Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Maratonas a sub2h07 atingem marca histórica

Cem ultrarrápidos

Você lembra do Robert Kiprono Cheruiyot, aquele que não é o Robert Cheruiyot tetracampeão de Boston? Eu contei a história dele aqui, no aquecimento para a maratona de Frankfurt, realizada domingo passado (dê uma rolada nas páginas do blog que você acha...).

Pois o cara não ganhou, mas, ao cruzar em segundo em 2h06min23 completou a centésima maratona da história corrida em menos de 2h07, um tempo para lá de bom (deixa Marílson mais de 300 metros para trás...).

A primeira vez que um homem correu abaixo disso foi em Roterdã, na Holanda, em 17 de abril de 1988, quando o etíope Belayneh Densimo cravou 2h06min50.

A marca só foi derrubada quase dez anos e meio mais tarde, pelo brasileiro Ronaldo da Costa, que a esmigalhou ao fechar Berlim com 2h06min05, ainda com banca para girar uma estrela em frente aos portões de Brandemburgo.

Mas não pense que a ginga de Ronaldinho Recordista serviu para abrir a porteira da altíssima velocidade nos 42.195 metros. O rompimento dessa barreira vem acontecendo aos trancos e barrancos ao longo dos anos, e só depois de 2008 que começou a se tornar meio que carne de vaca: 40% das marcas foram registradas desde então. E, confirmando a escrita da modernidade desse tempo, 25 das cem maratonas sub-2h08 foram corridas desde a última maratona de Fukuoka, há menos de 11 meses.

No total, 64 atletas são responsáveis por essas cem marcas. O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, já correu nove vezes em menos de 2h07. O aparente candidato a seu sucessor, Samuel Wanjiru, já correu cinco vezes e tem apenas 23 anos. E Felix Limo, com quatro, completa o pódio da altíssima velocidade.

A Federação Internacional de Associações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) fez um belo balanço das cem maratonas sub-2h07, que reproduzo a seguir.

Quantas sub-2h07 por ano

1988 - 1

1998 - 2

1999 - 9

2000 - 2

2001 - 1

2002 - 12

2003 - 10

2004 - 7

2005 - 1

2006 - 9

2007 - 6

2008 - 16

2009 - 24

Provas em que mais vezes a marca foi registrada

Londres - 20

Berlim - 17

Chicago - 14

Amsterdã - 12

Paris - 12

Roterdã - 12

Pátrias das marcas sub-2h07

Quênia - 61

Etiópia - 19

Morrocos - 7

EUA - 3

Japão - 3

França - 2

África do Sul - 2

Brasil - 1

Portugal - 1

Espanha - 1

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Menos um para desafiar Marílson

Pouco refresca

O queniano Martin Lel, supercampeão da maratona de Londres e bicampeão de Nova York, anunciou que não vai poder participar desta edição da prova nova-iorquina, que completa 40 anos. Um problema na perna, que parecia ter sido superado, voltou a incomodar e impede a participação desse grande corredor.

É menos um para desafiar o também bicampeão Marílson Gomes dos Santos, que foi merecidamente recebido como estrela nos EUA, mas não refresca muito, pois a competição pela grana e pela glória está muito acirrada.

Cito apenas alguns dos contendores: o bicampeão mundial Jaouad Gharib, do marrocos, o queniano tetracampeão de Boston Robert Kipkoech Cheruiyot e dois destaques caseiros, Ryan Hall e Meb Keflezighi, que também disputam o campeonato norte-americano, outra "personalidade" da prova deste domingo. Não esqueça, porém, do queniano James Kwambai, que tem o melhor tempo entre todos os presentes: 2h04min27

No feminino, a tricampeã Paula Radcliffe lidera um pelotão que tem ainda a ex-campeã Ludmila Petrova, a campeã de Boston Salina Kosgei, mais Dire Tune e a três vezes medalhista olímpica Derartu Tulu, além da debutante Yuri Kano.

O recorde da prova é 2h07min43, por Tesfaye Jifar em 2001; no feminino, a mais rápida da história foi Margaret Okayo, tão conhecida dos brasileiros, que correu em 2h22min31 em 2003.

Se você não tem TV paga, fique esperto porque eu pretendo transmitir a prova ao vivo, pelo Twiiter (@rrlucena) neste domingão. A grade da SporTV está estranha, marcando a transmissão para as 9h, mas, quando você clica no link, vê o horário das 11h. Não deve ser nenhum desses, pois a largada da prova feminina está marcada para as 9h10 (no domingo, 12h10); a do masculino, para as 9h40 (12h40 em SP). Bom, farei o melhor possível para oferecer a melhor cobertura twittada do evento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Estou limpo", diz Bolt

O malefício da dúvida

Mais uma vez, o recordista mundial da alta velocidade, Usain Bolt, usou tempo de entrevistas e aparições públicas para se defender de acusações de doping.

O velocista jamaicano parece já escolado em relação às dúvidas e diz acreditar que imprensa e parte do público ainda vão demorar algum tempo para acreditar que ele corre sem usar nenhuma substância ilegal.

"Eu vou continuar correndo muito rápido, e isso vai provar a todos que eu estou limpo", disse ele ontem em um avento em Londres. "Quando você começa a se destacar na alta velocidade, surgem os problemas e as dúvidas. Ainda vai demorar uns dois anos para que as pessoas acreditem que você corre limpo mesmo", afirmou.

Bolt divulgou seus planos para a próxima temporada: vai priorizar sua participação na Liga de Diamante, em que ele planeja correr correr provas de 100 m e 200 m.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Saiba como foi o lançamento do "+Corrida"

Obrigado

 

Corredores, treinadores, jornalistas, cantores, curiosos, amigos novos e de longa data, homens, mulheres, jovens e veteranos, engravatados e à vontade --os presentes ao lançamento do meu livro "+Corrida", ontem à noite, foram bem um exemplo do povo que se reúne para correr, tão diferente entre si como cada pessoa pode ser diferente da outra. Em comum, temos todos a paixão pela vida, a fome de aprender, a sede por desafios que desabrocham do asfalto, da terra, dos mares, do simples colocar um pé na frente do outro.

Foi uma noite de encontros e reencontros, a de ontem na loja de artes da livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em plena avenida Paulista esquina com rua Augusta. Por fim conheci ao vivo leitores deste blog, comentaristas contumazes que, como você, enriquecem e dão mais colorido a estas páginas. Também revi amigos de quem os caminhos da vida tinham me afastado. Teve gente que chegou, abraçou e foi embora. Outros, vários, foram ficando, conversando com um e outro, também reencontrando gentes de suas vidas.

Uma surpresa anunciada, que muito me emocionou, foi a presença de Ronaldo da Costa, o brasileiro que derrubou um recorde mundial que já durava dez anos e ainda fez uma estrela no asfalto de Berlim para comemorar. Ao longo da semana, Ronaldo tinha me mandado e-mails, dizendo que pretendia vir; depois anunciou que havia feito a reserva, mas eu me dizia: "Só acredito vendo..."

E vi. Ele se veio de Belo Horizonte especialmente para o lançamento do "+Corrida", que também faz uma homenagem a esse grande corredor. Chegou de mansinho, mineirim que é, com seu sorriso simpático. Fomos conversando, já veio outro, tirou uma foto com ele, pediu autógrafos. E ele tirou muitas fotos com os visitantes e deu muitos autógrafos no "+Corrida" (foto abaixo), direto na página 156, onde começa a entrevista exclusiva que ele me concedeu e que leva o título "Estrela no Asfalto".

Ronaldo da Costa pode ter sido o visitante mais famoso, mas cada um foi presença ilustre. Lá estiveram, por exemplo, a corredora militante Neide Silva, animadora do grupo de corredores do parque Santo Dias, e a peregrina Monica Otero, uma das minhas entrevistadas. Roberto Losada, editor do jornal "Atividade Física" e responsável pelo texto de apresentação do meu livro, assim como os jornalistas Zé Lucio, da "O2", e Harry, da WebRun, emprestaram seu brilho ao evento, que teve ainda a presença do presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo, Nélson Evencio, e dezenas de outras figuras, num eclético, divertido, rico e carinhoso painel da vida corrida.

A todos e a cada um, meus agradecimentos.

Em especial, agradeço a você, leitor(a) deste blog, que me ajuda a contribuir para manter vivo o espírito das corridas pela internet afora.

 

PS: As fotos que ilustram esta mensagem foram tiradas pela leitora e blogueira Mayumi Edna Iko Yoshikawa, a quem agradeço. Em breve, colocarei neste blog links para galerias de fotos do evento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Agora até os brindes das corridas são virtuais

Se a moda pega....

A meia maratona de Big Sur, que vai ser realizada em 15 de novembro, criou uma sacolinha virtual para os corredores inscritos.

Em vez de entregar o tradicional pacote de brindes, normalmente cheio de propagandas de outras corridas além de um ou outro regalo interessante, a prova criou a sacola virtual, que pode ser acessado via site do evento.

No site, o corredor encontra vários links de outras corridas ou pacotes turísticos. Também estão disponíveis cupons de desconto ou para retirada de brinde, que o interessado precisa então imprimir.

Há brindes como energéticos, frutas e uma refeição pós-prova.

Saiba mais clicando AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lançamento de "+Corrida" é nesta quarta

Em causa própria

Sem querer abusar deste espaço e de sua paciência, mas já abusando, aproveito para lembrar que é nesta quarta-feira, dia 28, o lançamento de meu livro "+Corrida", que traz crônicas publicadas em minha coluna na Folha e textos selecionados deste blog.

A sessão de autógrafos rola a partir das 18h30 na loja de artes da livraria Cultura do Conjunto Nacional, na esquina da avenida Paulista com rua Augusta.

Espero você lá.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona de Nova York está em alerta contra a gripe suína

Kit de limpeza

O próximo domingo vai ver uma das maiores concentrações de corredores do mundo. Cerca de 42 mil atletas vão se alinhar para a largada da maratona de Nova York, o que é muito bacana, mas, em época de gripo suína, também envolve riscos para todos.

Isso ficou ainda mais claro depois que o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que a gripe suína é uma emergência nacional nos EUA, para que o governo possa tomar medidas emergenciais contra o problema. Desde abril, mais de mil pessoas morreram e 20 mil foram hospitalizadas no país por causa da gripe.

Por isso mesmo, os organizadores da maratona de Nova York estão tomando medidas preventivas. Pequenos sprays antissépticos com o logo do New York Road Runners, o clube de corredores responsáveis pela prova, serão colocados no kit dos corredores ao lado de amostras de barras energéticas e outros regalos. Na feira da prova e na largada, também estarão disponíveis material para limpeza das mãos.

Os organizadores aconselham os corredores que tiverem sintomas de gripe na semana antes da prova a desistir de sua participação, pois o organismo já debilitado pela doença sofre mais com o esforço. Além do que o corredor pode se transformar num disseminador do vírus.

E, para os corredores em plena saúde, os organizadores da prova lembram que, depois das corrida, o organismo fica mais sensível e os cuidados de prevenção devem ser redobrados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h31

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

23 anos, duas maratonas, duas vitórias

 Novo recorde em Frankfurt

O queniano Gilbert Kirwa destroçou hoje o recorde da maratona de Frankfurt ao terminar o percurso em 2h06min14, mais de um minuto mais rápido do que a marca anterior.

O ex-recordista, seu compatriota Robert Kiprono Cheruiyot, também fechou em menos tempo do que no ano passado, mas não o suficiente para vencer: chegou nove segundos depois...

Esta é a segunda vitória de Kirwa, 23, que fez sua estréia em maratonas com o ouro em Viena, em abril passado.

No feminino, a queniana Agnes Kiprop venceu em 2h26min57.

Cerca de 13 mil pessoas participaram da maratona mais antiga da Alemanha, que hoje teve sua 28ª edição (foto EFE).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pregador divide as ruas com corredores em Nairobi

Crenças embricadas

 

Um pregador do grupo Legio Maria caminha pelas ruas de Nairobi ao lado do corredores que hoje participaram da maratona da capital do Quênia (Reuters).

Esse grupo é um movimento religioso que procura combinar os costumes tradiiconais da fé Luo, nacional, com as crenças cristãs.

A prova viu hoje um novo recorde, com a vitória de Moses Kigen em 2h10min12.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Confira o treino de um campeão de maratona

Ritmo e consistência

O queniano Robert Kiprono Cheruiyot disputa neste domingo a maratona de Frankfurt, que venceu no ano passado. Ele espera manter o título e acredita que é fácil manter o ritmo previsto para a prova, com passagem da meia maratona em 63 minutos.

Cheruiyot é treinado por um rapidíssimo ex-corredor, que também vai disputar a prova alemã. É William Kiplagat, que tem o melhor tempo de um estreante em maratonas, e acredita que mesmo a sua melhor marca será quebrada pelo pupilo.

Para isso, o queniano vem treinando duro e rodando muitos quilômetros. Os registros de uma de suas semanas de treinamento foram divulgados durante o hype midiático envolvendo a prova de Frankfurt.

Confira só o tamanho da encrenca.

SEGUNDA pela manhã: corrida de uma hora - 15 km

SEGUNDA à tarde: corrida de uma hora - 15 km

TERÇA de manhã cedo: corrida de uma hora - 15 km

TERÇA às 11h - repetições: 12x1.000 m a 3min/km - 15 km (com aquecimento)

TERÇA à tarde - corrida de uma hora - 15 km

QUARTA pela manhã - corrida de uma hora - 15 km

QUARTA à tarde - corrida de uma hora - 15 km

QUINTA pela manhã - ritmo não revelado - 40 km

QUINTA à tarde - corrida de uma hora - 15 km

SEXTA pela manhã - corrida de uma hora - 15 km

SEXTA à tarde - corrida de uma hora - 15 km

SÁBADO pela manhã - corrida de uma hora - 15 km

SÁBADO 11h - repetições: 12x1.000 m a 3min/km - 15 km (com aquecimento)

SÁBADO à tarde - corrida de uma hora - 15 km

DOMINGO pela manhã - ritmo não revelado - 30 km

DOMINGO à tarde - corrida de uma hora - 15 km

Depois quero ver alguém dizer que é fácil ser corredor profissional.

Note que não há dia de folha. Pelo que dá para perceber, ele faz dias leves dia sim, dia não, e manda o maior pau no fim de semana.

Os dias leves são os pares, com dois treinos apenas, uma horinha para ritmo de quatro minutos por quilômetro.

Nos ímpares, a coisa pega no breu. Três sessões na terça e no sábado, com repetições em alta velocidade, e longões na quinta e no domingo (eu adoraria saber o ritmo desses longões; meu chute é que alterna de 3min30 a 4min15 por quilômetro).

No total, são 280 km, mas deve haver ainda uma quilometragem de aquecimento, mais trabalhos de fortalecimento e alongamento, massagem, banho de gelo, aquela coisa toda.

Importantíssimo: NÃO repita isso em casa; coloquei aqui apenas para satisfazer uma eventual curiosidade sobre treinos dos campeões.

Ah, fique esperto que o Robert Kiprono Cheruiyot é um corredor relativamente novato --sua estreia em maratonas foi no ano passado, com a vitória em Frankfurt. Ele NÃO é o tetracampeão de Boston Robert Kipkoech Cheruiyot nem muito menos o já velhusco e mais lento Robert Kiprotich Cheruiyot, que chegou a correr a maratona em 2h08min13 em 2003.

Mas, se ainda não é tão vencedor como seu xará, tem uma história sensacional. Sua viagem a Frankfurt, no ano passado, foi a primeira para o exterior; um colega de treinos pagou as despesas, acertando com os organizadores da prova que tudo seria reembolsado se Kiprono corresse abaixo de 2h14.

Pois não só o investimento foi recuperado como Kiprono ganhou mais de 50 mil euros em prêmios e bônus ao quebrar o recorde do percuso, estabelecendo a marca de 2h07min21.

"Todo mundo ficou muito feliz. Eu pude construir uma nova casa para minha família, e minha mãe agora tem dez vacas em vez de três", disse o jovem atleta (tem 21 anos), que planeja se casar no ano que vem, depois da maratona de Boston. Para o casório, já comprou um terreno em Eldoret (a Meca dos corredores quenianos), onde pretende construir a casa da nova família.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chega "+Corrida", o livro

Espero você lá

Pois não é que este blog virou livro?

Já está nas melhores casas do ramo --e nas boas livrarias virtuais-- o "+Corrida", fruto de mais de 5.000 quilômetros e milhões de caracteres percorridos desde novembro de 2006, quando nasceram este blog e a minha coluna mensal no caderno Equilíbrio, da Folha.

O livro também é resultado das críticas e sugestões, das perguntas e dos comentários enviados por você e pelos seus colegas leitores --muitos se transformaram também em blogueiros, contando aqui histórias emocionantes e divertidas. A você e a cada um dos leitores e participantes do blog, meu abraço e meus agradecimentos

Olha, foi difícil fazer a seleção, mas espero que você goste. A produção da PubliFolha está muito bem cuidada, e a edição feita por Cassio Aoqui reordenou os textos em uma nova apresentação, fugindo da ordem cronológica peculiar aos blogs. A apresentação, supersimpática, é de autoria do ultramaratonista Roberto Losada Pratti, figura famosa nas corridas de rua de São Paulo e diretor do jornal "Atividade Física".

Se puder, compareça ao lançamento oficial. Traga amigos, vizinhos, companheiros de corrida, namorado ou namorada, filhos, cachorro, gato e papagaio.

A sessão de autógrafos será na próxima quarta-feira, dia 28 de outubro, a partir das 18h30, na Livraria Cultura - Loja de Artes, no Conjunto Nacional (av. Paulista esq. com rua Augusta).

Aqui vai um convite digital, que você pode disparar para sua lista.

Abraço, obrigado e até lá.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Suicídio na ponte do Bósforo entristece maratona de Istambul

Surpresa e desolação

A ponte do Bósforo, que liga os continentes da Ásia e da Europa, em Istambul, só é aberta a pedestres uma vez por ano. É quando se realiza a maratona de Istambul ou Eurasia Marathon, a corrida dos dois continentes.

Ao longo de todo o ano, é proibida a passagem de pedestres. Há até guaritas da polícia para garantir que a ordem seja cumprida (se não bastassem as mais elementares razões de segurança). Quando estive lá, fiz um longão do centro até a ponte, para ver se a proibição era cumprida mesmo, e nem consegui chegar á entrada na ponte.

Um das razões, me disseram na época os locais, era que a ponte era usada por pessoas desesperadas, que se atiravam lá de cima para acabar com a própria vida.

Achei estranho, mas, como não tinha como contestar, deixei prá lá.

Pois na mais recente edição da maratona de Istambul, que teve sua 31ª edição realizada no domingo passado, aconteceu.

Yasar Olmez, um corredor de 43 anos, chegou à ponte, tirou sua capa de chuva, colou de lado seu guarda-chuva e, sob a vista de milhares de pessoas, saltou para a morte no Bósforo. Seu corpo foi encontrado próximo ao palácio Dolmabahce , na margem europeia do Bósforo.

Cerca de 7.000 pessoas participaram do evento, que inclui ainda uma prova de 15 km e uma corrida familiar. Não é uma prova rápida --ou, pelo menos, a elite que lá comparece é do segundo time. Adilo Kasime Roba, da Etiópia, correu a prova em "lerdas" 2h12min14 para fazer jus ao prêmio de US$ 50 mil destinado ao campeão. Ele já havia vencido a prova no ano passado e repetiu a dose.

 

PS.: Obrigado ao atento leitor Carlyle, de Brasília, que mandou a informação capturada na rede.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fragmentos paulistanos nº 17 - Parque Burle Marx

Maria sem-vergonha

Hoje fiz um treino de respeito. Foram mais de 33 quilômetros alternando corrida e caminhada ao longo de quase cinco horas, cobrindo um local até então desconhecido para mim: o parque Burle Marx.Inaugurado em 1995, o parque ocupa a área de uma antiga propriedade do empresário e playboy Baby Pignatari e tem como destaque os jardins projetados pelo paisagista Burle Marx. Fica ao lado da marginal Pinheiros, láááá para os confins da zona sul (na perspectiva deste vivente da zona oeste da cidade).

Como hoje tinha programado o tal treinão, resolvi descobrir esse recanto tão elogiado e, para mim, desconhecido. Vou poupá-lo da descrição de meu trajeto, informando apenas que cruzei a ponte do Morumbi e subi a avenida de mesmo nome, em direção ao palácio do Governo.

Na metade da subida, mais ou menos, enveredei para a esquerda, pela rua Colégio Pio 12 (grande coincidência: foi no Pio 12, mas o de Porto Alegre, que terminei o ginásio; ainda guardo lembranças de amigos de então e do glorioso hino da escola: "Pio 12, colégio querido, eis aqui o meu brado comovido...").

Depois de um início mais generoso, a calçada se esvai e segue no que parece ser a maldição de São Paulo e, especialmente, dos chamados bairros nobres: não há espaço para o pedestre.

Mesmo assim, entre carros e trabalhadores, fui seguindo pelas alamedas morumbísticas, observadas que são pelas janelas de prédios luxuosos e sofisticados. Depois de uns três quilômetros passando de rua a outra, enfim vi as grades que cercam o parque Burle Marx. Mais um quilômetro, quase, para chegar à entrada, na Rua Dona Helena Pereira de Morais, 200, uma avenida muito simpática...

Já o parque não tem uma entrada muito acolhedora, não. Sombreada, parece sombria, e a alameda por onde passamos é protegida do sol por ampla e vibrante vegetação. O cimento dos primeiros caminhos estava escorregadio, limoso, depois desses dias de chuva.

Mas os poucos metros passaram rápido e logo cheguei aos tais jardins de Burle Marx, uma área ampla, bonita, exposta ao sol --e com caminhos de cimento.

Eu queria terra e me fui pelas trilhas que ficam mais para o canto. Sobe-se, embarra-se, escorrega-se, pois toda a área é protegida do sol por uma vegetação vigorosa, árvores frondosas.

O caminho não é longo, mas muito diversificado. Passa-se por um laguinho com patos e cisnes, e nas trilhas há vários entroncamentos e escadarias que podem servir para sofisticar e dificultar o treino.

Não há, como no Ibirapuera ou no bosque do Morumbi, uma volta bem marcada, óbvia, um caminho da cerca. Como as trilhas se entrecruzam, cada um pode fazer seu caminho e cada caminho pode ter sempre um novo percurso, começando e terminando nos jardins centrais (que não são exatamente no centro).

Pelas trilhas, de vez em quando passa um raio de sol, iluminando verdes e eventuais flores, como as que conhecia, na minha infância, como patinho. No parque da Redenção, em Porto Alegre, árvores ancestrais se espalhavam sobre o lago em que andávamos de pedalinho e largavam na água suas flores nadadeiras que, no parque Burle Marx, estavam estendidas qual tapete no chão.

Por outra vereda, encontrei uma inesperada maria sem-vergonha solitária. Pensava que elas só andavam em turma, em arbustos luxuriantes, uma ajudando a outra a formar aquele buquê colorido sobre o verde da folhagem. E fiquei matutando se a solitária maria sem-vergonha seria mais ou menos desavergonhada que as que andam em turma.

Coisa meio besta de pensar, mas me ocorreu enquanto corria e serviu para me distrair da irritação, de novo contra o meu GPS. Por conta da vegetação fechada e dos morros do parque, ele ficou mais perdido do que cusco em procissão e me fez rodar, calculo, uns bons 1.200 a 1.500 metros a mais do que o programado.

Azar. Um quilometrinho a mais não cansa tanto, mas resolvi sair do parque para deixar o pulso aberto ao sinal do satélite. Enveredei pela tal rua Dona Helena e decidi não voltar, mas seguir adiante, rumo á ponte João Dias. Pouco antes da favela vizinha da ponte, peguei um ruela onde fica o bar do seu Reisdocino; ele não estava lá, mas sua velha, que cuidava da casa e da escolha do feijão para o almoço, me informou que o velho dela era o responsável por entalhes e esculturas de madeira que enfeitavam o pequeno boteco.

Muito bom, mas precisava começar a voltar. Cruzando a ponte, ainda olhei de longe as flores da marginal e a verdura do parque. Virei as costas e me vim...

Carros, ruas, avenidas, até passar pela estátua do Borba Gato, que deve ser o mais horrendo monumento público desta capital. E mais feio ainda é por homenagear essa figura, cuja verdadeira face ainda será exposta em uma revisão histórica decente.

E por aqui me fico.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Três mortes na maratona de Detroit

Tristeza geral

Três homens morreram hoje enquanto participavam da maratona de Detroit, nos Estados Unidos.

Dois deles caíram ao chegar e um terceiro teve problemas pouco antes da marca da meia maratona. Foram levados a um hospital, mas não resistiram.

As primeiras informações dão conta de que eles sofreram problemas cardíacos.

Apesar de muito noticiadas, as mortes em maratonas são relativamente raras, segundo estudos citados pelo jornal "Detroit Free Press", que é um dos patrocinadores da corrida. Algumas pesquisas calculam o índice de morte em um por 67 mil participantes; outros estudos estabelecem o índice em um por 100 mil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Recorde de Haile é quebrado em Amsterdã

Só o da prova holandesa....

Um pouco conhecido atleta queniano derrubou por dois segundo o recorde da maratona de Amstedã, realizada hoje. A marca anterior, estabelecida pelo recordista mundial da maratona, Haile Gbrselassie, durava desde 2005, mas hoje, com clima excelente para correr, o debutante Gilbert Yegon fechou o trajeto em 2h06min18.

No feminino, a vencedora foi a etíope Eyerusalem Kuma, com 2h27min43.

No total, o evento teve 26 mil inscritos --além da maratona, havia ainda uma meia maratona e uma prova de 7,5 km.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mais uma decepção com linha nobre de tênis

Sequência de falhas

Ontem tive um tempinho, no meio do chuva e, durante uma visita ao shopping, resolvi experimentar a novidade da Asics, o Nimbus 11, que já está há algum tempo nas lojas, mas que eu não havia testado.

Eu fui usuário da linha Nimbus em tempos d’antanho: gastei até o talo vários exemplares do Nimbus 7, que considero ainda um dos bons modelos de tênis que usei.

A versão 8, experimentei na semana do lançamento, nos EUA, e tirei do pé imediatamente: a empresa colocara um batoquinho na biqueira que ficava ralando nos dedos.

Daí para para cá, foi uma sucessão de falhas, pelo que testei e li em sites especializados.

O Nimbus 9 perdeu o maldito batoquinho, mas ficou mais afilado na parte da frente. Mais apertado: experimentei o meu tamanho tradicional e os dedos ficaram espremidos.

Com essa sequência, resolvi nem experimentar em loja o Nimbus 10. Pelo que li, fiz muito bem, pois o design cheio de chinfras na parte da frente foi bastante criticado; já o novo posicionamento da amarração, meio enviesada, teve apoiadores e críticos.

O Nimbus 11, no olhômetro, pareceu quase uma volta aos bons tempos. Tiraram as incômodas chinfras existentes no 10, mas mantiveram a amarração em leve diagonal, acompanhando a topografia do pé. E o vendedor me disse que estava mais largo na frente. O jeitão confortável continua o mesmo desde o 7.

Calcei e não deu para concordar com o vendedor. A chamada "toe box", como os norte-americanos se referem à área frontal, ainda está menos confortável do que a do 7, de acordo com minha memória recalcitrante.

É um pena, pois o design me pareceu bem agradável, e há modelos em várias cores bacaninhas. Já o preço é desagradabilíssimo: R$ 580 na loja que visitei. Isso dá mais de U$ 340, quando em qualquer loja de esquina nos EUA você encontra por algo em torno de US$ 125; se procurar, acha até algum desconto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ultra brasileiro está cruzando os EUA

Faltam mil quilômetros

O ultramaratonista brasileiro Carlos Dias já passou bem da metade de seu mais recente desafio: cruzar os Estados Unidos de costa a costa, em uma empreitada beneficente, que visa arrecadar fundos para o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc).

Sua corrida solitária começou no dia cinco de setembro, em Nova York, e hoje o corredor, sempre acompanhado por seu fiel escudeiro, o ciclista Francisco da Silva, chega a Salt Lake City, em Utah.

Até o momento, a dupla já percorreu mais de 3.300 quilômetros, passando por mais de 500 cidades, e ainda vai cruzar por outras 200, aproximadamente, até a chegada em San Francisco, quando se encerra o percurso de mais de 4.500 quilômetros. A chegada está prevista para o dia 5 de novembro, na Golden Gate, quando deverão fazer uma festa, apoiada até pelo conhecido ultramaratonista norte-americano Dean Karnazes.

A travessia por Salt Lake City não estava prevista, mas entrou no trajeto por causa da grande comunidade de brasileiros que lá vive e que, segundo espera carlos Dias, poderão ajudar na empreitada.

"Viemos com a raca, a coragem e a esperança de contar com o apoio de todos ao longo de nosso caminho. Não tem sido fácil, mas hoje sabemos que podemos cumprir o desafio. O cheque para as crianças com câncer, porém, está comprometido", diz Carlos Dias.

Isso porque a dupla decidiu fazer a travessia mesmo sem ter conseguido patrocínio específico. Esperavam obter apoio ao longo do caminho, além da arrecadação de fundos para o projeto beneficente, que seria por meio da venda da milhas. Até que conseguiram algum suporte, como brasileiros ou norte-americanos que doam alimentos ou chegam mesmo a pagar uma noite de hospedagem, mas é menos do que imaginavam.

Eles contam suas aventuras em blog, que você pode visitar clicando AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vencedora de maratona perde título por usar iPod

Terceira vira primeira

Uma coisa é certa: quando o assunto é regulamento de corrida, os organizadores da maratona Lakefront, em Milwaukee (Wisconsin) são rigorosos e não hesitam em desclassificar quem desrespeita algum item da legislação da prova.

Na mais recente edição da prova, realizada no domingo retrasado, de cara mandaram pro chuveiro a vencedora. A estudante universitária Cassie Peller, 23, foi desclassificada logo depois da prova porque tinha aceitado ajuda externa --recebeu uma garrafa de água de uma amiga fora das estações de hidratação oficiais.

Com isso, Jennifer Goebel, 27, passou a ser a campeã do evento, mas sua festa durou apenas alguns dias. Observando fotos colocadas em blogs, os organizadores da prova notaram que a moça usara um iPod, o que era proibido. Resultado: novo cartão vermelho.

E a corredora que terminou em terceiro, Corina Canitz, 42, mãe de quatro filhos, passou a ser a vitoriosa depois do anúncio da decisão dos dirigentes da prova, na última quarta-feira. Ela terminou a corrida em 3h04min20, 90 segundos depois de Goebel.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Valmir, o ultra, conta sua história

No ritmo de Kelly

Valmir Nunes é o maior ultramaratonista brasileiro, talvez o que mais conquistas obteve ao longo de todo a história dessa modalidade esportiva no país. Santista da gema, é dono de dois títulos mundiais --um, deles, com recorde-- em provas de cem quilômetros.

Depois de muita experiência nessa distância, o corredor resolveu desbravar outros horizontes: foi para as provas de 12 e 24 horas, em que também amealhou alegrias e estabeleceu marcas internacionais.

Essa trajetória, que também inclui dores, tristezas e dissabores, é contada no livro "Segredos de um Ultramaratonista", lançado pela editora Hemus (200 págs, R$ 35).

É bem legal acompanhar a descoberta da ultradistância por um sujeito que queria ser atleta, mas não sabia exatamente do quê (até futebol jogou quando guri). O livro também abre janelas sobre o cotidiano de um atleta profissional, suas preocupações, interesses.

Para mim, o que mais impressiona é a sua capacidade de abandonar provas. No livro, Valmir conta que abandonou mais de 70 disputas, pelas mais diferentes razões. Revela que é sempre dolorido parar, mas deixa claro que não hesita em cair fora de uma prova se vê que não vai atingir o seu objetivo ou se nota que é melhor se poupar para outra oportunidade.

Esse olhar profissional dá, às vezes, um tom distante ao livro, que, apesar de autobiográfico, é narrado na terceira pessoa (foi escrito por duas jornalistas, com base em entrevistas com Valmir). Quando rompe esse padrão, porém, ganha vida: as citações de Valmir, quando ele mesmo assume o relato, têm humor e emoção.

Fica a vontade de ver o próprio Valmir contando em detalhes cada uma de suas provas, e não apenas aquelas passagens selecionadas.

Mas, tudo bem, o livro precisa ter um limite, e é enriquecido por entrevistas com outros atletas e figuras importantes na vida e na carreira do ultramaratonista.

De todas elas, a mais marcante é a mulher dele, Kelly, que acompanhou grande parte de suas conquistas no exterior a distância, de casa, dando aquele apoio moral e garantindo a estrutura familiar. Mas nem sempre: ela esteve presente em uma Spartathlon (corrida de 246 km entre Atenas e Esparta) e foi fundamental para que Valmir conseguisse chegar até o fim, conforme revela em um depoimento emocionado e emocionante.

"Faltando uns 15 ou 20 quilômetros para o final, ele falou que não aguentava mais, que ia parar. Eu dizia: ‘Vai, vai!’ Corria um pouquinho ao lado dele. A gente estava muito devagar. No final, ele já não tinha mais coordenação. Eu ia na frente dele, falando ‘braço, perna, braço, perna’, para ele fazer o movimento que eu estava fazendo. Ele já não raciocinava, mas conseguiu chegar. Foi um terceiro lugar que valeu pelo primeiro", conta Kelly.

Pois agora Valmir vai poder ter a experiência de apoiar um ultra. Não é que Kelly, que só dava suas corridinahs na praia, virou maratonista? Ela fez sua estréia neste ano, na maratona de Porto Alegre. mal terminou seus primeiro 42.195 metros, anunciou que iria logo para as ultras.

Seu debute será no próximo domingo, na maratona de revezamento Bertioga-Maresias, que também abrirá espaço para que corredores solitários enfrentem os seus 75 km.

"O Valmir me orientou com os treinos. O apoio dele é essencial, a confiança que vem me passando. Sei das dificuldades que encontrarei, mas ele estará lá para me ajudar", disse Kelly, dando sua receita para enfrentar a travessia: "Na prova, não pensarei na distância. Sei que terei de correr entre oito e oito horas e meia. Vamos ver o que vai dar".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratonista, cuidado com a gripe

Período de resguardo

Muitos brasileiros disseram presente na maratona de Buenos Aires, no domingo, em outras competições internacionais do último final de semana, como a maratona de Chicago. Se você foi um deles, fique esperto, porque a gripe pode estar rondando...

É que os maratonistas têm, na semana imediatamente seguinte à da prova, um risco de ficar ficar doente seis vezes maior do que o de alguém que não se esfalfou por horas no asfalto.

O nosso sistema imunológico é temporariamente afetado por exercícios intensos que durem mais do que de 75 a 90 minutos. Enquanto exercícios moderados apresentam um efeito protetor, a maratona pode criar uma janela de disfunção imunológica que dura até três dias, segundo estudo médicos.

Nesse período, a gente fica mais suscetível a pegar gripes ou a ser atacado por vírus de tudo quanto o tipo. O melhor, para tentar reduzir o risco, é dormir bem e se alimentar adequadamente, comendo frutas e vegetais.

Não descuide da higiene pessoal e procure não se estressar. Tente não brigar com o parceiro nem ficar de cara fechada no trabalho, pois o estresse psicológico combinado com o enfraquecimento de seu sistema imunológico pode levá-lo ao nocaute.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Brasil conquista Sul-americano de maratona

Masculino e feminino

O Brasil dominou o campeonato sul-americano de maratona, realizado no domingo em paralelo à maratona de Buenos Aires. Marcos Antônio Pereira, que chegou em terceiro, foi o melhor sul-americano, com 2h17min56. A vitória foi do tanzaniano Mohamed Ikoki, com 2h13min55, seguido pelo queniano David Kiptanui.

No feminino, Sirlene do Pinho sagrou-se bicampeã, fechando a competição em tranquilas 2h38min08. A chilena Natalia Romero (2h44min31) e a argentina Andrea Graciano completaram o pódio.

Uma grande turma de brasileiros também disse presente entre o povão, que se divertiu em uma prova alegre e rápida, segundo me conta o prezado leitor Nilson Paulo de Lima, 56 anos e 32 maratonas no currículo.

"A temperatura agradável, o percurso plano e a ausência da prometida chuva ajudaram os 12 mil corredores presentes na Meia e na maratona. As exibições de danças de tango durante o percurso deram um charme especial à prova. Os belos parques da cidade, Recoleta, Palermo, o elegante Porto Madeiro e o imponente Obelisco cravado na Avenida 9 de Julho, foram alguns dos nossos pontos de passagem", conta ele, que já participou de nove maratonas só neste ano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Wanjiru vence Chicago com recorde local

Grana, mas não glória

O queniano Samuel Wanjiru se preparou muito bem e estava na ponta dos cascos, hoje, para desafiar o recorde mundial da maratona, a mítica marca sub-2h04 estabelecida em Berlim pelo etíope Haile Gbrselassie.

Tudo parecia conjurar a favor do jovem queniano, campeão olímpico com recorde em Pequim. Clima frio, talvez mais frio do que ele desejaria. Pouco vento. Um time de desafiantes de primeira e coelhos também excelentes.

Ele pediu a passagem da meia em 62 minutos e assim a teve, mas ainda faltavam outros 21,1 km para chegar à meta. Um segundo aqui, outro ali, uma errada de passada ou um ventinho extra inesperado, tudo comia o tempo. Corria ao lado de seu compatriota Vincent Kipruto, que era seguido pelo também queniano Charles Munyeki.

Eles pareciam ter a prova na mão, para uma trifeta verde, vermelha e preta. Mas Wanjiru, sentindo que o recorde se lhe esvaia pelas passadas, resolveu apertar o ritmo depois do km 35, deixando para trás os dois compatriotas, que começaram a sofrer muito para tentar acompanhar o líder, ainda que a distância.

É disso que se aproveita o marroquino Abderrahim Goumri, dono do segundo melhor tempo entre os competidores, com 2h05min30, abaixo apenas de Wanjiru. Ele aperta o passo e começa a aparecer na tela da TV. No km 40, já assume a terceira posição e leva jeito de quem quer desafiar o jovem queniano.

Não consegue, mas leva a prata e um checão de US$ 50 mil.

Wanjiru, correndo sozinho pelos dois últimos quilômetros, consegue quebrar o recorde da prova por um segundo: fecha em 2h05min41 (não oficial) e ganha US$ 100 mil, além dos US$ 75 mil pela vitória (foto Reuters, no alto). Os comentaristas da TV norte-americana estimam que ele tenha amealhado hoje, entre prêmios mais luvas de participação e outros bônus, acima de meio milhão de dólares. Mas não correu abaixo de 2h04...

Já as mulheres foram extremamente conservadoras. Até a metade da prova, parecia que não estavam nem aí, o que abriu espaço para a simpática norte-americana Tera Moody tirar sua casquinha, assumindo a liderança com bastante desembaraço.

O pelotão que a seguia tinha as russas Liliya Shobukhova (foto AP), apontada como favorita na prova, e Lidiya Grigoryeva, outra superfera, ao lado da alemã Irina Mikitenko. As etíopes Teyba Erkesse e Berhane Adere também assustavam por ali....

Teve espaço para todas se alternarem na liderança, depois que a Moody foi colocada em seu lugar (ela terminou em uma excelente nona posição). A queridinha norte-americana Deena Kastor também chegou a figurar no primeiro pelotão por alguns minutos, na parte final da prova, mas não resistiu ao ritmo que Erkesso começou a imprimir quando viu que poderia ser mesmo a primeira.

Aliás, a própria Erkesso não resistiu, e foi engolida pelas eslavas (Mikitenko alemã naturalizada; nasceu no Cakazquistão). E assim a prova terminou, com a rápida Shobukhova fazendo valer sua velocidade no final para fechar em 2h25min56, seguida por Mikitenko e Grigoryeva; Erkesso ficou em quarto lugar, Kastor em sexto, atrás da outra etíope do primeiro pelotão, Berhane Adere.

Eu acompanhei tudo ao vivo pela transmissão internética e fui dando notícias no meu Twitter. Se você quiser rever, procure por @rrlucena.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tadese é tetra no Mundial de meia maratona

Novo recorde

Sem maiores problemas nem enfrentamentos ao longo do percurso, Zersenay Tadese, da Eritréia, conquistou hoje o tetracampeonato mundial de meia maratona nas ruas de Birmingham, Grã-Bretanha. Ele venceu com 59min35, que é novo recorde no campeonato, mas está aquém do melhor tempo do ano , que é de Patrick Makau Musyoki, do Quiênia, com 58min52. O recorde mundial é do queniano Samuel Wanjiru, 58min33.

Tadese correu o tempo todo protegido por seu compatriota Sanmuel tsegay, que chegou a ficar ombro a ombro com ele por algum tempo, mas foi perdendo terreno ao longo do percurso.

Também ao longo de quase todo o tempo, mas bem atrás dos dois, lá no segundo pelotão, se desenrolava a batalha mais impressionante d aprova, em que o norte-americano Dathan Ritzendhein disputava posições com quenianos e etíopes. Sétimo, quarto, terceiro e quarto foram os postos do norte-americano nas passagens, respectivamente, dos kms 5, 10, 15 e 20.

Pouco depois do 20, porém, quando o pelotão perseguidor adentrou um túnel, tudo mudou na prova.

Na saída, Ritzenhein e o queniano Benard Kipyego tinham desbancado Samuel Tsegay, que tinha sido até então o fiel escudeiro de seu compatriota Tedese. E o duelo entre queniano e norte-americano durou quase todo o km que faltava para o final.

Quando os dois já viam a linha de chegada, porém, Kipyego ligou o turbo e foi; Ritezenhein acompanhou, mas não tinha pernas para responder à escapada do queniano, que acabou com a prata, 24 segundos atrás de Tadese e um segundo à frente do norte-americano.

Uma curiosidade: era também de 24 e 25 segundos o tempo que os separava do líder no km 20, mas então os dois estavam em terceiro e quarto lugares, respectivamente.

Marílson Gomes dos Santos foi o melhor brasileiro na prova, como se esperava, mas ficou aquém de seu melhor desempenho, provavelmente porque usou essa prova como apronto de luxo para a maratona de Nova York, que já está logo ali.

De qualquer forma, correu seu melhor tempo no ano, fechando em 1h02min41, em 17º lugar (no km 20, estava em 18º e, no km 15, em 21º).

Na prova feminina, Maria Zeferina Baldaia também correu o seu melhor tempo nesta temporada, fehcando no 51º posto em 1h18min32, quase 12 minutos atrás da campeã, Mary Keitani, do Quênia, que venceu em 1h06min35, melhor tempo do ano (geral) e novo recorde do campeonato.

Também no feminino a corrida da campeã foi tranquila, mas a disputa pela prata foi muito acirrada. Pegou fogo a poucos metros da chegada, quando a queniana Philes Ongori conseguiu suplantar a etíope Aberu Kebebe, que tinha ficado em segundo o tempo todo. Ongori festejou a conquista com mais alegria ainda que sua compatriota Mary (à dir. na foto AP).

Eu fiz ao vivo, no Twitter, a cobertura das duas provas, que acompanhei pela TV. Se quiser mais detalhes, confira em @rrlucena.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Novo recorde feminino no Mundial de meia maratona

É tudo da Keitany

A queniana Mary Keitany papou tudo no Mundial de mei-amaratona, realizado hoje na cidade britânica de Birmingham.

Ela venceu de ponta a ponta e estabeleceu novo recorde no Mundial: 1h06min36, derrrubando marca da britânica Paula Radcliffe.

O tempo de Keitany é também o melhor do ano.

O recorde mundial continua intocado. É de 1h06min25, de Lorna Kiplagat, da Holanda (naturalizada; ela nasceu no Quenia).

A competição pelo segundo lugar foi superemocionante. A queniana Ongori conquistou o posto a cerca de cinco metros da chegada, vencendo a etíope Kebebe, que tinha ficado em segundo o tempo todo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Marilson lidera seleção brasileira de meia maratona

Mundial e Sul-americano

O bicampeão da maratona de Nova York Marilson Gomes dos Santos é o destaque da equipe brasileira que participa neste domingo do Mundial de meia maratona, em Birmingham, Inglaterra.

A prova será transmitida ao vivo pela SporTV, a partir das cinco da matina, se tudo estiver certo com a grade de programação disponível on-line. Esta eu não prometo cobrir ao vivo, no Twitter (@rrlucena), mas vou tentar.

De qualquer forma, se você acordar mais tarde no domingo já poderá ver aqui as informações sobre a prova. Além de acompanhar ao vivo, pelo meu Twitter, a maratona de Chicago.

Mas voltemos ao Mundial. Além de Marilson, o Brasil tem ainda Franck Caldeira, João Ferreira de Lima e Giomar Pereira da Silva.

Na prova feminina, que tem largada meia hora antes da masculina, a única representante verde-amarela será Maria Zeferina Baldaia e seu sensacional sorriso.

O bicho papão do evento é o tricampeão Zersenay Tadesse, da Eritréia, que vai tentar buscar o tetra.

Há também competição por equipes. O Brasil tem duas medalhas no Mundial de meia maratona: bronze por equipe em 1992, em Tyneside, também na Grã-Bretanha (Artur de Frstas Castro, Ronaldo da Costa e Delmir Alves dos Santos), e em 1994, com Ronaldo da Costa, em Oslo, Noruega.

Também neste domingo será disputado o Sul-americano de maratona, simultâneo à maratona de Buenos Aires, na Argentina. A largada da prova está marcada para as 07h30, e os representantes brasilerios são Marcos Antônio Pereira, campeão da maratona do Rio, e Sirlene de Souza Pinho (foto Divulgação), bronze na maratona nos Jogos Pan-Americanos em 2007.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona de São Paulo de 2010 já tem data marcada

Caminhada e corrida

Já estão no site da Yescom as primeiras informações sobre a maratona de São Paulo do ano que vem.

A mais importante, para quem gosta de planejar com antecedência, é a data: 2 de maio. Outro ponto significativo, que sempre causa polêmica, é a hora da largada. Segundo regulamento, cadeirantes largam "a partir das 8h15", elite feminina, "a partir das 8h35" e elite masculina mais povão em geral "a partir das 8h55".

Para mim, aí estão os dois maiores problemas dessa prova, cuja organização vem melhorando nos últimos anos, segundo relatos que recebo. O horário tardio e o maldito "a partir" são pontos negativos, ainda mais em um período do ano é que é grande o risco de termos temperaturas elevadas.

Bom, de qualquer jeito é a grande maratona brasileira, ainda que não seja a melhor.

Para o evento, os organizadores estão reservando 18 mil vagas, mas apenas 5.000 na maratona. Há ainda corridas de 25 km e de 10 km, mais uma novidade que me parece bem simpática: caminhada participativa de 3 km.

O site também já informa os preços das inscrições. A maratona, por exemplo, custa R$ 70, mas há vários descontos conforme a data em que for feito o registro.

Para saber mais, confira o regulamento AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Farei cobertura ao vivo da maratona de Chicago

 

Manhã domingueira

Acabei de confirmar que a SporTV 2 vai transmitir ao vido a maratona de Chicago, no próximo domingo, a partir das 9h30.

Como de costume, vou fazer a cobertura ao vivo, pelo Twitter, contando tudo o que acontece na prova e ainda acrescentando alguns comentários.

De quando em quando, colocarei algum post mais alentado aqui no blog e no Facebook.

No Twitter, você já sabe, basta procurar por Rodolfo Lucena ou #rrlucena.

Tomara que seja uma corrida bacana. A elite está carregada de nomões. No masculino, há dois sub-2h06, o queniano Sammy Wanjiru e o marroquino Abderahhim Goumri; no feminino, há duas sub2h20, a alemã Irina Mikitenko, bicampeã de Londres e campeã de Berlim em 2008, e a prata da casa Deena Kastor, que vai ver se está completamente recuperada da cirurgia que enfrentou --já participou neste ano, com sucesso, de provas mais curtas, mas a maratona é outra coisa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O GPS ainda tem de melhorar muito

Tonto que só ele

Este blog já funcionou algumas vezes como muro de lamentações deste blogueiro contra as engenhocas tecnológicas que não funcionam como o esperado.

Não que eu tenha algo contra a tecnologia; ao contrário, sou fissurado por computadores e maquininhas em geral, especialmente as diretamente ligadas ao mundo da corrida.

Mas nunca me dei muito bem com elas. Tinha cronômetro de algumas dezenas de voltas, por exemplo, mas esquecia de bater na passagem dos quilômetros ou não via a marcação; enfim, não servia para nada.

Fiquei mais feliz com os frequencímetros que tinham comunicação com o computador, mas acabei não comprando nenhum modelo porque achei que o custo/benefício não era vantajoso.

O mesmo vale para essa multidão de geringonças do terreno do conta-passos, que exigem muito trabalho e empenho do corredor...

Mas o GPS de pulso, esse não, esse é uma verdadeira mão na roda: calcula as voltas, manda informações para o computador, contabiliza os batimentos cardíacos, coordena-se com os mapas internéticos. Foi paixão à primeira vista.

Comprei meu primeiro em 2006 e aos pouco fui aprendendo que a dura realidade é bem diferente do conto de fadas. Usava o aparelho mais avançado da época, mas ele se perdia várias vezes em rotas urbanas e, pior, precisava de um "bercinho" para fazer o contato com o carregador de bateria e/ou com o computador.

No início, até que isso funcionava direito, mas depois de um ano, foi pro saco: passou a ser um exercício de paciência conseguir fazer com que o aparelho deitasse no "bercinho" de tal forma que o contato fosse feito. Na sequência, o monitor cardíaco deixo de monitorar o coração, e o conserto custaria mais do que o preço original do aparelho, sem falar que a assistência não dava certeza do bom funcionamento futuro.

Desisti do fulano, mas comprei outro modelo, menos sensível aos sinais do satélites, mas com mais tempo de bateria e melhores conectores para se comunicar com o computador (variantes da velha e boa interface USB).

Bom, hoje, três anos depois, mesmo a conexão USB precisa de um jeitinho para que a comunicação com o computador se estabeleça. E pior: não há corrida que o GPS não erre, o que já está me deixando furioso, além de tornar o aparelho imprestável.

Ele sempre erra quando é mais necessário: nos treinos de ritmo ou de tiros. Na semana passada, fiz 20 km mantendo ritmo constante de 6min45. Estava tudo bem até o km 17; do nada, o cara começou a reclamar de perda de sinal. Como é que pode, perguntei eu, se estava o tempo todo correndo na mesma trilha, que tinha sinal por todos os quilômetros anteriores?

Bom, mas, apesar disso, a marcação foi certa ou razoavelmente dentro dos conformes até o km 19. Naquele exato ponto, em vez de seguir, fiz a volta sobre meu próprio corpo, para buscar a melhor saída do Ibirapuera; pois o maldito aparelho demorou uns 200 metros para entender o que tinha acontecido e recomeçar a marcar, mesmo assim, de forma intermitente.

Resultado: a que seria (e foi, tenho certeza) a minha melhor volta, acabou marcada como algo de mais de oito minutos!!!

Coisa semelhante fez hoje, em que corri dois tiros de 5.000 m em uma pista de 400 metros.

No primeiro bloco, quase tudo bem; ele deu uma errada no km 5, mas a média ficou dentro do esperado. Na segundo bloco, porém, ele simplesmente endoidou no último km, comeu uma volta e meia e disse que levei 8min20 para correr 1.000 metros.

Sorte que eu sou um sujeito calmo e não joguei o fulano longe ali mesmo, porque também seria um grande prejuízo. Mas vou pensar muito antes de trocar para o mais moderno da marca, que promete até funcionar como relógio.

É uma promessa vã, pois ele continua exigindo que você o recarregue a intervalos curtos (comparados com o relógio e mesmo com aparelhos mais exigentes, como o celular). Esse é, por sinal, um dos grandes pontos negativos dos GPS de pulso: a fome insana que eles têm por energia.

Mas, se um dia funcionarem direito, isso até dá para relevar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Saiba como é um superrevezamento nos EUA

Da montanha à praia

Corridas de revezamento são sempre um grande teste para cada um de nós, cobrando muito mais que apenas desempenho atlético. Há que ser capaz de aceitar as falhas dos outros, os problemas de organização, o tempo de espera entre cada participação e, principalmente, é precisa reconhecer os próprios erros e aceitar as reclamações dos outros.

Se isso já é verdade nas maratonas de revezamento, que duram três ou quatro horas, imagine quando o desafio dura um dia e uma noite inteiros. É o caso do Reach the Beach Relay, uma prova de 200 milhas (320 km) em que participam equipes de até 12 pessoas. Neste ano, a leitora DENISE MARIA TANAKA, que também participa da equipe Nossa Turma, esteve presente no evento, que foi sua primeira participação em corridas fora do Brasil. Denise, 43, corre há cerca de dez anos, já tendo feito uma maratona (SP, 2006, em 3h56), e trabalha como secretária na empresa Advent Internacional, que levou um grupo de funcionários para a competição. Para ela, teve um gosto todo especial, pois pode até levar seu irmão, Edmar (na foto abaixo, os dois), que entrou na equipe substituindo um corredor que desistiu. Bom, chega de conversa. Vamos logo ao relato enviado por Denise.

"Realizada nos dias 18 e 19 passados, a Reach the Beach Relay é a maior corrida de revezamento dos EUA. Neste ano, houve 400 equipes participantes, e em momento algum a nossa van ficou parada no trânsito devido à corrida: a organização lá impecável.

Minha equipe, Advent Run 12 Run, como sugere o nome, tinha 12 corredores. Eu era a corredora 2 e, no total, corri 21 milhas (33 km) em três trechos.

O primeiro trecho tinha 14 km, que completei em 1h12, o segundo 13 km, que corri em 1h08 e o terceiro trecho de 6 km em 34 minutos.

Fiquei feliz com os tempos, porque fui para a corrida com a sensação de que não estava preparada e devia ter treinado mais e melhor. Esses trechos eram considerados difíceis e, embora eu relutasse, o capitão do meu time me convenceu de que, por ser a única maratonista do time, eu deveria abraçar os trechos.

Aceitei! Senti a empolgação da corrida na veia novamente, motivada por mais esse desafio. Está na alma do corredor buscar desafios.

A corrida se inicia no pé da Cannon Mountain, onde se esquia no inverno, e a temperatura, mesmo agora no início do outono, estava por volta dos 12º C durante o dia.

É claro que a noite anterior à corrida foi uma noite mal dormida, com pesadelos de dias friorentos e chuvosos. Mas foi uma surpresa: durante a corrida, as pernas, estimuladas pelo vento gelado, demoraram mais para se cansar.

E assim completei o primeiro trecho, quase todo percorrido em um rodovia, mas com belas e diferente paisagens.

O segundo trecho foi percorrido à noite, com muito medão por não enxergar direito onde os meus pés estavam pisando. Um breu total na estrada, iluminada apenas pela pouca luz da lanterna que usava na cabeça e pelos faróis dos carros que eventualmente passavam. Mas é uma sensação gostosa. Na verdade, acho que quem gosta de correr se sente bem nessa situação em que estão presentes somente você e a estrada.

A nossa van parou duas vezes nesses trechos para me dar água, mas depois foi embora, pois não era permitido acompanhar de perto os corredores.

Embora houvesse milhares de corredores na prova, corria-se a maior parte do tempo sozinho, porque a largada era em ondas: partiam apenas 15 times de cada vez, de meia em meia hora.

O terceiro trecho foi durante o dia, com uma subidona inicial, mas que não era nenhuma Biologia como eu imaginava, e foi quando eu corri mais solta e mais rápida, porque era o meu último trecho e eu estava adorando.

Terminei bem, à frente do tempo estimado, com a boa sensação de dever cumprido. Com algumas dores, afinal em 33 km quantas passadas não foram dadas.

Alguns trechos das provas passavam por pequenas e charmosas cidades de New Hampshire, onde pegamos um pouco de trânsito. Em alguns postos de transição havia comida, que era oferecida aos corredores em troca de uma doação.

A sopinha quente durante a madrugada foi tudo de bom que encontrei no caminho.

No posto de transição 24, quando terminou o segundo revezamento da minha equipe, paramos para dormir algumas horas. Nesse posto da corrida havia um camping com barracas para alugar e café da manhã. Mas preferimos dormir na van, pois não tínhamos trazido saco de dormir. Muitas vans estacionaram lá e havia lugar para todas. Era um parque muito bonito e o sol apareceu logo cedinho, deixando todos os corredores felizes, porque mesmo assim fazia frio.

Lá iniciamos o revezamento final da prova, que terminou na praia. Alguns corredores, acho que de tão exaustos e sem medo de mais nada, caíram na água gelada do mar.

Não tive coragem, apenas molhei os pés cansados por alguns minutos. A chegada do nosso último corredor foi uma festa, e o time todo o acompanhou nos metros finais, após 35 horas de corrida, sem banho, poucas horas de sono e muitas milhas percorridas com muita emoção.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Preparação para Rio-2016 deve começar já

Ouro para o Brasil

Como milhares, milhões de brasileiros, fiquei grudado na TV no início da tarde de hoje, esperando a divulgação da cidade escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

Gritei, pulei, festejei como se fosse um gol o anúncio da vitória carioca, fluminense, brasileira, sul-americana. Rio-2016, como bem disse Nuzmann, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, é o evento mais importante da história política do esporte no subcontinente.

Mas sobre essa questão política, assim como os vários fatores econômicos que envolvem o Rio-2016, muitos vão falar.

O que eu quero saber, senhores e senhoras, é o que nós vamos fazer para ganhar essa Olimpíada.

Eu quero é ver o ouro olímpico vindo para o Brasil no atletismo, na maratona, na ginástica, no judô, no tiro ao alvo, no hipismo, na vela, no vôlei, no basquete... Ah, e no futebol também, é claro.

Vão dizer que o esporte precisa de incentivo, de apoio político, de dinheiro etc. e tal.

Tudo isso é verdade, mas acredito que o mais necessário, agora, é mobilização, uma ampla ação política para conquistar o Brasil para um grande salto à frente.

É certo que precisamos pensar na infraestrutura, na rede de hotelaria, nos campos e por aí afora. Mas precisamos pensar também em competir e ficar lá no alto no quadro de medalhas.

Eu começaria fazendo um congresso nacional de escolas públicas de primeiro e segundo graus, para colocar todos os diretores na mesma batida. Com professores, faria seminários e encontros sobre preparação esportiva e, principalmente, sobre o uso do esporte em outras disciplinas (usar o esporte como chamariz para ensinar física, matemática, geografia, história, idiomas...).

Incentivaria Estados e municípios para que organizassem eventos semelhantes.

E, no terreno esportivo, começaria desde já a reforçar os programas de competições interescolares, intermunicipais, interestaduais.

Também proporia aos municípios que fizessem ações semelhantes em centros comunitários, em colaboração com associações de amigos de bairro e sindicatos.

Assim, o esporte ficaria presente, parte integrante, inseparável, da formação cultural e intelectual de nossa juventude, poderia ser fonte de crescimento e ferramenta de integração social.

E, com isso, surgiriam centenas, milhares de talentos que, aos poucos, poderiam ser peneirados, selecionados e levados a projetos especiais de formação de atletas.

O primeiro lugar no quadro de medalhas seria então apenas um detalhe.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.