Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Como fazer a limpeza de seu tênis de corrida

Pouca água, muita sombra

 

Manhã destas, me deparei com a bagunça geral de meus tênis largados banheiro afora e, enquanto me xingava pela desordem, atinei para a sujeira em que estavam virados meus calçados de corrida. Cabedais brancos encardidos de quilômetros e quilômetros sem água (ultimamente, nem tantos, pois as costas me impedem de correr o quanto eu gostaria), os coitados não brilhariam em nenhum concurso de beleza ou elegância.

Para deixar as coisas claras, gosto deles assim mesmo. Mostra que estão em uso, que labutam pelo bem de um corredor, que não são almofadinhas de ambientes imaculados e refrigerados. Costumo lavá-los de quando em vez, movido em geral antes por cuidados higiênicos do que estéticos.

Depois de correr em dia de chuva, por exemplo, cruzando por sarjetas imundas e mergulhando em poças malcheirosas, é mister dar um banho no pisante. Se estão por demais embarrados, também há que lavá-los. Sujeirinhas do dia a dia, porém, são suportáveis por semanas sem conta.

Será?

Fiquei teorizando que até era bom para os tênis ficar um bom tempo sem ver água. Na dúvida, resolvi consultar especialistas da Nike e da Asics, que muito rapidamente responderam a uma bateria de perguntas que formulei.

E calhou de os caras me darem razão.

“Lavar o tênis constantemente prejudica a durabilidade do produto, uma vez que a cada lavagem existe a perda/desgaste de certas propriedades do calçado”, diz a Asics.

E a Nike detalha a questão: “A lavagem acelera o desgaste, mas a forma como se limpa é que faz com que esse desgaste seja mais ou menos acelerado. O processo de esfregar, molhar-secar e torcer o calçado não é recomendado e pode acelerar o desgaste do cabedal e do sistema de amortecimento”.

Ok, até aí morreu o Neves, como se dizia quando eu era guri lá no Rio Grande. Concordamos todos. A questão é: qual a frequência desejável ou recomendada?

Dessa pergunta fugiram Asics e Nike, ficando ambas numa resposta mais impressionista e menos científica. Dizem que não há uma frequência específica, depende do uso etc. e tal, o que faz sentido. Depende também do estilo do usuário; há quem possa ficar incomodado quando o branco vira cinza ou se o calçado assume todo aquela inespecífica cor-de-burro-quando-foge.

Se você tiver de lavar, então, tudo bem, sirva-se. Mas, por favor, NÃO deixe seu tênis de molho. Quanto menos água melhor. Use sabão neutro e lave as palmilhas em separado, assim como os cadarços.

A Asics explica tintim por tintim a razão e o por quê dessa aquafobia: “Todo o calçado de corrida possui uma grande camada (normalmente na cor branca) que fica localizada entre a parte de cima do calçado e a sola. Essa camada é denominada de entresola e, de forma geral, é confeccionada em EVA ­--material que possui alto poder de amortecimento, auxiliando na redução do impacto. Esse EVA, quando em contato com a água, funciona como uma esponja, ou seja, ele absorve todo o líquido. Resultado: o calçado fica muito mais pesado e, ao longo do tempo, esse material perde as propriedades de amortecimento. Outro ponto que sofre com a lavagem é a parte de cima do calçado, denominada cabedal. O calçado de corrida normalmente é confeccionado em tecidos aerados, com reforço de materiais sintéticos especiais que oferecem maior conforto. Ao lavarmos o calçado constantemente, iremos desgastar esses materiais, causando a descostura, furo ou  até mesmo a perda do toque macio dos tecidos e materiais sintéticos”.

E a Nike orienta sobre os procedimentos: “Para limpar, deve-se usar um pano ou esponja macia úmida com água fria e com sabão neutro. A limpeza deve ser feita somente na parte externa. Para retirar o sabão, o correto é utilizar outro pano úmido. Nunca se deve enxaguar o tênis na torneira. O ideal é usar o mínimo de água possível. O uso da máquina de lavar não é recomendado e também pode acelerar o processo de desgaste.

Para reduzir odores de transpiração, é recomendado deixar o calçado descansar em local arejado e na sombra por 12 horas logo após o uso. As palmilhas podem ser retiradas”.

  Enfim, qualquer que seja sua opção, siga feliz pelas trilhas da vida.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h23

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Mais de mil correm de graça na periferia de São Paulo

 

Lugar na maratona

 

O Circuito Popular de Corridas de Rua continua firme e forte. Em pleno domingo de Páscoa, mais de mil atletas participaram da etapa de Parelheiros. Como todas as demais do circuito, a prova de 5 km foi gratuita.

Além da diversão para a turma toda, o povo do pódio ganhou prêmio especial: do primeiro ao terceiro colocado, no masculino e no feminino, todos ganharam vaga para integrar o pelotão C da Maratona de São Paulo, que será realizada no próximo dia 19 de junho.

Parelheiros, para quem não sabe, fica no extremo sul de São Paulo, a cerca de 40 km da praça da Sé. Além da distância, a chuva complicou as coisas para quem pretendia participar da corrida, mas, mesmo assim, segundo os organizadores, chegaram corredores de Diadema, Taboão da Serra, Capão Redondo e Itapecirica da Serra.

"Saímos do Capão Redondo antes da 5h da manhã com dois ônibus e 92 atletas. Por ser gratuito, é um evento que conseguimos colocar quase 90% dos nossos atletas do projeto social", disse Neide Santos, coordenadora do projeto Vida Corrida, que tem de 300 participantes.

Com a vitória e a vaga na maratona, Marcelo José da Silva, de Taboão, agora quer aparecer na TV. Pretende mandar ver na maratona, tentando liderar pelos quilômetros iniciais. "Em 2007, fui o líder da prova, mas não deu para seguir o ritmo", lembra ele, que se dedica mais a provas de até 21 km.

Além das vagas para a maratona, a corrida também abriu caminho para a participação na prova de 10 km que é realizada em paralelo à maratona de São Paulo.

As etapas de maio do Circuito Popular de corridas de Rua de São Paulo também darão vagas na maratona. Elas serão realizadas em Guaianazes, no dia 8; no Butantã, no dia 15, e na Freguesia do Ó, no dia 29. Para saber mais, clique AQUI.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h59

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Morre Grete Waitz, multicampeã de Nova York

Lenda norueguesa

Morreu hoje, aos 57 anos, Grete Waitz, uma das maiores maratonistas da história.

A corredora norueguesa estreou nas maratonas em 1978, com vitória em Nova York e recorde mundial. E lá fez seu nome: venceu a prova nove vezes, recorde absoluto no masculino e no feminino.

Ela já lutava havia seis anos contra um câncer e estava agora hospitalizada em Oslo, onde morreu na madrugada de hoje.

Para falar sobre ela, convidei uma das pioneiras da maratona no Brasil, Eleonora Mendonça, que representou o país na primeira maratona olímpica feminina, em Lós Angeles, em 1984, e que cruzou com Waitz várias vezes ao longo de sua carreira.

Eis o texto enviado por Eleonora, a quem agradeço a participação neste blog.

 

“Ao longo de seis anos no cenário atlético, nossos caminhos cruzaram muitas vezes e hoje relembro alguns que marcaram:

--em sua primeira maratona, foi um orgulho na premiação partilhar com ela o meu quinto lugar e que foi também a minha melhor marca (2h48min45);

-- quando presidi o Comitê Internacional de Corredores (C.I.C.),  em 1979, Grete inspirou e fez lobby para que o Comitê Olimpico Internacional incluísse a maratona feminina nos Jogos Olímpicos;

--na Olimpíada de Los Angeles-1984, a dupla vitória, sua medalha de prata e o resultado dos esforços do C.I.C.; o meu orgulho de ter sido a representante do Brasil na primeira maratona olímpica feminina.

 

“Além dos sucessos em maratonas ( venceu também Londres em '83 e '86), Grete foi cinco vezes campeã mundial de cross country e duas vezes quebrou o recorde mundial de 3.000 m.(1975 e 1976).

 

“Grete foi uma das mais notáveis corredoras da história,  conquistando as distâncias em pistas, em campos e no asfalto/nas ruas.

 

“Com a mesma dedicação e perseverança que marcou sua carreira atlética, Grete se empenhou na luta contra o câncer, estabelecendo em 2007 uma fundação visando a prevenção e o tratamento.

 

“`Sem procurar atrair atenção para a sua doença, ela trabalhou incessantemente em ajudar aos outros na luta contra o câncer. Ela acreditava que o exercício poderia prevenir a doença e melhorar a qualidade de vida daqueles já afetados´, diz um comunicado da fundação.

 

As palavras de Lamine Dieck, presidente da Federação Internacional de Atletismo, reverenciam quem foi Grete Waitz (na foto AP, de 1994, durante uma homenagem recebida em Nova York): `Uma das chamas mais brilhantes da era atlética moderna`.”

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h09

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O debute mais rápido da história

Criado no cross country

 

A maratona de Boston de hoje não viu apenas a melhor marca da história, estabelecida pelo queniano Geoffrey Mutai, que fechou em 2h03min02. No asfalto da mais antiga maratona de mundo, aconteceu hoje também a mais rápida estreia em uma maratona.

E não foi pocaporquera, não, como a gente diz lá no Rio Grande. O estreante Moses Mosop, de 25 anos, deixou no chinelo nada menos que o recorde mundial do sacrossanto etíope Hailé Gebrselassie.

Mossop, que tem sua carreira forjada nas durezas do cross country, foi talvez a  grande motivação para que o recorde fosse alcançado. Nos quilômetros finais, disputou palmo a palmo a liderança com seu compatriota, chegando mesmo a assumir a frente em alguns momentos.

Olhando pela TV, eu tive a impressão de que ele poderia até ter sido mais agressivo, mas segurou as pontas por tremer o desconhecido, aquelas centenas de metros finais que parecem uma eternidade.

Mesmo assim, manteve o fogo em cima de Mutai e bufou na nuca do rival enquanto pôde 9foto AP). Completou em 2h03min06, mais de 50 segundos abaixo do recorde mundial de Hailé.

Mosop foi prata no Mundial de 10.000 m em 2005 e no Mundial de cross country de 2007, quando correu os dois quilômetros finais sem um dos tênis. Foi campeão da meia de Stramilano no ano passado, com 59min20.

Quarto de nove filhos de uma família de agricultores que vive em Kamasia, é casado com Florence Kiplagat, que também debutou em Boston hoje e não conseguiu completar a prova. O casal tem um filho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h01

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Geoffrey Mutai, do Quênia, corre maratona mais rápida da história

2h03min02

 

 

O queniano Geoffrey Mutai, 29, correu na manhã de hoje, em Boston, a maratona mais rápida da história.

Depois de uma sensacional disputa com seu compatriota e estreante em maratonas Moses Mosop, Mutai deu uma arrancada poderosíssima para completar a prova em 2h03min02.

Derruba assim a longa supremacia do etíope Haile Gebrselassie, que foi o primeiro homem a correr a maratona em menos de 2h04 –sua marca é de 2h03min59.

Até agora, a melhor marca de Mutai era de 2h04min55 , obtida em Roterdã.

O recorde de Mutai, no entanto, não deve ser referendado pela IAAF (a Fifa do atletismo) porque o percurso da maratona de Boston não se enquadra nos critérios de trajetos elegíveis para o recorde.

Há várias razões. As colinas de Boston, por exemplo, que tornam o percurso mais difícil do que as provas de Berlim, Chicago ou Londres, são consideradas também fator de vantagem, por causa das descidas e eventual apoio do vento.

Além disso, para ser referendado para recorde, o percurso deve ter chegada e largada a uma distância inferior à metade do trajeto total. A diferença entre as altitudes dos pontos de largada e chegada também é levada em conta.

Historicamente, a USA Track&Field (A CBAt dos Estados Unidos) não reconhece como recordes marcas obtidas em Boston.

Azar é deles. O fato é que Mutai tirou hoje uma diferença de quase um minuto em relação à marca de Haile Gebrselassie. Se os dois estivessem correndo juntos, Mutai terminaria a prova cerca de 300 metros à frente de Haile.

 

A prova feminina também teve uma final sensacional, com uma norte-americana parecendo capaz de conquistar o título pela primeira vez neste milênio.

Desiree Davila chegou a liderar no último quilômetro e, depois de ser superada pela queniana Caroline Kilel, com quem vinha duelando por quilômetros, ainda ensaiou uma arrancada.

Levantou a massa, mas não foi o suficiente, porque levou o troco de novo e, dessa vez, não teve forças para reagir. Terminou a prova dois segundos atrás da queniana, que fechou em 2h22min36.

O esforço da queniana foi tão brutal que, depois de cruzar a linha de chegada, ela se jogou ao chão e lá ficou por alguns segundos, até ser atendida por alguém da organização. Ela se levantou com dificuldade, mas logo estava toda sorridente para receber os louros da vitória.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h56

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Geoffrey Mutai, do Quênia, faz a mais rápida maratona da história

2h03min02

 

 

O queniano Geoffrey Mutai, 29, acaba de quebrar em Boston o recorde mundial da maratona --ao que parece, porém, o recorde não será oficializado. De qualquer forma, ele acaba de correr a mais rápida maratona da história.

Depois de uma sensacional disputa com seu compatriota, o estreante Moses Mosop, Mutai deu uma arrancada poderosíssima para completar a prova em 2h03min02 (tempo não oficial).

Derruba assim uma longa supremacia do etíope Haile Gebrselassie, que foi o primeiro homem a correr a maratona em menos de 2h04 –sua marca é de 2h03min59.

Até agora, a melhor marca de Mutai era de 2h04min55 , obtida em Roterdã.

Fique atento que logo trago mais informações.

O recorde, porém, não deverá ser ratificado pela IAAF (a Fifa do atletismo), por causa das diferenças de altitude do percurso, ainda que ele será muito mais difícil do que o das maratonas de Berlim ou Chicago. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h13

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Corrida da ponte Rio-Niterói foi show de bola

 

Cidade maravilhosa (e quente)

 

Corredores desmaiando no asfalto, gente pedindo ajuda, outros sofrendo para se arrastar até o final. Esse foi uma parte da experiência de quem participou ontem da Corrida da Ponte, que fez a travessia Rio-Niterói, tendo o privilégio de desfrutar uma das mais belas paisagens do mundo.

O engenheiro de produção RODRIGO DAMASCENO, que tem apenas 27 anos, mas é um experiente corredor (11 meias e 25 maratonas no currículo), foi um dos participantes da corrida, que combinou momentos gloriosos e dramáticos.

Ele mandou a foto do alto e um bom relato, que transcrevo a seguir.

 

“Pontualmente às 8h foi dada a largada, que seguiu um fluxo bom, sem atropelos, pelas ruas de Niterói. Nessa cidade, corremos no único trecho verdadeiramente plano da corrida até adentrarmos à ponte pela contramão. A reversão de sentido é feita na altura do 3º km por uma passagem por baixo da ponte, que tem uma inclinação bem difícil, tanto na descida quanto na subida.

 

“A estrutura da corrida era muito boa. Duas das quatro pistas sentido Rio eram exclusivas para os corredores, uma terceira era exclusiva para a organização e seus veículos de apoio.

 

“Corredores acabaram ocupando essa faixa, colocando-se em situação de risco devido à proximidade da quarta pista, que era a única aberta ao fluxo constante de carros.

 

“Correr na ponte Rio-Niterói é uma experiência única. Primeiro porque é um cenário onde a grande maioria dos inscritos nunca tinha corrido, segundo pelo visual magnífico que se tem lá d e cima e terceiro pela grande dificuldade do percurso. Ou você está subindo ou está descendo. Alguns poucos trechos aparentam ser planos, mas são falsas impressões já que a inclinação não é grande.

 

“Ao final da ponte (na altura do km 15), entra-se no viaduto do Gasômetro, no Elevado da Perimetral, que liga a ponte até o Aterro do Flamengo, ponto final da corrida.

 

“O elevado treme muito devido ao fluxo de carros abaixo dele, o que torna a corrida ainda mais difícil. Como ele foi projetado para carros e não pessoas, sua estrutura não é nivelada, fazendo com que todos corram meio tortos.

 

“Dali até o Aterro são mais 6 km de muito sobe e desce, onde se via uma quantidade muito acima do comum de pessoas passando mal seja por insolação, exaustão ou desidratação. A ambulância não parou de trabalhar e estava sempre ocupada.

 

“A chegada era apoteótica, algo pouco comum nas corridas daqui, com grande torcida de pessoas que estavam lá para acompanhar a chegada de seus conhecidos, mas que aproveitava para torcer para aqueles que não conheciam, o que tornava a chegada ainda mais emocionante.

 

“É bom cruzar a linha de chegada com as pessoas te dando parabéns e te incentivando. A medalha que recebemos ao final é bem bonita, trazendo marcada nela a data e as cidades em que a corrida aconteceu: Rio-Niterói. Ela é nova na minha coleção, mas já é uma das que tenho mais carinho.

 

“A corrida foi excelente, mas teve alguns aspectos negativos que precisam ser melhorados para uma próxima edição: a água distribuída estava em alguns pontos quente, não havendo a possibilidade de se pegar um copo de água gelada.

 

“No km 12, o posto d’água tinha locais de entrega de água dos dois lados, mas não havia água do lado esquerdo, o que gerou um fluxo grande de pessoas indo da esquerda para a direita, provocando alguns encontrões.

 

“O isotônico entregue no km 16 também estava quente. Para facilitar a entrega da bebida, a equipe acabou ganhando um voluntário inesperado: um PM que fica num carro ali de plantão abria as embalagens com um facão que ele possuía, ajudando assim o trabalho dos voluntários.

 

“O único erro grave foi percebido a uns 500m dali: uma pessoa que estava passando muito mal estava encostada na mureta, com a ajuda de um apoio e de um corredor.

 

“O apoio berrava pelo rádio que estava esperando a ambulância havia mais de 30min, o que não era exagero, já que um amigo meu que corria mais a frente se deparou com o mesmo corredor já passando mal. Uma equipe de resgate não pode deixar uma pessoa esperando por 30min."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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Haile começa bem o ano

Agora é ir a Londres-2012

Depois de meses de desapontamentos, em que os treinos acabaram solapados por acidentes, resultando em desistência de competições, o recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, finalmente aparece bem em uma prova internacional.

Na meia maratona de Viena, realizada hoje, ela largou dois minutos depois da elite, mas alcançou o pelotão em 34 minutos e acabou vencendo em uma hora e 18 segundos (foto EFE).

"Eu estava pretendendo fazer em menos de uma hora, mas tudo bem. É um bom tempo de qualquer forma", disse o campeão.

O principal foi a demonstração de que está em condições de voltar seus olhos para o objetivo principal: estar na maratona de Londres em 2012. Ele tem dois ouros olímpicos, ambos nos 10.000 m.

Recordista mundial na maratona, quer também a glória olímpica nessa prova.

"A preparação terá de ser muito séria", disse ele. "Posso correr a maratona de Berlim ou outra prova. O meu maior problema é conseguir me classificar, uma vez que há tantos corredores etíopes de altíssima qualidade".

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

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Marílson chega em quarto na Maratona de Londres

 Conquista da melhor marca

 

Numa prova sensacional, o brasileiro Marílson Gomes do Santos baixou em mais de dois minutos sua melhor marca ao chegar em quarto lugar na Maratona de Londres. Ele cravou 2h06min34 ao final de uma corrida em que esteve sempre no primeiro pelotão, deixando para trás o ex-campeão da prova e favorito ao título Tsegaye Kebede.

Até o km 30, a turma da elite correu em bloco, com nove ou dez atletas no pelotão, e Marílson sempre na rabeira, acompanhando a chefia e cozinhando o galo.

Quando os coelhos abandonaram o asfalto, a coisa esquentou. O bloco de liderança foi aos poucos ficando menos compacto e se dividindo. Marilson (Fotoarena/Folhapress) continuou no primeiro grupo, sempre no último posto, que agora já era o sexto.

Na frente, o etíope Kebede duelava com os quenianos Martin Lel, Patrick Makau e Emmanuel Mutai, medalha de prata no último Mundial.

Mutai (foto FP), também segundo no ano passado em Londres, estava decidido a não ser bivice e mandou ver. Ninguém o acompanhou, mas a investida deixou ainda mais magro o primeiro pelotão. Kebede, que tinha prometido bater o recorde da prova, ficou para trás e Marílson assumiu o quarto posto.

Makau ainda deu um sustão em Lel quando faltava cerca de 1km para o final, mas o experiente tricampeão de Londres, que volta de uma cirurgia, ficou bufando na nuca do compatriota até os metros finais, quando ligou o turbo e arrancou para fechar em segundo.

O primeiro posto foi de um insuperável Emmanuel Mutai, que não só se desgrudou da pecha de vice mas também quebrou o recorde da prova ao completar em 2h04min40, deixando longe a marca anterior –-2h05min10, de Sammuel Wanjiru, há dois anos.

No feminino, a queniana Mary Keitany (foto FP) também deu um show, mostrando que é possível correr sozinha e ser rápida. Em sua segunda maratona, a recordista mundial da meia maratona baixou seu recorde pessoal em dez minutos, completando a prova em 2h19min19 depois de se desgarrar do primeiro pelotão e correr soberana por mais de um terço da prova.

A campeã do ano passado, a russa Liliya Shobukhova, fez um boa prova, cabeça, mas nem tentou acompanhar o ritmo da líder, talvez pensando que a queniana fosse quebrar. Não quebrou, e a ex-campeão acabou em segundo lugar, que chegou a estar ameaçado em alguns momentos pela queniana Edna Kiplagat. 

Depois da prova, Marílson reafirmou a confiança que tinha em seu treinamento: "Eu estou muito feliz. Queria muito essa marca porque eu sabia que as 2h08 não eram para mim. Eu sabia que tinha condições. E nessa maratona, que é mais rápida que a de Nova York, eu consegui".

Também comentou a estratégia que adotou ao longo da corrida, de ficar próximo aos líderes sem disputar a frente: "Decidi manter o meu ritmo, porque comecei a pensar no tempo. Achei que eu não deveria seguir o pelotão para não correr o risco de quebrar nos quilômetros finais. Eu senti cansaço nos dois quilômetros finais e aí percebi que tinha feito a coisa certa. Se eu tivesse insistido, talvez minha marca não tivesse saído. Foi uma prova muito boa".

Eu tuitei a prova toda. Se você quiser acompanhar os detalhes e as passagens do masculino e do feminino, confira o arquivo da cobertura ao vivo AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h50

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Maratona de Londres terá transmissão ao vivo

Na TV e no Twitter

Mais uma programão imperdível para corredores madrugadores.

A SporTV vai transmitir no início da manhã deste domingo, 17 de abril, a maratona de Londres.

A transmissão começa às 5h, horário de Brasília, e eu vou acompanhar tudo fazendo meus comentários e passando informações pelo Twitter.

Meu endereço no Twitter é twitter.com/rrlucena. Se você já estiver no microblog, basta procurar por @rrlucena. Ou simplesmente clique AQUI.

Como você já viu neste blog, a prova deverá ser das mais emocionantes, como muita competição nos pelotões masculino e feminino.

No masculino, basta lembrar que o campeão Tsegaye Kebede, etíope, quer não só derrubar o recorde da prova, que perdeu por nove segundos, como também beliscar a marca mundial da maratona, de propriedade exclusiva de seu compatriota Haile Gebrselassie.

Além disso, a torcida brasileira pode acompanhar a tentativa de Marílson para melhorar sua marca. Ele não fala em público, mas claro que seu objetivo é um dia derrubar a maravilhosa marca de Ronaldo da Costa, que bateu o recorde mundial em berlim em 1998, quando cravou 2h06min05.

No feminino, a briga também será boa, a julgar pelas credenciais de algumas da corredores de elite que estarão presentes. Veja só time que aparece na foto abaixo (AP). A partir da esquerda, Edna Kiplagat, do Quênia, as russas Liliya Shobukhova e Inga Abitova, a queniana Mary Keitany mais a chinesa Zhou Chunxiu e a alemã Irina Mikitenko.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39

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Corrida cruza amanhã a ponte Rio-Niterói

Que beleza!!!

Morrendo de inveja, registro aqui que amanhã será realizada no Rio a Corrida da Ponte, em que milhares de corredores terão a oportunidade de cruzar a ponte Rio-Niterói (foto Divulgação), aproveitando o que com certeza pode se inscrever na lista dos mais belos cenários de corridas do mundo.

Desde o ano passado, estou de olho nessa prova. Mas as lesões me impedem de participar. Torço então por todos os corredores, que aproveitem tanto quanto eu imagino que iria aproveitar essa belezura.

Apesar disso, não deixo de registrar o que considero falha da organização, que é colocar a largada às 8h (elite feminina larga às 7h50). Hoje, aqui em São Paulo, treinei das 8h às 9h30 e fui duro de aguentar o solzinho, que nem é de verão. Imagine amanhã, no Rio, atravessar sem sombra nenhuma os quase 14 km de ponte num domingão em que os termômetros devem chegar a 34 graus, segundo a previsão do tempo....

Bueno, tomara que dê tudo certo, todo mundo chegue bem e se divirta muito.

Espero muitos relatos de leitores corredores e fotos em profusão.

Saúdem o mar por mim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h09

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Kebede corre em Londres de olho no recorde

Marílson tenta baixar de 2h08

 

 

O campeão da maratona de Londres volta às ruas da capital britânica neste domingo para defender sua coroa e tentar tirar de seu compatriota Haile Gebrselassie o título de recordista mundial da distância.

No ano passado, o etíope Tsegaye Kebede venceu em 2h05min12, e agora promete melhorar. “Se o tempo estiver bom, acho que dá para correm em 2h04 e acredito que esse não seja o meu limite. Eu acredito que posso correr a maratona em 2h03 ou mesmo 2h02. O recorde mundial vai ser meu”, disse Kebede, que é o corredor um passo á frente do grupo de elite, na foto acima (AP).

Ao lado direito dele está o suíço Viktor Roethlin, que tenta estabelecer novo recorde europeu. A partir da ponta esquerda, temos o marroquino Jaouad Gharib, os quenianos Abel Kirui, James Kwambai e Martin Lel (tricampeão de Londres), Kebede,  Roethlin and Patrick Macau, também do Quênia.

Falta na foto o brasileiro Marílson Gomes do Santos, que vai a Londres tentar estabelecer nova marca pessoal. Na última conversa que tive com ele, Marílson me disse que acreditava muito que poderia baixar bem de 2h08.

Agora, ele afirma: “Estou me sentindo bem, fiz todos os treinos que deveria fazer”.

Ele começa a prova com uma vantagem: sua capacidade de crítica. Avaliou que, em 2007, começou mesmo muito forte, o que acabando sendo prejudicial para o tempo final. “Neste ano quero fazer uma prova bem distribuída até os 30 km, pensando no tempo", afirma ele.

Vamos ver.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h38

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Maratonistas japonesas vão duelar em Londres

 Depois da tragédia

 

As maratonistas de elite do Japão que tentam uma vaga no time nacional que vai participar do Mundial ficaram órfãs depois do desastre que atingiu o país. Por causa do terremoto/tsunami, a maratona de Nagóia, que seria a seletiva, foi cancelada.

Como alternativa, a federação japonesa determinou que a prova seletiva seria a maratona de Londres, que será realizada na manhã deste domingo próximo.

E aí está, com a Torre de Londres ao fundo, a delegação japonesa: a partir da esquerda, Yurika Nakamura, Mizuho Nasukawa, Azusa Nojiri, Risa Shigetomo, Yoshiko Fujinaga, Yukiko Akaba, Madoka Ogi and Noriko Matsuoka. Elas são ladeadas pelos cadeirantes Nobukazu Hanaoka, esq., e Choke Yasuoka (foto AP).

Eles seguram um cartaz de agradecimento “de coração” aos britânicos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h10

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Garmin lança o Forerruner 610

Sensível ao toque

 

 

A Garmin, fabricante de aparelhos GPS de pulso muito usados por corredores, está anunciando a chegada de mais um membro à família Forerunner: o modelo 610.

Pelo que pude avaliar da leitura do material de divulgação, a principal atração é a tela sensível ao toque, tal como nos iPhones, iPads e correlatos.

Simplesmente batendo na tela, você troca de página ou faz os acertos que quiser na configuração.

Outra novidade é o aumento do número de tipos de aviso: além do sonoro, há também um aviso vibratório.

Bom, continua com todas as funções do 405, promete ter mais sensibilidade no GPS, tem o recurso de volta automática (que, para mim, é o melhor) e vários programas para auxiliar no treinamento, como o parceiro virtual já conhecido dos usuários de Garmin.

O tempo prometido de bateria é de oito horas no modo treinamento e de quatro semanas no modo de economia de energia. Ou seja, depois de dois ou três treinos você tem de botar o bichinho para carregar ou se arrisca a ter surpresas desagradáveis.

No site da empresa, a informação é de que estará disponível neste segundo trimestre do ano, mas ainda não há preço em dólares.

Pelo que vi na internet, haverá uma venda especial, de algumas unidades, na feira da maratona de Londres. O preço previsto lá é de 329 libras, o que dá pouco mais de R$ 850 e indica que o preço nos EUA deve ficar na casa dos quinhentos dólares (pelo câmbio de hoje, mais de US$ 530).

Para mim, é caro demais.

Eu já estou escaldado com compras desses aparelhinhos, que são uma beleza, muito divertidos, mas dão problemas demais. Acho que vou investir no mantra de que menos é mais.

Se e quando tiver oportunidade, pretendo reavaliar a compra de modelos mais antigos da Garmin ou de modelos mais básicos, cujos preços fiquem em torno dos US$ 200.

Também vou torcer para que a Nike tenha revisto seus planos em relação ao seu relógio com GPS que deve chegar às lojas neste mês. Para mim, a principal falha do produto, notada quando tive chance de brincar com ele por alguns minutos, foi a falta de registro automático de voltas. Se isso tiver sido incluído ou vier a ser incluído, pode ser um bom competidor. Sem volta automática, não serve –pelo menos, para mim.  

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

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Correndo descalço para salvar o planeta

Travessia da América

  

Na foto ao alto, os pés do colombiano Henry Sanchez sentem o asfalto quente do Paseo de La Reforma, avenidona da Cidade do México que, nas manhãs de domingo, fica aberta para pedestres.

Sanchez, um engenheiro de 38 anos, professor de matemática, está fazendo a pé a travessia da América.

Os vários despachos noticiosos que li hoje dão conta que o objetivo da monumental corrida é chamar a atenção do mundo para a necessidade de salvar o planeta.

Não encontrei explicações mais detalhadas sobre o projeto nem sobre contra que o planeta deve ser protegido, mas posso imaginar.

O site Henry y su ultramarathon, porém, traz outras explicações para o motivo da jornada. O objetivo seria arrecadar fundos para a criação de um centro de reabilitação de deficientes físicos na cidade natal do corredor, Ipiales. Confira o site AQUI.

Bueno, qualquer que seja a razão, trata-se de uma empreitada poderosa. Começou em junho de 2008, no extremo sul da América, na Terra do Fogo, e vai terminar 30 mil quilômetros depois, no Alasca.

Toma que dê tudo certo com Sanchez (fotos AP) e sua jornada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h31

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Maratona de Roterdã tem melhor tempo do ano

Dupla dobradinha queniana

 

Os corredores quenianos fizeram a festa neste final de semana em algumas das mais concorridas maratonas do mundo. Numa multidobradinha sensacional, venceram no masculino e no feminino em Paris e em Roterdã, para ficar apenas nas provas de mais destaque.

Na  veloz corrida holandesa, Wilson Chebet mandou ver e estabeleceu o melhor tempo deste ano: 2h05min27, que também é o seu recorde pessoal (foto AP, no alto).

A prova é disputada em duas voltas, o que não me agrada muito, mas tem beleza de sobra, como você pode ver na foto acima, que mostra a multidão cruzando a ponte Erasmo (foto AFP), imagem sempre bacana nessa corrida que já se estabeleceu como uma das mais rápidas do planeta.

Para completar as cenas de Holanda, divirta-se com a alegria de Philes Ongori, que explodiu ao cruzar a linha de chegada em 2h24min20, um ótimo tempo para quem fez ontem seu debute na distância (foto Reuters).

Reunindo alguns dos mais rápidos corredores do planeta, a prova tentava ontem ser palco para quebra do recorde mundial, oferecendo prêmio de US$ 350 mil para quem derrubasse a marca de Haile Gebrselassie. E a turma saiu com ganas, passando o km 10 quatro segundos abaixo da passagem de Haile, ampliando a vantagem para 14 segundos no km 15, mas deixando cair para dez segundos no km 20.

A partir daí, a coisa desandou; perderam mais dois segundos em apenas um quilômetro e, quando chegarão ao km 25, tinham apenas um segundo de vantagem em relação ao ritmo do recorde... Não ia dar. E não deu mesmo, mas foi uma bela corrida.

 

Agora beleza mesmo se viu em Paris, onde cerca de 40 mil pessoas participaram da maratona que começa na avenida de Champs Elysees (foto AP), com o Arco do Triunfo ao fundo.

Durante algum tempo, chegou a haver expectativa de recorde de prova nas ruas da Cidade Luz, mas o projeto também não se confirmou. O duelo entre corredores de Quênia e Etiópia, tão esperado, também não foi tão vibrante assim.

Tanto no masculino quanto no feminino, o que se viu foi uma corrida de pelotão. No masculino, a massa de líderes seguiu compacta até o km 30; depois, foi se esfarelando aos poucos até que ficaram apenas três corredores, liderados pelo queniano Benjamin Kiptoo. Ele deu uma arrancada, duas arrancadas, e os perseguidores Bernard Kipyego, seu compatriota, e Eshetu Wendimu, etíope que tentava defender o título, não acompanharam.

Então Kiptoo (foto AP) partiu, sem medo de ser feliz. Completou em 2h06min31, novo recorde pessoal na sua sexta vitória em maratonas.

No feminino, a história foi semelhante. Cinco corredoras se destacaram do pelotão de elite e foram juntas por mais da metade da prova.

Sem pressa, o ritmo foi sendo força aos poucos, e o grupo líder caiu para quatro atletas, depois para três, com a etíope Koren Yal puxando às vezes, deixando oportunidade para Agnes Kiprop, a mais veloz do grupo, também dar suas arrancadas.

Mas foi a serena Priscah Jeptoo (foto AFP) que se saiu melhor nas escaramuças, chegando ao Bois de Boulogne já com uma margem razoável.

Subia o ritmo pouquinha coisa e fechou em 2h22min55, segundo melhor tempo da história em Paris e recorde pessoal dessa corredora que, depois da prova, parecia exibia uma serenidade que a mim impressionou. Só foi sorrir quando entrevistada pela TV: “Estou muito feliz hoje, pois não esperava vencer”, disse ela.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h52

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Desabafo de um corredor baiano

Morte em Salvador

O leitor atento deste blog deve ter visto comentário recente de um corredor baiano, que reclamava das condições para praticar seu esporte preferido na Bahia. Fiquei impressionado com o que ele escreveu e pedi para que mandasse mais informações.

E assim ele fez. Advogado de 41 anos, AUGUSTO CRUZ está treinando para a maratona do Rio. Como parte de sua preparação, participa de várias corridas em Salvador e festeja o fato de a comunidade de corredores cresce na cidade. “Em 2004 participava de corridas de 10km com pouco mais de 500 pessoas, hoje temos corridas com 4.000 mil corredores! Isso é bom demais”, diz ele na mensagem que me mandou.

Mas há o outro lado, dramático. Corredores sem preparo entram nas provas, que nem sempre oferecem as melhores condições de atendimento médico. Lei a seguir o desabafo de Augusto, que também é blogueiro (o site dele está AQUI).

“Em Salvador, temos temperaturas de 32/33 graus por volta das 6h30! Sem brisa e sem sombra. Nessas provas de 5km e 10km, muitos corredores têm passado muito mal, a desidratação leva a problemas cardíacos e a desmaios (e uma queda no asfalto com conseqüências por vezes graves).

“Perdi uma amiga maratonista ano passado numa dessas provas, num dia em que foram diversos os atendimentos pela ambulância colocada à disposição na corrida e pelo posto médico. Naquele mesmo dia, uma jovem também teve uma parada cardíaca por conta de desidratação severa. Duas semanas depois, nova corrida e mais gente passando mal.

“No domingo passado, presenciei pelo menos três atendimentos relevantes. Nenhuma notícia sobre esses fatos foi divulgada na mídia.”

Bom, eis aí a mensagem de um corredor que vê colegas e companheiros passando mal no asfalto. De quem é a culpa? Ou melhor, de quem é a responsabilidade?

Há muitos corredores que chegam a uma prova sem condições, movidos pela pura vontade ou pelo modismo; há também os que, mesmo treinando, deixam de fazer os exames médicos preventivos. Mas os organizadores de prova todos sabem disso. Deveriam estar mais preocupados com o bem-estar do atleta, começando provas mais cedo (e não só no calor nordestino, mas em todo o Brasil, pois a canícula bate de norte a sul), aumentando o número de postos de água e fornecendo bebida gelada, além de garantir atendimento médico de urgência e ambulâncias em número adequado.

A reação de várias empresas da área, porém, quando criticadas, não raro é de ataque contra quem aponta os problemas. Isso mostra apenas sua imaturidade; em vez de xingamentos, deveriam procurar analisar cada caso e tomar medidas para que os dramas não se repetissem.

Correr, como qualquer outra atividade física extenuante, envolve riscos. Eles podem ficar menores na proporção em que todos os envolvidos os conhecem e se preparam para os problemas. Por isso, esconder número de atendimentos ou de mortes no esporte não resolve nada; ao contrário, contribui para que a situação de risco se perpetue.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h41

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Maratona de Paris vai passar na TV

Madrugada oh-la-la
 
A SporTV2 está anunciando para a madrugada deste domingo a transmissão ao vivo da maratona de Paris.
Talvez eles estejam esperando o recorde mundial, pois a grade prevê o início de outro programa apenas uma hora e 45 minutos depois da largada da prova.
Bom, o horário previsto é pouco confortável para grande parte dos corredores, acostumados que somos a dormir cedo e acorder cedo. Os baladeiros, porém, vão aproveitar. Coloque lá um chopinho, um sanduichinho e veja aquele povo suar do outro lado do oceano.
O início das transmissões está programado para as 3h45 deste domingo. Se eu acordar, vou acompanhar a prova e tuitar os melhores momentos.
Meu twitter é twitter.com/rrlucena ou, mais simplesmente, @rrlucena. Clique AQUI que vai direto. Aliás, vou reproduzir automaticamente os lances no meu Facebook, que você encontra clicando AQUI. Claro que, volto a dizer, a efetivação dessa promessa depende de eu conseguir acordar e de que tudo funcione direito com a SporTV e com a internet aqui de casa.
A maratona de Paris é sensacional e, a cada ano, atrai um grande número de brasileiros. Alguns deles já contaram, aqui neste blog, a experiência de estrear na maratona na Cidade Luz.
Ela é uma das maiores do mundo, com 40 mil inscritos, e também uma das mais rápidas: o recorde da prova é de 2h05min47, do queniano Vincent Kipruto. Também é densa na rapidez: 12 corredores terminaram a prova em menos de 2h10 em 2009; no ano passado, foram 11.
Neste ano, volta a se repetir a disputa entre nações africanas. Os principais duelistas, segundo os organizadores da prova, são Eshefu Wendimu, da Etiópia, e Bernard Kipyego, do Quênia. As cores nacionais serão defendidas por Abdelatif Meftah, apontado como o melhor fundista francês na atualidade, que estreia na maratona e pretende conseguir o índice para disputar os Jogos de Londres-2012.
No feminino, há uma corredora queniana e duas etíopes com sub2h25, mas é bom ficar de olho na estreia da etíope Tufa Mestawet, que tem 1h08min48 na meia maratona. Isso é exatamente a melhor marca da queniana Agnes Kiprop, que tem como recorde pessoal na maratona 2h24min07.
O pelotão de elite masculino tem 27 corredores e o feminino, 13 atletas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h02

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Gladys, 92, é a mais velha maratonista do mundo

Rugas de aço

Agora é oficial. Em cerimônia realizada na última segunda-feira, no Havaí, a norte-americana Gladys Burrill, 92, recebeu o certificado do Guinness Book of Records declarando que ela é a mulher mais velha a completar uma maratona neste mundão velho sem porteira.

O feito dessa ex-pilota de aviões, montanhista e cavaleira foi realizado em dezembro passado quando, com 92 anos e 19 dias, ela completou a maratona de Honolulu. Caminhando com a determinação que lhe valeu o apelido de Gladyadora, terminou a prova em 9h53 (foto AP).

O recorde anterior era da escocesa Jenny Wood-Allen, que tinha 90 anos quando completou a maratona de Londres, em 2002.

Burrill nasceu no dia 23 de novembro de 1918 em La Center, Washington. Hoje viúva, divide seu tempo entre Prospect, no Oregon, e sua casa na praia de Waikiki, no Havaí.

Foi lá que ela se apaixonou pela corrida e participou pela primeira vez de uma maratona, em 2004, quando tinha 86 anos. No ano anterior, tinha assistido à chegada da prova, cheia de festa e foguetório, e resolveu também entrar na brincadeira.

Desde então, está sempre presente na maratona de Honolulu. Em 2008, a corrida aconteceu poucos dias depois da morte de seu marido, com quem vivera por 69 anos. Mesmo assim, decidiu participar, mas a emoção acabou impedindo que ela completasse a prova; no ano seguinte, complicações estomacais também impediram que ela chegasse ao fim.

O ano tinha de ser, então, 2010. “É importante manter o pensamento positivo”, diz ela, alertando que é “muito fácil ficar desencorajado e cair no negativismo”. Além da força de mente, é preciso fortalecer o corpo.

Nos treinos que a levaram até o fim da maratona de Honolulu, a Gladyadora percorreu mais de 4.000 quilômetros; em abril passado, chegou a caminhar a distância da maratona por duas vezes.

“Levante da cadeira, vá para a rua, caminhe ou corra”, responde ela quando lhe perguntam qual sua receita para uma vida longa e sadia.

Tá bom assim ou quer mais?

Ela não decidiu ainda se vai desafiar seu próprio recorde neste ano. De qualquer forma, prometeu estar na chegada da maratona festejando a vitória de cada um dos corredores que conquistam a distância.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h25

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Organizador da maratona olímpica pede demissão

 

Discordância e frustração

 

O ex-corredor britânico David Bedford anunciou hoje que pediu demissão de suas funções de assessoria da organização da maratona dos Jogos Olímpicos de Londres, depois de uma série de desencontros com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos .

ªEle tomou essa decisão por estar frutrado com a administração do eventoº, disse o chefão da maratona de Londres, em que Bedford é diretor de prova.

Bedford, de 61 anos, é um dos mais incensados fundistas britânicos: em 1973, quebrou o recorde dos 10.000 m estabelecido pelo finlandês Lasse Viren. Ele tomou sua decisão na surdina, saindo do cargo em janeiro último. A divulgação acabou acontecendo só agora, em uma entrevista ao jornal ªLondon Evenig Starº.

ªEu pedi demissãoº, disse o ex-atleta. ªA maratona de Londres é um evento professional dirigido por profissionais. Para mim, ficou muito difícil trabalhar com uma outra organização que, na prática, nunca organizou um evento....º

Os organizadores da martoan de Londres e o pessoal do Comitê Olímpico preferiram não fazer marola. Todos continuam dizendo que seguem trabalhando juntos harmoniosamente e que vão realizar uma maratona maravilhosa.

Também afirmam que os planos de realização de uma prova teste em maio próximo estão mantidos e vão de vento em popa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h15

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Corredores enfrentam o deserto

 

Selva de areia

 

Uma das grandes imagens do fim de semana foi a do movimento das centenas de corredores que disputam a Maratona de Sables, no deserto do Sahara. Na foto, eles cruzam as dunas de Merzouga, as mais altas do Marrocos, na primeira etapa da prova, que é disputada em longo de vários dias e tem um total de 250 quilômetros.

Ao longo dos anos, essa prova já registrou várias mortes de participantes, que são responsáveis pelo próprio abastecimento de água e comido ao longo do dia.

Neste edição, um corredor está lá em defesa da vida. O britânico Iain Stevenson, 36, participa em homenagem a memória de seu filho Ben, que morreu em 2007, aos três anos e meio, vítima de neuroblastoma, um tipo de câncer que ataca as crianças e é extremamente agressivo.

Desde a morte do menino, Stevenson vem fazendo um grande número de maratonas e outros desafios --no ano passado, fez três maratonas em um dia... Agora, corre no deserto para levantar fundos para uma entidade que investe em pesquisas contra o câncer e em apoio às vítimas da doença.

 

Aliás, as maratonas vêm servindo para que as pessoas demonstrem sua solidariedade, realizem campanhas ou simplesmente mostrem seus pontos de vista. Ontem, na maratona de Santiago, no Chile, este casal levou às ruas seu apoio à luta do povo japonês.

A prova, por sinal, parece ter sido muito bacana, com milhares de corredores vestindo verde, como mostra a imagem da largada.

 

O que pode ser muito bonito, mas o que vale mesmo é chegar, cheio de raiva, alegria e emoção tal e qual o garoto abaixo (até aqui, todas fotos FP).

 

Depois da emoção gravada no rosto, a beleza da cidade: ontem foi dia de meia maratona em Berlim, e milhares foram para o asfalto ganhar um beijo do sol e circular entre os monumento da cidade, como a Coluna da Vitória, ao fundo (Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h52

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Baldaia recebe punição leve por doping

 

Simples advertência

 

A Confederação Brasileira de Atletismo decidiu ontem dar uma punição leve para a atleta Maria Zeferina Baldaia, que testou positivo para substância considerada doping em 28 de novembro do ano passado.

Campeã da São Silvestre de 2001, Baldaia testou positivo para a substância proibida acetazolamida, um diurético que, segundo me conta a Wikipedia, tem como um das indicações prevenir má disposição pelo aumento de altitude.

O certo é que, condenada, Baldaia recebeu como pena apenas advertência pública e já pode voltar às corridas de rua --ela estava suspensa desde 5 de janeiro.

No site da CBAt, um texto em destaque explica claramente que: "Todo atleta é responsável por qualquer substância presente em seus fluidos corporais, independentemente da forma que a mesma entrou em seu organismo. Assim, no caso de um resultado adverso (controle positivo de doping), não é necessário que a intenção, culpa, negligência ou uso conhecido por parte do atleta seja demonstrado de maneira a estabelecer uma violação da regra anti-doping sob a regra 32.2.a. da IAAF".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h39

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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