Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Belo cenário de maratona no país basco

Imagens fugazes

 

Dois momentos da 22ª edição da Maratona Internacional de San Sebastián, realizada ontem na cidade do mesmo nome, no coração do país basco, na Espanha. Como se pode ver, a prova passa por cenários muito bacanas (fotos EFE). Para os que gostam de testar os seus limites, parece ser também uma prova razoavelmente veloz: o campeão de ontem, Rafael Iglesias Borrego, terminou em 2h10min44; a vencedora no feminino, Maria José Pueyo, fechou em 2h36min28.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h50

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Descalço, Vanderley chega ao bi das 24 horas do Rio

232.800 metros

Descalço, Vanderley Santos Pereira conquistou na manhã de hoje o bicampeonato da Ultramaratona Rio 24 Horas - Fuzileiros Navais, realizada na pista de atletismo da Escola Naval. Ele deu 582 voltas na pista, completando 232.800 metros, e foi seguido por Marco Aurélio Martins Farinazzo, que completou 568 voltas, num total de 227.200 metros.

Mas a nota mais gloriosa da prova foi a quebra do recorde brasileiro feminino da modalidade. Com pouco mais de 22 horas de prova, a atleta mineira Denise Paiva Lucas Campos atingiu a marca de 213,2 km. Ela saiu então da pista, para descansar um pouco, mas voltou com gás total, chegando ao final das 24 horas com um total de 224.400 metros, o que a coloca em quinto lugar no ranking mundial das 24 horas neste ano.

Depois da prova, ela contou: "Nunca corri 24 horas. Vim com a ideia de um ritmo marcado e como parava muito pouco consegui fazer uma boa quilometragem. Nem pensava que ia agüentar terminar".

A Corpore, que organizou o evento, fez um site especial para transmitir notícias ao longo das 24 horas. Foi lá que eu obtive as informações para montar esta mensagem também a foto do campeão descalço. Você encontra o resultado geral AQUI. Fotos da noite, AQUI; da manhã, AQUI.

Bom, uma vez já tendo transmitido as informações básicas, permita-me fazer algumas digressões.

A primeira vez que acompanhei uma prova de 24 Horas foi em São Caetano, há três anos, quando o grupo de corredores do qual participo, a Nossa Turma, montou uma equipe para disputar a prova em revezamento. Não entrei no time, mas fui lá dar aquela força por algum tempo. E logo desenvolvi uma grande curiosidade sobre aquelas pessoas, participantes de um evento quem, para mim, era absolutamente chato, totalmente sem emoção.

Me deu vontade, na época, de pegar papel e caneta e sair a correr ao lado de cada um, fazendo entrevistas e perguntando sobre a vida da pessoa, o que a levou a gostar daquele tipo de desafio, como tinha chegado até ali etc...

Claro que não fiz isso, mesmo porque queria dar o máximo de atenção possível às pessoas de minha equipe que, apesar de correrem em revezamento, tinha uma tarefa duríssima pela frente. Cada um dos corredores, tinha de correr um total de seis horas na pista.

Imaginem então o que é correr 24 horas numa pista de 400 metros. Eu já corri no máximo uns 12 ou 15 km nessas pistas, sem nenhum estresse, mudando de sentindo a cada dois quilômetros, sem nenhuma preocupação de enfrentar quem quer que seja --nem mesmo os meus limites, como muitos corredores gostam de destacar.

Pois no Rio de Janeiro os caras ficaram das dez da manhã de ontem até as dez de hoje dando voltas e mais voltas. Quando quebrou o recorde brasileiro da modalidade, a corredora mineira Denise completou nada menos do que 533 voltas em uma pista de 400 metros. E iria para mais, como você pode ler acima. Quem são essas pessoas, o que faz com que elas sejam capazes disso?

São perguntas instigantes, para as quais continuo sem ter resposta. Em certa medida, os próprios corredores deram suas explicações no site da Corpore, falando sobre seus objetivos e motivação na prova.

Lucina Ratinho (104.800 metros), disse: "A motivação que tenho em participar de uma Ultramaratona de 24 horas é saber e sentir que com a idade que tenho (65 anos) ainda gozo de uma perfeita saúde para trabalhar todos os dias inteirinhos de segunda a segunda e ainda poder treinar para um desafio como este, no meio de atletas jovens, bonitos e saudáveis, onde falamos a mesma língua".

Já a integrante do grupo Marathon Maniacs Hedy Lammarr Vieira de Almeida (123.200 m) busca experiências novas: "Superação comigo mesma. Já fiz 22 maratonas, uma prova de 100km, seis ultra(abaixo de 100km) duas vezes praias e trilhas e centenas de provas curtas (abaixo de 42 km), por isso chegou a hora de tentar longas distâncias".

Ela fala assim, como se maratonas e provas de 100 km fossem distâncias pequenas...

Por sua vez, Sergio Ricardo de Souza Salgado (148 km) disse ao site da Corpore (de onde tirei essas declarações todas) : "Minha motivação é a de todos os outros ultras, desafiar os limites, buscar uma nova conquista, que poucos se arriscam a buscar. Meus objetivos são estar em pé no decorrer da prova, conseguir percorrer os kms que forem possíveis, e no domingo às 10hs estar cruzando o pórtico de chegada com o máximo possível de atletas completando igualmente a prova, independentemente de quantos kms cada um percorreu".

A experiente ultramaratonista Elisete Rereira (107.600 m) resumiu assim seu interesse pela prova: "Minha motivação consiste em poder encerrar o ano de 2009 encarando mais um desafio pessoal - o de estar em atividade de corrida por 24 horas junto dos meus amigos, sejam corredores, suas famílias, ou dos organizadores. Este evento significa também uma festa de confraternização, talvez porque ainda somos em poucos desafiadores desta modalidade, então um conhece o outro, o que não acontece nas corridas em geral".

E há quem queira simplesmente engolir quilômetros e mais quilômetros como chocolate derretido, a exemplo de Raul Avelino Francisco Junior (98km), que diz "Para a ultra 24h do Rio tenho uma motivação especial que é a de atingir minha meta de completar 600 km em provas oficiais em 2009. A contagem que começou com a ultra 24h de Santa Maria em maio. Ou seja, são 600 km em seis meses o que dá uma média de 100 km por mês, o equivalente a 2,4 maratonas somente em provas, fora os treinos. É um desafio bastante interessante, mas ainda modesto comparado ao do meu parceiro de corridas, o Dr. Seabra, cujo objetivo é cumprir 1000 km! Portanto, o Rio que nos aguarde, pois estamos chegando quente!!!"

Você pode acompanhar muitos outros depoimentos como esses no site especial da Corpore com a cobertura do evento (AQUI).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h39

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Quebra de recorde brasileiro na ultra do Rio

Dá-lhe, Denise

Falta pouco para acabar a segunda edição da Ultra Rio 24 Horas - Fuzileiros Navais, e a prova já entra para a história como palco de quebra de recorde brasileiro feminino. Pouco depois das oito da manhã de hoje, a atleta Denise Paiva Lucas Campos atingiu a marca de 213.200 metros percorridos, tornando-se a nova recordista brasileira para essa modalidade.

A mineira Denise já tem um histórico de conquistas nas distâncias ultralongas. Foi a vencedora da prova de 100 km de Cubatão no ano passado, tirou terceiro lugar no geral na 29ª edição da Ultramaratona de Santa Cruz de Bezana (Espanha) e foi a segunda colocada, no feminino, na Supermaratona de Rio Grande (50 km) deste ano.

Segundo relato do site da Corpore, "com palmas e gritos de incentivo de todos os outros atletas, Denise cruzou o pórtico acompanhada de outros participantes, mostrando o clima de confraternização que envolve esse tipo de evento" (foto divulgação/Corpore).

Depois, ela saiu da pista para descansar, mas deve voltar para obter outras conquistas. No momento da quebra do recorde, Denise estava uma maratona na frente da segunda colocada e apenas a dois quilometros do primeiro colocado no geral, Vanderley Santos Pereira.

Além disso, faltavam a ela pouco menos de duas voltas na pista para entrar na lista das top 10 mundiais, no feminino. A décima colocada deste ano, segundo o ranking da Associação Internacional de Ultramaratonistas, fez 213.774 metros.

Parabéns a Denise.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h15

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Mande mensagens para corredores de ultra no Rio

24 horas de emoções

A partir das 10h de hoje, rola a segunda edição da Ultramaratona Rio 24 Horas - Fuzileiros Navais. Estão inscritos 136 homens e 24 mulheres, que vão passar um dia inteiro dando voltas em uma pista de atletismo da Escola Naval, no Rio de Janeiro.

Como você pode imaginar, vai chegar uma hora em que o cansaço começará a se abater sobre os atletas. Dá aquela vontade de desistir, a pessoa fica se sentindo o pior dos homens do mundo e por aí vai.

Nessa hora, uma palavra de incentivo, um aplauso, um sorriso, qualquer manifestação de apoio passa a ser muito importante, pode até ser a diferença entre desabar e vencer.

E você pode ser essa diferença, mesmo sem correr, mesmo sem sequer ver os desafiadores do tempo e da distância.

É que o site da prova promete acompanhar o desenrolar dos acontecimentos hora a hora, dando notícias do que está rolando por lá. E o mais legal (se funcionar...) é que você pode mandar uma mensagem para os atletas que você conhece e apoia ou mesmo para os que não conhece, mas apoia do mesmo jeito.

Para mandar sua mensagem de afeto, carinho, incentivo, clique AQUI e siga a instruções.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h42

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Termina domingo circuito de meia maratona no Nordeste

Boas notícias

Uma das boas novidades deste ano foi o aumento do número de provas longas no nordeste. Talvez não tenha sido divulgado a contento, mas o Circuito Brasil de Meia Maratona surgiu meio na surdina e me deu água na boca.

Até hoje só participei de provas no Recife e em Salvador, e o novo calendário logo passou a ser mais um convite para passar um fim de semana em alguma das belas e quentes praias do nordeste.

Mas os preços das passagens estão altos demais e os compromissos da vida não calharam de dar folga que permitisse aproveitar as quentes corridas.

No próximo domingo, o calendário nordestino chega o fim. A última prova do circuito, que já passou por Salvador, Maceió, Recife e João Pessoa, será em Fortaleza (confira AQUI mais informações).

Sem fazer parte desse calendário específico, o Rio Grande do Norte decidiu não ficar de fora da onda esportiva e, no último domingo, viu na capital a realização da 1ª Meia Maratona de Natal. Teve a participação de centenas de corredores, e a vitória foi da maratonista olímpica Marily dos Santos e de José Márcio Leão da Silva (tem de ser um leão mesmo para correr 21.097 metros em 1h08min33 naquele solaço abrasador).

Devo dizer, porém, que o pomposo nome me intrigou: será mesmo que nunca antes na história Natal havia tido uma uma meia maratona? Fui consultar o especialista em corridas nordestinas Gilmário Mendes, que rebuscou os escaninhos da memória para lembrar de momentos do século passado, quando a capital norte-riograndina teve, sim, uma meia maratona.

Tudo bem, os organizadores são diferentes, o século é outro, o marketing tem suas exigências, os nomes também não são os mesmos, mas fica aqui o registro. Realizada em 1999, a prova fez parte dos festejos dos 400 anos. Com recursos oficiais, o evento foi grandioso, e teve a presença de corredores da elite nacional, como Márcia Narloch e Diamantino dos Santos, além de Ronaldo da Costa que, no ano anterior, havia quebrado o recorde mundial da maratona.

Bom, depois dessa volta no tempo, retornemos ao presente para lembrar que está para acabar o prazo para quem deseja se inscrever para o Desafio do Forte, uma prova de revezamento no litoral baiano. O site oficial é este AQUI, mas não estava funcionando direito na última vez em que tentei entrar.

Bom, pode ser que não dê mais tempo para a maioria das pessoas, mas, de qualquer forma, fica o lembrete para quem já está pensando no seu calendário de corridas para o ano que vem. O Nordeste está aí e oferece muitas belezas e desafios. Tomara que, em próximas edições desses eventos, eles comecem mais cedo, para que o calor não castigue tanto os atletas --isso é ainda mais necessário caso os organizadores desejem atrair corredores menos afeitos às temperaturas nordestinas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h21

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Maratona gera conflito entre motoristas e corredores em Curitiba

Estresse perigoso

Depois de publicado o texto sobre a maratona de Curitiba, recebi mensagens dando conta que um fato importante havia sido deixado de fora: a irritação da população motorizada da capital paranaense com os problemas de trânsito provocados pela corrida, que serpenteou por vários bairros da cidade.

Por causa da prova, vários cruzamentos foram fechados e trajetos tradicionais tiveram de ser modificados. Há vários relatos de corredores falando de "coro de buzinas" em cruzamentos. Isso faz parte dos "jus esperneandis"; afinal, quem se sente prejudicado com alguma coisa tem no mínimo o direito de reclamar.

Mas acontece que em alguns casos a coisa degringolou, de acordo com mensagens que recebi. Um grupo de pessoas desceu de um ônibus e passou a brigar com controladores de trânsito, que procuravam garantir a passagem incólume dos corredores.

Em outro ponto, próximo ao km 25 da prova, um motorista perdeu as estribeiras no engarrafamento e jogou seu carro sobre alguns ciclistas que acompanhavam corredores. Mas à frente, teve de parar por causa do trânsito congestionado e foi cercado por ciclistas e corredores. Pelos relatos que recebi, tudo ficou no "quase", mas o episódio é um bom exemplo do clima hostil.

E deve servir de alerta aos organizadores, para que pensem o que pode ser feito para que a convivência seja mais pacífica. Aliás, isso vale para qualquer prova organizada no ambiente urbano e atrapalhando o tráfego. Já vivi experiências semelhantes, ainda que com menor grau de hostilidade, em São Bernardo e em Florianópolis, para ficar em apenas dois casos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h02

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Temporal alivia calor na Maratona de Curitiba

Diversão em dobro

Um temporal se abateu sobre Curitiba na manhã do último domingo, aliviando um pouco o calor dos corredores que participavam da maratona da cidade, mas também acrescentando um tipo diferente de dificuldade à prova, que não é exatamente uma das mais fáceis do mundo.

Por causa do calor terrível que costuma fazer nesse período, eu nunca me animei a fazer essa prova. Mas seu desafiador percurso é sem dúvida atraente e, a julgar por relatos que acompanhei na internet desde domingo, recebeu um bom número de estreantes na distância.

Marco Boss foi um deles. Ele diz: "Chegando à largada, meu sonho estava se materializando, com aquela multidão de pessoas gritando palavras de incentivo, fazendo festa, outras no aquecimento... Logo senti uma emoção diferente, que tomou meu corpo inteiro, pois estava eu ali mais próximo da maratona do que poderia imaginar. As pernas tremeram e começaram a sair lágrimas dos olhos de emoção, antes mesmo da largada, e um filme de todo meu treinamento passou pela minha cabeça" (leia AQUI o texto completo).

Já na largada, às 8h, a temperatura estava bastante alta, mas o percurso servia para distrair um pouco a cabeça dos corredores. A maratona passa por muitos bairros da cidade, e o trajeto é bem ondulado: "As avenidas são como tapetes com ondas, se posso definir assim. A todo instante você sobe e desce, pouca coisa, mas isto vai minando suas energias aos poucos", avalia Walter, de São Bernardo do Campo, que publicou um relato detalhado de sua experiência no seu blog (confira AQUI).

Ele conta ter visto, na metade da prova, "um rapaz caído sendo atendido, estava realmente passando mal". A partir dali, muita gente andando, "um sentado na calçada sem tênis, pernas esticadas, o percurso traiçoeiro começava a fazer suas vítimas..."

Para combater o calor, a hidratação foi farta ao longo do caminho, segundo todos os relatos que pude ver, com postos de água, esponjas e pelo menos dois postos de isotônico. Mesmo assim, teve gente que preferiu cuidar do próprio abastecimento.

É o caso de Antonio Collucci, que faz o seguinte relato: "Passamos a marca da meia em 1h47 aproximadamente, mas ainda assim estava tudo sob controle. O sol pegando forte, eu encharcado de tanta água que jogava. Estava sempre com a mão ocupada, carregando água, isotônico, a camiseta do #twittersrunday, a esponja, a banana, cada km tinha alguma coisa diferente, estava vendo a hora de dar um nó nos meus braços de tanta bagunça e malabarismo que tinha que fazer para abrir um gel ou a luta que foi para abrir a tal cápsula de sal" (leia AQUI o texto completo).

Nessa balada, alguns com dores e sofrimento, obrigados a caminhar ou mesmo desistir do percurso, e outros festejando a conquista apesar de todos os problemas, a prova terminou depois da enxurrada.

"A chuva veio para realmente lavar tudo. Levar embora as coisas mal resolvidas, levar embora o George que achava ser bobagem correr mais uma maratona no asfalto, levar embora a dor do desencanto, inclusive com a própria corrida, já que havia quase um mês que não calçava os tênis", diz o corredor de montanhas George Volpão, que completa: "Com o toró, foi embora tudo de ruim que habitava minha mente nesses dias anteriores. A real é que as quatro horas e 37 minutos que passei oficialmente na prova trouxeram uma série de sentimentos bons. Estava tão bom que deveria na verdade ter levado mais tempo..." (leia AQUI o texto completo).

Chegaram ao final 1.631 homens e 286 mulheres. Entre eles, pelo menos um correu descalço, como você pode ver AQUI. Os vencedores foram Claudir Rodrigues (2h20min12) e Jacqueline Jerotich Chebor (2h49min33).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h12

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Sobre a (falta de) ética no esporte

Apostas e doping

Tostão, atleta que deu muitas alegrias ao povo brasileiro e colunista brilhante, resumiu em sua crônica de hoje, na Folha, as diferenças entre o feijão e o sonho, o mundo real e o mundo ideal. As reflexões do grande astro foram motivadas pelo gol irregular que colocou a França na Copa e pelos recentes episódios de violência nos campos.

Em certa passagem mais dramática, ele afirma: "Escuto, desde criança, que o esporte é o lugar ideal para as pessoas aprenderem e desenvolverem os valores éticos. Isso nunca foi verdade no esporte de competição e de alto nível. O gol, com a ajuda da mão, que classificou a França para a Copa é mais um de dezenas de exemplos. Nesses lances especiais e decisivos, em que não há dúvidas, o quarto árbitro, com a ajuda da TV, deveria anular o gol. Na emoção de uma partida, os atletas, na busca por glória e dinheiro, pressionados para vencer, demonstram, em gestos automáticos, como o de Henry, ou conscientes, toda a desmedida ambição e toda a esperteza humana." (a crônica, na íntegra, está AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Imagino que essa "desmedida ambição" também pode ser a explicação para o uso do doping, que parece estar espalhado por todas as modalidades esportivas, enxovalhando as competições. Como saber se um resultado é verdadeiro ou não, se foi obtido com ajuda ilegal ou apenas com muito treino e dedicação? Ok, está crescendo o número de testes dentro e, mais importante, fora de competição; também é louvável o arquivamento de amostras para testes posteriores, pois sabemos que, nesse jogo de gato e rato, não poucas vezes os malfeitores estão à frente, do ponto de vista técnico e científico, da fiscalização antidoping.

A tal sede de dinheiro e poder também está na base de outros crimes, como os da internacional de apostadores que montou um esquema de manipulação de resultados, em um escândalo que atingiu a badalada Copa dos Campeões e a recém-criada Liga Europa (leia mais AQUI).

Isso só acontece, diga-se de passagem, porque a legislação européia permite esse tipo de jogatina, e as casas de aposta se imiscuem nos meandros do poder, como lembra um excelente texto do "New York Times", que diz: "Zara Phillips, bisneto da rainha Elizabeth II e 12º na linha de sucessão ao trono britânico, sagrou-se campeão mundial de hipismo cavalgando patrocinado pela empresa de apostas Cantor Index" (o texto completo, em iglês, está AQUI).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h37

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Corredor se dá mal em filme abestalhado

Falta de ar

Acabei de ver um daqueles filmecos de terceira categoria que a propaganda denomina de comédia romântica, mas que não passam de um amontado de previsíveis clichês (como essa expressão, aliás).

Chama-se "Amigos, Amigos, Mulheres à Parte", e a trama, se é que se pode chamar assim ao esqueleto da história, já foi vista de várias formas em muitos outros filmes, livros, desenhos animados etc: sujeito bonzinho, mas pouco atraente, é apaixonado por gostosona, que só o vê como amigo; para tentar mudar sua sorte, pede a ajuda de uma amigo, que vai mostrar para a garota como um sujeito pode ser realmente deplorável e o quanto ela está perdendo por não se entregar para o bonzinho. Resultado: a garota se apaixona pelo grossão, que acaba tendo uma queda romântica e também se apaixona por ela.

Isso nunca deveria estar registrado neste blog de respeito, não fosse o fato de que a tal garota, interpretada pela loiruda Kate Hudson, está treinando para a maratona de Nova York, onde o trio vive e trabalha.

Acorda às cinco da manhã, faz seu desjejum saudável e sai para treinar pelas ruas daquela maravilhosa cidade.

O que faz o bonzinho e simpático e saudável pretendente? Vai lá treinar com a dita cuja. Não só, como também chega à casa da menina levando café quente para completar o despertar antes dos quilômetros a dois...

Mas isso não adianta nada, como vai se ver ao longo da tal comédia, que tem de bom as belíssimas cenas de Nova York mostradas meio de revesgueio, como pano de fundo de rápidas cenas dos treinos de Kate Hudson.

Pois a garota também fica decepcionada, como seus dois pretendentes, e usa a corrida como válvula de escape.

Não só: os treinos são ponto de encontro entre ela e o grosseirão, que tenta reatar com ela enquanto faz o maior esforço para acompanhá-la por algumas centenas de metros. Mas ela é uma moça treinada, enquanto ele é um fumante, beberão e comedor de hambúrguer, que acaba sem ar e sem pernas, estatelado no parque enquanto ela segue o seu caminho.

Que haverá de dar voltas e mais voltas, como poderá comprovar quem tiver coragem, tempo e paciência para assistir a esse filme em uma tarde de chuva.

Ao fim e ao cabo, fiquei sem saber se, afinal, a menina correu ou não a maratona de Nova York. Mas não era o objetivo do filme fornecer essa valiosa infromação...

Bom, penei um bocado, mas achei um clipe com uma das cenas de corrida. Está aqui abaixo. Divirta-se.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18

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Explodem os preços da maratona de Bombinhas

Corredores protestam

Já não é de hoje que algumas provas, apresentando-se como diferenciadas, colocam os preços das inscrições lá nas alturas. O pior é que seus preços são progressivos, começando no alto, passando para o mais alto, chegando ao mais alto ainda e atingindo o topo das alturas...

O caso mais recente e que vou usar aqui como exemplo, mas que não é o único, é o da maratona de Bombinhas, corrida em trilha no maravilhoso litoral catarinense. Participei da primeira edição do evento, neste ano, que já foi bem caro, e fiquei abismado com a tabela de preços colocada no site da prova. Veja os valores para a inscrição para essa prova que está marcada para o dia 22 de maio próximo: 42Km:

Até o 15/11/2009: R$ 190

Até o 15/01/2010: R$ 230

Até o 15/03/2010: R$ 260

Até o 15/05/2010: R$ 290

42Km por equipes (por participante):

Até o 15/11/2009: R$ 140

Até o 15/01/2010: R$ 170

Até o 15/03/2010: R$ 190

Até o 15/05/2010: R$ 210

Obviamente os organizadores devem ter lá suas razões para essa progressão, mas a mim parece ser nada mais nada menos que o melhor negócio do mundo: uma valorização de mais de 52% em apenas seis meses!!!

Como seria de esperar, apesar de a prova ser para um número reduzido de pessoas, que necessariamente precisam ter recursos para viagens e estadia, a escalada de preços vem provocando protestos.

Na comunidade da prova no Orkut, o corredor Christian Gonçalves colocou um texto cheio de informações que, com a autorização do autor, reproduzo a seguir, com pequenos cortes (o original está AQUI):

"O valor de inscrição está muito alto!!!

"Inscrever-se uma semana antes da realização da prova e para isso desembolsar quase R$ 300, é muito dinheiro. Vamos a alguns comparativos:

"A organização da primeira edição não foi muito eficiente. Poucos postos de água, sinalização deficiente, camisas de baixa qualidade e um jantar servindo "frituras", e acompanhante pagando o valor alto de R$ 25.

"Comparando com outras provas do mesmo gênero: A 1ª Maratona Cross Country de Búzios está cobrando de inscrição R$ 120. Por que cobrar o dobro, ou quase o triplo, para o mesmo tipo de prova?

"O Desafio Praias e Trilhas tem o valor de R$ 250 para dois dias de prova (84 km). Excelente organização, postos de água a abastecimento com frutas, refrigerante etc.

"A Volta a Ilha, para fazer em dupla, investe-se em torno de R$ 300 para cada corredor percorrer 75 km e ter uma excelente organização."

O Christian também colocou seu texto no ar no grupo de discussões dos Marathon Maniacs na internet. Recebeu várias manifestações de apoio, e alguns corredores anunciaram boicote à prova. A tabela também provocou comentários como este: "Por esse preço, eu quero massagem a cada 5km e ainda feitas por loiras sósias da Luize Altenhoffen!".

Mas também houve quem, mesmo considerando alto o preço cobrado, afirmou ser contra o boicote. Reproduzo a seguir alguns trechos da mensagem do corredor, cujo nome não cito porque não cheguei a pedir sua autorização.

"Sou contra o boicote. Se a prova fosse ruim eu até entendia, mas não é o caso. Não achei a distribuição de água tão ruim assim. Tinha água de 5 em 5 km, como avisado. Se teve distância maior do que essa, eu não me lembro. Mas pode ter tido.

"Quanto ao preço, acho R$ 290 muito caro. Mas R$ 190 foi o preço inicial da corrida deste ano, e foi quanto paguei. Depois de um dia, que não me lembro qual era, passou para R$ 240. Já estou inscrito para o ano que vem.

"Infelizmente nas corridas acontece de se vender a inscrição em lotes. Até entendo mudar de preço uma vez, dando desconto para quem se inscreveu cedo. Mas não acho certo fazer em três ou quatro lotes.

"Recomendo a prova, e que corramos de camel-back, como informava o regulamento. Mesmo que garantam água, é melhor previnir do que remediar.

"Os erros dessa prova não foram mais graves do que muitos erros que já encontrei em provas do gênero. Por isso que boicote não é a palavra indicada para isso. Que se pague por uma prova o que se acha que ela vale. Eu acho que Bombinhas vale R$ 190, como valeu neste ano. Não deixarei de correr!"

Fica o registro das várias posições que vi na rede. E lembro que, a valer o regulamento da maratona da Bombinhas, neste momento, a mais de seis meses da data da prova, já não está disponível a inscrição por R$ 190. Neste ano, eu paguei esse mesmo valor dois meses antes da data da prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h21

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Confira calendário de provas em Santa Catarina

Criação de amador

O prezado leitor Nilton Generini, corredor de rua que vive na Santa e Bela Catarina, manda mensagem contando que está cansado de ter de procurar corridas e desafios em uma montoeira de sites.

Em vez de seguir reclamando da vida, resolveu ele mesmo propor uma solução. E criou um site em que está procurando colocar, sem discriminações em relação a quem promove o quê, uma superlista de corridas catarinenses.

A mim parece uma iniciativa bem legal, que também evidencia a carência que temos de um bom calendário nacional de corridas.

Mesmo aqui para São Paulo, em que supostamente há mais modernidade e recursos, qualquer um que procure uma prova tem de obrigatoriamente consultar pelo menos uns três sites.

Quem sai daqui encontra ainda mais dificuldade, pois a pequena quantidade de informações sobre provas nos demais Estados fica espalhada por muitos sites, desde os de prefeituras até o de organizadores de corridas ou clubes de corredores.

Bom, sem mais delongas, se você quiser dar uma olhada no site do Nilton, clique AQUI.

Para mais informações sobre corridas em Santa Catarina, outro bom endereço é este AQUI.

Aproveitando o ensejo, você pode também ver este site AQUI, que traz informações sobre corridas no interior de São Paulo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h34

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Corrida no Porto cativa pela beleza e velocidade

Além dos 10 km

Neste momento, trago para você, com absoluta exclusividade, o depoimento de meu colega MARCELO SAKATE, pauteiro da editoria de Economia. Corredor há pouco mais de três anos, ele acaba de estabelecer uma nova marca pessoal, correndo em um ritmo médio inferior a cinco minutos por quilômetro. O feito foi obtido em palco muito especial, a bela e acolhedora cidade do Porto, lá na pátria de Camões. Sem mais delongas, vamos ao texto de Sakate.

 

"Acostumado a participar apenas de provas de 10 km em São Paulo, escolhi uma competição no exterior para casar minhas férias com o desafio de aumentar a distância, depois de semanas de treinos que me habilitaram para isso. A escolha não poderia ter sido mais feliz: disputei a prova de 14 km dentro da sexta edição da Maratona do Porto, em Portugal, no último dia 8 de novembro.

A cidade, ao norte de Portugal, é berço da fundista Rosa Mota, campeã mundial (1987) e olímpica (1988) da maratona e seis vezes vencedora da nossa São Silvestre (1981 a 1986). Ela empresta o nome ao pavilhão onde foi entregue o kit da prova e onde houve um almoço de massa na véspera da prova.

No dia da prova, nem o frio (cerca de 12º C, com sensação térmica de alguns graus a menos devido ao vento constante) nem a leve chuva que caiu durante quase toda a manhã pareceram causar muita preocupação nos mais de 2.000 participantes das três modalidades (além da maratona e dos 14 km, ainda houve uma caminhada de 6 km). Uma diferença que pude notar em relação às corridas daqui de São Paulo foi um certo desapego a vestuário e acessórios de ponta, tais como tênis e camisetas das grandes marcas, relógios com ou sem frequencímetros e aparelhos de MP3.

Não que não houvesse atletas equipados. Mas chamou a atenção, por exemplo, a grande quantidade de colegas com camiseta de algodão, daquelas que encharcam de suor (e chuva) e demoram para secar. Cena pouco provável aqui em SP e impensável para mim, tenho que admitir, eu que sou dessa geração de corredores que se acostumou a tais itens de ponta.

O percurso no Porto é muito agradável. A prova de 14 km é disputada quase toda em largas avenidas, em uma parte não tão antiga da cidade, especialmente o bairro da Boavista.

Os 10 km iniciais são os mesmos da maratona e passam pela avenida à beira do oceano Atlântico. A maratona ainda inclui trajeto às margens do rio Douro, que corta a cidade, e sob a mais do que centenária ponte D. Luís I, um dos cartões-postais da cidade do Porto e que a liga à vizinha Vila Nova de Gaia.

O porém da prova de 14 km e da maratona é que deixam de fora o centro histórico. Suas ruas mais estreitas e tantas ladeiras, certamente, emprestariam muito mais charme a elas.

Até o dia da corrida do Porto, só havia percorrido distância superior a 10 km uma única vez na minha curta carreira de três anos e meio (em março passado, e havia quebrado devido ao calor). Por isso, planejava desta vez segurar o ritmo na primeira metade da prova ou até o km 10.

Mas tive de deixar de lado o planejado.

Após uma subida íngreme, mas curta (devia ter uns 300 m), logo na sequência da largada, encaramos um trecho plano e, depois do km 1, uma descida leve durante longos quilômetros. Chegava a ser constrangedor o quão fácil era a primeira metade da prova ou até um pouco depois, mas logo me lembrei de que grandes atletas disputam maratonas (planas) como a de Roterdã ou a de Berlim, obtêm marcas mundiais (caso do incrível etíope Hailé Gebrselassie) e nem por isso seus feitos são desmerecidos. Então decidi aproveitar.

A consequência é que, graças também ao clima propício, pude fazer tempos por km próximos aos que estou acostumado nas provas mais curtas. Na parte final, tivemos que devolver parte de tantas descidas, e os três quilômetros finais reservam uma constante (e também leve) subida. Mas havia poupado energia para esse sprint final e consegui alcançar um ritmo ainda mais forte. O resultado, ainda assim, me surpreendeu, pois consegui meu recorde pessoal (em ritmo por km): 1h09min36.

Terminei a prova satisfeitíssimo. E indico a Maratona do Porto para quem quiser obter marcas pessoais numa corrida na Europa, porque, além do tempo ameno nesta época do ano e do trajeto favorável, ainda existe a hospitalidade cativante dos portugueses para servir de atrativo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

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Saiba como é correr no meio do gelo

Entrando numa fria...

O Tadeu já tinha corrido na Antártida, mas parece que gostou do mundo gelado e resolveu pedir bis, agora do outro lado do planeta: acaba de correr a Maratona do Círculo Polar, na Groenlândia. Muito bacana, mas também bem complicado: "As pernas afundavam na neve quase até os joelhos", conta ele, que é economista, tem 44 anos, vive em São Paulo e tem por nome completo José tadeu Guglielmo.

Já correu pelo mundo todo, tanto que se apelida Maratona dos Sete Continentes --quando eu estudei geografia, lá nos confins do século passado, eram cinco, mas, para efeitos desse desafio, América do Sul e Antártida são consideradas continentes, ao lado de América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania.

Mas voltemos à história do Tadeu, que fez sua primeira corrida em 1995, a São Silvestre, e agora nos conta sobre essa maratona realizada em Kangerlussuaq, no dia 24 de outubro passado: "A prova começou às 9:40 com nove graus Celsius negativos. Nos primeiros quilômetros havia muita neve, entre o km 4 e o km 6 havia muito mais. Foi impossível correr, pois as pernas afundavam até perto dos joelhos. Do km 7 em diante, passamos a uma estrada de cascalhos coberta de neve em direção à cidade de Kangerlussuaq. No caminho corremos ao lado de um Glacier após parecia um deserto. Resumindo: o cenário é deslumbrante".

José Tadeu dá uma boa dica para quem se entusiasmar e resolver enfrentar essa aventura: use um tênis com cravos ou um acessório chamado Spiky Plus, que é adaptado ao solado do tênis e permite correr em locais escorregadios com maior segurança --a organização vende esse acessório no jantar de massas que acontece na véspera da prova. Mesmo assim, ele não é perfeito, como mostra o relato do brasileiro, que levou um tombão no km 9.

Além do acessório para o tênis, o corredor pode deixar reservas completas (com meias quentes e secas) nos km 7, 15 e 30.

Neste ano, apenas 62 corredores de 12 diferentes países para as duas provas (maratona e meia). "Tive a honra de ser o primeiro brasileiro a completar o percurso", diz José Tadeu.

O vencedor masculino foi o espanhol Francisco Sanches Pintor com o tempo de 3h14. Na prova feminina, a dinamarquesa Marianne Delcomyn, correndo em 3h41, bateu o recorde da prova.

O tempo estava bom, sem vento, e o céu estava coberto entre nuvens. Ao final da corrida, como se não bastasse todo aquele gelo em volta, estava nevando.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h47

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Treinadores lançam livros com dicas para correr melhor

A formação do corredor

Miguel Sarkis, um dos mais conhecidos treinadores de corrida de São Paulo, está lançando seu livro "A Construção do Corredor", em que afirma que "a corrida é uma condição natural que você deve explorar, com os limites permitidos para que nunca deixe de correr de maneira saudável e veloz". A sessão de autógrafos será hoje, a partir das 18h30, na livraria Saraiva do shopping Higienópolis.

O livro é dividido em duas partes, sendo a primeira mais volta para iniciantes e a segundo dirigida a quem busca alto desempenho. "O leitor poderá apreciar assuntos específicos sobre como planejar e realizar um programa de treinamento de corrida", afirma o autor.

O trabalho de Sarkis é o mais recente de uma leva de livros didáticos lançados por treinadores de corrida famosos.

Na semana passada, Mario Sergio Andrade Silva autografou sua obra "Corra - Guia Completo de Corrida, Treino e Qualidade de Vida". Além de dicas específicas para orientar o treinamento, o livro traz um capítulo com um pouco da história da corrida de rua no Brasil e tem uma área com informações especiais para as corredoras.

E também está chegando às livrarias a segunda edição do livro de Marcos Paulo Reis, "Programa de Caminhada e Corrida". Assinado ainda pelos treinadores Emerson Gomes e Fabio Rosa, o livro se apresenta como "o programa best-seller para você entrar em forma e ganhar saúde em apenas 16 semanas".

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h36

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Ruas de Havana abrigam maratona

Festa no Malecón

 

Corredores passam por uma bandeira cubana durante a maratona Marabana, realizada ontem em Havana. O percurso também percorreu o Malecón, famoso passeio público à beira-mar, abaixo (fotos Reuters).

Mais de 2.500 corredores participaram do evento, que chegou à sua 23ª edição. O trajeto passa por ruas do centro velho da capital cubana, o bairro conhecido como Havana Vieja. E o calor forte não desanimou corredores como essa mãe, que levou a criança, de carrinho, para percorrer os 42.195 metros (foto Efe).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h01

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Maratona é coisa de mulher

Russa brilha no Japão

 

Cresce a oferta de provas de longa distância exclusivamente para mulheres. No último domingo, elas foram para o asfalto em Yokohama, no Japão, para o debute de mais uma corrida do gênero. E queimaram o chão, como mostra o desempenho do pelotão acima (AP).

 

Aos homens, só restou admirar as corredoras. E alguns, como o sujeito da foto AP, resolveram fazê-lo em grande estilo.

Ao final, ào Japão restou festejar o segundo lugar, pois o posto mais alto do pódio ficou com a russa Inga Abitova (Reuters), que assumiu a ponto no km 30 e se foi embora sem desafiante, concluindo em 2h27min18, com folga de cerca de 500 metros sobre a segunda colocada, Kiyoko Shimahara (2h28min51). Dona da prata olímpica, a queniana Catherine Ndereba fechou o pódio com 2h29min13.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h57

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Caminhada no frio contra o câncer de mama

De rosa no parque

 

Nevou na véspera, mas, no dia da prova, fez até sol sobre Pequim, apesar da temperatura subzero e das rajadas de vento gelado de até 25 km/h. Era um dia típico de inverno ensolarado no Chaoyang Park, que foi a sede do vôlei de praia na Olimpíada de 2008 e ontem recebeu a Caminhada Contra o Cancêr de Mama.

O evento teve a participação de cerca de 1.800 caminhantes, que também assistiram a performances de artistas: o palco foi comandando pelo apresentador da TV chinesa DaiJun, que dividiu as atenções com figuras do cinema e da TV locais. Também houve shows de grupos de danças, animando os caminhantes, que vestiram cachecóis rosa (foto Divulgação), cor da campanha de prevenção do câncer de mama.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h21

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Saiba quem ganhou a promoção do "+Corrida"

Boas perguntas

Antes de mais nada, quero agradecer a você e a todos os leitores que mandaram perguntas, participando da promoção de aniversário deste blog e da coluna coirmã editada mensalmente no caderno Equilíbrio, da Folha.

Foram algumas centenas de questões, uma mais interessante que a outra, deixando em dificuldades o pessoal da Livraria da Folha encarregado de fazer a seleção.

No final das contas, apenas cinco chegam ao pódio e recebem de presente um exemplar do livro "+Corrida", que acabo de lançar. Mas todos os participantes são vencedores, ganhando um desconto especial da Livraria da Folha para comprar o "+Corrida".

Dito isso, vamos aos perguntadores escolhidos, que apresento em ordem alfabética.

Claudia Kamiyama Kiohara, de São José dos Campos

Eder Mastrodomenico, de São Bernardo do Campo

Evelise Paulis, de São Paulo

Kahtia Menezes dos Santos, de São Paulo

Luis Augusto Vasconcellos, de Itapevi

Antes que alguém grite "marmelada!", vou logo avisando que conheço o Luis há alguns anos, pois ele faz parte da equipe Nossa Turma. E lembro que não participei em nenhuma etapa do processo de seleção.

As perguntas deles e as minhas respostas foram apresentadas em um vídeo, que você pode conferir AQUI.

Eu recebi todas as demais questões e vou publicar respostas aos poucos, tanto neste blog quanto na coluna.

De novo, muito obrigado a você e a todos os participantes da promoção. Espero que tenham se divertido e que gostem do livro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h20

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Treinador brasileiro organiza na China corrida contra o câncer

Responsabilidade social

Sob um frio de lascar, talvez até com neve, um paulista de Santos vai estar no próximo sábado à frente de uma corrida e caminhada em Pequim. Será o segundo evento organizado na China pela Shanghai Infinitum Sports, que tem como um de seus sócios o treinador brasileiro Marco Antonio de Oliveira, que já por várias vezes dirigiu a equipe brasileira de maratonistas e ultras em eventos internacionais.

A primeira corrida resultante do trabalho da Infinitum ocorreu no dia 31 de outubro, no Pudong Century Park, em Xangai. A Corrida e Caminhada contra Câncer de Mama foi realizada em parceria com a China Breast Cancer Foundation e teve a participação de cerca de 1.300 pessoas, que vestiram o rosa da solidariedade (tradução livre do slogan do evento, que originalmente tem uma certa rima: "think pink for charity"). Veja fotos AQUI.

Agora, a empresa leva a Pequim seu programa de divulgação da campanha contra a doença e, principalmente, de divulgação de estilo de vida saudável.

Eu conversei por e-mail com Marcão, que atua no mundo das corridas desde 1981 e já treinou atletas de elite como Angélica de Almeida, a primeira brasileira a participar da maratona no Mundial de atletismo, e pangarés como este blogueiro. Vamos às perguntas e respostas.

+Corrida - O que foi o evento em Xangai?

Marco Antonio Oliveira - Foi um grande desafio para a Infinitum. A China Breast Cancer Foundation acreditou na nossa proposta, de divulgação de saúde, e acabou sendo nossa parceira e cliente e cliente ao mesmo tempo. A proposta primária é desenvolver a conscientização e informar a população participante sobre a importância da prevenção como forma de combater o câncer de mama. As ações de saúde preventiva aplicadas no evento, durante e depois da corrida e caminhada, foram um diferencial. Muitas empresas multinacionais são parceiras da CNBCF e isso também facilitou nosso planejamento comercial.

+Corrida - Quantas pessoas participaram?

Marco Antonio Oliveira - Largaram um pouco mais de 1.300. As mulheres eram mais da metade. Além disso, diferentemente do que ocrre em outras corridas aqui em Xangai, a presença estrangeira foi marcante. Uma parte da comunidade brasileira também marcou presença. Em Xangai, há cerca de 900 brasileiros. Depois da corrida e caminhada, tivemos shows (veja fotos AQUI) e apresentações especificas de ações preventivas nas áreas de primeiros socorros e ambiental.

+Corrida - Quais as dificuldades de organizar eventos na China?

Marco Antonio Oliveira - Nada muito diferente de São Paulo, mas é necessário que você conheça a legislação chinesa nas áreas trabalhista e tributária. Fale pelo menos mandarim e inglês, e é necessário um capital inicial mínimo de US$ 250 mil , que é o exigido para abrir uma empresa de personal training e organização de corridas e eventos em Xangai. Sim, há o famoso choque cultural, mas isso já faz parte da dificuldade. Se você não vem preparado para isso, não consegue nem organizar uma churrascada para os amigos no seu condomínio.

+Corrida - Quais os próximos passos da empresa?

Marco Antonio Oliveira - No próximo sábado (14nov), no Chaoyang Park, em Pequim, provavelmente sob neve, será realizado o nosso segundo evento. Estamos com proposta da própria China Breast Cancer Foundation de realizar eventos em mais dez cidades da China em 2010. Também estamos disputando uma concorrência para organizar um evento de corrida na Shanghai Word Expo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h13

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Conheça os números da maior maratona da história

New York, New York

Este post deveria ser ouvido ao som de Liza Minelli ou Frank Sinatra; se você não tiver nenhum dos dois disponíveis no momento, imagine a canção enquanto lê os números que dão à mais recente edição da maratona de Nova York o título de maior maratona da história.

Na largada, 43.741 pessoas se alinharam para iniciar o trajeto; menos de 1% parou no difícil percurso, pois o evento registrou 43.475 concluintes, ou 99,4% dos que largaram. A prova recordista até então havia sido a própria maratona de NYC, que registrara 38.607 concluintes em sua edição de 2007.

Entre os corredores, havia representantes de todos os Estados norte-americanos (mais Washington DC, Porto Rico e Guam) e de um total de 110 países _a Itália teve a maior presença, com 3.093 concluintes.

A prova distribuiu um total de US$ 800 mil em prêmios, e corredores que participaram levantando fundos para obras de caridade arrecadaram um total de US$ 24 milhões.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h56

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Cross é disputado em parque arqueológico

Homenagem aos antepassados

Marcando o início da temporada de cross country na Europa, foi realizado no domingo uma prova em um parque temático que ressalta as descobertas arqueológicas em Atapuerca, na Espanha.

A região é um importante sítio arqueológico: contém a maior coleção de fósseis humanos do mundo. "Os cientistas registraram cerca de 4.500 restos de homínidos que compõem o 90% das descobertas euroasiáticas", segundo este site AQUI.

Os corredores passaram por instalações alusivas ao tema, como mostra essa imagem da Reuters em que o etíope Gebre-egziabher Gebremariam toma a frente do pelotão que lidera a prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h40

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Maratonista das águas fala de suas conquistas

Poliana, 26, campeã do mundo

 

Maratona, para mim, tem 42.195 metros e pronto. Mas não é assim que o mundo vê, e mesmo organizadores de corridas falam em maratonas de 10 km e outras coisas do gênero. Pois há maratona de teatro, de cinema, de jogos de futebol e há também maratonas na água, que já é até uma modalidade olímpica.

E o Brasil, que já deu ao mundo talentos como Ronaldo da Costa e Vanderlei Cordeiro de Lima, especialistas nas provas do asfalto, tem agora uma estrela dos mares. É Poliana Okimoto, uma jovem paulistana que acaba de conquistar a Copa do Mundo de maratonas aquáticas. Nesta entrevista, realizada em São Paulo pouco depois da última vitória da atleta, em Dubai, Poliana explica como é a Copa, fala de suas conquistas, sonhos e emoções.

+Corrida - O que é a Copa do Mundo de maratonas aquáticas?

Poliana Okimoto - É um campeonato mundial dividido em várias etapas, todas de provas de 10 km. Neste ano, foram 12 etapas e eu participei de 11 dessas 12.

+Corrida - Dessas, qual foi a pior e qual a melhor?

Poliana - Acho que as mais concorridas foram as duas últimas, com mais gente, muita gente de peso. A pior, em organização, eu acho que foi a etapa de Nova York, nos Estados Unidos.

+Corrida - A pior por quê?

Poliana - A organização da prova foi horrível. A gente chegou aos Estados Unidos em uma época em que os hotéis estavam cheios, por tinha o US Open de tênis. Ficamos alojados num albergue e não é um local agradável. O circuito da prova foi no pior mar que a gente podia pegar. Foi um dos mares mais agitados que eu já nadei. No congresso técnico, que é onde a gente coloca todos os problemas que podem acontecer na prova, eles não ouviram os atletas, não ouviram os técnicos, foi uma confusão. Foi uma prova que eu nadei bem, ganhei. Ganhar a prova no dia do Brazilian Day, de Nova York, foi muito legal, mas a organização da prova não foi boa.

+Corrida - E a melhor?

Poliana - A melhor prova, a que eu guardo com carinho foi a prova de Portugal. Foi a primeira prova que eu venci no ano, e a organização da prova foi excelente. Foi em condições totalmente adversas para mim, o mar estava muito frio e tinha muita marola, então eu me superei muito ali naquela prova. Achei que não ia conseguir vencer, mas venci. Foi ali que eu comecei a sonhar com ganhar o Circuito Mundial. E essa prova me deu mais confiança para o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, onde eu fui bronze nos 5 km. Então, essa prova foi a prova chave do meu ano.

+Corrida - Maratonista das águas escolhe prova? Há quem goste mais de mar mexido e quem só nade em águas calmas?

Poliana - Antigamente, eu tinha muito medo de nadar no mar agitado ou num mar frio, porque eu sou muito magra [NR.: 1,68 m, 45 kg], então eu sinto muito o mar frio e não tenho muita massa muscular, então eu também sinto muito para passar nas ondas. Quem é um pouquinho mais gordo e tem uma massa muscular maior que a minha, vai ultrapassar as ondas mais facilmente e vai suportar o frio mais fácil do que eu. São essas as características que a gente consegue definir antes da prova, mas uma prova de maratona clássica é totalmente misteriosa, a gente nunca sabe quem vai ganhar. A gente nunca sabe o que pode acontecer durante uma prova. O contato físico é muito grande. Uma cotovelada que você leve no meio da prova, que você fique sem ar, você vai lá para o último e não consegue ter um rendimento tão bom na prova.

+Corrida - Contato físico na largada ou na prova inteira?

Poliana - Na prova inteira, desde a largada até a última braçada. Pontapé, cotovelada, eu já tive um tímpano perfurado, tive que fazer cirurgia para a reconstrução do tímpano.

+Corrida - Como isso aconteceu?

Poliana - Foi em 2006, na minha primeira participação em campeonato mundial. Eu estava totalmente crua, não sabia direito o que acontecia e, na largada, eu tomei uma cotovelada no ouvido. Fiquei totalmente zonza, tonta, não sabia direito se eu continuava, se eu parava... Fui lá para o último trigésimo, quadragésimo, até eu conseguir retomar meus pensamentos e saber o que eu tinha que fazer. Eu queria muito participar desse campeonato mundial e queria muito ganhar uma medalha. Eu já tinha ganhado uma medalha de prata nos 5 km. Então, nos 10 km eu já fui mais visada, as pessoas na largada já me olharam diferente. Mas continuei a nadar, consegui buscar as primeiras colocada e fiquei em segundo. Depois fiquei sabendo que tinha perfurado um quarto do tímpano. Tive que fazer cirurgia, fiquei dois meses fora de treino, quatro meses fora de competição. É sempre um risco quando você entra para um prova, justamente, por isso, pelo contato físico intenso que tem durante a prova.

+Corrida - Como é essa história de olhar diferente? Como é que você se olham antes da prova? Você marca atletas para acompanhar?

Poliana - No Circuito Mundial, você passa a conhecer os seus adversários. Isso é muito importante na hora da prova: saber quem está do teu lado, quem está atrás, a característica de cada um. Saber que uma pessoa está lá atrás, mas depois vai puxar, ou que aquela menina que está puxando não vai aguentar, é melhor não ir atrás dela... Quando a gente entra para a prova, já vai mirando, já vai visando quem é mais ou menos as suas adversárias naquela prova.

+Corrida - E o que você vê na água, em que mira?

Poliana - A touca ou o maiô.

+Corrida - Em duas provas, você saiu do final do 14º para a vitória. Como é que é essa arrancada? Você já treina para isso?

Poliana - Cada prova é uma prova. Já tive provas em que eu me senti muito mal no meio da prova e fiquei lá atrás, porque, realmente, eu não estava bem e, de repente, faltando alguns metros para a chegada, aquela vontade é o que determina, e já teve provas que, realmente, foi essa a tática de tentar ficar num bolo atrás e depois de alguns quilômetros tentar ir para a frente.

+Corrida - Na maratona, em geral o cara que começa puxando não é quem vence. É assim também na maratona aquática?

Poliana - Não. Geralmente, as primeiras que ficam ali na briga durante a prova toda são as que chegam em primeiro. É muito difícil uma que estava lá em trigésimo chegar entre as primeiras. Até porque nadar com muita gente do lado é difícil, você tem que fazer o dobro de força para passar todo mundo. Não sei como é na maratona de rua, mas, como todo mundo nada junto, você tem que se matar para tentar passar todo mundo. E, você não tem espaço para tentar passar todo mundo e você não tem espaço para nadar por fora. Então, é muito difícil sair de lá detrás para ir lá para a frente. O que a gente vê é que todo mundo tenta nadar entre as primeiras e reveza ali a liderança. Nunca é uma pessoa só que lidera a prova, sempre lidera ali um pouco e, no fim, ali nos últimos dois quilômetros é ali que o pessoal força mais o ritmo e é ali que vão sendo definidas as primeiras colocações.

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h38

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Continuação da entrevista com Poliana Okimoto

Primeiros passos

+Corrida - E como você chegou à maratona? Você começou a nada ainda bebê, não é?

Poliana - Comecei com dois anos. Comecei porque minha mãe tinha muito medo de mar, que os filhos se afogassem, e colocou eu e meu irmão mais velho para nadar. E com sete anos entrei no treinamento. Eu era horrível. Era uma das últimas a chegar, porque na época só tinha provas de 50 metros e cem metros. A partir do momento que começaram as provas mais longas, 400, 800, 1.500 metros, eu comecei a me destacar.

+Corrida - Mas isso já adolescente?

Poliana - Isso já com 12 anos. Com 13 anos, eu ganhei uma medalha do Troféu Brasil, fui uma das mais jovens atletas a ganhar uma medalha de Campeonato Absoluto Brasileiro. Com 14, 15, 16 anos, ganhei Troféu Brasil, bati recorde brasileiro, sul-americano, participei de campeonatos mundiais, tudo em piscina. Em 2005, fiz minha primeira travessia, que foi a Travessia do Forte, no Rio de Janeiro, incentivada pelo meu treinador, que é meu marido. Um ano antes ele tinha visto essa travessia pela TV e me disse: "O ano que vem você vai estar lá".

Eu morria de medo de nadar no mar. Um dia antes da prova fui nadar no mar, não consegui nadar, saí chorando, não sabia se ia competir. Mas na hora eu fui, nadei superbem, consegui nadar no mar. Bati o recorde da prova.

Um mês antes dessa prova foi anunciado que a Maratona Aquática ia entrar nos Jogos Pan-Americanos e na Olimpíada. Isso me motivou muito a olhar a Maratona com outros olhos, até porque meu técnico sempre dizia que quanto mais longa fosse a prova melhor eu me sairia.

Em 2006, a gente começou a fazer o Circuito Brasileiro para tentar ver se eu conseguia perder aquele medo. Fiz todas as provas do Circuito Brasileiro, tive a minha primeira participação no Campeonato Mundial e ganhei duas medalhas de prata. A partir de então, a Maratona Aquática passou a ser a minha prova. Em 2007, fui prata nos Jogos Pan-Americanos. Em 2008, teve a Olimpíada. E, neste ano, o Mundial...

+Corrida - Você tinha medo de quê?

Poliana - Eu tinha muito medo de nadar no mar, achando que os animais poderiam me atacar. Além do que as provas de maratonas são infinitamente diferentes das de piscina, pois temos que enfrentar a natureza, o mar em diversas condições climáticas (frio, muito quente, calmo ou revolto) e existe o contato físico muito grande com outras atletas

+Corrida - Hoje você vive da natação?

Poliana - Hoje, minha profissão é ser atleta de natação. Meu dia é 100% natação. Eu acordo, treino, como, durmo pensando nos meus treinos, pensando nas provas, pensando na natação.

+Corrida - Você treina quantas horas por dia?

Poliana - São dois treinos diários, mais ou menos duas horas e meia, tem treino que é um pouco mais longo, três horas. Aos sábados sempre, alguns domingos também. Feriado nunca tenho. Carnaval nunca tenho. Férias é às vezes só uma semana, duas de férias. No Natal, a gente tem que treinar porque o Circuito Mundial começa em janeiro. Então não dá para parar, tem que estar sempre treinando. É uma rotina meio intensa.

+Corrida - Como são os treinos? Imagino que, como na maratona, tenha os longões, os treinos de ritmo... Você corre fora dá água também?

Poliana - Quando estou em pré temporada, faço alguns minutos de corrida, mas nunca participei de nenhuma prova. Já os meus pais são corredores, não profissionais, mas gostam muito de correr e participam de varias provas em São Paulo. Mas, na piscina, eu faço todo tipo de treino. Dependendo da época, tem volume maior, dependendo da época tem intensidade maior. A gente treina um pouco de velocidade. Eu ainda nado em piscina. Neste ano, no Troféu José Finkel, eu ganhei os 800, depois do brasileiro. Então, eu ainda treino ritmo...

+Corrida - Para você, ainda tem graça nadar em piscina?

Poliana - Olha, é muito rápido, mas é diferente. Eu gosto muito de nadar, não me importa aonde, mas maratona hoje é minha prática maior. Eu adoro fazer maratona.

+Corrida - Por quê? O que a maratona tem de especial?

Poliana - Ela é apaixonante porque envolve todos os públicos. Uma criança de dez anos, um senhor de 80, 60 anos pode estar nadando com a gente no circuito Brasileiro, no circuito Paulista. Na maratona, cada prova é uma prova diferente. Você chega para a prova muito adrenalizado e, quando você sai, é sempre uma vitória, porque é uma prova muito extenuante. Há o contato físico, as condições da natureza, tudo isso que envolve a Maratona Aquática, quando você sai da prova você sai se sentindo bem, se sentindo uma pessoa mais forte, uma pessoa vencedora, mesmo que você não tenha ganho a prova. Você se sente vencedor só por ter terminado uma prova de 10 km e até hoje todas as provas que eu faço, eu saio assim, independente do resultado que eu tenha. É viciante.

+Corrida - Por causa desse vício você já chegou a uma Olimpíada. Como o Brasil pode ter outras Polianas no Rio-2016?

Poliana - Eu acho que o Brasil tem muitas condições. Neste último Campeonato Mundial, a gente teve em várias finais. Várias pessoas quase pegando medalha. Perdeu por uma batida de mão, por uma saída ruim, uma chegada ruim. Muito feminino melhorando. Antigamente, a gente tinha uma ou duas nadadoras participando de uma Olimpíada. Hoje, a gente tem várias nadadoras pegando finais, pegando uma semifinal, isso é muito bom para a natação.

A gente tem sete anos de trabalho pela frente. Dá tempo de fazer muita coisa. O Cielo, com essa medalha de ouro olímpica, levou para a natação muitos jovens, que se espelham nele. Acredito que eu possa também ajudar a Maratona Aquática com esse Mundial. Acho que, no Rio de Janeiro, a gente vai ter muito mais atletas, novos talentos surgindo, e esses que já estão formados ainda poderão nadar no Rio-2016. Dá tempo de a gente fazer uma equipe legal.

+Corrida - A natação sempre foi um esporte elitista. O que fazer para mudar isso? Ou o melhor é não mudar?

Poliana - Acho que a natação está se democratizando cada vez mais. Antigamente, realmente, era mais difícil a gente encontrar nadadores mais pobres, mas hoje é muito mais fácil, porque os clubes estão muito abertos. Você não precisa mais ser sócio de um clube para começar a nadar. A natação cresceu tanto, tomou um vulto tão grande, que você não precisa só de um clube para conseguir aprender a nadar. Tem profissionais no Brasil muito bons, muito capacitados, que ensinam a criança a nadar bem, e é um trabalho de base mesmo. A Maratona Aquática é um esporte totalmente democrático, que não precisa nem de uma piscina para você aprender a nadar, você pode aprender a nadar no mar. O Luís Lima está fazendo um projeto muito bonito lá no Rio de Janeiro. Ele ensina a nadar no mar de Copacabana. Tem outro projeto em Maceió, em que também eles fazem esse nado no mar, no rio. Então, é a soma disso tudo que faz a natação crescer cada vez mais.

+Corrida - E você? Como você vê a sua trajetória daqui para a frente?

Poliana - O objetivo maior é Londres 2012, que é o que está mais perto. A medalha Olímpica é o sonho maior do atleta e é meu sonho maior. Já conquistei as medalhas de Campeonatos Mundiais de Maratona, Mundial de Esportes Aquáticos, do Circuito Mundial, agora falta a medalha Olímpica e vou lutar por essa medalha.

+Corrida - E o Rio?

Poliana - Eu quero muito estar nessa Olimpíada, eu vou estar com 33 anos. É totalmente real para mim, para a Maratona Aquática, que é um esporte em que o tempo dá um lastro maior para o atleta. A Angela Maurer, da Alemanha, foi vice-campeã do Circuito, foi campeã nos 25 km no Mundial de Esportes Aquáticos de Roma. Ela tem 35 anos e é uma atleta totalmente competitiva. Eu me espelho nela, acho que consigo chegar lá competitiva, e é meu objetivo estar nessas duas Olimpíadas.

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Escrito por Rodolfo Lucena às 19h28

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Blog faz aniversário e presenteia leitores com "+Corrida"

Pergunte e ganhe

A edição da Folha desta quinta-feira marca o terceiro aniversário de minha coluna no caderno Equilíbrio e deste blog.

Quero agradecer a você e a todos os leitores, entrevistados e comentaristas que visitam este espaço. Vocês ajudam a tornar mais vivo este blog, que até rendeu um fruto bem gostoso (pelo menos, eu acho), o livro "+Corrida", que já está lutando pela vinda neste mundão velho sem porteira.

Pois neste momento de festa o presente vai para você, leitor, corredor, amigo internauta.

Infelizmente, não é possível presentear cada um, mas cinco internautas vão levar a lembrança do "+Corrida". Para isso, é preciso participar de uma promoção organizada pela Livraria da Folha.

Funciona assim: até a próxima terça-feira, dia 10, às 18h, você pode mandar perguntas para este blogueiro, jornalista, escritor, gremista e cachorreiro. A Livraria da Folha vai selecionar cinco perguntas, e a entrevista será publicada na Livraria da Folha e na Folha Online, na próxima sexta-feira (13).

Os cincos internautas cujas perguntas forem escolhidas ganharão um exemplar do livro autografado. Todos os outros participantes receberão um cupom de 15% de desconto para compra do "+Corrida" na Livraria da Folha.

Os selecionados terão o nome publicado na reportagem e receberão o aviso pelo e-mail informado no formulário. Os livros serão enviados para o endereço indicado pelos leitores.

Para mandar sua pergunta, confira o regulamento e preencha o formulário clicando AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h59

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Brasileiro completa travessia dos EUA

700 cidades, 5.000 km

O ultramaratonista Carlos Dias já prepara seu regresso ao Brasil depois de completar a travessia dos Estados Unidos de leste a oeste.

Ele começou o desafio, que tinha como objetivo arrecadar fundos para o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), no dia 5 de setembro, em Nova York.

De lá para cá, cruzou mais de 700 cidades, percorrendo cerca de 5.000 km, sempre acompanhado pelo seu fiel escudeiro, o ciclista Francisco da Silva. O término da jornada foi ontem, quando finalmente a dupla chegou à ponte Golden Gate, em San Francisco.

Ao longo do caminho, enfrentaram as mais diversas dificuldades, calor e frio intensos, além da chuva. Em alguns períodos, chegaram a correr e caminhar 20 horas por dia para completar a etapa proposta.

Carlos Dias é um especialista em desafios de longa distância. Ele já cruzou o Brasil do Oiapoque ao Chuí e participou de provas em quatro grandes desertos do planeta --Gobi (China), Saara (Egito), Antártida (Pólo Sul) e Atacama (Chile). Pela conclusão destes desafios, entrou duas vezes para o Livro dos Recordes Brasileiros.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h47

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Gorilas correm por dinheiro e pelo Guiness

Fantasia e benemerência

 

A festa de Halloween mobiliza norte-americanos para bailes de fantasia com o pessoal se vestindo de bruxas, leva crianças às ruas para pedir doces, ameaçando com travessuras quem não participar da brincadeira, e também tem uma corrida à fantasia.

Uma fantasia muito especial, de gorila, é a vestimenta de todos que participam da Denver Gorilla Run, uma prova divertida para arrecadar dinheiro para um projeto de defesa desses animais, o Fundo de Preservação dos Gorilas das Montanhas (eles já foram até tema de filme).

Pois a corrida de agora provocou o maior auê e não só levantou uma boa grana como também entrou para o Guiness, o Livro dos Recordes, como a prova com maior número de corredores fantasiados de gorilas... Foram 1.061 participantes que correram pouco mais de 5 km vestidos a caráter.

E gastaram direitinho, pois a inscrição para novatos custava quase US$ 100, mas dava direito à fantasia.

Veja abaixo um vídeo da largada.

 

object width="560" height="340">Este aqui também é legal:

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h21

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Cenas da Maratona de Nova York

Joan, 52, recordista

 

A norte-americana Joan Benoit Samuelson correu ontem em Nova York para celebrar os 25 anos da primeira maratona olímpica feminina, realizada em Los Angeles e vencida por ela mesma, que então estabeleceu novo recorde mundial.

Pois agora, aos 52 anos, continua rompendo marcas: correu em 2h49min09, derrubando um tempo estabelecido há 16 anos, por S. Rae Baymiller, que correu a prova em 2h53min53 em 1993.

Joan ficou a apenas um segundo do recorde norte-americano para a categoria, que é dela mesma. Terminou a prova no 17º posto entre as mulheres.

Entre os homens, o piauiense José Teles foi o brasileiro mais bem colocado. Um representantes do país em Pequim-08, teles completou em 2h17min28, chegando em 16º lugar na sua primeira participação em Nova York. Os vencedores, como você sabe, foram Derartu Tulu, da Etiópia, e o norte-americano Meb Keflezighi, que posam como reis de Nova York, no topo do Empire State.

Mas a alegria da prova é feita pelas dezenas de milçhares de participantes, que enchem de cores a cidade que nunca dorme. Na largada, a multidão produz belíssimas imagens na ponte Verrazano. E, ao longo do percurso, corredores fantasiados divertem o público e mandam seu recado, como o francês Michel Bach, que corre com um pedaço de Paris nas costas.

Fotos AP

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17

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Vencedora de Nova York cuida de seis filhos

Momento de superação

A vencedora da prova feminina, Derartu Tulu, disse que a vitória na Maratona de Nova York teve um valor especial em sua carreira e marca a superação para retornar à forma após se tornar mãe pela segunda vez, segundo relato da repórter JANAÍNA LAGE, direto de Nova York, especial para este blog.

Aos 37 anos, a etíope Tulu chegou a ficar afastada do esporte por um período depois de ter sua segunda filha, hoje com três anos. Ela disse que passou momentos difíceis até recuperar o condicionamento físico e se livrar dos 18 quilos que engordou durante a gravidez.

O resultado da prova feminina mostra que este foi um ano de vitória para as corredoras mais experientes. Das dez primeiras colocadas, oito têm mais de 30 anos.

Tulu disse que veio para Nova York sem a expectativa de vencer a prova, mas que se considerava "uma forte competidora".

A primeira grande vitória da corredora foi na prova de mil metros na Olimpíada de Barcelona, em 1992. Ela comparou os dois resultados. "Quando corri em Barcelona apenas treinei, competi e venci. Não tinha grandes expetativas ou muita noção. Não tinha consciência de ser uma atleta da Etiópia alcançando esse resultado. Depois disso, tentei repetir o desempenho em Atlanta e não consegui, mas consegui depois em Sydney. Agora estou muito mais velha, tenho 37 anos, duas filhas e fiquei fora do esporte por um tempo. Ter sido capaz de voltar e conquistar isso me mostra o que é possível fazer se você trabalha duro e é determinada. Espero ser capaz de voltar em Londres", disse.

Além das duas filhas, de 11 e três anos, Tulu ainda tem quatro filhos de criação. Depois de ter sua segunda filha, Tulu participou de duas competições com tempo de 2h36 minutos e de uma com 2h34 minutos, o que a fez desconfiar de sua capacidade de recuperação. Na prova de hoje, ela venceu com 2h28 minutos e 52 segundos.

Tulu disse que ficou decepcionada pela atleta Paula Radcliffe, da Grã-Bretanha, favorita para a prova, ter ficado para trás. "Durante o percurso, disse para ela: ‘Vamos lá, vamos lá’, mas estava claro que ela estava enfrentando dificuldades", disse.

Radcliffe já havia vencido a Maratona de Nova York três vezes, mas desta vez encerrou a prova em quarto lugar, sentindo muita dor e chorando. Em entrevista após a corrida, a britânica, que é dona do recorde mundial da maratona, comentou que sentiu uma dor muito forte na perna esquerda e que tentou se convencer até o último minuto de que poderia vencer. Ela citou ainda o momento em que ouviu palavras de apoio da vencedora. "Essa é a Derartu. Ela é adorável. Sabia que eu estava sentindo dor quando atravessamos a Queensboro Bridge. Ela correu junto comigo e disse: vamos lá, vamos lá, a gente consegue. Mesmo quando as outras dispararam, ela ainda ficou um tempo junto comigo", disse.

A francesa Christelle Daunay terminou a prova em terceiro lugar e disse ter ficado satisfeita com a colocação. Ela chegou a assumir a liderança em alguns momentos da prova, mas não conseguiu manter o ritmo. "Vim para vencer, mas as minhas adversárias foram melhores", disse.

Americanos dominam prova masculina

A corrida masculina deste ano foi, sem dúvida, dos americanos. Seis dos dez primeiros colocados são dos EUA. O vencedor, Meb Keflezighi, era o único com a sigla do país impressa na camisa. Curiosamente, ele é nascido na Eritreia e se naturalizou americano em 1998. Keflezighi foi o primeiro americano a vencer a competição desde 1982, quando Alberto Salazear, também naturalizado, venceu a prova.

Logo após a linha de chegada, os americanos posaram juntos para fotografia enrolados na bandeira. Keflezighi disse que o país deu a ele todas as oportunidades em educação, esporte e estilo de vida.

Em entrevista após a vitória, disse que a união da equipe ajudou no resultado. O quarto colocado, Ryan Hall, que era tido como a maior promessa de subida ao pódio pelos americanos, disse que vê Keflezighi como um irmão mais velho e que ele mereceu a vitória. Lamentou, no entanto, a quarta colocação dizendo que avaliava estar mais bem preparado e que estava decepcionado consigo mesmo.

Já o corredor Jorge Torres, americano que participava da competição pela primeira vez e que ficou com o sétimo lugar, disse estar tranquilo com a colocação. "É uma corrida longa. Estou todo dolorido, mas a sensação final é muito boa", disse.

Keflezigui disse que sempre se visualizou como vencedor e que desde 2002 sonhava com a vitória na Maratona de Nova York, mas que naquela época tudo parecia ainda uma meta difícil de alcançar. "A grande maçã foi bondosa comigo. O segredo é visualizar, visualizar e visualizar", disse.

O vencedor fez questão de homenagear o amigo Ryan Shay, que morreu no Central Park enquanto corria em 2007. "Chorei pela memória de Ryan Shay", disse.

Keflezighi ganhou medalha de prata nas Olimpíadas de 2004, mas em 2007 teve mau desempenho em competição em Nova York durante os testes para as Olimpíadas quando ficou em oitavo lugar.

A competição deste ano registrou número recorde de participantes: 43.741 corredores iniciaram a prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h49

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Marílson diz que abandonou a prova porque sentiu dores musculares

Sem condições

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos, que já venceu duas vezes a Maratona de Nova York, disse que abandonou a prova na altura do quilômetro 34 porque estava sentindo fortes dores musculares, segundo relata a repórter JANAÍNA LAGE, em cobertura especial para este blog, direto de Nova York.

Marílson afirmou que não teve nenhum problema antes da corrida, que estava em forma e que vinha se preparando para a prova normalmente.

Na manhã de hoje, a temperatura em Nova York era de 11 graus. Marílson disse que o tempo atrapalhou um pouco, principalmente o vento. O primeiro sinal de que desta vez não seria possível vencer a competição ocorreu na Madison Avenue Bridge, ponte que liga o Bronx a Manhattan. Ali, Marílson começou a ficar para trás em relação aos corredores que lideravam a prova.

"Parei porque estava sem condições, estava com muita dor muscular e acabei desistindo da prova. Senti que não estava no meu melhor dia, mas insisti algumas vezes", disse.

A partir de agora, o atleta diz que pretende tirar um tempo para descansar e se recuperar dos meses de treinamento intenso e preparação para a maratona. Somente depois disso definirá as próximas competições das quais participará.

Marílson disse ter ficado feliz com a vitória de um corredor americano. Meb Keflezighi, de 34 anos, foi o primeiro americano a vencer a prova desde 1982. Ele nasceu na Eritreia e se naturalizou americano em 1998. "Esses americanos já vinham mostrando um bom resultado há algum tempo. Fiquei feliz de ter ganho um americano, há muito tempo eles não venciam", disse. Neste ano, entre os sete primeiros colocados, três são americanos: Meb Keflezighi, Ryan Hall, em quarto lugar, e Jorge Torres, em sétimo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h03

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Quarentona dá show em Nova York; Marílson abandona

Ludmila Petrova, 41, 2h29

A maratona de Nova York, realizada hoje, foi um espetáculo. Demonstração do vigor do esporte, cativando multidões entre público nas ruas e em frente à TV e aos computadores, a prova reuniu cerca de 40 mil participantes e foi um show de emoção, especialmente no feminino, em que a disputa foi ferrenha do começo ao fim. No masculino, um americano vence pela primeira vez desde 82, e Marilson, a esperança brasileira, desiste da prova, acabrunhado por não conseguir acompanhar o ritmo dos líderes.

Primeiro, o mais legal: a prova feminina começou com dois grupos mais ou menos bem definidos. Um pelotão de líderes e um pelotão de perseguidoras, tudo mais ou menos em massa. O pelotão de líderes, lá pelo km 5, tinha 14 atletas.

Mas elas foram se testando e deixando vítimas pelo caminho. Numa dessas, a queda foi literal: a queniana Salina Kosgei tocou a japonesa Yuri Kano, e as duas se estatelaram de prancha no asfalto nova-iorquino. A japonesa foi mesmo de cara no chão, mas ambas se levantaram e continuaram na briga.

Tanto que a Kosgei honrosamente fez parte do grupo de seis que liderou o evento por mais de 30 km: a tricampeã Paula Radcliffe e a francesa Christelle Daunay liderando, seguidas pela russa Ludmila Petrova (foto AP) e pela etíope Derartu Tulu, 37, com mais a norte-americana Magdalena Lewy Boulet na sobra. Esta última sobrou mesmo, depois de algum tempo, e a Kosgei tb ficou para trás.

Logo eram apenas quatro, mas, quando faltavam cerca de quatro quilômetros para o final, Radcliffe começou a fraquejar e pegou a rabeira do quarteto; com cerca de três para o final, foi a vez da outra ex-futura líder, a francesa Daunay, ser deixada para trás pelas duas ex-sombras.

Agora vai começar a corrida! Não para Tulu, que simplesmente continua a fazer o que fez ao longo de todo o período anterior, ficando na sombra de quem estava na frente. Ludmila Petrova, a russa quarentona com 23 maratonas no currículo e grandes feitos em idade provecta para o esporte. No ano passado, se tornou a mais rápida mulher de 39 anos a completar a maratona de Londres, que fez em 2h26min45; com 37 anos, tornou-se recordista da Rússia ao correr Londres em 2h21min29.

Pois ela não demonstrou raiva nem espanto com a tática da etíope, sabidamente mais rápida. Tomou a frente e lá ficou. Quando passaram do km 40,5, Tulu percebeu que a coisa estava feia e passou a desafiá-la com mais vigor, mas Petrova segurou a barra.

A disputa durou ainda um quilômetro, que serviu para esvair as forças da mais velha, deixando a mais leve e rápida à vontade para atacar e abrir, numa cena que vinha sendo anunciada havia tempo. Petrova manteve o garbo e terminou apenas oito segundos depois da campeã. Foi um belo espetáculo.

Já da masculina não se pode dizer o mesmo. A lentidão inicial parecia prometer raios e grande intensidade, mas o que se viu foram breves faíscas. Ao final do primeiro terço de prova, o ritmo dos líderes indicava uma final de 2h11 alta, o que é vergonhoso para a mais importante maratona do mundo.

Eles pareceram se dar conta do fiasco que estavam aprontando e, pouco antes do km 20, começaram a apertar o ritmo. Foi quando Marílson sentiu. Olha, é difícil para alguém de fora entender o que aconteceu. Vou colocar as explicações do corredor e de seu técnico, mas devo dizer que o ritmo estava facílimo para o Marílson e não aumentou muito não, como prova o resultado final.

Mesmo assim, o pelotão se desgarrou e Marílson foi ficando para trás. Na frente, Kwambai e Cheruiyot, do Quênia, pareciam estar com a prova nas mãos, mas Hendrick Ramaala, da África do Sul, estava lá para fazer suas gracinhas. Deu uma puxadona no ritmo, os dois quenianos foram, e a liderança ficou com apenas quatro, enquanto o norte-americano naturalizado Meb Keflezighi ficava à espreita.

Depois das voltas que a prova dá, voltando a Manhattan ficaram apenas Gharib, Kwambai (o mais rápido dos quatro), Cheruiyot e Meb. O primeiro não aguentou o ritmo, o segundo teve problemas de desidratação, e apenas Cheruiyot e Meb entraram no Central Park para o estirão final.

O queniano parecia não ter forças ou vontade para lutar, e Meb abriu vantagem insuperável para fechar em lerdas 2h09min15 e reivindicar a herança de Salazar, o último norte-americano a vencer em Nova York. Em comum, os dois têm o fato de não serem descendentes dos primeiros peregrinos que aportaram na América.

Quanto a Marilson, reproduzo a seguir as palavras de seu técnico, Adauto Domingues: "Ele não se sentiu bem. Não foi uma lesão, simplesmente não era o dia. Até o quilômetro 20 correu com a elite, na frente, mas depois deu uma apagada geral e não conseguiu reagir. Foi alternando bons e maus momentos e perdeu o contato com os líderes. Viu que ia completar a prova para um tempo alto, cerca de 2h17, e passou a trotar. Deixou a prova no quilômetro 34".

Acompanhe a seguir contribuições da repórter Janaína Lage, correspondente da Folha em Nova York, especial para este blog.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h00

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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