Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Campeão olímpico da maratona acusado de tentativa de homicídio

Wanjiru teria atacado a mulher e seu guarda-costas
 
O campeão olímpico da maratona Samuel Wanjiru foi levado hoje ao tribunal, em Nyahururu, Quência, acusado de tentar matar sua mulher e seu guarda-costas.
O corredor queniano de 24 anos negou todas as acusações.
Segundo a promotoria, Wanjiru tinha chegado em casa bêbado e teve uma briga com a mulher. Teria então pegado um rifle e tentado atirar nela e no guarda-costas, que acabaram sendo socorridos e resgatados por vizinhos.
Na audiência de hoje, ele acabou liberado sob fiança e haverá nova sessão do tribunal no dia 9 de fevereiro.
Wanjiru foi o vencedor da maratona em Pequim-2008, aos 21 anos, tornando-se o mais jovem campeão olímpico dessa prova desde 1932.
Neste ano, sagrou-se vencedor da World Marathon Majors (2009-2010) e levou um prêmio de uS$ 500 mil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h22

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Algumas dicas para correr bem a São Silvestre

Ouça a voz da experiência

 

 

Nesta época do ano, em geral coloco no blog um texto dando dicas para quem vai correr a São Silvestre pela primeira vez ou para relembrar atletas experientes de coisas básicas, mas às vezes esquecida. Já estou até um pouco atrasado na minha missão, por isso vou logo dizendo o mais importante e depois entro em outras considerações.

A primeira coisa é descansar nestes dias antes da prova. Se já treinou hoje, espero que tenha sido uma corridinha leve. Amanhã, relaxe, alongue, caminhe.

Desde hoje, também, aumente a ingestão de água. Eu gosto de tomar uns três litros por dia.

Bueno, pegue então um copo de água, relaxe e aproveite para ouvir a palavra de um experiente corredor.

Para me ajudar na tarefa de dar dicas sobre a São Silvestre, fui conversar com um dos mais veteranos participantes dessa prova. É o João Rosário, mais conhecido como Doutor Rosarinho (fotos de minha lavra), que completou 83 anos na semana passada e tem como uma de sua missão nesta quadra da vida a liderança da simpática equipe Vovocop`s, que reúne sexagenários, septuagenários e octagenários, além de alguns mais novinhos.

A entrevista com ele rendeu reportagem publicada hoje na Folha (AQUI).

Rosarinho correu sua primeira São Silvestre  em 1953, aos 26 anos. Foi a edição que teve a presença mais ilustre em toda a história da prova: o vencedor foi nada menos que o tcheco Emil Zatopek, a Locomotiva Humana, único homem a vencer os 5.000 m, os 10.000 m e a maratona na mesma Olimpíada (Helsinque-1952).

Na época, a São Silvestre era à noite e tinha apenas 7,5 km. Rosarinho correu bem e, depois de completado o percurso, levou sua merecida medalha, pois completou no 356º lugar, e só os primeiros 400 levavam o troféu (participaram 4.500 corredores). Bem diferente da edição deste ano, em que os organizadores inverteram os valores e entregaram a medalha com o kit, numa flagrante demonstração de falta de sensibilidade e de respeito ao espírito da competição: leva o ouro quem completa a prova.

Mas tergiverso. Depois da bela corrida, o futuro vovocop voltou à sua Garça natal e foi homenageado pela Câmara Municipal, pois era o primeiro filho da cidade a ter dito presente na mais famosa corrida de rua do Brasil.

Aquela foi também a última corrida para Rosarinho, pois as exigências da vida, do trabalho e da família o afastaram do querido hobby, a que só voltou mais de 40 anos depois.

Com 67 anos e já aposentado na função de cartorário, vinha correndo para combater o estresse e se sentir vivo. Sua esposa, Elza, sugeriu que ele participasse de uma corrida de 5 km, promovida pela paróquia que frequentavam, e lá se foi ele. Resultado: segundo lugar na categoria de mais 40 anos.

Entusiasmado, começou a treinar para voltar à São Silvestre, e hoje acumula cerca de uma dúzia de participação, sempre com destaque na sua faixa etária.

Por isso, adverte a todos: o momento mais perigoso da prova é a descida da Consolação. “Já vi corredores caídos no chão, vomitando. Outros tropeçam por ali.” Recomenda calma: “Tem gente que vem querendo dar tudo o que tem. Não pode. É preciso manter o ritmo, ir com calma, devagar. Depois que sair da Consolação, faça sua prova”, diz a voz da experiência.

Também adverte os corredores contra a dispersão no retão da Rio Branco. “É preciso ficar concentrado, focado, se não a gente perde o ritmo mesmo”, afirma ele.

Para os neófitos, sugere que corram ao lado de alguém mais experiente, que vá num ritmo leve, para não quebrar. “Se abusar, vai quebrar e pode até ficar sem completar a prova”, adverte.

Se você tiver sorte, vai encontrar o Doutor Rosarinho na São Silvestre, com sua camiseta amarela de vovocop, que orgulhosamente informa a sua idade. Ele vai correr com outros colegas de equipe e deverão levar uma faixa com o nome do grupo.

“Vamos fazer uma festa, porque a São Silvestre é a festa do corredor”, diz ele.

É isso aí. Aproveite, divirta-se e entre com tudo em 2011.

Feliz Ano Novo!

 

 

PS.: Nessa história da medalha antecipada, a empresa organizadora da São Silvestre só meteu os pés pelas mãos. Para piorar as coisas, o Sr. Thadeus, que dirige aquela empresa, parece ter dificuldade para enfrentar críticas com espírito democrático. Interpelou de forma grosseira a repórter Yara Achoa, de porte minúsculo ante o tamanhão de Thadeus. O entrevero foi lamentável e só depõe contra o executivo. Para saber mais sobre o caso, confira relato detalhado no blog de Yara, AQUI.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h12

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Australiano faz 52 maratonas e ganha uma namorada

Volta por cima no divórcio 

Que tal esta história para inspirar sonhos?


O australiano Tristan Miller, de 33 anos, entrou hoje para o Livro dos Recordes ao completar em seu país sua maratona número 52, realizada ao longo de 52 semanas.

Para levar a empreitada à frente, o ex-funcionário do Google vendeu tudo o que tinha e levantou US$ 120 mil, o suficiente para bancar seu tour de um ano pelo mundo. Visitou 42 países, correu na Antártida, conseguiu seu recorde pessoal em Berlim (3h03) e subiu ao pódio na Mongólia, com um glorioso segundo lugar em uma prova de 100 km.


Miller começou a correr há seis anos, como forma de se recuperar do divórcio. As coisas melhoraram, mas depois pioraram: há um ano, ele perdeu o emprego quando o Google fechou seu escritório em Melbourne. Então decidiu largar mão da vidinha besta de trabalho das 9h às 17h e correr pelo mundo afora.


O objetivo era meio amalucado, mas, segundo o corredor, mais difícil do que correr uma maratona por semana ao longo de 52 semanas foi acertar a logística da empreitada. Durante o ano, por exemplo, ele chegou à Costa Rica e descobriu que a maratona que lá planejava correr tinha sido cancelada.


Ficou desesperado e colocou pedido de ajuda no Facebook. Um corredor da Argentina lhe contou que, na mesma semana, havia uma maratona no México.  Acabou dando tudo certo.

Miller diz que sua maior precoupação era conseguir chegar aos lugares. Uma vez lá, ia então pensar em como correr o desafio do dia. Chegou mesmo a correr, mais de uma vez, duas maratonas em um só fim de semana, para garantir folga para a viagem e a recuperação das maratonas da Antártida e da Mongólia.


Além de se divertir à grande, ainda conquistou uma namorada (mas preferiu não contar muito mais a respeito do caso). E levantou US$ 15 mil em doações para o Unicef e a ONG Facing Africa.


Escrito por Rodolfo Lucena às 23h12

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Corrida de tuiteiros bate recorde histórico

Mil quilômetros a mais

Corredores brasileiros que têm conta no Twitter e participam do grupo TwittersRun realizaram no final de semana anterior ao Natal o Dia dos Tuiteiros Corredores, que leva o nome oficial de TwittersRunDay (com o protesto deste tuiteiro e blogueiro defensor das cores da Última Flor do Lácio).

É uma corrida individual, porém conjunta, como se fosse um enorme revezamento aberto à participação dos tuiteiros corredores.

Funciona assim: o tuiteiro se registra no site do TwittersRun e corre seu treino ou sua prova naquele determinado dia (neste ano, foram os dias 18 e 19 de dezembro). Pode correr em um ou nos dois dias.

Dai registra a quilometragem que fez e o local em que correu. As quilometragens vão se somando.

Neste ano, 372 tuiteiros corredores fizeram 482 corridas naquele final de semana, totalizando 4.733,711 km, um banho de bola (ou de borracha de tênis) no ano anterior, quando corremos 3.456,620 km, soma de 309 corridas realizadas por 248 corredores.

Neste ano, portanto, o número de tuiteiros corredores foi bem maior. O número de mulheres cresceu quase 50%, passando de 88 para 127. Mas sua participação relativa diminuiu, porque o crescimento da base masculina foi maior do que 50%, passando de 160 para 245 homens na terceira edição do TwittersRunDay.

Além do Brasil, contribuíram com quilômetros tuiteiros que correram nos Estados Unidos, na Costa Rica, na Austrália e em Portugal.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h16

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Garoto de seis anos corre maratona aos prantos

“Não foi divertido”

 

Um menino de seis anos completou domingo, em prantos, a maratona de Taipei, evento que reuniu cerca de 110 mil pessoas distribuídas em competições de várias distâncias.

 

O garoto Wu Chun-hao foi um dos mais de 30 mil corredores que participaram da maratona. Ele foi bem até a metade dos 42.195 metros, quando começou a chorar por causa de dor nos joelhos. Aos prantos, seguiu até o fim e completou a prova rodeado por pessoas de sua família, que também participaram da corrida.

 

“Não foi divertido, a corrida é muita comprida”, disse depois o menino. Mesmo assim, afirmou que pretende correr a prova no ano que vem. Ele já havia participado de corridas de 9 km e de meia maratona.

 

O menino faz parte de uma família de jovens corredores. No ano passado, um de seus irmãos mais velhos, Wu Cheng-en, foi o mais jovem corredor a completer a prova. Sua irmã, Wu Huin-hsin, de oito anos, é a mais jovem corredora da maratona de Taipei (talvez a mais jovem do mundo...). Wu Chun-hao fechou seu desafio em 5h11min45.

 

A participação do menino gerou críticas de especialistas, mas também provocou admiração e entusiasmo. Para o secretário-geral da Associação de Atletismo de Taipei, Wang Ching-cheng, a determinação do garoto é elogiável, mas ele considera que é melhor começar a correr maratonas a partir dos 15 anos.

 

O secretário-geral do clube de corredores de Taipei, Chen Heng-hua, que organizou a corrida, também disse que a maratona não faz bem à saúde das crianças.

 

Mas ninguém explicou como é que conseguiram levar o menino à prova e por que os responsáveis pelo evento não tomaram providências para que ele não fosse submetido a essa provação.

 

No Brasil, as organizações de maratonas exigem idade mínima de 18 anos para que alguém possa se inscrever oficialmente em uma prova do gênero.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h59

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Haile faz propaganda de uísque

Desapontamento

 

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, assinou contrato para se transformar em garoto-propaganda de uma marca de uísque. O corredor etíope recebeu US$ 100 mil.

Além de tornar mais polpudo o cofrinho de Haile, o contrato lhe rendeu críticas de fãs, que se disseram desapontados com a decisão do corredor. Também virou assunto em programas de rádio de Adis Abeba, com muita gente detonando a decisão, dizendo que o exemplo do maratonista, que é encarado como herói em seu país, vai influenciar negativamente a juventude.

 

Haile respondeu dizendo que jovens de 18 anos são proibidos de comprar bebida alcoólica, seja ou não propagandeada por ele.

“Se as pessoas ficam bêbadas, isso não é responsabilidade minha. Todos devem beber com responsabilidade”, afirmou o maratonista citado por agências de notícias.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h54

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São Silvestre entrega medalha antes da corrida

Inversão de valores

O Twitter e demais comunidades em que corredores brasileiros se encontram ferveram hoje depois que os organizadores da São Silvestre divulgaram uma inusitada novidade para a prova deste ano.

A medalha de participação, que premia o esforço do corredor, será entregue junto com o kit –antes, portanto, de o inscrito enfrentar os 15 km de asfalto, umidade, calor e subidas que caracterizam a São Silvestre.

A medida, afirmam os organizadores, tem como objetivo tornar mais rápida a dispersão pós-prova. No comunicado em que formaram a novidade, os organizadores dizem: “Com isso, ao final da corrida, o atleta poderá dirigir-se direto ao guarda-volumes pegar seus pertences e comemorar o final de ano com mais conforto”.

“São Silvestre #fail”, disse uma corredora, usando expressão comum no Twitter para indicar fracasso. Outros colocaram: #palhaçada e Ri-dí-cu-lo, para ficar apenas nas expressões permitidas em conversas de salão.

A comunidade da São Silvestre no Orkut abriu discussão sobre o tema, e todos os comentários publicados até a hora em que escrevo esta mensagem (foram poucas, apenas quatro) detonaram a iniciativa.

No Twitter, houve quem sugerisse que os organizadores entregassem logo o troféu para o Marílson, enquanto outro achou boa a idéia de correr a prova de costas... Também surgiu a proposta de um movimento concreto de proposta: um corredor sugeriu que os inscritos retirassem o kit (que também inclui camiseta, número do peito e chip de cronometragem), mas deixassem a medalha. “Fala que vc quer receber na Paulista, no pescoço, depois de completar a prova”, recomendou um tuiteiro.

Já Joel Leitão, que assina o blog Corredor Disciplina e se apresenta como “...advogado empresarial consultivo e contencioso”, fez valer sua experiência em direito e produziu um texto em que argumenta que a medida tomada pelos organizadores da São Silvestre é "ilegal, imoral e engordativa" (veja o texto AQUI).

Bueno, vamos ver como fica essa história.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h07

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Corrida da virada roda no centrão de São Paulo

Adeus, ano velho...

Se você, não contente em se esbagaçar no asfalto na calorenta São Silvestre, ainda quiser rodar alguns quilômetros para enterrar de vez este 2010 e entrar correndo em 2011, já há uma opção bem bacaninha (pelo menos, eu estou torcendo para que seja bem bacaninha...).

Vai rolar um treinão coletivo na virada do ano, em pleno centro paulistano. A corrida larga do viaduto do Chá às 23h45 do próximo dia 31, percorrendo alguns dos mais conhecidos pontos do centrão, num trajeto de cerca de cinco quilômetros.

Não vai ter medalha nem classificação, mas, para que as coisas fiquem mais organizadas, todos ganham camiseta do evento, que terá iluminação própria (alguns corredores levarão tochas). Por isso, é preciso se inscrever para participar (confira AQUI como fazer). A inscrição custa R$ 30 tanto para a corrida quanto para a caminhada (3km).

Já outra corrida bem divertida está com as inscrições fechadas, mas acho que vale a pena até ir assistir à festa. Trata-se da Drink & Run 2010, que, não fosse o pouco inspirado nome em língua estrangeira, talvez não merecesse nenhum reparo de folião com fôlego.

A farra se desenrola por um percurso de 5 km, que percorre bares da zona sul de São Paulo. Em cada parada, o corredor é obrigado a beber um chope (para mim, não ficou claro se é pelo menos um chope ou somente um chope).

De acordo com o regulamento, não há vencedores nem vencidos. Todos saem juntos, param juntos em cada boteco participante do evento (são cinco) e chegam juntos à festa de encerramento, no Bar Blá (av. Brigadeiro Luis Antônio, 5003).

 

A largada é às 12h30 do domingo próximo, dia 19, no bar Pracinha (rua Brás Cardoso, 342).

 

O regulamento, analisado sob o severo crivo de minha experiência, é muito adequado às especificidades dessa confraternização etílicopodista. Por exemplo, é proibido ligar para ex-namorado (a) ao final da prova, urinar em vias públicas ou sentar nos bares, onde a passagem é rápida, apenas para o tal chope obrigatório. Ah, também fica vedado ao participante dizer coisas como “eu te amo”, “eu te considero pra caramba” e “você é meu/minha irmã(o)” .

 

A má notícia é que, como disse antes, as inscrições estão esgotadas. No último lote, custavam R$ 200 para homens e R$ 120 para mulheres. Porém, dado o espírito folgazão que parece imbuir o povo que organizou o evento, quem estiver mesmo muito sedento e interessado talvez tenha chance de conseguir alguma vaga de última hora. Se você quiser tentar, o e-mail dos organizadores é contato@drink-run.com. Para visitar o site oficial, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h41

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Tentativa de tapetão na maratona de Honolulu

Fora da elite, direto para a vitória

Os organizadores da maratona de Honolulu não aceitaram a etíope Belainesh Gebre como corredora de elite, talvez porque ela nunca tivesse corrida antes uma prova de 42.195 metros. Mesmo sem o convite, que lhe daria direito a passagem e estadia grátis, a corredora, que mora no Arizona, nos Estados Unidos, decidiu tentar a sorte em terras havaianas.
Inscreveu-se como uma cidadã normal, ela e seu namorado, Ezkyas Sisay, e os dois se colocaram ontem na largada, usando números de atletas comuns. Com o 9670, Gebre largou ao lado do namorado e os dois deitaram o cabelo.
Ela passou o primeiro quilômetros em 3min35 e continuou firme e forte; no km 15, só a coelha Kaori Yoshida, do Japão, estava perto dela –atrás. Das corredores de elite, nem sinal.
Gebre tinha umas desvantagem em relação a elas: como não fora aceita com elite, não tivera o direito de colocar suas garrafinhas de hidratação especial em cada um das oito estações disponíveis para a elite. Para compensar, servia-se dos repositores energéticos levados pelo namorado em seu cinto de garrafinhas.
E assim a corredora etíope, que tem 1h09min43 na meia maratona e venceu suas cinco últimas corridas de rua, seguiu mandando ver. Mas cansou e, os poucos, a tricampeã Svetlana Zakharova, da Rússia, diminuiu a diferença.
Talvez os quilômetros mais lentos tenham servido para repor as energias da etíope, que acelerou firme no último quilômetro para manter a russa distante e vencer com 2h32min13 na sua estréia em maratona.
Zakharova não quis nem saber e entrou imediatamente com recurso pedindo a desclassificação da novata, porque ele teria recebido apoio ilegal, com marcador de ritmo particular e serviço de entrega de repositor energético.
De fato, essas são infrações às regras internacionais. Mas os organizadores da prova consideraram que, como a etíope não pode se inscrever como elite, e não teve direito às estações especiais de reposição, ela estava em desvantagem; o fato de ter recebido isotônico apenas nivelou a competição.
Ao fim e ao cabo, a vitória ficou com a vencedora, que levou US$ 40 mil; a russa ganhou US$ 16 mil.
No masculino, não houve confusão. Apesar do coelho de superelite –Patrick Makau, o maratonistas mais rápido deste ano--, o ritmo teve de respeitar o calor e a umidade de Honolulu.
O queniano Nicholas Chelimo, baseado na experiência de ter sido o segundo lugar no ano passado, segurou a onda e apertou só para se desgarrar da concorrência, terminando descansado em 2h15min18 (seu melhor tempo é 2h07min38). Também levou US$ 40 mil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h18

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A melhor corrida do mundo

Sub6min/km

Quando cheguei ao Pacaembu, no final da tarde de hoje, não queria nem saber qual seria o trajeto da nona edição da Corrida pela Cidadania, um prova beneficente, que arrecada fundos para o Projeto Arrastão.

Não me interessava se teríamos subida pela frente, se o percurso iria ser volta sobre volta num terreninho minguado, se ia chover ou se o calor iria aumentar, se faltaria água ou se haveria líquido em abundância. Só queria saber uma coisa: vai doer?

Minha última corrida havia sido no dia 4 de julho. Abandonei a maratona de Pacasmayo, no Peru, lá pelo km 23, depois de me arrastar por todos eles, com dores na lombar, no glúteo, no calcanhar e, principalmente, no espírito desanimado, humilhado, decomposto, esfarrapado.

Ao longo de mais de dois meses, passei por diversos tipos de tratamento, berrei em cama de hospital e dormi em maca de massagem, fiz caretas doloridas em alongamentos disformes, levantei pesos e ergui o corpo tentando criar uma fortaleza que não sentia.

No dia 21 de setembro, corri pela primeira vez desde a desdita naquela praia peruana. Foram cinco minutos, acompanhando minha filha mais velha num trotinho engatinhante que valeu mesmo pela companhia.

Rodo na bicicleta ergométrica, nado mal e porcamente, caminho o que dá, corro o que os médicos, os fisioterapeutas e as dores me permitem. Nessa batida, já tinha fiz três quilômetros sem parar, com alguma dor; quatro, sem nenhuma dor, cinco aguentando.

Comecei a pensar se já dava para encarar uma corridinha de 10 km, mas não falei para ninguém. Caminhar duas horas já forçava a lombar, as dores voltavam; trotar 40 minutos também ficava no limite da irresponsabilidade.

Quem sabe menos? Desde a semana passada venho conversando com o pessoal que me acompanha e orienta, pedindo licença para o corpo rodar (rolar?). Vamos lá, vamos experimentar, disseram todos.

Olha, me deu um nervoso que parecia coisa de estreia em maratona, ou da espera na coxia pela hora de adentrar o palco... Seriam apenas seis quilômetros, mas desde ontem vinha programando como seria o dia de hoje, passo a passo.

Caminhada pela manhã, descanso na hora do sol, almoço leve na hora certa, água, sucos... Não contava que iria ficar tão nervoso; quanto mais perto a hora chegava, mais vezes ia eu ao banheiro... Coisa de debutante.

Apesar desses percalços, minha cronometragem deu certo. Cruzei o portão do Pacaembu faltando cinco minutos para a largada. Deu apenas para fazer meia volta olímpica: mal cheguei à área da largada soou o tiro mando que partíssemos. Agora, enfim, eu iria saber: vai doer?

Doeu. Não tinha passado nem um quilômetro de prova, e o piriforme gritou. “Fica calmo!”, disse para ele, acelerando um pouco para esquentar mais rapidamente, tentando também enrijecer mais o abdômen, segurar o corpo no desequilíbrio constante que é a corrida.

A lombar não falou nada, estava firme e forte. Era melhor olhar para o chão, escorregadio depois da tempestade da tarde, mais o chuvisco de então. Só me faltava tomar um tombo... Fiquei me preparando até para cair direito, sem me quebrar muito...

Que nada! Não que o percurso não fosse propício a acidentes. Trajeto muito tinhoso, metade na praça Charles Muller, em frente ao Pacaembu, outro tanto nas dependências internas. Na praça, era um vai e volta, seguido por outro vai e volta para retornar ao estádio, no qual fazíamos uma volta pelo perímetro geral, com uma boa subidinha.

Passei o primeiro km com 6min24 e já fiquei me achando... Depois da dita subida, vinha uma descidinha, que aproveitei para apertar o passo, cruzando o km 2 com 12min20. Já estava melhor...

Vieram dores e passaram, mas cheguei até a quase ter aquela dor do lado, coisa de quem não sabe administrar as forças; mas percebi que vinha e tirei o pé...

Não muito, pois quando passei no km 5, minha média por quilômetro estava em 6min12, um ritmo que eu não fazia havia mais de seis meses. Eu me falei que dali não baixava e até acelerei um pouquinho.

Entrando no estádio, deu aquela emoção, fui passando gente, perdendo o fôlego, cuidando cada passo para não escorregar, que ali o piso era ainda mais perigoso, mas seguindo, de olho no pórtico do outro lado...

Há que abrir a passada, empurrar o chão, lançar o corpo à frente, mandar beijo para a Eleonora, que me vê da arquibancada (as fotos são dela), e cruzar a linha de chegada.

Sem dor, de olho no relógio: 35min40, sub6min/km nessa corridinha que, quem sabe, será a primeira de outras tantas.

Ou não. Há que ver. Que as dores voltarão, é certo. Mas já alonguei, daqui a pouco vou massagear com gelo o pé; continuarei com os exercícios, com o tratamento, com as doses homeopáticas de treino, de olho em cada músculo, no encontro dos ossos, no movimento das articulações.

O que vier virá. Mas será depois, mais tarde. Agora é já, e eu acabo de fazer a melhor corrida do mundo.    

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h27

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Veja como ficou o carro de Paul Tergat

Sobreviver foi “um milagre”

 

 

O Mercedes-Benz que o ex-recordista mundial da maratona dirigia ficou uma caca (foto Reuters) depois do acidente em que ele se envolveu quando dirigia rumo a Eldoret (400 km a oeste de Nairobi).

Paul Tergat, 41, disse que “foi um milagre” o fato de ter saído com vida. Mas, apesar do susto que levou e do estado lastimável em que ficou seu carro, Tergat está bem.

Levado a um hospital em Nairobi, já deu até entrevista coletiva à imprensa, além de receber visitas ilustres.

Com um curativo na cabeça e andando de muletas, por causa da bandagem na perna direita, o pentacampeão da São Silvestre contou como foi o acidente.

Disse que seguia tranqüilo pela estrada quando viu um caminhão parado. Quando tentava ultrapassá-lo, seu carro foi atingido por um caminhão que vinha no sentido contrário.

O corredor também agradeceu a todos que o ajudaram, começando pelos anônimos que o tiraram do carro até os médicos que o trataram no hospital em Nairobi. Ele ia para Eldoret participar do ensaio de uma cerimônia na Universidade Moi, onde receberia o título de doutor honoris causa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h28

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Paul Tergat sofre acidente e é hospitalizado

Agora está tudo bem

O ex-recordista mundial da maratona Paul Tergat sofreu um acidente de carro ontem, enquanto se dirigia para Eldoret, no Quênia. Teve de ser hospitalizado, mas já está melhor e deve receber alta amanhã, segundo informam agências de notícias do Quênia.

Tergat, cinco vezes campeão mundial de cross country, iria participar de uma cerimônia de premiação do esportista do ano no Kenyatta International Conferece Center. Deveria ir de avião, partindo de Nairobi, mas acabou não encontrando um vôo que lhe servisse. Por isso, decidiu pegar a estrada.

Seu carro foi atingido por um caminhão, e Tergat escapou com apenas um machucado na perna (as agências não informam a gravidade da lesão) e alguns hematomas.

Mesmo assim, ficou hospitalizado para observação, especialmente por causa do problema na perna direita.

No hospital, tem honras de celebridade (que de fato é). Recebeu a visita da ex-recordista mundial da maratona Tegla Loroupe, do ministro dos Esportes e de outros representantes governamentais.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h13

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Marílson enfrenta esquadra queniana na São Silvestre

Trio de ferro

Marílson Gomes dos Santos, melhor brasileiro na maratona e nos 10.000 m, terá forte oposição na São Silvestre: um trio de quenianos que vem papando títulos em provas complicadas e já ganhou experiência em correr  no Brasil.

Barnabas Kiplagat Kosgei e Mark Korir  fizeram dobradinha na 10 K Rio, no dia 28 de novembro, e na Volta da Pampulha, no último dia dia 5. Barnabas, que tem 24 anos e foi campeão mundial de cross country em 2007, venceu a prova mineira, seguido por Korir. Na semana anterior, no Rio, ficou em segundo, atrás do compatriota.

A esquadra africana tem ainda Mathew Cheboi, de 28 anos, que vemceu a Meia Maratona de São Paulo em 2007 e foi foi vice na Meia de Bologna, na Itália, no ano passado.

Nesta década, o Brasil registra três vitórias na competição, contra cinco de quenianos e uma vitória do etíope Tesfaye Ragassa. As conquistas brasileiras foram de Marílson, em 2003 e 2005, e Franck Caldeira em 2006.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h46

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Maratona de Jerusalém passa por território ocupado

Vereadores pedem boicote à prova

Três vereadores de Jerusalém mandaram carta à Adidas solicitando que a empresa suspenda seu apoio à primeira maratona programada para acontecer em Jerusalém. Eles dizem que o trajeto previsto para a corrida, marcada para março próximo, passa por áreas de Jerusalém Oriental que são consideradas pela comunidade internacional como território ocupado.

 “A rota da maratona deve ser mantida nos limites da Jerusalém de antes de 1967, até que a questão dos limites da cidade seja resolvida por meio de um acordo internacional”, dizem os vereadores Yosef Pepe Alalu, Meir Margalit e Laura Wharton, do partido Meretz, considerado de esquerda.

Os organizadores da prova, que é promovida pela prefeitura local, não deram muita bola para as críticas.  O vereador Elisha Peleg, do situacionista Likud, disse: “Uma pequena parte da prova passa por Jerusalém Oriental porque Jerusalém Oriental faz parte de Jerusalém; isso é um fato, não é uma questão política”.

Israel capturou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e mais tarde anexou o território, uma medida que não foi reconhecida internacionalmente. Israel considera Jerusalém sua capital eternal e indivisível, o que também não é ponto pacífico na comunidade internacional. O povo palestino deseja ver Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino.

A Adidas não se manifestou, segundo as agências internacionais de notícias.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h20

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Vem aí mais uma revista para corredores

De olho no desempenho

Pode ser que internet e leitores de livros eletrônicos estejam prejudicando a imprensa, mas, apesar disso, continuam pipocando as publicações impressas, de “carne e osso”, ou papel e tinta.

Mesmo empresas relativamente pequenas tratam de descobrir nichos que imaginam ser lucrativos.  É o caso da editora que publica a “W Run”, revista de corrida voltada para o público feminino.

Eu abomino o título, mas, pelas edições que vi, o conteúdo é bem interessante. Pois nem bem assentou a poeira do lançamento da revista, que ainda está em seu primeiro ano de vida, e a editora Eliane Verderio já prepara outra publicação.

A nova revista será voltada para corredores mais interessados em melhorar seu desempenho. Gente com um pouco mais de experiência e com um pouco mais de velocidade que a massa que frequenta as provas de dez quilômetros. Imagino que também procure atender aos veteranos velozes, uma categoria duplamente esquecida pelo mercado.

Em outros países, a imprensa procura responder  de alguma forma às necessidades desse grupo de corredores. O exemplo mais notável é a publicação norte-americana “Running Times”, que por longo tempo foi independente e acabou comprada pela Rodale Press, que edita a “Runner`s World”, maior revista de corrida do mundo.

Não sei dizer se a compra foi resultado do fracasso ou do sucesso financeiro da revista. O certo é que a Rodale manteve o título ativo, ainda que tenha dado uma repaginada na revista, que acabou ganhando um jeitão mais próximo ao da irmã mais poderosa.

Vamos ver como vai ser a publicação brasileira (que não tem nada a ver com a “Runner`s”, que fique bem claro). O projeto de Verderio deveria vir a público ainda neste final de ano, mas nem sempre o programado acaba se concretizando. A revista deve ser um pouco mais barata que as hoje nas bancas. O preço previsto é de R$ 8,90 (a confirmar), contra os R$ 14,90 da "W Run".

O título da publicação, até a última vez que ouvi falar, era “The Finisher”, coisa que não me agradou. Provavelmente, como acontece com a “W Run”, vai precisar de um subtítulo para explicar qual é o mote da publicação. Gostaria muito de ver novas revistas com títulos em português; afinal, já disse o poeta, “minha língua é minha pátria”.

De qualquer forma, como jornalista e como corredor, considero positiva a chegada de uma nova publicação. Que tenha vida longa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h51

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Maratonas no Oriente atraem dezenas de milhares de corredores

Números impressionantes

Cerca de 60 mil participaram ontem dos eventos realizados sob o guarda-chuva da Maratona de Cingapura, batendo todos os recordes locais de presença em uma corrida de rua.

Para a maratona propriamente dita, os números foram menores, mas nem por isso menos significativos: houve cerca de 20 mil inscritos, e quase 16 mil concluíram a prova, que foi disputada sob forte calor, como soe acontecer naquela região.

Essas condições fizeram com que os tempos vitoriosos não ofsse grande coisa. O queniano Mburu Mungara venceu com meros 2h14min32, que lembra tempos da maratona de S. Paulo, enquanto sua compatriota Irene Jerotich Kosgei fechou em 2h35min22. Cada um dos vencedores ganhou um prêmio de US$ 50 mil.

A multidão largou de três pontos diferentes, para tentar reduzir a muvuca, com a maratona tendo a partida na Orchard Road (foto Reuters).  A largada foi às 5h, uma boa medida para tentar fugir do calor absurdo que faz por lá.

Apesar das largadas separadas, houve muita confusão nos quilômetros finais de cada uma das distâncias (maratona, meia e 10 km), pois todos convergiam para o mesmo percurso, transformando a chegada numa imensa reunião de (quase) caminhantes.

Também ontem, mas na China, quase 20 mil pessoas tomaram as ruas de Xangai na tradicional maratona da cidade (confira AQUI fotos e comentários de um site local).

Essa multidão é café pequeno perto da que está sendo esperada para a maratona de Xiamen, logo no início do próximo ano.

A expectativa é que o evento, que inclui maratona, meia, provas de 10 km e 5 km, reúna mais de 80 mil pessoas, uma aumento de 30 mil em relação à deste ano. Quando escrevo essas linhas, já há mais de 52,6 mil inscritos.

A prova atrai também a elite, pois oferece prêmios de valor considerável: os vencedores levam US$ 40 mil cada um.

Neste ano, a prova ficou tristemente famosa, pois um grupo de estudantes chineses foi pego fraudando seus resultados. Eles queriam melhorar suas posições na prova, pois isso lhes daria benefícios no âmbito escolar. O ruim é que tentaram, o bom é que foram flagrados e desmascarados.

Para saber mais sobre o evento, confira o site oficial AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h10

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Brasil vai com time fraco para o Mundial de maratona

Questão de critério

 

Técnicos, cartolas e patrocinadores do atletismo vêm há algum tempo discutindo os critérios do país para selecionar as equipes brasileiras que vão participar de competições internacionais.

Falando especificamente da maratona, há quem diga que os critérios são muito lenientes, no que se refere ao masculino, e por demais rigorosos para selecionar as mulheres. Em fóruns de atletismo, as duas posições são igualmente condenadas.

Ser mole no masculino desincentiva a busca por marcas, argumentam alguns, e ainda por cima fica conivente com atletas que correm muitas provas e acabam estagnando, pois deixam de treinar e descansar o necessário.

Em contrapartida, ser por demais rigoroso com as mulheres acaba impedindo que elas ganhem experiência internacional e possam se desenvolver um pouco mais, dizem os mesmos analistas.

Bueno, esse negócio de tecnicalidades e avaliação dos corredores de elite está um pouco fora do meu bico, já que eu mal e mal vou conseguindo analisar minha própria corrida (ou falta de...). Mas, como tem gente de todo o lado dando pitaco, resolvi também enfiar no bolo minha colher torta.

E o motivo foi a maratona de Fukuoka, realizada hoje no Japão sob forte calor. Tanto que o vencedor, o marroquino medalhista olímpico Jaouad Gharib completou em 2h08min24, o pior tempo de um campeão daquele circuito desde 2005.
Para você ter uma idéia, Gharib completou o mesmo circuito em 2006 em 2h07min19 e então foi apenas o terceiro na prestigiosa competição, que chegou neste ano à sua 64ª edição.

O bicampeão mundial não teve de se esforçar muito para vencer hoje: na marca dos 15 km, um dos coelhos, talvez preocupado com o ritmo relativamente lento até então, resolveu dar um pique. Ninguém se animou a acompanhá-lo, com exceção do marroquino, que foi na boa, ficando só de olho e acabando sozinho em segundo um quilômetro depois.

Daí foi só cozinhar o galo –ou o coelho, que abandonou a prova antes do km 32, deixando o bicampeão mundial com liderança folgada. Atrás dele, porém, corria o drama, esquentado pelo solaço pouco comum nesta época.

O etíope Tekeste Kebede vinha forte no segundo posto, mas o russo Dmitro Baranovskyy seguia sedento em sua captura, enquanto o japonês Masato Imai defendia as honras da casa, tentando uma vaguinha no pódio.

Lutaram tanto que acabaram não tendo forças para se defender do ataque de outro russo, Dmitry Safanov, que acabou passando todos eles para tomar a prata em 2h10min12. Imai ainda tentou, mas acabou cedendo o posto para outro compatriota, Takayuki Matsumiya, que guardou as forças para a segunda etapa e também atropelou o ex-segundo pelotão para concluir em terceiro, cerca de 40 segundos depois do russo.

Esta foi a primeira prova para escolher o time japonês que vai participar da maratona no Mundial de Daegu, na Coréia do Sul, no ano que vem. De onde volto à questão dos critérios para a seleção brasileira para o Mundial.

Segundo documentos expostos no site da Confederação Brasileira de Atletismo, vão para Daegu os cinco maratonistas mais bem posicionados no ranking brasileiro, uma vez que a prova é válida também como Copa do Mundo, disputada por equipe.

Se a partida do time fosse, hoje, carimbariam o passaporte Marílson Gomes dos Santos, primeiro do ranking brasileiro com 2h08min46, e mais quatro corredores por certo muito esforçados e batalhadores, mas nenhum com resultado melhor do que 2h15. Se continuar assim, portanto, o time nacional será bem fraquinho.

Está certo que o Mundial provavelmente será disputado sob condições muito adversas, o que equilibra e dá chances a quem seja mais lento, mas tenha resistência. Mas há anos-luz de diferença, por exemplo, com os critérios de escolha, por exemplo, do time japonês.

Hoje, na primeira seletiva, nenhum corredor nipônico conseguiu vaga na equipe. Para um deles obter seu lugar, teria de correr em menos de 2h09min30. É contra esse tipo de seleção que o Brasil vai correr.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h40

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Algumas dicas para quem vai correr a Volta da Pampulha

Água, água, água

 

A Volta da Pampulha, corrida em Belo Horizonte em torno da lagoa da Pampulha, é uma das belas provas urbanas que o país oferece. Costuma ser, também, uma das mais quentes e, por causa disso, extenuantes de nosso calendário de provas de rua.

Neste ano, a situação não deve ser muito diferente. A temperatura mínima está prevista para 21 graus Celsius, e a máxima, para 28º C. A meteorologia também prevê pancadas de chuva para o dia. Se forem apenas chuviscos eventuais, não devem aliviar muito para quem estiver correndo forte.

Por isso, a maior preocupação dos participantes deve ser com a hidratação. Desde hoje, devem carregar um pouco mais na ingesta de líquidos, especialmente água.

Em geral, bebo de dois a três litros de água por dia, mas, quando próximo a provas como essa, a São Silvestre ou maratonas, passo para de três a quatro litros desde dois ou três dias antes da prova.

Amanhã, o corredor deve tentar descansar um pouco mais. Fazer um trote leve pela manhã, 30 a 40 minutos, e depois ficar de pernas para o ar. Aproveite para dar uma passa pela Mercado de BH, pois domingo a casa fica cheia e é um inferno tentar vaga em algum dos botecos mais tradicionais.

No dia da corrida, vá com calma. A prova é basicamente plana, ainda que exista pequenas ondulações. O principal, portanto, é o corredor saber do que é capaz e conseguir dosar as forças.

“Quem guarda tem”, dizia uma propaganda antiga, e assim é também com os nossos recursos físicos. Em geral, eu começo uns 15 a 30 segundos mais lento do que minha velocidade de cruzeiro, o que garante reservas para baixar bem nos quilômetros finais.

É bom beber água em todos os postos. Eu costumo tomar uns três goles de cada vez. Mais para o final, pegue dois copinhos e molhe um pouco as pernas, se o calor estiver forte. Mas tenha cuidado para não molhar os tênis (isso se a chuva já não tiver empapado tudo).

No ano em que corri, foi um temporal do início ao fim, com paradas intermitentes. Na época, então, o mais importante foi cuidar para não escorregar e levar um tombão.

Bom, outra coisa importante é pensar no almoço. Eu confiei nos tais botecos do mercado, fui me aprochegando lá pelas 14h e estavam todos lotados; daí voltei ao hotel para procurar uma dica de restaurante. Recebi indicação de um que seria o melhor mineiro da cidade, mas só cheguei ao dito cujo pelas 16h. Tinha faltado luz e água, o restô estava fechado. E todos os em volta também...

Acabei comendo sanduíche numa padoca lá pelas cinco da tarde, já verde de fome e xingando todos os donos de restaurantes mineiros...

Em compensação, o sanduba estava excelente, e o pãozinho de queijo da padaria, uma qualquer, na periferia da cidade, também foi um pitéu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h31

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Brasil ganha novo circuito de meias maratonas

Largada às 7h

Foi anunciado ontem, em São Paulo, um novo circuito de corridas de rua, este só de meias maratonas.

Serão quatro ao longo do ano, em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília.

Os organizadores prometem percurso plano e rápido, mas não divulgaram ainda os circuitos. Tomara que não fiquem na já conhecida mesmice (durante o lançamento, alguém perguntou se a meia no Rio seria no Aterro, onde tudo acontece).

A melhor novidade dessas provas é o horário de largada: de acordo com a promessa, as partidas de todas elas serão às sete da manhã. Resta ver se eles vão cumprir o prazo e se não vão fazer um acerto, muito comum: a largada às 7h fica para a elite feminina ou cadeirantes, e o povão espera até o sol queimar o lombo da massa.

Vai haver medalha diferente para os mais bem colocados, mas faltou anunciar alguma medida que transforme efetivamente esse grupo de provas em circuito. Algo como premiação ou incentivo para quem correr todas ou um ranking que leve em conta as colocações obtidas em cada evento.

De qualquer forma, me parece uma boa iniciativa. Provas nessa distância começam a pipocar no país. Além das já conhecidas no Sul e Sudeste, há mais em Goiás, Tocantins e houve um circuito bem legal no Nordeste. Ainda não sei se vai rolar no ano que vem, mas tomara que sim.

Todas elas, porém, deverão perder  em brilho e charme para a Corrida  da Ponte, meia maratona que está prometida para abril no Estado do Rio de Janeiro. É desafio para ninguém botar defeito, pois o percurso programado é nada menos que a ponte Rio-Niterói.

Se até lá eu já estiver liberado pelos médicos e correndo sem dor, vou colocar essa aí no meu calendário.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h08

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Filme sobre Abebe Bikila tenta indicação ao Oscar

Etiópia estreia na Academia

Pela primeira vez na história, uma produção da Etiópia concorre a uma indicação para disputar o Oscar de melhor filme estrangeiro. “The Athlete” é baseado na história do sensacional Abebe Bikila, primeiro atleta da África negra a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, ao vencer descalço a maratona em Roma-1960.

Além da Etiópia, outros 64 países inscreveram filmes para concorrer à indicação (o Brasil participa com “Lula, Filho do Brasil”, de Fábio Barreto. Os indicados, que disputarão a estatueta, serão conhecidos no final de janeiro próximo.

Os brasileiros tiveram uma oportunidade de ver “O Atleta” durante a recente Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Eu adorei, mas acho que qualquer corredor iria apreciar o filme, que é dirigido por Davey Frankel e Rasselas Lakew.

O filme conta a trajetória de Bikila, começando, é claro, por imagens da maratona de Roma, talvez a mais sensacional da história das Olimpíadas. Também não foge de mostrar a dolorida vida do atleta depois dos tempos de glória –sofrido, esquecido, criticado por seus pares do Exército etíope, logo ele que, como militar, integrou a guarda pessoal do imperador Hailé Selassié (para muitos, ditador sanguinário, para outros, modernizador do país).

Não se trata de um documentário tradicional, ao pé da letra, pois não trabalha apenas com registros históricos e entrevistas (fotos Divulgação). Combina esses recursos com dramatização, com uma releitura da história de Bikila, interpretado, no filme, por um dos diretores, Rasselas Lakew, que também dividiu com Frankel a criação do roteiro e a produção.

Vê a história do corredor etíope, primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas em sequência (foi o campeão em Tóquio-1964, como calçado), pelo prisma do drama. Para meu gosto, tratou pouco dos treinos e das corridas, do entorno atlético, para focar na personalidade instável e, ao mesmo tempo, de vontade férrea e inabalável do homem que conseguiu voltar ás competições mesmo depois de um acidente que o levou a uma cadeira de rodas (onde jogou basquete...).

Nesse ponto, são muito bacanas as cenas do processo de recuperação e os momentos com a fisioterapeuta Charlotte, interpretada por Ruta Gedmintas.

Em contrapartida, faltou ao filme a faceta política, pois a vida atlética de Bikila se confunde com um rico e dramático momento da história da Etiópia e de suas relações com o mundo, muito bem abordado em uma das biografias do corredor, “Barefoot Runner” (o mais sensacional livro sobre corrida e corredores que já li).

Bom, se você não viu “O Atleta” durante a Mostra, há que torcer para que ele volte às telas brasileiras ou, pelo menos, que chegue em DVD. Por enquanto, confira abaixo o trailer do filme.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h36

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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