passar toda a minha vida. Foi horrível. Mas tudo isso, eu acho, serviu como incentivo para minha decisão de correr a maratona de Nova York. Sem nenhuma preparação anterior, preenchi os formulários e fiz minha inscrição. Se foi uma vitalidade renovada, uma ação de afirmação de vida, não sei. Apenas parecia ser a coisa certa a fazer. Quando fui à feira da maratona e vi gente de todos os tamanhos e idades, eu senti que aquela era a minha turma. Apesar de ser uma pessoa ativa no trabalho e dando aulas, sempre fiz o possível para não me envolver com esportes (meus amigos me diziam que eu tinha as desculpas mais criativas para não ir à academia). Foi uma experiência surpreendente. Eu sabia, quando cruzei a linha de chegada, que eu queria fazer tudo de novo. E, apesar de meu marido ter dito, brincando, que eu deveria levar uma lanterna, ainda era dia quando cheguei, e o trânsito ainda estava fechado.

+CORRIDA - O que isso mudou na sua vida?

ELAINE BREIGER - Como passei a me interessar mais por corridas, resolvi treinar com um grupo do NYRR club e participar de uma equipe de corrida. Isso realmente faz diferença, porque é um grande incentivo. Comecei a correr a sério e a participar em corridas. Tornei-me uma corredora.

+CORRIDA - Sempre se dedicando às maratonas?

ELAINE BREIGER - Bem, já corri 17 edições da maratona de Nova York, uma de Boston e uma de Philadelphia, além de uma ultra, a Knickerbocker 60K (37.2 mi). A que menos gostei foi a de Philadelphia, porque depois da metade da prova tem um trecho de ida e volta, e não há muita distância entre os que vêm e os que já se foram... Você ouve a música de "Rocky", mas sabe que ainda falta meia maratona... Eu gostei de Boston, mas uma fratura por estresse no pé tornou a prova ainda mais difícil, além de todas aquelas subidas. É uma prova mais intimista do que a de Nova York: os espectadores parecem que sentem o seu esforço e são muito encorajadores.

+CORRIDA - Como são seus treinos?

ELAINE BREIGER - Atualmente, estou com alguns problemas na minha perna esquerda, então uso aparelhos de menos impacto, como o elíptico. Em geral, quando estou sem lesões, corro seis vezes por semana, cerca de 10 km por dia, e de 16 a 24 km no final de semana. Para maratonas, tento fazer alguns longões, de 18, 20 e 22 milhas. Também procuro fazer treinos de força pelo menos duas vezes por semana.

+CORRIDA - E como foi a sua corrida de comemoração dos seus 75 anos, no ano passado?

ELAINE BREIGER - Foi a Knickerbocker 60k (37.2 mi), que fiz duas semanas depois da maratona de Nova York. Corri algumas milhas a mais, durante a maratona, para ter pelo menos um longão mais forte. Eu me diverti muito, apesar da chuvarada ao longo do dia. Vários colegas me acompanharam. As últimas quatro milhas foram muito doloridas, e eu fui muito lenta, mas, com o incentivo de meus amigos, ainda consegui correr os últimos 400 metros até o final. Achei a experiência menos competitiva e intensa do que a maratona. Para mim, tem tudo a ver com resistência.

+CORRIDA - O que a senhora recomenda para quem quer começar a correr?

ELAINE BREIGER - A não ser que você tenha algum problema físico, simplesmente levante desse sofá e vá se movimentar. Há muitas formas de começar. Entre numa academia, contrate um treinador particular ou participe de um grupo de corrida.e Ou, simplesmente, coloque os tênis e vá para a rua. Comece devagar e vá aumentando o ritmo aos poucos.

+CORRIDA - Que benefícios a corrida trouxe para sua vida?

ELAINE BREIGER - Com a corrida, eu melhorei o foco no meu trabalho, tenho mais energia, dou aulas melhor. Eu me sinto melhor e rio mais. Correr expandiu meu universo.

+CORRIDA - A senhora fez sua estreia em ultras no seu aniversário de 75 anos. O que planeja para os 80?

ELAINE BREIGER - Quando chegar aos 80, vou pensar em algo bem bom.

 

PS.: A foto é da chegada dela em uma meia maratona em Nova York (Arquivo pessoal)

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h58

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Elvis e Marilyn dançam na Meia Maratona de Lima

Faltou dizer

A centésima edição da Meia Maratona de Lima, realizada no último domingo, reuniu 3.200 corredores.

O vencedor foi o queniano Patrick Nthiwa, que correu os 21,1 km em 1h02min38, estabelecendo novo recorde para a prova (o anterior era de 1h06). Sua compatriota Olga Kimaiyo venceu no feminino com 1h11min45s.

Não consegui checar com os dados oficiais, mas, ao que eu saiba, o primeiro brasileiro fui eu, com 2h16 (não tenho notícia de que outro brasileiro tenha corrido a prova; se algum esteve por lá, provavelmente foi mais rápido...).

Bom, como você viu no texto anterior, a prova foi muito divertida e animada. Eu cheguei a parar para fazer um filminho em uma das estações de animação.

Confira o vídeo abaixo e desculpe a inexperiência e as experimentações formais deste neocineasta.

 

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Escrito por Rodolfo Lucena às 19h20

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Meia Maratona de Lima faz 100 anos com festa no asfalto

História e diversão

Pela primeira vez, corri no exterior uma prova mais velha do que eu. Foi a Meia Maratona de Lima, que no domingo passado teve sua centésima gloriosa edição, cheia de festa, alegria e orgulho. Totalmente merecido, pois é, ao que eu saiba, a corrida de rua mais antiga da América Latina, perdendo, em todo o continente, apenas para a Maratona de Boston.

Com todo esse verniz histórico, nenhum lugar melhor para a largada que a Plaza de Armas, o terreno que o conquistador espanhol Francisco Pizarro marcou como pedra fundamental da Ciudad de los Reyes, em 1535, e também o palco escolhido pelo libertador José de San Martín para proclamar a independência do Peru em 1821.

No clima passadista, foram contratados alguns atores que, vestidos ao estilo de diferentes épocas, se transformaram na marca da prova: estavam na página de abertura do site oficial, nos cartazes, nas propaganda e na largada, ao vivo em em cores, com suas camisetas anos 40 e seus borzeguins mais antigos ainda. Viraram uma atração na praça, e muita gente tirou foto com o grupo de viajantes no tempo.

Mas era hora de viajar no asfalto. Com a sirene anunciando a largada, caiu sobre os corredores uma chuva de papel picado, vermelho com as camisetas que todos usávamos. Saímos a passo, depois a trote, pelas ruas estreitas do centro velho de Lima, proclamado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, construções históricas que é. Logo nos primeiros metros, passamos pela catedral de Lima, dos idos de 1600 e vemos também o Palácio do Governo nacional; saindo da Plaza de Armas, damos de cara com um predião imponente, com nome estranho, Estación de Desamparados, que foi assim nomeada porque antigamente havia uma igreja de Nossa Senhora de los Desamparados ao lado da ferroviária.

Ali foi também o primeiro ponto em que um grupo musical alegrou os corredores. Dançavam, cantavam, faziam música, numa prévia do que estava para vir. Mas, para se divertir, era preciso também prestar atenção no caminho: as ruas históricas são estreitas, e o percurso dobra esquinas sem conta nessa primeira etapa, passando por diversos tipos de calçamento.

De qualquer forma, mesmo essas artérias multicentenárias não são tão estreitas como as vielas por onde passei, logo ao chegar a Lima. É que o aeroporto fica em Callao, um dos mais antigos e populosos distritos da cidade _Lima é um aglomerado de 43 distritos, cada um com seu prefeito, e todos gerenciados pela Municipalidad Metropolitana de Lima. Para sair de lá, passa-se por ruas, ruelas e ruelinhas, dependendo do seu destino; dá também para seguir por algumas avenidas, mas, mesmo assim, são caminhos supermovimentados, com trânsito lento e pesado (será que não lembra uma certa cidade do Brasil?).

Era para Callao, aliás, que seguia a corrida em seus primórdios. Na sua primeira edição, a prova ficou conhecida como Lima/Callao de Fiestas Patrias. Aquela região hoje é dominada por construções pobres, prédios de tijolo sem reboco, tal como em muitos bairro brasileiros. Lima, com cerca de 8,5 milhões de habitantes, é uma cidade pobre, mesmo comparada aos pobres padrões brasileiros.

Os corredores, porém, não veem nada disso. O percurso segue passando por prédios opulentos, praças bem cuidadas, parques bonitos. Em vários pontos, a população e concentra e aplaude os corredores. E as bandas enchem de som a manhã de domingo, fazendo cada um apressar seu ritmo, alegrar-se correndo.

Há de tudo: em um ponto, palhaços e acrobatas em pernas de pau; em outro, cantores vestidos ao estilo dos anos 80; num terceiro, somos recebidos por Elvis e Marilyn; sem falar na percussão nativa e nos tambores índios que fazem dançar até um sujeito de cintura dura como este vosso escriba.

Tudo muda quando entramos na avenida Arequipa, que corta vários distritos, chegando quase ao mar. É uma avenida larga, muito bem arborizada, com vasto canteiro central que convida a caminhadas, corridas ou a um namorico gostoso numa sombra de árvore. É um convite para correr, acelerar, fazer o coração bater mais forte.

Com rapidez, passamos pelos prédios modernos de San Isidro, e nos encaminhamos para o mar. Mas não vamos chegar à praia, uma das grandes surpresas que tive nessa viagem. Lima é à beira-mar, mas o mar fica distante de Lima: a cidade está construída sobre um imenso planalto, que desaba em precipício quando chega ao mar. Uma via expressa separa o rochedo da praia, que é cinzenta, cheia de pedregulhos e seixos, inóspita, parecendo dizer: "Não venha cá". Os surfistas vão, mas não vi banhistas por lá...

Pouco depois de ver o mar, vejo também a primeira falha da organização: o posto de hidratação do km 12 está seco. Quem vai a ritmo de 6min/km, mais ou menos, fica sem água nem isotônico, que vinham sendo servidos aos baldes nos postos anteriores.

Não me preocupei, porque o clima estava ameno e eu tinha aproveitado bem a fartura anterior, mas vários companheiros de ritmo ficaram passados _ao cruzar por uma garota, ouvi de revesgueio sua conversa no celular, em que pedia a alguém para comprar isotônico com urgência... No km 15, a falha se repetiu, e houve gente que parou em uma banquinha, pouco depois do km 16, para comprar água.

Eu estava mais de sangue doce, procurando aproveitar o cenário, desfrutar das novidades que Lima oferecia. O domingo era também data nacional, dia de Santa Rosa de Lima, padroeira do religioso país e de sua polícia. Ao longo de toda a avenida Arequipa, via grupos de jovens vestidos a caráter. Iam dançar, cantar ou fazer peças musicais em festas escolares, além de apresentações na rua mesmo, que virou um grande palco.

Além deles, os corredores também éramos protagonistas no asfalto, cada vez mais próximos do gran finale. No km 18, a ordem se restabeleceu, com muita fartura de bebida, além de bananas descascadas, prontas para serem consumidas e virarem combustível para a arrancada decisiva.

E assim fiz, acelerando para a chegada no Circuito Magico de Agua, um grande e superbem cuidado parque que tira seu monte do grande número de fontes que ostenta, cada uma com desenho diferente, chafariz esplendoroso e trilha sonora especial.

Ainda parei para fotografar corredores passando por um desses jorros d’água, e depois fui apertei o passo o suficiente para ter pernas e correr legal na reta de chegada, fazendo ultrapassagens de última hora e cruzando a linha em estado de glória.

PS1.: Quero deixar registrado aqui um agradecimento especial ao Peru Runners, grupo de corridas que organiza o evento e que me recebeu com muito carinho. O diretor da prova, Gonzalo Rodriguez Larrain, foi muito atencioso e rápido em resolver os problemas administrativos com a inscrição e a entrega do kit, o que permitiu minha participação nesse momento histórico das corridas de rua na América.

PS2.: Veja muitas outras fotos clicando AQUI. As fotos foram feitas pela Eleonora e por mim (menos a do cartaz, que copiei do site oficial da prova).

PS3.: Neste post, inauguro o uso mais de uma letra de tamanho um pouco menor que a empregada habitualmente neste blog. Por favor, diga o que você achou, se é que notou grande diferença. Mande seu comentário no formulário específico ou para o meu e-mail (não deixe de preencher o verificador de identidade).

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h49

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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