Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Desafio Passos Solidários chega a Rondônia

Em dois meses, 3.000 km

 

Recebi hoje mensagem do ultramaratonista Carlos Dias, que está correndo o perímetro do Brasil numa grande aventura para arrecadar fundos para o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).

É o Desafio Passos Solidários, que já chegou até Rondônia. Ainda nesta semana, Carlos Dias deve chegar a Porto Velho, na continuação da jornada iniciada em 24 de setembro e que já passa dos 3.000 km. No total, vai correr em um ano mais de 18 mil quilômetros.

Na semana passada, ele completou 61 dias de travessia e fez uma breve contabilidade do trajeto percorrido. Até então, tinha sido 2.967 km em um percurso que cruzou os Estados de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso, passando em mais de 200 cidades.

Diferentemente do ocorrido em outras travessias no Brasil e no exterior, agora Carlos Dias corre sozinho; sua mochila é tudo que tem de apoio durante o dia corrido. Ao chegar próximo à cidade de destino no dia, começa a fazer contatos com autoridades, imprensa e esportistas locais para conseguir apoio, lugar onde dormir e, especialmente, algum tratamento para relaxar a musculatura e preparar o corpo para o desafio do dia seguinte.

Veja o que ele diz: “A dinâmica na estrada é difícil, eu corro em média 50 km por dia em até dez horas. Minha mochila pesa 7 kg e chega a 9 kg quando enfrento localidades mais isoladas, pois levo comida extra em momentos de longos trechos e poucas cidades.  
Tenho dormido em diversos lugares, já dormi em hotel 5 estrelas pago por prefeituras, pousadas, motéis de beira de estrada,posto de gasolina, posto de polícia rodoviária, fazendas, sítios, balneários e casa de atletas".

A idéia do projeto para arrecadar fundos é vender quilômetros; parte dos recursos é usada na própria travessia e parte é enviada para o Graacc. Para saber mais sobre o processo de doações, visite o site do corredor, AQUI, que está razoavelmente atualizado e tem mais informações sobre as aventuras enfrentadas durante essa longa corrida pelas profundezas do Brasil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h32

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Corra para ajudar a criançada

Fim de semana benemerente

Se você mora em São paulo, tem em dezembro duas boas oportunidades de dar uma corridinha divertida e, ao mesmo tempo, contribuir para melhorar a situação de crianças carentes.

No próximo dia 11, a equipe Marcos Paulo Reis realiza uma corrida em benefício do Projeto Arrastão, que você pode conhecer melhor AQUI.

No dia seguinte, é a vez de a Run&Fun organizar uma prova, que terá toda a arrecadação doada para a Associação Esporte Solidário (saiba mais AQUI).

Como são corridas curtas, você pode até se inscrever nas duas, que, para os menos treinados, incluem também eventos de caminhada.

Para se inscrever na 9ª Corrida pela Cidadania, clique AQUI. Para participar da 13ª Prova esporte Solidário, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h50

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Campeão de Campinas faz mais de 200 km em 24 horas

Resultados extra-oficiais

Com pouco mais de dez minutos para terminar a ultramaratona de 24 horas, hoje pela manhã em Campinas, já soava o “Hino da Vitória” saudando o fuzileiro naval Ivan do Espírito Santo de Mello, que chegava em primeiro lugar.

Ivan, 45, completou 215.275 m, segundo informações que me foram passadas pelo blogueiro Joel Leitão, que acaba de se tornar ultramaratonista (confira AQUI a aventura de Joel em suas estreia nas 24 horas).

Em segundo lugar chegou Jaime Maria da Rocha, gaúcho de quatro costados e gremista da gema, que fez 207.100 m.

O terceiro foi Vanderson Luiz de Souza, com 201.650 m, seguido por Adão Miranda da Silva (190.750 m) e Vieira Genival Barbosa (188.025 m).

No feminino, a grande campeã foi Maria Claudia Souto, que correu 168.950 m, seguida por Jacqueline Terto, com 163.500 m e Naoko Kuriyama, com 155.325 m. Completando o quinteto que dominou a prova estão Carla Penha Almeida (152.600 m) e Maria Bernardino (147.150 m).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h32

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Elite nacional participa de prova de 24 horas em Campinas

Festival de ultras

Os principais ultramaratonistas do Brasil participam neste fim de semana de uma prova de 24 horas em Campinas, que acontece apenas uma semana depois de corrida semelhante realizada em São Paulo e é uma demonstração do enorme crescimento que essa modalidade vem tendo no país.

Apesar de o regulamento da corrida de Campinas limitar em cem o número de inscritos na categoria solo, os organizadores acabaram aceitando um benfazejo excesso: há 121 registrados, sendo 21 mulheres. Isso que não há premiação em dinheiro, apenas a satisfação do dever cumprido (e um troféu bacaninha).

Claro que faltam alguns dos grandes nomes da área, pois ninguém pode correr todas. Não está lá, por exemplo, Valmir Nunes, que é o principal ultra do país. Em compensação, o currículo de alguns dos presentes se estende por mais de metro, e muitos carregam no peito títulos internacionais.

Sebastião da Guia sagrou-se bicampeão mundial de provas de 24 horas em 2004, na França, e tem 16 títulos em ultras de diversas distâncias.

Pois a ultramaratona é qualquer prova em distância maior do que a da maratona (os tais 42.195 metros). A maioria das corridas oferece distâncias “redondas”: 50 km, 100 km, 50 milhas, 100 milhas. Mas a mais importante ultramaratona do mundo nem sequer tem a mesma distância todo ano. Trata-se da Comrades, na África do Sul, que varia de 87 km a 89 km, conforme o sentido em que é corrida; o sentido se inverte a cada ano.

Há ainda as provas por tempo. Num percurso fixo, os desafiantes ficam correndo volta após volta por um tempo determinado (seis horas, 12 horas, 24 horas...); vence quem fizer a maior quilometragem no período. Muitas provas desse gênero são disputadas em estádios, em pista de 400 metros; há também competições em trajetos definidos em parques, como é a de Campinas.

Com o que volto a falar das feras que lá estarão. O sargento Marcos Farinazzo venceu no ano passado a Badwater, 217 km de inferno no deserto de Mojave, na Califórnia. Não só foi o campeão como se tornou o segundo homem na história a terminar a prova em menos de 24 horas (o primeiro é o já citado Valmir Nunes, recordista da competição).

Adão Miranda já venceu uma prova de 12 horas no Ceará, enquanto Agnaldo Sampaio tem no currículo a vitória na ultra 5 Pontões do ano passado, e Jaime Maria da Rocha ostenta o título de recordista solo da Volta à Ilha, talvez a mais bela prova de revezamento do país, rodando pelo contorno de Florianópolis.

Todos esses corredores são gente que mantém ritmo em torno de quatro minutos por quilômetro hora após hora (para comparação: mais da metade dos corredores que completaram a última maratona de São Paulo o fizeram em ritmo superior a seis minutos por quilômetro); quando cansam, vão para quatro e meio, cinco minutos por quilômetro. É o necessário para disputar o pódio.

E os outros? Podem não ser tão rápidos, mas há entre eles gente de resistência comprovada internacionalmente. O mais conhecido talvez seja o carioca Márcio Villar, que tem feito travessias pelo país e é o único corredor do mundo a ter completado o circuito 135, de ultramaratonas “irmãs” da Badwater (o 135 se refere à distância da prova em milhas, o equivalente a 217 km).

Entre as 21 mulheres que participam do evento também há figuras contumazes freqüentadoras de pódios pelo Brasil afora. Jacqueline Terto, por exemplo, acaba de completar uma travessia pelo deserto do Saara, sete dias naquelas areais fumegantes (leia AQUI o relato que ela faz da prova). E Débora Simas é bicampeã da Rio 24 horas, além de ser talvez a maior estrela do circuito K42, de maratonas em dificílimas trilhas.

Fora do mundo dessas superferas, há amadores determinados a enfrentar seus limites, tentando jogar a barreira sempre um pouco mais para lá. Conheço e admiro muitos dos “corredores comuns” (se é que se pode dizer que algum ultramaratonista é comum) lá presentes, como o médico João Gabbardo, em quem a vantagem de ser gaúcho fica prejudicada por ser colorado, e Paulinho Zoom, que passou de um lutador contra o próprio peso a um lutador contra distâncias cada vez maiores.

Impressiona ainda a quantidade de corredores “de idade”. Exatamente 10% do elenco masculino tem mais de 60 anos; o decano é Antonio Martins dos Reis. Gaúcho de Campo Bom, tem 68 anos e faz 10 km em 39 minutos; em uma prova de 24 horas em Santa Maria, completou 129.700 metros.

Três das 21 mulheres são maiores de 60 anos. A mais veterana é Lucina Ratinho, 66, minha colega de equipe, dona de simpatia cativante e resistência impressionante.

A corrida deverá ser transmitida ao vivo pela internet, segundo promessa do site dos organizadores, que você pode conferir AQUI. Se desejar mandar mensagem para algum dos participantes, use o formulário disponível no site da prova. A corrida começa às 10h deste sábado.    

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39

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Corrida deixa qualquer um doidão

Critérios para reconhecer o vício

 

Nasceu o filhinho de seu amigo, e a primeira pergunta que você faz é: “A pisada dele é pronada ou supinada?”... Meu amigo, você não só foi mordido pelo bichinho da corrida como também já começa a pirar na batatinha, vendo maratona por todos os lados, sonhando com tênis e analisando os sabores da nova marca de carboidrato em gel.

Para ter certeza de que o vício é profundo, verifique se, quando está na fila do banco, do correio ou do caixa do supermercado, você não fica com o RG na mão e procura, desesperado, o comprovante original de inscrição...

Itens como esses estão elencados numa divertida lista publicada pelo blogueiro e corredor fanático Fábio Namiuti, que orienta o visitante a fazer sua auto-avaliação.

A lista afirma: “Você descobre que está pirando com esse negócio de corridas quando...

...desmarcou a data do seu casamento pra não perder a camiseta “Corri Todas”.

...canelite te dá mais medo que câncer.

...não sendo ortopedista e nem fisioterapeuta, é capaz de descrever todos os sintomas (e tratamentos) da fasciíte plantar, da condromalácea patelar e da síndrome da banda íleo-tibial.”

Há muito mais. Vale a pena visitar a página do Fábio, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h24

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Bilionário indiano participa de corrida muvucada em Nova Délhi

Gente como a gente

Focalize a imagem acima. É um momento da Meia Maratona de Délhi, realizada no último domingo em Nova Délhi, na Índia. No meio da imagem, ao fundo, levando o número 9999 no peito da camiseta vermelha, está Anil Ambani.

Talvez você nunca tenha ouvido falar nele, mas saiba que o sujeito é o quarto homem mais rico da Índia, dono de um império que faturou US$ 14 bilhões no ano passado. A fortuna pessoal do magnata é estimada em US$ 29 bilhões.

Os tentáculos do conglomerado dirigido por esse corredor de 51 anos se estendem por áreas como telefonia, finanças e petroquímica. Apesar da dedicação aos negócios, o empresário não descuida de seus gostos, especialmente o esporte: chegou a quase-quase comprar um time de futebol inglês e, depois de emagrecer um monte, passou a participar de corridas.

De 105 kg, caiu para 68 kg e mudou de vida. Tudo de olho no marketing: “Era elementar. Eu precisava ter uma aparência saudável para dizer que a minha empresa é saudável”, disse ele.

 Tal qual gente como a gente, ele corre com um grupo nas madrugadas, para fugir um pouquinho da canícula indiana, e gosta de participar de provas longas, como a maratona de Mumbai.

Vai mesmo nas supermuvucadas, como a meia de Nova Délhi, que reuniu mais de 30 mil pessoas. A maioria do povão participou da Great Delhi Run, uma prova de seis quilômetros incluída no evento, que teve a presença de artistas e celebridades do país, além do já citado multimilionário (foto AP).

Uma das famosas, por sinal, botou a boca no trombone reclamando contra o que considera machismo dos moradores de Nova Délhi. A atriz Gul Panag,  ex-Miss Índia, participou do evento e reclamou do comportamento da turba. Disse que foi apalpada e beliscada várias vezes.

"Os homens de Nova Délhi não deixam passar nenhuma oportunidade para se comportarem de forma indecente”, reclamou ela. A polícia local, porém, disse não ter recebido nenhuma queixa.

Além das celebridades, a prova teve a presença de corredores da elite mundial, atraída pelos prêmios, com um checão de US$ 25 mil para os primeiros colocados. O queniano Geoffrey Mutai venceu a prova em 59min38; no feminino, a campeã foi a etíope Aselefech Mergia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h20

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Paula Radcliffe volta à maratona em 2011

Retorno lento e gradual, porém seguro

Aos poucos, a recordista mundial da maratona, Paula Radcliffe, começa a voltar aos treinos, depois de ter seu segundo filho, Raphael, que nasceu em setembro.

A corredora britânica pretende disputar alguma prova de pista –provavelmente os 10.000 m-- no Mundial de atletismo no ano que vem; para a maratona, considera que as condições estarão muito duras na Coreia do Sul, sede da competição. Mas planeja fazer uma maratona, sim, para se qualificar para os Jogos de Londres-2012.

O mais importante é que tudo seja feito de forma lenta e gradual. “Quero ter certeza de que descansei o necessário. Estou deliberadamente retornando aos treinos de forma mais lenta do que fiz quando tive minha filha Isla (em 2007)”, disse ela.

E continua: “Meu corpo precisa mais tempo para se adaptar aos treinos. Minha prioridade é estar em forma para ter um bom desempenho em 2012”, disse Radcliffe, acrescentando: “Eu sei o que é preciso fazer para chegar ao nível de elite. Não adianta tentar tomar atalhos: seu corpo precisa estar em plenas condições. Você não pode simplesmente se colocar na largada e pensar que vai ganhar de todo mundo se não tiver feito o treinamento necessário”.   

Treinamento, descanso, recuperação. Paula estabeleceu o recorde mundial de 2h15min25 em Londres, em 2003, e parecia estar com tudo para conquistar o ouro olímpico no ano seguinte.

Mas, em Atenas, foi aquele desastre. Vômitos, choro, desistência.

Deu a volta por cima para ganhar o mundial em 2005, mas, depois, sofreu lesão que exigiu longo tratamento e ficou grávida.

Sua volta triunfal foi em Nova York, onde venceu a maratona em 2007 e, de novo, parecia aposta certa para os Jogos Olímpicos, agora em Pequim. Novamente, decepção.

Agora, Radcliffe, que complete 37 anos no mês que vem, está recuperada de uma antiga lesão no pé, que exigiu até uma cirurgia, realizada no ano passado. Mas não quer saber de abusar.

“Revendo o que fiz no passado”, disse ela à Reuters em Mônaco, onde mora, “eu tentei voltar muito rapidamente [da cirurgia]”.

 Tomara que tudo dê certo para ela.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h58

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Gaúcho é tetra na maratona de Curitiba

Queniana também vence pela quarta vez

Pela terceira vez seguida, repete-se a dupla vencedora da maratona de Curitiba, uma das mais difíceis do país.

O gaúcho Claudir Rodrigues venceu entre os homens, e a campeã no feminino foi a queniana Jaqueline Chebox. Os dois têm agora quatro vitórias cada um.

Claudir, de Santa Maria, completou em 2h21min16, bem longe do recorde da prova, que foi estabelecido em 2004 por José Gutemberg Ferreira: 2h17min55.

Chebox, que treina atualmente em Santa Bárbara do Oeste (SP), fechou em 2h48min52, também distante da marca cravada por Marizete Rezende em 2001: 2h42min21.

Fora do mundo dos profissionais, a edição de hoje da maratona de Curitiba marcou a conclusão do desafio realizado por Raphael Bonatto, que no mês passado saiu por este Brasil afora para completar 27 maratonas em 27 dias seguidos em 27 capitais.

A empreitada termina com muita alegria e sentimento de conquista: Bonatto cruzou a linha em 3h19 (tempo não oficial) carregando sua filhinha Giovana no colo. Depois, foi festejar com a família.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h17

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Londrinos querem fazer “Maratona do Povo”

Protesto olímpico

Continua dando bastante discussão a decisão do Comitê Organizador de modificar o trajeto da maratona dos Jogos de Londres-2012. Inicialmente previsto para girar pela cidade, passando por diversos distritos, o percurso agora se restringe mais à região central, e não termina no Estádio Olímpico, em Stratford.

A comunidade da Zona Leste londrina já havia feito vários protestos e chegou a criar um abaixo-assinado on-line para tentar reverter a decisão do COI.

 Agora, várias entidades comunitárias, igrejas, mesquitas e grupos voluntários da cidade se organizam e planejam realizar a Maratona do Povo em protesto contra o que consideram discriminação feita pelo Comitê Organizador dos Jogos.

 A proposta foi aprovado por cerca de 2.000 representantes de entidades civis, reunidos na Assembléia Anual dos Cidadãos de Londres, realizada em Walthamstow. 

A ideia foi apresentada por uma entidade que representa a comunidade da região leste de Londres em parceria com o jornal “East London Advertiser”.

“O East End está muito desapontado com a mudança da rota”, disse  Bethan Lant, que lidera o grupo responsável por especificar os detalhes da proposta da Maratona do Povo.

Se vier a ser realizada, a maratona  de protesto deverá passar pelas diversas regiões metropolitanas e terminar “onde  deveria”: no Estádio Olímpico.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h29

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Estreante entra em convulsão na travessia Bertioga-Maresia

Relato de um pesadelo

 A maratona de revezamento Bertioga-Maresias, ´no mês passado, seria uma espécie de lua-de-mel esportiva para JULIE KAMKHAGI e seu marido, que iria estrear nas corridas. Virou um momento de desespero, que JULIE conta a seguir, como desabafo e alerta para todos os corredores.

 "Meu marido quase morreu correndo seu trecho na corrida de revezamento Bertioga-Maresias organizada pela Companhia de Eventos.

"Sempre malhei, fiz academia, corria às vezes, fiz yoga etc. Sempre procurei ter uma vida saudável, mas sem radicalismos. Há um ano e dez meses, após o nascimento do meu filho, comecei a correr provas.

"Participei de corridas de 10 km, de 15 km, meias maratonas, provas de revezamento, corri a maratona de Barcelona em 3 horas e 54 minutos. Sentia falta de companhia  queria passar essa adrenalina e energia boa que a corrida proporciona e resolvi dar ao meu marido, como presente do Dia dos Namorados, um mês de aula particular com meu treinador.

"Ele já fazia musculação havia tempo, às vezes corria na praia da Baleia comigo, mas não tinha esse pique e vontade de treinar mais forte. Começou a fazer aula em julho, começou a se empolgar com seus tempos: era bem mais rápido do que imaginava.

"Em dois meses, ele já tinha tempo estimado de 10 km para 46 min. Além da musculação, corria três vezes por semana. A corrida Bertioga-Maresias seria sua primeira prova. Faria em sexteto, o trecho a ser feito seria Jureia ao final de Juqueí.

"Na semana anterior, ele ficou com gripe forte, tomou remédio a semana inteira, ficou com tosse, tomou xarope, não fez musculação, não foi na academia nem correu, a fim de se recuperar para a então primeira prova. Não definiu uma estratégia de prova junto com o treinador, simplesmente foi pra correr e chegar o mais rápido possível.

"No sábado, dia 23, acordamos bem cedo e saímos de São Paulo rumo a Bertioga. Deixei-o lá para encontrar sua equipe e fui até em casa deixar meu filho e babá em nossa casa em Camburi. Eu ia correr em outra equipe e fui direto para Juqueí para correr meu trecho.

"Eu ia começar a me aquecer quando recebi a ligação de que o Rafy tinha passado mal e para eu ir para o posto de atendimento de Boiçucanga.

"Quando cheguei lá, vi meu marido em coma, com contraturas musculares horríveis e condições completamente precárias de atendimento. Ele convulsionou por 55 minutos ininterruptos.

"Felizmente foi socorrido por uma médica corredora que não sei o nome e a quem gostaria muito de agradecer, e aos colegas de equipe até que finalmente chegasse a ambulância da prova que o levou para o pronto-atendimento.

"Tentamos um resgate com helicóptero UTI, mas não tinha teto para pousar. A ambulância da prova foi acionada e demorou mais de uma hora e meia para chegar. A médica da prova disse que estava ainda fazendo residência, falou que não tinha condições nem experiência para levá-lo.

"Depois de duas horas, chegou a ambulância solicitada pelo PA e fomos para o Hospital de São Sebastião, o caminho foi tortuoso, e meu marido se debatia. A médica de lá disse que ele estava em estado muito grave e que nós precisávamos dar um jeito de tirá-lo dali.

"Através de bons contatos e muita boa vontade de cunhado, amigos etc., conseguimos que um helicóptero biturbina (que tinha condições de pousar) levasse médicos e equipamentos de um hospital de São Paulo para atender o Rafy lá, algo que foi imprescindível para que ele pudesse sobreviver.

"Os médicos o entubaram e o deixaram em condição minimamente estável para voltar de ambulância de São Sebastião para o hospital em São Paulo.

"Finalmente, após dez horas e 20 minutos das convulsões e de todo pesadelo logístico, além de uma operação resgate digna de cinema, nós conseguimos finalmente chegar a um lugar com infra estrutura.

Foi direto para a UTI, fizeram ressonância e a boa noticia é que ele não havia tido nenhum dano cerebral.

A má noticia? Todo o seu corpo havia sido atingido, os rins e o fígado não funcionavam, as plaquetas chegaram a 5.000 (quando o normal é de 150.000 a 400.000), as enzimas musculares chegaram a 400.000, quando o valor de referência é 170.

"A situação era muito grave e preocupante. Os médicos estavam assustados com a quantidade e intensidade de alterações que o corpo dele apresentava. Era como se tivesse dado pane, tudo em colapso total.

"No domingo à noite ele acordou. Passou dois dias muito confuso, mas a parte mental, a fala e os movimentos foram voltando ao normal. Depois foram muitos dias de angústia, expectativa e milhões de exames até que seus órgãos começassem a responder e a se recuperar.  A pneumonia está melhorando. Os exames de funcionamento dos órgãos ainda seguem alterados, ele terá que permanecer um bom período longe de atividades físicas até que as fibras musculares se reconstituam. O fígado e o rim ainda levarão um tempo até que voltem ao normal. Foram cinco dias de UTI, quatro de semi-intensiva, e esperamos que mais quatro de quarto normal [NR – quando Julie escreveu, seu marido ainda estava no hospital].

"A explicação dos médicos foi de que meu marido sofreu rabdomiólise, lesão muscular que pode acontecer com pessoas que passam por terremotos, maremotos, esmagamentos etc., mas que, embora raramente, também pode acontecer  por excesso de esforço físico, potencializada por gripe, remédio para gripe e a demora no atendimento.

"Esse é o relato de uma ocorrência grave, que por muito pouco não provocou a morte um cara saudável de 37 anos, esportista, casado, com filho e com toda a vida pela frente. Isso aconteceu com ele, mas poderia ter acontecido com qualquer outro esportista. A gente sempre acha que não vai acontecer com a gente, mas  uma junção de fatores desfavoráveis pode realmente desencadear uma tragédia. Felizmente temos boas condições financeiras, ele está no melhor hospital da America Latina com os melhores médicos.

"Espero que esse relato possa ajudar a transformar as corridas de rua, de serra, de mato e de todos os tipos em algo mais seguro e que os atletas e treinadores possam ficar mais conscientes e responsáveis (eu me incluo nisso, pois sempre quis correr mais e mais rápido que a planilha indicava, sempre tendi mais ao exagero do que ao equilíbrio e percebi que isso pode custar bem caro).

"Nunca é tarde para rever conceitos e melhorar."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h39

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Haile volta atrás e desiste da aposentadoria

Até Londres-2012

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, que havia anunciado sua aposentadoria depois de abandonar, por causa de uma lesão, a maratona de Nova York, disse hoje que mudou de idéia e vai continuar a correr até a Olimpíada de Londres, em 2012.

Em comunicado distribuído hoje em Adis Abeba, o corredor etíope agradece a todos que o apoiaram na última semana. “Ele me ajudaram a ter confiança de que posso continuar com minha carreira, que posso continuar no meu caminho até Londres-2012.”

Haile disse ainda: “Correr está no meu sangue. Agora que minha mente está clara novamente, vou poder continuar competindo”.

O rei da longa distância disse que o anúncio de sua aposentadoria foi sua primeira reação diante de uma corrida desapontadora. “Quando meu joelho estiver bom, vou voltar a pensar na minha próxima corrida”, escreveu em sua página no Twitter.

E tomara que possa acrescentar mais recordes à sua brilhante carreira, que já conta com 27 recordes mundiais (em várias distâncias), dois ouros olímpicos e nove títulos mundiais.

PS: Agradeço ao atento leitor Carlyle Vilarinho pelo aviso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h44

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Manager de Haile pede a recordista para reconsiderar aposentadoria

Correr por prazer

Desde a maratona de Nova York, quando o recordista mundial da prova anunciou sua aposentadoria depois de abandonar a prova, vítima de lesão no joelho direito, que o mundo das corridas pede ao etíope Haile Gebrselassie volte atrás.

Corredores de elite de diversos países já disseram que a maratona não será mais a mesma sem ele, analistas avaliam que a decisão foi impensada e que os patrocinadores vão obrigar o campeão a voltar ao asfalto e por aí vai.

Até agora, porém, as opiniões e pedidos vinham de pessoas fora do círculo mais imediato de Haile. Hoje foi diferente: seu manager, que tem acompanhado sua carreira quase desde o início, anunciou que pretende pedir a Haile que reconsidere.

O holandês Jos Hermens pretende se encontrar com Haile nesta semana e vai tentar convencê-lo a continuar a correr profissionalmente.

“Ele não precisa mais provas nada para ninguém. Se não quiser correr maratonas, pode ficar em provas que lhe dão mais prazer, como os 10 km em rua”, disse ele ao jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung”.

"Daqui a dez anos, ele poderá se questionar por que abandonou depois de uma derrota”, completou Hermens, que disse ter sido surpreendido pelo anúncio da aposentadoria de Haile.

Antes do abandono na maratona de Nova York, Haile havia dito que pretendia correr na Olimpíada de Londres-2012 e que ainda achava possível que ele mesmo baixasse seu recorde na maratona.

Vamos ver qual o poder dos conselhos e apelos do manager holandês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h11

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Diabéticos fazem ultramaratona contra o diabetes

Saudáveis doentes

Um grupo de corredores diabéticos e não diabéticos vai comemorar o Dia Mundial do Diabetes, no próximo final de semana, com uma ultramaratona particular. Os dez atletas, mais suas equipes de apoio, vão correr de Bertioga, no litoral paulista, às montanhas de Campos do Jordão, um percurso de mais de 200 km que vai ser percorrido em etapas.

A largada do desafio Litoral-Montanha, que já está em sua segunda edição, será às 7h deste sábado, e a chegada está prevista para o meio-dia de segunda-feira. Eles vão comemorar na estrada o Dia Mundial, que foi estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como forma de divulgar a doença e seus tratamentos.

O diabetes é uma disfunção hormonal que faz com que o pâncreas deixe de produzir insulina ou produza quantidade insuficiente para atender às necessidades do organismo –estima-se que 10% da população brasileira tenham ou podem vir a ter diabetes.

Mal controlado, pode provocar cegueira e amputação de membros, além de disfunção renal e problemas cardíacos. O tratamento envolve monitoração constante da glicemia, informações sobre a doença e seu controle, alimentação correta, medicação (injeções de insulina ou antidiabético oral) e prática de atividade física.

Como você já percebeu, é por isso que pessoas com diabetes são direcionadas para a prática de corrida, como uma das atividades possíveis. Claro que apenas uma minoria chega às ultramaratonas, mas essa é apenas uma das ações do pessoal que vai correr de Bertioga a Campos do Jordão.  

Eles fazem parte do Diabetes&Desportes, um grupo de atletas com diabetes em todo o Brasil e América do Sul. Eles trocam informações, participam de eventos esportivos em conjunto e organizam atividades para a turma. Além de corredores, há karatecas, mergulhadores, alpinistas, velejadores (clique AQUI para saber mais sobre o grupo).

O grupo já há alguns anos comemora o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro) com desafios de 12 horas de práticas esportivas de seus membros. Cada um coloca na lista o que vai praticar e por quanto tempo, e eles fazem um gigantesco revezamento, que pode começar com quatro horas de corrida na Bahia, seguidas por outras tantas de treino de karatê no Rio e por aí vai. Há também atividades especiais, como as previstas neste ano.

Além do desafio Litoral-Montanha, um triatleta do Rio, Kener Assis, vai tentar correr em só dia desde lá até São Paulo. Contará com o apoio da ultramaratonista Monica Otero. Se tudo correr como o planejado, Kener vai se encontrar, no domingo, na rodovia Ayrton Senna, com o grupo de maratonistas que sobe para Campos do Jordão.

Quem me contou tudo isso foi um dos participantes, Alexei Angelo Claro, 36 (foto Arquivo Pessoal), que descobriu ter diabetes aos quatro anos, ao fazer exames por causa de uma internação hospitalar. Desde então, toma todos os dias as injeções de insulina e cumpre dieta. Faz também esportes –muito!

“Fui educado para a prática de atividade física desde cedo”, diz ele. Pois deu certo, tanto que hoje, além de trabalhar com engenheiro formado pela Poli-USP, dá aulas de aikidô e presta consultoria sobre diabetes.

Ele explica que, se o diabético mantém a doença sob controle e toma os cuidados necessários para se preservar, o risco a que está sujeito pela prática de corrida (ou qualquer outro esporte) é o mesmo que ameaça qualquer corredor que não tenha a doença.

“A melhor maneira de evitar ou minorar os riscos para corredores com diabetes é buscar informação correta com equipe multidisciplinar em diabetes e  experimentar as opções condizentes com sua capacidade”, diz o ultramaratonista.

No terreno do esporte, já fez judô, natação, ginástica olímpica, ciclismo, kung fu , tai chi chuan. Hoje se concentra no montanhismo, no aikidô e nas corridas. Começou a correr com 20 anos, e hoje se dedica mais às ultras e às maratonas, mundo em que entrou há cinco anos.

“Nessa prática”, diz ele,ter diabetes não é barreira nenhuma, e sim se torna um grande motivador pelo conhecimento de si próprio e de como atuar diante dessas oportunidades”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11

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Jovem curitibano faz 27 maratonas em 27 dias em 27 capitais do Brasil

Desafio pessoal 

 

Na manhã de hoje, Raphael Bonatto completou em Goiânia mais uma maratona em seu périplo para tomar conta do Brasil. É a 16ª de uma jornada que começou em Porto Alegre, no dia 26 de outubro, e vai até o próximo dia 21, na maratona de Curitiba. Até lá, o jovem curitibano terá completado mais de 1.100 km correndo e terá viajado quase 19 mil km pelo país.

  

“É um desafio pessoal”, me disse Bonatto por e-mail em uma de suas paradas. Com a carência de maratonas no país, seria impossível para ele correr essa sequência participando apenas de provas oficiais, mas ele corre usando um GPS de pulso e faz exatamente 42.200 metros em cada cidade (a maratona tem 42.195 m). “Não procuro bater nenhum recorde, mas trato o desafio com a seriedade que ele merece. Corro exatamente 42.200m em cada cidade”.

 

A paixão pela corrida vem desde a infância, nas brincadeiras na escola, mas a maratona entrou por acaso na vida de Bonatto, que é formado em educação física e especialista em fisiologia. “Eu tinha 18 anos. Fui pela manhã ao parque Barigui (em Curitiba) e vi todo aquele povo. Resolvi correr com eles sem saber que eram 42 km. Mesmo assim, completei a prova em quase cinco horas e me empolguei.”

 

Empolgou-se mesmo. Hoje com 30 anos, Bonatto já participou de algumas das mais conhecidas, complicadas e difíceis ultramaratonas do mundo, como a famosa Comrades e a terrível Badwater, 217 km de calor, subidas e descidas que começam no Vale da Morte, nos EUA.

 

Fez também empreitadas particulares, como a jornada de 700 km que empreendeu em novembro do ano passado, correndo das cataratas do Iguaçu até Curitiba, onde completou a maratona local em 3h39.

 

A corrida imbricou-se também à vida profissional do atleta, que hoje é um empresário que atua na área de palestras motivacionais, incluindo nas conferências relatos de suas aventuras.

 

A atual jornada certamente terá posto de destaque nas futuras palestras. E, se tudo der certo, vai virar também um livro. Enquanto isso não acontece, Bonatto segue correndo. Depois da maratona pessoal de hoje, segue para o nordeste: planeja estar amanhã em Recife e correr em Natal na sexta; no fim de semana, faz suas maratonas em João Pessoa e Maceió.

 

Bonatto coloca fotos e informações sobre suas aventuras AQUI e AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h17

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Com dores, Haile anuncia aposentadoria

Sob forte emoção

 

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, primeiro homem na história a correr a prova em menos de 2h04, anunciou ontem sua aposentadoria, depois de ter sido forçado a abandonar a maratona de Nova York por causa de dores no joelho.

“Nunca pensei em abandonar, mas pela primeira vez, hoje é esse dia. Não discuti o assunto com ninguém, nem com o meu empresário, só comigo. É hora de deixar os jovens atletas correrem. Não quero voltar a me queixar a partir de agora”, disse ele.

Bom, dizem que palavra de rei não volta atrás, mas o próprio campeão de Nova York e compatriota do recordista não se conforma com a decisão: “Ele vai ter de reconsiderar. Falou isso sob a emoção de ter abandonado a prova...”, comentou Gebre Gebremariam.

Além de corredor emérito, Haile é empresário de sucesso, dirigindo na Etiópia negócios em várias frentes, como concessionárias de automóveis e um enorme resort, além de empreendimentos imobiliários.

No mês passado, em uma entrevista para a AP, ele disse que pretendia correr pelo menos até os Jogos Olímpicos de 2012. “Por que eu deveria me aposentar? Por que eu deveria dizer que pretendo me aposentar em três ou quarto anos? Você se aposenta no exato momento em que começa a pensar assim. Eu ainda quero conquistar mais”, disse então Haile.

Vamos ver.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h19

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Debutante etíope vence maratona de Nova York

Marido obediente

Nem Marílson nem Haile: o grande vencedor da maratona de Nova York foi um debutante na distância. O etíope Gebre Gebremariam, 26, superou hoje o campeão mundial da maratona, Abel Kirui, o terceiro maratonista mais rápido da história, James Kwambai, para não falar do recordista mundial e mais um monte de estrelas dos 42.195 metros.

Gebremariam (foto Reuters) cruzou a linha em 2h08min14 e abriu os braços para festejar, lembrando a mulher, Werknesh Kidane, que ficara no seu país, sofrendo com uma lesão que a impediu de também debutar em Nova York. O casal tem dois filhos.

“Ela me disse para vencer”, sorriu o campeão, sabendo que é bom ouvir as palavras da parceira. Ao longo da maior parte da prova, ele correu humildemente na rabeira do primeiro pelotão. Foi vendo, podem, os rivais mais famosos caírem em disputa ou abandonarem, como aconteceu com Haile. O recordista mundial saiu fora, com dores no joelho direito, por volta do km 35.

Àquela altura, Gebre achou que podia ir para cima da turma da frente. Ficaram apenas quatro e logo eram somente dois: ele e Emmanuel Mutai, vice no Mundial de 2009, vice em Londres neste ano, dono de marca pessoal de 2h06min15.

Primeiro, os dois correram como se fossem parceiros; depois, se enfrentaram, Mutai tentou puxar, mas foi alcançado. O etíope então arrancou e o rival não conseguiu segui-lo. Os últimos dois quilômetros foram um passeio para o estreante, que ainda olhou várias vezes para trás, como que em dúvida sobre o que estava acontecendo.

Aconteceu, e ele agora está no cenário dos grandes da maratona do mundo. O brasileiro Marílson, que era o único do pelotão a poder se tornar tricampeão hoje em Nova York, fechou em sétimo com 2h11min51, bem abaixo de seu melhor tempo. Derrubar a própria marca vai ficar para mais tarde. Quem sabe, Londres 2011...

Entre as mulheres, a britânica Mara Yamauchi liderou boa parte da prova, mas as coisas mudaram depois da metade, quando as etíope começaram a atacar. Teyba Erkesso passou a disputar a ponta, enquanto a campeã Derartu Tulu ficava no meio do pelotão, como a esperar a hora de atacar. A queniana Mary Keitany, recordista mundial dos 25 km, e a estreante norte-americana Shalane Flanagan também corriam na espreita.

A partir do 35, as coisas foram ficando mais claras; Flanagan partiu para cima, mostrando que queria ganhar; se ia conseguir, eram outros 500... Keitany acelerou e mostrou que era mais rápida, mas aqui são 42,195 km, e não 25 km. Do meio do pelotão, emergiu Edna Kiplagat, campeã da maratona de Los Angeles. Ela veio para vencer (na foto Reuters, abraça a segunda colocada).

Sem pressa, foi destruindo a força e o vigor das oponentes, até ficar sozinha e correr solitária para a vitória. Keitany, que vinha atrás, sentiu o esforço, e acabou cedendo o lugar para a norte-americana, que mostrou brio e espírito de luta, mas chegou 20 segundos depois da vitoriosa Kiplagat, que fechou a  prova em 2h28min20.

Note-se que as dez primeiras completaram em menos de 2h30, e que a veteraníssima Lyudmila Petrova, 42, completou em sétimo em 2h29min41.  

Sobre a transmissão da SporTv, começou bem, com entradas de reportagem ao vivo de Nova York, o que parecia ser um bom sinal, apesar da rateada do locutor logo de início, ao dizer que a Keitany era etíope.

O problema é que a transmissão passou a ser interrompida MUITAS vezes para que entrassem outros eventos, pois havia brasileiros disputando o Mundial de ginástica e o de natação. Podiam ter dividido a tela ou colocado numa janela.

O problema  é que os caras exageraram: ficaram mostrando as costas de um americano que  já tinha vencido sua prova e deixaram de mostrar a chegada da vencedora no feminino... Faltou editor de imagens ou sei lá o quê. Faltou senso de noção.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h23

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Maratona de Nova York vai passar na TV

Marílson enfrenta Haile

 

 

A maior e mais charmosa maratona do mundo vai passar na TV brasileira. Pelo menos, é o que nos diz a grade de programação da SporTV2, que promete iniciar a transmissão da Maratona de Nova York às 11h deste domingo, dia 7. Se a transmissão se confirmar (pois o mundo da TV brasileira é cheio de surpresas), vou tuitar meus comentários. Você pode acompanhar AQUI (@rrlucena).

A prova vai estar muito bacana, a julgar pela tropa de elite que vai se enfrentar nas ruas dos cinco distritos de Nova York.

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos (foto Divulgação) vai em busca de seu terceiro título em Nova York, onde já entrou para a história como primeiro latino-americano a ser campeão. Desta vez, está sem lesões, bem treinado e feliz da vida –sua mulher, Juliana, espera a primogênita da família para o início do ano que vem.

Seu maior adversário, é claro, será o recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, que faz sua estréia em terras nova-iorquinas.

Há quem diga que o multirrecordista etíope (foto AP) não gosta de percursos complicados, como o de Nova York, cheio de altos e baixos. Também há quem acuse Haile de pouco afeito a enfrentar competição, pois ele gosta mesmo é de correr com coelhos para si e mandar na prova. Bueno, o cara é o único do mundo a correr a maratona em menos de 2h04, então alguma coisa ele há de ter de bom, você não acha?

Os dois nem de longe vão correr sozinhos. Há um forte esquadrão queniano, em que os mais rápido são James Kwambai, 27, 2h04min27, que não parece estar no melhor de sua forma neste ano, e Abel Kirui, 28, 2h05min04, campeão mundial da maratona. O marroquino Abderrahim Goumri, 34, 2h05min30 não pode ser descartado, muito menos o americano Meb Keflzighi, 35, campeão do ano passado que busca defender seu título.

No feminino, vem da Etiópia o esquadrão mais rápido, a começar pela campeã Derartu Tulu, 38 (foto AP), que tem como melhor marca 2h23min30. Traz suas compatriotas  Teyba Erkesso,  28, 2h23min53, e Buzunesh Deba, 23, 2h27min24.

Há outras grandes competidoras, como a russa Inga Abitova, 28, 2h22min19, mas não dá para esquecer a queniana Mary Keitany, 28, Mary Keitany (foto AP), campeã mundial da meia maratona (2009) com 1h06min36, e dona do melhor tempo da história para os 25 km: 1h19min53, em Berlim, em maio passado.

Todas elas talvez sejam hoje mais rápidas que a veteraníssma russa Ludmila Petrova, mas precisarão provar no asfalto que têm mais garra do que a decidida corredora de 42 anos.

Ela deu o maior show no ano passado e em 2008, mostrando resistência e determinação impressionantes, que não lhe valeram a vitória, mas deram um segundo lugar com sabor de ouro.

Longe das disputas da elite, a maratona de Nova York atria celebridades televisivas e cinematográficas de todo o tipo, além de celebridades instantâneas. O mais celebrado da turma, neste ano, é o chileno Edison Pena (foto Reuters), 34, um dos 33 mineiros salvos após 69 dias presos debaixo da terra. Ele ficou conhecido porque, apesar das condições adversas da mina, decidiu correr para manter a forma e o equilíbrio.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11

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Frankfurt entra na rota das mais rápidas maratonas do mundo

Quarta sub2h05

É o homem? Ou é o percurso? Com os resultados do domingo passado, Frankfurt entra no restritíssimo clube das maratonas que foram palco para vitórias com tempo abaixo de 2h05.

Como Berlim, cenário do recorde mundial, a bela e movimentada cidade oferece percurso planíssimo e clima ameno na época da prova. São também características da maratona de Roterdã, outra integrante do clube das sub2h05.

A quarta sede da alta velocidade, porém, nada tem de clima ameno. Pelo menos, não comparável às temperaturas germânicas ou holandesas.  O que Dubai teve, em 2008, foi Haile Gebrselassie correndo para tentar bater seu próprio recorde.

Não conseguiu naquela data, mas, em setembro do mesmo ano, tornou-se em Berlim o primeiro homem da história a correr uma maratona em menos de 2h04.  Ou seja, Haile é que batizou duas das quatro maratonas sub2h05 .

Voltando a Frankfurt, a marca foi estabelecida por um nome que ainda não frequenta as manchetes maratonísticas: o queniano  Wilson Kipsang debutou na distância apenas em abril passado, quando foi terceiro na maratona de paris, que fechou em 2h07min10.

Kipsang, 28, achava que podia fazer melhor e pediu que os coelhos passassem a meia maratona em menos de 63 minutos. Foi um ritmo descansado, que lhe permitiu acelerar bem no final para fechar em 2h04min57, o terceiro melhor tempo do ano (os outros dois foram estabelecidos em Roterdã).

Pela vitória, que também quebrou o recorde do percurso por mais de um minuto, ele recebeu um checão de 95 mil euros (mais de R$ 220 mil).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h56

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Recorde pessoal na maratona de Bilbao

Alegria noturna

 

Eu não estou mais correndo pelo mundo, mas os sensacionais leitores deste blog são pródigos em histórias pelo asfalto estrangeiro. Trago agora para você o relato da maratona de Bilbao, simpática cidade espanhola que é palco de uma bem organizada maratona noturna. Quem esteve por lá foi o RICARDO NISHIZAKI (foto abaixo), procurador do município de São Paulo. Corredor desde 2004, completou em terras de Espanha, no último dia 23, sua sétima maratona, que foi pura alegria, como você pode ver no relato a seguir.

 

Escolher a Maratona de Bilbao como parte do meu calendário misto de corridas e viagens de turismo foi simples: dentro das opções durante as minhas férias, Bilbao surgiu como uma oportunidade que ainda não tinha tido de correr uma maratona noturna. Além disso, eu ainda não conhecia a Espanha e seria uma chance de mergulhar a fundo no país basco, de Guernikas, ETAs e uma língua totalmente diferente, mas com a vantagem de me socorrer do velho e bom espanhol nos momentos de aperto.

 

De fato, o idioma basco não se parece com nada. Uma mistura de língua do Hopi-Hari com a língua da Xuxa em um sotaque espanhol, mas com palavras absolutamente estranhas. Se em Bilbao as coisas eram mais fáceis, no interior, as placas de sinalização não davam muita chance aos poucos turistas presentes nessa baixa estação. Mas mesmo assim tudo foi muito tranquilo e fácil de entender, já que os museus e monumentos eram bilíngues.

 

A feira da maratona foi realizada em um pavilhão inflável erguido do lado do Guggenheim, um museu mais bonito por fora do que por dentro. Não tinha muita coisa e os poucos expositores presentes eram grossos demais para ter vontade de comprar qualquer coisa deles.

 

A própria desanimação da feira e a ausência completa de quaisquer faixas, indicações ou informações sobre a maratona me deixaram meio encucado, achando que seria um eventinho bem mixuruca. Mas, na hora da prova, apesar de o número de competidores não ser tão grande, parecia que a cidade inteira estava lá para ver. A temperatura estava ótima para correr, uns 15 graus, sem vento gelado, uma delícia.

 

A largada atrasou longos 15 minutos. O locutor falava algumas coisas em basco e eu não entendia nada. Falava em espanhol e eu também não entendia nada, porque falava ou muito rápido, ou cheio de firulas. Mas quando largou, belos fogos de artifício espocaram.

 

A prova era composta por duas voltas de 21,1km, em um circuito bastante plano e favorável a bons tempos. A cada volta a gente passava umas 3 vezes pelo Guggenheim, tornando mais fácil a vida de quem estava lá para torcer pelos conhecidos. Assim, os maratonistas se cansaram de passar pelo museu. A prova também percorre o casco viejo (Centro histórico) da cidade e o Centro Novo, mais moderno, com avenidas mais largas, e ainda passando em frente ao meu hotel. Mas a parte mais complicada era a perna que saía da cidade e ia até uma cidade próxima. Um trecho reto, deserto e bastante solitário, além de não ser lá muito bonito.

 

Uma coisa que chamou muito a atenção na prova foi a presença de dois corredores peladões. Ou quase, já que eles vestiam tênis, meias, relógio e... número. De resto, tudo descoberto. Os caras eram muito rápidos, de impressionar. Por volta do km 18 da prova, eles estavam apenas a uns 5 minutos dos quenianos que lideravam a prova. Mas acredito que eles estivessem participando só da meia-maratona, já que não os vi mais. De qualquer forma, o ritmo era também muito forte para um amador em meias-maratonas.

 

Curti a prova. Eu me senti bem, sempre gostei de correr à noite, coisa de biorritmo. Fiz "hang fives" com praticamente todas as crianças que estava no percurso, correndo feliz, com aquela sensação boa de liberdade que só a corrida te dá. Isso tudo fez com que eu passasse na marca da meia-maratona com  1h54, totalmente tranquilo, com os batimentos em um nível bastante controlado. Já que estava fácil, resolvi arriscar. O pessoal que estava no pelotão das 3h45 estava mais ou menos perto, a uns 6 minutos na minha frente, pelo que medi nas várias idas-e-vindas do percurso. Resolvi buscar. Cheguei a tirar uns 2 minutos quando, no km 28, senti a panturrilha beliscar: câimbra.

 

Lá na frente, a prova já terminara, com a vitória do queniano Samwell Kalya, com um tempo que pouco significa a nível mundial: 2h19. Foi seguido por outros dois africanos, Benjamim Korir e Joseph Biwott (saiba mais AQUI).

 

Diminuí um pouco o ritmo, mas a perna continuava meio dura e então resolvi administrar pra terminar abaixo de 3h50. Só que, no km 32, cãimbrou de novo. E de novo no 36, desta vez endurecendo a perna de vez. Ali eu parei para alongar e resolvi tentar só baixar o meu recorde pessoal de 3h55. Assim eu toquei o resto da prova, acima de 6min por km, mas totalmente inteiro sob o ponto de vista fisiológico e cardiorrespiratório, para fechar em 3h52min50.

 

Meu melhor tempo, numa prova para a qual corri bem descompromissado, sem a melhor preparação do mundo, e ainda com a menor quantidade de dores pós-prova que eu já senti. No dia seguinte, seguindo viagem para Zaragoza, estava bem inteiro, um pouco dolorido, mas nada incapacitado. Nem as escadas me davam medo. Perfeito!!!

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h47

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Documentário conta a história do lendário Abebe Bikila

 O maratonista descalço

Não sei se o filme é bom ou bem-feito, mas pretendo vê-lo de qualquer forma, na próxima quinta feira. Chama-se “O Atleta” e integra a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Saiba mais AQUI.

Trata-se de um documentário sobre a vida de Abebe Bikila, o primeiro negro africano a conquistar o ouro olímpico. Foi nos Jogos de 1960, em Roma, e ele correu a maratona de pés descalços.

A história dele é soberbamente retratada no livro “Barefoot Runner” (Corredor descalço), que recomendo a todos. Não conheço tradução, então você deve pedir que sua livraria preferida faça a compra no exterior ou comprar diretamente no seu site especializado predileto.

Quanto ao filme, as poucas resenhas que vi são pouco esclarecedoras, pois se limitam a dizer o que já sabemos sobre esse herói etíope, que foi também o primeiro a ganhar a maratona olímpica em duas edições seguidas (na segunda, em Tóquio, correu de tênis).

Que a história dele é plena de drama, emoção, política, desespero e superação, é fato conhecido. Se o filme conseguir passar pouco que seja dessa vida, já será excelente. Vou ver.

Bueno, aproveito o ensejo para recomendar outro filme que rola na Mostra. Este, falo de cadeira, pois já vi, é sensacional. “Trabalho Interno” é um didático documentário sobre a monumental crise econômica que vive o mundo de hoje.

Apesar de tratar de temas complicados do mundo das finanças, consegue ser claro, sem cair em simplificações grosseiras. É também corajoso ao colocar o dedo na ferida, tentar identificar responsáveis e mostrar o obsceno conúbio entre governos, notadamente o dos Estados Unidos, empresas, órgãos financeiros e agências supostamente reguladoras. Não se furta também a mostrar que a academia, a universidade, não é tão excelsa assim como alguns querem acreditar ou nos fazer crer; ao contrário, também beija as mãos douradas de Wall Street.

“Trabalho Interno” deveria ser exibido em todas as escolas de economia, administração, ciências sociais e correlatas; deveria ser obrigatório para jornalistas de economia e política. O problema é que alguns podem se ver incomodamente retratados em certos entrevistados...

O diretor do filme, Charles Ferguson, assina também um excelente artigo publicado ontem na Folha (AQUI, para assinantes de Folha e/ou do UOL).

Para saber horários e locais de exibição, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h38

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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