Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Com lâminas nas pernas, Pistorius dá show em Ostrava

Acabei de ver uma das mais impressionantes demonstrações de força e determinação no mundo das corridas.

Assisti ao vivo à prova dos 400 m masculino que rolou no Ostrava Golden Spike, meeting de atletismo que está sendo realizado na República Tcheca.

Entre os monstros do esporte lá presentes estava o sul-africano Oscar Pistorius, que teve as duas pernas amputadas e usa lâminas especiais no lugar delas –razão de seu apelido, Blade Runner (corredor das lâminas, em tradução livre).

Pistorius, como você se recorda, já teve de enfrentar muita oposição dos cartolas do atletismo na sua batalha por competir em provas contra não deficientes. Alguns argumentavam que as próteses davam vantagem indevida ao velocista multicampeão paraolímpico. A polêmica já está mais do que encerrada, e o sul-africano vem participando de eventos internacionais sem problemas. Poderá até representar seu país nos Jogos de Londres-2012, mas precisa conseguir o índice (45s25).

Na sua primeira participação na cinquentenária competição de Ostrava, Pistorius, de 24 anos, começou mal, largando devagar e ficando na rabeira do octeto. Mas aos poucos foi ganhando posições. Depois da segunda curva, já tinha avançado e fez da reta oposta sua pista de lançamento: saiu da última curva em segundo lugar e por instantes chegou a se ombrear com o líder.

Nos primeiros metros da reta final, eram apenas o jamaicano Jermaine Gonzales e Pistorius, o resto vinha atrás. O esforço, no entanto, se provou demasiado para o sul-africano.

Nas imagens televisivas, parecia ter haver duas forças poderosíssimas atuando simultaneamente, uma a impulsionar Gonzales, outra a segurar o sul-africano. Entre eles, os outros corredores buscavam melhorar suas posições.

No final, nem foi uma corrida tão veloz assim. O jamaicano venceu com sua melhor marca na temporada, 45s07, o que é quase meio segundo mais lento do que a melhor marca do ano, de Rondell Bartholomew, de Granada. Pistorius chegou em sexto, com 46s19.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h13

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Desempregado corre mais de 9 maratonas em 48 horas

Eu gosto de correr maratonas. E adoro ultras. Mas tem gente que exagera. É o caso do norte-americano Phil McCarthy, que correu o equivalente a mais de NOVE maratonas em apenas 48 horas.

No total, foram 257 milhas (413,5 km) percorridas em uma prova de 48 horas em Sussex County, Nova Jersey. O feito lhe valeu o recorde norte-americano nessa modalidade. A marca anterior era de 248 milhas (399 km), estabelecida em 2003 por John Geesler.

“As pessoas dizem que eu sou doidão”, comentou McCarthy, 43, completando: “Eu não tento mudar a opinião deles. Apenas corro e pronto”.

De fato, ele corre. Em uma semana típica, roda cerca de 130 km. Nos últimos meses, tem tido mais tempo para correr, diz ele, comentando com bom humor o fato de estar desempregado, vítima de cortes de funcionários na gravadora onde trabalhava.

“Correr é uma coisa simples”, define. “Ajuda a limpar a mente do estresse do dia a dia”.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h27

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Falta um terço para o final da Volta do Brasil

O ultramaratonista Carlos Dias, que está fazendo a Volta do Brasil como forma de arrecadar fundos para o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), já percorreu mais de dois terços de seu desafio.

Há oito meses na estrada, Dias já cruzou 22 Estados, passou por mais de 1.500 cidades, totalizando 12.158 km, uma média de pouco mais de 50 km por dia.

Pelas mensagens que posta na internet, o corredor está com bom ânimo, firme e forte para completar seu percurso planejado, que totaliza 18.250 km.

Já a arrecadação de fundos para o Graacc não vai indo tão bem assim. Segundo balanço divulgado por Dias, até agora foram vendidos apenas 2.230 km (menos de 20% dos quilômetros percorridos).

De qualquer forma, ele segue pela estrada afora, encontrando amigos e corredores ao longo do percurso. Planeja chegar a Santos por volta do próximo dia 4. Quem quiser correr alguns quilômetros com Carlos Dias pode entrar em contato com ele pelo e-mail  carlosdias12@hotmail.com 
 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h01

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Brasil tem mais uma maratona

Começam amanhã as inscrições para mais uma maratona que busca espaço no calendário brasileiro de corridas de rua.

É em Londrina, no Paraná, e será realizada no dia 28 de agosto.

As inscrições, segundo as notícias que me chegam, devem ser feitas via site oficial do evento, AQUI. Até minutos atrás, porém, enquanto escrevia este texto, o site não estava funcionando.

 Na página de abertura havia apenas uma mensagem dizendo que o site estava em desenvolvimento e que a maratona de Londrina vem aí. Também pedia ao visitante: “Aguarde!”.

Por causa disso, não posso comentar questões como altimetria do percurso ou horário de largada. Já o preço da inscrição é bom: R$ 35 (até 16 de agosto; depois passa a R$ 45).

Outro elemento positivo é o cumprimento de recomendações internacionais quanto à idade dos participantes: na maratona, podem se inscrever maiores de 20 anos; na meia, maiores de 18.

Bueno, tomara que dê certo, porque a época é propícia às corridas, pelo menos do ponto de vista do clima: a temperatura média fica nos 19 graus Celsius, com a média das mínimas para 28 de agosto calculada em 13 graus. É bem verdade que a média das temperaturas máximas atinge 26 graus, o que já é bem quente para uma maratona. Espero, porém, que os organizadores tenham o bom senso de marcar a largada para as 7h, contribuindo para a saúde e o bom desempenho dos participantes.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h42

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Velocista jamaicano é o rei do marketing

 

O homem mais veloz do mundo é também o melhor esportista do planeta para aparecer em campanhas publicitárias, segundo ranking criado pela revista “SportsPro”, especializada em marketing esportivo.

 

A publicação listou os 50 atletas mais de maior potencial mercadológico do planeta, levando em consideração critérios como exposição na mídia, imagem e desempenho. O atleta de maior valor para um contrato de três anos, no entender da revista, é o velocista jamaicano Usain Bolt, campeão olímpico e mundial dos 100 m e dos 200 m.

 

Ele suplantou o astro do basquete norte-americano LeBron James, que liderou o primeiro ranking feito pela revista. Em terceiro aparece o boleiro Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. De brasileiros, apenas Neymar e o lutador Anderson Silva.

 

Do mundo do atletismo, só figuram personagens das pistas. Estão lá um dos grandes rivais de Bolt, Tyson Gay, e o barreirista chinês Liu Xiang.

 

A jovem estrela britânica do heptatlo Jessica Ennis é uma das cinco mulheres que aparecem no ranking. Maria Sharapova é apenas a terceira entre as moças.

 

Nenhum maratonista sequer chega perto do ranking.

 

Aliás, alguém aí já viu algum maratonista em alguma propaganda? Haile Gebrselassie, o recordista olímpico, já foi muito criticado por figurar em campanha de uma marca de uísque; e, se não me engano, a recordista mundial Paula Radcliffe já apareceu em propaganda da empresa de artigos esportivos que a patrocina.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h04

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Recorde que durava 18 anos cai no Ibirapuera

Com dores no braço e balançando a cabeça de tanto esforço depois de correr na frente ao longo de 12 voltas e meia na novíssima pista de atletismo do ginásio do Ibirapuera (zona sul de São Paulo), Simone Alves da Silva quebrou no final da tarde de hoje um recorde que já durava 18 anos.

No Desafio Internacional Olímpico de Atletismo, evento-teste da nova pista, que será inaugurada oficialmente domingo, a corredora baiana cravou 15min18s85 nos 5.000 m, estabelecendo novo recorde sul-americano. A marca anterior era da maior fundista brasileira, Carmen de Oliveira, que correu os 5.000 em 15min22s01, em 1993.

“Foi difícil, mas consegui. Não tinha ninguém para me ajudar, então o tempo todo você fazendo força é mais complicado. Mas eu já vinha há três meses fazendo um bom trabalho de pista e corri cada volta como o Adauto pediu...”

Quando ela fala que não tinha ninguém para ajudar é porque ela fez uma carreira solitária, sem competidora fungando na nuca ou trocando posição para quebrar o vento. A segunda colocada, Fabiana Cristine da Silva, ficou mais de meio minuto para trás, o que é uma eternidade numa prova dessas (dá cerca de meia pista de diferença).

E o Adauto a quem Simone se referiu é Adauto Domingues, mais conhecido por ser o treinador de Marílson Gomes dos Santos, que também correu ontem (mas isso eu contou depois).

Adauto estava todo feliz com o sucesso da pupila, mas, na hora de falar, manteve seu estilo tranquilão: “A gente estava na expectativa pelo recorde. A Simone tem 26 anos, que é uma idade muito boa. Ela está empolgada e vamos competir no exterior para ser mais exigida".

Nascida em 12 de setembro de 1984 em Morro do Chapéu, na Bahia, Simone ficou conhecida em dezembro passado, quando chegou em segundo lugar na São Silvestre e foi a melhor representante do Brasil na prova.

É nas pistas, porém, que ela vem fazendo carreira, sendo vice-campeã ibero-americana nos 5.000 m. Pequenina (1,53 m, 41 kg), também se dá bem no cross country: é campeã da Copa Brasil e do Sul-Americano da modalidade, na prova de 8 km.

Seu resultado mais importante, na São Silvestre do ano passado, aconteceu meses depois de ela ter sido punida por uso de substância proibida. Ela deu positivo em exame antidoping realizado em julho e foi suspensa por 90 dias.

Os problemas foram superados e agora Simone está de bem com a vida, fazendo treinamento forte, como ela disse depois da prova: “O Adauto fez um apronto para eu tentar o recorde e graças a Deus deu certo. Venci com muita diferença. Já vinha tentando o recorde nesta prova e cheguei muito perto. Pensei em tentar o índice pro Mundial (15min12seg02), mas no fim meu braço começou a travar".

O evento de hoje, que marcou a inauguração do novo sistema de iluminação do estádio Ícaro de Castro Melo, com 470 refletores, teve também prova de 10.000 m, mas no masculino.

Aí foi a vez de Marílson Gomes dos Santos correr sozinho, no dia exato em que seu primeiro filho, Miguel, completou três meses.

De fato, Marílson rodou umas seis voltas com um queniano na cola, o que deu um certo calor para a noitada. O brasileiro forçou ritmo, para desespero do técnico Adauto, que gritava da arquibancada para Marílson deixar o rival passar.

Ele deixou, mas o queniano não aguentou nem meia prova e abandonou. O resto foi Marílson contra o relógio e o vento. Por pouco que o relógio não perde: Marílson cravou 28min09s24, estabelecendo a melhor marca brasileira da temporada e garantindo índice para o Pan do México.

Ele diz que a chegada do filho fez bem à sua corrida: “Estou me sentindo melhor, mais descansado, apesar de acordar duas, três vezes por noite...”.

Agora vai tirar uma semana para descansar e começar a pensar no que vem por aí. Marílson não deve disputar o Mundial da Coreia, mas sim tentar uma maratona rápida, no segundo semestre, para buscar o índice para os Jogos de Londres-2012.

.......

Fotos: Fernanda Paradizo/ZDL

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h55

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Gari e diarista vencem corrida no Morro do Alemão

 

O Rio de Janeiro presenciou no último domingo a que talvez tenha sido a corrida mais bacana do ano. Não tanto pelo cenário, mas pelo seu significado: o Desafio da Paz marcou seis meses da ocupação policial do Morro do Alemão, realizada depois de horas de enfrentamento com grupos de traficantes que dominavam a região.

A prova de cerca de 5 km passou exatamente pela estrada que ficou famosa nas imagens televisivas como rota de fuga dos traficantes. Organizada pelo grupo AfroReggae, a corrida teve a participação de celebridades televisivas, autoridades, polícia –cerca de 40 policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) disseram presente—e alguns corredores de elite, como Franck Caldeira e Márcia Narloch.

Além da festa para as câmeras televisivas, houve também a diversão para a comunidade do Morro do Alemão. Os moradores da região tiveram direito a 400 vagas gratuitas e concorreram a prêmios que totalizaram R$ 20 mil.

Tudo isso talvez você já tenha ouvido ou lido de revesgueio por aí. Este blog, porém, foi conversar com os vencedores da categoria comunidade, que queimaram o chão naquela morreira toda.

No masculino, José Carlos Barreto da Silva venceu em 19min38, mantendo ritmo de 4min05, o que é de dar inveja a qualquer um... No feminino, a campeã foi Francilene Araújo de Souza, que completou em 22min33 (4min41 por quilômetro, o que é mais que excelente para a subida enfrentada (fotos Divulgação).

Francilene, de 38 anos, gosta tanto de correr que a paixão pelo esporte chegou até a interferir no seu casamento. Nascida em Sobral, no Ceará, desceu para o Rio com 17 anos, já casada.

Ela começou a correr com 26 anos, em busca de melhorar a saúde, mas o marido não gostava que ela saísse. “Acabou não dando certo”, disse ela, que sustenta os dois filhos com seu trabalho como diarista e treina cerca de 85 km por semana.

A separação foi há dez anos, que é o tempo que ela tem de corrida. Já fez sete maratonas, mas não quer mais saber: “É muito cansativo. Hoje só corro de meia maratona para baixo”.

Moradora da Estação de Ramos, costuma treinar no final da tarde. Os percursos dos seus longões passam pelo Morro do Alemão, Penha e Olaria. Isso hoje em dia: “Antes [da ocupação policial] não me arriscava a subir; agora às vezes vou treinar de madrugada, às vezes de noite...”.

Quando soube da prova e da premiação, fez alguns treinos subindo o morro com força e com vontade. Deram resultado, mas também deixaram uma herança dolorida, uma lesão na coxa. “Assim que sair o prêmio, a primeira coisa que vou fazer é consultar um ortopedista”, diz Francilene.

José Carlos, por sua vez, já tem bem planejado o que pretende fazer com o dinheiro do prêmio. Vai usar os R$ 6.000 para completar a casa da irmã, onde mora, no Morro do Alemão.

Também filho do Ceará, José Carlos, 35, mora há 17 anos no Rio, para onde foi em busca de trabalho.

Começou a correr em 2003, inspirado pelas corridas que via na televisão. “Eu dizia para minha irmã: um dia vou estar ali”. Da fala ao fato foi um pulo, e ele estreou direto na meia maratona do Rio, que completou bem graças à resistência construída em seu trabalho como gari.

Resistência que lhe tem garantido boas colocações em provas: “Valendo dinheiro, essa foi minha primeira vitória. Mas tenho vários troféus...”, diz ele, que costuma treinar todos os dias depois do trabalho.

“Eu treinava no morro, onde foi o percurso da prova, mas aconteceram algumas mortes, então fui treinar lá embaixo”, diz ele, que alterna treinos mais longos, de 15 km, com treinos de velocidade, tiros de 500 m e 400 m.

José Carlos ainda não sabe qual será seu próximo desafio: “Estou um pouco machucado, com dor nas canelas. Vou esperar passar e depois vou ver o que fazer”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h09

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Maratona revê desclassificação por uso de iPod

Êta, nós! Kelly McClure era uma boa corredora. Rápida, mas com desempenho longe da velocidade da elite. No domingo passado, porém, ela teve seu dia. Tudo deu certo e ela, que não esperava figurar nem entre as dez primeiras colocadas da maratona de Green Bay, no Wisconsin, acabou em quinto lugar.

A classificação, conquistada com o tempo de 3h05min44, lhe valeu um prêmio de US$ 500. Nada mau para quem tinha largado na maratona apenas para se divertir.

A diversão, porém, logo se transformou em pesadelo, pois pouco depois de saber que tinha chegado em quinto soube também que estava desclassificada porque correra embalada pelo som de seu iPod.

Segundo regras estabelecidas pela USA Track and Field (confederação de atletismo dos EUA), corredores de elite que aspiram receber prêmios em corridas de rua não podem usar equipamentos eletrônicos durante a prova. O uso é considerado incentivo externo, o que é proibido.

A regra, divulgada há alguns anos, provocou muito polêmica nos EUA, como já registrei nesse blog. Alguns organizadores de maratona chegaram a avisar que os corredores que usassem fones de ouvido seriam retirados da prova, mesmo que fosse necessário usar a força bruta.

De qualquer forma, a regra da USA T&F foi modificada e liberalizado em 2009; desde então, cada organização tinha autonomia para decidir sobre o uso de iPods e similares. A maratona de Green Bay, por exemplo, permite o uso dos aparelhos.

Com o que, desclassificada no domingo, a jovem McClure se viu na segunda-feira devidamente reempossada em seu lugar, depois que os organizadores aceitaram o apelo feito.

Kelly McClure, que foi a segunda colocada na faixa etária de 20 a 24 anos, disse que correu mais da metade da prova sem usar os fones de ouvido. Só foi ligar o iPod depois do km 25, quando começou a correr contra o vento.

Deu certo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h38

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Mãe de campeão olímpico acusa nora de assassinato

 

A mãe de Samuel Wanjiru acusou ontem sua nora de ser a responsável pela morte do maratonista. O objetivo seria ganhar o controle total sobre a fortuna do recordista olímpico da maratona.

 

Wanjiru, 24, primeiro queniano a conquistar o ouro na maratona olímpica, morreu no final da noite de domingo depois de uma queda da varanda de seu apartamento, no primeiro andar.

 

Segundo a polícia, o corredor pulou da varanda depois de uma violenta discussão com a mulher, Triza Njeri. Ela teria encontrado Wanjiru com outra mulher, discutido com ele, chaveado o casal no quarto e saído de casa. Foi quando, diz a polícia, o campeão cometeu suicídio.

 

Ann Wanjiru, porém, afirma que essa história é pura invenção. Segundo ela, seu filho não estava com mulher nenhuma. Na versão da mãe, Wanjiru foi morto no quarto do casal. Depois, o corpo foi jogado pela varanda numa tentativa de encobrir a causa da morte.

 

“Njeri matou o meu filho”, disse Ann Wanjiru. E continuou: “Por que ela não foi à minha casa, que fica a cinco minutos a pé do apartamento deles, para avisar que Wanjiru tinha caído?”.

 

Além disso, a queda não seria suficiente para provocar a morte, acredita a mãe de Wanjiru: “Eu sou uma mulher doente, mas não vou morrer se cair daquela altura... Talvez fique com algum osso deslocado...”

 

A varanda de onde Wanjiru caiu, saltou ou foi jogado tem de 4 m a 6 m de altura, segundo Jasper Ombati, chefe de polícia de Nyahururu, a cidade onde Wanjiru vivia com sua mulher.

 

O porta-voz adjunto da polícia nacional afirmou que todas as possibilidades serão investigadas, mas a questão será encerrada se a polícia encontrar farta evidência de que houve suicídio.

 

“Se descobrirmos que alguém esteve envolvido no caso, então o processo irá à Justiça, e o juiz vai determinar se alguma prisão deve ser feita”, afirmou Charles Owino.

 

Mesmo que as investigações policiais determinem que foi suicídio, certamente haverá polêmica em relação à herança do recordista olímpico da maratona. Na segunda-feira, duas mulheres disseram que também eram casadas com o corredor. No Quênia, a poligamia é permitida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h57

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O jeito certo de correr

Na minha coluna desta terça-feira no caderno Equilíbrio, da Folha, falo sobre a melhor forma de correr para diminuir riscos de lesões e obter melhor desempenho. Para produzir a coluna, falei com vários especialistas no assunto, que deram dicas importantes. No jornal, porém, ficou tudo muito resumido. A partir de agora, publico a íntegra de todas as entrevistas, em que fiz sempre as mesmas perguntas.

O primeiro a dar seu depoimento, pela ordem alfabética, é ALEXANDRE BLASS, 36, bacharel em esporte (USP) e mestre em alto rendimento esportivo (Porto, Portugal). Técnico de triatlo, corrida de fundo e de aventura, criou em 2006, em parceria com o fisioterapeuta Marcelo Semiathz, o método Força Dinâmica.

 

 

+Corrida -  Existe um jeito certo de correr ou cada pessoa tem o seu jeito?

Alexandre Blass - Cada pessoa tem seu jeito de correr, porém desenvolvemos um método para avaliar e interferir na corrida. 

 

+Corrida - Independentemente do estilo pessoal, há formas econômicas de correr?

Alexandre Blass - Sim. A corrida torna-se mais econômica ao diminuir a oscilação lateral e vertical do centro de massa do corpo, localizado na região do quadril. Na corrida, o contato do pé no chão é dividido em força de apoio e força de propulsão. Temos que ter técnica para diminuir o tempo de apoio e aumentar o de propulsão. Temos que acentuar mais a aceleração do que a frenagem. Isto terá um custo energético, que deverá ser compensado com uma adequada orientação nutricional.

 

+Corrida - E há alguma técnica de corrida que ajude a reduzir o impacto da passada no solo?

Alexandre Blass – Sim. Quando o contato inicial do pé com o solo é feito na linha de projeção vertical do centro de massa no solo.

 

+Corrida -  Qualquer que seja o jeito de correr do atleta, ele pode aumentar a economia dos seus movimentos ou reduzir o impacto?

Alexandre Blass - Nem sempre economizar energia significa diminuir o impacto. O ideal é analisar cada caso.

 

+Corrida - Para os amadores, vale a pena fazer isso?

Alexandre Blass - Sim, sem dúvida. Uma correta aplicação de força na corrida ajuda a prevenir lesões.

 

+Corrida - Muitas equipes/treinadores de corrida prescrevem os chamados treinos educativos para corredores. Há uma corrente, porém, que considera esses educativos inúteis do ponto de vista de ganho de performance e perigosos, pois podem provocar lesões

Alexandre Blass - Como estamos interessados em evitar a acentuada oscilação do centro de massa, quando exercício educativo não favorecer isso, ele poderá ser prejudicial à performance e lesivo.

 

+Corrida - O estilo de correr muda com a velocidade ou com a duração da corrida?

Alexandre Blass - Conforme aumentamos a distância e/ou a velocidade da corrida, tendemos a perder a eficiência da mecânica da corrida. Se o estilo de correr mudar com a velocidade ou com o tempo, a pessoa não tem condições de alterar a velocidade nem a a distância que ele corre. Num treino bem estruturado, o treinador deve  observar se há perda do controle motor. Bons treinadores encerram o treino quando percebem que o corredor já não mantém eficiência de força na corrida. Às vezes, os corredores fazem um esforço muito grande para terminar um treino mantendo os tempos e volumes propostos pelos treinadores. Isto pode custar caro para o corpo no futuro.

 

+Corrida - Como você corre? O que você fez para melhorar sua corrida?

 

Alexandre Blass - Corro com o corpo levemente inclinado para a frente, fazendo uso da musculatura abdominal como apoio para o tronco e a coluna; busco manter simetria na força propulsora das pernas direita e esquerda e fico atento à qualidade do meu apoio.

Para melhorar a corrida, procuro fazer um trabalho de força com exercícios que sejam próximos do gesto da corrida, como são feitos os exercícios da Força Dinâmica.

 

 

 

LEIA a seguir entrevista com o técnico MARCOS PAULO REIS.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h54

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O jeito certo de correr – 2

Acompanhe agora a entrevista com o treinador MARCOS PAULO REIS, 47, diretor da MPR Assessoria Esportiva e autor de “Caminhada e Corrida” e “Caminhada Já!”

 

 

+Corrida - Existe um jeito certo de correr ou cada pessoa tem o seu jeito?

Marcos Paulo Reis – Existem estudos biomecânicos que demonstram que corredores que possuem uma mecânica de corrida mais eficiente via de regra são mais econômicos e consequentemente mais rápidos. Porém o movimento da corrida é resultado de uma evolução do movimento da marcha, que executamos desde que começamos a dar os primeiros passos quando crianças. A corrida acaba sendo o movimento de caminhada executado de forma mais acelerada. Há indivíduos que têm uma marcha mais eficiente, o que acaba sendo transferido para a corrida. Alguns desvios de postura ou encurtamentos musculares acabam influenciando na postura, na sequência no movimento da marcha e por último influenciando na corrida. É por isso que as pessoas apresentam jeitos diferentes de correr.

 

+Corrida - Independentemente do estilo pessoal, existem formas econômicas de correr?

Marcos Paulo Reis - Normalmente corredores de longa distância (fundo) tendem a primar mais pela economia do movimento e por consequência disso têm uma mecânica não tão agressiva quanto a de um corredor de velocidade. Isso acaba acontecendo naturalmente. Se bem que hoje em dia vemos maratonistas correndo abaixo dos 3min p/km, o que é bastante rápido. Acaba que muitos deles têm uma mecânica mais agressiva e alguns até parecidos como corredores de pista, que normalmente são mais velozes. Normalmente corredores mais velozes têm uma passada que usa mais o antepé (ponta do pé) a fim de ter um contato rápido com o solo e poder rapidamente iniciar outro ciclo de passada. Isso acontece de forma natural quando o corredor acelera o movimento.

 

+Corrida - Há alguma técnica de corrida que ajude a reduzir o impacto da passada no solo?

Marcos Paulo Reis - É difícil controlar, mas uma passada com a fase aérea mais rasteira (rente ao solo) pode diminuir o impacto; o ponto negativo de “forçar” esse tipo de mecânica é que aumentamos a chance de tropeçar e cair. Pode ser pior que a lesão que queríamos evitar.

 

+Corrida - Qualquer que seja o jeito de correr do atleta, ele pode aumentar a economia dos seus movimentos ou reduzir o impacto?

Marcos Paulo Reis - Sim. Um trabalho técnico de biomecânica pode ajudar nisso. Os chamados exercícios educativos servem para isso, ou seja, trabalhamos a melhora da coordenação espaço-temporal do indivíduo, fazendo com que ele seja mais econômico na execução do movimento.

 

+Corrida - Para os amadores, vale a pena fazer isso?

Marcos Paulo Reis - Sim. Para todo tipo de corredor. Existem vários exercícios educativos, alguns com uma exigência maior, outros nem tanto. Claro que para atletas amadores, os educativos vão ser mais simples ou com menos exigência ou amplitude muscular, diferente de um corredor de 100m rasos.

 

+Corrida -  Como você corre? O que você fez para melhorar sua corrida?

Marcos Paulo Reis - Corro três a quatro dias por semana, procurando respeitar um intervalo de 48 horas  entre cada sessão de treino. Procuro correr de forma a me sentir confortável, sem me preocupar em mecanizar minha respiração ou minha técnica. Fico atento ao tipo de piso, se meu tênis está ok, com menos de 400 km ou um ano de uso. Em qualquer situação de desconforto, eu diminuo o ritmo. No caso de dor, eu paro! Apesar de treinar muitos atletas de ponta, sou um atleta amador mais preocupado com minha saúde e qualidade de vida.

 

 

 

LEIA a seguir entrevista com o técnico MARIO SERGIO ANDRADE SILVA.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h51

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O jeito certo de correr – 3

Acompanhe a seguir a entrevista com MARIO SERGIO ANDRADE SILVA, diretor técnico da Run & Fun, presidente da Esporte Solidário e autor do livro “Corra!”

 

 

+Corrida - Existe um jeito certo de correr ou cada pessoa tem o seu jeito?

Mário Sérgio - A ciência ainda não conseguiu obter essa resposta. Aliás, o desafio do treinador é distinguir erro de “estilo”. Isso acontece porque as pesquisas ainda se encontram em estágio embrionário, sem ter encontrado um padrão supostamente ideal de corrida, tanto em termos de economia de movimento como em se tratando de prevenção de lesão. Há casos de corredores de elite que correm de um jeito “feio” e desengonçado. O que fazer? Será que, ao “corrigir” esse padrão, ele melhorará ou piorará sua performance?

 

+Corrida - Independentemente do estilo pessoal, existem formas econômicas de correr?

Mário Sérgio - Muito se fala na pesquisa feita pelo fisiologista Jack Daniels, realizada na década de 80, quando encontrou que os atletas de elite mais econômicos apresentam uma frequência de passadas de 180 por minuto. No entanto são atletas que correm em ritmos mais rápidos (mínimo de 4min/km), o que naturalmente os obriga a ter uma frequência de passadas mais rápida, em comparação com corredores mais lentos. Curiosamente, pesquisas mais recentes têm demonstrado que aumentar ou diminuir o tamanho das passadas pode ser prejudicial, isto é, aumenta o gasto de energia. Pelo contrário, a passada mais econômica parece ser aquela selecionada pelo próprio corredor.

Aí vieram novas “técnicas” de corrida, como o método Pose, desenvolvida por um treinador soviético na década de 70. A teoria é interessante, mas ainda tem de ser comprovada através de diversas pesquisas. E há a descoberta do correr com menos proteção, descalço ou usando tênis minimalistas. Os adeptos alegam maior economia de corrida e prevenção de lesões. De novo, ainda falta muito estudo sobre o que realmente funciona.

Por outro lado, diversas pesquisas comprovam que o treinamento de força, saltos, sprints, treinar em subidas/descidas e treinamento intervalado melhoram a economia de corrida de forma significativa.

 

+Corrida -  Qualquer que seja o jeito de correr do atleta, ele pode aumentar a economia dos seus movimentos ou reduzir o impacto?

Mário Sérgio - Há indícios de que sim, através do treinamento de força, saltos, sprints, etc. Só que o corredor tem que ter muito cuidado com o processo de adaptação a esses métodos. A progressão inadequada e/ou presença de desequilíbrio/fraqueza muscular poderá deixar o corredor com grande risco de sofrer lesões.

 

+Corrida - Para os amadores, vale a pena fazer isso?

Mário Sérgio - Vale a pena, tanto para a prevenção de lesões como melhora da performance, mas tem que ser de forma muito gradativa, de preferência sob a supervisão de um treinador muito qualificado e que conheça o praticante.

 

+Corrida - Muitas equipes/treinadores de corrida prescrevem os chamados treinos educativos para corredores. Há uma corrente, porém, que considera esses educativos inúteis do ponto de vista de ganho de performance e perigosos, pois podem provocar lesões.

Mário Sérgio - As lesões em corredores de longa distância são multifatoriais, ou seja, são geralmente ocasionada por uma combinação de fatores. Os educativos não aparecem como um fator, seja de forma isolada ou combinada .

 

+Corrida - O estilo de correr muda com a velocidade ou com a duração da corrida?

 Mário Sérgio - Pelo menos até o momento, os treinos que empregam maiores velocidades têm melhorado a economia de corrida. Se o estilo é modificado, isso ainda é algo subjetivo. Na prática, observo que os corredores vão modificando o estilo (análise subjetiva e visual) e no meu caso sinto que é muito mais fácil atingir um padrão de corrida mais econômica com o aumento de velocidade.

 

+Corrida - Como você corre? O que você fez para melhorar sua corrida?

Mário Sérgio - Eu, desde que comecei a correr e aí vai mais de 20 anos, sempre me interessei pela técnica, como nadador que fui e treinador depois, já tinha essa preocupação em correr correto e de maneira mais eficiente. Assim, sempre me preocupei com a posição dos braços, com a maneira como as pernas tocam o solo. O que fiz para melhorar isso? Primeiro me conscientizar no gesto desportivo correto e depois pedi para me filmarem e a partir daí sempre, durante as corridas, penso nisso, além de alguns exercícios de técnica que me ajudaram a fixar esse gesto.

 

 

LEIA a seguir entrevista com o ultramaratonista VALMIR NUNES.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h49

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O jeito certo de correr – 4

Acompanhe a seguir a entrevista com o ultramaratonista VALMIR NUNES, 47, recordista sul-americano de provas de 24 horas e autor de “Segredos de um Ultramartonista”.

 

 

+Corrida - Existe um jeito certo de correr ou cada pessoa tem o seu jeito?

Valmir Nunes - Cada pessoa tem o seu jeito, não há como mudar.

 

+Corrida - Independentemente do estilo pessoal, existem formas econômicas de correr?

Valmir Nunes – Sim, com a coordenação correta de braços e pernas e passadas curtas e econômicas.

 

+Corrida - E há alguma técnica de corrida que ajude a reduzir o impacto da passada no solo?

Valmir Nunes - Sim, não levantar muitos os joelhos e correr com os passos próximo ao solo.

 

+Corrida - Muitas equipes/treinadores de corrida prescrevem os chamados treinos educativos para corredores. Há uma corrente, porém, que considera esses educativos inúteis do ponto de vista de ganho de performance e perigosos, pois podem provocar lesões?

Valmir Nunes - Os educativos servem para educar a coordenação de braços e pernas. São excelentes educadores desses membros. Acredito que a corrida fica mais leve. Tudo pode provocar lesão. Qualquer sobrecarga de exercício pode causar lesão.

 

+Corrida - O estilo de correr muda com a velocidade ou com a duração da corrida?

Valmir Nunes – Sim. Se o corpo começa a entrar em estado de fadiga, forçando o ritmo você começa a correr descoordenado.

 

+Corrida - Como você corre? O que você fez para melhorar sua corrida?

Valmir Nunes - Eu corro com passadas econômicas, típicas de ultramaratonista e maratonistas. Para melhorar, procuro variar o terreno e treinar em ritmos lentos, me preocupando mais com a frequência das passadas.

 

LEIA a seguir entrevista com o pesquisador VITOR TESSUTI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h48

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O jeito certo de correr – 5

Acompanhe agora a última entrevista desta série, com VITOR TESSUTTI, 38, bacharel em esporte e mestre em Ciências pelo Depto. de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

+Corrida - Existe um jeito certo de correr ou cada pessoa tem o seu jeito?

Vitor Tessuti - Em minha concepção,existe uma forma que cada corredor encontra, durante a sua prática, para executar a corrida de uma forma mais econômica. Existem diferenças sutis na técnica, como a forma de contato do pé com o solo, a forma como o pé rola do calcanhar à ponta do dedo, a forma como flexiona o joelho, a forma como flexiona o quadril, o posicionamento do tronco e da cabeça, e a movimentação dos braços. Todos esses fatores interferem na corrida de uma pessoa, além de outros movimentos mais sutis. E esses movimentos dependem do histórico esportivo de cada um na vida pregressa à prática da corrida.

Não se pode esquecer que cada movimento citado acima --e outros mais sutis-- ocorrem de forma sobreposta e não de forma seqüencial. Quando se fala em forma eficiente de correr é que existe uma coordenação ótima desses movimentos, de uma forma que nenhuma deles interfere negativamente no outro.

+Corrida - Independentemente do estilo pessoa, existem formas econômicas de correr?

Vitor Tessuti - A forma mais econômica é quando se consegue correr em um ritmo com baixo consumo de energia, levando-se em consideração fatores biomecânicos e fisiológicos. É o conceito de economia de corrida. Ou seja, não existe uma forma padrão para a corrida, pois cada corredor tem uma sequência de movimentos de cada articulação envolvida que difere de outro corredor por milissegundos, considerando uma forma mais detalhista de observação. Além disso, a adaptação fisiológica de cada um ocorre em um tempo diferente de outro corredor.

O que se chama de estilo está ligado ao que conseguimos observar na técnica de corrida de cada um de uma forma mais abrangente. Alguns têm uma corrida mais “sentada”, onde o calcanhar ao subir após a flexão de joelho é direcionado ao glúteo, e o joelho é projetado à frente. Uma outra forma seria com a flexão de joelho, sem a flexão do quadril, onde o joelho mantém-se direcionado para o chão, onde o calcanhar é elevado até a altura do quadril descrevendo um movimento mais amplo.

Qual destes é o jeito correto? Não dá para dizer. Cada um tende a se adaptar a uma ou outra forma em seu início da pratica da corrida.

O perigo disso está na tentativa de tentar modificar essa técnica ao adotar um padrão para todas as pessoas. Algumas até podem se readaptar, mas outras podem até se lesionar por conta dessa modificação, dependendo da forma como se introduz esta forma de troca da técnica.

Esse conceito de economia de corrida é um dos fatores pouco estudados, segundo um estudo da Universidade de Wisconsin e da Universidade Européia de Madri. Nesse estudo, os autores demonstram que, para encontrar a velocidade mais econômica da corrida, há que efetuar testes de cargas incrementais de curta duração para achar a velocidade de steady state, velocidade de corrida abaixo do limiar anaeróbio. Além disso, segundo os mesmos autores, uma extraordinária economia de corrida pode ser uma característica primária de corredores pequenos, que, além da baixa estatura, têm pernas finas.

 A forma de desenvolver a economia de corrida está atrelada à adição de treinamento intervalado de alta intensidade para um trabalho de base. Outros fatores, como treinamento pliométrico, treinamento em altitude e exposição ao calor também contribuem para a sua ampliação.

Um modelo desenvolvido por cientistas da Universidade de Jyväskylä (Finlândia) estabelece que a economia de corrida depende da capacidade e potência aeróbica, considerando principalmente os fatores de captação e absorção do oxigênio. Outro fator de eficiência está ligado aos fatores relacionados à eficiência do controle neural da contração muscular, o aproveitamento da energia elástica produzida pelo músculo, e pela mecânica da corrida. Esses fatores são altamente dependentes de um trabalho de força e de trabalho pliométrico. Nesse estudo, os pesquisadores demonstraram que, além do treino aeróbio, o treino de força explosiva e sprint melhora consistentemente corridas de 5 km. Essas alterações melhoram a potência muscular e a economia de corrida.

+Corrida - E há alguma técnica de corrida que ajude a reduzir o impacto da passada no solo?

Vitor Tessuti - A redução do impacto no solo depende da forma como o pé efetua o contato. A forma de atenuar seria colocá-lo de uma forma mais suave e não batendo o pé no solo. Toda vez que o pé é colocado com muito vigor no solo, a musculatura não consegue atenuar esse impacto, por falta de tempo. Existe uma  defasagem entre o contato do pé com o solo e a ativação muscular de 30 a 50 milissegundos, tempo em que nenhum músculo é capaz de contrair para proteger o impacto. Por esse motivo, a forma de colocar o pé no solo pode ser o primeiro controle que se faz.

Além disso, quando o toque no solo é feito com a região interna do calcanhar, diminui a possibilidade de sua primeira manobra de atenuação do impacto. A pronação é um movimento extremamente necessário, pois auxilia na atenuação da força de reação do solo nos primeiros momentos sem ação muscular. Portanto ao tocar o pé no solo em pronação, perde-se  a possibilidade de diminuir o impacto, transferindo o mesmo para todas as articulações acima do pé.

Outro ponto talvez seja a tentativa de sentir a posição de cada membro durante a corrida. Perceber posição do pé, a forma como está tocando ao solo, a forma como está empurrando o chão, elevando o joelho e o calcanhar, movimentação dos braços, respiração controlada em excesso. Acredito que a autopercepção seja uma ótima ferramenta que os atletas mais experientes tenham e possam utilizá-la. Os iniciantes levarão um tempo para desenvolvê-la. Estudos nossos ainda não publicados demonstram que indivíduos mais experientes (mais de cinco anos de corrida) conseguem correr com uma carga plantar menor que indivíduos menos experientes (indivíduos que correm de um a dois anos), independentemente do peso do corredor.

Mais um fator é a execução dos exercícios educativos. Isso é uma ótima maneira de melhorar a técnica. Mas não é fazê-los à esmo, por fazer. É sim observar cada detalhe. Vejo alguns profissionais utilizá-lo como aquecimento, sem grandes preocupações. Na minha opinião, eles devem ser utilizados com mais seriedade. Fazer parte de uma sessão de treino com menos corrida efetiva e mais desenvolvimento da técnica. Isso porque o educativo já é bastante intenso. Por isso, deve ser feito em uma superfície mais complacente, como a grama, e não no asfalto, como vejo com muita frequência.

+Corrida - Para os amadores, vale a pena fazer isso?

Vitor Tessuti - Sem dúvida. É fundamental para a evolução da corrida utilizar desses recursos para progredir a técnica e, consequentemente, tornar-se mais eficiente. Precisa somente avaliar a questão custo-benefício, principalmente para quem não sobrevive da corrida. Treinos muito intensos de educativos, pliométricos ou de força também podem acelerar a ocorrência de lesões, se mal administrados na relação com o volume total de treino. Periodizar o treino é fundamental para conciliar treino de corrida com treinos suplementares. Por esse fator, a presença de um professor de educação física é fundamental para montar os treinos de corrida. 

 +Corrida - Muitas equipes/treinadores de corrida prescrevem os chamados treinos educativos para corredores. Há uma corrente, porém, que considera esses educativos inúteis do ponto de vista de ganho de performance e perigosos, pois podem provocar lesões?

Vitor Tessuti - Tudo depende da forma como são aplicados.  O fracionamento da técnica com os exercícios educativos é a melhor forma de otimizar movimentos. Por isso velocistas o fazem. São mais dependentes de uma corrida eficiente comparado aos fundistas.

Fazê-los como aquecimento, sem vigor, ou fazê-los em superfícies muito rígidas pode não trazer os benefícios esperados. Pelo contrário, pode não melhorar a técnica ou aumentar a carga nos membros inferiores, respectivamente.

+Corrida - O estilo de correr muda com a velocidade ou com o tempo que se corre?

Vitor Tessuti - O estilo não muda, mas a velocidade pode acentuar falhas na técnica, facilitando ainda mais o surgimento de lesões. A experiência de corrida (tempo de treino), esta sim pode afetar seu estilo, pois a tendência é torna-lo mais econômico.

+Corrida - Como você corre? O que você fez para melhorar sua corrida?

Vitor Tessuti - Não penso em uma técnica, penso sim em cada movimento que meus pés, minha perna, meus joelhos, meus quadris fazem durante a corrida. Tento observar o som que produzo ao correr. Sem deixar de lado os educativos. Eles realmente fazem a diferença quando utilizados corretamente.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h45

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“Não foi suicídio”, diz agente de recordista olímpico da maratona

Começam a surgir as primeiras vozes que lançam dúvidas sobre a versão da morte de Samuel Wanjiru divulgada pela polícia do Quênia. Segundo a polícia, o recordista olímpico da maratona pulou para a morte na noite de ontem, depois de uma violenta discussão com sua mulher, que o teria flagrado com outra no apartamento em que o casal vivia.

“As razões dele não podemos saber, pois ele não está aqui para explicar. O fato é que ele pulou da varanda de seu quarto. Não há suspeita de crime. Acredito que estava tentando evitar que sua mulher saísse do prédio”, disse o chefe de polícia responsável pela região de Nyahururu, onde vivia Sammy Wanjiru.

Na manhã de hoje, em Roma, Federico Rosa, agente do corredor, disse não acreditar que Wanjiru tenha se matado. “Estou 100% certo de que não houve suicídio. Isso está completamente fora de questão”, afirmou Rosa.

O agente confirmou, porém, que o casamento do campeão não estava indo bem. “Eu nunca entendi direito por que os dois continuavam juntos. Ele não estava envolvido com a mulher, e ela não estava feliz.”

Apesar das dificuldades no relacionamento, Wanjiru estava tocando a vida, segundo disse Rosa. O corredor vinha treinando em Eldoret, a capital da corrida no Quênia, e planejava disputar a maratona de San Diego (EUA), no mês que vem.

Rosa disse que no sábado havia conversado com Wanjiru por telefone e que estava tudo bem. O atleta pretendia viajar para casa para pagar algumas contas e teria um encontro hoje com seu advogado, para tratar de sua defesa em um processo em que é acusado de posse ilegal de arma de fogo.

“Não havia depressão”, disse Rosa. “Nó o tiramos daquele ambiente, e ele estava feliz, focado nos treinos e relaxado.”

“Ele tinha o dom dos campeões”, afirmou o agente, que representa também outros supercorredores quenianos, como Martin Lel e Robert Cheruiyot. “Além de ter um grande talento, os campeões têm algo que eu chamo de uma certa arrogância. Eles sabem que são mais fortes e melhores que os demais. Wanjiru está sempre focado na vitória, não em ser famoso ou ganhar muito dinheiro, mas sim em mostrar que ele era o melhor”, afirmou Rosa.

Os problemas familiars e as questões com a Justiça, porém, vinham prejudicando o treinamento do atleta, que teve uma lesão que o impediu de participar da última maratona de Londres. Para marcar sua volta, Wanjiru pretendia correr uma maratona importante no segundo semestre –Chicago ou Nova York-- como parte de sua preparação para a maratona dos Jogos de Londres-2012.

“Ele queria mostrar ao mundo quem era Sammy Wanjiru”, resumiu o agente.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h59

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Mundo do esporte lamenta morte de campeão olímpico da maratona

O campeão olímpico da maratona, Samuel Wanjiru, de 24 anos, morreu na noite passada depois de se atirar de uma varanda do apartamento onde morava, em Nyahururu, segundo informações da polícia do Quênia.

Wanjiru, dono do recorde olímpico da maratona, teria cometido suicídio depois de ser flagrado por sua mulher enquanto estava com outra na casa da família.  

"Wanjiru chegou em casa com outra mulher por volta das 23h30 de ontem. Pouco mais tarde, a mulher dele chegou”, disse o chefe de polícia Jasper Ombati.

Na versão divulgada pela polícia, o casal teve então uma forte discussão. A mulher de Sammy fechou o marido com a outra no quarto e saiu de casa. Então o campeão olímpico saltou, morrendo pouco depois.

Esse não foi o primeiro choque entre Wanjiru e sua mulher, Triza Njeri. No final do ano passado, o corredor chegou a ser detido, acusado de ter ameaçado matar Triza, a quem teria apontado um fuzil AK-47.

As acusações foram retiradas mais tarde, e dias depois o casal anunciou sua reconciliação.

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, disse que a morte é um golpe para todo o mundo esportivo.

Em Pequim-2008, Wanjiru se tornou o primeiro queniano a conquistar uma medalha olímpica na maratona (foto AP). De quebra, estabeleceu novo recorde olímpico, fechando a prova em 2h06min32 no que, por causa das condições climáticas extremamente desfavoráveis, foi considerada uma das maiores performances de um maratonista em todos os tempos.

A morte repercutiu em todo o mundo esportivo. “Estou totalmente chocado”, escreveu em sua página no Twitter o recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, duas vezes campeão olímpico nos 10.000 m.

“Meus pensamentos estão com a família e os amigos de Wanjiru”, escreveu  Gebrselassie. E questionou: “Nesta hora, a gente se pergunta se nós, a família do atletismo, não poderíamos ter feito alguma coisa para evitar isso”.

O maratonista americano Ryan Hall também lamentou a morte via Twitter: “Estou chocado e muito triste”.

“Wanjiru era um grande atleta”, disse o etíope Kenenisa Bekele, campeão olímpico dos 5.000 m e 10.000 m. “Eu esperava um dia poder enfrentá-lo em uma maratona.”

Para Jos Hermens, manager de Gebrselassie e Bekele e um dos maiores especialistas em corridas de longa distância, Wanjiru teve muito sucesso muito cedo.

“Isso tudo é muito triste. Campeão olímpico aos 21 anos, ele poderia vir a se tornar o recordista mundial da maratona, mas não conseguiu administrar a nova vida de luxo e de muito dinheiro. Tudo aconteceu muito rápido para ele”, disse Hermens. Acrescentou: “Não há nada de mal a falar sobre ele. Ele apenas não conseguiu administrar o sucesso. Era um leão”.

A carreira internacional de Wanjiru começou muito cedo. Aos 15 anos, ele se mudou para o Japão, onde estudou em Sendai, a cidade destruída pela tsunami deste ano. Lá ele conquistou vários títulos em competições de cross country, além de também correr em pista.

Anos depois, foi para a Europa para desenvolver sua carreira. Em 2005, no final da adolescência, bateu o recorde mundial da meia maratona em Roterdã. Ele ainda melhoraria sua marca duas vezes antes de avançar para a maratona: estreou com na distância com vitória, em 2007, em Fukuoka, Japão.

No ano seguinte, conquistou o segundo lugar na maratona de Londres e, meses depois, atingiu o ponto mais alto de sua carreira, tornando-se recordista olímpico com a vitória  em Pequim.

Além dessas vitórias, ainda ganhou a maratona de Londres em 2009 e foi bicampeão em Chicago (2009 e 2010).

“Sammy Wanjiru foi um grande corredor, que será lembrado por ter conquistador a primeira medalha de ouro do Quênia na maratona e por ter estabelecido um novo recorde olímpico”, diz um comunicado do Comitê Olímpico Internacional.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h33

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Marílson derrota queniano e bate recorde de Vanderlei

 

O melhor maratonista brasileiro da atualidade confirmou hoje em Santos que também é bom em provas mais curtas. Marílson Gomes do Santos conquistou o inédito hexacampeonato na Tribuna FM-Unilus, uma das maiores corridas de 10 km do país.

 

Único brasileiro a vencer a prova nos últimos 13 anos, Marílson derrotou o queniano Nicholas Kimeli Keter, que liderava até o km 6, e ainda baixou em dois segundos o recorde estabelecido por Vanderlei Cordeiro de Lima, que já durava 14 anos.

 

 “O Vanderlei é um grande atleta. Não era fácil bater esse recorde. Quando ele fez, estava em grande forma”, disse Marílson (foto Douglas Aby Saber/FMA), que completou em 27min59 um mês depois de ter estabelecido, em Londres, o melhor tempo de sua história na maratona --2h06min34.

 

No feminino também houve quebra de recorde do percurso. A queniana Eunice Kirwa, que fechou em 32min07, melhorou pela segunda vez a marca mais rápida da prova e conquistou sua terceira vitória na competição. Ela foi seguida por Simone Alves (vice da São Silvestre) e Cruz Nonata, que também completaram em menos de 33 minutos.

 

Os dois campeões levaram um prêmio de R$ 25 mil cada um.  

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h21

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Coisas que irritam o corredor de rua

Meu treino de hoje foi uma delícia. A temperatura estava agradável e, quando eu já tinha mandado alguns quilômetros para o ar e começava a tentar aumentar o ritmo, chegando mesmo a suar um tantinho, veio um chuvisco refrescante para acalmar os sentidos.

 

Acalmar, mas não apagar. De olhos bem abertos para o mundo, não deixava de ver as mazelas a minha volta. Um motorista buzinando sem parar, outro fechando um vizinho, desrespeito às leis de trânsito e aos semáforos, aquela coisa linda.

 

Para variar, havia um motoqueiro acidentado, ensanguentado, estirado no chão, já atendido pelos bombeiros e com um enxame de marronzinhos em volta –um deles dirigia uma perua no canteiro na Sumaré e quase me atropelou porque olhava para trás enquanto movimentava o carro para a frente.

 

Em suma, o mundo continua aí mesmo quando a gente se encastela no maravilhoso terreno da corrida. Em geral, a mim nada incomoda, pois sigo na mesma balada. Nas minhas corridas digitais, porém, pelos mais diversos recantos da internet, encontro relatos de corredores que se irritam com muita coisa –algumas surpreendentes, outras corriqueiras.

 

Uma turma de corredores que se encontram no Twitter, por exemplo, e agora abriu sucursal no Facebook, traz a público comportamentos de não corredores que atrapalham os treinos ou simplesmente irritam o mais concentrado velocista.

 

Parece haver, no povo civil, a crença de que corredor sabe tudo. E o cidadão não tem o menor pudor de parar o sagrado treino para pedir uma informação.

 “Estava treinando ontem e, em um cruzamento da Vergueiro, para um Celta bem na minha frente, já com os vidros abertos, e o sujeito pergunta onde fica a rua tal. Será que ele não percebe que estou treinando, ocupado, ofegante? Para em um posto, se vira...”, desabafa um corredor, enquanto outro relata que parece ser um ímã de motoristas preocupados com uma eventual blitz policial que supostamente estaria mais à frente na avenida.

 

Mesmo os felizes atletas que podem treinar no litoral ficam emburrados. Veja só o que diz uma moça que parece ter mesmo muito pouca paciência: “Me irritam as pessoas que caminham no calçadão da praia e fazem parede, impedindo a passagem, me irritam pitbulls soltos e sem focinheira, me irrita minha meia "pegando", o protetor solar escorrendo no meu olho e ardendo... Muitas coisas me irritam, mas o que me irrita mais é já estar cansada com dois minutos de trote, e continuar assim com uma hora...”.

 

Calma, é melhor encarar as coisas de modo mais filosófico, para não se estressar quando está tentando exatamente se desestressar. É bem verdade que as coisas que dizem para a gente, quando estamos correndo pelo asfalto afora, podem tirar alguns do sério.

 

A mim, por causa de minha aparência, já chamaram de tudo, desde Rei Leão até Osama, Jesus Cristo, Papai Noel e o Selvagem de Bornéu. O pior foi um garoto, que, na aparente intenção de incentivar, mandou esta: “Vai lá, tio!”

 

As moças também sofrem com as piadinhas. “Vai lá, Maria!”, gritam para uma, que também já recebeu a suprema ofensa: “Vamos lá, gordinha!”.

Há outras frases igualmente gozadinhas: “A corrida é para o outro lado” é até criativa, mas alguns passantes parecem transferir para o corredor suas frustrações: “Corre mais rápido, gordão” e “Tá correndo ou tá passeando?” já foram ouvidos por um atleta mais bem fornido.

 

O bom é que a gente está sempre passeando e segue em frente, esmagando a irritação com as nossas passadas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h08

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Como a Jamaica descobre talentos no atletismo

Os cartolas do atletismo brasileiro e o pessoal que cuida do esporte no governo talvez se beneficiassem da leitura da entrevista com Alfred Frano, guru dos velocistas jamaicanos, membro da federação de atletismo do país e descobridor de talentos na área. Frano falou ao repórter Bruno Vicari, da revista “O2”, que publica a entrevista na edição deste mês.

Entre outras questões, ele fala sobre o programa jamaicano de incentivo ao atletismo: “É preciso criar uma cultura nacional para que desde cedo as crianças se interessem pelo atletismo. Temos competições desde o jardim de infância até a faculdade. Damos oportunidades para todos participarem e se divertirem em todas as idades. A diversão tem de ser a meta inicial”.

Frano também destaca a necessidade de ter o apoio dos pais, de empresas e do governo. E fala sobre a pirâmide de competições de massa: “Primeiro existe uma competição dentro da escola, que depois passa a ser interescolar, vira regional, nacional, até chegar ao nível de uma seleção do país. Assim fazemos com que todos tenham orgulho em defender a Jamaica. Orgulho e paixão são coisas que você precisa plantar. Não estão relacionadas ao dinheiro”.

Assim que foi descoberto Asafa Powell, ex-recordista mundial dos 100 m. E assim o mundo veio a conhecer Usain Bolt, o homem mais rápido do mundo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h39

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Brasileiro busca o bi no Sul-Americano de maratona

O pernambucano Marcos Antonio Pereira embarca sexta-feira para Lima, onde disputa no domingo o Sul-Americano de maratona. Pereira tenta no Peru o bicampeonato da competição –venceu em Buenos Aires, em 2009, com 2h17min56.

No feminino, a representante brasileira no Sul-Americano será a paraibana Mary Emanuella. A corredora tem no currículo a medalha de bronze no Ibero-Americano de maratona, que conquistou em fevereiro passado em Caracas, quando completou a prova em 2h54min57.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h30

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Velocistas gregos envolvidos em doping são condenados

 

Trinta e um meses de cadeia foi a pena para os velocistas gregos Kostas Kenteris e Katerina Thanou, condenados por perjúrio depois que ficou comprovado que eles forjaram um acidente de moto para escapar de um teste antidoping na Olimpíada de Atenas-2004. A execução da pena está suspensa temporariamente, pois os dois corredores entraram com recursos.

O caso foi um dos mais escandalosos da cruzada antidoping levada a efeito durante os Jogos de 2004. Os dois atletas, ambos medalhistas em Sydney-2000 –ouro nos 200 m para ele, prata nos 100 m para ela— se envolveram nesse acidente, que logo foi denunciado como uma patacoada para tentar evitar os testes.

Sete anos depois, o que todo mundo desconfiava na época ficou comprovado pela Justiça grega, que também condenou o técnico dos dois corredores por envolvimento na farsa. Christos Tzekos foi condenado a 33 meses de cadeia.

“Espero que coisas como essa não voltem a acontecer na Grécia”, disse o presidente da Federação Grega de Atletismo, Vasilis Sevatis. E acrescentou, num alerta que vale para esportistas de todo o mundo: “Os atletas precisam dizer não ao doping em qualquer circunstância”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h31

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Lydia Cheromei arrasa em Praga

“Nunca olhei para trás”

 

Deu a lógica. Há pouco mais de um mês, a queniana Lydia Cheromei  (Divulgação/IAAF) havia vencido a meia maratona de Praga em tempo recorde; ontem, ela voltou às ruas da capital tcheca para mais uma vez demolir a melhor marca de um percurso.

E que percurso! É uma beleza de prova, circulando pelas ruas da charmosíssima Praga, passando por cenários históricos com a ponte Carlos (no alto)

Especialistas acreditavam que, se as condições estivessem ideais, Cheromei, 33, poderia entrar no seletíssimo grupo grupos das maratonistas sub2h20. Até ao km 10, por sinal, ela estava com ritmo para isso, mas não conseguiu manter a passada –na largada a temperatura estava em 16 graus e foi subindo ao longo da manhã.

Aliás, na chegada, vários atletas tiveram de receber atendimento médico, como a moça da foto abaixo.

Mesmo assim, a queniana, que conquistou seu primeiro título mundial aos 13 anos –o de Cross Country júnior, em Antuérpia--, mandou ver e destruiu o recorde da prova por mais de três minutos, fechando em 2h22min34, que também é o melhor tempo de sua carreira.

Terminou com vantagem de quase seis minutos sobre a segunda colocada: “Eu nunca olhei para trás. Meu objetivo hoje era bater o recorde da prova e isso eu consegui. Agora vou voltar para o Quênia e começar a planejar o futuro”.

No masculino, os três quenianos que chegaram na frente terminaram a prova em menos de 2h08. A vitória ficou com Benson Barus, que fechou em 2h07min07.

Já entre muitos atletas amadores, o interesse era a pura diversão, para si e para os outros _caso desse sujeito fantasiado.

E houve até espaço para a fuzarca em família, com pais e filhos correndo juntos. Houve mesmo quem levasse o cachorrinho, que correu com número e tudo (fotos Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h06

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Maurren leva prata na primeira etapa da Liga de Diamante

Show de imagens

Um maldito centímetro foi o que separou a brasileira Maurren Maggi da vitória no salto em distância na primeira etapa da Liga de Diamante, hoje em Doha, no Catar.

Maurren (na foto, durante um evento em abril, em São Paulo – Mastrangelo Reino/Folhapress) saltou 6,87 m na sua segunda tentativa, mas a vitória ficou mesmo com a

norte-americana Funmi Jimoh, que estabeleceu a marca vencedora no primeiro salto.

A outra brasileira que participou do evento, Keila Costa, foi a última, com 6,36 m.

Além de festa do atletismo, os encontros da Liga de Diamante são um prato cheio para os fotógrafos, que conseguem imagens muito bacanas. Acompanhe a seguir algumas delas, todas da France Presse.

 

O espírito da competição brilha nos olhos na americana Allyson Feliz (esq.) , que terminou os 400 m oito centésimos de segundo à frente de Amantle Montsho, de Botsuana.

 

Depois de passarem as barreiras, o americano Bershawn Jackson (dir.) persegue ingloriamente L.J. Van Zyl, da África do Sul, que venceu os 400m com barreiras em 48s11.

 

A face transformada em máscara de dor expressa o esforço de Lolo Jones, dos EUA, para mostrar sua superioridade nos 100 m com barreira. Não foi suficiente, pois ela acabou em terceiro; a vitória foi de sua compatriota Kellie Wells, em 12s58.

 

 

Falando em esforço, nada adiantou para os rivais do queniano Asbel Kiprop (dir.), que conquistou a vitória nos 800 m em 1min44s74.

 

 

Talvez a imagem mais bacana entre as que pude ver, a foto acima mostra um momento da disputa dos 1.500 m feminino. No centro da imagem está uma loirinha de rabo de cavalo. Veja a forma dela: é Anna Mishchenko, da Ucrânia, que vai engolir todas essas que estão aí na frente e vencer em 4min03.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53

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Maratona na Faixa de Gaza

Pela vida e pela paz

 

Pela primeira vez na história, foi realizada uma maratona na Faixa de Gaza, território cercado por Israel e reivindicado pela Autoridade Nacional Palestina como parte de um futuro Estado palestino.

É um terreno tão pequeno que nele mal cabe uma maratona. Trata-se de uma faixa de cerca de 41 km de extensão na costa do mar Mediterrâneo. Faz fronteira com o Egito, ao sul, e com Israel, a norte e leste. As fronteiras são fechadas por muralhas e palco de constantes conflitos.

Acostumado a treinar em esburacadas ruas de terra, observado por ruínas de prédios bombardeados, Nader al-Masri (à esq. na foto no alto, da FP) venceu a prova. Representante da Palestina na Olimpíada de Pequim-2008 nos 5.000 m, ele foi um dos nove corredores que participaram da maratona e completou o percurso em 2h42min47.

Mas teve gente que não conseguiu chegar ao fim, como o atleta da foto acima (Reuters), que desmaiou durante a corrida e precisou receber atendimento médico.

No total, o evento teve cerca de 1.500 participantes, a maioria deles escolares (AP, Reuters), que correram percursos bem mais curtos, de 1 km e 8 km, conforme sua faixa etária.

A primeira maratona da Faixa de Gaza foi realizada por uma agência das Nações Unidas que dá apoio a refugiados palestinos. Com o evento, levantaram cerca de US$ 1 milhão para financiar acampamentos de verão para crianças palestinas.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h59

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Peladão é preso em maratona nos EUA

“Isso acontece”

Deu tudo errado para Brett Henderson. 35, que queria porque queria correr a maratona Flying Pig, no último domingo em Cincinnati, nos EUA.

Por alguma razão, não achou suas roupas de corrida na manhã domingueira. Sem se importar, resolveu pegar um calção do pai.

Afinal, tinha treinado muito e não queria ficar de fora da prova por falta de vestimenta adequada.

Esqueceu-se, porém, que o progenitor, ainda que do tipo esportivo, é mais fornido do que ele. E os calções ficaram escorregando ao longo da corrida, prejudicando-lhe a performance.

Brett não teve  dúvidas: apesar do frio e da chuvinha ingrata, jogou fora a vestimenta e segui caminho apenas com a camiseta de corrida.

Insuficiente, como logo notaram seus parceiros de corrida e, pior, a polícia loca, defensora da ordem, da moral e dos bons costumes.

Os guardiões da lei irromperam no percurso, mandando que Henderson pulasse fora.

O corredor não quis saber. Afinal, tinha treinando tanto etc. e tal... Se a polícia quisesse pegá-lo, que corresse atrás.

Mas os homens estavam de carro, armados de revólveres e com aquela maquininha de choque, que usaram no coitado do corredor, que foi direto pro  xadrez.

Ele ficou indignado: “Isso são coisas que acontecem e são toleradas no mundo das corridas, assim como são tolerados os corredores que urinam pelo caminho e até há casos de gente que faz outras necessidades no próprio percurso, sem que ninguém as perturbe. Isso não tem nada de indecente. Aliás, faz pouco tempo, eu fui até incentivado quando corri pelado em uma maratona em São Francisco”.

Com esses argumentos, ele foi à audiência inicial e se declarou inocente de “indecência pública” e de obstrução da Justiça.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h57

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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