Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Corridas arrecadam fundos para causas nobres

Passadas solidárias

Na minha coluna desta terça-feira, no caderno Equilíbrio da Folha, comento uma das características que noto nos corredores de rua, a solidariedade, a disposição para ajudar o próximo sem perguntar quem é nem quanto vai custar.

Entidades beneficentes e campanhas de valor cívico também perceberam esse lado do atleta e passaram a organizar corridas que, além de divertir, arrecadam fundos para causas nobres.

No próximo final de semana, em São Paulo, a Corrida Contra o Câncer vai destinar para o Hospital do Câncer de Barretos todos os recursos obtidos com as inscrições (saiba mais clicando AQUI). Pelo site, não há mais inscrições, mas haverá uma etapa no Rio de Janeiro em novembro.

Aliás, no Rio, próximo dia 7, acontece a segunda edição da corrida pela inclusão social. Toda a renda será revertida para entidades como a Casa do Zezinho, em São Paulo, e a Gol de Letra do Caju, no Rio. Inscrições até o dia 3, AQUI.

Tendo o câncer como alvo, o evento internacional Corrida pela Cura chega ao Brasil em outubro, com uma etapa no Rio de Janeiro. Saiba mais clicando AQUI.

Já “esclarecer e divulgar a doença de esclerose múltipla” é o objetivo de prova que será realizada em Goiânia em dezembro (clique AQUI).

Também em dezembro, o Lar dos Velhinhos de Campinas organiza a Corrida e Caminhada da Melhor Idade (AQUI o site oficial).

Essas são apenas algumas das corridas benemerentes programadas para os próximos meses. Você pode descobrir outras checando sites que trazem calendários de corridas no país. Um bom é o RunnerBrasil; confira também o WebRun e o Ativo.com.

Lembre-se de que a citação dessas corridas nesta mensagem não significa uma indicação. Confira o site de cada uma para ver se é do seu interesse participar. E deixe sua solidariedade correr no asfalto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h18

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Termina no Rio corrida de 24 horas

Dois tri na ultra dos Fuzileiros

Os campeões de 2008 e 2009 voltaram a vencer na Ultramaratona 24 Horas dos Fuzileiros Navais, que terminou hoje de manhã no Rio de Janeiro.

Vanderley Santos Pereira não repetiu a performance dos anos anteriores, mas correu o suficiente para vencer. Deu 549, 02 voltas na pista de 400 metros, totalizando 219.608 metros. Seu melhor resultado na prova foi na primeira edição, com 232,8 km; no ano passado, correu 224,4 km.

No feminino, Débora Aparecida de Simas liderou a prova desde o início e fechou as 24 horas com 498,63 voltas, totalizando 199.451 metros, o que lhe valeu a quinta colocação no geral. No ano passado, ela completou 127,2 km e, em 2008, fez 207,3 km.                         

Salve esses dois e mais todos os que completaram a prova e todos que tiveram a disposição de se inscrever e iniciar essa jornada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h43

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Mais uma recordista grávida

Sem Kastor em Nova York

 

A maratonista norte-americana Deena Kastor, bronze em Atenas-2004, anunciou que não vai participar da maratona de nova York deste ano. Aos 37 anos, está grávida de seu primeiro filho.

Recordista dos EUA na distância (2h19min36, Londres, 2006), a corredora espera seu primogênito para março.

Kastor se soma assima um famoso contingente de grávidas, que é liderado pela recordista mundial da maratona e tricampeã de Nova York, Paula Radcliffe, que espera seu segundo filho para setembro.

Está prevista para a mesma data a chegada do primeiro bebê de Kara Goucher, considerada musa das corridas de rua nos EUA e esperança americana de retorno ao pódio, depois de um bom terceiro lugar na maratona de Boston.

Goucher e Radcliffe chegaram a treinar juntas por um período e deram entrevista para a edição deste mês da revista do NYRR, que organiza a maratona de Nova York.

Goucher revelou ter recebido conselhos de Radcliffe: “A primeira dica que ela me deu foi prestar muita atenção no meu monitor cardíaco. Em nossos treinos, várias vezes tivemos de fazer intervalos de caminhada para reduzir nossa freqüência cardíaca. Eu nunca tivera de fazer isso antes!”

As duas também reclamam do cansaço, mas dizem estar muito entusiasmadas com a experiência. Reduziram os treinos e, por enquanto, pensam em ter um bom parto. Quanto à volta aos treinos, depois é mais tarde.

Aproveitando o ensejo, a revista publica também um longo material com dicas sobre treinos e corridas durante a gravidez. Em inglês, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h23

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Recordista dos 25 km estreia na maratona

No palco de Nova York

Aos poucos vai se formando o quadro da tropa de elite que vai dizer presente na maratona de Nova York deste ano.A maior e mais importante corrida de rua do mundo terá, como se sabe, a participação do recordista mundial Haile Gebrselassie. Vamos ver como ele se sai em terreno ondulado…

Agora acaba de ser anunciado que a campeã mundial da meia maratona e recordista mundial dos 25 km, a queniana Mary Keitany, escolheu as ruas da Big Apple para fazer seu debute nos 42.195 metros.

Keitany, 28, segue assim os passos de outras lendas femininas da corrida de rua, que também fizeram em Nova York sua estreia na distância: Grete Waitz (1978), Tegla Loroupe (1994),  Deena Kastor (2001), Marla Runyan (2002) e Kara Goucher  (2008).

A queniana estabeleceu o recorde dos 25 km em maio passado, em Berlim, ao cravar 1h19min53. Ele tem três das 12 melhores marcas da história na meia maratona e não perdeu nenhuma prova do gênero desde outubro de 2007. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h59

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Usain Bolt passa a ser maior salário do atletismo

Mais rápido e mais rico

O homem mais rápido do mundo também passa a ser o mais rico do atletismo, a julgar por anúncio feito hoje pela fabricante de material esportivo que patrocina o velocista jamaicano Usain Bolt.

Sem revelar números, a nota oficial diz que o novo contrato  é “de longe” o maior jamais feito no atletismo, o que o tornaria também um dos mais altos do mundo do esporte.

Mais ou menos. Até agora, o maior contrato do atletismo, supostamente, era o da multirrecordista do salto com vara Yelena Isinbayeva. A russa levaria 7,5 milhões de dólares ao longo de cinco anos.

Mesmo que o contrato de Bolt, que vai até 2013, seja maior, é uma evidência de quão longe o atletismo está de outros esportes, em termos de faturamento de suas maiores estrelas.

A revista “Forbes” recentemente divulgou uma lista das atletas mais bem pagas do mundo. A número 1 é a tenista russa Maria Sharapova, que faturou 24,5 milhões de dólares no ultimo ano –1 milhão em prêmios e o restante em contratos de patrocínio.

A lista geral dos atletas de maior faturamento do mundo é liderada pelo golfista Tiger Woods, que teve uma renda de 105 milhões de dólares de junho de 2009 a junho de 2010 –só da Nike recebe 30 milhões de dólares por ano, segundo a “Forbes”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h03

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Garotão brasileiro conquista outro ouro em Cingapura

Juventude premiada

O jovem Caio Cézar Fernandes dos Santos, que havia conquistado ontem o ouro no salto em distância, durante as competições de atletismo da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, voltou a ganhar uma medalha dourada hoje, no encerramento do torneio, que se realiza em Cingapura.

Caio Cézar (foto Wander Roberto/COB/Divulgação) correu pela equipe América no revezamento medley. Ele abriu a prova, correndo 100 m, e entregou o bastão para Odane Skeen, da Jamaica, que correu 200 m, sendo seguido por Najee Glass (EUA, 300 m) e Lugulin Santos (República Dominicana, 400 m). Eles fecharam em 1min51s38, deixando a equipe Europa 33 segundo atrás.

A outra medalha de hoje foi de prata Thiago Braz da Silva, no salto com vara. O garoto de 16 anos empatou em altura com o campeão, o espanhol Didac Salas: os dois saltaram 5,05 m na segunda tentativa. O outro levou o ouro porque ele superou todas as marcas anteriores na primeira tentiva, enquanto o brasileiro preciso de dois saltos para passar dos 4,7 m.

Para chegar ao pódio o brasileiro saltou 4,55 m - 4,70 m - 4,85 m - 4,95 m - 5,05 m. O ouro foi para o espanhol porque ele fez todas as marcas até 4,95 m na primeira tentativa, enquanto Thiago passou 4,70 m no segundo salto.

Outros três brasileiros disputaram as finais no último dia do evento. No triplo, Paulo Sérgio dos Santos Oliveira ficou em quinto lugar com 15,63 m (recorde pessoal). Nos 2.000 m com obstáculos, July Ferreira ficou também em quinto, com 6min56 (recorde pessoal). Nos 400 m com barreiras, Natânia Habzreiter foi a oitava, com 1min02s44.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h07

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Queniano mira em Joaquim Cruz para derrubar recorde dos 800 m

25 anos depois...

O queniano David Rudisha, de apenas 21 anos, quebrou hoje o recorde mundial dos 800 m ao cravar 1min41s09 em Berlim. A marca anterior, que já durava 13 anos, era também de um queniano, Wilson Kipketer, e também for a obtida na Alemanha, na cidade de Colônia.

Mas Rudisha não ambicionava tanto. Antes da largada, sua meta era derrubar o recorde do meeting de Berlim, estabelecido pelo brasileiro Joaquim Cruz há 25 anos –no dia 23 de agosto de 1985, Cruz cravou 1min42s98 em terras germânicas e, desde então, não houve quem superasse sua marca nessa competição.

Mas a primeira volta foi perfeita, com o Coelho Sammy Tangui fechando em 48s68, e o ex-campeão mundial de juniores resolveu queimar o chão. Logo depois de ouvir o som da sineta anunciando a segunda e última volta, Rudisha tomou a liderança e se foi, para terminar com uma vantagem de 25 metros sobre o segundo colocado.

O jovem queniano, que fora eliminado no Mundial, declarou ao site da IAAF (a Fifa do atletismo): “No ano passado, me saí mal em Berlim. O clima não estava bom e eu não consegui chegar à final. Por isso eu não queria falar de marcas antes da prova, mas eu sabia que estava bem. Treinei muito bem, o clima estava ótimo, e pedi ao coelho para correr a primeira volta abaixo de 49s. Ele trabalhou muito bem”.

“Nos últimos 200 m, eu tive de me esforçar muito, mas vale a pena par a ver o relógio marcando 1min41s09 no final. É fantástico. Estou muito feliz por ser o mais rápido corredor de 800 m do mundo.”

Aproveite, garoto.

Além do recorde, outra performance nos 800 também recebeu o brilho dos holofotes. A campeã mundial Caster Semenya, agora com sua feminilidade oficialmente reconhecida, fez sua primeira apresentação internacional importante depois de seu retorno oficial às pistas, em julho.

E voltou a vencer na mesma pista em que conquistou o Mundial, há um ano, quando a jovem sul-africana também entrou num inferno pessoal, pois seu direito a correr entre as mulheres passou a ser contestado, pois ela seria hermafrodita...

“Eu nem pensei no que aconteceu no ano passado, depois de ter conquistado a medalha de ouro. Apenas me concentrei na corrida e em conseguir um bom tempo”, disse Semenya, que tem 19 anos.

E bom tempo ela conseguiu: cravou 1min59s9, melhor marca do ano.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h05

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Franck Caldeira dá show de recuperação na meia do Rio

Casal de ouro

O casal queniano Joshua Kemei e Eunice Kirwa venceu com tranquilidade a meia maratona do Rio de Janeiro, disputada hoje sob sol forte. Mas o destaque da prova, ainda que longe das câmeras na maior parte do tempo, foi o brasileiro Franck Caldeira, que fez bela corrida progressiva e conquistou o segundo posto. No feminino, a guerreira das Alagoas Marily dos Santos correu junto com um esquadrão estrangeiro até o km 18 e pouquinho, quando as quenianas começaram a puxar mais forte, separando-se definitivamente a partir do km 19. Mesmo assim, Marily terminou como a melhor brasileira na competição.

A recuperação de Caldeira é mais um exemplo de que a Globo precisa investir um pouquinho mais na cobertura desses eventos, que ela mesma apóia, se quiser oferecer uma transmissão minimamente comprometida com a emoção e como o jornalismo.

Do jeito que é feita a transmissão, tanto na prova de hoje quanto em outras competições transmitidas pela emissora, como a maratona de São Paulo e a São Silvestre, o locutor e o comentarista têm poucas informações a mais do que o telespectador. Eles cobrem à distância e narram o que estão vendo na tela (isso qualquer espectador poderia fazer...).

Além disso, a pobreza de câmeras contrasta com a exuberância mostrada nos campos de futebol. Apenas mais um ou dois motoqueiros com um videorrepórter certamente acresceria de emoção e de informação as transmissões da Globo. E poderia evitar a distribuição de bobagens microfone afora (é bem verdade que elas têm diminuído bastante, e que a transmissão de hoje, no que acompanhei, foi bem sóbria e comedida).

Falo tudo isso porque narrador e comentarista da Globo, tal como todos os telespectadores, tiveram uma surpresa quando viram, já nos minutos finais da prova, que lá ao longe, mas em honroso segundo lugar, aparecia um brasileiro.

Até então, todas as tomadas, sempre limitadas ao primeiro pelotão, focavam no queniano Kemei e em sua sombra, o etíope Minda Hirpa Namomisa; mais tarde, outro queniano, Titus Kosgei Kibii, também aparece na parada. Será que haverá rival para Kemei?

 Que nada!

Depois de as imagens ficarem mostrando direto a disputa feminina, em que Marily liderava com esforço entre uma verdadeira armada estrangeira, composta por três quenianas e duas etíopes, a TV voltou à liderança masculina e, aí, cadê os desafiadores?

Kosgei já estava sozinho, olhava para trás sem ver ninguém, parecia que era o único na corrida, pois ninguém na direção de imagens se dignou a ir buscar algo do que ocorria no segundo e terceiro pelotões.

Volta tudo para o feminino, onde se desenrola agora o drama de Marily. Pouco depois do km 18, duas quenianas puxam um pouco, levam consigo uma etíope, e deixam Marily em quarto, posto que logo iria perder.

As líderes aceleram ao longo de mil metros, e o pelotão vai se esfumaçando. Depois do km 19, ficam duas quenianas e a etíope Shewarge Alene Amare.

 Eunice Kirwa dá uma arremetida e sua compatriota fica. Sobra Amare, que parece capaz de responder na lata a cada uma das tentativas de escapada de Kirwa.

É só impressão. Quando faltam 400 metros para o final, a queniana parece dizer “Chega!” e vai embora, sem dar a menor chance de reação à rival, que acelera para completar, mas Kirwa termina limpa, leve e solta.

No masculino, o marido da queniana também passeia. Falta ainda 1 km e Kemei já desacelera, descontrai, mantendo a elegante e ampla passada, mas parecendo fazer tudo mais na maciota.

É quando finalmente as câmeras descortinam o drama que se desenrola lá atrás.

O queniano Titus Kosgei, que conseguira deixar para trás o etíope que fora sombra de Kemei, agora sofre o ataque de dois brasileiros. O mineiro Franck Caldeira, que até então não tinha aparecido na telinha, desponta célere e passa de passagem do estrangeiro. Leva consigo Damião Ancelmo de Souza.

Quando faltam 600 metros, Caldeira parece ligar o turbo. Aproveita-se da descontração do líder e dele se aproxima. Os dois aparecem juntos na mesma tomada, mas claro que não há chance de reviravolta.

Mesmo assim, é bonito ver Franck correndo, tentando, fazendo sua festa para completar em segundo lugar e ser o melhor brasileiro da prova, depois de superar pelo menos dois atletas estrangeiros que, supostamente, eram melhores do que ele...

Ao fim de tudo, o mineiro manda uma mensagem em tom de desabafo: “No fim do ano, vocês vão ter de engolir...”, disse ele, que dedicou a conquista à mãe, morta há cerca de um mês.

Confira os resultados:

Masculino:

1- Joshua Kiprugut Kemei (Quênia) - 1h04m03s
2- Franck Caldeira (Brasil) - 1h04m14s
3- Damião Ancelmo de Souza (Brasil) - 1h04m21s
4- Titus Kosgei Kibii (Quênia) - 1h04m26s
5- Minda Hirpa Namomisa (Etiópia) - 1h05m15s
Feminino:

1- Eunice Jepkirui Kirwa (Quênia) - 1h14m37s
2- Shewarge Alene Amare (Etiópia) - 1h14m54s
3- Rumokol Elizabeth Chepkanan (Quênia) - 1h15m06s
4- Yeshanbel Simegn Abnet (Etiópia) - 1h15m10s
5- Marily dos Santos (Brasil) - 1h15m18s

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h12

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Gurizada brasileira mete bronca em Cingapura

Verde-amarelos na final

 A partir de hoje, quatro brasileiros disputam a fase final do torneio de atletismo da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, que estão sendo realizados em Cingapura.

Outros cinco atletas nacionais estão qualificados e voltarão ás pistas domingo e segunda, informa a Confederação Brasileira de Atletismo.

Hoje, a partir das 23h08 (horário de Brasília), Leandro Pitarelli corre nos 400 m. Amanhã será a vez de Jéssica dos Reis, nos 100 m, Caio Cézar dos Santos, no salto em distância, e Joseilton Cunha, nos 1.000 m, às 23:20.

Pitarelli foi prata no revezamento medley no Mundial de Menores em Bressanone. Caio Cézar foi finalista em Bressanone.
Os outros cinco finalistas brasileiros são: Antonio César Rodrigues (200 m), Natânia Habitzreiter (400 m com barreiras), Thiago Braz da Silva (salto com vara), Paulo Sérgio Santos de Oliveira (salto triplo) e July Ferreira (2.000 m com obstáculos).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h42

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Longas ondas animam maratona em Pacasmayo

Cenário lunar no Peru

A última vez que corri foi no dia 4 de julho. Desde então, dores nas costas, perna e pé me impedem de tentar me divertir pelas ruas, alamedas e trilhas deste mundo. Ao contrário, estou restrito a salas de musculação, bicicletas ergométricas, macas de fisioterapia e capas de hospital.

Espero um dia derrotar essa lesão que já me acompanha há quase um ano e que já me deixou de herança a tristeza de não completar uma corrida.

Pois na minha última prova, a maratona de Pacasmayo, uma modesta e cinzenta cidade no litoral norte do Peru, Meca de surfistas em busca de longas ondas, abandonei a prova lá pelo km 23. Até ali, já tinha se transcorrido mais de duas horas e meia de puro sofrimento e desilusão, pois as dores se instalaram desde muito cedo no percurso, e eu fui, tolamente, negociando com elas, imaginando que poderia vencer apenas na vontade.

Às vezes dá, às vezes não dá.

Mesmo o curioso trajeto da prova, que passa por vários tipos de terreno e oferece uma verdadeira paisagem lunar, desolada e desoladora apesar do mar gigante que nos observa ao longe, não foi suficiente para me carregar até o fim.

Ao mesmo tempo, parei consciente, triste, mas sabendo que era a melhor decisão a tomar, que o episódio tinha sido mais do que um alerta. Era o marco definitivo de que precisava dar um jeito de enfrentar o problema, abandonar paliativos e tratar de buscar a cura.

A história toda de minha aventura em Pacasmayo, mais dicas de viagem e “otras cositas más” eu conto em reportagem publicada na edição deste mês da revista “O2” (o bom título dado pelo editor Zé Lúcio é "Deserto à beira-mar"). Por isso, não me alongo mais no relato.

Deixo, porém, o convite para que você viste um belo álbum de fotos, produzidas pela Eleonora e por mim, que dão uma boa idéia do que se pode esperar do cenário dessa parte do litoral peruano. Para conferir as imagens, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h01

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Teresina recebe maratona com calor e alegria

Abacaxi que anima

Como você lembra, foi com satisfação que anunciei neste blog a criação da maratona de Teresina, a primeira do gênero, a julgar pelo nome da prova. Com tristeza, porém, disse que não poderia participar, por causa dessa minha lesão maldita e que parece incurável. E pedi ajuda aos leitores que eventualmente participassem da prova, para que mandassem notícias do evento, realizado ontem na capital do Piauí.

Pois é com muita alegria que trago para você o depoimento de DALWTON MOURA, que nasceu em Teresina há 30 anos, mas hoje vive no Ceará, onde edita o caderno de cultura do “Diário do Nordeste”. Corredor há dois anos, ele estreou em maratonas em Porto Alegre, no ano passado. A maratona de Teresina foi sua sétima prova longa (fez até uma ultra, a Dunas Race, em Fortaleza).

Mas voltemos ao Piauí. A maratona de Teresina começou às 6h de ontem, na ponte estaiada Mestre Isidoro França, inaugurada em março passado e já cartão-postal da cidade(fotos abaixo, Divulgação). Para enfrentar a maratona, largaram 53 corredores, mas muitos desistiram. Os termômetros bateram nos 36 graus, e apenas 37 atletas concluíram a prova --entre eles, três mulheres. O evento incluiu ainda provas de 5 km e 10 km, com centenas de participantes. Agora, acompanhe o relato do leitor e colega DALWTON MOURA.

 

"Apesar da largada matinal, o sol logo apareceu, escaldante.

Haja protetor solar, boné e reforço na hidratação. Foi um susto chegar ao km 30, já com uma bela “lua” pesando sobre os ombros, e encontrar pela primeira vez um posto d´água desguarnecido dos copinhos que tanto ajudaram os participantes. Mas pouco depois já havia água à disposição, e um dos representantes da organização chegou a acompanhar, de carro, alguns corredores, oferecendo mais copinhos. No geral, cumpriram-se as promessas de água (mais das vezes, bastante gelada) a cada 3k e isotônico nos quilômetros 12 e 33.

Como sugestão, seria importante haver frutas ou outras fontes de carboidratos  --pão, batata...-- para os corredores. A medida, necessária em maratonas, mas geralmente observada apenas nas provas no exterior, se tornaria um auxílio importante, dadas as condições de temperatura, que costumam puxar para cima o tempo total de corrida.

Na falta de tal recurso, apelei para o improviso. Ao avistar um vendedor de abacaxi, na altura do km 28, não tive dúvida em me fazer cliente. A fruta, saboreada sob o sol, dali até o km 30, ajudou a refrescar e garantiu ânimo extra para o trecho que faltava cumprir, no percurso predominantemente ensolarado, e também desafiador psicologicamente por passar principalmente por avenidas amplas, mais afastadas, fazendo com que pouquíssimos espectadores emprestassem sua energia aos maratonistas.

Em compensação, há trechos que se destacam pela beleza. Como a contemplação do rio Poty, possível do alto da ponte Wall Ferraz, de onde se avista também a ponte estaiada. Os arredores do parque em que se passava, aproximadamente, entre os quilômetros 15 e 18 e, mais tarde, 36 e 39, também atraíam o olhar. E, mais importante, garantiam uma sombra preciosa para quem tanto já lutara contra o sol inclemente.

Fechando a segunda das duas voltas do percurso, procuro apressar o passo com aquela força que só após o km 40 se descobre que se tem. Ali, três subidas íngremes, após o km 41 chegavam com sabor de último esforço.

 Curva à direita, sobe-se a mais íngreme. Novamente à direita, mais uma subida curta. Uma curva a mais e se divisa a bela ponte estaiada, com seu mirante de onde a cidade do poeta Torquato Neto poderá ser contemplada.

É esquecer o sol que brilha para cada um e apertar o passo para subir a ponte, da qual se vê, lá embaixo, a chegada. A festa começa desde ali, com os cumprimentos de quem já chegara, e se faz completa após o declive que termina sob o relógio digital. Seja em que tempo for, sinônimo de vitória. A confirmação de que, sim, algum bravo a mais acaba de viver 42 quilômetros de emoções, dúvidas, desafios, estratégias, soluções... Diversão. E que, sim, maratonas são viáveis no Nordeste, desde que com os devidos cuidados e organização.

Aguardando cada vencedor particular na prova realizada pela Prefeitura de Teresina, com a simplicidade de uma primeira edição, havia medalha, frutas, isotônico e um simpático diferencial: diploma de participação, recebido na hora. A festa foi ainda maior para Rosângela Maria da Silva Vieira, de 27 anos, Maria José da Silva, 54, e Carmem Lúcia Ribeiro, 43, as únicas participantes da prova de 42k. Todas completaram, em 4h36, 5h28 e 5h34, respectivamente, fazendo jus a prêmios em dinheiro.

Já entre os homens, vitória de Wandson Sousa do Nascimento (25 anos, 2h32min46s). Em segundo, Valério Nonato da Silva (30 anos, 2h33min00s). Eliésio Miranda da Silva, 35, chegou em terceiro, cravando pouco mais de 2h38min.

A organização da corrida declarou que seu objetivo é colocar Teresina no calendário das provas brasileiras de 42 km, como a mais difícil maratona do país. Que a ousadia não fique por aqui. Até Teresina 2011."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h59

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Corredora grega é a primeira a repetir feito de Fidípedes

Até Esparta, ida e volta

Você deve conhecer a história que deu origem à maratona: um soldado grego, depois da vitória dos atenienses sobre os persas, na baía de Maratona, correu todo pilchado até Atenas para dar a boa notícia. Disse: “Vencemos!” e caiu morto.

Em muitos livros, dizem que o tal soldado foi Fidípedes, mas há controvérsias. Sabe-se, porém, contado por Heródoto, pai dos historiadores, que havia, sim, um soldado de nome Fidípedes que teve papel importante nos eventos daquele tempo.

De acordo com os registros, Fidípedes era um hemerodromo, um mensageiro corredor. Por sua habilidade e resistência, foi escolhido pelos atenienses para correr até Esparta e pedir ajuda dos poderosos vizinhos contra o inimigo comum. Ele correu direto os quase 250 km que separavam (separam) as duas cidades, levou a mensagem e recebeu um “não” como resposta.

Não teve dúvida. Arrumou seu farnel, penteou o cabelo e mandou brasa de volta, pois era importante que Atenas tivesse a resposta o mais rapidamente possível, para poder tomar as providências e se preparar contra a iminente invasão persa.

Pois neste mês de agosto, 2.500 anos depois do feito de Fidípedes, sua trajetória pela primeira vez foi refeita por uma mulher.

Muitos conhecem a ultra chamada Spartathlon, que vai de Esparta a Atenas e deve ser cumprida em 60 horas. O brasileiro Valmir Nunes, melhor ultramaratonista do país, está inscrito no rol dos vencedores daquela prova. 

A grega Maria Polyzou fez mais. Muito mais. Fez o dobro. Aos 42 anos, essa rápida maratonista, dona do recorde grego da distância, que estabeleceu há 12 anos, iniciou a jornada de Fidípedes no dia 26 de julho.

Naquela data, começou sua jornada, partindo da Acrópole, em Atenas, em direção a Esparta e de lá retornando, completando a epopéia no último dia 2. Fez ainda mais: só declarou encerrados os trabalhos ao chegar à cidade de Maratona, à tumba onde foram enterrados os guerreiros que tombaram na batalha contra os persas. Lá, recebeu justas homenagens (foto).

Foi uma rota de 540 km, inspiradora, mas dolorida. Além da distância, do sobe e desce do percurso e das grandes variações de temperatura, enfrentou bolhas, queimaduras provocadas pelo sol, febre e dores nos joelhos. “Não há um músculo nem um osso em meu corpo que não esteja doendo”, disse ela à imprensa grega ao término do esforço. Apesar das palavras, mantinha no rosto um sorriso de vitória.

“Eu enfrentei muita dor em vários momentos, mas uma coisa que ficou firme foi o meu espírito”, disse a corredora que, durante os treinos, chegou a correr duas maratonas por dia todos os dias, durante uma semana.

Foi uma batalha solitária. Inicialmente, a jornada de Maria seria feita ao lado de Panayiotis Skoulis, o primeiro homem a fazer o monumental bate e volta, em 1992. Mas o sujeito acabou não podendo participar, e a maratonista não abriu mão de fazer a tentativa, hoje vitoriosa.

E eu lhes digo: Salve, Maria!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h41

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Uma noite sem corrida

Olho na Rita Lee

 Se você deu uma cansadinha dos exercícios físicos e quiser alegrar o espírito, ouça a dica deste cinqüentão saudosista: corra para o cinema, não perca “Uma Noite em 67”.

Trata-se de um documentário sobre a final do Festival de Música Brasileira daquele ano. Promovido pela TV Record, o encontro virou uma espécie de território livre para uma explosão de emoções represadas pela ditadura militar então vigente no Brasil.

Há entrevistas contando bastidores, cenas de reportagens feitas na época e muita música, com Gil, Caetano, Chico e até Roberto Carlos (juro que não lembrava que “Maria Carnaval e Cinzas” fora cantada pelo Rei.

Política e razão à parte, para mim o mais legal de tudo foi ver os Mutantes de novo, tal e qual eram quando eu tinha dez anos.

Não vou me estender aqui com recordações dos tempos d`antanho. Apenas pergunto: qual guri de dez anos poderia não se apaixonar pela Rita Lee?

Vá lá e veja.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h35

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Percurso difícil derruba tempos no Paraguai

Maratona e civismo

Chamados, os sensacionais leitores deste blog vieram ajudar este blogueiro a dar informações melhores e mais precisas sobre a maratona de Assunção, que, ao que parece, pode se apresentar mesmo como um destino interessante para os corredores brasileiros.

Como você lembra, eu não pude participar da prova e, ao ver os tempos ruins dos vencedores, sugeri que talvez o clima fosse responsável.

Pois na lata o nobre leitor Itamar Coutinho  de Souza, de Curitiba, apontou razão mais plausível: o percurso bastante difícil, semelhante, nos primeiros oito quilômetros ao sobe e desce contínuo da maratona de Foz do Iguaçu.

 “Depois, segue em descida até o km 23, quando então os corredores fazem um retorno em frente ao aeroporto de Assunção e voltam numa subida ininterrupta até o km 37”, relata ele. E completa: “Era algo insano pra uma segunda metade de maratona, muitos corredores andando ou com câimbras. Além disso, a temperatura, quando eu cheguei, próximo das 10h30, estava em 25 graus”.

Outros relato indicam que não foi uma prova muito quente, com largada bem cedo, quando os termômetros marcavam em torno de 15 graus. Mas, independentemente dessa questão técnica, os comentários que chegaram ao blog foram todos positivos.

Cito o Marcelo Jacoto, de São Paulo, que correu a meia maratona: “Foi uma verdadeira invasão brasileira! Estimo que pelo menos um quarto de pouco mais dos 2.000 participantes nas três distâncias foi de brasileiros. A organização da prova foi perfeita: largada às 7h., hidratação a contento, jantar de massas e traslado no aeroporto gratuitos, queima de fogos comemorativa na noite de véspera, show com danças típicas, city tour histórico também gratuito, bons prêmios em dinheiro aos profissionais, uma linda medalha etc. As organizadoras brasileiras precisam aprender com os paraguaios. O povo local é extremamente receptivo!”

E o Fernando Pereira, de Porto Alegre, que também correu a meia maratona, confirma: “Não tenho duvidas em relatar que foi a melhor prova em que já participei”.

Em relação à edição deste ano, não podemos deixar de anotar a importância do evento, que fez parte das comemorações do bicentenário do Paraguai.

Como aconteceu na maratona do Chile, que também celebrou seu bicentenário de independência, os corredores formaram uma gigantesca bandeira humana para homenagear a data histórica.

Os maratonistas usaram camiseta vermelha, os da meia correram com azul e a branca ficou para os corredores de 10 km. Para a largada, os corredores foram separados em bloco, e helicópteros fizeram fotos da gigantesca bandeira viva. “Foi realmente emocionante”, diz Itamar de Souza.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h15

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Depois da derrota, Bolt para até o final do ano

Dores nas costas

O homem mais veloz do mundo vai parar de competir. Pelo menos, neste ano. O jamaicano Usain Bolt, recordista mundial dos 100 m, anunciou que não tirar o resto do ano de férias para tratar uma lesão que está prejudicando seu desempenho.

O comunicado foi feito por seu manager, Ricky Simms, que disse em e-mail que Bolt foi examinado por um médico na Alemanha, que constatou problemas na parte inferior das costas (acho que é o chamado quadrado lombar, que inferniza a vida de tantos de nós, corredores).

Segundo o e-mail, o problema faz com que ele tenha menos condições de gerar força e explosão na passada.

Foi exatamente essa a reclamação feita por Bolt (na foto AP, durante uma disputa de 4x100 nos Estados Unidos, em abril último) na semana passada, quando sofreu sua primeira derrota em finais em dois anos. Depois de 14 ouros seguidos, perdeu a prova de 100 m da Liga Diamante para o norte-americano Tyson Gay.

Após a corrida, disse que parecia que suas pernas não tinham forças. E criticou sua péssima largada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Presidente do Paraguai abre maratona do bicentenário

Buzina oficial

 

Esta eu nunca tinha visto: um presidente dar a largada em uma maratona, ainda que a corrida seja comemorativa à independência do país.

Pois aconteceu ontem em Assunção: Fernando Lugo, presidente do Paraguai, acionou a buzina que marcou o início da maratona do Bicentenário.

Como você pode perceber, ele estava vestido a caráter, todo em trajes esportivos, envergando o agasalho oficial da maratona.

Foi a primeira aparição pública de Lugo desde que foi diagnosticado com câncer linfático. Ele acompanhou a largada e a chegada do evento. Lugo deve viajar amanhã para São Paulo, a convite do presidente Lula, para se submeter a exames e tratamento.

Bem que eu deveria estar entre os corredores dando largada para essa prova, que reuniu cerca de 2.500 atletas de 20 países. Eu estava oficialmente inscrito, paguei minha vaguinha, mas meu calcanhar não me deixou ir.

Em compensação, se é que isso serve de consolo, os brasileiros mandaram ver na prova. Deu dobradinha verde-amarela no masculino, com Elias Rodrigues Bastos (2h27min51) e Paulo de Silva, 13 segundos depois. No feminino, ganhou a argentina Gabriela Almada (2h55min02), mas as brasileiras Janete Barbosa e Leone Justino da Silva ficaram com os dois postos seguintes.

Como você pode perceber, os tempos não foram nem um pouco entusiasmantes. Talvez tenha feito calor pelas bandas de lá; aguardo relatos para ter informações mais precisas.

O brasileiro Carlos Moleda venceu entre os cadeirantes (fotos Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h27

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Tyson Gay derrota Bolt em Estocolmo

Quebra de escrita

 

Com uma péssima largada, o jamaicano Usain Bolt, recordista mundial nos 100 m, conheceu hoje sua primeira derrota desde 2008, na mesma pista de Estocolmo, também pela Liga Diamante.

Depois de uma jornada invicta por 14 finais, o recordista chegou perto da "lerdeza" dos 10s, fechando a prova em 9s97, uma infinidade de tempo pior que sua melhor marca --9s58, o recorde mundial. À frente dele, com 9s84, chegou o norte-americano Tyson Gay (foto AP), que fora derrotado nas outras vezes em que enfrentara o jamaicano.

"Dá gosto vencer Bolt, mas sei que ele não está 100%", disse Gay. E continuou: "Estou impaciente para vencê-lo quando estiver em plena forma. Ele sabe quais são seus limites neste momento. Ele queria apenas se manter invicto neste ano, mas não quebrar recordes".

Se isso é verdade, a meta de Bolt para o ano já foi perdida. O fato é que ele demonstrou tristeza ao comentar o resultado: "Minha largada foi muito ruim. Não sentia potência nas minhas pernas". Afirmou também: "Sempre disse que um dia poderiam me vencer. Aconteceu hoje. Agora vou voltar a me concentrar".

Se serve como consolo, Bolt segue com a melhor marca do ano (9s82), dividindo os louros com o compatriota Asafa Powell.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h27

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Exagero na corrida traz riscos ao coração, diz médico

Menos pode ser mais

Encerro as mensagens desta semana trazendo a íntegra de uma breve entrevista que fiz com ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA, doutor em ortopedia e medicina esportiva. O tema foi ainda os problemas que enfrenta o corredor quando para em uma prova --ou quando decide seguir, apesar de tudo. Sem mais delongas, acompanhe a conversa, que foi feita por e-mail.

+CORRIDA - Como é a dor de abandonar uma corrida?

ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA - A sensação é muito ruim mesmo. Recentemente atendi um paciente que não conseguiu completar a maratona do Rio de Janeiro devido a uma tendinite de joelho. Ele me mandou um torpedo pelo celular contando que dessa vez ia parar e tratar direito o joelho, mas que estava se sentindo um lixo. Outro, em compensação, conseguiu completar a meia maratona e mandou outro torpedo, falando sobre o tempo dele. A corrida é assim mesmo: apaixona e frustra em diferentes fases. Quando ocorre a frustração, ela é quase sempre é em decorrência de uma lesão.

+CORRIDA - Apesar de o corredor se sentir psicologicamente abalado, o fator de ter parado em uma prova que não ia bem pode ser benéfico para a saúde?

ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA - Pode, sim. Como em tudo na vida, podemos canalizar as coisas para o lado positivo. Tenho muitos pacientes corredores que vão treinando e continuam competindo com alguma lesão crônica, geralmente em tendões (aquiles e joelho, mais frequentemente). Quando ele não completa uma prova importante por causa da dor, repara que é necessário parar e tratar com cuidado as lesões, para voltar a competir sem dores e com melhores tempos. Esse é o lado bom de não acabar uma prova, e muita gente percebe isso.

+CORRIDA - Nas corridas, vale o dito de "dois passos atrás, um à frente"? Ou seja, para poder continuar avançando com segurança, ao longo do tempo, às vezes o corredor precisa fazer um recuo?

ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA - Sim, principalmente com o avançar da idade. Muita gente pratica corrida há vários anos e, com esse aumento do número de praticantes nos últimos cinco anos, muita gente vem fazendo do esporte um competição constante, esquecendo que passado o tempo os tecidos envelhecem e ficam mais susceptíveis a lesões. As vezes o corredor chega no consultório falando assim: "Mas eu sempre corri desse jeito e nunca tive nada (nenhuma lesão)". Nunca teve, mas pode ter, e talvez uma readaptação momentânea no volume e na intensidade dos treinos possa fazer com que ele se adapte melhor para novas provas no futuro.

+CORRIDA - Do ponto de vista médico, sentir dor durante uma corrida já é um alarme, um aviso de que o corredor deve parar?

ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA - Depende da dor. Se as dores são mais musculares, sentidas no final de uma meia ou de uma maratona, é relativamente normal. O que não é normal é sentir dores frequentes ao redor de articulações, como os joelhos e tornozelos. Aquela dor que vem junto com um inchaço no joelho também não é normal. Se ela aparecer sempre depois de uma certa quilometragem de treino, o atleta deve procurar um médico para fazer exames (de preferência um ortopedista acostumado a atender atletas). Algumas dores são comuns e devem melhorar num prazo de uma a duas semanas. Se o atleta sente dores constantes e que não melhoram, deve procurar ajuda médica.

+CORRIDA - Quais são os riscos de prosseguir em uma prova longa mesmo com dor ou sofrendo muito com cansaço?

ROGÉRIO TEIXEIRA DA SILVA - O principal risco é a falência cardíaca, você pode passar de um limite, e o coração não vai aguentar o exercício. Isso é muito perigoso, principalmente no caso de corredores que competem uns com os outros, o que hoje em dia está ficando muito frequente, mesmo o esporte sendo amador para eles. Nas maratonas maiores, há os marcadores de ritmo, atletas que correm com placas avisando que vão correr para completar a prova em um determinado (exemplo, 3h30). De vez em quando, o atleta não está preparado para correr uma maratona nesse tempo, mas se empolga na hora e vai correndo com a turma das 3h30, mas a "turma cardíaca" dele seria, por exemplo, das 4h. Isso é muito perigoso.

Vale aqui sempre aquela velha máxima: menos pode ser mais, quando se pensa em saúde na corrida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

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Ficar triste faz parte do esporte, diz psicóloga

Há sempre um aprendizado

Na sequência das minientrevistas que fiz para embasar a minha coluna desta semana no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), segue a íntegra de minha conversa com e-mail com a psicóloga do esporte CARLA DI PIERRO.

+CORRIDA - Como é a dor de abandonar uma corrida?

CARLA DI PIERRO - Abandonar uma corrida é uma decisão muito particular. Alguns superam dores e fadigas pois tem estratégias pessoais, param, se hidratam, descansam; outros decidem parar pela exaustão, pela dor, e este limiar é muito pessoal. Quanto maior a importância e a expectativa do atleta maior é a frustração de parar. No entanto, se a decisão foi pensada e avaliada como a melhor opção, levando em consideração todas as variáveis (clima, altimetria, histórico de treinos, sono, estresse, alimentação antes e durante a prova), o atleta pode sentir-se melhor e se preparar melhor para a próxima, aprendendo com os erros.

+CORRIDA - Apesar de o corredor se sentir psicologicamente abalado, o fator de ter parado em uma prova que não se sentia bem pode ser benéfico para sua saúde, correto? Por que?

CARLA DI PIERRO - Claro que sim. O nosso corpo nos manda mensagens, e uma delas é a dor, que significa que algo está errado. Desobedecer a esses sinais do corpo é também arcar com as consequências que virão. Atravessar todos os limites pode custar caro. Cada decisão é muito pessoal e deve levar em consideração o que vem após. Ficar triste com um resultado pessoal faz parte do esporte, pois não é sempre que se ganha e que se atinge os objetivos. Quem sabe nessa dificuldade e desafio estão as motivações para continuar treinando e competindo.

+CORRIDA - Na corrida, às vezes o corredor deve fazer um recuo nos treinos ou mesmo uma parada, para poder avançar melhor depois?

CARLA DI PIERRO - Depende do nível do atleta, da prova e de seus objetivos. Um atleta de alta performance por exemplo tem que ‘ir pra frente‘, às vezes, e arriscar tudo, porque seu objetivo é ganhar, isso é seu trabalho e seus patrocinadores esperam por isso. No esporte amador é diferente, não existe necessariamente um patrocinador e ninguém ganha pra isso, portanto existe a chance de ‘dar dois passos pra trás e um para frente‘, principalmente numa corrida de longa distância, onde muitas coisas podem acontecer. Acontece que percebemos muitos atletas amadores pouco conservadores, se arriscando. O resultado podem ser lesões, frustração. Para avançar com segurança e chegar até o fim, vale a pena ser conservador. É melhor sobrar --motivação, prazer, sensação de bem estar-- do que faltar.

+CORRIDA - Quais são os riscos psicológicos de prosseguir em uma prova longa mesmo com dor? E os de não prosseguir?

CARLA DI PIERRO - O maior risco de prosseguir com dor e cansaço é a corrida se tornar algo aversivo, e a pessoa abandonar a pratica esportiva. O risco psicológico de não prosseguir é muito particular: cada pessoa lida de uma forma com essa situação. Pessoas com boa capacidade de lidar com frustrações em geral lidam bem; as que não têm esse histórico podem ficar muito frustradas, mas começar a aprender a lidar com essas situações. Ou seja: há sempre um aprendizado no esporte, ganhando ou perdendo, continuando ou parando.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h47

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Valmir Nunes revela motivos para abandonar prova

De olho na próxima

 

Como disse no último post, entrevistei alguns dos melhores atletas brasileiros para produzir a minha coluna +Corrida no caderno Equilíbrio, da Folha, “Parar não é desistir” (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Além de Marílson, conversei por e-mail com o melhor ultramaratonista brasileiro, Valmir Nunes, recordista pan-americano de provas de 24 horas. No seu livro autobiográfico “Segredos de Um Ultramaratonista”, ele revela que já parou em mais de 70 provas, ao longo de sua vitoriosa carreira.

Foi esse o tema desta minientrevista com Valmir.

 

+CORRIDA -   Por que um corredor profissional como você abandona uma prova?

VALMIR NUNES - Quando largo em uma prova, meu objeto é obter um bom resultado. Quando percebo que não atingirei esse objeto, perco a motivação e abandono a prova.

 +CORRIDA -   Abandonar uma prova em que está sentindo muita dor é uma medida preventiva?

VALMIR NUNES - Sim, provas são muitas; o corredor é um só.

 +CORRIDA – Comente os aspectos negativos e eventuais aspectos positivos de abandonar uma prova.

VALMIR NUNES - O negativo, quando se abandona uma prova, é o fato de você perder para você mesmo. No aspecto positivo, é que você não está desgastado para outra prova, na qual você pode ir bem melhor. Acabo usando a que abandonei como treino.

 +CORRIDA - Você tem alguma história em  que deixou de completar uma prova e, na seguinte, se saiu muito melhor do que esperava?

 VALMIR NUNES - Sim, foram algumas. Em 1995, parei na África do Sul (Comrades) e depois fui correr o mundial de 100 km na Holanda. Venci a prova, com 6h18, batendo o recorde mundial de 100 km na época. Corri também na Suíça, uma prova de 24 horas, na qual parei com 12 horas; duas semanas depois, bati o recorde das Américas de 24 horas, com 270 km.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h58

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Marílson fala sobre paradas em corridas

"É difícil ganhar medalha sem dor"

"Parar não é desistir" é o título de minha coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). No texto, comento o fato de mais de mil corredores inscritos na maratona do Rio de Janeiro terem abandonado a prova no meio do caminho. E digo que fizeram muito bem, apesar do eventual sofrimento e tristeza que sentiram, pois o corredor precisa proteger sua condição para seguir na vida corrida.

Para produzir a coluna, conversei com técnicos, psicólogos e médicos, além de corredores de altíssimo coturno. Aos pontos, vou publicar algumas dessas minientrevistas aqui no blog.

Começo com as palavras de Marílson Gomes dos Santos, o melhor maratonista brasileiro da atualidade, bicampeão da maratona de Nova York e com doloridas experiências de abandono em provas --Pequim-2008 e a meia de Nova York deste ano são alguns exemplos.

Segue a nossa conversa, que foi realizada por e-mail.

+CORRIDA - Você já parou em várias provas. Qual é a sensação de não completar?

MARILSON GOMES DOS SANTOS - A sensação de parar em uma prova não é muito boa, porque eu sempre entro nas provas com a expectativa de obter um bom resultado seja em colocação seja no tempo. Eu aprendi, porém, que nem sempre nos sentimos bem. Mesmo que a preparação tenha dado certo, vai existir aquele dia que não era nem pra ter saido de casa. Acontece com todos: amadores, elite, recordistas mundiais, somos todos humanos.

 

+CORRIDA - Por que você para em uma corrida?

MARILSON - Eu abandono uma corrida quando, por algum motivo, organicamente ou fisicamente não estou bem. Geralmente, o corpo costuma avisar. Quando isso foge das sensações não tão agradáveis e já conhecidas de uma corrida, eu sei que alguma coisa anormal está acontecendo.

 

+CORRIDA - Há corredores amadores que preferem seguir até o fim, ‘para completar‘, apesar das dores. Que risco isso pode ter para o futuro do atleta?

MARILSON - Na maioria das vezes, esse esforço anormal pode trazer algum dano à integridade física do corredor. Serão necessários alguns dias de descanso para que o corpo se recupere, quando não gera algum tipo de trauma ou lesão. Algumas pessoas podem confundir garra de competir com esforço anormal e isso muitas vezes é prejudicial ao atleta, podendo trazer até mesmo danos irreversíveis como complicações de lesões ou até afastamento da prática esportiva.

 

+CORRIDA - Parar em uma prova é desistir?

MARILSON - Não, é pensar no que deu errado e recomeçar tudo novamente, tentando corrigir as falhas, sejam elas de treinamento pré-prova ou durante a prova. Normalmente aprende-se mais com as provas que não ocorreram como você gostaria do que com aquelas que dão tudo certo.

 

+CORRIDA - O que vale mais: a medalha ou a preservação do atleta?

MARILSON - As duas coisas. Para ganhar uma medalha, você tem que estar bem, condicionado para tal objetivo. Logicamente essa tarefa não é tão fácil, sempre gera dores, cansaço, sensações que são inerentes ao esforço que está sendo feito. Porém acho difícil ganhar uma medalha sem isso.

....

Aproveitando o ensejo, conversei com o treinador do Marílson, Adauto Domingues, que orienta também corredores amadores. Perguntei a ele que orientação dava ao atleta em relação a dores que surgissem durante uma prova.

"Para amadores", disse ele, "a orientação começa antes da prova, determinando um ritmo de prova que tenha sido treinado, para que o atleta possa suportar a distância. Se houver quebra muito cedo, o recomendável é parar e treinar para a próxima porque o sofrimento será muito grande. Se for já na parte final, às vezes compensa terminar desde que não seja uma lesão".

Em relação aos corredores profissionais, depende do objetivo que o corredor tem. Se for para marca e passar fora de ritmo a meia ou o km 25, "é melhor parar e se condicionar melhor para a próxima", diz Adauto. Se for para obter colocação, porém, "é interessante que continue pois poderá acontecer várias quebras na parte final da prova, e o atleta terá possibilidade de recuperação. Além disso, existem os profissionais que estão começando em maratonas; para eles, é interessante que terminem as provas para que possam aprender a correr a distância".

 

Atenção, porém. Adauto alerta que é preciso saber distinguir entre quebra de ritmo, que seria diminuir ou até andar, e problemas envolvendo lesões ou exaustão, quando o atleta chega a um ponto de depleção total, ocorrendo riscos de saúde. "Nesse caso, tanto para profissionais quantos para amadores a recomendação é que parem, procurem um médico e depois deem sequência normal aos treinos."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h18

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Maratonista conquista primeiro ouro da Suíça no Europeu de atletismo

"Estou de volta!"

 

Correr pelo estádio olímpico de Barcelona com a bandeira de seu país desfraldada em júbilo era apenas a manifestação externa, pública, da alegria que hoje tomou conta do suíço Viktor Röthlin (fotos Reuters), depois de vencer a maratona no Europeu de atletismo e conquistar a primeira medalha de ouro para seu país nesse campeonato.

Ele comemorava mais do que uma vitória, e suas palavras depois da prova dão uma pista para o quanto de alívio a competição representou para esse atleta: "Talvez a minha carreira acabe depois de hoje, mas a única coisa que eu posso dizer agora é: estou de volta!".

Ele volta bem ao seu estilo, superando adversidades, enfrentando o calor. Para quem vive num país gélido, as altas temperaturas, como as experimentadas hoje na Espanha, podem ser um adversário mais temível que a própria distância, mas não desanimaram o suíço: "Gosto de correr no calor. Comparado com Osaka 2007 (Mundial de atletismo), hoje estava até frio", brincou ele.

Principal maratonista europeu em 2007 e 2008, desde então o suíço vem sofrendo com lesões. Além de se sentir recuperado, dá a volta por cima no último resultado no Europeu, em 2006, quando ficou no quase, levando a medalha de prata ao completar a prova atrás do italiano Stefano Baldini.

Baldini, que você conhece da Olimpíada de Atenas, em 2004, quando conseguiu o ouro depois de o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima ter sido atacado por um padre irlandês, também estava na competição de hoje.

O italiano fazia seu retorno à maratona, pois tinha desistido de competir depois sua participação em Pequim-2008. Dono de dois títulos europeus e dois bronzes em mundiais, além do ouro olímpico, Baldini largou como um rival a ser respeitado. Será que, aos 39 anos, conseguiria repetir a façanha de Gotemburgo?

Até que estava indo mais ou menos, mas o esforço de manter o ritmo imposto pelos adversários foi demais para ele, que abandonou a prova pouco antes do km 25. Foi quando o suíço, que tinha chegado a ficar no primeiro pelotão e depois fora deixado para trás, retomou a liderança, fazendo poeira para o até então líder José Martinez, espanhol que fora campeão europeu dos 10.000 m.

E assim as coisas ficaram até o final, que chegou para o suíço depois de 2h15min31, uma folga de mais de dois minutos sobre o espanhol. O russo Dmitriy Safronov chegou em terceiro com 2h18min16.

Na maratona feminina, realizada ontem também sob forte calor (27 graus), a lituana Zivile Balciunaite conquistou seu primeiro triunfo em prova de alto nível ao completar em 2h31min14. Foi seguida por Nailya Yulamanova, da Rússia, e Anna Incerti, da Itália.

"Adoro correr no calor, é muito bom para mim", disse a campeã, que veio comendo pelas beiradas até assumir a liderança por volta do km 30, para não largar mais.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h26

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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