Rodolfo Lucena

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Mulheres voam em evento de atletismo na Escócia

Arremetida

No esplendor de seu máximo vigor físico, as duas competidoras pairam no ar --voam mesmo-- na disputa do primeiro lugar na prova de 60 metros em meeting de atletismo realizado ontem em Glasgow, na Escócia.

Aqui, a norte-americana Carmelita Jones (esq.) decola no início de seu processo de ultrapassagem da britânica Bernice Wilson, rumo à vitória.

As competições são pródigas em belas imagens, como o registro da Reuters mostrado neste blog. Veja outras e confira mais informações no site do evento, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h25

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Preço de prova aumenta 66% em 40 dias

Ultracara

Tenho uma boa e uma má notícia.

Primeiro a boa, que talvez não seja tão nova para alguns, mas eu apenas notei agora: está crescendo a passos largos o circuito de ultramaratonas no Brasil.

O responsável por isso é a empresa que organiza a Ultramaratona 5 Pontões, que estava marcada para o ano passado, mas teve de ser transferida. A 5 Pontões será realizada agora em fevereiro, abrindo uma série de provas de muito longa distância que, pelo informado no site (AQUI), parecem cheias de atrativos para os fanáticos por sofrimento e por provar sua capacidade de resistência.

Além da já dita 5 Pontões, haverá uma prova no Arraial do Cabo, de 56 km, e uma superultra de 186 km, que acontecerá no entorno do Parque Nacional do Caparaó.

Parece louvável o esforço de montar provas complicadas em locais diferentes, atraindo um público carente desse tipo de diversão.

Um público, por sinal, bem reduzido, não só pelo alta grau de dificuldade das provas (o que, para alguns, é bem-vindo) como pelos preços também elevados mostrados no site.

Claro que os organizadores têm lá suas razões, como já comentei aqui em outra oportunidade. Cada um cobra o que acha que o mercado aceita pagar; compra quem quiser e puder, ainda mais em caso de eventos que, por sua própria natureza, são de participação restrita.

Também fica claro que os organizadores se dirigem a público muito reduzido, não só pelo alta grau de dificuldade das provas (o que, para alguns, é bem-vindo) como pelos preços também elevados mostrados no site.

Claro que os organizadores têm lá suas razões, como já comentei aqui em outra oportunidade. Cada um cobra o que acha que o mercado aceita pagar; compra quem quiser e puder, ainda mais em caso de eventos que, por sua própria natureza, são de participação restrita.

Mas fica difícil entender a lógica da escalada de preços, que extrapola qualquer cálculo de inflação, como você pode ver no quadro abaixo, que informa os preços para a prova do Arraial do Cabo.

Os preços sobem conforme fica mais perto da prova, o que é uma forma de tentar obter inscrições antecipadas.

Isso é normal. O que impressiona é o ritmo da alta.

Quem pagar no dia 11 de abril, último prazo de inscrição a julgar pela tabela, vai "morrer" com 66,66666% a mais do que quem fez sua inscrição do dia 28 de fevereiro --uma diferença de pouco mais de 40 dias.

Não conheço aplicação financeira no mundo que preveja tal rentabilidade, mas isso pode não passar de ignorância minha, já que nem de longe sou especialista em investimentos.

PS.: Recebi uma simpática mensagem do organizador do evento, Thiago Mol, que me alertou sobre a grafia correta do nome da Ultra 5 Pontões, agora já corrigido.

Sobre o site, o e-mail afirma: "Vou esclarecer que não se encontra finalizado, estamos ainda trabalhando para na próxima semana ele estar no formato que desejemos". Ele diz ainda que o site foi colocado no ar antes do previsto "por uma vontade talvez exagerada em atender os atletas".

Levando isso em consideração, suprimi os comentários que havia feito sobre o site.

A mensagem também fala sobre a questão dos preços. Diz: "Cada organizador sabe o valor do seu trabalho, o que ele gasta de esforço físico e mental". E afirma que, no regulamento da prova, "existem justificativas plausíveis do porque o valor atual ser esse".

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h24

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Velocista de ouro dos EUA admite doping

Ainda Atenas

O doping é uma m*, já disse e repito. Quem usa substâncias proibidas não apenas comete fraude contra o esporte e seus colegas mas também prejudica sua saúde e pode afetar a carreira e a vida de companheiros de equipe.

A história da multimedalhista de ouro Marion Jones, por demais conhecida, é exemplo disso. Ganhou um monte de ouro nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000), mas foi desclassificada depois de ter sido flagrada no doping. Além de tudo que passou, suas companheiras na prova de revezamento também perderam suas medalhas.

Agora, o caso se repete (quase). Uma integrante da equipe norte-americana de revezamento em Atenas-2004, onde os EUA levaram o ouro no 4x100, admitiu ter usado doping. Crystal Cox, que participou do time nas preliminares, foi suspensa por quatro anos e seus resultados a partir do período em que ela admitiu o doping foram limados da história.

Não está claro ainda se a equipe será desclassificada. Há pelo menos um caso em que isso não ocorreu. Em Sydney, um atleta do revezamento 4x400 norte-americano que correu as preliminares foi pego no doping, suspenso e desmedalhado, mas o time não perdeu o posto.

Eu cá comigo acho que isso está errado e, de certa forma, é complacente com o doping. Afinal, mesmo que o cara não tenha corrido a final, ele participou do processo que levou o time à disputa do ouro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h39

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Duas maratonas disputam apoio de uma só cidade

Controle de gastos

Uns com tão poucos, outros com tanto: aqui no Brasil a gente reclama da falta de maratonas. Mal e mal algumas das maiores cidades do país conseguem organizar provas razoáveis... Pois no Canadá a questão é outra: a fartura agora cobra seu preço.

Ao longo dos anos, duas maratonas vêm brigando pelo apoio e participação dos corredores de Toronto, mais visitantes do mundo inteiro. Com sucesso, oferecendo atrações diferentes, têm conseguido um público razoável, mais ou menos da mesma ordem de grandeza, o que é um grande feito, pois há apenas três semanas de diferença entre as duas.

Mas isso pode mudar a partir do ano que vem. É que a administração da cidade está cansada de ouvir reclamações dos cidadãos quanto a problemas de trânsito, além de considerar que não dá para dividir os recursos oficiais, de dinheiro e, especialmente, mão de obra (para o controle do trânsito, por exemplo).

O processo de decisão será também uma maratona, que vai se desenrolar ao longo dos próximos meses. Cada uma vai ter de vender seu peixe.

A mais conhecida internacionalmente é a Waterfront Marathon, que, como diz seu nome, transcorre ao lado das águas do lago Ontario. Beneficiada pelo patrocínio de um banco, oferece prêmios em dinheiro que seduzem corredores quenianos, aumentando a exposição midiática da prova.

Já a Toronto Marathon se dedica mais à cidade, como diz o nome. Tal como a de Nova York, tem percurso que passa pelos diversos distritos e pontos históricos. É, como diz seu diretor, uma prova mais família, que atrai corredores comuns, "como eu e você.

Não por acaso, os tempos dos vencedores são bem diferentes: no ano passado, o ganhador da Lakefront fechou em 2h08min32 e levou US$ 70 mil em prêmios e bônus, contra os US$ 3.000 do vencedor da prova da Toronto, que fechou em 2h26min08.

O número de concluintes é aproximado: 2.846 na Lakefront, 2.000 na de Toronto; no total, a maior chega a 19 mil participantes e a menor, a 14 mil (são várias provas no mesmo evento). E ambas arrecadam para obras de caridade o mesmo valor: US$ 2,4 milhões.

Além disso, cada uma delas acarreta à cidade custos de US$ 10 mil; em contrapartida, afirmam que geram um movimento financeiro em torno de US$ 20 milhões para mais, também cada uma.

Os corredores, claro, gostariam de manter as duas. Mas vá saber o que passa pela cabeça dos administradores da metrópole.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h34

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Palco de Londres-2012 terá facas e revólveres

Reciclagem bélica

O Estádio Olímpico em Stratford, que será palco de alguns dos mais emocionantes momentos dos Jogos Olímpicos de Londres-2012, será também, ele próprio em si, uma atração não só arquitetônica como de engenharia de reciclagem.

Nas suas entranhas estarão "almas" de facas e revólveres apreendidos pela polícia britânica e entregues a um uso pacífico.

O Departamento Metropolitano de Polícia recolheu no ano passado mais de 52 toneladas de metal reciclável, de armas de fogo e brancas a chaves. O metal será derretido e usado em pontes, prédios, trens e outros veículos, além da construção do Estádio Olímpico.

E a ênfase do movimento olímpico da reciclagem não fica apenas em plagas europeias. Quem chegar ao pódio nos Jogos de Inverno de Vancouver, neste ano, e na Paraolimpíada que se realiza lá na mesma época receberá medalhas de ouro, prata e bronze contendo material reciclado.

O metal é extraído de computadores, televisores, teclados e outros integrantes da família do lixo eletrônico.

E você, recicla o quê?

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h53

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Correndo na chuva

Lá como cá

Fotógrafo da AP registra momento mágico (ou apavorante, sei lá) de corredor solitário que enfrenta um baita temporal na costa de São Pedro, na Califórnia.

Lá, como cá, está cada vez mais perigosos correr nesses dias em que a força da natureza se abate sobre nós. Esses dias, estava correndo perto do Ibirapuera e passei sob uma baita árvore que tinha sido simplesmente arrancada do solo, na praça Cidade de Milão.

Com raízes à mostra, ela não despencou sobre o asfalto porque foi parou na cerca da praça, que cedeu um pouco, mas resistiu ao impacto, e foi segura nos poderosos galhos de uma árvore plantada do outro lado da rua.

Você também já não teve seu momento pânico nestes dias de furor dos elementos?

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41

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Pit bulls correm à solta na USP

Irresponsabilidade criminosa

Dois pit bulls corriam hoje à solta pelas alamedas da USP, entre os milhares de corredores e ciclistas que aproveitam os caminhos da Cidade Universitária para praticar um pouco de atividade física com um mínimo de segurança.  Os cachorros, tristemente conhecidos por sua ferocidade e descontrole, corriam sem coleira nem guia nem focinheira nem nenhum outro tipo de controle mecânico.

Nem sequer seguiam perto de seus donos ou (ir)responsáveis.

Os dois rapazes que pareciam controlar as feras também corriam pelas alamedas da USP, mas à frente dos seus cachorros. Como se sabe que os humanos ainda não têm olhos nas costas, os rapazes eram incapazes de ver se os animais se desviavam do caminho, paravam ou atacavam algum outro ser vivo. De vez em quando, os rapazes paravam, olhavam para trás e chamavam as feras para que ficassem mais perto, o que não ajudaria em nada quase os animais tivessem um momento de descontrole que fosse.

O pior é que não vi nenhum guarda da Cidade Universitária para pedir que chamasse a atenção dos irresponsáveis. E, aparentemente, nenhuma ronda policial que estivesse circulando por ali (coisa que não vi) se deu ao trabalho de fazer isso.

E olha que os caras desceram a Lineu Prestes, correram pela Luciano Gualberto e subiram a rua da estátua, em direção ao bosque da USP (trechos em que foram vistos por mim e outros corredores com quem conversei). Ou seja, estiveram lá por um bom tempo.

É uma combinação de irresponsabilidade dos que levaram os cachorros e de falta de ação dos que deveriam vigiar o espaço público. Ainda bem que, até onde eu saiba, hoje não aconteceu nada de grave.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h08

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China pega no flagra cortadores de caminho

30 desclassificados em Xiamen

Quase um terço dos cem primeiros concluintes da maratona de Xiamen, realizada no início do mês, trapacearam para obter suas marcas.

A revelação foi feita pelos organizadores da prova, depois de investigação baseada em vídeos feitos ao longo do percurso naquele cidade portuária chinesa.

O motivo da fraude é que a classificação obtida naquela corrida contaria pontos para o ingresso no supercompetitivo processo seletivo para a entrada na universidade.

Vai daí que uma turma de folgados não economizou inventividade para chegar entre os primeiros. Alguns contrataram impostores para correr em seus lugares, outros pegaram carona em veículos ao longo do percurso. Os corredores com número de peito 8.892 e 8.897 se deram bem e ganharam pontos para o vestibular, mas apenas porque entregaram seus chips para o número 8.900, que carregou os sensores para cruzar a linha de chegada.

Segundo o "Jiefang Daily", jornal do Partido Comunista em Xangai, vários dos flagrados demonstraram arrependimento e pediram desculpas, mas os que tiveram atitude pouco cooperativa serão proibidos de participar em provas futuras.

O problema não é novo: em 2007, os organizadores da maratona de Pequim denunciaram 19 cortadores de caminho.

Mas não pense que esse tipo de estelionato atlético é triste privilégio da china, lembra o jornal inglês "The Guardian". Em 1980, Rosie Ruiz venceu a maratona de Boston com a "pequena" ajuda do metrô, desembarcando no percurso pouco mais de 1.500 metros antes da fita de chegada.

E os corredores do passado também não estavam imunes à tentação. Em 1904, Fred Lorz venceu a maratona olímpica em 3h13, mas foi desclassificado depois que se descobriu que ele pegara carona no carro de seu agente por mais de 15 quilômetros...

E aposto que você também já viu ou conhece alguma história de cortador de caminho. Não sei o que esse povo ganha com isso. Certamente, não conseguem pontos para o vestibular chinês...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h51

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Haile fica longe de ganhar US$ 1 milhão

Só para o gasto

Na sua terceira tentativa de quebrar o recorde mundial da maratona em Dubai e receber o bônus de US$ 1 milhão, o atual recordista mundial da distância, Haile Gebrselassie, voltou a fracassar.

Em termos, pois também voltou a ganhar na prova realizada na madrugada de hoje (horário de Brasília) nos Emirados Árabes. E levou para casa US$ 250 mil, o maior prêmio de maratonas no mundo (foto EFE).

Para obter a vitória, correu em meras 2h06min09, mais de dois minutos além de sua marca recordista de 2h03min59. Para você ter uma idéia, se o Haile de hoje tivesse corrido contra o Haile do recorde, ficaria mais de 500 metros atrás... 

O que não dá para ninguém desrespeitar, ainda mais considerando as condições que teve de enfrentar. Acordou com dores nas costas por causa de uma noite mal dormida, mas seu fisioterapeuta o colocou em condições de ir para o asfalto.

E não foi um passeio. Ele teve de brigar pela vitória, como demonstram os tempos obtidos pelo segundo e pelo terceiro colocado, ambos também abaixo de 2h07. Aliás, foi a décima vez que Haile correu abaixo desse tempo.

"Isso não quer diszer que eu esteja ficando velho", disse o atleta de 36 anos. "Eu ainda cho que dá para bater o recorde aqui em Dubai, mas essas coisas acontecem", completou.

Uma compatriota do recordista foi a vencedora da prova feminina. Cravando 2h24min18, Mamitu Daska terminou absolutamente exausta, tendo de ser carregada em maca para receber cuidados médicos (foto AP). Ela também levou um prêmio de US$ 250 mil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h54

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Morre Erich Segal, autor de ‘Love Story’ e maratonista

Professor de Frank Shorter

Atire a primeira pedra quem não se emocionou com o drama dos jovens amantes de "Love Story", espécie de Romeu e Julieta dos tempos modernos que levou milhões aos cinemas na década de 1970 e tornou rico e famoso o pacato professor de literatura grega e romana Erich Segal.

O renomado autor, também um maratonista apaixonado, foi enterrado ontem em Londres, onde morreu domingo, aos 72 anos, de câncer, segundo informou a filha do escritor.

Nascido em 1937 nos Estados Unidos, formou-se em literatura e escreveu livros sobre autores gregos e romanos antes de chegar ao mundo pop --além de "Love Story", que ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos do "The New York Times" e, como filme, é considerado o precursor dos modernos megassucessos arrasa-quarteirão, foi co-roteirista de "Yellow Submarine", dos Beatles.

Acadêmico e professor universitário, lecionou nas afamadas universidades norte-americanas de Harvard, Princeton e Yale. Entre seus alunos, estiveram o ex-presidente dos EUA George W. Bush, o ex-vice Al Gore e, mais importante, o fundista Frank Shorter, vencedor da maratona olímpica de 1972 e um dos inspiradores do boom de corridas nos EUA.

Segal, além de suas qualidades literárias (ou defeitos, como apontam muitos acadêmicos e intelectuais), era um corredor apaixonado.

E heavy metal: corria mais de 15 quilômetros por dia e chegou a concluir a maratona de Boston em menos de três horas, o que é um feito de brilho. Sua primeira participação naquela prova histórica foi em 1955 e voltou várias vezes ao vetusto cenário até parar de correr, em meados dos anos 1980, derrubado então pelo mal de Parkinson.

Já famoso, foi convidado a comentar a maratona olímpica na TV, em 1972, acompanhando a vitória de seu ex-pupilo. Deitou falação e chegou a prever que o ai-jesus dos americanos, Steve Prefontaine, não venceria a prova dos 5.000 metros em Munique. Acertou aí, mas errou na sua previsão de ouro para Pre na Olimpíada seguinte --o corredor morreria antes.

Segal também escreveu o roteiro para "The Games", filme de 1970 que acompanha a preparação de quatro maratonistas que vão disputar os Jogos de Roma (não encontrei na Amazon, mas há algumas informação a mais sobre o filme AQUI).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h30

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TV em demasia reduz benefícios do exercício

Alhos por bugalhos

Você corre uma hora por dia, sua litros a cada treino, chega em casa e acha que pode relaxar, não é? Comer aquele docinho, botar os pés para cima, ligar a TV e deixar o mundo passar na tela da que já foi chamada de máquina de fazer doido.

Pois está errado. Correr ou fazer outros exercícios físicos de forma regular não dá passaporte para a esbórnia nem carta branca para virar, no resto do tempo, um couch potato, como os americanos se referem a quem vive esparramado no sofá, comendo batatinha frita de caixinha e vendo TV.

Ok, talvez isso não seja a mais recente descoberta da humanidade. Eu mesmo já alertei sobre isso em minha coluna no caderno Equilíbrio, da Folha. Mas agora novos estudos vêm lançar um verniz científico mais apurado sobre a momentosa questão.

Pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos ouviram por telefone 10 mil norte-americanos maiores de 21 anos e com peso normal ou acima do peso recomendado. Os entrevistados informaram seu peso, altura e quanto tempo tinham passado, nas 24 horas anteriores, fazendo atividade física ou "praticando" o sedentarismo (ver TV, dirigir, ouvir a grama crescer e por aí vai).

De cara, os resultados foram os esperados: mais tempo de sedentarismo está associado a peso maior, assim como mais tempo de atividade física está associado a peso menor.

O estudo revelou, porém, que o sedentarismo altera a relação entre atividade física e obesidade.

Assim: entre os entrevistados que informaram assistir a menos de uma hora de TV por dia, aqueles que praticavam pelo menos uma hora de atividade física por dia, moderada ou intensa, tinham índice de massa corporal inferiores à média. O que é esperado.

Mas, entre aqueles que disseram ficar mais de uma hora por dia em frente à TV, os que praticavam mais de uma hora por dia de exercício moderado ou intenso não apresentavam peso menor.

Ou seja: para quem gasta muito tempo relaxando, a prática de atividade física deixa de ser associada ao peso. Ou, vendo de outra forma: os benefícios da atividade física regular são solapados pela prática militante do sedentarismo.

Antes de concluir, cumpre destacar que a pesquisa foi feita por telefone, e os entrevistadores não checaram os dados informados pelos entrevistados, o que pode embaralhar bem os dados. De qualquer forma, é interessante, ainda mais se você puder conferir os gráficos mostrados no site Obesity Panacea, AQUI, onde eu vi essa matéria

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12

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USP vai exigir carteirinha de corredor

Acesso controlado

A Universidade de São Paulo decidiu tomar novas medidas para controlar o uso de seu espaço por pessoas que não integram a instituição. Ou seja, corredores e ciclistas que fazem seus treinos nas alamedas da Cidade Universitária.

Depois do Carnaval, a USP pretende iniciar o cadastramento dos usuários, que receberão uma carteirinha. O registro será gratuito.

O que me parece estranho, dando espaço a muitas dúvidas. Quem vai pagar o trabalho das pessoas que farão o cadastramento? E ainda: quem vai pagar o custo do material? Ou a carteirinha será patrocinada?

Antes dessas: qual a eficácia dessa medida? E mais: como será feito o controle? E quem não tiver carteirinha será expulso?

Entidades do setor, ouvidas pela Folha, foram favoráveis à medida, dizendo que é bom organizar e controlar o uso da Cidade Universitária.

De fato, é. Mas carteirinha de corredor (ou de ciclista) é a solução?

O que você acha?

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h54

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Maratona é apenas centenária, não bimilenar

114 aninhos e contando

Organizadores de corridas e agências de viagens especializadas nesse segmento estão ouriçadíssimos com o fato de que neste ano a Grécia comemora os 2.500 anos da batalha de Maratona. A vitória grega naquele embate, acreditam alguns, mudou os destinos da humanidade ao impedir a propagação da hegemonia persa pelo mundo de então.

Eu tenho lido internet afora e recebido releases com um monte de baboseiras sobre o assunto, falando dos "2.500 anos da maratona". Há até textos dizendo que essa prova era disputada na Antiguidade.

Estão errados.

A maratona é uma corrida moderna, inventada pelo linguista francês Michel Bréal, que era vidrado na história (lenda?) de um soldado grego que correu desde Maratona até Atenas para levar a boa notícia da vitória sobre os persas e morreu logo depois de cumprir sua missão.

Bréal conseguiu convencer os organizadores dos primeiros Jogos Olímpicos da nossa era de que aquele feito deveria ser homenageado com uma corrida de distância semelhante e aí começou todo o imbroglio.

No meu livro "Maratonando", faço uma relato mais acurado, baseado em textos de historiadores gregos, mas o resumo da ópera é o seguinte: a primeira maratona da história foi corrida em 1896, como teste para a prova enfim colocada na programação olímpica daquele mesmo ano. Antes dos Jogos, ainda foram realizadas seletivas para a escolha da turma que afinal participou da primeira maratona olímpica, vencida pelo jovem aguadeiro grego Spiridon Louis (você encontra AQUI, em inglês, um ótimo texto sobre a história da maratona).

O que se comemora neste ano, portanto, é o aniversário da Batalha de Maratona, que é uma cidadezinha de 14 mil habitantes distante cerca de 40 km de Atenas. Como é uma data redonda e impressionante, será festejada como merece na maratona de Atenas deste ano. Que será um evento épico como são todas as maratonas. Ou qualquer corrida. Ou viver.

E paro por aqui antes que me emocione.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h54

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Calor detona cerca de 3.000 corredores

Canícula destruidora

Para os paulistanos, a imagem acima pode lembrar a da ponte estaiada, na zona sul da capital paulista. Também é novinha, mas passa sobre o mar e está em Mubai, na Índia, ligando aquela grande cidade à sua periferia (fotos AP).

Por lá passaram as mais de 38 mil pessoas que participaram da maratona de Mumbai, ontem, sob um solaço de fritar ovo na calçada, com os termômetros marcando em torno dos 30 graus.

Não por acaso, os médicos tiveram muito trabalho: cerca de 3.000 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência que funcionaram durante o evento, que incluiu uma meia-maratona e provas menores.

Cãimbras e processos de desidratação foram os casos mais atendidos pelos cerca de 400 médicos, enfermeiros e atendentes que trabalharam no evento.

Apesar do calor e da forte umidade, os tempos foram até bem razoáveis, se comparados aos obtidos aqui neste também quente país: o vencedor, o queniano Dennis Ndiso, cravou 2h12min34. No feminino, a etíope Bizunesh Mohammed fechou em 2h31min09.

Apenas para lembrar: no ano passado, o queniano Elia Chelimo ganhou em São Paulo com 2h13min59, e Marizete Moreira dos Santos venceu em 2h41min43.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h13

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Correndo com Guevara no peito

Indócil no partidor

 

Corredores amadores costumam dizer que ficam doidões, nervosos, irritados quando são obrigados a dar um tempo na corrida, por lesão ou qualquer outro motivo.

Imagine o que acontece na cabeça de um recordista mundial....

Pois o cubano Dayron Robles, 23 está sem competir desde o Mundial de atletismo, em Berlim, no ano passado, quando abandonou a disputa por causa de uma lesão.

Desde então, está naquela toada que a gente conhece: alongamento, fortalecimento, descanso, treina um pouco, dói, recomeça... Agora, parace que vai dar.

Dono da melhor marca do mundo nos 110 m com barreira, Robles treina forte no estádio Pan-Americano, em Havana, se preparando para o retorno, que espera ser triunfal.

"Vou tentar ser o melhor", disse ele, que treina usando camiseta com a foto de Che Guevara (foto Reuters). Mesmo assim, não tem certeza de que sua perna esquerda está pronta para aguentar o tranco de uma competição de verdade, como a que tem marcada para o próximo dia 3, em Dusseldorf (Alemanha).

"Ainda não testei a perna na velocidade máxima, mas não há pressa", diz ele, que pretende defender com unhas e dentes (e saltos e corrida) sua marca de 12s87.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h33

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Revelada a maratona mais rápida do Brasil

Mui leal e valerosa

Sempre que perguntam qual é a melhor maratona para um iniciante fazer sua estreia, respondo que é a de Porto Alegre. A prova realizada na "mui leal e valerosa", como diz o brasão da capital gaúcha, tem percurso quase todo plano, acontece em época de clima ameno (às vezes, frio) e o abastecimento de água é muito bom.

São as exigências básicas de quem quer fazer uma corrida longa sem muito sofrimento. E são também itens indispensáveis para quem quer queimar o chão, buscando recordes pessoais. A teoria é comprovada pela estatística: 54,7% dos corredores que concluíram a maratona de Porto Alegre no ano passado o fizeram num tempo suficiente para ingressarem no Ranking Brasileiro de Maratonistas da revista "Contra-Relógio", que é baseado em marcas por faixa etária e sexo.

A prova gaúcha foi a que, proporcionalmente, mais corredores levou ao ranking --em números absolutos, foi a quarta, com 640 atletas que atingiram as marcas estabelecidas pela revista.

Mas que fique que claro que nem sempre as boas condições de temperatura e pressão são os fatores principais para uma prova ter ritmo rápido: depende mesmo é do tipo de público que resolve participar dela.

Maratonas mais difíceis costumam atrair corredores mais experientes e velozes. Talvez por isso duas provas conhecidas pelo seu alto grau de dificuldade, com percurso cheio de altos e baixos e temperaturas elevadas, seguem-se à de Porto Alegre no ranking da revista.

As maratonas de Curitiba e de Foz do Iguaçu ficaram em segundo e terceiro lugares como fornecedoras de maratonistas para a lista, considerando-se o critério da proporcionalidade. A de Curitiba, por sinal, é a vencedora em números absolutos: 946 de seus 1.917 concluintes fizeram tempo bom o suficiente para ingressarem no ranking.

O número é maior até do que o da maratona de São Paulo, segunda em quantidade, com 924 atletas no ranking. Mas isso representa apenas 33,1% de seus concluintes, o que a torna a maratona mais lerda entre as analisadas --além das já citadas, também contaram para o ranking da "Contra-Relógio" as maratonas do Rio e de Florianópolis.

Do total de 8.995 concluintes nas provas analisadas, 3.827 (42,5%) entraram para o ranking. Em 2008, 47,7% dos concluintes conseguiram índice para entrar no ranking. Na avaliação do editor da revista, Tomaz Lourenço, o péssimo abastecimento de água em Florianópolis provocou grande quebra de corredores, assim como o calor em Curitiba e Foz.

O ranking completo e uma reportagem a respeito dos critérios para sua elaboração estão na edição deste mês da "Contra-Relógio".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h41

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Chega às bancas nova revista sobre corridas

Mulheres no foco

Está prestes a chegar ao mercado brasileiro a "W Run".

É uma revista de corrida focada no público feminino, publicada pela Iguana Sports.

 

Eliane Verdério, que foi publisher da "O2", comanda o projeto. Fernanda Di Sciascio, também ex-"O2", é a diretora editorial.

Em dezembro, recebi informação de que a primeira edição chegaria com data de capa de 6 de janeiro. Mas houve alguns entraves burocráticos, segundo me contam, e a estreia foi postergada.

Agora, a data de capa do primeiro número será dia 5 de fevereiro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h21

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Haile revela suas provas prediletas

10k também é gente

Pois o recordista mundial da maratona, que neste mês vai novamente tentar vez bater sua própria marca, guarda no coração também uma prova curta, curtinha para ele, que engole quilômetros como chocolate suíço: é a Great Ethiopian Run, de 10 km, na sua amada Adis Abeba, capital da Etiópia.

"Ela significa muito para mim", disse Haile Gebrselassie, ao citar suas cinco provas preferidas, segundo material distribuído pelos organizadores da maratona de Dubai, que recebe o grande corredor etíope no próximo dia 22.

Aliás, a prova dos Emirados Árabes é também citada pelo atleta, que rasgou seda ao falar do evento: "Só corri duas vezes em Dubai, mas é uma de minha provas favoritas. É perto de onde eu moro e treino, então a viagem não é problemas. O clima em geral é muito bom e a hospitalidade é incrível. O percurso também é muito bom", disse ele.

Faltou comentar que a corrida é uma das que oferece um dos mais altos prêmios no planeta. Os vencedores (masculino e feminino) levam US$ 250 mil e ainda há um bônus de US$ 1 milhão para quebra de recorde mundial.

Bom. As outras três corridas citadas por Haile como suas preferidas são a maratona de Berlim, onde ele venceu quatro vezes seguidas e ainda bateu o recorde mundial e a barreira das 2h04, a de Londres, onde ele pretende estar nos Jogos de 2012 para fazer "alguma coisa especial", e a de Fukuoka, no Japão, que venceu em 2006. "Gostei muito da hospitalidade e do espírito da prova. É um lugar aonde gostaria de voltar", disse ele.

Resumo da ópera: maratonas de Dubai, Berlim, Londres e Fukuoka, mais os dezinho da Great Ethiopian Run, eis o quinteto fabuloso do ainda mais fabuloso Haile Gebrselassie..

E você? Qual é o seu quinteto fantástico?

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h56

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Corrida marca Dia do Esporte na Coréia do Norte

Comemoração gelada

 

Funcionários do governo e de instituições nacionais da Coréia do Norte participam de uma corrida no Dia do Esporte, ontem em Pyongyang (Reuters).

Está o maior frio na cidade, como você pode perceber pela neve acumulada nas calçadas...

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h30

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Dobradinha brasileira na Disney

Adrihepta

 

Apesar do frio terrível, o brasileiro Adriano Bastos conseguiu manter sua sequência de vitórias na maratona da Disney. Completou hoje seu sexto primeiro lugar consecutivo na prova norte-americana, que venceu um total de sete vezes. E ainda levou consigo para o pódio outro brasileiro, Fredison Costa, 32, que chegou a liderar a disputa, mas não resistiu ao ataque de Bastos.

Pouco antes do km 10, o primeiro pelotão estava bem compacto, com cinco atletas emparelhados, o que surpreendeu a repórter Fernanda Paradizo, que comentou em seu Twitter: "Nunca vi isso aqui. A prova promete ser disputada".

Na metade da prova, o brasileiro Fredison Costa liderava o pelotão, passando os 21,1 km em 1h10min57, seguido por um norte-americano, com Adriano Bastos na quarta posição.

A passagem da meia foi lenta, o que deu fôlego para Bastos ir buscar os adversários. Com cerca de seis quilômetros para o final, o agora heptcampeão passou a liderar sozinho, chegando ao final gelado: "Ele nem consegue falar direito de tanto frio", comentou Fernanda Paradizo, que também é a autora das fotos publicadas nesta mensagem (obgd, Fernanda!).

Adriano, 31, completou a prova em 2h22min10, meio minuto à frente de Fredison Costa, que, até depois do meio-dia de hoje ainda apareci no site da ActiveResults como vencedor da prova; o site colocava Fredison em primeiro, como 2h22min40, que foi o tempo que ele fez, seguido por Adriano Bastos, com a marca de 2h24min08.

Errado.

Pode ter sido o frio, sei lá...

O certo é que Bastos festejou o que deu, acompanhado na alegria pelo compatriota, como você ve na imagem abaixo.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h49

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Rubinho completa sua primeira meia maratona

Sem segundo lugar

O piloto brasileiro de Fórmula 1 Rubens Barrichello estreou ontem em outro tipo de asfalto, o das ruas onde os mortais corremos sem motor nem gasolina. Ele participou, na maior friaca, da meia maratona da Disney.

Acordou antes das quatro da matina e, no gelão que faz em Orlando, saiu em direção á prova com o também piloto Luciano Burti: "Tá 1 grau ali fora... Que mico", escreveu Rubinho em seu Twitter quando saiu de casa.

Mas o clima mudou depois de enfrentar os 21.097 metros: "Muito legal a meia maratona da Disney! Experiência única. Curti muito com meus amigos", escreveu ele, que também colocou na internet sua foto com a medalha, cheio de justo orgulho.

Desta vez, ele não terminou em segundo lugar. Completando em 1h55min09, ficou na 1.668ª colocação entre 17.099 concluintes, o que tá mais do que bom para um estreante, mesmo que seja um sujeito acostumado a correr a 300 km por hora. Rodar a 10 km/h deve ser uma experiência nova mesmo.

Bom, a Disney está cheia de brasileiros, são mais de 500 participando dos vários eventos deste final de semana. E o Adriano Bastos voltou a vencer, tornando-se heptacampeão dessa prova, na qual teve hoje a sexta vitória consecutiva (depois eu conto mais, a prova terminou agorinha).

Ele foram todos surpreendidos pelo frio incomum. Muito corredores chegaram a ficar com gelo nas mãos.

Aliás, o frio surpreendeu corredores também em outras regiões dos EUA. Em Jackson, Mississipi, um atleta morreu enquanto participava da Mississippi Blues Marathon, ontem pela manhã. Chris Brown, 40, participava de uma equipe de revezamento e estava fazendo a última perna do grupo quando caiu ao chão a cerca de 1.500 metros da chegada. Apesar do socorro, não resistiu.

Qunado a prova começou, às 7h, os termômetros marcavam oito graus negativos. Com vento gelado para complicar as coisas ainda mais.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h55

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Preço alto faz atleta desistir de corridas de rua

Exclusão disfarçada

Como já comentei neste blog, os preços das inscrições nas corridas de rua estão ficando cada vez mais altos. Há casos, também aqui já demonstrados, em que houve um reajuste de 40% de 2009 para cá. A mensagem que escrevi suscitou alguns comentários e e-mails, dos quais destaco a carta eletrônica que me foi enviada por VINICIUS PLACCO, paulistano de 27 anos, que está terminando o doutorado em astrofísica no IAG/USP. Ele começou a correr em 2007, quando ganhou de presente da namorada a inscrição em uma prova de 10 km. De lá para cá, conta ele, foram 15 kg perdidos, duas maratonas de SP, algumas meias, além de várias provas de cinco e dez quilômetros.

Eis o recado que ele mandou e que publico com autorização do autor.

"Hoje, mais do que nunca, tenho a impressão que a inclusão que a corrida proporciona está se transformando em uma espécie de ‘inclusão em nichos‘ ou ‘exclusão disfarçada de inclusão‘. Isso é algo que acontece muito em nossa sociedade e se caracteriza por um falso moralismo, que diz que algo é democrático (qualquer um pode se inscrever em uma prova) e acessível, quando na verdade o que se esconde por trás disso é a vontade de tornar algo mais exclusivo. No caso dos aumentos nas inscrições, será que um aumento de 40% é justificável?

"Posso estar muito errado, mas o que eu entendo desse aumento é que os organizadores raciocinam assim: ‘Se antes arrecadávamos X com Y inscritos, hoje vamos continuar arrecadando X (ou até mais) com apenas 50-70% de Y, aumentando o valor da inscrição’. Ou seja, a parte que não pode, não quer ou não acha justo pagar (na qual eu me incluo) é automaticamente excluída em benefício da outra parcela que não se importa em pagar.

"Isso também vale para corridas fashion, ecológicas e congêneres. Isso nada mais é do que oferta/procura. Se o preço está do jeito que está, é porque existe gente que paga (o mesmo vale para tênis, acessórios, GPS e tudo mais --nem vou entrar nessa história). Sei que os organizadores gastam dinheiro para delimitar o percurso nas ruas, com camisetas, comida, bebida, staff etc., mas custo a acreditar que, com tantos patrocinadores, o preço precise ser assim alto.

"Não me entendam mal: não critico quem pode pagar para correr todo o fim de semana e ter todos os equipamentos possíveis e imagináveis disponíveis no mercado. Cada um que use seu dinheiro como bem entender. O que me chateia mesmo é que a distinção entre as pessoas não é feita, por exemplo, pelo fato de gostarem mais de correr uma certa distância ou em um certo terreno, dia ou horário, mas pelo quanto elas podem investir nisso.

"Sei que minha experiência de corrida não é muita, mas já corri o suficiente para perceber que as melhores satisfações e alegrias obtidas correndo são aquelas que só você sente. Para mim, completar um treino difícil na esteira ou bater um recorde pessoal em um domingo de chuva sem ninguém olhando dão muito mais satisfação do que completar uma prova nesses termos.

"Assim, posso dizer: nunca vou parar de correr, mas desisti de participar de corridas. Não pago mais. Prefiro pegar meus R$ 50 de inscrição (que podem chegar a mais de R$ 100!) e gastar em algo em que eu realmente não me sinta lesado. Só economizo meu dinheiro agora para correr a maratona de SP (cujo preço considero acessível para quem se inscreve quase seis meses antes!). Acho uma pena, porque tenho certeza que muitos pensarão como eu e não participarão mais das corridas, seja por princípio ou falta de grana. Mais espaço para poucos!

"Existe alguma alternativa? Talvez juntar alguns aficionados por corrida, comprar uma caixa de bebida esportiva e sair correndo por São Paulo? Como manter a motivação de quem gostaria de participar e não vai poder mais?"

Bem, está aí a carta de Vinicius, que é colaborador do blog de divulgação científica Café com Ciência. Aguardo seu comentário, contestação, elogio ou sugestão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h59

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Gordinho emagrece e manda ver nas maratonas

Salve, Zoom!

A minha coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), conta a história da Paulinho Zoom, um corredor de rua como eu e você que conseguiu enfrentar e superar seu problema de excesso de peso. Um problemão: com menos de 1,70 m, ele chegou a pesar mais de 95 kg. Mas virou o jogo e passou até a correr maratonas, baixando seu tempo de mais de seis horas para cinco horas e um tiquinho. E neste ano pretende fazer todas as grandes maratonas brasileiras...

Bom, para produzir a coluna, fiz algumas conversas por e-mail com ele. A seguir, um resumo de nossa entrevista.

+Corrida - Quem é Paulinho Zoom?

Paulo Ribeiro Felisoni - Sou paulistano, neto de italianos da comuna de San Marco Argentano, província de Cosenza da região da Calábria. Meu avô veio para São Paulo em 1913 porque o irmão dele já trabalhava aqui, mas a maioria da família foi para Buenos Aires.

Meu pai, quando moço, morava no Belenzinho na colônia italiana, e gostava de fazer ginástica no clube Espéria, onde nadava e remava no rio Tietê. Ele me conta que fazia muito esporte, como ginástica e boxe. Minha mãe também nadava na ACM (Associação Cristã de Moços), e assim eles sempre me incentivaram ao esporte.

Quando era pequeno e morava na Mooca, jogava muito futebol e gostava de jogar nas pontas porque gostava de correr. Crescendo, passei a jogar futsal e comecei a me machucar de vez em quando, até que um dia, desisti do futebol e parti para a corrida, para tentar emagrecer um pouco.

Sou formado em análise de sistemas e trabalho no DataCenter da Prefeitura de São Paulo.

Sou casado, e minha esposa é sócia e jogou tênis muitos anos no Club Athlético Paulistano. Tenho uma filha adolescente de 13 anos, que já nadou muito, mas hoje curte mais informática.

Zoom

+Corrida - Conte mais sobre seu início nas corridas.

Paulinho  Zoom - A partir de 2003, ouvi falar das corridas de rua e comecei a participar de algumas delas, de 5 ou 6 km. Não me arriscava a fazer corridas de 10 km por serem muito longas para mim...

Comecei a participar de grupos de corrida, tanto no meu clube como nos parques, e resolvi começar a treinar para participar de corridas de 10 km. Minha primeira corrida dessas foi a 1ª Corrida Santos Dumont na Zona Norte de São Paulo, que comemorei muito a chegada.

Passei a participar de algumas provas de 10 km até que me animei a tentar a São Silvestre. Sonhava em completá-la e comprei roupa nova, inclusive um tênis caro, para poder fazê-la e completá-la. Hoje, se faço a prova, entro de bico porque acho o preço da inscrição exorbitante.

Comecei a me acostumar a correr, a pesar de estar ‘gordinho‘ e fazer provas cada vez mais longas, como provas de 21K e 25K. Em 2006, mesmo estando meio pesado (96 kg, foto), fiz a prova Sargento Gonzaguinha para treinar para a São Silvestre.

+Corrida - Como você resolveu tentar emagrecer?

Paulinho Zoom - Há dois anos, sofri um acidente de bicicleta na USP em frente ao portão de entrada da Raia Olímpica, abrindo o queixo e quebrando a mão. Fiquei parado por 4 meses, só fazendo fisioterapia.

Quando voltei ao serviço, comecei a andar novamente. Passei a fazer um regime tomando florais, fazendo pontuação de tudo que comia, e andando 1 hora por dia.

Comecei a emagrecer, e fazer exercícios aeróbicos na rua e na esteira, sempre com monitor cardíaco, ficando na faixa de queima de gordura.

Esses fatores deram resultado. Em 2009 (foto em um treino da USP, com cerca de 70 kg), fiz três maratonas: São Paulo, Rio e Curitiba, esta última com tempo de 5h01. Foi mais de uma hora melhor que minha estreia em maratonas em 2006, em São Paulo, quando tinha 93 kg e completei a prova em 6h12.

+Corrida - Qual a importância da corrida para você?

Paulinho Zoom - Não sou um corredor velocista, sou fundista. Para mim, a corrida é um dos esportes dos deuses, tão antiga quanto a Humanidade. O homem não foi feito para ficar sentado no trabalho ou num veículo. Ele deve se movimentar, se mexer, melhorar a circulação, respiração, tomar sol etc... Para quem vive no interior parece coisa comum essas ideias, mas quem vive em Sampa, deve ficar esperto com a saúde, sem exageros.

PS.:

Faltou dizer que o apelido de Paulinho Zoom lhe foi dado pelos colegas de trabalho, e não por causa de sua velocidade, mas sim porque é meio avoado, segundo me contou...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h19

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Derramando suor na Brigadeiro

Nas passadas de Tergat

Como prometido na minha mensagem de ontem, estão oficialmente abertos neste blog os trabalhos do último ano da primeira década do primeiro século do terceiro milênio.

Recomeço, porém, dando uma olhadinha para trás, pois a São Silvestre ainda vibra nos músculos de muitos que subiram a Brigadeiro correndo, tal e qual o repórter GUSTAVO VILLAS BOAS, que por um bom tempo militou comigo no caderno de Informática e hoje atua na Ilustrada, ainda aqui na Folha.

Pois o repórter fez em 2009 sua estreia nas corridas e logo colocou como meta fazer a São Silvestre. A prova foi um marco em sua vida, como na de todos que já participaram dessa corrida-festa. E ele compartilha conosco sua experiência no texto abaixo. Vamos ao que Gustavo nos conta, não sem antes relembrar, com a foto de Joel Silva/Folha Imagem, um dos momentos da corrida, a travessia do Minhocão.

"Rolando Vera, Rosa Mota, Paul Tergart, Homem-Aranha, Papai Noel, Gustavo Villas Boas.

"Na São Silvestre é assim: pessoas de lugares diferentes, de desempenhos (bem) distintos, de histórias únicas podem derramar suor por São Paulo naquela que não é só a mais importante corrida de rua brasileira mas também um dos principais eventos esportivos do país.

"Além da alegria de correr na mesma pista que Rolando Vera e Rosa Mota --não sei porque, carrego o nome dos dois desde a infância--, quando cruzei a linha de chegada na Paulista, neste 31 de dezembro, não apenas deixava para trás os 15 km de asfalto maltratado. Depois de uma hora e 32 minutos também fiquei mais distante do cigarro (15 anos de tabagismo) e finalmente cumpri uma velha resolução de Ano Novo (há pelo menos cinco vinha prometendo ficar sem fumar).

"Descobri mais de mim e também acho que conheci mais São Paulo, talvez o Brasil.

"Da riqueza da Avenida Paulista, símbolo de status e de metros quadrados acompanhados de vários zeros, largamos milhares de pessoas.

"Sotaques, velhinhas, gente bronzeada da academia, sorrisos desdentados --na pista e no público, as pessoas se mostravam na sua variedade. As crianças --que não estavam no asfalto-- faziam filas na torcida com os braços estendidos. Confesso que, atrapalhando um ou outro, eu mudava de pista para bater a mão com elas.

"A coisa é bem eclética. No centro da cidade, passamos pelo pessoal que mora na rua vibrando pela gente que corria. Travestis dançavam ao som das passadas (desliguem, nem que seja por minutos, seus MP3 e ouçam) e gaiatos ofereciam seus tentadores copos de cervejas.

"A mistura curiosa tem, porém, seu lado deprimente. Em uma rua perpendicular à avenida São João, infelizes pessoas cobertas por trapos andavam alheias à festa. É a cracolândia que insiste em existir.

"Se, para mim, esse foi o ponto baixo, o grande momento é uma experiência bem pessoal.

"Cheguei inteiro, vibrando, à temível Brigadeiro. O primeiro quilômetro da subida foi, acreditem, o mais rápido da minha prova inteira --e o fiz sorrindo.

"Ingenuidade. Quase quebrei, parei de rir, diminui o ritmo, mas continuei com vontade. Dobrei a esquina, entrei na Paulista, gritei, berrei, urrei. Valeram todas as dores."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h12

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Blogueiro mais perdido que cusco em procissão

Agora vai

 

Pois lhe digo: até o início desta tarde eu não sabia quem tinha sido o vencedor da São Silvestre nem quais os brasileiros mais bem colocados. Também desconhecia outras tantas ocorrências deste Brasil de mudança de ano: a tragédia de Angra, os assaltos no litoral, as enchentes paulistanas.

Ficar assim, meio fora do mundo, faz bem, mas também faz mal. De qualquer jeito, estou aqui de novo e começo saudando Marily dos Santos (abaixo, foto Eduardo Knapp/Folha Imagem), a brasileira mais bem colocada na São Silvestre (no alto, a largada, foto Danilo Verpa/Folha Imagem) deste ano, confirmando sua tradição de luta.

Tem muito corredor que posa de bacana por aí e poderia aprender com ela um tanto de humildade e, principalmente, afinco aos treinos e garra nas competições. Mas deixa isso para lá que aqui ninguém é palmatória do mundo...

A gente quer mais é se divertir, como faz o povo na última corrida do ano, da qual trago fotos produzidas pela Folha, como a da dupla de sósias de Pelé e Ronaldinho Gaúcho, figuras que costumam tornar mais alegres as provas de rua aqui em São Paulo.

Houve espaço também para protesto, como o do dentista da cidade de Goiana Lucio Jose Elias Monteiro, que participou da prova vestindo uma fantasia que ironizava o apagão ocorrido no Brasil no ano passado (foto Eduardo Knapp/Folha Imagem).

E no mundo todo os atletas aproveitam a corrida de Réveillon para mandar seu recado, como em algumas tradicionais San Silvestres da Espanha (fotos EFE).

Em Murcia, um corredor participa fantasiado de toureiro.

Também em Pamplona as fantasias deram o tom da corrida.

Já a tradicional Vallencana, em Madri, teve sua largada sob o signo da chuva....

E assim declaro oficialmente reabertos os trabalhos deste 2010, que não marca o início de uma nova década, para nos faz quase chegar lá: é o derradeiro ano do primeiro decênio do século 21, primeira centúria do terceiro milênio. O que não muda nada, mas parece grande coisa! O que importa é que estamos vivos.

E vamo que vamo!

Se não for já, será agora!

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h56

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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