Rodolfo Lucena

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Dicas de última hora para a maratona de São Paulo

Comer e beber para correr bem

Mais de 20 mil pessoas vão participar da maratona de São Paulo, no próximo domingo. Nem todos vão correr os 42.195 metros, pois haverá ainda provas de 25 km e 10 km, além da caminhada. Mesmo assim, a maratona paulistana ainda é a maior do país e atrai um bom número de estreantes.

Os iniciantes devem estar nervosos desde domingo passado, pensando na empreitada que os aguarda; mas o fato é que experientes maratonistas também suam frio a cada vez que se colocam na linha de largada.

Para quem corre em duas horas e pouco ou para quem corre em seis horas, a maratona é igual em pelo menos um aspecto (além da distância, é claro), a imprevisibilidade.

Tudo pode acontecer. A prova mais bem planejada pode ir pro saco por causa de algum erro infantil, por um descuido, um vento contra, um copo d’água a menos ou a mais, um tropicão...

Por isso, fique esperto e desde já comece a esquentar os motores para chegar à largada na ponta dos cascos.

A partir de hoje, aumente um pouco a ingestão de água. Em geral, eu bebo de dois a três litros de água por dia; a partir da antevéspera da prova, aumento para de três a quatro litros. Cada um é cada qual, mas é importante dar aquele hidratada geral.

Fundamental, porém, é cuidar da alimentação nestes últimos dias. Por causa do nervosismo, qualquer coisa pode redundar num pirirpiri legal, desidratação, aquela nhaca toda.

Segredo número 1: não invente.

Na minha segunda maratona no exterior, fiquei num hotelzinho num subúrbio onde não havia nada em volta: nem lojas nem restaurantes nem padoca... Depois de fazer uma investigação, descobrir que, a uns 15 minutos de caminhada dali havia um centro comercial, com cinemas e área de alimentação. Quando cheguei à dita cuja, logo me encantei com um colorido, alegre, convidativo restaurante de comida mexicana.

Não tive nem dúvida. Tomei o cuidado de não tascar molho de pimenta em quantidade, mas me empapucei de guacamole, fajitas, salsa e outras delícias. Que transformaram meu dia seguinte num inferno que prefiro não descrever aqui... A sorte é que tinha chegado uns quatro dias antes da prova e deu tempo para ficar de molho até recuperar. Dali em diante, passei a pão com queijo, maçã e chá quente até a hora da largada...

Bom, o que a gente deve comer antes da maratona são alimentos recheados de carboidratos e sem muita gordura. Nada de feijoada amanhã, muito menos churrascada no sábado à noite. Fique nas massas, purês e quejandos, de preferência com molho de tomate e pouco queijo parmesão.

Os nutricionistas recomendam comer pouco e várias vezes ao dia, para manter os motores do organismo sempre em marcha, sem ligações súbitas nem longos períodos de inatividade.

A Regina Célia da Silva, nutricionista da equipe Branca Esportes, sugere que, amanhã, você reduza o consumo de fibras, para não retardar a digestão; também diz para evitar alimentos causadores de gases e bebidas com gás, assim como alimentos laxativos, como mamão, ameixa, figos e óleos.

Evite ou reduza a ingesta de bebida alcoólica e café, pois eles fazem com que você tenha de urinar mais vezes; ou seja, vão na contramão de seu processo de hidratação ampla, geral e irrestrita.

Outra coisa: trate de dormir cedo hoje, porque amanhã vai ser o cão chupando manga. De qualquer forma, mesmo que esteja nervoso ou insone, procure deitar e descansar o corpo.

Deixe seu equipamento pronto para usar. Eu costumo pregar o número na camisa já na véspera; conforme o caso, também já deixo o chip preso no tênis e apronto a pochete com minha carga de sachês de carboidrato, documento, dinheiro e câmera fotográfica. Assim, reduzo o número de coisas com que vou ter de me preocupar na manhã da prova.

Falando nisso, na manhã da prova invente o menos possível. Melhor: não invente nada. Tome o café que você costuma tomar. Eu em geral como uma banana, duas fatias de pão, sendo uma com queijo cottage e outra com queijo cottage e algum doce (mel ou geleia), e uma ou duas xícaras de chá sem cafeína (erva doce, camomila e por aí vai).

Faça seus alongamentos de praxe e seu aquecimento, mas não se esforce muito. Vai ter muito tempo para aquecer ao longo da prova.

Em geral, eu dou uns dois ou três quilômetros para o corpo perceber o que está acontecendo e daí vou explicando para ele o que vamos fazer. Entramos no ritmo de cruzeiro, aceleramos um pouco, reduzimos, aquela história. Cada um tem seu estilo.

Beba água em todos os postos, ainda que apenas dois ou três goles. Talvez não seja necessário, mas o pior de tudo é não beber e depois ficar pensando, até o posto seguinte, que vai se ferrar porque errou na hidratação.

Alimente-se durante a prova. Eu costumo usar apenas sachês de carboidrato, um a cada 50 minutos. Mas faça como você treinou que tudo vai ficar ótimo.

Ouça os clamores de seu corpo, respeite suas dores e aproveite quando der aquela vontade doida de correr como nunca, queimar o asfalto e explodir em velocidade.

Vai que é tua, maratonista!

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h09

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Okayo e Baldaia voltam a duelar nas ruas de São Paulo

Será que vem o troco?

A bicampeão da maratona de Nova York, Margaret Okayo, é um dos destaques estrangeiros na maratona de São Paulo, neste domingo. Com o título da maratona de Boston no currículo, assim como o recorde na meia maratona do Rio, a queniana amarga um vice dolorido, o da São Silvestre de 2001.

Foi sensacional vê-la olhar para o lado, na subida da Brigadeiro, com a maior cara de "não tô entendendo", para assistir à passagem do sorriso largo de Maria Zeferina Baldaia, a bóia-fria mineira que aprendeu a correr no meios dos canaviais de Sertãozinho.

O duelo de então pode se repetir agora, pois as duas estão entre o elenco feminino que busca o título de maratona de São paulo. A campeã do ano passado, Marizete Moreira dos Santos, e a maratonista olímpica Marily dos Santos também são candidatas.

Apesar da contumaz presença de quenianas na prova paulistana, o recorde do evento é de uma brasileira, exatamente a duelista Baldaia supracitada, que completou o percurso em 2h36min07 em 2002.

Veja a seguir os tempos de todas as vencedoras da maratona de São Paulo, conforme divulgado pela organização.

2009 - Marizete Moreira (BRA) - 2h42m24s

2008 - Maria Zeferina Baldaia (BRA) - 2h42m20s

2007 - Jacqueline Chebor (QUE) - 2h40m12s

2006 - Margaret Karie (QUE) - 2h39m24s

2005 - Márcia Narloch (BRA) - 2h40m39s

2004 - Margareth Karie (QUE) - 2h40m10s

2003 - Maria do Carmo Arruda (BRA) - 2h39m12

2002 - Maria Zeferina Baldaia (BRA) - 2h36m07s

2001 - Marizete Rezende (BRA) - 2h38m57s

2000 - Márcia Narloch (BRA) - 2h40m15s

1999 - Márcia Narloch (BRA) - 2h37m20s

1998 - Viviany Oliveira (BRA) - 2h39m58s

1997 - Viviany Oliveira (BRA) - 2h42m13s

1996 - Janete Mayal (BRA) - 2h41m40s

1995 - Ilyna Nadezhda (RUS) - 2h49m33s

No masculino, os organizadores apresentam dois quenianos como os nomes mais fortes. Jonathan Kosgei Kipkorir venceu em fevereiro a maratona de Oita, no Japão, em 2h10min50, mas tem como melhor marca 2h07min31. Philip Kiplagat Biwott, também em fevereiro, correu a maratona de Sevilha, na Espanha, em 2h10min39.

Os organizadores esperam mais de 20 mil pessoas no evento, que inclui ainda uma prova de 25 km e uma de 10 km, além de caminhada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h45

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Dicas para se dar bem na maratona de São Paulo

Calma e cuidado

 A maratona de São Paulo, que acontece no próximo domingo, é uma prova tão complicada e difícil quanto qualquer outra do gênero. A diferença, aqui, é que o horário  de largada não leva em consideração os melhores interesses dos participantes, e sim outros fatores.

A prova de São Paulo e todas as maratonas no Brasil deveriam largar muito mais cedo, procurando aproveitar as temperaturas do início do dia, que em geral são mais amenas.

Mas, tudo bem. Se você se inscreveu na prova, sabe do regulamento e do horário. A largada é “a partir de 8h58”. Já comentei neste blog esse maldito “a partir”, que faz com que a prova esteja no horário se largar até as 23h59min59 de domingo...

O que importa agora é correr bem. Para isso, cuide bem de si mesmo nestes últimos dias que faltam para o evento.

Procure dormir cedo, descansar bastante. Talvez um trotezinho hoje, de uns 40 minutos, mais outro na sexta, só para relaxar a tensão e lembrar a musculatura de que ela vai ter um evento esgotante e glorioso pela frente.

Não enrole muito para pegar o kit, que será entregue amanhã e sexta (consulte o site da prova para mais informações). E, apesar da largada tardia na manhã de domingo, arrume suas coisas no sábado.

É aquela coisa: não use tênis novos nem outros equipamentos recém-comprados, não invente na hora de comer nem faça experimentos outros.

A maratona é matemática: você consegue nela o que você treinou. Mas não esqueça de que a matemática também tem sua dose de imprevisibilidade e, como a vida, oferece surpresas nem sempre divertidas. Se o Imponderável de Almeida se atrevessar no seu caminho, improvise.

Vá com calma. Aproveite os primeiros dois ou três quilômetros para se examinar, conferir se o seu ritmo está confortável e depois meta bronca.

Cada corredor, cada treinador tem um projeto de prova na cabeça. Em geral, os técnicos recomendam que você economize no começo e depois vá procurando aumentar o ritmo. Eu tenho sérias dúvidas se isso funciona para corredores amadores em uma prova tão longa como uma maratona.

 Alguns amigos meus preferem deitar o chinelo enquanto der e depois administrar para ver como é que fica.

Eu sou a favor de correr no ritmo confortável que o corpo mandar. Em geral, para mim, isso significa ir mais rápido por uns dez ou 15 quilômetros, estabilizando então em um ritmo de cruzeiro.  Depois dos 30, dá aquele cansaço, então se reduz o ritmo, para retomar a balada mais forte depois do 35 ou 38.

Enfim, não há uma receita. A coisa mais importante, especialmente para quem estiver fazendo sua estréia neste domingo, é ir na boa, ouvir o corpo, se divertir.

Beba água. Eu costumo tomar pelo menos uns três goles em cada posto de água.

Reabasteça. Leve sachês com carboidrato em gel, um para cada 50 minutos de prova, mais ou menos.

Respeite os colegas corredores, evitando correr em ziguezague ou ouvir música em volume muito alto. Cuidado ao jogar fora seu copo de água ou cuspir.

Se sentir dor, reduza o ritmo, caminhe um pouco. Se o problema persistir, pare. Há muitas maratonas no mundo, e você tem apenas um você.

Mas, se você acha que a dor da derrota fica para sempre (o que, cá entre nós, é uma bobagem...), vá em frente e se arraste até o final. Muitos de nós já fizemos isso em provas mais fáceis e em provas mais difíceis. É aquela história: cada um sabe (ou acha que sabe) o que é mais importante para si mesmo. Não será uma lesãozinha qualquer que vai mudar isso...

Bueno, nos vemos por lá. Eu não vou correr a maratona, porque acho esse horário um desrespeito. Mas vou correr e caminhar pelos 25 km, pois meu técnico programou um longão de 30, para ir na boa. Vamos ver o que meu calcanhar vai dizer disso.

Divirta-se.

PS1 (na quinta) = Amanhã coloco mais algumas dicas de última hora.

PS2 (também na quinta) = Mudei de ideia. Vou fazer meu treino, mas sem participar do evento. Esse negócio de começar prova às 9h não é bom nem para percursos menores do que a maratona. Perco o dinheiro da inscrição, mas não arrisco ainda mais minha saúde, que já não está lá essas coisas...

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h00

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Chega às lojas livro sobre caminhadas

Força para o coração

O treinador Marcos Paulo Reis lança hoje seu novo livro, “Caminhada Já”, produzido em coautoria com  Emerson Gomes, Fabio Rosa e César Oliveira.

Editado pela Abril, o livro promete revelar “os segredos para qualquer pessoa fortalecer o coração, relaxar e enxugar a barriga”.

A sessão de autógrafos é hoje, a partir das 19h30, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h10

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Haile continua brincando de Muhammad Ali

Agora é sub2h02

Como ninguém correu nada em Londres, o recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, parece ter ficado aliviado e, de sangue doce, voltou a deitar falação sobre suas futuras marcas.

Parece o Muhammad Ali do mundo das maratonas, avisando que não só é o melhor como também vai ficar melhor ainda.

O fato é que é pode dizer o que quiser, tem bala para isso, currículo, pulmões e pernas.

Como você leu neste blog, Haile disse em Madri, no final de semana, que pretendia correr a maratona em 2h03min20, o que já é baixar em mais de meio minuto o seu próprio recorde.

Pois hoje, informa a agência de notícias Reuters, o simpático etíope previu que será o primeiro homem a romper a barreira de 2h02. "É bem possível!", disse ele, depois de lembrar com os tempos de maratona estão rápidos, mesmo em percursos difíceis como o de Boston.

Haile também elogiou seu compatriota Tsegaye Kebede, que enfrentou um exército de quenianos na maratona de Londres, realizada ontem, e deu um baile em todos eles: "Para mim, não foi surpresa, pois ele vem correndo muito bem desde que ganhou a medalha de bronze em Pequim".

Para contrabalançar seu otimismo, falou também sobre os problemas do esporte em seu país. Disse que muitos jovens estão optando por correr a maratona porque podem treinar em qualquer lugar, diferentemente do que ocorre com quem prefere provas em pista.

"Temos apenas um estádio de atletismo em Adis Abeba, e eu temo que a Etiópio não venha a ter bons corredores d epista no futuro, se essa questão não for enfrentada", alertou o corredor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h04

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Ex-vice dá a volta por cima em Londres

Dobradinha russa no feminino

O etíope Tsegaye Kebede, ex-vice-campeão da maratona de Londres, deu a volta por cima e capturou o título da prova na manhã de hoje, fechando em 2h05min18. Seu algoz do ano passado, o campeão e recordista olímpico Sammy Wanjiru, abandonou a corrida pouco depois da metade do percurso.

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos correu bem, chegando a ficar parte do percurso entre o primeiro pelotão. Terminou na sexta colocação com 2h08min46, nove segundos mais lento que sua melhor marca, obtida em Londres em 2007.

No feminino, a russa Liliya Shobukhova, 32, recordista europeia dos 5.000 m, não deu a mínima chance para suas adversárias, correndo sozinha na frente depois do km 40. Fechou em 2h22 cravadas (extraoficial), seguida pela compatriota Inga Abitova, que fez um ótimo final de prova, deixando para trás a etíope Asselefech Mergia, que disputara a liderança com Shobukhova por boa parte da maratona.

Acompanhei toda a corrida pela TV e ouso dizer que ela não chegou a ter momentos emocionantes. Deu algumas alegrias, expôs dramas, mas foi principalmente uma prova bem planejada pelos vencedores, que se mantiveram fiéis a seu plano inicial e foram aos poucos vendo a oposição ruir.

No feminino, a esperança britânica se esfumaçou logo depois da metade da prova. Mara Yamauchi, que tenta sair da sombra de Paula Radcliffe, liderou grande parte da primeira etapa, chegando mesmo a forçar o ritmo.

Parecia ter esquecido sua longa jornada para chegar a Londres. Por causa do apagão aéreo, ela levou seis dias para atingir seu destino, partindo de sua base de treinamento no Novo México, EUA. De avião, carro ou trem, passou por Denver, Newark, Lisboa, Madri, Paris, Le Touquet e Shoreham. “Às vezes, eu pensava que nunca iria chegar. Outras vezes, pensava que seria a única a chegar e venceria a corrida com dez minutos de vantagem...”

Nem uma coisa nem outra, mas ela chegou em décimo lugar...

A esquadra queniana também sofreu por causa dos atrasos. Wanjiru, especialmente, disse antes da prova que estava com dores nas costas. Duncan Kibet, o segundo maratonista mais rápido da história, não reclamou, dizendo que iriam correr juntos até o km 35 e depois era cada um por si, mas que um queniano iria vencer.

De novo, nem uma coisa nem outra.

Wanjiru e Kibet saíram do páreo bem antes do km 35, deixando Abel Kirui e Emannuel Mutai para defender as cores nacionais. Mas eles tinham pela frente um Kebede absolutamente tranqüilo, senhor de si e implacável na manutenção da tática de breves fugas seguidas por acomodação em patamar superior.

Para não dizer que o ex-vice correu sozinho desde o km 30, há que louvar o esforço de Kirui em segui-lo. Com melhor tempo na carreira um pouco mais rápido que o do etíope, o queniano correu como sombra enquanto foi capaz.

Mas, aos poucos, ia ficando evidentemente cansado, enquanto o jovem etíope mantinha seu ritmo destruidor. Kebede corria concentrado, sério, o que fazia com que parecesse mais velho do que seus 23 anos (a testa alta e as entradas profundas no cabelo também ajudam a formar essa imagem).

Só desencantou mesmo quando estava para chegar. Sorriu um pouquinho, chegou a gesticular mostrando que era o primeiro desta vez, e abriu um sorriso de vitória depois rasgar a fita.

Já o perseguidor Kirui abriu mesmo o bico e foi sendo passado por adversários para chegar apenas no quinto lugar. Seu compatriota Emmanuel Mutai capturou o segundo posto com bastante esforço (vomitou os tubos depois da chegada).

O brasileiro Marílson correu muito bem. Não chegou a baixar sua marca pessoal, mas concluiu parecendo inteiraço uma prova que, pelas circunstâncias, foi complicada e deixou vítimas donas de currículo bem mais brilhante que o do maratonista brasileiro.

Foi uma demonstração de que o atleta de 32 anos tem maturidade e humildade para se autoavaliar e programar bem uma corrida. A sexta colocação foi um bom prêmio para essa atitude e para sua estratégia de prova.

Há quem diga, porém, que ele foi conservador demais. Se tivesse largado direto no pau a pau com o primeiro pelotão, argumentam os defensores dessa teoria, baixaria o seu tempo. Ou poderia quebrar também...

O fato é que o sonhado recorde americano não veio. Marílson vai precisar treinar mais e esperar uma prova em melhores condições para tentar buscar a marca de Ronaldo da Costa, o único brasileiro que correu a maratona em menos de 2h07.

A transmissão feita pela TV britânica foi fraquinha. Como costuma fazer a Globo, ficou basicamente acompanhando os primeiros. O desastre ocorreu depois do final da prova feminina, quando sentou a câmera ali e ficou esperando a chegada de retardatárias por longuíssimos minutos. Totalmente sem noção.

Os narradores da SporTV demoraram a ver o Marílson na prova, mas foram esforçados, de modo geral, buscando dar informações sobre os principais competidores. Um dia ainda as televisões brasileiras vão colocar nessas coberturas jornalistas mais interessados em maratona. Pelo menos, como espectador, espero que isso venha a acontecer.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h57

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Haile não quer saber de aposentadoria

2h03min20

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, disse que não está nem pensando em se aposentar, apesar de seus bem vividos 37 anos carregados de recordes mundiais.

“Eu gostaria de não me aposentar nunca”, afirmou ele, que neste domingo participa de uma prova de 10 km que integra o programa da maratona de Madrid.

Ele adiantou que seu foco são os Jogos de Londres 2012. Vai dedicar o próximo ano para estar na ponta dos cascos na hora da Olimpíada.

E não se abala com a possibilidade de seu recorde vir a cair em breve. “Ainda que seja difícil, qualquer um pode bater minha marca; para mim, o importante é que eu venha a superá-la”.

E apontou o rumo: “Acho que posso correr a maratona em 2h03min20”. A marca dele, como você sabe, é de 2h03min59 (Berlim, 2008).

Quem viver verá. Neste domingo, há vários corredores sedentos por derrubar a marca de Haile. Eles talvez não tenham em Londres as condições ideais, depois do apagão aéreo e com a possibilidade de temperaturas mais altas que o comum nesta época do ano. Além disso, um dos candidatos, o campeão olímpico Sammy Wanjiru, vem reclamando de dores nas costas.

Você pode acompanhar a maratona de Londres ao vivo pela SporTV, a partir das 5h deste domingo.

Eu também vou transmitir a prova ao vivo pelo Twitter: aponte seu navegador para www.twitter.com/rrlucena.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h01

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Elite enfrenta maratona para chegar a Londres

Ao vivo na TV e no Twitter

O apagão aéreo que abalou a Europa nos últimos dias atrapalhou, mas os corredores de elite conseguiram enfim chegar a Londres, palco de um dos mais rápidos percursos de maratona do mundo, onde várias vezes já foi estabelecido novo recorde mundial.

A organização da prova gastou algumas centenas de milhares de dólares em voos fretados para colocar em Londres 18 dos melhores maratonistas do mundo, vindos da África, diversos pontos da Europa e do Brasil, passando por vários aeroportos.

O recordista da prova e campeão olímpico Sammy Wanjiru mais o campeão mundial Abel Kirui estavam entre a esquadra queniana que embarcou em Nairobi em um jatinho enviado de Barcelona. Da capital queniana, o grupo seguiu para Asmara, na Eritréia, fazendo porém uma escala em Djibouti _exigência do governo da Eritréia.

Já com os eritreus Zersenay Tadese, tetracampeão mundial da meia maratona, e Yonas Kifle, o avião decolou para Madri, com escala em Luxor, no Egito, para abastecimento.

Na capital espanhola, descansaram um pouco, aguardando a turma que vinha de outros pontos da Europa, da Etiópia e do Brasil. Finalmente, partiram de Madri para Londres, onde chegaram ontem.

E não lhes aguarda bom tempo: a previsão para domingo é de temperatura média de 19 graus, podendo bater nos 21 graus (o recorde de calor em dia de maratona de Londres foi de 21,7 graus em 2007. Para nós, pode não parecer muito quente, mas o fato é que etsá longe de ser uma temperatura confortável para a busca de recorde.

A prova será transmitida ao vivo pela SporTV, a partir das 5h deste domingo. Se você não tem acesso ao canal, confira minha cobertura também ao vivo pelo Twitter: www.twitter.com/rrlucena.

Até domingo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h01

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Velocista dopado diz que queria aumentar pênis

"Embaraço e humilhação"

O velocista norte-americano LaShaw Merrit, 23, campeão dos 400 m em Pequim-2008, foi suspenso preventivamente depois de flagrado em três exames antidoping.

Feitos entre outubro e janeiro, os testes acusaram o uso da droga DHEA (deidroepiandrosterona), um esteroide anabolizante.

A desculpa do cara foi a seguinte: a substância proibida fazia parte da fórmula de um produto que ele usou para aumentar o tamanho do pênis.

"Nenhuma sanção vai disfarçar o embaraço e a humilhação que sinto", afirmou Merritt.

E o presidente da federação de atletismo dos EUA, Doug Logan, não deixou por menos:  "Ele colocou toda a sua carreira em dúvida e ainda se tornou alvo de piadas".

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h51

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Marílson diz se contentar com o segundo pelotão em Londres

Sem suicídio

O brasileiro Marilson Gomes dos Santos, duas vezes campeão da maratona de Nova York, está entre os mais rápidos corredores que vão disputar neste domingo o título da maratona de Londres. Mesmo assim, não pretende se arriscar a buscar a liderança e, conforme combinou com seu técnico, vai se contentar em procurar correr muito bem, mas no segundo pelotão.

É que a turma da frente é realmente da pesada, a começar pelo campeão olímpico Sammy Wanjiru, que venceu em Londres no ano passado com 2h05min10. Ele vai enfrentar feras como o segundo homem mais rápido da história, seu compatriota Duncan Kibet, que meteu 2h04min27 em Roterdã, além do campeão mundial, Abel Kirui, e os medalhistas olímpicos Tsegaye Kebede e Jaouad Gharib.

"Correr com esse pelotão é suicídio. Eles vão para o recorde mundial, e eu quero melhorar a minha marca", disse Marilson, que tem respeitáveis 2h08min37 conquistadas em Londres mesmo.

Agora, e se, no primeiro pelotão, um quebrar o outro e o outro quebrar o um? Pode sobrar para alguém que venha de trás, lento porém firme.

O brasileiro viajou ontem à tarde, um dia depois do previsto, por causa do apagão aéreo que perturba a Europa, com consequências para o mundo todo. Seguiria para Madri, de onde pularia para Paris e, enfim, tomaria o caminho de Londres.

Até há pouco, ainda não havia notícias sobre a chegada dele ao destino final.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17

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Apagão aéreo pode prejudicar maratona de Londres

Esperando bom tempo

O apagão aéreo na Europa, causado pela nuvem de cinzas que se espalhou pelos céus depois da erupção de um vulcão na Islândia, pode interferir nas marcas dos atletas que vão disputar domingo a maratona de Londres.

O recordista do percurso, o queniano Sammy Wanjiru, disse ontem que não vai ter o tempo de descanso desejado, o que pode prejudicar seu desempenho na prova, onde marcou 2h05min10 no ano passado.

É que a viagem dele e a de outros corredores de elite estava programada para começar na terça, o que faria com que desde hoje eles estivessem em Londres.

Quando todos os voos foram cancelados, os organizadores da maratona contrataram um jato particular para levar Wanjiru de Nairobi até Madri, de onde seguiria para Londres. Mas mesmo a decolagem do jato privado não foi permitida, tendo sido adiada para hoje.

Com menos tempo para ajustar o corpo à Londres, Wanjiru disse que agora as coisas já não estarão mais nas suas mãos: "Treinei bastante. Só espero que o tempo em Londres esteja bom", disse ele ontem, ainda no Quênia.

Outros quenianos de elite prejudicados com a apagão aéreo europeu foram Duncan Kibet, que venceu em Roterdã com 2h04min27, e Emmanuel Mutai (2h06min15), ex-campeão de Amsterdã.

Eles não terão um adversário de peso, o tricampeão de Londres, Martin Lel, que desiste da prova pelo segundo ano consecutivo por causa de lesão. No ano passado, teve um problema no quadril; agora, na perna direita.

A prova terá a presença do brasileiro Marilson Gomes dos Santos, que já venceu por duas vezes a mais difícil e mais lenta maratona de Nova York. Com melhor tempo de 2h08min37, ele é um dos dez mais rápidos da elite presente em Londres.

A corrida acontece no domingo de manhã e deve ser transmitida pela SporTV a partir das 5h (a corrida ainda não aparece na grade, mas foi transmitida em anos anteriores). Se passar na TV, vou fazer a cobertura ao vivo pelo Twitter, que você acessa clicando AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h50

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Campeão de Boston vai comprar mais vaquinhas

Recorde estraçalhado

Não deu para assistir ao vivo à maratona de Boston, realizada ontem de manhã, mas tive a sorte de pegar no pulo a reprise transmitida à noite, o que me deu o privilégio de acompanhar o magnífico desempenho de Cheruiyot, o Jovem, que estraçalhou a passadas gigantes o recorde estabelecido por seu não parente Cheruiyot, o Velho, baixando a marca de seu compatriota em quase um minuto e meio (se estivessem na mesma prova, o Jovem terminaria cerca de 500 metros à frente do rival).

Também torci, mesmo que as imagens já fossem águas passadas, acompanhando o drama vivido pela exuberante Tebya Erkesso, da Etiópia, que não teve medo de correr logo cedo e pagou duramente por sua audácia, mas conseguiu a recuperação quando tudo parecia se encaminhar para um amargo fim.

Com facilidade ou com esforço, Cheruiyot e Erkesso (no alto, foto AP) mereceram com suor cada tostão do polpudo prêmio.

O garoto queniano, de apenas 21 anos, deu ampla demonstração de maturidade e equilíbrio, enfrentando feras com o já mundialmente conhecido etíope Deriba Merga, campeão do ano passado e protagonista de duelos memoráveis nos últimos anos. E enfrentando a chatice de toda hora, antes da prova, ter de dizer que não era seu xará, que estava fora da prova.

O Cheruiyot, o Velho, os brasileiros conhecemos de vitórias na São Silvestre; quem acompanha o circuito sabe que ele é tetra em Boston e já venceu o World Marathon Majors, espécie de Grand Slam do mundo das corridas de rua. E foi ele quem deu o conselho para seu compatriota, dez anos mais novo: "Vai lá e bota prá quebrar".

E foi isso que fez o garoto. Até metade da prova, mais ou menos, ele se conteve; liderava o pelotão, ficava um pouco para trás, voltava, naquelas manobras que desenham uma espécie de dança no asfalto; não uma dança de acasalamento, mas um ritual de guerra, em que cada passo é tomado para atemorizar o outro, surpreende-lo, esgotá-lo.

Mas Merga é duro na queda. No km 35, os dois estavam ombro a ombro com 1h44min42, rumo ao recorde. Note-se que ambos estavam fazendo um split negativo dos bons, ou seja, corriam a segunda parte da prova bem mais rápido do que a primeira. Aliás, a primeira metade foi completada em 62min43, sete segundos mais lenta do que quando Cheruiyot, o Velho, estabeleceu o recorde que seria quebrado ontem.

E lá se foram eles. Era vencer ou morrer, e Merga morreu (no sentido figurado, gente!!!!). Foi ficando para trás, cansado, tornando-se presa de seu compatriota Tekeste Kebede, que terminou em segundo. Mas teve forças para sustentar o lugar no pódio apesar do ataque da esperança norte-americana Ryan Hall, que correu bem, mantendo-se em tranquilo sexto lugar quando da passagem do km 35, para então ir comendo pelas beiradas, chegando em quarto nos calcanhares de Merga.

Todos eles pareciam estar em outra prova, porque a maratona de Boston estava sendo resolvida lá na frente, a centenas de metros de distância, por um solitário queniano, que não abrandava o passo de jeito nenhum. Solitário esteve quando decidiu se livrar de Merga e solitário foi até o fim para completar em 2h05min52. "É ridículo!", foi o comentário do repórter da "Runner’s World" que blogou sobre o evento, sem palavras para classificar o feito do queniano.

O vencedor, que tem uma fazenda na sua terra natal, levou o prêmio de lei de US$ 150 mil, mais uma azeitona de ouro ofertada pela cidade grega de Maratona e um bônus de US$ 25 mil pelo recorde.

"Vou comprar umas vaquinhas novas para minha fazenda", disse Cheruiyot.

Já a vencedora do feminino não estava com tanto gás, ao término da prova, para fazer comentários bem-humorados, apesar de também ter engordado em US$ 150 mil sua conta bancária.

É que a históra da prova feminina foi bem menos tranquila para a vencedora, que terminou com sorriso de alívio... "Eu não acreditei que eu ia ganhar até cruzar a linha", disse a etíope Teyba Erkesso.

E não é para menos: seus planos de apertar o passo depois da metade da prova quase fracassaram. Mas quase mesmo, porque ela terminou a prova apenas três segundos à frente da segunda colocada, a russa Tatyana Pushkareva (na foto AP, um momento da perseguição).

Desafiando o que parece ser o cânone dos atletas de alto rendimento, a etíope completaria em Boston sua terceira prova longa do ano e terceira maratona em seis meses. Neste ano, venceu em janeiro a maratona de Houston com 2h23min53 e a meia RAK em fevereiro; em outubro passado, chegara em quarto na maratona de Chicago.

Ou seja, seu minguado corpinho não tinha, supostamente, forças para disputar na dureza do asfalto bostoniano. Mas ela foi no vai-da-valsa, no ritmo rápido em que a prova começou (entre 17 e 18 minutos para cada um dos três primeiros blocos de cinco quilômetros), chegando na frente já na metade da corrida.

"Não me dou muito bem com alta velocidade no final, pro isso preciso apertar o ritmo nos meados da maratona", disse ela. E assim fez.

Quando faltavam cerca de 6,5 km para o final, ela tinha uma confortável distância de mais de dois minutos sobre a segunda colocada. Era só manter o ritmo que estava pelada a coruja, como se diz lá na minha terra.

Mas lá na terra também se diz que não dá para contar com o ovo antes de a galinha pôr ou, para ser mais aventureiro, não se deve vender a pele do urso antes de matá-lo.

Tudo isso para dizer que, de repente, a etíope teve um troço. Começou a se sentir mal, levou a mão esquerda ao estômago, deu umas cusparadas meio estranhos, parecia regurgitar.

E a russa, que eu ainda nem tinha visto na tela da TV, aparece como uma figura de desenho animado, como um navio que se vê chegar no horizonte. Pequenininha, lá longe, no limite da tela da TV, aos poucos vai ganhando tamanho e forma, aproxima-se com vigor. Em três quilômetros, a distância entre as duas se reduziu a menos da metade.

E a etíope, que, quando estava bem, já corria de uma forma muito estranha, como se estivesse sempre em uma descida, enfiando o pé no asfalto com força e com vontade, parecia agora toda destrambelhada...

A outra vinha que vinha e sua vitória já parecia ser favas contadas.

De novo: não venda a pele do urso antes de matá-lo. E aqui, o urso era uma figurinha minúscula, sofrida, mas muito rápida. A passagem da penúltima milha pareceu dar uma injeção de ânimo na africana, que mudou de forma, aprumou o corpo e se foi, como a dizer para a russa: "Se quiseres ganhar, vais ter de correr".

A desafianta correu, mas não o suficiente. Quando faltavam uns 300 metros, pareceu fraquejar e se resignar ao segundo posto, depois reagiu contra si mesma. Mas aí Erkesso já tinha passado e levado o ouro, com 2h26min11.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54

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Cruzando pontes em Viena e na Flórida

Danúbio azul

 

Minhares de corredores passam por uma ponte sobre o Danúbio, pouco depois da largada da maratona de Viena, uma das belas provas do gênero em cidades históricas da Europa (foto AP).

A corrida austríaca, realizada ontem, foi vencida pelos quenianos no masculino e no feminino, com Henry Sugut e Helen Kimutai.

Do outro lado do Atlântico, cerca de 1.500 corredores enfrentam uma lombadona na corrida da Ponte de 7 Milhas, realizada sábado em Florida Keys, perto de Marathon, no Estado da Flórida (foto Reuters).

A corrida, que vem sendo realizada desde 1982, passa pela mais longa das 43 pontes que integram a Florida Keys Overseas Highway (autoestrada sobre o mar de Florida Keys).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h19

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Será Roterdã a maratona mais rápida do mundo?

Quatro sub2h06!!!

 

A maratona de Roterdã deste ano, realizada domingo passado, foi palco de mais um momento histórico. Pela primeira vez, quatro corredores terminam a maratona em menos de 2h06 no mesmo evento.

No ano passado, a prova holandesa já havia registrado três sub2h06 -- Duncan Kibet e James Kwambai estabeleceram lá o terceiro e o quarto melhores tempos da história, mais lentos apenas do que dois resultados do recordista Haile Gebrselassie.

Agora, Patrick Makau (foto Reuters) venceu em 2h04min48, seguido por Geoffrey Mutai (2h04min55), Vincent Kipruto (2h05min13) e Feyissa Lelisa (2h05min23).

Além disso, a prova é bacaninha e dá ensejo a belas fotos, como o registro da EFE, no alto, de corredores passando pela ponte Erasmus.

Até hoje, há apenas 30 resultados sub2h06 na história, e oito deles foram em Roterdã --mesmo número registrado em Londres (Berlim teve seis, Chicago, 4).

Dos dez resultados mais rápidos da história da maratona masculina, cinco deles foram obtidos em Roterdã. Se vocês descontar as marcas de Haile, que é dono de três daqueles dez tempos citados, a prova holandesa registra quatro dos cinco melhores tempos...

O que provavelmente não ajuda em nada para um sujeito que, como eu, agora está lutando para concluir maratonas em menos de cinco horas... Mas, para os rápidos, que correm em menos de três horas, é bom saber, pois, se quiserem quebrar seu recorde pessoal, a prova holandesa parece ser uma boa pedida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h50

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Maratona de Boston gera milhões para a região

Poder miliardário

A maratona de Boston não é apenas a mais tradicional prova do gênero no mundo, com seus 113 anos, mas também uma poderosa fonte de renda para a cidade que a abriga.

A edição número 114 da prova, a ser realizada na próxima segunda-feira, vai gerar quase US$ 123 milhões de impacto econômico para a região da Grande Boston, segundo o escritório de turismo da área.

Os 26.800 corredores inscritos --4.200 deles de fora dos EUA-- devem atrair 500 mil espectadores ao vivo, em pessoa, ao longo do percurso, além dos milhões de telespectadores e internautas que vão acompanhar a transmissão ao vivo do evento --para o Brasil também, confira a programação da SportV.

Só os corredores e seus acompanhantes devem gastar na cidade, durante o evento, quase US$ 86 milhões, segundo as estimativas dos anfitriões.

Mesmo assim, a prova deste ano não é a que mais gerou riqueza na história da maratona de Boston. Esse troféu está com a centésima edição da prova, em 1996, quando a maratona de Boston recebeu 38.708 corredores e teve um impacto econômico de US$ 172 milhões.

Só uma curiosidade: como você pode perceber, a centésima edição da prova marcou o seu 99º aniversário; a edição do centésimo aniversário foi a de número 101, em 1997.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h03

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Meu terremoto particular na maratona do Chile

Bandeira no asfalto

Do meu ponto de observação, de pé no asfalto, não vejo quase nada. Estou no meio da multidão, em um mar de camisetas azuis, e só vislumbro costas e cabeças, tênis e a perna mecânica de um sujeito postado à minha frente, que me faz pensar na maravilha da corrida e na inesgotável capacidade humana de recuperação e superação. Procuro ter uma visão melhor da barafunda humana, mas me convenço de que só do alto, do helicóptero que nos ronda do espaço, é que se pode ver o desenho formado pelo imenso painel humano que somos todos, os mais de 20 mil corredores que se postam, ansiosos, à espera da largada da Maratona de Santiago, no último domingo.

"Somos Chile", é a mensagem que nossos corpos querem passar, constituindo uma gigantesca bandeira viva. Os maratonistas vestimos azul; mais para trás, os da meia maratona trajam branco; ao nosso lado, o grosso da tropa, os corredores de dez quilômetros, estão com camisetas de vivo vermelho. Instantes antes da largada, um grupo traz uma estrela branca e se posta no mar azul dos maratonistas.

Formamos a maior bandeira chilena jamais vista na história e dizemos: "Fuerza, Chile!", pois a quarta edição da Maratona de Santiago é também uma mensagem de apoio e solidariedade que corredores do mundo inteiro mandam ao povo que luta para reconstruir seu país, atingido em 27 de fevereiro pelo maior terremoto registrado na América, seguido por ondas gigantes ainda mais devastadoras. Quase 500 pessoas morreram, e a destruição de prédios e propriedades ainda deixa destroços pelas ruas de muitas cidades.

Às 8h de 11 de abril de 2010, porém, Santiago está em festa e explode de alegria quando soa o tiro anunciado a largada da prova. Lá vamos nós!, penso eu, caminhando com a multidão que se movimenta como uma gigantes centopeia. Só ao cruzar o pórtico da largada passo ao trote, emocionado com o momento histórico e com a minha volta à maratona, prova que é minha paixão e da qual fiquei afastado por meses, lambendo feridas, tratando lesões, remoendo dúvidas.

Não importa. Agora, há que beber Santiago, engolir seu asfalto, escanear suas imagens com a vista do coração, tentar entender o que a cidade sofreu e como ela busca se reerguer. Mais que me preocupar com meu ritmo inicial ou o andamento da corrida, tento vislumbrar pelas ruas as marcas da destruição, as cicatrizes do desastre.

Elas não estão à vista, porém. A maior violência atingiu a região centro-sul do país. Em comparação com a litorânea Concepción, por exemplo, Santiago praticamente foi poupada pela natureza. Não se veem prédios caídos, escombros nem uma multidão de gente miserável nas ruas tudo isso era a imagem que eu imaginava encontrar por aqui.

O que não significa que a cidade não esteja sofrendo. As marcas, porém, parecem ser mais intestinas que epiteliais, comem o corpo por dentro, enquanto mantêm de pé o esqueleto.

No caminho para a largada, por exemplo, passo pela basílica do Salvador, prédio antigo que está condenado, ferido de morte pelo tempo e pelo desastre. Suas paredes laterais estão amparadas por moirões, mas, não fosse a proteção dos tapumes, a fachada parece intacta. Um olhar mais atento, porém, vê que a estátua de Cristo, no alto do prédio, perdeu as mãos.

Também assim, discretas mas profundas, são as cicatrizes em um moderno edifício de uma instituição financeira. Sua aparência é de perfeita normalidade, mas a faixa amarela bloqueando a entrada denuncia os efeitos do sismo.

Na corrida, só quase no segundo quilômetro é que noto um quadro semelhante. De novo, trata-se de um prédio antigo, talvez até de importância histórica do ponto de vista arquitetônico, erguido em uma esquina da bela e ampla avenida Espanha. As paredes estão orgulhosamente de pé, mas, pelo que um dia foram janelas, dá para ver que o interior está em ruínas. Nos tapumes de proteção, um cartaz improvisado, pintado à mão, avisa: "Não passe. Perigo de desabamento".

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h09

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Meu terremoto particular na maratona do Chile - parte 2

Memórias do medo

Eu espero não desabar ao longo dos próximos 40 quilômetros e vou trotando pelo plano e tranquilo trajeto, que logo passa ao lado do simpático parque O‘Higgins. Por ali, muitos corredores elegem seguir pela calçada de chão batido, protegida pelas sombras das árvores do parque. Mas a temperatura do dia, que começou frio e nublado, ainda está agradável, mesmo com o Sol dominado os céus em todo esplendor. Por isso, sigo pelo asfalto.

Somos mais de 10 mil pessoas, entre os de camisetas azuis e os meio-maratonistas de branco. Por volta do km 5, a turma já ganha mais cores vermelhas, das camisetas do pessoal dos 10 km mas imagino que sejam corredores desgarrados, pois o percurso dessa prova segue trajeto próprio; de qualquer forma, no total, chegamos a mais de 20 mil corredores nas ruas de Santiago.

Subimos por uma longa reta, e meu corpo parece estar intacto. O sofrido calcanhar esquerdo, marcado por dolorido esporão e pela ainda mais chatonilda fasciite plantar, comporta-se bem. Por causa dela e até como forma de enfrentá-la, estou experimentando uma nova passada, supostamente mais "correta", se é que se pode dizer isso da forma de correr, pois o fato é que cada um encontra o seu jeito, adequado ao seu tamanho, idade, experiência, capacidade.

Mas que seja. A tentativa de mudança da biomecânica, evitando o impacto direto no calcanhar, tem óbvios efeitos na forma de o corpo se comportar na corrida. Até agora, porém, nada resulta em dor, e passo a marca do km 10 em 1h04 mais rápido do que imaginava (ou deveria) e igualzinho ao que fizera na maratona de Guyaquil, em 2007, quando comecei muy bien e terminei arrasado pelo calor, em mais de 4h40.

Os fantasmas da experiência no Equador chegaram a me assombrar por instantes, mas logo se dissolveram, expulsos da minha mente pela proximidade de outros espectros. Estávamos nos aproximando do estádio Nacional, palco de algumas das maiores atrocidades já cometidas por uma ditadura militar na América Latina.

No golpe militar de 1973, que derrubou o governo de Salvador Allende e a democracia popular que estava em construção no país, o estádio Nacional foi transformado em campo de concentração e centro de tortura, palco de assassinatos brutais. Mais de 40 mil pessoas chegaram a passar pelas prisões e pelo sofrimento ali implantado (um registro do descalabro pode ser visto no documentário "Estadio Nacional", de Carmen Luz Parot.

Aliás, a ditadura de Pinochet parece ter gostado de usar campos de futebol como centro de prisão e tortura. Em outro estádio de Santiago, o estádio Chille, bem menor, foi espancado em público o cantor Victor Jara, que teve suas mãos de violeiro da resistência quebradas, única forma encontrada pelos torturadores para impedir que o artista seguisse mandando sua mensagem de liberdade.

Mais do que isso: como aconteceu com outras vítimas da ditadura, o corpo de Jara foi enterrado de forma quase clandestina. Somente há dois anos seus restos foram descobertos, identificados e recuperados. Uma multidão acompanhou o cortejo fúnebre em nova manifestação de luta pela democracia, por um futuro melhor para o povo chileno e para a humanidade (saiba mais AQUI).

Hoje, o estádio Nacional está fechado para reformas, interditado, também vítima do tempo e do terremoto. De onde passamos, não dá para ver avisos sobre a interdição, mas sei que as instalações esportivas também foram vítimas do desastre que, em Santiago, foi apelidado pelos moradores de "terremoto hipócrita" ou "terremoto mentiroso".

Isso porque, como visto pelas ruas, não deixou rastro aparente de destruição. Mas, por dentro, muitas casas têm rachaduras que impossibilitam a vida em segurança. Além disso, muitas famílias ainda não se recuperaram de perdas econômicas, pois o chacoalhar da terra em Santiago, se não foi suficiente para colocar abaixo prédios inteiros, derrubou móveis, quebrou televisores e outros equipamentos eletrônicos, destruiu utensílios domésticos.

Mas a cicatriz que me parece mais impressionante e terrível é o medo e a insegurança que passaram a afligir os moradores da cidade. Nas poucas horas que fiquei em Santiago, o que mais marcou as conversas que tive foi o sentimento de incerteza, de desconfiança em relação ao futuro.

Como será o próximo? Quando será? Essas dúvidas rondam as pessoas, mesmo quem não sofreu nada. Uma taça de vinho quebrada foi o único saldo do terremoto na casa em que fiquei hospedado; mas, desde então, o apartamento guarda, atrás da porta do banheiro, uma sacola com itens básicos de sobrevivência, em caso de novo desastre...

Espero que não chegue nunca, assim como nada de grave aconteceu durante a prova, que seguia em paz seu roteiro. Mal passamos ao largo do pórtico de entrada do estádio Nacional, marcado por orgulhoso obelisco, e nos dividimos: a massa branca dos meio-maratonistas segue para a esquerda, os dos 42 quilômetros vão em frente.

Num zás-trás, muda tudo.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h59

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Meu terremoto particular na maratona do Chile - final

Corpo de batalha

A primeira impressão que toma conta de mim é o silêncio. Até ali, íamos os maratonistas protegidos pela massa dos de branco, como que envoltos em um gigantesco abraço, acolhidos na multidão em movimento que se traduzia em ruído incessante.

Seguíamos todos, os de azul e os de branco, num burburinho criado pelas passadas no asfalto, aplausos do público que se espalha, rarefeito mas entusiasmado, pelo percurso. Do próprio seio da massa em movimento partem gritos de guerra: "Chiii-le!: chi-chi-chi, le-le-le, viva Chiii-le!", seguidos por palmas, sorrisos, congratulações transformadas em passadas mais fortes, mais rápidas.

Quando os meio-maratonistas embicam para seu trajeto particular, os maratonistas podemos notar quão poucos somos em relação à multidão e o quanto de asfalto ainda resta até que completemos nossa expedição. Minguamos pelo percurso que se agiganta e vamos em silêncio; o som é de cada um, da respiração própria, do que o corredor capta do ar, do movimento em se redor.

E há uma certa algazarra, sim, como quando passamos por uma feira livre, colorida e apetitosa, com suas frutas expostas e cachos e mais cachos de banana pendurados em algumas bancas. Por ali, completamos o primeiro terço do desafio. Ainda faltam dois outros, sempre sob o sol aberto, cálido, que parece aos poucos aquecer suas turbinas...

A gente também vai se aquecendo, enfrentando a longa e delicada subida que vai até depois da metade do percurso. Falar em escalada parece mentira, tal como o "terremoto hipócrita", mas o fato é que, dos primórdios da prova, lá pelo parque O’Higgins, até pouco depois da marca da metade, a subida é de 160 metros. Tudo muito gradual, com exceção do trajeto entre os km 18 e 23, um pouco mais a pino. De qualquer forma, como quem não quer nada, o trajeto mina as forças do corredor sem se deixar notar.

Só percebi o quanto tinha subido quando vi pela frente uma descida imensa, em uma da belas áreas residenciais da cidade. No km 23, estava no topo da prova e a ladeira abaixo me apavorava, enchendo meu calcanhar de lembranças doloridas. Foi aí que tudo começou a mudar para mim na quarta edição da Maratona de Santiago.

Primeiro decido aproveitar a lomba, solto o corpo, balanço os braços e me deleito em velocidade sem muito esforço. Mas passa um quilômetro, passam dois, passam três, e a satisfação vai se transformando em desconforto. O esforço anterior e a descida irresponsável se somam para espicaçar o calcanhar esquerdo, repuxar músculos da panturrilha, inticar com o posterior da coxa e até dar uma entortada no glúteo médio, com seu sempre irritável piriforme.

Respondo como posso, mas sei que a prova mudou de qualidade, que meu corpo já é diferente do que começou e que eu preciso tomar providências. Vou enganando como posso, pois agora cada quilômetro é um menos, ainda que cada quilômetro seja cada vez mais demorado.

Encurto a distância bebendo a paisagem que se vislumbra ao longe. Às vezes, corremos em direção à cordilheira; em outras, seguimos em paralelo às montanhas gigantes que cuidam de Santigo, os Andes que apavoram e seduzem, com seus caminhos traiçoeiros e suas encostas prenhes de trilhas para esquiadores e desbravadores do planeta Terra.

Mas não adianta. As caminhadas se tornam cada vez mais necessárias; são, na verdade, minha arma contra a metade (dois terços, quatro quintos?) de mim que quer parar, desistir, ir para a cama, colocar os pés num balde de gelo, imergir em chocolate quente, aninhar-me nos braços de minha amada.

Corro e faço filosofia (barata?), pensando no campo de batalha em que estou transformado. Músculos querendo descanso, costas se retorcendo, pele do rosto em fogo. Basta parar que o sofrimento cessa, me diz o quadrado lombar, apoiado com entusiasmo pelo calcanhar, os joelhos e até a cabeça, que às vezes pende para o lado... Parar como e para quê, pergunto em troca, lembrando a dor de não terminar. E ainda retruco: se for para parar, é já e agora.

E paro. Mas é pura hipocrisia, tal como a do terremoto: caminho para enganar a dor. Dois, três, cinco minutos andando é o tempo ser alcançado por corredores que já tinha ultrapassado; eles se transformam em alvos, são coelhos que vou perseguir em mais um esforço de corrida, depois da pausa reparadora.

Assim vou, quilômetro por quilômetro em marcha dolorida, tentando reconhecer os lugares por onde passo, deixando que a paisagem me guie para a meta, mais que os quilômetros que vou contabilizando como passado. Ao meu lado, corre o rio Mapuche, nomeado em homenagem à heroica tribo de índios, forjada na luta pela liberdade e hoje empobrecida e amargurada. Guerrearam sem tréguas contra os invasores, fossem eles incas ou espanhóis --contra esses, mantiveram batalhas seguidas por mais de 300 anos.

A liberdade, por sinal, é um dos motes dessa maratona, que também celebra o bicentenário da independência do Chile. Era o que dizia o site oficial, mas, ao longo dos trabalhos da manhã de domingo, antes da largada, o tema pareceu ter sido esquecido _talvez por que também seja um tanto dúbio.

A 18 de setembro de cada ano, os chilenos saem festa às ruas, quase um Carnaval, para celebrar a independência. Mas o que ocorreu de fato naquela data, há 200 anos, foi a constituição de uma Junta Nacional de Governo, ficando o país ainda como parte do império espanhol.

A independência, mesmo, também não tem uma data precisa: em 12 de fevereiro de 1817, o Exército dos Andes, comandado por José de San Martín e tendo Bernardo O’Higgins como líder das milícias chilenas, derrota as forças espanhola na Batalha de Chacabuco, dando início à Pátria Nova. Um ano mais tarde, O’Higgins, nomeado diretor supremo da jovem nação, declara formalmente a independência do Chile.

De qualquer forma, a maratona, como mote ou sem mote, é uma festa. Dura e dolorida, especialmente para quem se arrasta pelo km 39... Mas o 40 se transforma em sol brilhante, e o corpo negocia as dores para chegar ao 41. Agora, já não há mais espaço para discussão. O calcanhar pode dizer o que quiser, o quadrado lombar reclamar que nem velha chorona, o piriforme uivar: vou até o fim, nem que seja engatinhando, como ouvi outro também sofrido corredor dizer, quilômetros atrás.

Não vai ser preciso tanto. Persigo corredores, lembro da Eleonora que me espera na chegada, e já vejo a faixa azul que anuncia a meta próxima.

Acelero com o que tenho, mando um beijo para ela, que acena para mim, e cruzo enfim. Dolorido, mas inteiro, completo mais uma etapa de 42.195 metros na minha vida. É um alívio. É um prazer.

PS1: Um grande abraço a todos os brasileiros que participaram da 4ª Maratón de Santiago. Agradeço aos leitores do blog, amigos e conhecidos, gente de Blumenau, Brasília, Foz do Iguaçu, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio e São Paulo, pelas manifestações de carinho; boas corridas para todos e desculpas se minha memória em desfalecimento me fez esquecer de alguém.

PS2: Veja mais fotos, produzidas pela Eleonora e por este blogueiro, AQUI

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h53

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Corredor consegue fugir de cirurgia desnecessária

Devagar com o andor...

 Recebi do leitor JOSÉ ANTONIO DINIZ DE OLIVEIRA uma mensagem que a partir de agora compartilho com você, pois a considerei muito útil e cheia de ensinamentos para corredores e não corredores. Diniz, que é professor, mestrando em saúde pública e administrador de empresas, quase entrou na faca por causa de um diagnóstico equivocado. Mas resolveu buscar outra opinião e o resultado é o que ele nos conta a seguir. Leia agora o texto do nosso leitor e colega corredor.

"Novembro de 2008. Inconformado com um desconforto que persistia havia três meses, que iniciava na coluna lombar e refletia até a panturrilha direita, procurei um neurocirurgião. O incômodo já não me impedia apenas as corridas --esporte que praticava quatro vezes por semana--, mas me atrapalhava o simples caminhar. O médico ouviu minha queixa e, sem exame físico nem uma anamnese mais completa (só soube o que eu contei), pediu uma ressonância nuclear magnética.

"Dezembro de 2008. De posse do resultado do exame, retorno à consulta. Diagnóstico: "compressão radicular evidente (por hipertrofia das facetas articulares)". Prognóstico: "necessita ser submetido a descompressão radicular lombar e estabilização nos níveis L4-L5 e L5-S1, CID M.48 estenose de coluna lombar". "Código AMB 52.01.001-5" Artrodese de coluna vertebral via posterior.

"Inconformado com o desconforto e com a impossibilidade de correr, e principalmente determinado a resolver o problema, concordei em marcar a cirurgia para o dia 23.1.2009 --apesar de saber, já velho gestor de planos de saúde, que o primeiro tratamento nunca deve ser o mais complexo. O médico informou que eu ficaria três dias internado, com um dia na UTI. Receitou os exames e avaliações de praxe e demandou ao meu plano de saúde a internação e a lista de materiais (parafusos, capacete haste, conector transversal, broca cortante e enxerto), que totalizou na primeira cotação R$ 76.706,40.

"Quando os médicos da central de regulação do plano de saúde em que trabalho souberam da cirurgia, imediatamente me lembraram que não devia começar com o tratamento mais invasivo, já que nem fisioterapia eu havia feito. Caí na real e me dispus a uma segunda opinião.

"Fevereiro de 2009. Em consulta com um ortopedista, recomendado por vários amigos de trabalho, ele vaticinou: "Seu caso não é de cirurgia; com dez sessões de Reeducação Postural Global (RPG), certamente você voltará a correr". Saí do consultório entre incrédulo e esperançoso. Comecei tratamento com uma fisioterapeuta, que definiu os exercícios que poderiam me livrar do desconforto e me devolver a capacidade de voltar a correr.

"Julho de 2009. Concluídas as dez sessões de uma hora, fui liberado para voltar às corridas. Caminhada e corrida leve no início, observando se o desconforto se manifestaria, antes de ir progredindo na carga e no ritmo.

"31.12.2009. Depois de quatro meses de treino de corrida progressiva, me inscrevi e arrisquei a correr a São Silvestre. Quando cruzei a linha de chegada, com o tempo de 1h47min48, senti um travo de emoção que se juntou à respiração ofegante após os 15 quilômetros da prova. Pequeno choro, menos de superação, mais de agradecimento e alegria.

"Aprendi que em medicina um caso não é evidência de nada. Para se constatar práticas de boa ou má conduta, bom ou mau tratamento, é necessária a observação de várias condições e premissas.

"Do ponto de vista da economia da saúde, meu caso mostrou que um tratamento de R$ 800 resolveu um problema cuja prescrição médica inicial apontava um gasto aproximado de R$ 85 mil (custo do material mais despesa estimada com a internação). Mais de cem vezes o que eu gastei, portanto. Sem contar os dias de trabalho que teria perdido, o tempo de recuperação e inatividade com os demais tratamentos para recuperação do ato cirúrgico.

"Minha experiência pessoal certamente não tem valor científico. Quis dividi-la, no entanto, porque --além de chamar a atenção para os custos evitáveis-- certamente é grande a quantidade de pessoas que, na busca da solução de seus problemas de saúde, aceitam se submeter a todo e qualquer tipo de tratamento, muitos deles complexos e altamente invasivos, com riscos e possibilidade de importantes efeitos colaterais e, muitas vezes, desnecessários.

"Resta por fim uma última reflexão que vale a pena deixar a muitas operadoras de pla nos de saúde que pagam as cirurgias de coluna, mas não cobrem os tratamentos de RPG. Além de não contemplarem, nas coberturas que oferecem, uma técnica importante que reeduca e cura, podem não estar fazendo bom negócio."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h17

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Espermatozoide corre no Polo Norte contra a poluição

Gelado por uma causa

Com uma fantasia de espermatozoide na mala, o catalão Lluis Pallares, de 35 anos, embarcou para participar da maratona do Polo Norte, realizada ontem. Apoiado por um instituto espanhol que atua na área de reprodução humana, ele pretendia aproveitar o evento para denunciar os efeitos maléficos da poluição na fertilidade humana.

Sob a fantasia (fotos EFE), Pallares vestiu quatro camadas de roupa para enfrentar o frio do Ártico e manter viva sua mensagem, que alerta sobre os riscos para a saúde reprodutiva apresentados pela contaminação do ar e da água por defensivos agrícolas e dejetos industriais em geral.

Em sua preparação, o espanhol, que pratica também surfe, snowboard e esqui, treinou em câmaras frias a 10 graus abaixo de zero e 20% de umidade.

Até agora, não saíram os resultados completos da prova, mas o site do evento informa que todos os participantes já chegaram.

A corrida começou às 18h (hora de Brasília) de ontem, em condições climáticas desafiadoras, segundo o site oficial (AQUI). Ventos de 45 km/h aumentavam a sensação de frio e diminuíam a visibilidade. Os termômetros marcavam 20 graus negativos.

Mesmo assim, o holandês Joep Rozendal conseguiu completar o difícil percurso em 5h00min58; a primeira mulher foi a irlandesa Emer Dooley, que fechou em 5h56min54.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h25

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Correr aumenta a atividade cerebral

Ratos com mais neurônios

 

 

Começo lembrando ao incauto leitor que esta mensagem é uma continuação dos textos de apoio à minha coluna publicada na última quinta-feira no caderno Equilíbrio, da Folha, quando abordei o tema de uma campanha publicitária da Nike (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). A propaganda de lançamento de um novo modelo de tênis recomendava: “não pense. corra”.

Fiquei chocado com aquilo e fui ouvir especialistas em pensamentos e em corridas, como já comentei. Ouvi também a própria Nike. Basta rolar a página que você poderá ler os textos anteriores,

Nesta mensagem, trago o depoimento de um especialista em treinamento, o professor Rodrigo Ferraz.

Ele disse o seguinte: “Publicado recentemente em uma das revistas cientificas mais renomadas da área de saúde, um trabalho cientifico confirmou que atividade física aeróbia aumenta a atividade cerebral”.

O estudo citado por Ferraz foi em ratos que treinavam diariamente corrida. Comparado com ratos sedentários, os treinados tiveram neogenese de células do cerebro: houve aumento de neurônios principalmente da área de raciocínio e memória.

Na opinião do treinador, “podemos concluir então que correr regularmente deixa as pessoas mais inteligentes. Portanto é muito dificil associar a corrida na falta de pensamentos”.

E ele continua: “Deixando a ciência de lado, dez entre nove corredores gostam de correr pois alivia o estresse, já que na corrida pensamos melhor, pois saímos do nosso reduto de trabalho. Assim os problemas são vistos de outra forma, encontrando soluções mais criativas para ele”.

Mas Ferraz também lembra argumentos que fortalecem o “não pensar”: “Um ex-campeão mundial de triathlon que mora e treina na Escandinávia foi questionado sobre como ele conseguia acordar às cinco da manhã todos os dias para treinar já que a temperatura externa durante seis meses do ano era negativa e a escuridão era tamanha. Ele respondeu: ‘Eu só levanto para treinar porque eu não penso, eu apenas faço‘. Moral da história se pensarmos muito para treinar sempre arrumaremos uma desculpinha para sabotar o treino”.

Em contrapartida, na hora da disputa é preciso pensar muito, destaca o treinador: “É claro que o foco no que se está fazendo é importante, principalmente para poder sentir melhor o que o corpo nos está dizendo. Em uma entrevista, o corredor  Robson Caetano, falando da final dos 100 metros da Olimpiada de Los Angeles afirmou que todos os corredores que estavam naquela final tinham condição de ganhar do ponto de vista físico, porém ali ganhou o mais preparado psicologicamente. Ganhou aquele que estava mais focado (tudo bem que Ben Jonson também era o mais dopado). Com certeza, aquele que está com o pensamento direcionado apenas para o que está fazendo leva vantagens sobre os que estão dispersos. É impossível não pensar enquanto corrermos”.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h47

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Nike volta atrás na campanha do “não pensar”

Troca rápida

 

No último final de semana, a Nike trocou todos os cartazes da propaganda exposta na USP apresentando um novo modelo de tênis de corrida.

O slogan original da campanha, “não pense. corra”, foi simplesmente eliminado. Os novos cartazes colocados nos relógios nas alamedas da Cidade Universitária são iguazinhos aos anteriores, mas vêm sem o slogan, apenas com a identificação do novo modelo de tênis.

A troca apressada (os primeiros cartazes não duraram nem um mês) foi motivada pela reação negativa de corredores e de parte da comunidade universitária à campanha contra o pensar. Aliás, a questão foi o mote de minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilibrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Claro que a Nike tem suas razões e pretendia passar uma mensagem específica, mas a frase tem um significado claro, negativo, independentemente da conotação que a empresa tencionava dar.

A troca não foi muito bem feita: pelo menos um dos cartazes não resistiu à ventania da última segunda-feira. Alguém pode dizer que a tempestade foi forte, mas é bom lembrar que todos os outros cartazes ficaram incólumes e que o mesmo ocorreu com os da campanha anterior, que resistiram bravamente às chuvas e ventanias de março.

Bom, para tentar entender as razões que levaram a Nike a colocar, no templo da atividade intelectual e da busca do conhecimento, uma frase desrecomendando o pensar, conversei por telefone com Christiano Coelho, gerente de marketing da categoria running, que falou sobre as intenções da empresa.

 

+CORRIDA - Por que a Nike recomenda aos corredores não pensar?

CHRISTIANO COELHO - Na realidade, assim, de forma alguma a gente faria essa recomendação. A Nike é uma marca que tem se mostrado bastante engajada no movimento da corrida, com todos os esforços, patrocínios de eventos, criações de corridas, apoio, patrocínio de assessorias de corrida, a gente tem um envolvimento, um senso de comprometimento com essa comunidade.

O que se buscou, na realidade, com essa campanha foi valorizar um atributo desse produto, não é? Esse produto traz um sistema de amortecimento, um conceito de design de solado, que a gente tem chamado de “dinamic suport”. Esse suporte dinâmico tenta, na realidade, transformar a relação do corredor com a escolha do tênis em algo mais simples...

Claro que não se discute a importância do entendimento biomecânico individual, de cada um ter o tênis mais adequado para si. Mas, a gente sabe que, para o consumidor, muitas vezes isso é um complicador, o excesso de definições --pronador, supinador, ênfase em amortecimento, ênfase em estabilidade, não é?

Esse produto, então, traz um conceito inovador, que é o sistema de suporte dinâmico que tenta se adaptar e oferecer uma solução adequada para esses dois perfis de corredores.

Claro que, quando a gente fala de uma pronação severa, é preciso uma outra avaliação, uma avaliação mais individual, mais especializada, mas, para a grande maioria dos corredores, é um produto, um conceito bastante democrático e que simplifica essa escolha para o consumidor.

Com essa mensagem, que é um pouco ousada, o que se buscou foi dizer: olha, cara, correr é simples. Não precisa ser um problema escolher um tênis. Não precisa pensar, quebrar a cabeça para escolher um tênis. Simplesmente, pegue esse tênis e vá correr, que é o que tu gostas, que é o que tu queres.

 

+CORRIDA - Mas houve reação negativa, não é? Eu vi blogs de estudantes protestando contra uma mensagem assim em um ambiente universitário...

CHRISTIANO COELHO - É, eu concordo sim, concordo plenamente. Acho que de forma alguma foi a nossa intenção. A gente percebeu... A gente recebeu alguns feedbacks relacionados a essa percepção. Concordamos, assumimos essa postura de concordar que pode haver um entendimento dúbio ou pode ser mal-entendido por quem não é desse universo da corrida.

Agora, neste final de semana [o passado], a gente deve estar trocando aquela campanha da USP, para poder ter uma mensagem mais neutra, que evite qualquer mal-estar, que, realmente, não é, de forma alguma o que a gente quer.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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