Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Cenas de Fabiana Murer brilhando em Nova York

Palco de luxo

A noite de sexta-feira foi mesmo um noitaço em Nova York, que deixou o frio lá fora e botou para derreter na pista no Madison Square Garden, onde aconteceu a 104ª edição do Millrose Games, competição de atletismo para lá de tradicional, como você pode perceber pela idade da dita cuja. Havia atletas do mundo todo, alguns dos melhores do mundo, dando show como a jamaicana Veronica Campbell-Brown (à esq. na foto do alto/EFE), que detonou a ex-campeã mundial dos 100 m Lauryn Williams (EUA) depois de ter deixado para trás a também norte-americana Miki Barber (abaixo/Reuters).

A competição teve também seu momento ternura, com a chegada das criancinhas à pista. Depois do tiro de largada, porém, a disputa para definir quem seria o Garoto Mais Rápido do Quarteirão não teve nada de infantil (France Presse).

 

Entre os adultos, a prova mais aguardada era a milha, em que o americano Bernard Lagat (segundo à esq., acima/EFE) era a aposta certa da torcida. Não contava, porém, com o vigor do etíope Deresse Mekonnen, que assumiu a dianteira e segurou a vantagem até o final, com os merecidos festejos (AP).

Todas as cenas acima são muito bonitas, mas não passaram de introdução para a apresentação do melhor da noite (na pouco isenta avaliação de

 um blogueiro brasileiro).

Fabiana Murer foi, viu e venceu nas terras gringas, estabelecendo em Nova York a melhor marca do ano. Acompanhe tomadas de seu salto vencedor, começando pelo impulso, ainda com a vara (acima/EFE).

Larga a vara, passa o bastão com folga e começa a descida (acima, fotos AP)...

Desce como quem já sabe que foi um bom salto e...

 

 ...festeja a conquista: 4m74, dez centímetros a mais que a segunda colocada (fotos Reuters). O técnico dela, Elson Miranda, não deixa a peteca cair e diz que foi pouco: "Foi bom estrear com uma vitória, mas ela poderia ter saltado mais. Estava bem. Talvez tenha estranhado um pouco o tablado do ginásio porque errou a corrida nas três tentativas que fez para saltar 4,84 m, depois de ultrapassar o sarrafo, na primeira tentativa, na altura de 4,74 m e ganhar a prova. Na primeira e na terceira tentativas em 4,84 m, passou direto na corrida. Na segunda fez, uma boa tentativa, mas não deu".

Quem ficou na torcida, porém, gostou. E bate palmas com Fabiana (Divulgação).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h43

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Conheça o herói da maratona mais demorada da história

Japonês cansado

Trago agora para você mais uma história que mostra as voltas que o mundo dá e que a maratona tem mais coisas para contar que centímetros e segundos...

Falo de um herói (ou seria anti-herói?) japonês, Shizo Kanakuri, que nasceu na última década do século 19 e se tornou, no alvorecer do século passado, um dos líderes do Japão nas corridas de longa distância. Supostamente, chegou a quebrar o recorde mundial da maratona, em 1911, mas a marca não consta dos registros oficiais, porque _também supostamente_ a prova não tinha a distância oficial. O certo é que ele correu a dita cuja em 2h32min45, tempo com o qual se classificou para a Olimpíada de Estocolmo, onde se desenrola a primeira parte da saga do corredor.

Para começar, ele tem de chegar até a Suécia, coisa que não era fácil naqueles tempos. Foram 18 dias de viagem, em que ele seguiu de navio e depois pelo trem transiberiano. Chegou a tempo de participar de todas as cerimônias e se alinho na largada da maratona, em um dia de sufocante calor para os padrões de estocolmo (os termômetros chegava a 32 graus).

Com a energia de seus 21 anos, Kanakuri foi prás cabeças, como se diz. Largou bem, sempre no pelotão de frente até pelo quilômetro 30, aquele maldito quilômetro do paredão, em que se esvaem as forças de quem não fez a correta reposição de energia --na época, as regras proibiam o abastecimento durante o percurso.... Pois a isso se somaram o cansaço da viagem e o calor infernal.

Shizo foi então diminuindo o ritmo até parar, exausto, à frente de um jardim na beira do caminho, onde uma família fazia um piquenique e assistia à corrida. Vendo o estado deplorável do atleta, a família convidou-o a beber um suco de frutas e descansar um pouco.

Shizo aceitou, sentou-se numa poltrona, e... pegou no sono. Quando acordou, a maratona já havia terminado. Morto de vergonha, ele pediu roupas emprestadas e fugiu para o porto, onde embarcou no primeiro navio para o Japão. Sendo ele o único dos 33 maratonistas a não ser localizado, foi registrado como desaparecido pela polícia sueca.

De fato, ficou na moita por algum tempo, mas continuou correndo e ainda participou dos Jogos de Antuérpia-20 (terminou a maratona na 16ª posição, em 2h48min45s4) e de Paris-1924, quando mais uma vez não completou a maratona.

Que gire a roda da fortuna.

Cinquenta anos e duas guerras mundiais depois do desastre de Estocolmo, um jornalista sueco, provavelmente fazendo pesquisa sobre os Jogos em seu país, redescobre a história do japonês dorminhoco e vai atrás de Kanakuri. O ex-atleta era então um professor de geografia aposentado, que vivia na cidadezinha de Tamana.

Conversa vai, conversa vem, ele acaba convidado para participar da maratona de Estocolmo, para tratar de terminar a tarefa interrompida. E lá se vai ele, nos idos de 1967, para terras suecas. Correu os quilômetros que faltavam e seu tempo total foi registrado como 54 anos, 8 meses, 6 dias, 5 horas, 32 minutos, 20 segundos e 3 décimos, a mais demorada maratona da história.

Morreu no dia 13 de novembro de 1984, aos 93 anos. 

PS.: Agradeço ao meu amigo Fábio Shiro Monteiro, que me chamou a atenção para a história de Kanakuri e até mandou um texto sobre o cara, com base no livro "Maratoneti", de Marco Patucchi; eu pesquisei mais um pouco e o resultado foi esse que você acabou de ler.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h40

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Recordista paraolímpico sofre primeira derrota em 7 anos

Rivalidade premiada

O supercampeão sul-africano Oscar Pistorius, dono de recordes paraolímpicos em provas de 100 m, 200 m e 300 m, sofreu hoje sua primeira derrota em sete anos na prova de altíssima velocidade.

Pistorius, que não tem as duas pernas e corre com próteses especiais que lhe valeram o apelido de Blade Runner, perdeu para seu arquirrival, o norte-americano Jerome Singleton, que sofreu amputação de uma perna.

Os dois completam a prova de 100 m em 11s34 na final do Mundial de atletismo paraolímpico, que está sendo realizado em Christchurch, na Nova Zelândia. O resultado oficial só foi conhecido depois de analisadas as imagens da chegada (photo finish).

"Isso é muito bom, é incrível!", disse Singleton, que não só encerra a série vitoriosa do sul-africano, mas devolve uma derrota igualmente milimétrica, ocorrida nos Jogos Paraolímpicos em Pequim, em 2008, quando chegou 0s03 depois do sul-africano na final dos 100 m (9.set.2008, foto AP). No ano passado, na Copa do Mundo Paraolímpica, a cena se repetiu, mas agora tudo mudou...

"Já era tempo de o ouro vir para os Estados Unidos", disse Singleton.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h24

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Nova homenagem ao garoto que correu contra o câncer

Salve, Terry Fox!

 

Bueno, eu sei que já falei dele por aqui várias vezes, mas creio que sempre é bom lembrar gente que abandona o seu mundinho mesquinho, pequeno e particular, para pensar nos seus irmãos todos que caminham pelo mundo. Estou me referindo a Terry Fox, o garoto canadense que foi vítima do câncer no início dos anos 1980 e saiu pelo país a correr, arrecadando fundos para pesquisas contra a doença.

Ao longo de 143 dias, ele percorreu 5.373 km pelo país e só parou porque o câncer, que o atingira nas pernas, voltou. Ele morreu em janeiro de 1981, um mês antes de completar 23 anos.

A meta dele era arrecadar um dólar de cada canadense para ajudar a sustentar a pesquisa. Até hoje, centenas de milhões de dólares já foram arrecadadas em campanhas que levam o nome de Terry Fox.

A história de Fox e de seu desprendido heroísmo é lembrada em filme ("Maratona da Esperança", já comentado neste blog) e em corridas pelo mundo todo --no Canadá, a próxima corrida com o nome dele será em setembro (leia mais AQUI).

Agora, o bravo garoto será homenageado com um novo memorial, esculturas que serão colocadas em uma praça em Vancouver, no Canadá. Na semana passada, houve uma cerimônia para apresentar à comunidade os esboços do monumento. Betty Fox, a mãe do corredor, compareceu ao evento (foto AP), realizado na praça Terry Fox, que será renovada e revitalizada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h03

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Veteranos que não correm podem ter treino grátis

Pesquisa com povo de 60+

Meu amigo, anote esta e passe para quem você acha que vai se interessar: o Laboratório de Biofísica da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo vai dar treino gratuito para um grupo de idosos sedentários (pessoas de mais de 60 anos que não praticam exercício físico).

A notícia é boa, mas infelizmente é para poucos: trata-se de uma pesquisa que, pelo menos no estágio atual de temperatura e pressão, vai trabalhar com apenas 60 idosos que não correm. Veteranos que correm também podem participar, mas o grupo deles será menor, com 30 integrantes.

Os voluntários não podem ter nenhum fator que os impeçam de andar e correr, como doenças ou alterações severas no corpo. Vão receber treinamento semanal por cerca de seis meses, envolvendo andar, correr e outras atividades. Também passarão por uma bateria de avaliações de sua saúde. Tudo gratuitamente.

Eu fiquei sabendo dessa história por uma mensagem que recebi de um dos coordenadores do projeto, Marcos Duarte, que é professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, onde coordena o Laboratório de Biofísica (saiba mais sobre os trabalho dos laboratório clicando AQUI ). Achei o projeto interessante e mandei para ele um monte de perguntas. A seguir, um resumo da entrevista.

+Corrida - O que é a pesquisa e quando será realizada?

Marcos Duarte - Em cerca de três meses, nós iremos iniciar um estudo sobre os efeitos da prática de corrida de longa distância em idosos. Essa pesquisa é parte de um projeto maior intitulado "Controle do Equilíbrio e Movimento em Adultos Jovens e Idosos Sedentários e Corredores".

Nesse projeto pretendemos realizar um estudo com idosos sedentários e avaliar idosos já corredores para entender melhor o efeito da prática de corrida de longa distância. Para tanto, nós vamos treinar dezenas de idosos sedentários semanalmente por cerca de seis meses, e eles passarão por uma minuciosa bateria de avaliações ao longo do período.

+Corrida - Como será feita a pesquisa e quantas pessoas serão escolhidas para participar dela?

Marcos Duarte - Por questões metodológicas, para poder compreender melhor o efeito do treinamento de corrida de longa distância, os idosos sedentários serão separados em dois grupos: um deles fará um programa de treinamento de andar; o outro grupo também começará com o programa de andar e, depois de alguns meses, passará para o programa de correr.

Podem participar mulheres e homens idosos, e não há idade máxima.

Pretendemos começar o treinamento com cerca de 60 idosos sedentários no total. Por causa do controle metodológico, haverá um sorteio para selecionar em qual grupo o idoso treinará. Após o final do estudo, os idosos que quiserem começar ou continuar a correr, receberão instruções e acompanhamento de nossa equipe.

Quanto aos idosos já corredores, pretendemos avaliar cerca de 30 deles.

Esses números podem ser maiores, se conseguirmos viabilizar patrocínios e colaboradores. Dada a grande importância da prática da atividade física pelo ser humano em geral e em particular pelo idoso, eu gostaria de ampliar o projeto e poder atender a todos os idosos interessados. Estamos em busca de parceiros, mas nossa realidade atual são esses números acima (60 idosos sedentários e 30 idosos corredores).

+Corrida - Quando os interessados poderão saber se foram selecionados?

Marcos Duarte - Por enquanto, estamos registrando todos os interessados em participar no programa de treinamento. No mês de março, faremos uma primeira entrevista por telefone para determinarmos quem se enquadra nos critérios técnicos para participar do estudo.

Então os idosos passarão por avaliação de saúde, que determinará se eles estão liberados para prática de atividade física.

Após essa avaliação, havendo mais interessados que vagas, a seleção será feita por sorteio (quer dizer, a gente não vai selecionar quem a gente acha mais apto para correr ou quem tem mais tempo livre ou saúde etc.; a seleção será por sorteio puro). Para os interessados que não poderem participar do programa desta vez, procuraremos dar instruções para prática de atividade física.

+Corrida - Haverá informações públicas sobre o desenrolar do projeto?

Marcos Duarte - O projeto terá blog, página no Facebook etc.. O laboratório estará de portas abertas todos os dias da semana para os participantes e pretendemos nos reunir pelo menos uma vez por semana (provavelmente no sábado de manhã na USP) para praticarmos a atividade física programada para cada um (nos moldes de equipes de corrida). Nossa base de treinamento será o campus da USP no Butantã mas os idosos poderão treinar onde quiserem.

+Corrida - Como os interessados podem obter mais informações e fazer suas inscrições?

Marcos Duarte - O e-mail para contato sobre o projeto é contato@demotu.org. O telefone é (0xx11) 3091-8735.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h40

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Garota de 15 anos corre maratona nos EUA

Adolescente enfrenta o deserto

Esta não aconteceu na China nem na Índia, onde criancinhas participam de maratonas e o fato é criticado por especialistas do mundo todo. Nos Estados Unidos, uma garota de 15 anos acaba de completar sua primeira maratona. É não foi nenhuma coisa plana em temperaturas agradáveis, mas a maledetta Running from an Angel, no deserto de Mojave, onde nesta época sopra um vento frio para danar.

Não se engane, pois, com a foto que ilustra esta mensagem (Arquivo Pessoal). Nela, Axenya Kachen, de 15 anos aparece durante uma prova cross country em Las Vegas, em pleno mês de setembro, com seu clima mais do que agradável.

A maratona, mesmo, ela fez agora há pouco, no dia 7 de janeiro, no parque em torno do lago Mead. É lá que, no verão, acontece a mais famosa Running from the Devil, evento que reúne maratona e provas de diversas distâncias. No mesmo formato, os organizadores passaram a fazer a Running from an Angel, no período invernal.

Até chegar a correr a maratona, tornando-se uma das poucas adolescentes a cumprir a distância em Nevada, a joven Axenya já havia corrido dúzias de provas de 5 km e sete meias maratonas. Ela começara a correr aos seis anos, acompanhando a mãe. Os pais, professores da Universidade de Nevada em las Vegas, são ambos maratonistas, já tendo, em conjunto, mais de 40 maratonas no currículo.

A família, pelo jeito, gostara de fazer com que a criançada comece cedo a pegar no pesado. A irmã mais nova de Axenya, Sheen Kachen, tem 12 anos e muitas provas de 5 km nas costas.

O que não torna as coisas menos complicadas, especialmente na prova escolhida para a estreia. Eu corri a meia maratona nesse evento, há três anos, e poso garantir que o percurso é destruidor, com longas subidas e descidas, tudo numa faixa de asfalto que corre no meio do nado. Você só avista uma paisagem lunar e sente o vento lhe queimar as orelhas o tempo todo; você cerra os dentes, aperto os olhos, e a dor de cabeça vai tomando conta de todo o seu ser.

Era mais ou menos isso o que estava acontecendo com a jovem Axenya um pouco depois da metade da prova. Ela se sentia prestes a desabar, desistir. Já se sentia alucinando, vendo garrafas de água e isotônico no ar gelado do deserto. Foi quando seu pai e um vizinho, em um carrinho de golfe, chegaram ao seu lado.

O pai lhe entregou um isotônico e passou a correr ao lado dela que, aos poucos, foi recuperando as forças e conseguiu completar. Fez sua estreia no mesmo evento em que sua mãe debutou em distância mais poderosa: 50 milhas (80 km).

"Quero que minhas filhas sejam duronas", disse Anjala, a mãe.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h15

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Veja só que bela corrida

Coisas de Espanha

As imagens a seguir mostram momentos da prova cross-country chamada Italica que, apesar do nome enganador, é realizada na Espanha, em Santiponce, localidade próxima a Sevilha.

O cenário é de deixar qualquer um de queixo caída, menos os corredores do Quênia, que tomaram todos os postos do pódio, no masculino e no feminino.

A quenianas Vivian Cheruiyot foi a vencedora e aparece aqui ladeada por suas compatriotas Linet Masai (dir.) and Pauline Korikwiang.

Também no centro, o campeão Leonard Komon está ao lado do vice, Mathew Kisorio (dir.), e de Hosea Macharinyang, que levou o bronze (fotos Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h28

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Até "Gandhi" aparece em maratona na Índia

Festa e muito calor

Com muito calor, como se espera de um belo dia na Índia, mais de 38 mil pessoas participaram hoje da Maratona de Mumbai, evento festivo que combina provas de várias distâncias e movimenta as ruas desta que é uma das maiores cidades do mundo em número de habitantes --aparece até em primeiro lugar, conforme o ranking que você consulte.

Para a maratona propriamente dita, porém, o pelotão representou menos de 10% da multidão; o grosso mesmo se dedicou a uma corrida de seis quilômetros, em que participaram artistas e celebridades locais, políticos e empresários.

Como acontece em muitas provas do gênero, houve quem corresse fantasiado, como o corredor que homenageou o grande líder pacifista indiano Mahatma Gandhi (na foto do alto, da Reuters, depois de completar o desafio).

A prova teve também a participação de corredores com necessidades especiais, como os cadeirantes da imagem abaixo (Reuters).

A cena da largada dá uma ideia da participação na maratona de Mumbai,...

... que atraiu um público bem razoável, como mostra esta cena (fotos Reuters).

E, apesar do calor, na casa dos 30 graus, o etíope Girima Assefa venceu com o tempo bem razoável de 2h09min54, que lhe daria o terceiro lugar na maratona de Nova York do ano passado.

Sua compatriota Koren Yal correu a distância em 2h26min56 para vencer no feminino, que teve um rola daqueles: as duas melhores indianas, que chegaram em cerca de 2h45, foram desclassificadas depois que se descobriu que elas "comeram" parte da rota.

Há registros delas passando pelo posto de controle do km 18, mas não no km 24,5. Ao que parece, seguiram o percurso da meia maratona e deixaram de realizar cerca de 9 km da prova. Há quem as acuse de tentativa de fraude, há quem diga que foi um erro azarento. O certo é que os duas nativas ganharam as honras de melhores indianas na competição.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h07

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Tuiteiros fazem corrida solidária

Apoio aos desabrigados do Rio

Um grupo de corredores que se comunica pelo Twitter está realizando até terça-feira o TwittersRunDay Solidário (ou #TWRDSolidario), uma ação para ajudar as vítimas dos estragos causados pelas chuvas na região serrana do Rio.

A idéia é combinar o gosto pelas corridas com o apoio ao povo atingido pela tragédia. A mecânica é simples. Cada um corre quanto quiser e doa R$ 1 para cada quilômetro percorrido nesses dias, depositando diretamente na conta da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro. Claro que, se puder, o corredor tuiteiro fará doações em valores maiores.

Haverá paralelamente o registro das quilometragens e das doações no site do grupo, que vai divulgar apenas o total arrecadado e o total de participantes da ação.

Além disso, HOJE será feito uma corrida em grupo, no Rio de Janeiro, para arrecadação de donativos. A concentração está marcada para as 18h, no Parque dos Patins, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Para mais informações, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h32

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Sombra de Zatopek completa 90 anos na ativa

Sorrindo e caminhando

 

Alain Mimoun, considerado o maior atleta francês do século 20, completou 90 anos no dia primeiro de janeiro festejando a França e caminhando. Para manter a saúde, o campeão olímpico da maratona de 1956, em Melbourne (Austrália), anda regularmente no parque de Tremblay, em Champigny-sur-Marne, a localidade onde vive, situada a 12,5 km a leste de Paris.

Nativo de El Telegh, na Argélia, Mimoun Ould Kacha foi desde a infância fanático pela França. "Ainda adolescente, eu sabia que meu país era do outro lado do Mediterrâneo", lembra. Ele tinha 18 anos quando a Segunda Guerra estourou, em 1939. Imediatamente, Mimoun se alistou no Exército francês e lutou quase até o final do confronto. Em fevereiro de 1944, na batalha de Montecastelo (onde lutaram também os militares brasileiros), sofreu um grave ferimento na perna, que esteve ao ponto de ser amputada.

Mas ele se safou. Poucos anos depois, em Londres (1948), os Jogos Olímpicos recomeçaram na Europa em reconstrução. Mimoun, então com27 anos, disputa os 10.000 m. No estádio lotado, ouve a multidão gritar "Zatopeck! Zatopeck!". Emil Zatopec ganha o ouro e Mimoun fica com a prata. A imagem do tcheco chegando em primeiro e do francês em segundo --com um semblante entre angustiado e resignado-- se repetiu muitas outras vezes em competições na década 40 até meados dos anos 50. Por isso, Mimoun passou a ser conhecido como a "sombra de Zatopeck".

Depois de Londres, na Olimpíada de Helsinque (1952), o francês ganhou prata nos 5.000 m e nos 10.000 m. Os ouros foram para Zatopeck, que também venceu a maratona, tornando-se o único atleta da história e conquistar tal feito..

Em 1956, na sua terceira Olimpíada, Mimoun já tinha 37 anos. Tinha sido inscrito para a prova de 5.000 m, mas se deu mal nas etapaas classificatórias, ficando com um mero 11º lugar. Em meio á decepção, surpreende a todos e diz querer disputar a maratona olímpica. Seus colegas o chamam de louco, pois não havia treinado para os 42.195 metros e não estava inscrito para a prova.

Mas ele corre. Na véspera sua filha Olimpia havia nascido. Com o número 13, enfrenta uma temperatura que chegou aos 38 graus centígrados _sem tomar uma gota de água durante todo o percurso! Quatro maratonistas desmaiaram na prova por causa do calor.

E ele ganha finalmente o ouro (nas fotos da France Presse, mostra a medalha conquistada e os sapatos que usou em Melbourne).

Zatopeck chegou exausto em sexto lugar. O supercampeão procura Mimoun para abraçá-lo e ouve do francês: "Emil, podes me felicitar, sou campeão olímpico". "Me alegro por ti, meu amigo", responde o tcheco.

Hoje Mimoun lembra seus dias célebres: "Foi um milagre. Eu tinha ganho sete quilos. Mas parecia que eu tinha ainda uma pequena chama interior. Um benfeitor do atletismo me havia dito: ‘Tu não estás terminado’".

Nas comemorações de aniversário, ele conversou com repórteres sobre o museu-escritório que mantém em Champigny-sur-Marne, onde mostra informações sobre a sua trajetória esportiva, sobre personagens da história francesa e sobre os papas João 23 e João Paulo 2.

Com quatro medalhas olímpicas, ele recebeu em 2008 uma medalha de honra da presidência da França. Nacionalista entusiasmado, faz questão de desfilar pela cidade com a bandeira tricolor nas datas mais importantes do país. Nesses momentos, diz, muita gente acha que ele é militar. Ele afirma não se importar com isso: "Eu quase perdi uma perna na campanha da Itália (na Segunda Guerra Mundial). (Esse patriotismo) não é de improviso, não é para parecer bonito. É um direito, que se faz por merecer. Tudo que eu ganhei na minha vida foi o reconhecimento da França".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h04

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Nike apresenta relógio com GPS

Bonitinho, mas insuficiente

Os três dias que passei fuçando as novidades em alta tecnologia apresentadas na Consumer Electronic Show, feira que terminou domingo em Las Vegas, renderam pelo menos uma boa novidade para o leitor deste blog: aumenta a oferta de relógios com GPS, capazes de calcular com boa precisão a distância percorrida em nossos treinos e corridas.

A Nike lança em abril, nos EUA e no Reino Unido, um dispositivo desse gênero, que eu pude manipular por alguns minutos em um evento paralelo à feira.

O aparelho, que terá distribuição internacional mais ampla a partir de junho, apresenta vários pontos positivos, a começar pelo elegante design _para o meu gosto, que pode ser bem diferente do seu, o relógio é bem bacaninha, e o tom cítrico berrante faz bom contraste com o preto que domina o conjunto. Além disso, é bem leve (66 gramas) e confortável de usar.

O GPS do Nike+ SportWatch GPS é da lavra da TomTom, conhecida empresa que atua no segmento de aparelhos de navegação para carros. Segundo o demonstrador que me mostrou o relógio, a precisão é de 99%, mas meu ceticismo jornalístico não me permite acreditar nisso sem testar o dispositivo ao vivo nas nossas selvas de concreto, em praias e montanhas.

O relógio vem com o Nike+ Shoe Sensor, que deve ser colocado no tênis e conta as passadas para calcular a distância percorrida. Pode ser usado como complemento ao GPS ou alternativa a ele, em lugares fechados ou em terrenos de difícil contato com os satélites.

Também gostei muito da forma de comunicação do relógio com o computador: em vez de cabos, tem um terminal USB embutido na pulseira (fotos de minha lavra). Basta dobrar a ponta da pulseira e aparece a lingueta eletrônica, pronta para ser conectada a seu computador.

A solução é simples e criativa, mas tenho minhas dúvidas quanto à sua perenidade. Pela minha experiência, esse tipo de vedação é insuficiente para evitar que o suor acabe por atingir os conectores eletrônicos. Depois de muitos quilômetros sob o sol brasileiro (às vezes, nem é preciso muito não), os líquidos despejados pele afora costumam detonar mesmo dispositivos digitais produzidos por fabricantes com maior experiência que a Nike nesse segmento.

Outro atrativo do Nike+ SportWatch GPS é o preço, que, segundo o representante da empresa que me mostrou o aparelho, deve ficar abaixo dos praticados pela Garmin mesmo nos dispositivos mais simples.

Para quem gosta de elogios, o relógio vem bem a calhar, pois o sistema comenta quando o corredor atinge distância inédita ou bate recorde pessoal nos 10 km ou na maratona.

Os comandos são bastante simples, efetuados com o uso de apenas três botões. Para acender a luz do mostrador ou gravar cada volta, basta dar batidinhas com os dedos no visor do aparelho.

E aí começam os problemas, que são bastante graves e fazem com que, para mim, o relógio perca todos os seus atrativos.

Essa história de registrar voltas com batidinhas na tela é caminho certo para dores de cabeça, raiva e violência inominável contra o pobre aparelho. Duas batidinhas viram 50, a força está errada, o sistema não entende direito e por aí vai.

Mesmo dando um voto de confiança ao relógio da Nike, assumindo de tudo funcione sempre com perfeição, esse negócio de o corredor ser obrigado a gravar suas voltas é coisa do passado. Uma das maiores vantagens dos dispositivos com GPS é exatamente sua capacidade de registrar voltas automaticamente, aceitando que você defina a volta em tempo ou distância para mim, esse é o recurso mais útil dos relógios do gênero que tenho usado.

O da Nike não só não tem isso, como também não permite que você descarregue os dados no seu computador. Para ver as informações na tela, você precisa necessariamente se cadastrar em um site da empresa, o Nikeplus.com. Tudo bem que o cadastro é gratuito e o serviço on-line apresenta ótimos recursos não só para a apresentação e contabilidade dos dados mas também para compartilhamento das informações com outros corredores. Mas eu gosto de ter mais controle sobre minhas informações e preferiria que o aparelho viesse também com software para gravação e uso local dos dados.

Enfim, com certeza o produto é bem-vindo, pois aumenta a oferta desse tipo de aparelho, o que talvez contribua para a redução do preço de relógios concorrentes (todos, na minha opinião, melhores e mais completos que o debutante da Nike). No entanto, seu custo-benefício é duvidoso, pois, ainda que seja mais barato que outros aparelhos do gênero, considero que a diferença de preço não compensa a pobreza de recursos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41

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Ruas de Las Vegas são amigas do corredor

Friozinho gostoso

Depois de dias e dias restrito a percorrer os imensos corredores da Consumer Electronics Show, feira de tecnologia em Las Vegas que estou cobrindo para a Folha (veja AQUI), finalmente consegui tirar um tempinho na madrugada de hoje para experimentar as ruas da cidade com passadas que lembram as de um corredor.

Pela primeira vez em mais de seis meses, corri sem dor durante uma hora. O calcanhar não gemeu, a panturrilha não chiou, o glúteo ficou quieto no seu canto e a maldita lombar ensaiou fazer alguma reclamação, mas acabou cedendo a um realinhamento do corpo que me permitiu seguir incólume treino adentro.

Sei que essa foi uma experiência traiçoeira. Uma vez parado, vou sentir falta de minha garrafinha gelada, usada para massagear os pés. E, com certeza, dentro de algumas horas, quando eu já estiver no vôo de volta para o Brasil, as costas vão começar a doer de forma absurda. Mas, enquanto nada disso acontece, eu aproveito.

Já vim varias vezes a Las Vegas, sempre a trabalho, e sem pejo lhe digo uma coisa: se você não conhece a cidade, mas pensa um dia dar um pulo por seus cassinos, não o faço, busque outro destino ou diversão.

Las Vegas não passa de uma Disneylândia para adultos problemáticos, cujo diagnóstico Freud com certeza faria sem problemas. Não vou entrar em muitos detalhes, mas acredito que especialistas em psicologia e comportamento podem explicar o que passa na cabeça dos que são seduzidos pelo néon e o som que rola no Strip, apelido da principal avenida de Vegas, onde ficam os hotéis e cassinos mais importantes.

Trata-se, como se sabe, de uma cidade de fachada, onde tudo é imitação, reprodução ou cópia. Até a sedução da luxúria e da devassidão é programada, prevista na legislação local, que permite o jogo e a prostituição, terreno em que pululam mulheres siliconadas, homens bombados e diversas categorias de transexuais, pansexuais e quejandos.

O melhor de Vegas é o fato de se tratar de um dos pontos de partida para aventuras e passeios pelo Grand Canyon, que infelizmente ainda não tive oportunidade de desbravar.

Em contrapartida, pude hoje experimentar as calçadas e avenidas da chamada Sin City (Cidade do Pecado). E vou lhe dizer: ainda que apenas as das avenidas principais sejam largas como as de Porto Alegre, as calçadas de Vegas são uma delícia para o corredor, especialmente um que vem do território minado de São Paulo.

Mesmo nas ruas mais distantes da avenida central as calçadas são planas, sem buracos nem outros obstáculos. É tudo parelhinho (exagerando, diria que dá para usá-las como mesa de sinuca improvisada) a um ponto que fica arriscado: você se acostuma com o padrão e, de repente, pode levar um tombo se aparece alguma surpresa.

Apesar de feitas em concreto, parecem não agredir minhas passadas, É bem verdade que estava usando hoje um recém-comprado par de palmilhas superacolchoadas, equipando um tênis de amortecimento que ainda está em boa forma (também eu praticamente não corri no ano passado).

Se exagero na avaliação das calçadas talvez seja porque gostei muito de meu treino sem dor, ainda mais porque a temperatura está em menos de dez graus, sem vento de monta, o que tornou meu passeio uma gostosura ainda maior (só depois de meia hora rodando firme é que consegui começar a suar).

Enfim, o treino de hoje me autoriza a pensar que em breve poderei estar voltando a correr provas de 10 km. Talvez isso pareça a você entusiasmo exagerado, mas é uma perspectiva maravilhosa para quem não vem correndo nada.

Aprendi, nesses meses de dor (que ainda prosseguem), a aproveitar o que der e, aos poucos, tentar ir melhorando. Não é que me contente com pouco, mas aceito o que vier e sigo em frente, com as passadas que me forem possíveis.

 

PS1: O blog ficou meio esquecido nos últimos dias devido ao intenso trabalho na CES, mas devo dizer que você e os demais leitores são sensacionais e, com seus comentários, ajudaram a manter este espaço atraente. Se você não conferiu os comentários feitos nas mensagens mais recente, recomenda que dê uma olha, pois são todos muito interessantes.

PS2: Alguns leitores reclamaram de eu não ter comentado a São Silvestre. Em primeiro lugar, acho que publiquei minha opinião, aqui e na Folha, sobre o que considerei mais importante, antes da prova: a tal história da medalha antecipada. Também procurei contribuir, aqui e nas páginas do jornal, com dicas para quem fosse correr a SS. Quanto ao noticiário pós-prova, a imprensa foi bem pródiga. Eu apenas acompanhei a prova pela TV e, como você, fiquei feliz com o desempenho dos brasileiros na contenda.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h39

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Wanjiru volta às boas com a mulher

Depois dos tribunais, ameaças a jornalistas

 

Um dia depois de ter sido levado à barra do tribunal, acusado de tentar matar sua mulher e seu guarda-costas, Samuel Wanjiru, campeão olímpico da maratona, voltou às boas com Tereza Njeri.

Ela o havia acusado de tentativa de homicídio. Segundo a acusação, Wanjiru teria chegada bêbado em casa na semana passada. Depois de discussão, teria apontado um rifle para Tereza e o segurança.

Vizinhos conseguiram apartar a confusão,  e a polícia levou o campeão olímpico, que foi ouvido no tribunal em Nyahururu (foto Reuters). Apesar de acusado de tentativa de homicídio, de agressão contra o segurança e de possuir armamento de forma irregular, foi liberado sob fiança.

Agora, familiares de Wanjiru e de Tereza disseram que os dois estão tentando ajeitar as coisas.  

O próprio campeão olímpico disse que o casal está novamente compartilhando os lençóis. Tereza disse que estão se reconciliando.

Mas há mais confusão.

Jornalistas locais que cobriram a audiência no tribunal de Nyahururu denunciaram à polícia que sofreram ameaças de morte. Eles afirmam que haviam recebido telefonemas anônimos ordenando que nada fosse publicado do caso; depois que a notícia saiu, a coisa passou para ameaças de morte.

O registro foi feito pelos jornalistas James Munyeki (The Standard), Thuo Gachina (K24), Lydia Mwangi (KBC), Peter Mwangi (Citizen) e Wanjohi Gakio (The Star).

A polícia prometeu dar segurança aos jornalistas, mas alguns deles resolveram procurar ares mais seguros, pelo menos por enquanto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h45

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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