Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Jamaicana de 50 anos dá de 10 na maratona da vida

"Eu gosto de correr"

 

A jovem que aparece à esquerda na foto acima (Reuters), com o bastão roxo na mão, é Merlene Ottey, velocista nascida na Jamaica que adotou a cidadania eslovena e acaba de se tornar a mais velha atleta a participar de uma edição do Campeonato Europeu de Atletismo.

Só para você ter um idea, Ottey, então competindo por sua terra natal, ganhou o bronze olímpico nos Jogos de Moscou, quando talvez você nem tivesse nascido ainda (falo baseado em estatísticas sobre o público da internet). Os Jogos moscovitas, como se sabe, foram em 1980.

Três década e 33 medalhas em competições importantes depois, ela voltou hoje ao Estádio Olímpico de Barcelona, onde havia conquistado medalha de bronze nos Jogos de 1992.

Agora, porém, compete pela Eslovênia, país que defende desde 2002, participando do time de revezamento 4x100. A equipe não conseguiu passar da fase classificatória neste Europeu de atletismo, mas o nome de Ottey ficou inscrito na história. A recordista anterior era a francesa Nicole Brakebusch-Leveque, que competiu na maratona quando tinha 47 anos.

"É especial saber que eu posso competir aos 50 anos. Me dá muita alegria ser capaz de enfrentar atletas mais jovens", disse ela, completando: "Acho que são meus genes, sei lá. Além disso, eu gosto de correr".

Ottey, 50, enfrenta a irlandesa Ailis McSweeney, 26, na prova de classificação do 4x100 feminino no Europeu de Atletismo, hoje em Bracelona (AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h48

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Maratonas no nordeste provocam emoções

Dá-lhe Piauí, Ceará...

Se você não viu, não deixe de ver: role a página um pouquinho e dê uma lida na notícia que publiquei dando conta que está sendo organizada a primeira maratona de Teresina.

Como qualquer corredor que se preze, fiquei muito feliz com a notícia que, pelo que indicam os comentários, também alegrou os leitores deste blog.

De fato, palavras dos leitores chegaram a emocionar este blogueiro. Vou citar apenas um aqui em praça pública, mas espero que todos se sintam representados (estão disponíveis na íntegra na área de comentários da dita notícia).

O leitor Dalwton Moura, de Fortaleza, escreveu: "É louvável a realização de uma prova como esta, ousadia que ajuda a quebrar uma certa noção de que seria inviável a realização de maratonas no nordeste. Começando cedo (ou sendo ao fim da tarde, como a Maratona do Sol Poente, que acontecerá nas proximidades de Fortaleza, em outubro) e garantindo boa estrutura de hidratação, é possível sim. Se milhares de corredores enfrentam todos os anos um sol daqueles na Meia da Yescom no Rio, largando supertarde para agradar à TV, por que não fazer uma maratona, claro, com os devidos cuidados, no nordeste?"

Claro que você se deu conta de que o nobre leitor citou uma outra maratona nordestina, que até então não tinha aparecido nas páginas deste blog. Pois fui buscar mais informações sobre o Maratona do Sol Poente, vinda das areias quentes e gostosas do Ceará.

O cenário, não precisa nem dizer, mas eu digo, é magnífico. A corrida parte da praia de Cumbuco, que me dizem ser maravilhosa (estive lá há uns 15 anos, claro que está tudo melhor e mais bacana).

Sobre essa história de começar às 15h30, acho que é uma boa tentativa de fugir do calor mais poderoso. Mas não sei se alivia tanto assim para quem está acostumado a temperaturas mais amenas.

De qualquer forma, interessados já podem consultar o site oficial da prova, AQUI.

Infelizmente, nessa também não poderei ir. Espero, porém, ficar bom logo e poder pelo menos voltar a correr dez quilômetros ou meia maratona, sei lá. Enquanto isso, você que vai ao Piauí ou ao Ceará (a prova está marcada para 16 de outubro), não deixe de mandar notícias, apresentar suas críticas e fazer seus comentários sobre esses eventos. Tomara que tenham muito sucesso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h23

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Blogueiro fala sobre maratonas pelo mundo

Palestra no RunningShow

Já está rolando em São Paulo o RunningShow, feira que combina exposição de produtos, apresentação de destinos para corredores e uma conferência sobre... corrida.

Muitas empresas da área estarão presentes, algumas até fazendo promoções (no ano passado, nem foi tanto assim), mas o mais legal é o clima do evento: parece que todo mundo por lá respira maratona.

Nesta edição, vou novamente estar presente na Running Conference (o nome bem que poderia ser em português, não é?). Farei uma palestra sobre maratonas pelo mundo.

Será neste sábado, às 19h30, e a entrada é totalmente gratuita. Vou falar sobre como descobrir provas legais e contar histórias de algumas das melhores maratonas que corri por este mundo afoira, como a da Grande Muralha da China, que ilustra esta mensagem.

Bom, espero você lá. Se você não puder ir, avise um amigo para participar.

Para saber mais, confira AQUI o site do evento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h44

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Brasil se apronta para Jogos da Juventude

Reta final

 

A delegação brasileira que dirá presente na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude se reúne na próxima sexta-feira, em São Paulo, para um seminário de preparação à viagem.

O embarque dos 81 atletas do time verde-amarelo será na próxima segunda feira, rumo a Dubai, nos Emirados Árabes, onde a turma vai passar por um processo de aclimatação.

Os Jogos serão realizados em Cingapura, a partir de 14 de agosto, e devem reunir 3.600 atletas de 14 a 18 anos, representantes de 90 países.

A chefe da delegação é a medalhista olímpica Adriana Behar (Sydney-2000 e Atenas-2004), que comentou: “Temos a oportunidade de dar experiência internacional para estes jovens atletas, que, por sua idade, têm chances de disputar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Será um importante teste para esses atletas e uma oportunidade de avaliarmos o potencial deles”.


O Brasil leva 15 atletas para as competições de atletismo. A mais jovem é a potiguar July Ferreira da Silva, 15, que vai disputar a duríssima prova de 2.000 m com obstáculos. Ela se qualificou ao conquistar o primeiro lugar na
Seletiva Sul-Americana aos Jogos de Cingapura, com 7min29s33.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h55

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Fogo da juventude sai da Antiga Olímpia

Dá-lhe, gurizada braba!

A atriz grega Ino Menegaki, vestida como uma sacerdotisa de cultos imemoriais, entrega a tocha para um corredor (foto AP) em um local histórico na Antiga Olímpia, onde nasceram os Jogos Olímpicos, em 776 antes de Cristo.

O corredor é o primeiro a carregar a tocha olímpica em uma jornada que prosseguirá até a abertura da primeira Olimpíada da Juventude, que começa no próximo dia 14 de agosto, em Cingapura.

Inicada na Grécia na semana passada, a corrida da tocha olímpica chega hoje ao México, cidade que representará o continente americano como anfitriã da tocha. Depois, vai para a Austrália, de onde seguirá para Seul, na Coréia do Sul e, dali, Cingapura.

Os Jogos Olímpicos da Juventude devem reunir em Cingapura cerca de 3.600 atletas, de 14 a 18 anos. Eles vão competir nos mesmos 26 esportes que fazem parte do programa dos Jogos de Londres-2012, mas em um menor número de modalidades. No caso do atletismo, a prova mais longa de corrida será a de 3.000 m rasos; haverá também competição de marcha atlética de 5.000.

Confira AQUI o site oficial da primeira edição das Jogos Olímpicos da Juventude.

E viva essa gurizada braba!

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h33

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Olhaí, gente, tem maratona no Piauí!

Ai, que vontade que dá

 

Acabei de descobrir que o Piauí vai sediar uma maratona. Não sei se é a pioneira no Estado, mas o certo é que leva o nome de 1ª Maratona de Teresina e vai ser realizada em homenagem ao aniversário da capital, que completa 158 anos no mês que vem.

Comecei a ver as informações e já fiquei louco de vontade de sair marcando passagem e programando uma estadia mais alentada em terras piauienses, que são pródigas em locais históricos e sítios arqueológicos importantes.

O mais sensacional deles é o Parque Nacional Serra da Capivara, onde há uma densa concentração de sítios arqueológicos, com vestígios extremamente antigos da presença do homem (cem mil anos antes do presente), segundo informa o site oficial do parque, que você pode visitar clicando AQUI.

Voltemos, porém, à maratona, que está marcada para o dia 15 de agosto. A julgar pelas informações disponíveis no site oficial (AQUI), os organizadores estão tomando o maior cuidado para oferecer uma boa experiência aos participantes.

Começa pela hora da largada: seis da matina, compatível com o calor que faz por lá. O percurso, cujo mapa você vê no alto desta página, parece bem bacana.

Há quem, como eu, não goste de repetir volta, preferindo trajetos ponto a ponto ou em uma grande volta de 42.195 metros. Mas, em circuitos urbanos, há muitos outros fatores a considerar além das idiossincrasias dos corredores. Talvez esses fatores também sejam responsáveis pelo tempo-limite muito exíguo, de apenas cinco horas (na maratona de São Paulo, o limite é de seis horas).

Além da maratona, haverá provas de 10 km e 5 km. Para todas, a inscrição, que pode ser feita até 13 de agosto, é 2 kg de alimento não perecível. Ou seja, além de você se divertir estará contribuindo para obras benemerentes.

Bom, como disse, tudo isso parece bacana no papel. Eu estou babando para ir testar in loco, como se diz, mas uma lesão que me acompanha há tempos não está permitindo nem sequer que eu treine, quanto mais participe de maratonas. Então, fica aqui a convocação para você: se resolver participar dessa prova ou conhecer alguém que vá participar, que mande notícias e fotos do evento.

Quanto a mim, vou torcer para que tudo dê certo e que os organizadores se entusiasmem para repetir o feito no ano que vem. Daí, quem sabe, eu consiga dizer presente e possa anunciar aos quatro ventos: Piauí, lá vamos nós!

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h01

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Repórter conta detalhes de seu debute na meia maratona

Tontura passageira

Como você viu neste blog há alguns dias, a jornalista LUISA ALCANTARA E SILVA, repórter de Turismo na Folha, estava se preparando para estear na bela distância de 21 km, aproveitando o não menos belo cenário do Rio de Janeiro. Ela tinha medo, medo, medo da meia maratona, mas foi lá testar sua força (a dela e a da corrida). Depois de tudo, mandou o relato abaixo, especial para este blog.

Foi punk. Assim eu defino a minha primeira meia maratona. Até os primeiros cinco quilômetros, estava tudo ótimo. Até começar a subida da avenida Niemeyer. Pouco íngreme, mas comprida, já me deixou com a dúvida do "será que eu vou conseguir?". Dúvida que, como escrevi aqui, eu não tinha, mas que, com o cansaço, veio.

Então, chego ao Leblon e tenho a vista até o fim de Ipanema, uma injeção de ânimo. Esse trecho, plano, termino sem sentir o cansaço. Quando entro na curva para Copacabana, fico feliz de já estar ali. Mas a sensação logo acaba. A visão de Copacabana, apesar de maravilhosa, é desanimadora. E ainda tem o Leme. E Botafogo. Ai. Ali, em frente ao Copacabana Palace, a dúvida do "será que vou terminar?" aumenta. Os outros corredores ajudam. Se eles conseguem, por que eu não vou conseguir? E continuo.

No km 15, já não vejo mais os amigos que eu estava acompanhando. Tomo água em todos os postos de hidratação. Molho meu corpo porque, apesar do ótimo tempo para uma prova dessas _nublado e frio_, parecia que eu estava queimando. De falta de energia, de excesso de ácido lático, de cansaço, de fome, não sei, mas estava queimando. Aliás, a fome, um dos meus medos, apareceu bem no começo, por volta do km 5. Acho que ficou comigo até eu substituí-la por sensações mais fortes.

Do km 15 ao 18, não doeu. Não doeu porque não senti. Acho que meu corpo já estava tão cansado que parecia que minhas pernas se mexiam por inércia. Pensei em dar uma andadinha algumas vezes, mas sabia que, se fizesse isso, a chance de me boicotar por vários "só 15 metros" ia ser grande. Então eu pensava "não, já foram 18, falta pouco".

O pouco maior que eu já vi. Do 18 ao 20, a sensação é de desespero. De "caramba, e a chegada?". Mas a persistência é maior. Eu que quis, ninguém me obrigou a fazer isso. Vou até o fim. E, no 20, dei um pique. Pequeno, dadas as condições, mas um pique, atingido com a ajuda de "I Will Survive", do Cake.

Quando passei o portal da chegada, uma vontade de chorar. Contida. E então uma leve tontura. Passageira. De um corpo que de repente para. Terminei? Terminei. Terminei! Além do meu bom resultado em tempo _pelo menos para mim_, saí de lá com a sensação de superação. De que posso ultrapassar minhas barreiras e de que, apesar de parecer loucura, chegar ao que deve ser o limite do meu corpo é bom, me traz uma sensação de bem-estar inexplicável. E vale a pena.

Embora tivesse dito _e escrito_ que não tinha nenhuma meta a não ser terminar, eu queria fazer em menos de 2h30. Só não "divulguei" porque não sabia se conseguiria, então melhor era ficar na minha mesmo. Fiz em 2h21. E, apesar da dor que está me fazendo andar como uma pateta, a ponto de as pessoas perguntarem o que eu tenho, já estou querendo a próxima. A próxima meia maratona, porque, maratona, inteira, não. Pensar que, quando passei na chegada no domingo, ainda teria que fazer mais todo o percurso de novo... Hum, não, 21 são suficientes. Pelo menos, por enquanto!

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

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Nem tudo é alegria na maratona do Rio

O corpo manda

A maratona do Rio, no último final de semana, trouxe alegria para muitos, mas também decepção para quem por alguma razão precisou abandonar o desafio. Um desses foi o professor de educação física NELSON EVÊNCIO DA SILVA, 39, que trabalha há 15 anos como treinador de corrida e já fez quatro maratonas. Em geral mais dedicado a provas mais rápidas (tem 37min16 nos 10 km), desta fez treinou bastante para a prova, mas o coração se comportou de forma inesperada, diferente do que a vontade pedia. Leia a seguir a história de NELSON (na foto abaixo, participando de uma corrida de 10 km).

Treinei bastante pra essa prova. Fazia uns dez anos que não corria uma maratona, então foram uns cinco meses bem treinados --fiz uma meia maratona no ritmo de 4min25 por quilômetro, conversando e sem sofrer nada!

Minha meta era correr em ritmo de 5min/km, mantendo ou até aumentando depois dos 32/35km, já que fiz vários treinos progressivos, com final forte. No máximo, chegaria em 3h35.

Saí a 4min45, pois no primeiro quilômetro é difícil acertar a ritmo, mesmo segurando muito e vendo um monte de gente passar. Ajustei e fui mantendo. Porém minha frequência cardíaca estava 12 batimentos acima do normal. Achei estranho, mas imaginei que fosse mais o emocional.

Mantive o ritmo de 5min/km, e eles subiram mais um pouco. No km, a triatleta Fernanda Keller me deu um copo de água. Isso mesmo, a Fernanda Keller, de tantas participações no Ironman do Havaí! Acho que aí meus batimentos subiram mais um pouco...

Como durante a maratona várias coisas acontecem, imaginei que iria melhorar e fui embora. Passei o km10 com 49min30 e chegando aos 180 batimentos. Normalmente eu só chego a essa frequência no final de prova de 10km, correndo a 4/4min05"/km. Daí eu tive certeza que a alguma coisa estava errada "meisssmo", como dizem os cariocas!

Deixei cair o ritmo. Tomei o primeiro gel no km 12 e nada do batimento cair. No 14, já estava com 182 bpm. Passei os 15 com média de 5min/km, mas já fazendo um esforço que não era normal. Deixei cair mais o ritmo e nada melhorava. Passei a meia com 1h47min16, mas foi o que deu. Logo que entrei na primeira subida, cheguei a 188 bpm (meu máximo) e parei de correr. Isso, parei no km 22.

Andei um pouco e aproveitei para contemplar aquele lugar maravilhoso que é o Joá! Trotei pra ver se melhorava, mas não melhorou.

Resolvi que iria pegar um táxi. Como nenhuma aparecia, resolvi trotar um pouco. O ritmo mais lento mudou minha biomecânica natural, e começou a doer tudo.

Enfim, um táxi parou, mas o motorista não quis levar um cara todo molhado. Trotei mais um pouco e no km 30 consegui pegar um ônibus até a chegada. Ainda bem que o conheço o Rio e que estava com dinheiro no bolso!

Poderia ter "só completado"?

Já fiz esta besteira e fiquei quebrado um tempão, fazendo fisioterapia e deixando de dar algumas aulas e de participar de outras provas. Como treinador de corrida e personal trainer que corre junto com o aluno, dependo muito do meu corpo para trabalhar e ainda pretendo correr por pelo menos mais uns 40 anos.

Naquele dia, meu corpo era o meu chefe, eu o ouvi e o respeitei!

Fui almoçar picanha no Garota de Ipanema, com duas amigas, e dei muita risada, pois o Rio de Janeiro continua lindo!

Continuo tão ou até mais feliz do que antes. A prova em si foi somente um detalhe dentro de todo esse processo de preparação, que foi muito enriquecedor.

Muitas outras virão!

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h50

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Vento e chuva prejudicam tempos na Maratona do Rio

Por três segundos

O queniano Anderson Kiprono (foto Ricardo Cassiano/Folhapress) venceu ontem a maratona do Rio sem tempo de queniano. Completou o percurso em 2h19min54, correndo sozinho na frente desde o km 10.

No finalzinho, o brasileiro Adriano Bastos, multicampeão da Disney, deu um pau e quase alcança o estrangeiro, fechando em segundo lugar com apenas três segundos de diferença.

Apesar da emoção da torcida final, os desempenhos dos profissionais na prova foram prejudicados pela chuva forte, que apareceu durante parte da corrida, e também pela ventania.

No feminino, então, a marca da vitoriosa Sirlene de Sousa de Pinho, esteve longe de empolgante: 2h43m15. O que não desmerece seu valor, como disse a campeã: "A prova foi boa, porém muito difícil. Durante o percurso tinha muito vento, mas o clima estava bom para correr. Acabei molhando o tênis por causa da chuva e as pernas ficaram pesadas. Mas vim determinada e deu tudo certo".

O evento, que distribuiu um total de R$ 221,9 mil em prêmios (R$ 20 mil para os vencedores da maratona), teve 18 mil inscritos. Mas a estrela do dia foi a meia maratona, que recebeu o grosso da participação dos corredores amadores.

Nessa modalidade, a dupla queniano-brasileira se repetiu. Kipkemei Mutai liderou venceu com o tempo de 1h04m20, e Adriana Aparecida da Silva completou em primeiro em 1h16min17.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h42

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Brasileiros dão um pau em deserto norte-americano

Tá dominado!

Termina hoje a edição deste ano da Badwater Ultramarathon, uma das provas mais difíceis e extenuantes do mundo, com seus 217 quilômetros percorridos pelas agruras caloríferas do deserto e as oscilações insanas do percurso, que vai do ponto mais baixo do território norte-americano, no Vale da Morte, às alturas do monte Whitney.

Pois esse percurso aí já está mais que dominado pelos brasileiros. O recorde da prova é do superultra Valmir Nunes, que engole seus quilômetros nas areias de Santos. No ano passado, a vitória foi do bravo representante do Exército brasileiro Marcos Farinazzo, que neste ano voltou lá para tentar o bi.

Não deu, mas Farinazzo, 41, terminou em um belíssimo quartop lugar, completando o terrível percurso em 27h56min10.

O empresário Ariovaldo Branco, 41, completou em 33h57min35 e o médico Wagner Ricca,54, fechou em 45h35min20.

Já o carioca Marcio Villa do Amaral, 43, chegou ao final em 36h31min07. Mas isso foi apenas a primeira perna para esse atleta, que corre para obter fundos para o Instituto Nacional de Câncer: ele pretende fazer o trajeto ida e volta. Vai lá, Marcio, estamos torcendo por você!.

Deixei por último a única mulher do grupo brasileiro, que até o momento em que escrevo não completou, mas ainda está dentro do tempo limite. É Monica Otero, 54, que você já conhece deste blog ou de meu livro "+Corrida". (Se não conhece, leia AQUI - é preciso rolar a página para chegar até a entrevista).

Essa peregrina que já derrotou o câncer enfrenta longas distâncias com tenacidade que parece sobrehumana. Há três anos, tornou-se a primeira mulher da América do Sul a completar a ultra de Badwater. Desde então, encarou e superou desafios do arco da velha. Agora, está prestes a vencer mais. Seja qual for o resultado, ela é uma vitoriosa.

Para mais detalhes sobre a prova, que foi vencida pelo norte-americano Zach Gingerich, 30, em 24h44min48, visite o site oficial, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h13

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Jornalista revela tensão de pré-estreia na meia maratona

Ai, que medo!

A LUISA, que tem por sobrenome ALCANTARA E SILVA, é repórter de Turismo aqui na Folha e corredora dedicada. Ao longo da vida, sempre praticou esportes, mas a corrida lhe cativou mais profundamente desde dois anos para cá. "Queria um esporte que cansasse", diz ela, que participou de várias provas de 10 km, ostentando como melhor marca o respeitável tempo de 1h02. Está de olho na São Silvestre, que ia fazer no ano passado. O plantão (é, jornalista faz plantão e trabalha muito) derrubou os planos de então. Agora, aos 27 anos, está prestes a se aventurar na meia maratona.

Vai correr no domingo, no Rio de Janeiro, e trata de segurar o nervosismo. Especialmente para os leitores deste blog, contou um pouco das emoções que vive nesses dias que antecedem seu debute no asfalto carioca. Leia a seguir o texto da LUISA.

Estou a poucos dias de minha primeira meia maratona. Serão 21 km, e eu, que até hoje corri no máximo 18 _e quase não consegui descer um degrau no dia seguinte_, estou bem nervosa.

Para começar, sempre fui contra correr mais de 15 km --ou será que ainda sou?.

Sempre gostei de me exercitar, mas, mesmo gostando de correr, achava que o corpo humano não havia sido feito para se esforçar tanto sem um motivo muito importante. Mas aí, como quem corre sabe, correr vicia. E então, convencida por duas amigas corredoras, e pelo cenário do evento --o Rio de Janeiro!--, me inscrevi na minha primeira meia maratona no dia 13 de maio.

O tempo passou e agora, quando proximidade torna a prova mais real, a ansiedade aumenta.

Ansiedade porque sei que vou terminar _a não ser que quebre o pé ou coisa do tipo_, mas não sei como vou me sentir.

Um amigo meu e meu irmão já me ajudaram a preparar o iPod; até então eu corria ouvindo Chico Buarque e Caetano Veloso _ídolos, mas não quando você precisa de velocidade. Já sei com qual tênis e com qual roupa eu vou.

Está tudo preparado, menos eu, acho.

Fisicamente, sim, sei que vou terminar, e, como não faço questão de conseguir nenhum tempo, o tempo que eu fizer vai ser bom. Mas, psicologicamente, mesmo sabendo que não sou de desistir, não consigo fazer com que o nervosismo me largue.

Pedi para um dos meus treinadores me esperar na chegada com uma cerveja, e ele, brincando, me respondeu que isso era impossível, pois eu vou estar tão desidratada que qualquer gota de álcool me faria mal. Fico pensando quanto deve ser esse "tão desidratada". Medo.

E a fome? Como vou fazer? Quando vou para o treino de 10 km, com o café da manhã tomado, ela vem. Imagina quando correr 21 km? Medo.

Já tentei vários tipos de tops, e todos me machucam. Escolhi o que me machuca menos, mas machuca em treinos normais. Imagina em 21 km? Medo.

E o calor do Rio? Medo.

E a sede (mesmo com os pontos de distribuição de água, ela vem)? Medo.

E quando eu achar que já está acabando e aparecer a plaquinha me mostrando que ainda faltam mais quatro quilômetros? Medo.

E se eu, que já fui picada pelo vício da corrida, terminar a prova e inventar de correr uma maratona inteira? Medo.

Ou seja, todos os detalhes, por menos importantes que sejam para quem olha de fora, dão um certo nervosismo. É como o primeiro dia de trabalho. Você sabe que tem tudo para dar certo, mas vai com medo. Então, espero, ou melhor, vou voltar aqui na semana que vem para contar como foi!

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

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Na maratona do Rio, a meia faz sucesso

Bom senso

Já estão esgotadas as inscrições para a meia maratona que será realizada junto com a maratona internacional do Rio de Janeiro, no próximo domingo. Também, já não há mais vagas para a corrida familiar, de seis quilômetros. Restam lugares, ainda, para a prova supostamente principal.

O público, no entanto, está mostrando o contrário. Não só pelas vagas precocemente esgotadas, mas também pelas conversas no Twitter e outras redes sociais, fica clara a preferência dos corredores pela prova mais curta.

É uma bela demonstração do bom senso dos corredores. Apesar de a maratona ter sua largada às 7h30, o que também é uma demonstração de sensibilidade por parte dos organizadores do evento, sempre se pode esperar calor quando a prova é no Rio de Janeiro. Ainda mais que a prova atrai corredores amadores mais lentos --no ano passado, apenas 42% dos participantes concluíram a prova em menos de quatro horas.

O índice é semelhante à taxa de corredores da meia maratona que terminam a prova em menos de duas horas, comprovando o efeito sedutor do Rio para atletas mais lentos ou estreantes na distância.

Os 21 km, po sinal, já no ano passado conquistaram muito mais adeptos que os 42.195 metros --houve 4.601 concluintes na meia, contra 2.169 na maratona.

Eu espero que todos aproveitem a prova como possam. Para ajudar aos menos experientes, aqui vão algumas dicas, coisas que aprendi ao longo dos meus anos de corrida, ouvindo técnicos e colegas e também experimentando por conta própria.

1. Comece o reforço de sua hidratação alguns dias antes. Em geral, quando a corrida é no domingo, eu já começo a beber mais água a partir de quinta-feira, passando a consumir em média três litros, em vez dos costumeiros dois litros. Não é muito. Duas xícaras de chá no café da manhã já dão conta de meio litro, por exemplo. Durante a prova, beba água em todos os postos, nem que seja só um pouquinho. Use um sachê de carboidrato ou outra forma de reposição de energias a cada 50 minutos, mais ou menos.

2. Reforce a alimentação. Organize suas refeições, nos dias que antecedem a prova, pensando em como elas serão no dia da corrida. Coma sem exagero, em várias porções ao longo do dia. Na sexta e no sábado, dê preferência a massas, batata, arroz. No sábado, pelo menos, fuja dos molhos brancos e densos, preferindo molhos vermelhos. Deixe a sobremesa para o domingo.

3. Tem gente que é mais paranoica, mas eu arrumo minhas coisas de corrida na noite anterior. Em geral, corro com uma pochete com meus sachês de carboidrato, que já deixo preparada. Coloco o número na camiseta e o chip no tênis. Verifico se carreguei a bateria do meu GPS e penso em como vou correr no dia seguinte (nunca dá certo, mas sempre acalma...).

4. No dia da corrida, tomo café da manhã pelo menos uma hora antes da prova (depende de como e quando será o transporte para a largada). Em geral, como uma banana, uma fatia de pão com queijo cottage e outra com queijo cottage e mel; se tiver, um pedaço de bolo ajuda. Tomo uma ou duas xícaras de chá ( eu gosto de boldo ou camomila para a manhã da prova).

5. Alongamento. Publicações especializadas ficam criando polêmica sobre se alongar melhora a performance e outras bobagens. Eu acho que alongar é bom, porque já avisa o corpo de que precisa se preparar para alguma coisa. Faço alguns alongamentos leves, antes do café, espreguiço o corpo e mando ver.

6. Aquecimento. Treinadores recomendam um trotinho antes de começar a prova. Eu prefiro me concentrar e sair na boa. Vou ficar correndo cerca de duas horas, para a meia, ou quatro, para a maratona: é tempo que chega para aquecer o corpo...

7. Roupas. Bueno, é a regra; não coloque nada novo, use apenas o que já testou em treinos. Isso vale para tudo na prova, especialmente para o ritmo, tema do próximo item.

8. Ritmo. Você está treinado, já experimentou distâncias próximas da que vai enfrentar ou mesmo já correu antes outra provas do gênero. Você já sabe que é capaz de fazer o que treinou e tem confiança que poderá enfrentar o percurso todo. Então não invente. Vai largar mais rápido, talvez, entusiasmado com a turma endiabrada, mas logo procure se concentrar, atingir seu ritmo, apreciar as belezas do Rio e ir acelerando aos poucos. Mesmo que você queira bater seu recorde pessoal, a melhor forma é guardar energias --todos os últimos recordes mundiais na maratona foram batidos com a segunda metade da prova corrida mais forte do que a primeira.

9. Dor. Há dores e dores. Ficar cansado e sentir os músculos doloridos, indo para a exaustão, é comum, até bom. Isso você pode controlar, dominar seu corpo e avaliar o quanto você quer essa medalha. Ter pontadas, repuxões, agulhadas é mais crítico. Reduza o ritmo, caminhe um pouco e tente retomar, se lhe for possível. Mas não lute com a dor. Uma pinicada no joelho pode não ser nada e pode ser uma grande meleca. Uma torção no tornozelo pode levar um tempão para curar, se não for tratada logo. Então, nada de bancar o herói. Use o bom senso, avalie seus desejos, mas não deixe de ouvir os clamores de seu corpo.

10. Prazer. Aproveite cada momento. Cada passo é uma conquista, uma vitória, seja o ritmo que for. Sinta o sangue pulsar no seu corpo, beba as belezas do Rio, ouça as conversas dos corredores que estão ao seu lado, sorria para o público, grite, fique em silêncio, concentre-se, olhe seu relógio, esqueça o relógio e dê uma reduzida no último quilômetro, um pouquinho só. É o que basta para retomar as energias e sair no galope para o final, deixando o coração bater forte, as pernas soltas em largas passadas e o peito aberto cruzando a linha de chegada. Vibre, festeje que o caneco é seu. Depois de passada a euforia, mande notícias para este blog.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h49

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Confirmado doping de velocista da Jamaica

Dor de dente

A jamaicana Shelly-Ann Fraser (foto Reuters), campeã olímpica e mundial dos 100 m, testou positivo para uma substância proibida.

O caso de doping da supervelocista foi confirmado pelo presidente do clube em que ela compete, Bruce James.

Eu imediatamente me perguntei se isso poderia vir a ser a ponta de mais uma trama em que nomões do esporte são desmascarados, pois já há tempos os velocistas da Jamaica surpreendem o mundo com suas performances estonteantes.

Mas pode ter sido uma especulação precipitada de minha parte, a julgar pela reação dos personagens próximos à corredora.

O próprio James tratou o caso como um problema menor. Segundo ele, a atleta tomou um remédio para dor de dente antes da etapa de Xangai da Liga Diamante, em maio. "Foi uma violação menor", afirmou James. "Não temos nada a esconder e resolvemos admitir que ela teve um resultado positivo".

Fraser iria participar do meeting da Liga Diamante que está rolando em Lausanne, na Suíça, mas desistiu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h22

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Nas mulheres, a frequência máxima é diferente

Novo cálculo

Mulheres que estabelecem o ritmo de seus treinos de corrida com base na frequência cardíaca máxima vão ter de refazer seus cálculos, se estiver certo um estudo publicado em junho passado, realizado na universidade norte-americana de Northwestern.

A pesquisa diz que a fórmula simplificada tradicionalmente usada para estabelecer a frequência cardíaca máxima (220 menos a idade) não serve para as mulheres, pois foi baseada em pesquisas feitas com homens.

Com base nesse cálculo, diz a cardiologista Martha Gulati, os técnicos podem acabar exigindo das mulheres mais do que elas fisicamente podem atingir.

"As mulheres não são homens pequenos", diz Gulati. "Há uma diferença entre os gêneros em relação à sua capacidade de fazer exercício."

A nova fórmula, divulgada na publicação especializada "Circulation", é baseada em estudos de 5.437 mulheres saudáveis, com idades a partir de 35 anos. A pesquisa começou em 1992.

Bom, vamos a ela, que é uma pouquinho mais complicada que a atual. Para chegar à frequência cardíaca máxima de uma mulher saudável, a fórmula é 206 menos 88% da idade da moça.

De cara, dá para perceber que a diferença é significativa em relação à fórmula tradicional. Por ela, homens e mulheres de 50 anos têm FCM de 170 batimentos por minuto. Pela nova fórmula, a frequência máxima da mulher de 50 anos é de 162 batimentos por minuto.

Pode parecer pouco, mas lembre-se de que, em geral, a carga de exercício é calculada com base na FCM --em geral, por exemplo, em torno de 60% dela para treinos mais longos ou até 85% em treinos de ritmo mais forte.

Na opinião da doutora Gulati, essa pesquisa vai permitir que médicos e treinadores tenham uma avaliação melhor, mais precisa, do desempenho de suas pacioentes ou treinandas, e também do risco de problemas cardíacos que possam ter.

Mas é insuficiente, diz ela: "É preciso continuar estudando as mulheres para obtermos dados aplicáveis às mulheres".

PS.: Obrigado ao Cássio Leite Vieira, que mandou o link para a notícia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h06

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TV não dá a menor bola para o esporte feminino

Peladas valem, mas para por aí

Muitos de nós, corredores e/ou apreciadores de outros esportes que não o futebol (que também adoramos, é claro), reclamamos da falta de cobertura da mídia em geral e da TV em particular.

Aqui, nos EUA, na Europa ou na Cochinchina, parece que a história é a mesma: se o esporte não é O MAIS popular ou se não envolve MUITO dinheiro, a TV pouco se importa com o assunto.

Ela também não se importa com os esportes praticados pelas mulheres, quaisquer que sejam, a julgar por pesquisas feitas nos Estados Unidos. A TV norte-americana dá uma cobertura ridículo, praticamente inexistente, para a presença feminina nos esportes. E, quando o faz, é basicamente para mostrar jovens corpos desnudos em ação, e não para acompanhar alguma competição com algum grau de espírito jornalístico.

Isso foi comprovado por estudos realizados pelo professor de sociologia Michael Messner, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), que acaba de publicar, em parceria com a professor Cheryl Crow, uma pesquisa sobre a cobertura esportiva feita pela TV norte-americana, analisada sob a ótica dos gêneros. A pesquisa abrange um período de 20 anos (1989 a 2009) e registra um imenso declínio do interesse da TV pelos esportes praticados por mulheres (conheça o texto integral, em em inglês, AQUI).

Em entrevista à revista "The Nation", ele contou que, nas primeiras vezes em que fizeram a pesquisa, em 1989 e 1993, a cobertura de esportes femininos nos programas noturnos de notícias esportivas nas afiliadas de Los Angeles de três redes nacionais de TV e no "Sportscenter", da ESPN, chegava a 5% do total.

"Na época, muita gente acreditava que esse número iria subir bastante, à medida que a mídia se desse conta da crescente participação das mulheres nos esportes", disse Messner.

De fato, em 1999 houve um boom da cobertura, com os esportes femininos chegando a 8,7% do espaço total dos programas analisados. Mas foi fogo de palha: na primeira pesquisa deste milênio, em 2004, o índice caiu para 6,3%; na mais recente, em 2009, foi para o saco, evaporando-se para 1,6% do espaço total (no "Sportscenter", apenas 1,4%....).

É bom que se diga que nesses índices estão incluídos não apenas coberturas de jogos ou eventos esportivos das mais diversas modalidades, mas também (e especialmente, a julgar pelo que diz Messner), coberturas sexistas, mostrando calcinhas e peitos eventualmente desprotegidos durante as competições. Ou reportagens focalizando as chamadas musas, como a tenista Maria Sharapova.

Claro que as televisões tomam suas decisões baseadas no que consideram ser o interesse do público, apostando no conhecido para buscar mais audiência. Mal comparando, é como faz Hollywood ao investir em sequência atrás de sequência dos mesmos filmes de sucesso de bilheteria.

E as TVs fazem isso apesar do sucesso relativo de público das coberturas "alternativas", digamos assim. De acordo com Messner, a transmissão de um jogo de basquete universitário feminino conquistou um público de 3,5 milhões de pessoas nos EUA, e a média do campeonato ficou em 1,6 milhão de espectadores.

Ou seja, uma audiência respeitável, ainda que seja pequena se comparada com o público média de 4,9 milhões de espectadores do basquete universitário masculino.

Enfim, a pesquisa constata e comprova, com números em cima de números, o que os espectadores de lá percebem sem pesquisar --e os de cá também, a bem da verdade.

Outra coisa: não sei se há pesquisa a respeito, mas aposto que esses números ou assemelhados valem também para a cobertura na imprensa propriamente dita, a de papel passado, lá fora ou em terras brasileiras.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h21

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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