Rodolfo Lucena

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Na Comrades, o último é mais do que vencedor

Resistência heroica

 

Casando, esgotado, maltratado pelo tempo, pelo calor, pela distância, pelas subidas e pelas descidas, Frikkie Botha avistou o pórtico de chegada da Comrades Marathon e ficou apavorado. Os minutos já tinham se ido, tratava-se agora de uma questão de segundos para chegar antes do prazo fatal, antes do tiro de revólver que anunciaria o fim da 85ª edição da maior ultramaratona do mundo, que se orgulha de seu extremo rigor quando se trata de concluintes no prazo legal.

Pois Botha, do alto de seus 63 anos, juntou os trapos em que seus músculos tinham se transformado, ergueu a cabeça e fez do suor combustível para ainda uma última arrancada. Cruzou a linha de chegada. Mal tivera tempo de parar seu cronômetro, e o tiro explodiu. Mas não havia mais problema. O corredor completara a prova de 89 quilômetros pela 28ª vez.

A ele, a honra e a glória dos vencedores.

Quanto aos que cruzaram em primeiro a linha de chegada na corrida da África do Sul, estes também viveram seus dramas pessoais. O vencedor, Stephen Muzhingi, do Zimbábue, correu para se tornar um bicampeão um tanto amargo, reclamando que não tinha conseguido bater o recorde da prova. Ele assumiu a liderança quando faltavam 20 quilômetros para o final e então tratou de apertar o passo, terminando em 5h29 (tempo extraoficial). Não bateu o recorde, mas recebeu o beijo da mulher e o abraço do filho antes mesmo das entrevistas de praxe...

Para o polimento de sua preparação, Muzhingi correu na Páscoa uma outra ultramaratona, ainda que mais curta. Participou para valer da Two Oceans, de 56 km, também na África do Sul, que aconteceu no feriado da Páscoa. Chegou em quarto lugar, mesma posição conquistado no ano passado, quando também seguiu esse roteiro pouco convencional.

Falando em convencional, isso foi exatamente o que aconteceu na prova feminina, que já está ficando até chata, pelo menos no que toca ao título. Ano após ano, as gêmeas russas Elena Nurgalieva e Olesya Nurgalieva, que chegaram em 6h13min03 e 6h13min04, fazem sua dobradinha. Olesya não conseguiu o bicampeonato, e a irmã recuperou o título, que já havia conquistado em 2003, 2004, 2006 e 2008.

Até agora, não tive notícias de incidentes mais graves durante a prova, que reuniu mais de 15 mil corredores. A corrida dura o dia inteiro e deixa a todos esgotados, ainda que passem por momentos marcantes como o registrado na foto do alto (Reuters), em que corredores sobem uma da ladeiras do percurso tendo o pôr do sol ao fundo.

A Comrades fez parte dos eventos festivos que envolvem o entorno da Copa do Mundo, mas também teve um tanto de sofrimento. Mais de cem crianças foram evacuadas às pressas de um abrigo para crianças sem teto, em Pietermaritzburg (onde começou a corrida), sob denúncias de abandono, possíveis maus tratos e malversação financeira no abrigo.

O caso só foi descoberto porque as crianças foram tiradas de suas camas, no alojamento, e colocadas em tendas de numa garagem, porque o abrigo foi improvisado como hotel para visitantes que iriam participar da Comrades. Os administradores do abrigo, segundo a denúncia, desalojaram as crianças para alugar suas camas por 150 rands (cerca de R$ 40) por pessoa, por noite, a 120 corredores que participariam da Comrades.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h16

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Maratona de Porto Alegre faz domingo trilegal

Até o espeto é corrido

Neste ano não deu para eu ir correr a Maratona de Porto Alegre, mas o meu caro leitor CARLYLE VILARINHO, um economista paulista hoje radicado em Brasilia, foi lá conferir o percurso alegre-portense (como a gente carinhosamente fala) e manda um belo relato de sua epopeia gaúcha. Aproveite o texto de Vilarinho, que publico a seguir.

"Já ouvi de diversos corredores que a Maratona de Porto Alegre é a melhor do Brasil. Eu gosto muito das de Curitiba e Foz do Iguaçu, perfeitas, e tenho a maior bronca da de São Paulo que, pautada por uma emissora de televisão, coloca o atleta em segundo plano.

"Pois confirmo o que me foi dito, a Maratona de Porto Alegre é a excelente. A organização é primorosa.

"O local da largada é de facil acesso, amplo e bonito. O horario da largada, 7h mulheres; 7:15h homens, pega melhor da tempertura da cidade, tornando a prova bastante confortável. Este pangaré que terminou com 4h30 só pegou um calorzinho la pelas 10h, quando o sol quis se mostrar valente. Mas logo voltou a ficar nublado, e a temperatura seguiu amena.

"O percurso é muito bonito e revela ao corredor/turista uma Porto Alegre que a gente não vê quando que viaja a trabalho, no meioa da semana. É o conjunto arquitetônico do centro, são as casas e edificios das ruas dos bairros mais distantes, as ruas largas e limpas. Passa perto do Olimpico, duas vezes na frente do Beira-Rio. Bonito, muito bonito o percurso. A hidratação é perfeita, pontos de água gelada a cada 3 km, quatro pontos de isotonico, dois pontos de gelo.

"Mas o percurso não é plano. Me disseram que era plano, não vi altimetria, mas senti nas pernas que não é plano.

‘Não é como Curitiba, nem como Foz, tambem não tem tuneis enfadonhos como Sampa, ou uma subida da Niemeyer....mas não se pode dizer que seja plano. "Depois do km 35, é só subida.Subida discreta, sim. Mas subida. Se bate uma câimbra na panturrilha direita, ai dói. Só faltam 7km, tá chegado, a câimbra diminui, a gente finge acreditar que a subida logo acaba e vai embora, subindo....

"Na chegada, a dispersão é bem festiva, com massagem gratis, um bom lanche e uma baita duma medalha. Realmente uma ótima maratona. Possivelmente a melhor do Brasil.

"E porque gostei muito e desejo voltar, tomo a liberdade de dar duas sugestões para fazer a prova ainda melhor. Primeiro, convidar a população a participar do evento. Envolver ao menos as pessoas que moram nas ruas do percurso. Mandar uma cartinha para os moradores informando que vai ter a corrida, o que ela significa para cada um dos corredores e para a cidade.

"A segunda sugestão é música. Convida aquela bandinha de rock que está doida para se fazer ouvida, aquela turma do pagode, do samba. São duas coisas com as quais não estamos acostumados no Brasil, mas que fazem uma grande diferença para quem está correndo.

"E Porto Alegre é mesmo trilegal, porque depois da martona tem o bom espeto corrido. E no final da tarde teve grande show no Beira-Rio: São Paulo 2 x 0 Internacional.

"Ano que vem a gente volta."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h17

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Carrinhos de lomba agitam a USP

Cultura e tradição

 

Por pouco que não deu para eu subir a rampa da Biologia no meu treino da manhã de hoje na Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo. É que a lombona de quase dois quilômetros foi fechada para pedestres a fim de dar lugar a uma sensacional competição: corrida de carrinhos de lomba.

Pelo menos, é como a gente chama esses bólidos lá no Rio Grande do Sul. Cá em São Paulo, acho que são carrinhos de rolimã.

As rolimãs, para quem não sabe, são as rodinhas dos carros. Elas de fato são uma peça de automóvel, se não me engano, mas meus conhecimentos não passam disso. Quando eu era guri, nossa turma conseguia as rodinhas em postos de gasolina, se é que minha memória não falha.

Lá na rua onde eu morava, fazíamos carros de tudo quanto era jeito, mas basicamente era uma plataforma simples com um eixo fixo, o de trás, e um eixo móvel, o da frente, que era o que permitia dar a direção. Tinha também o freio e era isso, minha gente. O povo descia aquela Ramiro e a Tiradentes que nem doido e sempre sobrava um joelho ralado, um braço machucado, uma cabeça dolorida.

Eu ficava apenas no apoio e na torcida, pois nunca prestei nem para engenheiro nem para piloto, ainda que fosse de carrinho de lomba. Até que dava minhas voltas, mas só no plano.

Pois há muitos anos devia ser assim também na corrida da USP, que é organizada pelo Centro Acadêmico da Mecânica (confira o site AQUI) e está na sua edição número 47. Havia mais de uma centena de competidores, com os carros mais diferentões, cheios de bossa, de madeira e outros materiais.

Para minha surpresa, havia também times de garotas, o que é pouco comum nesse tipo de diversão. Fiz uma rápida entrevista com a Aline (a de calça preta), que fez dupla com a Monica na corrida de hoje.

As duas colegas, que cursam enfermagem, iriam fazer sua estreia na rampa da Biologia.  “A gente nunca desceu uma tão longa”, me disse a Aline. “Viemos ver como é que é...”

Qualquer que tenha sido o resultado, uma coisa é certa: carrinho de lomba é muito divertido. E é sensacional ver que sobrevive um tipo de brincadeira que envolve ação, movimento, construção, em vez de apenas apertar de botões.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h05

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Tuiteiros correm mais de 3.200 km no fim de semana

Esforço coletivo internacional

 

O último fim de semana foi marcado pela segunda edição do Twitter’s Run Day, uma ação conjunta de tuiteiros do Brasil e do mundo, que registram numa tabela única os seus treinos no dia, criando um movimento empolgante e inspirador em favor da atividade física, da saúde ou da simples diversão.

Para participar, bastava ao interessado ser tuiteiro. Devia apenas se cadastrar no site oficial do Dia da Corrida no Twitter (em português é muito mais bonito, na opinião deste blogueiro) e então registar os quilômetros percorridos no sábado e/ou no domingo.

Apesar de o treino ou corrida dever ser necessariamente no sábado ou no domingo, o site aceitava os registros da quilometragem até hoje. Na última vez que conferi, os TwittersRun já tinham completado 3.268,8 km em 291 registros. O que não significa 291 tuiteiros, pois qualquer um poderia fazer registros nos dois dias.

No total, chegaram quilômetros de seis países, como você pode ver no mapa acima. Além das 54 cidades brasileiras, entraram no mapa do evento Londres (Inglaterra), Frankfurt (Alemanha), Miami (Estados Unidos), Costa da Caparica (Portugal) e Chennai (Índia).

Eu contribuí com 27 km percorridos em São Paulo, começando no finzinho da madrugada de ontem. Rodei pela zona oeste e pela zona sul e depois voltei para o centro, tendo oportunidade de apreciar o público que acompanhou a Virada Cultural durante a noite e pela manhã. O povo estava muito doidão, mas parecia estar também se divertindo bastante.

Lamentável apenas a morte de um garoto de 17 anos, esfaqueado durante uma briga. As demais ocorrências foram de menor importância. Pelo pouco que vi, a região central estava bem policiada, e as pessoas estavam numa boa.

Voltando ao Dia da Corrida no Twitter: o evento foi criado por uma comunidade de corredores tuiteiros que começou a se formar no primeiro semestre do ano passado e teve o primeiro encontro f‘ísico em setembro, na véspera da Meia Maratona das Pontes (que não teve ponte, como eu contei aqui). E o primeiro esforço coletivo de corrida foi nos dias 14 e 15 de novembro. Naquela edição, 131 participantes de 26 cidades, em três países, correram um total de 1.885,7 quilômetros.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h38

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Beijo na maratona da Grande Muralha

Que saudades

 

Um casal se beija enquanto participa da maratona da Grande Muralha da China, uma das mais difíceis e divertidas corridas que o mundo nos oferece. É um evento sensacional, que envolve cruzar por trechos dessas que é a maior construção já feita pelo homem.

Como relatei em meu livro "Maratonando", o encontro com o Grande Dragão (um dos apelidos da Muralha) é também um evento cultural, um aprendizado da diversidade, pois os corredores circulam por vilarejos e comunidades do interior do país, além de passarem algum tempo com outros atletas vindos dos mais diversos recantos.

Para mim, foi uma das experiências mais grandiosas da minha curta vida de corredor. Nas fotos aqui colocadas, o registro feita pela EFE do evento deste ano, realizado no sábado. Segundo a agência, cerca de 2.500 pessoas participaram da corrida, que também oferece distâncias menores, como provas de meia maratona, 10 km e 5 km. Todas passam pelos milhares de degraus do trecho de Huangyaguan da Grande Muralha.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h12

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Corrida-balada no sambódromo desafina no final

Samba sem luz

 

Já digo de cara: adorei a corrida de sábado à noite no sambódromo, estreia de provas noturnas naquele espaço, na zona norte de São Paulo.

Gostei porque estava uma temperatura agradável, porque a chuva assustadora da tarde se transformou em chuvisco e pancadas curtas e refrescantes, porque não senti tantas dores como eu imaginava e porque fiz a segunda parte da prova mais rapidamente do que a primeira.

Terminei alegre, bem-humorado, pronto para festejar. E daí a bagunça e a falta de organização atrapalharam um pouco os meus planos, que não tinham sido prejudicados nem pela péssima iluminação do percurso.

Dito isso, volto a fita para contar tudo do começo.

A corrida-balada era a Fila Night Run, já conhecida pelas noitadas zicadas pela chuva. No ano passado, na USP, foi um temporal dequeles. Neste ano, quando o evento marcou a estreia de corridas de rua no sambódromo, a chuva mais forte foi à tarde, servindo mais para assustar a turma do que para atrapalhar mesmo. Não chegou a provocar grandes confusões no trânsito da cidade e, pelo pouco que pude ver, também não causou estresse na turma que foi parta a corrida, apesar dos problemas logísticos do local.

Pois o sambódromo pode ser tudo, menos uma área de fácil acesso. Para você ter uma ideia, a recomendação da organização era para que o povo fosse de táxi. A estação de metrô mais próxima fica a uns bons dois quilômetros (calculados no olhômetro e no caminhômetro); e o estacionamentoi sugerido pela organização, pelo que pude ver, fica ainda mais longe da largada. Essa caminhadinha de 20 minutos na chuvinha fria poderia detonar os bons espíritos de qualquer um.

A mim não incomodou, pois fui de carona e cheguei em cima da hora. Quando aportei no sambódromo, o povo dos 5 km já tinha largado, o que indicava a pontualidade do evento.

Em contrapartida, já dava para ter uma ideia da parca iluminação do local. A alameda em que ficaram as barracas das assessorias esportivas, fora do sambódromo, estava bem escura, assim como toda a área do sambódromo em geral. Claro que havia os palcos, a área vip, com holofotes e luzes estroboscópicas, aquela coisa toda de balada, que dava uma quebrada no ambiente. No geral, a iluminação tinha aquele clima de boate. Mas, como todo mundo estav de bom humor, saímos todos correndo pela avenida do samba.

Por causa das chuva, as arquibancadas estavam vazias, sem ninguém para apludir os corredores-sambistas-baladeiros. Mas um pedacinho da bateria da Escola de Samba Rosas de Ouro ajudou a esquentar os corações naqueles 300 ou 400 metros que por ali circulamos.

Depois, a conversa foi outra. Saímos para as ruas, sob a parquíssima, problematérrima iluminação pública da cidade de São Paulo. Em alguns pontos, a orgnaização colocou holofotes, mas isso não foi nem de longe suficiente para permitir que qualquer um avalie a iluminação da área como algo próximo do decente.

Em uma curva mais problemática, em que havia um buracão, um pessoal de apoio teve de ficar lá, aos berros, ao longo de toda a prova, avisando sobre o perigo. Não vi ninguém cair, o que não significa que não houve nenhum acidente. Na internet, muita gente reclamou de tombos e pezada em buracos, o que detonou a prova de alguns.

De fato, em alguns pontos a escuridão só não era total por causa da luz de carros, ao longe. Então dava para seguir, ainda mais com a animação do som, em alguns pontos. Eu aproveitei que estava me sentindo bem e, mesmo sabendo que teria de acordar às 5h30 na manhã seguinte, para a corrida da Graacc, resolvi não economizar na segunda parte.

Claro que meu resultando está longe de ser um recorde mundial, mas me deixou bem satisfeito porque não envolveu dores, sofrimentos nem incomodações maiores. Estas foram reservadas para depois do final da corrida.

Havia umas filonas para a devolução dos chips, retirada da medalha e mãozada em um isotonônico e frutas (destas, havia à vontade). Uma chateação, mas nada comparável à bagunça que, àquela altura, ainda rolava na área de entrega dos equipamentos deixados no guarda-volume. Nem cheguei perto daquilo, mas o povo estava bem estressado por lá e, pela internet afora, você encontra várias reclamações contra aquela desorganização.

No balanço geral, foi uma boa corrida, com percurso bem legal e novidadeiro (pelo menos para mim), água à vontade (até da chuva) e largada no horário. A organização precisa rever procedimentos para evitar a repetição de problemas como o verificado no guarda-volume, pois isso coloca estresse e irritação em uma atividade que deveria ser só alegria...

PS.: Fotos Letícia Moreira/Folha Imagem

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h31

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Recorde na meia maratona é oficializado

Saem Wanjiru e Haile, entra Tadese

A Federação Internacional de Atletismo ratificou dois recordes mundiais estabelecidos em março por Zersenay Tadese, da Eritréia.

Na meia maratona de Lisboa, o atleta derrubou as marcas naquela distância e nos 20 km.

Ele correu a meia maratona em 58min23, superando por dez segundos a marca anterior, que era do queniano Samuel Kamau Wanjiru.

No caminho para a conquista, passou os 20 km em 55min21, quase meio minuto abaixo da marca estabelecida pelo etíope Haile Gebrselassie em 2006.

Mas isso foi lá em março. Ontem, em Berlim, uma dupla queniana bateu o recorde mundial dos 25 km _feito inédito, pois nunca antes os recordes masculino e feminino haviam caído na mesma prova. Sammy Kosgei fechou em 1h11min50, Mary Keitany se tornou a primeira mulher a correr a distância em menos de 1h20, marcando 1h19min53.

E continuo na balada dos recordes, ainda que não mundiais: na maratona de Praga, os quenianos Eliud Kiptanui e Helena Loshanyang Kirop derrubaram domingo as margas mais rápidas do percurso. Koech, que estava apenas na sua segunda maratona, correu em 2h05min39, superando a marca anterior, do também queniano Patrick Ivuti, em mais de dois minutos.

No feminino, Kirop marcou 2h25min29 na bela prova, que propiciou boas imagens aos fotógrafos de agências internacionais, como a que ilustra esta mensagem e que foi transmitida pela EFE.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h33

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Ecos sombrios da maratona de São Paulo

Falta de respeito

Uma semana depois da maratona de São Paulo e ainda ouço comentários a respeito da prova. As reclamações quanto ao horário de largada já são de lei. Por causa dele, os corredores medianos e mais lentos acabam sempre submetidos ao suplício do calor.

Várias pessoas me relataram o que chamaram de show de horrores depois do km 30, com gente passando mal, caindo ao chão e por aí vai. Corredores mais durões podem dizer que isso é culpa do próprio atleta, que não se preparou ou que julgou mais sua preparação. Todos sabiam do horário de largada etc. e tal.

O problema é que, como você poderá ler a seguir, houve falhas no abastecimento de água, o que é indesculpável em qualquer corrida e mais ainda em uma que larga tarde e na qual se sabe que a tendência é de as temperaturas subirem bastante.

Bom, recebi mensagem de Jair Amaro, professor de educação física e mestre de taekwondo de Dourados, Mato Grosso do Sul. Ele participou da triste Maratona do Fogo, no ano passado, cujo relato fiz neste blog (releia o texto AQUI; é preciso rolar a página). Neste ano, veio participar da prova de São Paulo e considerou que o evento na megalópole foi ainda pior, no que se refere à organização e ao atendimento aos corredores.

"Não tinha água gelada", diz ele, "e os caras ainda tinham a cara de pau de falar que não havia tempo para gelar a água. Usem caixas térmicas, isopor, só não pode é dar água quente com uma calorão batendo nos 30 graus".

Quanto ao posto de isotônico, veja o que diz o leitor: "Eu já havia tomado um monte de água quente e estava sedento por algo gelado. Esperei ansioso o momento dos 23 km, em que serviriam o isôtonico tão esperado. Para minha surpresa e indignação, havia uma enorme fila para se apoderar de metade de um copinho, e a pessoa que estava servindo ainda gritava: ‘É só um cada um’. Mesmo assim, sedento entrei na fila (naquela altura, o meu tempo planejado já tinha ido para o espaço). Quanto estava chegando minha vez de pegar meu copinho (pela metade), o rapaz grita: ‘Acabou!’."

A situação se repetiu em outro posto de isotônico, levando o corredor a passar reto.

No restante, foi dureza pura, segundo Jair Amaro: "Em alguns postos de hidratação pegava gelo (aquele sujo mesmo) e chupava para dar uma aliviada, porém a partir dos 30 km nem gelo tinha mais, era só água. Recebi água gelada apenas uma vez e de um bom samaritano de uma assessoria esportiva particular".

E conclui o sofrido maratonista: "Quando saí daquele último túnel em direção ao parque do Ibirapuera e depois daquela subida do túnel naquele calor infernal, eu já delirava, imaginando uma cachoeira de gelo caindo sobre mim. Encontrei o último posto de hidratação e me alcançaram um copo de água superquente. Não consegui beber e joguei o copo ao chão. Comecei da dar risadas para não chorar. Percebi que estamos no Brasil onde a falta de respeito pelos atletas é igual no Mato Grosso do Sul ou em São Paulo".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h37

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Nova York lidera ranking das maiores maratonas do mundo

Recorde histórico

Pela primeira vez, uma maratona quebra a barreira dos 40 mil concluintes. Em 2009, 43.660 corredores cruzaram a linha de chegada no Central Park, fazendo daquela edição da maratona de Nova York, que já era a maior do mundo, a maior da história. O recorde anterior, ali mesmo na Big Apple, tinha sido estabelecido em 2007, com 38.607 concluintes.

Estatísticas recém-dilvugadas pela Running USA mostram que, no ano passado, pela primeira vez seis maratonas ultrapassaram a marca de 29 mil concluintes. E, para variar, os EUA continuam dominando o ranking, com sete das Top 15.

Confira a seguir o ranking das maiores maratonas do mundo do ano passado, de acordo com o número de concluintes.

1) 40th ING New York City, EUA, 43.660 (maior da história)

2) Londres, GBR, 35.370

3) real, - Berlin, ALE 35.016

4) Bank of America Chicago, EUA, 33.701

5) Paris, FRA, 30.334

6) Tóquio, JAP, 29.108

7) Boston, EUA, 22.843

8) Marine Corps, EUA, 21.405

9) 25th Naha, JAP, 20.860

10) Honolulu, EUA, 20.323

11) Walt Disney World, EUA, 14.948

12) Standard Chartered Singapore, CIN, 14.258

13) City of Los Angeles, EUA, 14.125

14) Möbel Kraft Hamburg, ALE, 13.941

15) Estocolmo, SUE, 13.718

Vou continuar com a numerália, apesar de algumas reclamações, pois há muita gente que adora maratonas gigantes, e essa lista é um prato cheio para quem pretende focar alguma prova internacional.

Além do ranking das maiores do mundo, que você viu acima, a Running USA também divulgou as Top 20 dos Estados Unidos, todas com mais de 5.000 concluintes.

Confira a seguir (a sigla indica o Estado em que a maratona é realizada).

 

1) 40th ING New York City, NY, 43.660

2) Bank of America Chicago, IL, 33.701

3) Boston, MA, 22.843

4) Marine Corps, DC, 21.405

5) Honolulu, HI, 20.323

6) Walt Disney World, FL, 14.948

7) City of Los Angeles, CA, 14.125

8) Rock ‘n’ Roll San Diego, CA, 13.391

9) Medtronic Twin Cities, MN, 8.474

10) Portland, OR, 8.166

11) Philadelphia, PA, 7.494

12) P.F. Chang’s Rock ‘n’ Roll Arizona, 6.444

13) Grandma’s, MN, 5.998

14) Rock ‘n’ Roll San Antonio, TX, 5.906

15) Rock ‘n’ Roll Las Vegas, NV, 5.888

16) California International, CA, 5.848

17) Rock ‘n’ Roll Seattle, WA, 5.647

18) St. George, UT, 5.638

19) Chevron Houston, TX, 5.348

20) San Francisco, CA, 5.094

Fica o registro de que, apesar de alguns acharem que eu viajo bastante, o fato é que, de todas essas provas, fiz apenas uma, a do Arizona, que é muito legal e divertida.

Se você já correu algumas dessas, conte sua história.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h32

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Meia maratona atrai mais de 1 milhão nos EUA

Queridinha das mulheres

Os Estados Unidos registraram mais de 1 milhão de concluintes em provas de meia maratona no ano passado. É a distância que mais conquistou adeptos, segundo recém-divulgado relatório da Running USA.

Aliás, a meia maratona é a modalidade de corrida de rua que mais rapidamente cresce desde 2003, de acordo com o relatório. De 2006 para cá, a taxa de crescimento anual tem sido de 10% ou mais, sendo que no ano passado, em relação a 2008, o aumento do número de concluintes foi de 24%.

De acordo com os registros da pesquisa, o país registrou 1,131 milhão de chegadas em meias maratonas, contra 900 mil no ano anterior. Só a prova de Indianapolis teve 35 mil inscritos e mais de 30 mil concluintes.

Quando comparados com o final da década passada, os números são ainda mais impressionantes.

O crescimento do número de concluintes foi de 131% de 2000 para 2009; em comparação, as provas de cinco quilômetros, segundo lugar em crescimento, registraram uma expansão de 40% no número de concluintes no mesmo período.

No ano passado, 17 meias maratonas tiveram mais de 10 mil chegantes; em 2000, apenas uma registrou aquele feito.

E a meia maratona é a corrida de rua com maior participação do público feminino nos EUA. Desde 2005, as mulheres são maioria entre os concluintes dessa distância, mas no ano passado somaram 57% dos chegantes. Em 1985, as mulheres representavam apenas um quinto dos concluintes das meias maratonas norte-americanas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h44

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Morte em meia maratona nos EUA

Sem chegada

Um homem de 46 anos morreu depois de completar a meia maratona de Orage County, um dos eventos da OC Marathon, na Califórnia, realizada domingo.

Geoffrey Jonathan Chao desabou a menos de cem metros da linha de chegada. Foi atendido e levado a um hospital local, onde morreu cerca de uma hora mais tarde, de "causas naturais", segundo os registros.

Diretor de eventos em um hotel, ele era casado e deixa três filhos.

É a segunda morte nos últimos quatro anos na prova da Califórnia. Em 2007, um homem de 45 anos morreu depois de completar a maratona.

Eu insisto em fazer o registro desses casos para lembrar a todos que a corrida e, especialmente, a maratona, envolve riscos. Exige que cada um tome as necessárias precauções para praticar sua diversão de forma saudável.

Correr três a quatro vezes por semana, em ritmo moderado, é até medicamentoso. Contribui para a saúde geral do corpo.

Já os treinamentos para provas de quaisquer distâncias e a preocupação em melhorar tempo são agressões ao organismo. Claro que trazem compensações outras, dão grande prazer e satisfação pessoal. Mas cada um deve cuidar para que a prática seja a mais controlada possível. Não deixar de fazer exames médicos anuais e, dentro do possível, buscar orientação de um profissional.

Corra e fique vivo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h39

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Jornalista lança livro sobre gente que corre

Desafio de elite

O diretor de redação da versão brasileira da "Runner’s World", Sérgio Xavier Filho, gaúcho e gremista, lançou ontem seu livro "Operação Portuga - Cinco Homens e Um Recorde a Ser Batido".

Ainda não tive tempo de ler, mas o material de divulgação avisa que esse "não é um livro sobre corrida (...); são histórias de competição, superação e camaradagem".

Trata de um desafio entre corredores de elite --a elite econômica, não a da velocidade. Mostra como um pequeno grupo de empresários corredores colocou uma meta na sua vida no asfalto e as peripécias enfrentadas para conseguir chegar ao objetivo.

O homem a ser batido é o empresário Amílcar Lopes Jr., o Portuga, que correu Chicago em 2h43min50 em 2006. Para superar essa marca, os amigos circulam pelas mais famosas maratonas do mundo.

O livro é editado pela Arquipélago e custa R$ 32.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h05

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Robô antibomba detona micro-ondas em maratona

Só um susto

 

Um policial do esquadrão Antibombas de Pittsburgh e um robô especial, usado para manipular exposivos, retornam à base depois de ação durante a maratona da cidade _a segunda mais populosa do estado da Pensivânia_, realizada ontem.

O robô foi empregado na manipulação de um artefato suspeito que estava colocado dentro de um micro-ondas largado na rua (abaixo), no trajeto da maratona local, perto da linha de chegada (fotos AP). Depois da função toda, que chegou a provocar a interrupção da prova por cerca de dez minutos, a polícia informou não acreditar que fosse uma bomba de verdade.

O micro-ondas suspeito foi notado pouco depois de os líderes terem completado a prova. O queniano Kipyegon Kirui, 29, venceu em 2h17min12, e a campeão foi Alena Vinitskaya, 36, de Belarus, que chegou em 2h42min33. A prova, disputada sob chuva, teve a participação de aproximadamente 5.000 pessoas.

No sábado, a polícia de Nova York havia isolado a visitadísisma Times Square por causa de um carro-bomba que havia sido abandonado no local. O carro não explodiu e o artefato foi desarmado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h22

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Marizete Moreira dá show de tática para vencer maratona de São Paulo

Bicampeã

 

A baiana Marizete Moreira venceu hoje a maratona de São Paulo, conquistando o bicampeonato na prova. Ele deu um show de tática, mantendo-se a maior parte do tempo protegida, no segundo pelotão, para aparecer apenas nos minutos finais.

Na prova masculina, ao contrário, que esteve sempre no grupo da frente também liderou o pódio, que ficou na mão de três quenianos. Stanley Biwott venceu em 2h11m21 (dois segundos acima do recorde de Vanderlei Cordeiro de Lima), seguido por Jonathan Kipkorir e Philip Biwot.

Mas os momentos mais emocionantes e dramáticos da corrida foram propiciados pela guerreira das Alagoas, Marily dos Santos, que, na altura do km 25, corria em ritmo de recorde, com previsão de baixar a marca da recordista Maria Zeferina Baldaia em cerca de um minuto.

Desde o início da prova, Marily foi para as cabeças, dividindo a liderança com a etíope Debela Nega e outras rivais, que aos poucos foram sendo deixadas para trás.

Na altura do km 30, ela reinava absoluta, mas já dava sinais de desconforto. Na subida do último túnel, depois do km 35, quase chegou a caminhar, deixando evidente a luta terrível que acontecia entre sua vontade de seguir e os limites de seu corpo.

Aos espectadores da Globo e ao próprio narrador da prova não foi dada a possibilidade de saber o que acontecia no pelotão de perseguidoras. A emissora não acompanhou com câmeras ou mesmo repórter sem vídeo o segundo e o terceiro pelotões, deixando a todos nós sem informações preciosas.

Acompanhamos o drama de Marily contra si mesma e, de repente, eis que Marizete aparece na tela. Ela, que até então não fora vista pelas câmeras da Globo, provavelmente fizera uma prova mais compassada, sem pensar em recorde. Estava evidentemente inteira e passou por Marily sem tomar conhecimento da adversária.

Seguiu soberana para o bicampeonato, baixando um pouco sua marca e, acima de tudo, dando show de maturidade. Que também foi dado pela segundo colocada, a superpremiada Margaret Okayo, outra que não fora vista pelas câmeras da Globo e que chegou para papar seu prêmio.

Marily ainda foi ultrapassada por Adrianinha (Adriana Aparecida), mas conseguiu defender o quarto posto contra Debele Nega, com quem duelara por boa parte do percurso. Chegou muito cansada e teve de receber atendimento médico. Espero que esteja bem agora, mas ainda não tenho notícias.

No masculino, a Globo não mostrou quando Biwott deu a escapada para deixar para trás seu rival; além disso, a transmissão acabou antes da chegada do quarto colocado.  Coloco este post no ar, portanto, sem saber quem foi o brasileiro mais bem colocado no evento.

A prova teve a participação de cerca de 20 mil pessoas, segundo os organizadores. Metade fez a prova de 10 km e apenas um quarto foi para a maratona; os restantes se dividiram entre uma prova de 25 km e uma caminhada.

Sobre a transmissão, o pior mesmo é a falta de reportagem.

O narrador meteu os pés pelas mãos quando falou das origens da maratona, dos Jogos da Antiguidade e da primeira Olimpíada de nossa era, mas, em geral, foi equilibrado e tentou fornecer informações básicas aos espectadores. Mas não podia falar sobre o desenrolar da prova, pois estava acompanhando o evento como nós, o público, o que é lamentável.

Para concluir, uma tecnicalidade: em uma curva, um ou dois quenianos do trio que estava na frente passou pela calçada, e não pela pista de rolamento.

O regulamento da prova diz o seguinte:h. O ATLETA deverá observar o trajeto ou percurso balizado para prova, não sendo permitido qualquer outro meio auxiliar para alcançar qualquer tipo de vantagem ou corte do percurso indicado”.

Enfim, sempre pode ser que alguém vá para o tapetão reclamar dos centímetros engolidos...  

PS.:

O melhor brasileiro na prova foi Marcos Alexandre Elias, atleta do Cruzeiro e ex-trabalhador em lavoura de café, atividade que abandonou há cerca de seis anos para se dedicar às corridas. Baiano de Jacobina, Elias completou em 2h19min45, o que lhe valeu o quarto lugar.

Eis os resultados divulgados pela assessoria de imprensa do evento:

Resultados Maratona

Masculino

1. Stanley Kipleting Biwott (QUE) - Nike - 2h11min21s
2. Jonathan Kipkorir Kosgei (QUE)- Nike - 2h12min13
3. Philip Kiplagat Biwott (QUE)- Nike - 2h14min08s
4. Marcos Alexandre Elias (BRA) - Cruzeiro - 2h19min45s
5. José Everaldo da Silva Mota (BRA)- Multsport - 2h21min30
6. Paulo da Silva (BRA)- Maria Zeferina - 2h22min31
7. Sergio Celestino da Silva (BRA) - Pinheiros - 2h25min02s
8. Fabiano Gomes dos Santos (BRA)- Briqsul - 2h25min07s
9.José Rubens da Silva - Gráficos Sangar - 2h25min41s
10. José Telles de Souza - Pinheiros - 2h25min54s

Feminino

1. Marizete Moreira dos Santos (BRA) - Caso/Free Corner - 2h39min26s
2. Margaret Okayo (QUE) - Fila - 2h40min23s
3. Adriana Aparecida da Silva (BRA) - Pinheiros - 2h40min56s
4. Marily dos Santos (BRA)- Mizuno/Pojuca - 2h41min39s
5. Debele Wudnesh Nega (ETI)- Nike - 2h42min03s

Vencedores do 10k

Masculino

Ivanildo Dias de Souza (BRA) - Gatorade/Adidas - 31min52s

Feminino
Drielly Aparecida Nunes de Souza (BRA) - 4ºBPM - 39min14s

Vencedores do 25K

Masculino

Edivaldo Pereira de Souza (Branca Esportes) - 1h27m35s

Feminino
Ana Luiza Garcez (avulso) - 1h47m33s

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h45

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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