Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Correr clareia os pensamentos

Resolvendo dilemas

 

Corredores que treinam na cidade de São Paulo e costumam percorrer as alamedas da Cidade Universitária notaram, ao longo de março, uma propaganda da Nike anunciando um novo modelo de tênis de corrida.

A gigante do material esportivo recomendava em letras garrafais, expostas em cartazes nos relógios que marcam tempo e temperatura: “Não pense. Corra”.

Eu fiquei chocado, indignado com a mensagem e fiz dela o tema de minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilíbrio.

No texto, fiz minhas observações sobre o tema e também reflexões de especialistas em pensamentos e em corridas.

No jornal, deu apenas para colocar um breve resumo das brilhantes observações de meus entrevistados e também das explicações que a Nike dá. Mas a internet é mais acolhedora e permite que a gente se estenda e detalhe mais todas as informações e conversas.

Começo com a participação da professora da PUC Lucia Santaella, uma das maiores especialistas brasileiras em semiótica, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital. Não menos importante, pelo menos para mim: foi minha orientadora no mestrado do Tidd.

Bom, fiz meia dúzia de perguntas a ela, que respondeu por e-mail com precisão e brilho. Vamos logo à breve entrevista.

 

+CORRIDA - O que é o pensamento?

LUCIA SANTAELLA - De um modo geral, as pessoas costumam crer que o pensamento é necessariamente verbal. Mas esse é apenas um dos tipos de pensamento possíveis. Eistein dizia que só pensava verbalmente quando tinha de se comunicar. O resto do tempo, seu pensamento em nada se assemelhava ao pensamento verbal. Este é pensamento estruturado para fins comunicativos. Mas o pensamento tem muitas outras formas que não são verbais. Para Peirce, tudo que está presente à mente, é pensamento: sonoro, relacional, imagético etc.

 

+CORRIDA - Pensar exige energia?

LUCIA SANTAELLA - Todo pensamento exige algum tipo de energia. Quanto mais o pensamento envolve esforço para podermos compreender algo que nos ultrapassa, mais energia se gasta para pensar.

 

+CORRIDA - Pensar é contraditório com alguma outra atividade humana?

LUCIA SANTAELLA - De jeito nenhum. Só a morte nos levaria a parar de pensar. O pensamento, não necessariamente verbal, nos acompanha. Até mesmo o sonho é um tipo de pensamento. Hieroglífico, como dizia Freud, mas, não obstante, pensamento.

 

+CORRIDA - É possível fazer alguma coisa sem pensar?

LUCIA SANTAELLA - Há pensamento autocontrolado e pensamento fora do autocontrole. Neste último caso, parece que não estamos pensando, mas certamente estamos.

 

+CORRIDA - A gente pode pensar sem notar que está pensando?

LUCIA SANTAELLA - Sim, é o que ocorre a maior parte do tempo. Só prestamos atenção ao pensamento quando tentamos pensar sobre o pensamento.

 

 

+CORRIDA - É possível correr sem pensar? E andar de bicicleta?

LUCIA SANTAELLA - Quando realizamos esses tipos de atividades, o pensamento adquire um ritmo similar ao das atividades. Não é por acaso que, quando estamos diante de um dilema que não conseguimos resolver, saímos para andar ou correr e, quando acaba a atividade, de repente o dilema se clareia.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h09

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O que você vai fazer com os seus pés?

Sem fundamento científico

Desde que foi lançado o livro "Born to Run", que trata de uma tribo mexicana cheia de pessoas que correm longas distâncias de pés descalços, as discussões sobre as supostas vantagens de não usar tênis pululam na mídia, ao sabor dos interesses dos diversos grupos de fabricantes de tênis, que passaram a oferecer modelos minimalistas, anunciados como "naturais", seja lá o que isso for.

Bom, a indústria da pesquisa científica também entrou na dança, e pesquisas vêm sendo esgrimidas como se apontassem o caminho para o Santo Graal da podonudez. Meu amigo Fábio Shiro Monteiro, hoje radicado na Alemanha, acaba de ler na imprensa local (dele, germânica), mais um exemplo dessa história. Ele fez a gentileza de mandar um texto sobre a reportagem publicada no jornal alemão "Süddeutsche Zeitung".

A matéria afirma que novas pesquisas estabelecem que as supostas vantagens de muitos tênis de corrida não têm fundamento científico. E mais: os modernos tênis, sempre caros, não protegem os corredores de contusões típicas do esporte.

Gert-Peter Brüggemann, diretor do Instituto de Biomecânica e Ortopedia da Escola Superior de Esportes de Colônia, constatou que a quota de lesões decorrentes de corridas permaneceu constante nos últimos 30 anos, apesar do progresso dos tênis.

Mesmo os calçados com amortecedores, segundo Brüggemann, não têm funcionalidade comprovada: não existem dados científicos que relacionem o impacto do passo com contusões. Pelo contrário, muitos corredores, após comprarem tênis com amortecimento, tendem a pisar mais forte, aumentado o risco de se machucarem, diz Brüggemann.

Já seu colega Wilhelm Bloch sustenta que não é tanto a força do impacto que traz a lesão, mas sua frequência: um impacto fraco pode fazer grandes estragos, se aplicado milhares de vezes no mesmo ponto.

Estudos sobre o tema constataram que a grande vítima é o joelho dos corredores (Hospital Erasmus, Rotterdam, publicado no "British Journal of Sports Medicine"). E que quase a metade dos corredores têm, em média, uma lesão por ano. Essa lesão poucas vezes é aguda: um corredor não se machuca tanto porque caiu ou correu errado, mas antes porque correu demais (Newcastle University, Austrália, mesma publicação).

Enquanto isso, a indústria dos tênis vai preparando a próxima moda: tênis com sola mais fina, com menos amortecimento, para trazer o pé mais próximo ao solo, treinando sua musculatura. Nos EUA, lembra o texto do "Süddeutsche Zeitung",a última tendência é correr com o pé descalço mesmo, ou utilizando apenas um protetor contra cortes. Afinal, a evolução precisou de milhões de anos pra trazer o pé humano à sua forma atual...

A reportagem informa também que o biólogo Daniel Liebermann (Universidade de Harvard) publicou na revista "Nature" um estudo que comprova que o corredor de pé descalço está sujeito a forcas e tensões menores do que o de pé calçado. Descalço, o pé vai ter o impacto com o chão pela parte anterior ou média. Esse impacto vai ser naturalmente amortecido por ossos e músculos antes de passar ao calcanhar e ao joelho. Já o pé calçado atinge o chão, em geral, pela parte posterior, amortecendo menos e passando adiante maior energia de impacto. Apesar disso, Liebermann faz questão de ressaltar que não se pode concluir que, descalço, o corredor se machucará menos. Justamente por não existirem, ainda, dados científicos sobre isso. Ou seja, também não há fundamento científico, expressão usado lá no início deste texto, para defender que os corredores descalços terão menos lesões ao longo do tempo.

Ao que eu digo: tenho visto os caras fanáticos por correr descalços ou usando os tênis de dedinhos. Há vários ultramaratonistas nessa turma. Em geral, é gente que é puro músculo, corre mais de cem quilômetros por semana sem nem piscar, adora trilhas inóspitas, escolhe as provas mais complicadas e se sai bem de todo tipo de sofrimento... Podem se quebrar em algum tombo, mas deve ser gente que dificilmente se machuca igual os humanos menos favorecidos pela natureza...

Em contrapartida, uma amiga minha que nem corredora é (eu tenho amigos que não correm) passou dez dias na praia usando sandália rasteira e voltou com uma fasciite plantar que vai exigir vários meses em tratamento.

Corrida é hábito, exige treino. É possível você treinar para correr descalço. Vale a pena? Para mim, não: superbem calçado, mal consigo treinar para conseguir terminar inteiro algumas poucas ultras por ano... Para você, quem sabe.. Mas que vai envolver uma boa dose de sofrimento, lá isso vai.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h59

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Correr em Palo Alto é bom demais

 

Recorde da saudade

Na foto, Lisa Koll, da Universidade do Estado de Iowa, festeja ao quebrar o recorde universitário dos Estados Unidos nos 10.000 m, que completou em 31min18s07 na pista da Universidade de Stanford.

Ok, ela tirou quase dez segundos do recorde anterior, mas isso não seria suficiente para trazê-la para meu blog, não fosse duas coisas: a foto, que está muito bacana, e o fato de a prova ter sido realizada na pequena e bela Palo Alto, que me traz belas recordações.

Na primeira vez que cheguei lá, entrei correndo no hotel, correndo larguei as malas e coloquei uma nova camiseta, descendo acelerado as escadas e em marcha forte seguindo até o estádio de Stanford. No caminho, rápidas paradas para negociar com cambistas até conseguir ingressos a preços razoáveis...

Com a camiseta verde-amarela, sentei nas arquibancadas, na linha da grande área, para torcer pelo Brasil contra os Estados Unidos. Na minha frente, Bebeto fez o gol da vitória e colocou a seleção no caminho do título mundial de 1994.

Bem menos emocionantes, mas igualmente satisfatórias, foram as longas caminhadas pelo campus de Stanford, as descobertas da alamedas de Palo Alto, com ser ar meio jeca, mas cheio de segredos, como uma loja especializada em café que trazia grãos do mundo inteiro ou um sebo de discos onde encontrei "Harvest" em LP, um vinil grosso, tão denso quantos as baladas de Crosby, Stills, Nash & Young.

Naquela época, eu ainda não corria, mas ficava nas ruas como podia. Além das caminhadas, rodei muito de bicicleta pelo asfalto alto-palense. Lá tomei consciência das faixas exclusivas para ciclistas (das quais usufruí o máximo que pude) e fiquei absolutamente abismado ao ver que a faixa exclusiva, demarcada apenas por uma lista de tinta branca de menos de dez centímetros de largura, era rigorosamente respeitada pelos motoristas locais...

De Palo Alto trago a recordação de legumes assados na grelha e do melhor sorvete que iogurte que jámais provei, em uma lojinha cheia de delícias, no caminho para a estação de trem onde se toma o expresso para São Francisco.

É, portanto, uma lembrança com cheiros e gostos, com paisagens e muito som. Desde então, sempre que lembro da cidade, não posso deixar de dar o grito de guerra, com o perdão do trocadilho infame, mas quase obrigatório: "Palo Alto e Pala Cima!!!". E lá vamos nós...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Morte nas ruas de Berlim

Festa e tristeza

Um homem de 43 anos morreu ontem na meia maratona de Berlim, na Alemanha. Faltando cerca de um quilômetro para a chegada, ele caiu ao chão desacordado. Foi atendido e passou por processo de reanimação, mas não resistiu.

Foi a nota triste e dramática em uma corrida linda e festiva, que incluiu patinadores e corredores (fotos Reuters) e um trajeto pleno de história, com a passagem pelos portões de Brandenburgo.

Cerca de 25 mil pessoas participaram do evento.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h10

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Atletismo brasileiro vence Sul-Americano de Medellín

Cenas de ouro e prata

O Brasil foi campeão no torneio de atletismo dos Jogos Sul-Americanos, encerrado ontem em Medellín (Colômbia). Na competição, que foi também o Sul-Americano sub-23, o país conquistou um total de 42 pódios, contra 34 da equipe anfitriã e 15 da Venezuela. O Brasil ganhou 13 ouros, a Colômbia ficou com 11 títulos e a Venezuela venceu seis modalidades.

O destaque da equipe brasileira foi Ana Cláudia Lemos Silva (foto AP no alto) que, logo da rodada de abertura, igualou o recorde sul-americano dos 100, cravando 11s17, mesma marca estabelecida pela compatriota Lucimar Moura em 1999. Na final, Ana Cláudia levou o ouro com 11s37.

Acompanhe a seguir outras cenas brasileiras de ouro e prata.

 

Franciela Krasucki corre a última perna do 4x100 para conquistar o ouro (AP).

Tatiele Carvalho voa para vencer os 5.000 m.

Mais Tatiele, que estava superfeliz (fotos AP)

Jessica Santos também faz sua festa, cheia de energia, depois de levar o ouro nos 800 m (Reuters).

 

Mais festa, agora de Barbara Farias, ouro nos 400 m (AP).

O revezamento masculino 4x100 ficou com a prata depois de disputadíssima perna final entre Helder Alves (à dir.) e Omar Longart, que levou a Venezuela ao topo do pódio (Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h57

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Jovem tem ataque cardíaco na maratona de Los Angeles

Cenas do domingo corrido

O queniano Wesley Korir (de camiseta laranja) e outros corredores passam em frente ao Teatro Chinês durante a maratona de Los Angeles, realizada ontem (fot AP). Korir, que hoje mora nos EUA, segurou a tropa até cerca de dois quilômetros do final e daí queimou o chão para fechar em primeiro com 2h09min19.

Durante a prova, um jovem de 21 anos sofreu um ataque cardíaco. Foi atendido no asfalto e levado ao Centro Médico da Universidade da Califónia em Los Angeles, onde sua condição foi avaliada como "crítica".

No total, 115 pessoas foram atendidas pela equipe médica, e 31 delas levadas a hospitais com sintomas de fadiga, desidratação e dores no peito, além de outros problemas.

HOMENAGEM AO MAIOR DE TODOS

De pés descalços, o etíope Siraj Gena cruza a linha de chegada da maratona de Roma, tendo o Coliseu ao fundo (AP). Ele tirou os tênis cerca de 500 metros antes do final para homenagear os 50 anos da vitória de seu compatriota Abebe Bikila, primeiro africano negro a conquistar uma medalha de ouro numa olimpíada.

A vitória de Bikila foi exatamente em Roma, nos Jogos de 1960, quando ele correu descalço toda a maratona. Em Tóquio, quatro anos mais tarde, ele voltou a vencer a maratona olímpica, agora usando calçado de corrida.

UNIFORMES E FANTASIAS

O monge budista Sung-won (AP) corre pilchado a maratona de Seul, que teve ontem sua 81ª edição. Deve ser um horror correr lá com essas roupas _há alguns anos, eu treinei durante a madrugada no percurso da maratona olímpica e quase derreti com a quentíssima umidade.

Corredor participa da maratona Taipei Express vestido como personagem do filme "Avatar" (Divulgação). Na prova realizada ontem, o queniano Henry Cherono venceu com o tempo mirreca de 2h24min07. Deve haver pelo menos uns dez corredorres brasileiros capazes de dar um pau num tempinho desses....

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h00

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Cuba realiza em Havana a Maratona da Esperança

Jornada solidária

 

Menina cadeirante participa da 12ª edição da Maratona da Esperança Terry Fox, que foi realizada em havana no sábado passado. A prova acontece anualmente e é uma das iniciativas para arrecadar fundos para as pesquisas contra o câncer e para homenagear Terry Fox, saudado internacionalmente como um grande lutador contra o câncer.

O garoto canadense Terry Fox teve câncer aos 18 anos, em 1977.

Com a perna parcialmente amputada, ele iniciou uma jornada pelo Canadá para arrecadar fundos para combater a doença e para divulgar o problema. Correu uma maratona por dia até ser forçado a parar por causa da doença, que enfim atingiu seus pulmões --no total, percorreu 5.373 quilômetros.

Morreu aos 22 anos e vive como símbolo de luta e de solidariedade humana, mesmo nas mais adversas condições (fotos Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h25

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Marilson enfrenta Haile em Nova York

Com (internet) TV

 

Domingo a cobra vai fumar na meia maratona de Nova York, a primeira edição desta corrida realizada nas menos assustadoras temperaturas do início da primavera norte-americana -as quatro anteriores foram no alto verão.

A expectativa de temperaturas boas para correr só aumenta a possibilidade de belos tempos, já dada pela alta qualidade dos contendores presentes.

Lá estarão, por exemplo, o recordista mundial da maratona, Haile Gebreselassie e o bicampeão de Nova York Marilson Gomes dos Santos. No feminino, a medalhista olímpica Deena Kastor e Mara Yamauchi são algumas das figuras estreladas.

Haile corre contra sua própria marca de 59min24, recorde da prova que estabeleceu em 2007. Deena busca quebrar o tempo da grande Catherine Ndereba, que em 2006 fechou em 1h09min43.

Há mais de 14 mil inscritos na prova, que começa às 8h30 de domingo (hora de Brasília) e será transmitida pela internet, ao vivo, pelo site Universal Sports.

E a festa internetelevisiva não terminará uma hora depois...

É que a partir das 11h, o mesmo site passa a transmitir a maratona de Los Angeles.

O queniano Wesley Korir, 27, que venceu no ano passado com 2h08min24 tenta o bi. Vai enfrentar a forte concorrência do compatriota Richard Limo, 29, que marcou 2h06min45 em Amsterdã em 2007, e do etíope Tariku Jufar, 25, dono da razoável marca de 2h08min10.

No feminino, algumas das principais figuras são a etíope Ashu Kasim, 25, que terminou em quarto lugar a maratona de Paris do ano passado, com 2h25min49, e a russa Silvia Skvortsova, 31, que fechou Berlim em 2h26min24, também no ano passado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54

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Maratonista atingido por árvore será enterrado hoje

Família doa órgãos de esportista

Será hoje à tarde, no cemitério Parque Jaraguá, o enterro do maratonista Ricardo Dutra Nicássio, 28, que foi atingido por uma árvore na zona oeste de São Paulo durante o temporal do último domingo (14).

Ontem, após a confirmação da morte cerebral do corredor, a família autorizou a doação de órgãos de Nicássio. Foram doadas as córneas, os rins, o coração e o fígado.

"Seis pessoas serão beneficiadas com a doação. E nesse momento, o coração do meu irmão já está batendo no peito de outro pessoa e uma família está feliz", disse Patricia Nicássio, irmã de Ricardo, após receber informações da Central de Transplantes.

Nicássio era biólogo e estava noivo. Ele corria ao lado de seu treinador e outros dois amigos no momento do acidente.

Deixo aqui meu abraço aos amigos e parentes do corredor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h59

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Franck e Adriana vencem em Aracaju

Festa de aniversário

Esta é uma prova que está no meu cardápio de desejos: a Corrida Cidade de Aracaju. É realizada sempre no dia 17 de março, em homenagem ao aniversário da cidade, que ontem completou 155 anos.

De fato, é uma corrrida de duas cidades, pois o início é no largo São Francisco, no município vizinho de São Cristóvão. A chegada, 25 km depois, é na praça do Mini Golf, em Aracaju.

Pois a edição de ontem foi vencida por um mineiro, o sempre bem-humorado Frank Caldeira, que completou o percurso em 1h17min30 e levou um checão de R$ 6.300. para vencer, deixou para trás o campeão da meia maratona de São Paulo, Giomar Pereira da Silva, que havia vencido no ano passado. Marcos Antonio Pereira, que liderou quase toda a prova, acabou ultrapassado e ficou apenas com a terceira colocação.

No feminino, a campeã foi a paulista Adriana Aparecida da Silva, que fechou em 1h30min e também recebeu um cheque de R$ 6.300. Em segundo chegou a alagoana Marily dos Santos, vencedora no ano passado, ficando o terceiro posto para a ex-boia fria de Sertãozinho (SP) Maria Zeferina Baldaia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

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Corredor é morto por aviãozinho

Sem som


Robert Gary Jones estava na maior tranquilidade, correndo na praia e ouvindo música em seus fones de ouvido quando foi atropelado e morto por um avião monomotor que fazia um pouso de emergência na ilha Hilton Head, na Carolina do Sul, na tarde da última segunda-feira (foto AP).
Jones, 38, era vendedor de produtos farmacêticos e estava na ilha em viagem de negócios. E estava louco para voltar para casa, na Georgia, para participar da festa de aniversário de sua filha, que hoje completa três anos.
Ao que foi informado, a visibilidade estava difícil durante o pouso de emergência, e o avião desceu sem fazer barulho, pois estava planando. Pegou desprevenido o corredor, concentrado em sua música.
O piloto, Edward I. Smith, e seu passageiro, saíram do acidente sem ferimentos mais graves.
“Estou com muitos problemas. Matei um homem e estou com um avião todo quebrado”, disse o piloto ontem enquanto acompanhava a remoção da aeronave.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h27

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Pedestre é a maior vítima do trânsito paulistano

Fique de olho

A coluna da Monica, hoje na Folha, revela: 671 pedestres morreram em acidentes de trânsito em São Paulo no ano passado.
No total, houve 1.382 mortos no trânsito, sendo os motoqueiros a segunda categoria mais atingida, com 428 mortos. Há registro de 61 mortes de ciclistas; os demais atingidos foram motoristas ou passageiros.
Isso é muito ou pouco, em comparação com outros locais?
Claro que uma morte já é muito, especialmente para a vítima e seus familiares. Mas, independentemente da questão afetiva, o trânsito paulistano é violento demais: o índice de morte por 10 mil veículos chega a 2,07, o que é mais do que o dobro do verificado na Alemanha (0,89) e bem maior do que o registrado nos Estados Unidos, que é de 1,6.
E olha que 2009 não bateu o recorde de violência: em números absolutos, teve 10% menos mortes do que no ano anterior.
Bom, tudo isso é para dizer, mais uma vez, que você deve ficar muito esperto, muito atento ao correr pelas ruas de São paulo --ou de qualquer cidade.
Por favor, NÃO USE fones de ouvido no seu treino entre carros e motos; deixe para ouvir música quando estiver correndo em algum parque, na academia ou outro local sem trânsito. NÃO ADIANTA usar o fone apenas em um ouvido; sua atenção fica dividida de qualquer forma.
Procure usar roupas claras e chamativas; corra nas calçadas ou na contramão, atento ao fluxo de veículos. Pare nos cruzamentos, olhe para TODOS OS LADOS antes de atravessar.
NÃO PENSE que o motorista está de olho em você; ao contrário, em geral os motoristas não esperam que venha alguém pela contramão.
Se for correr À NOITE, redobre todos os cuidados. Use roupas reflexivas ou sinais luminosos; examine a possibilidade ou a necessidade de usar uma lanterna de cabeça (elas são leves e desconfortáveis, mas a gente aprende a usá-las minimizando o incômodo).
Enfim, não vá morrer por aí, não se transforme em mais um número nessas terríveis estatísticas da violência no trânsito.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h34

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É gravíssimo o estado de maratonista atingido por árvore em São Paulo

Situação dramática

O Hospital de Clínicas de São Paulo informou há pouco que continua inalterado --e gravíssimo-- o estado do maratonista que foi atingido por uma árvore que caiu durante o temporal de domingo em São Paulo.

Ricardo Dutra, de 28 anos, corria na avenida Brasil, próximo do cruzamento com a avenida Rebouças, quando o acidente aconteceu. Ele estava com seu técnico, Jorge Campos, 54, quando o temporal começou.

Eles procuraram abrigo, mas foram atingido por uma árvore, derrubada durante a chuvarada. Campos sofreu apenas ferimentos leves; Ricardo levou uma batida forte na cabeça e ficou preso embaixo da árvore, de onde foi retirado por uma equipe do corpo de Bombeiros.

Sofreu uma hemorragia craniana precisou ser operado. Segundo o HC, ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e respira com auxílio de aparelhos.

Um abraço a ele, a seu treinador e às famílias dos dois.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h50

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Fabiana, a mulher de ouro

Primeira e única

Ao saltar 4,80 m ontem no Aspire Dome, em Doha, Fabiana Murer se tornou a primeira --por enquanto, única-- mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro em um Mundial de Atletismo, na categoria adulta.

Ela superou um dos maiores monstros do atletismo mundial, a russa Yelena Isinbayeva, campeã olímpica e multirrecordista do salto com vara, que decepcionou na competição realizada no Catar, nem sequer chegando ao pódio.

Fabiana fez seu melhor salto logo na primeira tentativa. A ex-recordista mundial Svetlana Feofonova, da Rússia, também saltou 4,80 m, mas na segunda tentativa, o que lhe valeu a prata.

"Estou muito feliz", disse Fabiana, logo depois de dar a volta olímpica, à Sportv. "Estava bem preparada, mas só pude comemorar depois do último salto da Svetlana. Aí ficou definida a classificação e vi que tinha garantido o título para o Brasil. É grande estímulo para mim e para todos os atletas do Brasil, especialmente para quem faz salto com vara", disse a atleta.

Com o resultado de Fabiana e mais o bronze de Keila Costa, no salto em distância, o Brasil ficou em oitavo lugar no quadro de medalhas, melhor posição do país em Mundiais Indoor.

Na história, informa a Confederação Brasileira de Atletismo, o país soma 12 medalhas em Mundiais Indoor. No masculino, há também uma única medalha de ouro, conquistada por Zequinha Barbosa nos 800 m em Indianápolis-1987.

Fotos Reuters e AP

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h01

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Poluição prejudica desempenho das mulheres na maratona

Traqueias delicadas
A poluição do ar afeta negativamente o desempenho das mulheres na maratona, afirma uma pesquisa recentemente divulgada nos Estados Unidos.

Segundo Lynsey Marr, especialista em engenharia ambiental do Instituto Politécnico da Virgínia, um número maior de partículas poluentes no ar está associado a um desempenho pior das mulheres em maratonas. Os tempos dos homens não foram afetados significativamente, de acordo com a pesquisa.

Marr levanta a hipótese de que a diferença se deva ao tamanho menor da traqueia das mulheres, que poderia ser mais facilmente irritada pelas partículas de elementos poluentes.

Marr e Matthew Ely, do Instituto de Pesquisas em Medicina Ambiental do Exército dos EUA, analisaram os resultados de sete grandes maratonas norte-americanas ao longo de 28 anos, cotejando-os com dados sobre o clima e os níveis de poluição no dia da prova.

"Apesar de os níveis de poluição nessas maratonas raramente terem excedido os padrões aceitáveis para qualidade do ar, o desempenho das atletas foi afetado", afirmou Marr.

De acordo com outras pesquisas, um corredor de maratona, durante a prova, inspira e expira um volume de ar equivalente ao total respirado por uma pessoas sedentária ao longo de dois dias, segundo a agência de notícias UPI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h51

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Poeta-engenheiro estreia no mundo das corrida

Choro de cinquentão

Ele mora no Butantã, com sete gatos e dois cachorros. Por profissão, é engenheiro, mas arrisca a sorte nas letras e já publicou três livros de poesia. Aos 53 anos, o paulista CARLOS YUGI SHIBUYA acaba de estrear no mundo das corridas. Seu batismo foi a meia maratona de São Paulo. No texto a seguir, ele compartilha com a gente um pouco de suas emoções na nova empreitada. 

 

"Agora posso me considerar um CORREDOR! Domingo último, dia 07 de Março de 2010, fiz minha estreia em competições participando da Meia Maratona de São Paulo.

"Comecei há três anos, com caminhadas diárias devido a recomendações médicas por problemas de hipertensão arterial. Desde janeiro de 2009, cansado da monotonia de só andar, resolvi correr. Treinei diariamente por um ano indo correr de madrugada bem cedo no Campus da USP.

"No começo foi difícil, mal dava trotes de cem metros, mas aos poucos fui fluindo no asfalto e em poucos meses já fazia 5 km direto e depois 10 km. Aos poucos fui subindo a quilometragem e no meio do ano já rodava bem uns 60 km por semana. Em janeiro deste ano, já fazia de 80 a 120 km por semana.

"Mas isso de só treinar também cansou e resolvi competir. A escolhida para a estreia não podia ser mais desafiadora. Uma meia maratona.

"No domingo, ao adentrar na praça Charles Muller, pude sentir a magia daquele momento. Estava eu ali solitário em meio àquela multidão toda composta dos mais variados tipos, cada um com sua motivação de estar ali mas todos com aquela mesma comunhão: a de participar daquela corrida.

"Antes da largada, vi andorinhas fazendo rasantes sobre a multidão, as vozes estridentes emanando dos alto falantes, o céu nublado. Senti uma leve tontura e um frio na barriga.

"Largamos! Em passos vagarosos iniciamos. Passei o portal e aos poucos aos trotes comecei minha corrida. Descíamos a Pacaembu e logo fiz uma constatação. Uma coisa é correr solitário pelas alamedas desertas do Campus logo de madrugada esperando pelos primeiros raios de Sol por entre as copas das árvores. Outra bem diferente é estar com um monte de gente ao seu lado.

"O começo foi dificultoso. mas aos poucos fui passando os mais vagarosos e aumentei a velocidade para tentar encaixar minha corrida. Já no km 4 sobre o Elevado, apesar da pista estreita, pude finalmente encontrar o ritmo imaginado para aquela fase da corrida. Ia me abastecendo de água, bebendo e jogando um pouco no rosto e na nuca. E também carregando um copo nas mãos para alguma eventualidade, pois o calor já se fazia anunciar, com o Sol dando as caras por entre as nuvens.

"Já no km 7 em Santa Cecília pude perceber que alguns corredores de mesmo ritmo se apresentavam e meu redor. Ora passavam por mim, ora eu os ultrapassava. Marquei alguns. Uma mocinha com a camisa do São Paulo, um jovem alto de camiseta azul e cabelos lisos um pouco compridos e uma menina de cabelos lisos morenos. Resolvi apostar uma corrida imaginária com eles.

"Na altura da José Paulino, ultrapassei a são-paulina e aumentei o ritmo. Logo depois na subida da Anhaia debaixo do pontilhão da Sorocabana, a moreninha diminuiu, e eu acelerei para ultrapassar. Mas o cara de azul estava sempre ali comigo e a coisa iria durar um pouco mais.

"No final do Elevado, vejo o cara de azul ali bem perto na descida para o Pacaembu. Pego um último copo d’água, busco um gás e acelero para um sprint até o final. Finalmente ultrapasso o cara de azul e mantendo ritmo, meio alucinado a essa altura, vislumbro o Estádio e adentro a praça.

"Começo a lacrimejar e sem perder o ritmo cruzo a chegada com um tempo líquido talvez de 2h06. Choro. Bebo água. Lágrimas se misturam. Busco a medalha, ela reluz pendurada no pescoço. Soluços."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h54

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CBAt determina: maratonas só para maiores

 

Será que a lei pega?

Dizem os entendidos que, no Brasil (e, provavelmente, também no resto do mundo), há lei que pega e lei que não pega.

Ou seja, apesar de aprovada e sancionada, não sai do papel pelas mais diversas razões.

Temo que seja isso que vá acontecer com uma deliberação tomada pela CBAt, que é a entidade máxima do atletismo brasilerio.

Ela aprovou no último dia seis sua norma número 12 --Categorias oficiais do atletismo brasileiro por faixa etária.

O segundo e o terceiro artigo tratam da participação em meia maratona e maratona, respectivamente, estabelecendo o seguinte:

"Art. 2º Para provas de Meia-Maratona somente podem participar atletas com dezoito (18) anos de idade ou mais no ano da competição.

"Art. 3º Para as provas da Maratona e 50km Marcha Atlética somente podem participar atletas com vinte (20) anos de idade ou mais, no ano da competição."

Claro que isso se refere a competições sancionadas e aprovadas pela CBAt.

Lembre-se de que o estabelecido na nova norma não é exatamente uma novidade. Em sua norma 7, de dezembro passado, sobre homologação e reconhecimento de corridas de rua, a CBAt já dizia, no item 13 do artigo 8º, que "A idade MÍNIMA para atletas participarem de provas com percurso da Maratona ou acima dessa distãncia é de 20 anos".

Não sei como isso funciona, na prática. Ou seja, se todas as maratonas ficam obrigadas a cumprir as normas da CBAt ou se a entidade tem formas para fazer cumprir sua decisão ou medidas punitivas a tomar contra quem não as cumprir.

Hoje em dia, pelo que me lembro dos regulamentos das provas, as maratonas costumam exigir dos atletas ideade mínima de 18 anos no ano da prova.

É o que diz, por exemplo, o regulamento da Maratona Internacional de São Paulo (que já estava no ar antes da divulgação da norma da CBAt, que fique claro): "a. A idade mínima exigida para participação na Maratona, os 25km e os 10km é de 18 anos completos até a data de cadastro/inscrição do atleta, obedecendo o direito de maioridade do país. A ORGANIZAÇÃO sugere que os atletas inscritos para a MARATONA tenham mais de 20 anos de acordo com a norma 07 da CBAt."

Bom, que falem os juristas, que disputem entre si os organizadores de provas...

Eu não tenho esse problema, pois há muito tempo já passei dos 18 anos...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h47

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Bolha maldita sobrevive após a corrida

No estaleiro

 

Hoje é o terceiro dia que estou sem correr desde que terminei, no sacrifício, a meia maratona de São Paulo, no domingo passado. A causa é a maldita bolha que me acometeu durante a corrida e que, nesta manhã, apresentava o lastimável estado que pode ser visto na imagem acima.

Perdoe pelo terrível mau gosto de mostrar a dita cuja, mas acho que vale como ilustração educativa...

Ao longo dos últimos dias, voltei a pesquisar nos alfarrábios internéticos para aprender mais sobre essas porqueras.

Repeti que caminhos que já trilhara várias vezes ao longo dos últimos 11 anos; os resultados foram os mesmos: por mais que boas almas sugiram paliativos, o tratamento é um só, e fica a cargo do tempo, o grande curativo de nossa espécie.

De fato, devo dizer que já sabia que, mais cedo ou mais tarde, meu pé seria atingido por bolhas, coisa que já não sentia há muito tempo. Isso porque desde o final de janeiro estou me esforçando para modificar meu jeito de correr, tentando dar uma passada mais saudável, digamos assim.

Tenho pé chato e costumo bater o pé de chapa no chão, primeiro o calcanhar, depois o resto, deixando os dedos meio levantados. Aprendi que isso só colabora para que o pé continue chato, e não ajuda nada a fortalecer a já sofrida musculatura do pisante.

O saudável, me ensinam, é entrar com o calcanhar meio de lado, daí apoiar o quinto dedo e então o primeiro (dedão), já iniciando o processo de propulsão. Nesse movimento, os dedos devem ficar para baixo.

Descrevendo, parece complicado, mas provavelmente é o que você faz naturalmente, sem nem se dar conta. Eu, porém, tenho de pensar a cada passo, planejar movimentos e dobrar os dedos.

Com isso, cria-se um “buraco” logo atrás do dedão, entre ele e o segundo dedo, que é um criadouro natural de bolhas. Basta a meia não estar perfeitamente ajustada, fofinha e comprimida, basta o suor se concentrar um pouco mais na região, e lá vem bolha.

Isso ocorreu no domingo retrasado, na meia de Brasília, mas não chegou a grandes proporções. Durante a semana, segui correndo, o que provavelmente deixou ainda mais sensível a região. No domingo, foi o estrago geral.

Agora, é esperar passar. Segunda-feira, folguei dos treinos, como sempre faço; ontem, andei uma hora de bicicleta; hoje, dei uma dolorida caminhadinha com o cachorro; quem sabe, amanhã possa trotar...

Quanto ao tratamento, o melhor mesmo, eu já sabia e confirmei, é prevenir. Fazer tudo para evitar ter bolhas.

Uma vez que ocorram, há que deixar a área limpa para evitar infecção. Pois o lugarzinho é terreno fértil para bactérias terríveis, de ação maligna. Sai prá lá, bicho do demo! Logo o meu pé sara e terei outras corridas para correr.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h22

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Desafio Ilhabela fica (um pouco) mais barato

Em prestações

 Recebi hoje mensagem da Corpore informando que foram modificadas as condições para a inscrição no Desafio Ilhabela, que comentei aqui no blog.

Agora, a situação é esta, conforme o site da entidade: “associados Corpore R$100; não sócios R$130,00, ambos podendo optar por pagar em duas vezes no cartão de crédito. Caso o atleta não seja associado, ele pode fazer a sua associação junto com a inscrição já pagando o valor de associado”.

Interessados devem ficar atentos ao site da Corpore para mais informações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h39

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Meia de São Paulo tem emoção, diversão e dor

Por um fio de cabelo

Foi ali, ali, empurrado pelos gritos pela torcida, que o campeão do Ranking de Corredores de Rua Caixa/CBAt de 2009 deu um gás para fechar em primeiro na Meia Maratona de São Paulo, disputada ontem na região central da cidade. O baiano Giomar Pereira da Silva subiu a avenida pacaembu emparelhado com dois quenianos, mas teve forças para o arranque já na volta rumo à chegada, fechando em 1h04min31, somente um segundo à frente de Kiprop Mutai e seis de diferença sobre Mathew Cheboi, vencedor da primeira edição da corrida.

"Foi uma prova muito difícil e essencialmente tática. Tentei fugir algumas vezes depois do quilômetro 9, mas não deu. No final, fui com tudo e os quenianos ficaram muito perto", disse o vitorioso. Silva, antes de se transformar em corredor, foi durante dez anos carregador de engradados de cerveja --conta um técnico que o conhece que a ferra colocava três engradados nas costas e ainda apostava corrida.

A vitória é um prêmio para o esforço e a dedicação do atleta de Jacobina, também terra natal da vice-campeã, Simone Alves da Silva, que ficou atrás apenas da queniana Rumokol Elisabeh Chepkanan.

Já cá atrás, entre os amadores, eu não ganhei nada, mas me diverti, depois de sofrer muito.

No km 18, gritava de dor, xingando a maldita bolha que, desde o km 13, vinha se instalando na planta do pé direito, rumando para o dedão, no mesmo exato lugarzinho maldito em que uma superbolha havia me infernizado no domingo anterior, na Meia Maratona das Pontes, em Brasília.

Tinha que dar um jeito naquilo, pois a prova de ontem se desenrolava com alegria, beleza e galhardia. Até mesmo o sol, que só apareceu com todo o seu poder depois da metade da competição, parecia querer contribuir para o bom andamento dos trabalhos.

Que começaram em ritmo de festa. Antes da largada, quem quisesse poderia fotografar Marilson Gomes do Santos em aquecimento, dando voltas na praça Charles Muller, em frente ao estádio do Pacaembu. Música soava nos alto-falantes, mais ou menos, enquanto o locutor já chamava a galera para a largada.

Éramos milhares --segundo a organização, houve 9.000 inscritos no evento, que incluiu também uma prova de 10 km (10.550 m, diz o release. Essa, por sinal, foi a distância escolhida por Marilson, que correu sozinho, sem adversários, para terminar em 29min06, quase três minutos à frente do segundo colocado.

Uma vez dada a largada, sob céu nublado, a gente saiu na maciota e, num zás-trás já estava no elevado, rumando ao centro.

É a melhor parte da prova, percorrendo ruas que já havia trilhado em treinos, mas nunca em corrida oficial (fotos Divulgação). Passamos pela Sala São Paulo tão bela, depois tangenciamos a estação da Luz, cujas formas mal notamos, para então voltar e adentrar setores do Bom Retiro.

São ruas feias, é verdade, mas pulsantes de São Paulo. Ao descer a alameda Cleveland, dá para ver, ao longe, em suas transversais, os "nóias", o povo do rua que por ali se amontoa em declaração viva e explícita dos males urbanos, das chagas de nossa sociedade.

O corredor mal consegue pensar nos dramas que se desenrolam em volta. Precisa correr. Eu estou rápido demais, consciente de que precisava honrar a promessa feita neste blog, de que seria o vencedor de minha categoria. Com a certeza de que o objetivo seria atingido --afinal, não é cada um de nós o único campeão de sua própria categoria particular?--, tratei de reduzir um pouco, pois o que alguns consideram tartaruguesco ritmo de seis minutos por quilômetro é para mim, por enquanto, ritmo de chegada...

Então vamos com calma.

Converso com amigos que passam ou que alcanço, respondo a cumprimentos pelo blog e pelos livros (muito obrigado, turma!!), bebo mais alguns goles de água gelada --em todos os postos, o precioso líquido estava na temperatura devida, folgo em dizer.

E, quando me alegro ao passar sob a faixa que marca o km 12, indicando que agora só temos que vencer quilômetros na casa das unidades, lá vem a bolha avisar que pretende me incomodar. Pouco depois, o sol também aparece definitivamente, rompendo a barreira das nuvens e se instalando como posseiro do céu azul.

Falta pouco, me digo, e começo a economizar. Subo um viaduto caminhando, troto na descida, chego novamente ao elevado Costa e Silva, que é mais conhecido como Minhocão. Agora é o esforço derradeiro, pois vamos sair dele, nesta segunda etapa (a prova teve duas voltas, a primeira com cerca de 14 km e a outra com cerca de 7 km), quase diretamente para a reta final na Pacaembu.

Antes, porém, há que caminhar, rearrumar a passada, tentar enganar a bolha. Que vai doendo, doendo, até provocar um grito, até fazer dar vontade de se chutar. E eu não chuto, mas piso, enfio o pé no asfalto, caminhando mais um pouco, só um pouco, até o último posta de água antes da chegada.

Descanso ali, caminho até a marca do km 19, e daí solto o pé. Com ritmo fechado, sem esmorecer, chego ao km 20 e vou acelerando. Quando entro na praça, aperto bem o ritmo, para chegar bonito, pois já vejo o pórtico que indica o final. Mas qual o quê! No caminho da chegada há mais uma curva e outra ainda, para só então dar a disparada final.

Foi bom.

Chego sem gritos, mas uivando por dentro contra meu pé. O GPS marca 400 metros de diferença em relação à distância oficial da meia maratona, mas o que importa é o que marca o relógio: oito minutos a menos do que o registrado no domingo anterior, em Brasília. Terminei em 2.929º lugar, tempo líquido de 2h12min20. Ou seja, campeão da minha categoria particular, privada e única. Mais uma vez. De novo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h35

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Queniano pulveriza recorde de Barcelona

Espanha do Quênia

Corredores passam pela Sagrada Família (foto EFE), uma das maravilhas arquitetônicas que Barcelona oferece, durante a maratona realizada hoje na cidade.

A prova foi vencida pelo queniano Jackson Kotut, que não só pulverizou o recorde da prova, que durava desde 1998, mas também, ao cravar 2h07min30, estabeleceu a melhor marca jamais vista em uma maratona na Espanha.

No feminino, a etíope Debele Wudnesh estabeleceu novo recorde da prova no atual circuito: 2h31min51.

Barcelona é uma das mais belas e prazerosas cidades que conheço. Sua maratona passa por cenários fantásticos, a começar pela largada, que também é grandiosa (veja abaixo).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h11

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Desafio Ilhabela faz 10 anos e tem mudanças

Grupo menores, trechos mais curtos

Parece que foi ontem que participei da primeira edição do desafio Ilhabela, prova de revezamento que percorre aquela bela ilha paulista. Pois a prova fará dez anos neste 2010, e a Corpore, que organiza o evento, está fazendo grandes modificações no formato da competição.

No original, cada equipe tinha cinco corredores e um nadador, que fazia um trecho de 1.500 metros no mar salgado de São Paulo. Quando ele saía da água, todos corriam juntos os 3.000 metros finais até a chegada, completando um desafio de mais de 100 km, que durava horas a fio sob o sol inclemente.

A mudança simplificou tudo, a começar pela montagem das equipes, que agora serão no máximo trios, com direito a um reserva. Os corredores podem optar entre as seguintes modalidades:

Desafio Norte revezamento com dois atletas titulares + um reserva opcional para percorrer seis trechos, completando 27,2 km

Desafio Sul - revezamento com três atletas titulares + um reserva opcional para percorrer sete trechos completando 48,8 km

Desafio Leste - um único atleta para percorrer 24 km. Nessa prova, o atleta parte para a subida da trilha que leva à praia de Castelhanos. Ao chegar ao topo dessa trilha (630 metros de altitude), o corredor retorna, encerrando a prova.

Desafio Total - essa prova é para as equipes que gostam e estão acostumadas com o antigo sistema de disputa. Dessa forma, o resultado será a soma das 3 corridas que serão disputadas simultaneamente.

A mim parece uma mudança bem-vinda, pois mesmo quem tem uma equipe grande será contemplado com o desafio total. E evento vai tomar menos tempo, o que também facilita a vida de todo mundo.

Os preços são salgados: até dia 15 de abril, associados Corpore pagam R$ 100, e não sócios, R$ 150. Depois, os preços sobem 20%.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53

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Elite às pampas na meia de Sampa

Marilson, Marizete(s), Franck, Zenaide...

Se o tempo ficar assimzinho, desse jeito meio bobo, chove agora, nubla daqui a pouco, até que não vai ser ruim correr a meia maratona de São Paulo, apesar do percurso acinzentado como a cidade.

A participação de cada corredor ganha tempero especial com a presença de um grande contingente de corredores de elite, a começar pelo superastro Marilson Gomes dos Santos, que vai correr a prova de 10.550 m como treino para a meia de Nova York.

O fato é que qualquer um de nós poderá disputar espaço com esses grandes nomes, e não poucos atletas comuns conseguem, pelo menos por algum tempo, correr ao lado (e até à frente) dos profissionais, coisa que não é possível em nenhum outro tipo de esporte.

Você se imagina disputando na Indy? Ou trocando botinadas com Ronaldo? Ou nadando braçada a braça com Cielo?

Bueno, neste domingo milhares de nós, homens e mulheres comuns, estaremos no mesmo asfalto de um pelotão de elite para ninguém botar defeito.

A se confirmar a lista distribuída pela assessoria de imprensa da meia maratona de São Paulo, teremos o maratonista olímpico José Telles e o campeão pan-americano Franck Caldeira, além de Damião Ancelmo de Souza, campeão da Copa Brasil Caixa de Cross Country de 2010, e de Guiomar Pereira da Silva, vencedor do Ranking de Corredoras de Rua Caixa/CBAt 2009.

No feminino, Maria Zeferina Baldaia, campeã da Maratona de São Paulo, da Meia Maratona do Rio, da Volta da Pampulha e da São Silvestre, vai desfilar seu sorriso, disputando a cada metro com Zenaide Vieira, campeã da Copa Brasil de Cross Country e da corrida Sargento Gonzaguinha, além de Marizete Moreira dos Santos, campeã do Ranking de Corredoras de Rua Caixa/CBAt, Conceição de Oliveira (vice-campeã) e Marizete Rezende (terceira colocada).

Que vença quer chegar primeiro!!!

Desde já, aviso que serei o campeão de minha categoria (se as lesões e dores permitirem que eu chegue até o final).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h16

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Saiba como será a Corrida da Cerveja em Jaú

2 km, 44 latinhas

Médicos, fisiologistas, psicólogos e treinadores do mundo todo alertam para os riscos da combinação do álcool com exercícios físicos. Mas proliferam as corridas que combinam os dois e ainda acrescentam outros tipos de esforço, além de muita diversão. É por demais conhecida, por exemplo, a saborosa maratona francesa de Medoc, regada a vinho e boa comida.

Pois no interior paulista será realizada em breve a primeira Corrida da Cerveja de Jaú. A intenção dos organizadores é realizar a prova neste mês, mas a data e o local ainda não foram definidos.

É a primeira do gênero realizada em Sampa, segundo os organizadores --no final do ano passado, aconteceu uma etapa em Brasília, repleta de folguedos.

O esquema é simplérrimo. Trata-se de um trajeto de cerca de dois quilômetros, que deve ser percorrido no mais rápido tempo possível por equipes de duas ou quatro pessoas.

Cada equipe inicia a prova levando uma certa quantidade de cerveja: 44 latinhas para os quartetos masculinos, 22 para as duplas ou o equivalente em garrafas, conforme o regulamento. As latinhas ou garrafas devem estar devidamente vazias até o final do percurso.

As equipes femininas têm uma cota menor de consumo, que também vale para as equipes mistas. A inscrição custa R$ 10 por cabeça e pode ser feita pelo site, AQUI.

Conversei com um dos organizadores, o analista de sistemas Vinicius de Oliveira Chagas, 26, que bebe desde os 16 anos e também aderiu à prática de corridas. "Faço cooper todos os dias", diz ele, que costuma correr cinco quilômetros (sem carregar nenhum engradado...).

Ele me contou que a prova é organizada por um grupo de três amigos e não conta com nenhum tipo de patrocínio. "O evento é sem fins lucrativos", afirmou ele, mas disse que "alguns bares ou choperias acabam patrocinando as equipes participantes".

Ele ainda não tem dados mais precisos sobre a quantidade de inscritos para a prova deste ano. A corrida em Brasília teve 200 inscritos, "mas no dia da competição apareceram mais de 2.000 pessoas", segundo Vinicius, que admite: "A organização perdeu o controle de quantas cervejas foram consumidas".

Perguntei a ele se alguém teve de receber atendimento médico. A resposta foi a seguinte: "Sempre tem um pessoal que precisa (risos). Mas acho que não é por causa da cerveja, e sim por causa do calor (risos)..."

Bueno, para saber mais sobre a prova, fique de olho no site da dita cuja, já divulgado acima.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h27

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Médico analisa supostos benefícios da cerveja para corredores

Só para festejar

A minha coluna de hoje na Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL) trata da combinação entre exercício e consumo do álcool. Para produzi-la, conversei com vários especialistas. No apagar das luzes, quando já estava entregando o texto, recebi respostas bem amplas e esclarecedoras do doutor LUIZ AUGUSTO RIANI COSTA, que é pesquisador na Escola de Educação Física e Esporte da USP e responsável pelo setor de Fisiologia do Exercício e Ergoespirometria e Diretor Clínico do setor de Cardiologia dos Laboratórios Diagnósticos da América (DASA).

Sem mais delongas, seguem os principais trecho da entrevista por e-mail.

+CORRIDA - Quando uma cervejinha pode ser benéfica para um corredor? E uma caipirinha? E um copo de vinho? Qual a diferença?

LUIZ AUGUSTO RIANI COSTA - O vinho parece ter efeitos positivos sobre o sistema cardiovascular, através de efeito antioxidante, e sobre o perfil lipídico (colesterol no sangue), promovendo elevação do HDL (colesterol bom) e redução do LDL (colesterol ruim), além de inibição da agregação plaquetária, efeitos que protegem o sistema cardiovascular (coração e vasos: artérias e veias), parecendo ser mais recomendável que as outras bebidas. Esses efeitos positivos estão ligados aos flavonóides, substâncias provenientes da uva e que podem ser adquiridas pelo suco da uva, sem a necessidade do álcool para realizar seus efeitos. O álcool apenas ajudaria a reduzir o estresse, pelos efeitos depressores do álcool sobre o sistema nervoso central que, em doses moderadas, pode atuar como relaxante e exercer efeito positivo sobre a saúde e o sistema cardiovascular ao reduzir o estresse. Sobre a cerveja e a caipirinha, não existe elemento saudável específico, mas permanecem os efeitos relaxantes. Nenhuma bebida alcoólica deve ser ingerida na busca de um efeito saudável específico ou de melhora em alguma característica de desempenho, até mesmo porque todos os efeitos, seja o relaxamento, ou as alterações do colesterol, ou sobre a agregação plaquetária, podem todos ser suplantados pelos próprios efeitos do treinamento, além de outros medicamentos se necessário for, sem o ônus dos efeitos prejudiciais do álcool, como veremos adiante.

+CORRIDA - Cerveja pode ser usada como bebida hidratante, depois de uma prova de 10 km? Por que? E de uma maratona? O tipo (intensidade, duração) de esforço feito determina que tipo de bebida pode ser tomada?

LUIZ AUGUSTO RIANI COSTA - A cerveja não é uma boa opção na hidratação para um atleta, nem antes, nem durante e nem após uma prova de corrida, de qualquer distância, mas certamente os efeitos serão ainda mais deletérios e perigosos quanto mais longa e demorada for a prova. Esforços mais intensos e mais prolongados promovem maior perda de água e de eletrólitos (principalmente sódio e potássio) através do suor eliminado no processo de termorregulação através da evaporação na pele, assim como também será maior o consumo de carboidratos durante o exercício.

A bebida ideal para hidratação em esforços menos intensos e curtos é a própria água, enquanto que para esforços mais intensos e mais prolongados o acréscimo de eletrólitos é recomendado (os chamados isotônicos) e após esforços sustentados por mais de uma hora o acréscimo de carboidratos na bebida também é importante, fornecendo energia para a manutenção do esforço.

O álcool, presente na cerveja, apresenta dois efeitos que vão exatamente na contramão desses objetivos, pois exerce função depressora sobre uma área do cérebro responsável pela produção de hormônio antidiurético, fazendo assim com que aumente a perda de água e eletrólitos pela urina, prejudicando os processos regulatórios do organismo e podendo até mesmo piorar o grau de hidratação de um atleta, além do desequilíbrio dos eletrólitos que pode exercer efeito catastrófico sobre a função neuromuscular, já que o processo de controle da contração muscular depende da manutenção dos eletrólitos (sódio, potássio, cálcio e magnésio, entre outros) dentro de limites bastante específicos.

No que se refere ao metabolismo energético, o álcool promove um distúrbio na função hepática capaz de impedir a liberação de glicose para o sangue, função essencial para a manutenção da glicemia após algumas horas de jejum ou sob esforço físico intenso!! Assim, o álcool, apesar de ser uma fonte de energia, acaba por perder a quase totalidade dessa energia sob a forma de calor, sendo considerada uma fonte de calorias não aproveitáveis, além de privar nosso organismo do mais importante reservatório de carboidratos, o fígado, que também pode produzir glicose a partir de outras fontes de energia quando necessário (como gordura e proteína), mas que perde sua função na presença de álcool acima de determinados níveis.

Existem ainda os efeitos crônicos do consumo regular de quantidades elevadas de álcool, como a cirrose hepática, a depressão cardíaca, a degeneração do sistema nervoso, a falta de coordenação motora, a desnutrição, etc . . .

Resumindo, a cerveja não é uma boa opção de hidratação, sendo ainda pior quanto mais longa e mais intensa for a prova de corrida.

Deve ser limitada a eventos festivos e comemorações, apenas com a função de celebração, após a correta hidratação do atleta com água, isotônicos ou carboidratos adicionados, conforme a necessidade de cada caso, mas não como uma opção saudável e eficaz do próprio processo de hidratação.

+CORRIDA - Um estudo médico sugere que a cerveja pode ser boa para os ossos, por causa da quantidade de silício que contém. O que o senhor acha disso? Qual a importância do silício para os ossos?

LUIZ AUGUSTO RIANI COSTA - Bom, o silício é realmente um dos elementos que fazem parte da constituição dos ossos e tendões do nosso corpo e existe uma quantidade mínima de ingestão diária recomendável para que essa necessidade seja suprida.

A cerveja é uma fonte de silício, mas dizer que é recomendável para essa finalidade já é algo bem diferente! Primeiro porque existem diversas fontes de silício e uma dieta saudável e variada pode suprir essas necessidades, sem os prejuízos do consumo do álcool. Segundo porque esse estudo apenas avaliou a quantidade de silício na cerveja, e não os efeitos do consumo de cerveja na estrutura óssea das pessoas, que são coisas bem diferentes. Um outro estudo, realizado na Espanha, sinaliza que a presença de fitoestrogênios poderia ser a responsável por tal efeito, talvez mais importante que o próprio silício.

Mas, para clarear a questão, basta dizer que o álcool cronicamente pode promover déficits vitamínicos e desnutrição, com dificuldades para absorção de nutrientes e vitaminas, provocando então desmineralização óssea e osteoporose, exatamente o inverso do que se desejaria!!!

Assim, esta parece ser apenas a busca de um ‘álibi‘ para aqueles que gostam consumir cerveja, ou que desejam vendê-la, e procuram uma desculpa ou motivo para tal! Acho que o consumo moderado de cerveja pode fazer bem pelo prazer, pela diversão, pelo combate ao estresse, mas não podemos exagerar e considerá-la como uma espécie de remédio, ou algo necessário para determinado fim terapêutico!

Bebam aqueles que gostam _e sejam moderados. Aqueles que preferirem podem encontrar várias outras maneiras de ingerir silício e fortalecer seus ossos, provavelmente mais saudáveis do que consumir cerveja . . .

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h02

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A batalha do sol contra a nuvens sobre a Meia Maratona das Pontes

Labaredas no cerrado

Ao passar a marca do terceiro quilômetro, eu estava correndo havia 19 minutos e dez segundos. Foi o exato instante em que o sol finalmente rompeu a barreira das nuvens que tomavam o céu e, por um buraco azul no firmamento, tascou seus raios nos costados de quase mil corredores. Nós enfrentávamos o asfalto e as ondulações de cerrado, participando da primeira edição da Meia Maratona das Pontes, no último domingo, em Brasília. Tínhamos o lago Paranoá ao lado e, ao longe, a vista das brancos prédios gêmeos do Senado Federal. A tudo abraçando, com o enorme urso superpoderoso, o calor adensava o ar, avisando que o que estava complicado iria ficar mais difícil ainda e, mais uma vez, reduzindo a pó as predições meteorológicas.

Na noite de sexta-feira, antes de preparar a minha enxuta mochila, consultei a previsão do tempo e cheguei a me entusiasmar: viria chuva por todo o fim de semana, me garantiram vários sites especializados, prometendo temperaturas agradáveis pela manhã, mesmo para quem pretendia correr 21 quilômetros.

Pretendia, mas não sabia se chegaria ao final. Para mim, seria a mais longa distância desafiada em cerca de seis meses. Um período cheio de provações, de dores, lesões não curadas, machucados crônicos. Que redundaram em treinamento reduzido, em mais caminhadas que corridas, em falta de confiança na própria capacidade, em redução de expectativas e em desistência de planejar --"deixa a vida me levar" havia passado a ser meu lema nos últimos tempos.

O que não é de todo insalubre. Mas há momentos em que a gente quer tomar nas mãos as rédeas de suas ações. Por isso, nos dias que antecederam a corrida de domingo, alonguei várias vezes, caprichei nos exercícios de fortalecimento, larguei os treinos de corrida, nadei dois dias na semana, corri quase nada e, quando fui ao asfalto, apenas trotei. Dei um tempo ao corpo, imaginando que talvez ele pudesse agradecer e, assim, aproveitar melhor o desafio dominical.

O sábado teve apenas pancadas esparsas, não chuvarada que sensibilizasse os termômetros. Mas o domingo acordou nublado, até com alguns cumulus cinzentos ao longe, meio que se aprochegando, examinando o movimento e vendo se havia uma chance de dominar a área. Atrás de nuvens mais voláteis, porém, de vez em quando um solzinho em esquentamento já dava as caras.

A prova começou no horário previsto, mas bem que poderia ter sido uma hora mais cedo, para tornar tudo mais alegre e divertido. Às 7h30, largamos do Pontão do Lago Sul, e eu já nem sabia direito o que era correr. Saí meio troncho, torto, e fui pegando o jeito à medida que tomava de assalto o asfalto.

Logo na saída, cruzamos o tal Pontão, indicando que a prova iria fazer jus ao nome. Foi uma subidinha, uma descidinha, depois uma subidinha, outra descidinha, mais um trechinho plano, depois uma descidinha, uma subidinha e já todos percebemos que o percurso seria ondulado, criativo, exigente (veja abaixo a altimetria, cortesia de um colega corredor).

Corríamos ao lado do lago Paranoá, na margem do Plano Piloto de Brasília, digamos assim. Com algum esforço, dava para ver alguns dos prédios ícones da capital federal. Mas duvido que muitos tentassem isso, preocupados que estávamos com as exigências do terreno. Por volta do km 5, damos um mergulho, passamos sob um viaduto, para subirmos até ele por uma alça de dramática inclinação.

Drama que ganhava força com o calor. Eu já me prometia caminhar depois de passar a ponte nova, uma belíssima construção organizada por três grandes arcos de concreto, cada qual em uma direção, como a fazer um crochê sobre a obra.

A lombar gemia, mas eu dizia a ela que se acalmasse. Colegas de asfalto fervente saudavam a minha camiseta tricolor, e havia mesmo outro gremista que, de bicicleta, acompanhava a prova, dando apoio a uma atleta.

O sofrimento foi esquecido quando enfim vi a ponte. Ela indicava que estava quase na metade do percurso. Cruzei por ela com alegria, até aumentando o ritmo, torcendo para que as nuvens voltassem a dominar o sol.

E não é que elas me ouviram? Depois do km 12, o dia nublou, como a dizer que o sol já tinha nos castigado bastante. Vibrei, apesar de estar já sofrendo em mais uma das subidinhas que, àquela altura, virava subidona.

Passávamos por uma bela área verde, onde vários países amigos resolveram fazer as casas de seus representantes ou mesmo a representação oficial. Nicarágua e Catar são alguns dos países que lembro...

Mas a memória pode estar um tanto embaçada, já que o sol se revoltou com o alívio dos corredores e, como a dizer que não iria nos dar trégua, recuperou terreno sobre as nuvens, mandando seus raios acalorar o mais empedernido coração. Dizem os candangos que a temperatura estava muito boa para correr, mas posso afirmar que há divergências.

Mais confortável, talvez, seria estar em um selim de bicicleta, como fez um grupo de umas boas duas centenas de pessoas, que cruzaram conosco e denso pelotão. Foi só ver passar sem nem sequer cumprimentar, mas serviu para diminuir o sofrimento de mais alguns metros.

Desde o km 15, duas bolhas pareciam querer tomar as plantas de meus pés inteiros, mas se abrigavam mesmo atrás de cada dedão. Elas me forçavam a reduzir a marcha, mas também sofreram comigo, que teimava em bater o pé mais forte --quem mandou ficar entre o asfalto e eu?

Para piorar as coisas, a partir dali foi uma longa subida até quase o km 18, o trecho em que fui mais lento, passando bem dos oito minutos por quilômetro. O que serviu como um alerta para a raiva, para ligar o turbo. E fui acelerando, para azar das dores nas costas, azar do calcanhar e das bolhas --problema deles, que eu quero é correr. Cada vez mais rápido, fechei o último quilômetro em menos de seis minutos para, mais uma vez, receber de prêmio um beijo da Eleonora, depois de ter vencido as labaredas de cerrado.

Resumo da ópera: O belo e exigente percurso estava bem medido, e a organização garantiu água gelada em todos os postos, colocados a cada três quilômetros. O kit foi apenas mediano, e a medalha não tinha a data. Participaram cerca de mil corredores neste evento que, como estreia, teve bom desempenho. Os campeões foram Lucas Scaravelli, que fechou em 1h10min14, e Eliete Teodorio, que completou em 1h31min23. Depois que eles pararam, eu ainda corri um tantão, fechando em 2h19min56, melhor do que nada para quem imaginava que talvez nem sequer completasse...

Quero aproveitar o ensejo para agradecer a acolhida que tive do leitor deste blog e colaborador eventual CARLYLE VILARINHO, que gastou boa parte de seu final de semana levando este blogueiro para visitar os melhores lugares para correr em Brasília. Também me deu o prazer e a honra de conhecer alguns grupos de corredores da cidade, que formam uma turma superbacana e fazem uma feijoada sensacional, regada a samba, cerveja, sorvete e bom humor.

As fotos desta mensagem foram feitas pela Eleonora. Veja outras imagens AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h26

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Mesmo sob chuva, maratona de Tóquio traz belas imagens

Lenta, mas divertida

Mais de 30 mil pessoas participaram neste fim de semana da maratona do Tóquio, que já se firma com uma das grandes do planeta e, quem sabe, em breve poderá buscar um lugar no campeonato da WMM (World Major Marathons, que engloba Londres, Boston, Nova York, Berlim e Chicago mais a prova do Mundial e da Olimpíada, conforme o caso).

A chuva acabou tornando a prova bastante lenta, considerando-se o padrão das grandes competições internacionais. A corrida começou sob aguaceiro e temperatura na casa dos sete graus e depois foi piorando. O vencedor, prata da casa, chegou em 2h12min19 fazendo muito esforço, como mostra a imagem abaixo (fotos AP). Entre as mulheres, a vitória foi para a russa Alevtina Biktimirova, com 2h34min39.

 

A queda nos tempos dos líderes indica bem o aumento da dificuldade ao longo do percurso: do km 35 ao km 40, o vencedor rodou cada quilômetro na média de 3min17, o que é uma enormidade para esse nível. A russa, então, fez tempo de provinha da esquina, rodando a 4min06 por quilômetro.

Em contrapartida, a lentidão dos vencedores, especialmente no masculino, aumentou a dramaticidade da chegada: em uma mino, chegaram nove corredores --o nono completou em 2h13min16...

Bom, mas aposto que, como chuva, lentidão e qualquer outro problema, a diversão foi muito grande. Muitos corredores correm fantasiados, e a paixão pelo uso de roupas especiais atinge até os espectadores. Além disso, grupos profissionais também compareceram para animar o ambiente. Veja as fotos a seguir.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h22

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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