Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Maratona casca grossa no deserto do Atacama

 

Não gosto muito de falar de provas que vão acontecer, mas, às vezes, um percurso inédito merece ser comentado.

Estou me referindo à maratona do deserto do Atacama, organizada pelo mesmo pessoal que faz a série Mountain Do, de corridas fora de estrada.

A maratona vai ser realizada em janeiro do ano que vem (veja mais detalhes no site do evento, AQUI) e promete oferecer um percurso bem difícil (veja o mapa no alto), ideal para quem gosta de um desafio casca grossa, ao lado da paisagem lunar que caracteriza o deserto do Atacama, no Chile.

Haverá também uma prova de 22 km e uma de 5 km.

Eu já participei de dois eventos realizados pelo grupo, e ambos foram bem bacanas. Mas isso já foi há vários anos, e não sei como estão as coisas agora --espero que tenham até melhorado, mas nunca se sabe.

Outro porém são os custos de participação: a inscrição é em dólar (US$ 168 até o próximo dia 10; depois aumenta), e a viagem para o Atacama não é exatamente a coisa mais barata do mundo.

Mas imagino que, para quem puder pagar o preço, a aventura será compensadora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h35

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Gregos fazem rota de Fidípides contra política econômica

Trinta ativistas gregos fizeram uma caminhada de cerca de 240 quilômetros, de Esparta a Atenas, em protesto contra a nova política de arrocho econômico da Grécia.

Eles seguiram a rota que, há mais de 2.500 anos, foi feita por Fidípides, um soldado-corredor grego que foi mandado a Esparta, pelo governo de Atenas, para pedir ajuda contra o ataque dos invasores persas, que estava para acontecer em pouco tempo.

Fidípedes foi, ouviu a negativa e voltou na mesma balada. Daí Atenas teve de reorganizar sua estratégia de defesa, aconteceu a batalha de Maratona e o resto você sabe: os gregos ganharam, um soldado voltou correndo a Atenas para anunciar a vitória e morreu ao chegar. Foi a inspiração para a criação, em 1896, da maratona, que fez sua estreia na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, exatamente em Atenas.

Não há registros de quanto tempo o hemerodromo (soldado-corredor) levou para cobrir o percurso. Os caminhantes de hoje fizeram o trajeto em  três dias, não deixando nunca de divulgar a sua causa.

Chegaram a Atenas no último dia 22, quando participaram de uma concentração na praça da Constituição (Syntagma), fazendo discursos e sendo aplaudidos por uma pequena multidão (fotos AP).

A crise econômica da Grécia acontece na esteira da grande crise  internacional de 2008, provocada por uma cascata de negociatas interbancárias sem sustentação na dita “economia real” (uma excelente explicação sobre o assunto é o filme “Trabalho Interno”, que você encontra em DVD nas boas locadoras).

Para pagar o rombo das perdas no mercado financeiro, o governo grego está sendo pressionado a adotar medidas que, segundo alguns analistas, vão redundar em demissões em massa e privatizações –sem garantia de resultados concretos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h38

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Como é correr no Canadá, no meio da neve e do vento gelado

 Como você lembra, minha coluna deste mês no caderno Equlíbrio, da Folha, trouxe dicas para correr no frio (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). No blog, coloquei entrevistas de especialistas, que apontaram riscos da experiência e apresentaram sugestões para se dar bem nas baixas temperaturas. Agora, trago para você o depoimento do estatístico paulista MARCOS SANCHES, corredor experiente e dedicado, que mora há quatro anos no Canadá e raramente deixa de dar sua corridinha diária. Ele nos conta como é correr na neve, com temperaturas que chegam aos 30 graus negativos. Bueno, vamos ao texto do MARCOS, a quem agradeço pela colaboração.  

"Um dia eu decidi vir morar em Toronto, Canadá.  Mas corredor que é corredor não vem para o Canadá sem  a preocupação de como vai ser correr no inverno. Imaginava que eu teria que usar tanta roupa que não conseguiria correr. Ou que quebraria alguns ossos ao escorregar na neve. Ou que acabaria congelado no meio da rua. Chegando aqui, não esperei o inverno, já fui conversando com a galera e perguntando nos foruns da internet como deveria fazer para correr quando o inverno chegasse. Os corredores não pareciam muito preocupados, mas isso não foi o suficiente para me acalmar. Ao mesmo tempo, eu estava ansioso pois queria sentir a sensação diferente de correr com frio e neve.

Em países frios como o Canadá, as corridas se concentram no verão, com poucas acontecendo no inverno. Na verdade bem poucas. Embora as condições para se correr no inverno não sejam ruins, a impressão que tenho é que muitos param de correr ou vão para as academias, de forma que vemos muito menos corredores nas ruas no inverno. Quando o inverno se vai e a primavera chega, com ela vem a vontade de sair de casa, de ir para os parques, de entrar em forma. Assim as pessoas voltam a correr nas ruas e os organizadores também voltam a organizar corridas.

Minha primeira corrida no inverno foi com 13 graus negativos, em Dezembro de 2007,  foi a corrida de Natal, chamada Santa Shuffle. Naquela corrida eu passei frio e com 2 km eu não sentia mais os dedos da mão. Apertei o passo, nunca corri tão rápido para terminar logo e voltar ao salão com aquecimento onde a galera se concentrava antes da corrida. Quando terminei, já no salão, os dedos aqueceram e doiam muito. Sinal, dizem, que tudo estava bem! Mas como doía...  Coisa de corredor inexperiente, essa foi a única vez que me senti um corredor congelado.

 Quatro anos e três invernos depois, correr abaixo de zero pelas ruas de Toronto não é mais novidade para mim. E o frio de Toronto poucas vezes é frio o bastante para me fazer ficar em casa. O segredo, para mim, é ter roupas adequadas e experiência.

A experiência é um ingrediente importante porque diferentes pessoas sentem o frio de uma forma diferente: enquanto eu uso duas blusas outra pessoa pode precisar de apenas uma. E também porque a temperatura varia muito no inverno, de modo que não há uma única recomendação que funcione para qualquer temperatura. Para adquirir experiência você precisa correr bastante no frio, e com sorte você não vai terminar congelado. Vou falar um pouco de como eu corro no frio de Toronto.

A primeira coisa é comprar roupas adequadas, que você encontra em qualquer loja especializada, especialmente no outono, e possivelmente em promoção depois do inverno. Eu tenho dois conjuntos de calça e blusa, um mais grosso e um mais fino. O mais fino eu uso com temperaturas de até 5 graus negativos, e o mais grosso até 10 graus negativos. Se passar de 10 graus negativos, eu preciso colocar os dois, com uma outra blusa fina por baixo e camiseta. A chave é ter várias camadas quando está muito frio. Assim eu consigo correr com 20 ou 30 graus negativos.

 Mas, para mim, quando a temperatura cai abaixo dos 15 negativos, ou abaixo dos 5 graus negativos com muito vento, é hora de ficar em casa. Embora dê para correr nessas condições, a proteção do rosto, nariz, olhos se torna um problema. Você precisa usar uma balaclava para protejer rosto e nariz, e para mim começa a ficar incômodo e correr perde um pouco da graça.

Outra coisa importante são as mãos, e as minhas congelam muito facilmente. Você vai precisar ter vários pares de luvas e usar a luva apropriada para cada temperatura. Isso vai exigir experiência, eu muitas vezes saí de casa com duas luvas no meu primeiro inverno aqui. Usar gorro adequado também é superimportante.

 A única coisa que não mudou, no meu caso, foi o tênis – eu uso os mesmos pares no verão e no  inverno. Embora seja uma das preocupações, o chão escorregadio geralmente não é um problema, a não ser muito raramente, quando a temperatura sobe fazendo a neve derreter, depois a temperatura cai fazendo a neve derretida virar gelo. Aí é muito liso e você precisa tomar cuidado, mas na minha opinião você vai cair mais facilmente se andar do que se correr!

Resumindo, depois de ganhar um pouco de experiência, correr no frio se torna algo normal e sem segredos, e eu diria que muitas vezes agradável. Basta ter o equipamento correto e evitar condições mais extremas de vento e temperatura. No meu caso. Eu geralmente estou ansioso para que a primeira neve caia para que eu possa correr pisando no chão macio e apreciar a  paisagem toda branca, que acho muito bonita!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h39

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Em Luxemburgo, maratona noturna é maravilhosa

  

O ortopedista HENRIQUE CABRITA tem tamanho para ser jogador de rúgbi, que praticou na juventude. Hoje em dia, porém, dedica-se a esportes menos violentos, ainda que tão intensos: tornou-se maratonista. Seu mais recente desafio foi a MARATONA DE LUXEMBURGO, pequeno país encravado entre França, Bélgica e Alemanha, com população de cerca de meio milhão de pessoas. Trata-se de uma corrida noturna, com largada às 19h. De fato, porém, os mais rápidos completam ainda durante o “dia”, pois nesta época do ano o sol se põe, naquela região, por volta das 22h. Para a maioria, portanto, a chegada é efetivamente à noite, já com um friozinho razoável: a prova, realizada no último dia 11, começou com 16 graus; quando Cabrita completou a maratona, os termômetros já marcavam 11 graus.

Mas chega de conversa. Deixemos que o corredor conte sua história.

 

 

"Maravilhosa é a definição para essa corrida. A cidade é pequena, tem 200.000 habitantes, mas toda ela fica voltada para a maratona, que ocorre sempre num sábado. Assim o pessoal pode ficar acordado até tarde, incentivando os corredores, bebendo cerveja e vinho e fazendo muita festa. Várias crianças ficaram junto à rota, colocando as mãozinhas para cumprimentarmos na passagem. Já os adultos gritam, cantam, fazem marcações com panelas, pessoas nas varandas tocam guitarra elétrica, batem palmas enfim, incentivam bastante.

 

Ao passar pelo centro da cidade, o pessoal enlouquece. Quando passei do quilômetro 34, por volta de 22h, a praça junto à prefeitura continuava lotada de espectadores.

Mas é uma prova dura.

 

Quando meu orientador físico olhou o traçado da prova, cheio de curvas, subidas, descidas zigue-zagues, pontes e praças, ele quase enlouqueceu: “Temos que treinar todo o tipo de dificuldades, vai ser casca grossa!”.

No dia da prova, o tempo e o espírito estavam maravilhosos. Larguei junto com um colega que iria correr a meia maratona e ainda encontramos o casal de amigos que moram lá e participavam da caminhada --lembramos muito de nossa amizade tão brasileira.

 

A largada é em um ponto mais alto da cidade, no centro de convenções. A partir daí fizemos uma descida suave, por quatro quilômetros, com um desnível de 100 metros.

Na parte inicial não há muito público, mas aí chegamos à cidade, com piso ótimo, sem qualquer desnível, asfalto e calçadas ótimas, hidratação de três em três quilômetros, com água e isotônico em todas.

 

Antes da prova, na feirinha, pequena e honesta, pudemos experimentar o isotônico da prova. Era levemente gaseificado e fiquei meio apreensivo, mas não deu problema algum.

Várias cestas grandes de lixo aguardavam os copos de água e isotônicos usados, havia pouquíssimo lixo na rua. Que beleza de visual um chão limpo após a passagem de milhares de corredores!

 

Até o km 17, a maratona e a meia correm juntas. Então o curso da maratona segue mais para a periferia da cidade por uns 10 km e volta à parte central. Encontrei minha esposa no km 25, e ela me revigorou com um bom isotônico e um beijo.

 

Aí então vem a melhor parte da prova (e a mais técnica). No quilômetro 28, passamos em frente ao Palácio do Duque de Luxemburgo, correndo por um viaduto que passa por cima de um jardim verde e florido, cercado de muros de pedra medieval. Depois descemos até esse jardim, todo iluminado, com passarelas junto a cachoeiras, lagos e árvores frondosas.

Após a passagem por um arco romano, há uma subida em zigue-zague por uns 500 metros, e subimos por aí, com ritmo revigorado pela beleza do local.

 

Então voltamos ao centro da cidade, novamente com empolgação da galera em volta.

No quilômetro 38, chegamos à subida final. Aí o pessoal quebra mais. Passei vários corredores andando e com câimbras, dá uma pena ver gente que se preparou tanto se decepcionar...  Esses últimos quilômetros  fizeram um atleta postar no blog da corrida, no ano passado, que “quem traçou a rota da prova deve ser absolutamente maluco”.

 

Eu fiz a meia maratona em 1h57min e terminei em 4h02min, ou seja, nem pensar em “split negativo” nessa corrida. Dei uma quebrada no km 37, fiquei um pouco desanimado com a perda de uns três a quatro minutos no que havia planejado para o final (quatro horas), mas logo ali havia uma banda tocando um samba! Como eu estava com uma camisa amarela de manga comprida do Brasil, o conterrâneo que estava na marcação me viu e saiu correndo comigo, falando “vai Brasil!”.

 

Então vieram este quatro km de subida final. Tirei a energia do fundo da alma e finalizei os últimos dois quilômetros abaixo de 5 minutos cada um, apesar das subidas.

 

A chegada foi emocionante. Faltando 500 m foram colocadas tochas em volta da pista, já iluminada por uma lua cheia característica de uma cidade sem poluição.  A organização monta um piso de carpete com uma curva de 200 metros dentro do pavilhão de exposições, com luzes negras e estroboscópicas. Os parentes e amigos conseguiram acompanhar a chegada, e o tempo é marcado antes da entrada no pavilhão, ou seja, você olhava o telão e lá estava seu nome, com o tempo líquido!

 

Minha esposa tirou várias fotos e eu a ouvi gritar meu nome. O locutor oficial ainda falou: “Mr. Henrique Cabrita, arriving directly from Brasil!”. Emoção total!

 

A medalha é bonita, dourada para a Maratona, prata para a meia e bronze para o revezamento. Gravei meu nome e o tempo de prova imediatamente no stand final, em cinco minutinhos. Na área dos corredores, a família pode entrar e a Claudia lá estava me esperando com toda a alegria que lhe é peculiar, apesar do calcanhar quebrado...

 

O transporte de volta foi de ônibus, que circularam de graça para todas as pessoas da cidade, não apenas para os corredores. Passei um frio terrível ao sair do busão...Estava uns 9°C e eu tiritei bastante, ainda bem que tinha uma esposa amorosa para me ajudar...

 

Completaram a maratona 1.413 atletas (fiquei em 559° lugar!), 5.466 completaram a meia e 1.720 fizeram a corrida em equipes, em um total geral de mais ou menos 8700 corredores. Apenas dois brasileiros correram a maratona e seis a meia-maratona, o que mostra como essa prova é pouco conhecida entre nós.

 

Um aspecto muito interessante é que todos os que disputavam a meia maratona ou a corrida em equipes tinham que colocar um aviso na parte de trás da camisa. Assim, eu e os colegas que estávamos correndo 42.195 m, ao sermos ultrapassados por alguém serelepe, inteirinho, podíamos ficar conformados ao avaliar que era uma pessoa do revezamento ou da meia. Em algumas corridas do Brasil, é desestimulante o corredor estar dando tudo de si e passar alguém em forma física aparentemente pior que ele todo pomposo... Assim tanto o ultrapassado quanto o ultrapassante sabem quem está realmente correndo qual distância.

 

Outra medida legal é o fato de a largada da caminhada –uma das modalidades que integram o evento--  ser 30 minutos depois da partida da Maratona. Corri 10 km na Maratona de São Paulo dia 20 de junho e quase enlouqueci desviando de pessoas de patins, carrinhos de bebê, cachorrinhos ao colo.

 

Na volta para Copenhague, de onde pegamos o vôo para o Brasil, havia uns cinco ou seis corredores dinamarqueses portando orgulhosamente a medalha da maratona, sendo cumprimentados e felizes pelo reconhecimento. É claro que saquei de minha medalha (sempre carrego as medalhas da maratona corrida na bolsa de mão, relíquias que são) e a coloquei no peito, com orgulho e imensa alegria.

 

Aí estão as dicas da Maratona de Luxemburgo: pequena, charmosa, bem organizada, excelente clima (de temperatura e de púbico) e tecnicamente difícil, porém maravilhosa."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h23

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Ciclistas e motoqueiros bagunçam maratona de SP

O final da maratona de São Paulo de domingo último viu algumas das mais inusitadas cenas em uma prova que se apresenta como de nível internacional (aliás, a palavra está até no nome da corrida). Em vez de corrida, parecia um ensaio de escola de samba arrastando a multidão pela avenida.

Em vez de sambistas, porém, o que o líder da prova arrastou atrás de si, como em um séquito mambembe, foi uma montoeira de motoqueiros, ciclistas e até alguns corredores gaiatos, que solertemente se imiscuíram na avenida, saudando o vencedor e fazendo o maior freje.

Para os folgazões, deve mesmo ter sido divertido. Mas eles formavam um verdadeiro paredão atrás do líder, tomando conta da rua e impedindo que seu eventual perseguidor pudesse avaliar a distância que os separava.

Os batedores oficiais, que deveriam ser os protetores do corredor que liderasse a prova, passaram minutos sem fim ignorando solenemente a bagunça instaurada ao lado e atrás deles. Era como se a prova já tivesse terminado e agora fosse só festa.

Só mesmo nos metros finais os batedores tomaram uma atitude, fechando a guarda do queniano e impedindo que motos, bicicletas e corredores avulsos seguissem no vai-da-valsa.

Ainda bem que a disputa já estava definida havia muito tempo, e ninguém foi prejudicado, a não ser a ordem e os bons modos. Mas isso não significa que é legal que um bando de gente invada a pista de corrida. Afinal, durante aquelas poucas horas, a rua é dos corredores, é sua pista sagrada, seu campo de batalha, e deve ser protegida para a segurança de todos.

Outra coisa: só sei da maratona de São Paulo o que vi pela TV. Portanto não posso falar do que rolou para os corredores amadores. Na internet, porém, há vários relatos com críticas aos organizadores que, a julgar pelas mensagens publicadas, mais uma vez não cumpriram o prometido.

Leia, por exemplo, o relato de Antonio Colucci, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h26

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Marroquina bate recorde da maratona de São Paulo

A marroquina Samira Raif bateu o recorde da maratona de São Paulo ao cravar hoje 2h36min01, desbancando a marca de Maria Zeferina Baldaia, que correra 2h36min07 em 2002.

Raif foi beneficiada por erros da estreante queniana Elizabeth Rumokol,  que correu muito, mandou ver, abriu uma distância de mais de 800 metros sobre a segunda colocada (então a marroquina) e não agüentou o tranco. No último posto de água, chegou a parar para beber seu copinho. Foi quando Raif, que antes tinha sentido um pouco a musculatura e dado uma aliviada no ritmo, passou direto e ainda apertou o ritmo, o que acabou lhe valendo o recorde.

Rumokol ainda conseguiu se recuperar e voltar ao asfalto, chegando em segundo. A primeira brasileira foi Sueli Pereira da Silva, que vem tendo bom desempenho em provas de 10 km (venceu uma em São Paulo no início deste mês). Ela chegou em quarto lugar, com 2h39min10.

A prova masculina também foi um festival de quebradeira, com a vitória sorrindo enfim para o queniano David Kemboi, que correu mais de 35 km em ritmo que lhe dava ampla folga para bater o recorde de Vanderlei Cordeiro de Lima (2h11min19), mas sentiu dores do lado esquerdo que foram lhe minando as forças. Chegou a parar para dar uma alongada, reduziu bastante o ritmo, mas, como tinha ampla vantagem sobre o segundo colocado, teve tempo de se refazer e conquistar o primeiro posto em 2h11min53.

O multivencedor da maratona de Boston e tricampeão da São Silvestre Robert Cheruiyot engalanou a prova com suas passada elegantérrimas, ficando no primeiro pelotão até pouco depois do km 22. Então sentiu uma dorzona na perna direita e parou, pegando em seguida carona em uma moto para ir até o final da prova.

O único brasileiro que conseguiu acompanhar os líderes da prova foi Damião Ancelmo de Souza, que defendeu as cores da casa até a metade da maratona. O esforço, porém, foi demais para ele, pois os caras vinham o tempo todo em ritmo de recorde. Aliás, em ritmo de esmigalhar o recorde, pois àquela altura a previsão era de conclusão na casa das 2h08 alta, 2h09 baixa.

Os brasileiros mais bem colocados foram Laelson da Silva (2h20min15) e Jair José (2h21min06), quarto e quinto lugares, respectivamente. Nem sinal do experiente José Telles, que foi campeão em 2005, e de Giovani dos Santos, campeão sul-americano dos 10 km, que estreou hoje na distância.

Para variar, a cobertura da Globo foi um festival de falhas e desrespeito ao telespectador. O que era para ser uma cobertura ao vivo começou quando as meninas de elite estavam já na metade da prova e o pelotão masculino passava pelo km 8, o que já dá a medida da atenção que a emissora deu à prova.

Em compensação, o narrador Cleber Machado parecia hoje mais ligado na corrida, prestando atenção em detalhes como a expressão de atletas. Desta vez, ficou na dele, fez uma narração sóbria, razoavelmente informativa.

O problema é que ele não tinha a menor idéia do que estava acontecendo na prova. Sabia apenas o que via na TV, como nós que assistíamos em casa. Ou seja, ele acompanhava o primeiro pelotão, sabia o que o diretor de imagens ou editor permitia que ele visse e tratava de transmitir ao público com boa intenção e profissionalismo.

Não basta!

Se a Globo um dia quiser cobrir uma maratona com um mínimo de qualidade jornalística tem de botar repórter acompanhando o que rola no segundo e no terceiro pelotão, precisa dar atenção aos atletas brasileiros e abastecer seu narrador de informações.

Ele ficou rendido, por exemplo, quando a Rumokol parou para beber água, a Raif passou, e a câmera seguiu com a marroquina. Pouco depois, Cleber Machado anunciava que uma outra queniana tinha passado a Rumokol, que estaria portanto em terceiro. Mais alguns minutos e as imagens o desmentem: quem vem em segundo é a Rumokol, e Machado acusa o erro, dizendo que tinha recebido informação equivocada...

Nunca saberemos, por exemplo, como foi o processo de decantação do primeiro pelotão feminino: num certo ponto, eram umas oito; daí corta para o masculino, entram propagandas, volta pro masculino e, quando aparecem de novo as mulheres, há apenas três no primeiro pelotão.

O Cléber Machado, como os telespectadores, não sabe o que aconteceu, como também não sabe como o trio passou a apenas duas gladiadoras nem sabe quando a Rumokol resolveu assumir a ponta e correr a ponto de se esfalfar. Repito: não é culpa dele, mas dessa política de transmissão da Globo, que despreza o jornalismo e a reportagem; o que significa, na prática, desprezar os telespectadores.

Coisa semelhante aconteceu na prova masculina. Além de problemas de falta de informação ao longo do percurso, provocados pelas razões já citadas, a emissora simplesmente cortou a transmissão pouco depois da chagada do terceiro colocado. Não mostrou a chegada do primeiro brasileiro!

Só muitos minutos depois, em um intervalo da transmissão da momentosa partida de vôlei entre as seleções do Brasil e de Porto Rico, publicou a lista dos cinco mais bem colocados. Lamentável.   

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h21

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Últimas dicas para correr bem a maratona de São Paulo

A maratona de São Paulo, um dos maiores eventos de corrida de rua do país, já está aí. No domingo, será dada a largada para provas em várias distâncias: rápidos 10 km, divertidos 25 km e a exigente maratona.

A todos os participantes, minhas homenagens. E algumas dicas, que aprendi ao longo da estrada, ouvindo técnicos e médicos, além de meu próprio corpo.

A primeira: quem treinou treinou, quem não treinou não treina mais. Agora chegou a hora dos vamos ver e você tem mais é que relaxar para enfrentar o tempo e a distância.

Só você pode estragar sua prova e, mesmo faltando apenas poucas horas para a largada (em comparação com o tanto que você treinou), ainda é possível jogar tudo fora com erros bestas.

São dois os principais caminhos para o erro e o fracasso antes da largada:  descansar pouco e comer mal.

Com a agitação e o nervosismo que acompanham a expectativa da prova, não é incomum a pessoa ficar ligadona demais. Então trate de tentar relaxar o máximo possível, ouça música tranquila, vá ao cinema, conte carneirinhos, alongue-se delicadamente, tome um banho quente, mas se acalme.

Nestes dias, os treinos servem apenas para relaxar. Um trotezinho de meia hora ou 40 minutos na sexta e/ou no sábado está mais do que bom. Trate de dormir mais cedo a partir de hoje, pois de sábado para domingo é bem possível que o sono demore mais para vir.

Fique agasalhado e tome cuidado com as mudanças de ambiente, com o maldito ar condicionado: ninguém quer uma gripezinha infeliz nessa hora, muito menos um febrão intempestivo.

Bueno, a outra grande questão é a alimentação/hidratação. Eu em geral tomo uns dois litros de água por dia e, a partir de uns dois dias antes da prova, aumento para três litros ou mais. Quanto à comida, é melhor ouvir a palavra de especialistas no ramo. A nutricionista REGINA CÉLIA, que atende a equipe Branca Esportes, preparou um documento completo com orientação detalhada, que reproduzo a seguir.

"DOIS DIAS ANTES DA PROVA

Procure aumentar e priorizar a ingestão de carboidratos em todas as refeições, ou seja: pães, massa sem muito molho e recheio, batata, geléia, sucos naturais, frutas. Assim você aumentará o seu estoque de glicogênio muscular.

Beba cerca de dois litros de líquidos ao longo do dia: água, suco natural, água de coco.

Faça pequenos intervalos entre as refeições; ou seja, cinco a seis refeições ao longo do dia.

NO DIA ANTERIOR À PROVA

Reduza o consumo de fibras, para não retardar a digestão; assim você sentirá necessidade de comer mais rapidamente, aumentar assim a ingestão de carboidratos.

Evite alimentos causadores de gases, como feijão, leguminosas e brócolis.

Evite alimentos laxativos, como mamão, ameixa, figos e óleos. Eles podem causar diarréias e desconfortos intestinais!

Não consuma café em excesso: isso pode provocar desidratação!!!

NO DIA DA PROVA

O estoque de glicogênio muscular armazenado antes da prova não é suficiente para fazer uma corrida de apenas uma hora, portanto desde o início da corrida procure hidratar e ingerir carboidratos conforme a sua orientação nutricional e habito.

Nunca negligencie a sua hidratação e alimentação, pois o sucesso da sua prova dependerá desses cuidados.

Faça seu desjejum (café da manhã) no mínimo uma hora e meia antes da prova. Repita o café da manhã do dia anterior. Ou faça a sua alimentação habitual.

Uma sugestão de cardápio para o café da manhã: suco de fruta + bisnaguinha ou pão ou torrada com requeijão e queijo branco + bolo + banana com aveia e mel + iogurte de frutas ou café com leite ou achocolatado.

DURANTE A PROVA

Use somente os suplementos aos quais você já esteja habituado. Se não for seu hábito consumir bebidas isotônicas, não vá experimentar no dia da prova.

Se você for correr os 10 km, água e alguma bebida isotônica é suficiente.

Para os 25 km: - introduza o gel de carboidrato a cada 50 minutos + hidratação com água + isotônico. Se você for fazer em um tempo superior a duas horas, comer durante a prova algum alimento com o qual esteja acostumado,  como batata ou bolacha ou uva passa .

Se você for correr a MARATONA, procure fazer a hidratação a cada 20 minutos, tomar gel ou outro tipo de carboidrato a cada 50 minutos e intercale com outros alimentos após a primeira hora de prova. Procure comer alimentos como batata ou uva passa ou bolacha ou pão. "

Bueno, é isso. Faça uma boa prova. Ao cruzar a linha de chegada, não pare: siga caminhando por mais alguns minutinhos antes de sentar para o merecido descanso. Beba água, coma uma banana, destrua um sanduichinho. Depois de relaxado e feliz, não esqueça de mandar seu relato, com fotos, para este blog.

Eu mais uma vez não vou correr a maratona de São Paulo, mas estarei a postos no Twitter, fazendo meus comentários. Basta clicar AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h21

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Frio aumenta risco de lesões

A minha coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da Folha, trata dos riscos de correr no frio e dá algumas dicas para que você enfrente o problema com galhardia (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). 

Para produzir o texto, conversei com vários especialistas, que deram informações valiosas. A partir de agora, acompanhe as entrevistas.

A primeira é com o doutor JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

+CORRIDA - Correr no frio é diferente de correr no calor? Quais as diferenças?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - No frio, há a necessidade de um aquecimento mais “caprichado”, para que as estruturas do nosso corpo envolvidas na corrida estejam “prontas” para funcionarem adequadamente. No calor, se for excessivo, é necessário um cuidado especial com a hidratação, procurando evitar os horários de maior temperatura.

+CORRIDA - Quais os riscos de correr no frio?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Se não houver um aquecimento adequado, há um maior risco de lesões, principalmente musculares.

 

+CORRIDA - O corredor deve fazer alguma preparação especial antes de começar o treino?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - O aquecimento, que deve fazer parte de toda sessão de treinos, deve ser mais cuidadoso.

 

+CORRIDA - E antes de uma corrida?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Antes de uma competição, então, é que o aquecimento deve ser ainda mais “caprichado”, pois quando se trabalha em alta intensidade, aumenta a possibilidade de lesões.

 

+CORRIDA - A alimentação durante o período de inverno deve ser diferente?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Não. O conceito de alimentação saudável independe da época do ano.

 

+CORRIDA -  Há exercícios que podem ser feitos para minorar o efeito do frio?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Sim, exercícios de aquecimento, feitos com a devida orientação.

 

+CORRIDA - Quem costuma correr de calção e camiseta deve manter seu hábito? Por que?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Depende de quanto frio estejamos falando. Se for um frio europeu, não. Se for um frio carioca, sem problemas. A idéia é utilizar roupas que protejam do frio excessivo, mas ao mesmo tempo permitam que o eventual suor evapore, para não se permanecer com roupas molhadas de suor após o término do exercício.

 

+CORRIDA -  Que outras cuidados especiais quem correr no frio deve ter?

JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI - Boa alimentação (nunca é recomendável fazer exercícios em jejum), não se descuidar da hidratação (mesmo que se “sue” menos), proteger-se do frio (para não se expor à possibilidade de infecções respiratórias) e fazer um bom aquecimento (para prevenir lesões). É isso.

 

LEIA A SEGUIR ENTREVISTA COM O PREPARADOR FÍSICO RODRIGO FERRAZ

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h34

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Algumas dicas para correr bem no frio

Confira a seguir as dicas de RODRIGO BRANCO DE ARAÚJO SILVEIRA FERRAZ, 35, coordenador da equipe de preparadores físicos da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida.

+CORRIDA - Correr no frio é diferente de correr no calor? Quais as diferenças?

RODRIGO FERRAZ - A grande diferença de correr em temperaturas baixas é a adaptação circulatória que o nosso organismo promove para se proteger do estresse térmico. Nosso corpo possui receptores térmicos em sua pele. Com a diminuição da temperatura externa, eles produzem um sinal que gera uma constrição dos vasos sanguíneos periféricos, diminuindo o fluxo de sangue para as pernas e braços e o redirecionando para as regiões centrais mais vitais. Portanto, a oferta energética para as pernas e braços diminui.

+CORRIDA - Quais os riscos de correr no frio?

RODRIGO FERRAZ - As pernas, no frio, têm um fluxo sanguíneo menor e os líquidos que lubrificam as articulações (diminuem o atrito) e os músculos estão menos viscosos (mais frios). Com esses fenômenos acontecendo, os músculos ficam mais rígidos (menos elásticos), não proporcionando uma propulsão adequada na corrida. O maior risco, neste caso, é o do corredor buscar um alto rendimento no começo do treino/ corrida. Além de não conseguir produzir a força adequada, os músculos ficam doloridos e podem até se estirarem (rompimentos de várias fibras).

+CORRIDA - O corredor deve fazer alguma preparação especial antes de começar o treino?

RODRIGO FERRAZ - A melhor maneira de evitar esses problemas é realizar um aquecimento antes de começar a correr. Esse aquecimento deve durar no mínimo dez minutos e de maneira progressiva, ou seja, o corredor deve começar andando, depois passa a andar rápido, trote e nos últimos minutos a corrida. Quanto mais intenso o treino ou a prova, mais tempo o corredor deve investir no aquecimento. O aquecimento serve para aumentar gradativamente o fluxo sanguíneo para a perna, aumentando sua temperatura e promovendo uma maior viscosidade nos líquidos articulares e musculares. Lembrando que alongamento não é aquecimento. Por sinal, esse é um tema muito discutido pelo meio científico. Atualmente, o alongamento é contraindicado antes da corrida (exatamente por “forçar” o componente contrátil muscular, que não está preparado para isto).

+CORRIDA - A alimentação durante o período de inverno deve ser diferente?

RODRIGO FERRAZ - O corpo acaba gastando mais calorias para manter sua termorregulação em temperaturas baixas. Portanto existe a necessidade de aumentar a ingestão calórica nesse período. Vale a pena ressaltar que devemos procurar essas calorias extras nos carboidratos, e não nas gorduras, embora a vontade de comer guloseimas aumente no frio. Outro fator que vale a pena ressaltar é que quanto maior for a camada adiposa do corredor menos ele vai sentir os efeitos do frio. A gordura corporal serve como um isolante térmico. Portanto, os corredores gordinhos sentem menos os efeitos do frio em seu corpo.

+CORRIDA - Há exercícios que podem ser feitos para minorar o efeito do frio?

RODRIGO FERRAZ - Fazer exercícios, não importa qual, é a melhor maneira de se proteger dos efeitos do frio. A ativação dos músculos gera calor corporal diminuindo muito a sensação de frio na pessoa. Ficar parado é a melhor receita para se sentir frio. Importante sempre realizar o aquecimento antes de começar qualquer atividade física.

+CORRIDA - Quem costuma correr de calção e camiseta deve manter seu hábito? Por que?

RODRIGO FERRAZ -  Devemos evitar correr com agasalhos pesados. Várias camadas de roupas com tecidos leves funcionam melhor no frio. Elas “aprisionam” o ar quente produzido pelo corpo entre suas camadas, evitando a perda de calor com o ambiente.

Os tecidos sintéticos são os melhores, pois conduzem de maneira mais eficiente a umidade produzida pela pele para a próxima camada de roupa secando rapidamente. O uso do gorro se torna importante pois aproximadamente 40% do calor do corpo se dissipa pela cabeça.

Outro dado importante é que a roupa molhada pelo suor perde cerca de 90% de sua propriedade de isolamento térmico. Os braços e as pernas devem ser protegidos, preferencialmente, em temperaturas abaixa dos dez graus. Embora a perda de calor seja menor nessas áreas, é importante protegê-las do frio. A melhor estratégia para correr no frio é a tática da cebola, vista-se com várias camadas de roupa e vá retirando-as de acordo com a sua transpiração.

+CORRIDA - Que outros cuidados especiais quem corre no frio deve ter?

RODRIGO FERRAZ -  Quando terminamos um treino de corrida, o nosso corpo está aquecido e molhado (na maioria das vezes). Procure trocar de roupa imediatamente ao fim do exercício, não deixe o corpo esfriar. Esse “choque térmico” afeta o sistema imunológico, diminuindo a sua capacidade de combater doenças.

 

LEIA A SEGUIR ENTREVISTA COM CARLA DI PIERRO, PSICÓLOGA DO ESPORTE.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h29

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É duro sair da proteção das cobertas

Confira a seguir os comentários de CARLA DI PIERRO, 32, psicóloga do esporte,  corredora e triatleta amadora, que analisa a dificuldade para enfrentar o frio.

 

 

+CORRIDA - Correr no frio é diferente de correr no calor? Quais as diferenças?

CARLA DI PIERRO – Sim. O frio, diferentemente da temperatura amena e do sol, é aversivo para todos nós. Buscar proteção contra ele tem um valor de sobrevivência, desde a época das cavernas até hoje. Portanto nos mantemos aquecidos e longe do frio porque ele traz uma sensação muito desagradável e porque pode nos trazer sérios problemas.

 Por isso é tão complicado sair das cobertas para o frio das ruas para correr, porque já sabemos que os primeiros cinco a dez minutos teremos que passar pela sensação desagradável de sentir frio.

Na competição entre as cobertas e o frio lá fora, na maioria das vezes as cobertas vencem, salvo se o corredor tiver uma meta objetiva estabelecida e que seu atingimento seja muito recompensador, aí existe uma chance maior de passar "frio" já que no fim haverá uma recompensa.

Para quem de fato gosta de correr e sente o prazer da atividade física por ela mesma, também é mais fácil sair do "quentinho".

Essas pessoas geralmente já correram no frio , sabem que após alguns minutos a sensação desagradável diminui e que no final do treino a sensação de prazer e tarefa cumprida  são muito recompensadoras,

Tirando essas duas possibilidades, é mais fácil ficar "aquecido"em casa.

 

+CORRIDA - O corredor deve fazer alguma preparação especial antes de começar o treino?

CARLA DI PIERRO - Se ele tiver um objetivo e correr no frio é necessário para alcançar essa meta e, mesmo assim, surgir a dúvida se deve ou não sair da cama, vale a pena relembrar os objetivos e pensar no que vai “ganhar” se treinar. É bom se lembrar de outras vezes que foi correr no frio e da sensação prazerosa que teve no pós-treino.

 

LEIA A SEGUIR ENTREVISTA COM A NUTRICIONISTA CYNTHIA ANTONACCIO.



 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h27

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Cuide bem da alimentação nos dias de frio

A nutricionista CYNTHIA ANTONACCIO, da Equilibrium Consultoria, dá dicas sobre a alimentação do corredor durante os dias mais frios.

 

 

+Corrida -  A alimentação durante o período de inverno deve ser diferente?

Cynthia Antonaccio - No inverno, nosso metabolismo trabalha um pouquinho mais para manter a temperatura corporal entre 36,5ºC e 37ºC, o que aumenta um pouco o metabolismo. Mas vale ressaltar que essa demanda energética não é tão significativa a ponto de justificar um aumento de calorias no cardápio. A alimentação no inverno, de forma geral, não deve ser diferenciada da alimentação em outras estações, ou seja, devemos manter um consumo diário de frutas, vegetais e priorizar consumo de proteínas magras, como queijo fresco, ricota, frangos e peixes. O que pode ser feito é realizar trocas saudáveis para manter o corpo aquecido e saciar a vontade por preparações mais quentinhas: aumentar a quantidade de legumes cozidos e sopas ou caldos ricos em vegetais quando reduzir a quantidade de salada crua do cardápio, acrescentar frutas cozidas com canela para manter o consumo diário de frutas e preferir molho de tomate quando for consumir a massa. Iogurtes podem ser substituídos por leite com achocolatados. E cereais por pão integral quentinho ou torrada.

 

+Corrida - Muda alguma coisa em relação ao que se deve comer ANTES de um treino de uma hora, por exemplo?

Cynthia Antonaccio - Os carboidratos são o principal combustível utilizado pelos músculos para fornecer energia durante o treino.  Investir em alimentos fontes desse nutriente antes do treino garante disposição e melhora do rendimento. O ideal é fazer uma refeição até uma hora antes do exercício, para que o tempo entre o treino e a refeição seja suficiente para realizar a digestão desse nutriente e disponibilizá-lo para os músculos no momento em que iniciar a atividade. Procure dar preferência aos carboidratos complexos, como cereais e pães integrais, que, devido à presença da fibra, garantem energia durante todo o exercício e evitam a hipoglicemia.

Dica para inverno: sanduíche de ricota, requeijão e peru no pão integral quentinho;

- OU banana quente amassada com aveia e canela!

Pode usar o chá quente para hidratar, flores e frutas são leves para aquecer e hidratar!

 

+Corrida -  E depois?

Cynthia Antonaccio - A dupla proteína + carboidrato ainda é a melhor pedida. Porém vamos mudar a forma. O fornecimento de um carboidrato após o treino garante a reposição das energias que foram perdidas durante o exercício e a manutenção da taxa de açúcar no sangue dentro dos níveis adequados, evitando a hipoglicemia. Já a ingestão de alimentos fontes de proteínas auxilia na recuperação do músculo. Assim, vale a pena substituir as duplas mais geladas do iogurte com granola por um quentinho pão com queijo branco ou ricota. Shakes com bebida de soja e proteína também podem ser servidos quentes (sabores como banana, temperados com canela ficam ótimos quentes) e garantem melhores resultados na recuperação pós-treino, ao fornecer carboidratos e proteínas!

 

 

+Corrida -  No inverno, costuma-se aumentar o consumo de comidas forts e gordurosas, como chocolate. Quais os riscos e os benefícios?

Cynthia Antonaccio - Hoje a gordura é vista sob a ótica da qualidade. Gorduras boas são bem-vindas no cardápio do corredor. As monoinsaturadas do azeite e abacate, e as poli-insaturadas dos peixes, castanhas, óleos, e produtos feitos a partir destes, como margarinas e maioneses, são boas por trazer ácidos graxos essências que nosso corpo não fabrica, mas nossas células precisam. No entanto o  excesso de preparações com maior quantidade de gorduras, como aquelas adicionadas de queijos, cremes e manteiga, pode contribuir para o ganho de peso no inverno e até aumento do colesterol ruim, pois são ricas em gorduras saturadas. O ideal é da preferência à adição de queijos magros, como a ricota e o queijo fresco às preparações como risotos e massas, além de evitar adição de bacon e paio em sopas e caldos. No caso do chocolate, a melhor opção é a versão com 60% de cacau, pois tem um teor menor de gordura em relação às versões ao leite e branco e ainda fornece flavonóides, substância antioxidante associada ao retardo do processo de envelhecimento.

 

 

+Corrida - Faz mal tomar chocolate quente (com leite desnatado) depois do treino? E antes?

Cynthia Antonaccio - O consumo de leite até 1h antes do treino não tem contra indicações. No entanto, quando se tem 30 minutos ou menos antes do treino para comer algo o ideal é ficar apenas com outras fontes de carboidrato, uma vez que o carboidrato do leite, a lactose, é mais difícil de digerir. A proteína, antes do treino, pode retardar o tempo de esvaziamento gástrico e quando consumida muito próxima do momento de se praticar atividade física pode causar desconforto, comprometendo o rendimento no treino.

Pessoas com intolerância à lactose, que é o açúcar do leite, podem ter desconfortos intestinais, como gases e diarréia, devido à falta da enzima que faz a digestão desse açúcar. Nesse caso, uma alternativa é substituir o leite por bebidas com soja.

O chocolate quente com leite desnatado pode ser mais bem tolerado após o treino. Já a bebida de soja com chocolate pode ser inserido antes ou após o exercício, pois fornece uma combinação de proteínas de boa digestibilidade.

 

 

LEIA A SEGUIR ENTREVISTA COM A TREINADORA ADRIANA PIACSEK.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h24

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Troque de roupa logo depois do treino

A treinadora ADRIANA PIACSEK, 40, diretora técnica da assessoria esportiva TPM (treinamento para mulheres) e ex-atleta profissional de triatlo e corridas de aventura, dá algumas dicas para o corredor enfrentar o frio.

 

+CORRIDA - Correr no frio é diferente de correr no calor? Quais as diferenças?

ADRIANA PIACSEK - Muitas pessoas evitam totalmente o frio exercitando-se em ambientes fechados durante o inverno. Quem decidem continuar com o exercício ao ar livre, porém, não costumam correr um grande risco, desde que bem agasalhadas, pois o exercício faz com que o corpo gere grandes quantidades de calor.
 Correr com temperaturas entre 12 graus e 20 graus é excelente, pois o rendimento do treino é maior. Abaixo dessas temperaturas, o corpo queima mais calorias para manter o aquecimento, enquanto que, no calor, queima mais calorias para mantê-lo resfriado. Por isso a hidratação é um fator importantíssimo nos treinamentos em temperaturas adversas.

 

 

+CORRIDA - Quais os riscos de correr no frio?

ADRIANA PIACSEK - Se não houver um bom aquecimento, existe um rico maior de lesões e distensões, pois o frio diminui a sensação de fadiga, fazendo com que o atleta possa abusar um pouco da intensidade e duração dos seus treinos.

Em casso de frio extremo, proteja suas extremidades da exposição para prevenir ulceração produzida pelo frio. Nos estágios iniciais, irá perceber uma sensação de queimação na pele cuja cor ficará vermelha, roxa e então branca. Se você notar uma área sensível e branca, saia do frio imediatamente e procure um médico.

Conheça os sintomas iniciais de hipotermia; uma sensação de desorientação, perda da coordenação das mãos, fala confusa e dificuldade de caminhar. Se você estiver tremendo, procure logo um lugar quente.

 

+CORRIDA - O corredor deve fazer alguma preparação especial antes de começar o treino?

ADRIANA PIACSEK - A sensação subjetiva de cansaço diminui durante a prática de atividades esportivas em temperaturas baixas, predispondo as pessoas à ocorrência de lesões, pois acabam ultrapassando seus limites de resistência.

O aquecimento deve ser feito no mesmo ambiente em que praticará a atividade física, para ajustar progressivamente a temperatura corporal do organismo.

Esse aquecimento deve ser feito com várias camadas de roupa, para que o organismo não fique exposto subitamente a mudanças de temperatura. Quando interromper a atividade, você deve se vestir imediatamente

O alongamento deve ser reforçado e o aquecimento prolongado, “para evitar distensões de músculos e tendões”

 

+CORRIDA - A alimentação durante o período de inverno deve ser diferente?

ADRIANA PIACSEK - O nosso organismo gasta mais energia para produzir calor e manter a temperatura corporal em torno de 37ºC devido à perda do calor interno para o ambiente externo.

Como consequência nosso organismo sinaliza que precisa de mais alimento, aumentando a nossa sensação de fome. No inverno, a fonte mais rápida de energia utilizada pelo nosso corpo vem dos carboidratos e da gordura que neste caso tem a função de ser preservada em função de atuar como isolante térmico.
O problema é que no frio ficamos mais preguiçosos e acabamos treinando menos, prejudicando ainda mais a queima de calorias
No que se diz respeito à hidratação, os cuidados devem ser redobrados, pois  mesmo no frio, a hidratação é fundamental – antes, durante e depois do treinamento.

 

+CORRIDA -  Quem costuma correr de calção e camiseta deve manter seu hábito?  Por que?

ADRIANA PIACSEK - Quando o frio é muito intenso, abaixo de 12 graus , você deve proteger  o corpo do vento frio com roupas e acessórios apropriados. Mangas e calças compridas valem para manter o corpo aquecido e protegido do vento. Escolha tecidos apropriados e, novamente, faça questão de peças confortáveis, o “fleece” é um tipo de tecido que ajuda  manter seu corpo aquecido, não bloqueando a sua transpiração, permitindo que seu corpo respire e principalmente proporcione conforto térmico.

O uso de luvas, gorro, calça térmica, manguitos ou uma camiseta de manga longa adequada mantém o calor e evitam o resfriamento das extremidades.

Use roupas chamativas para compensar a falta de luminosidade dos dias de inverno. Para sua segurança, você deve ver e ser visto pelos veículos.

Imediatamente após a corrida, troque as roupas, beba líquidos quentes e proteja-se das baixas temperaturas.

 

+CORRIDA - Que outros cuidados especiais quem correr no frio deve ter?

ADRIANA PIACSEK - Fazer uma boa série de exercícios de aquecimento antes de correr, vestir múltiplas camadas de roupas( Muitas vestimentas são desenhadas especificamente para correr no frio). O nylon quebra-vento é bom para ser usado sobre as outras roupas e pode ser retirado e enrolado na sua cintura se você não necessitar mais usá-lo.

Certifique-se de que a sua cabeça e pescoço estão bem protegidos já que um grande volume de calor corporal é perdido nestas áreas.

Se der, planeje o seu percurso para correr contra o vento no início e a favor do vento na volta, aproveitando que você tem mais energia no início de seus treinos.

Se for correr em lugares onde há neve: lembre-se de que qualquer tipo de terreno fica perigoso quando coberto por uma fina camada de gelo. Isso torna difícil o correr e existe a possibilidade de levar um escorregão

Não corra grandes distâncias sozinho em condições climáticas adversas. Observe se os seus companheiros de corrida apresentam algum sinal de problema provocado pelo frio.

Remova a roupa molhada o quanto antes, pois ela aumenta o risco de algum problema provocado pelo frio.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h21

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Mosop quebra dois recordes históricos de uma vez

 

Numa só tacada, o queniano Moses Mosop, segundo colocado na maratona de Boston em abril passado, quebrou dois recordes que já duravam 30 anos. E aproveitou para anunciar que acredita que poderá correr a maratona na casa das duas horas e dois minutos.

Como você lembra, em Boston, ele e campeão Geoffrei Mutai fecharam na casa das 2h03 –Mutai com mais dois segundos e Mosop com mais seis. O recorde de Mutai não valeu por causa de características do percurso, mas ambos correram muito mais rápido que a marca atual, de Haile Gebrselassie, que é de 2h03min59.

Os recordes da noite da última sexta-feira, porém, são totalmente válidos. Ele correu 30 km em pista na véspera do meeting Prefontaine, etapa norte-americana da Liga Diamante, em 1h26min47s4. No caminho estabeleceu também novo recorde para os 25 km em pista: 1h12min25s4.

As marcas anteriores também haviam sido estabelecidas na mesma prova, pelo japonês Toshihiko Seko. No dia 22 de março de 1981, ele cravou 1h13min55s8 nos 25.000 m e 1h29min18s8 nos 30.000, em meeting realizado em Christchurch, maravilhosa cidade na Nova Zelândia.

“Começamos conservadoramente, mas, lá pelo km 15, eu estava me sentindo tão bem que resolvi apertar o ritmo e daí foi que realmente comecei a gostar da prova”, disse Mosop.

Tem de gostar mesmo, pois a coisa deve ser de uma chatice sem par: são 75 voltas na pista de 400 metros, e apenas oito corredores estavam presentes.

“É muito difícil manter a concentração”, afirmou o vencedor, mas, em compensação, trata-se de um ótimo treino de velocidade.

O que ele quer mesmo é quebrar o recorde da maratona. Disse acreditar que pode correr na casa de 2h02, o que seu técnico também considera bem possível.

“Em Chicago, quero correr melhor do que em Boston. Quero avançar agora até chegar a dois zero dois”, afirmou Mosop, entusiasmado e já pensando na maratona do próximo semestre. Já seu treinador, Renato Canova,  disse o seguinte: “Dentro de um ano, ele vai conseguir fazer a maratona em um ritmo de 29min para os 10 km, o que vai dar um tempo final de 2h30 e alguns segundos”.

Enquanto isso não acontece, o queniano vai aproveitando o sucesso. Depois da vitória, saiu a cumprimentar o público vestindo uma camiseta com os dizeres “Stop Mosop” (Parem Mosop), uma referência à camiseta que o grande ídolo norte-americano Steve Prefontaine usava (fotos AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h50

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Meia maratona quente deixa um morto em Chicago

 

Um homem morreu e dez pessoas tiveram de ser hospitalizadas com problemas provavelmente causados pelo calor depois que uma meia maratona foi interrompida, no sábado, em Chicago, por causa da alta temperatura e umidade elevada.

Apesar das condições climáticas, os organizadores da corrida resolveram manter o evento, que largou às 7h13 sob “bandeira amarela”, um alerta aos corredores para que tomassem mais cuidados.

Não foi suficiente para Zachary Gregory, de apenas 22 anos, que não resistiu á combinação de esforço físico intenso e clima superadverso.

Às 8h51, os organizadores mudaram o estado da prova para bandeira vermelha, advertindo que a temperatura já estava em níveis perigosos e que, se quisessem continuar na prova, deveriam seguir mais devagar. Mesmo assim, já não haveria contagem oficial de tempo. A bandeira preta, suspendendo a prova, veio 25 minutos depois: os corredores eram aconselhados a apenas caminhar ou pegar ônibus até a chegada.

A julgar pelos relatos que vi na internet, os organizadores tomaram várias precauções, desde avisos sobre as condições climáticas enviadas por e-mail dias antes da prova até aumento do número de estações de hidratação.

Isso lembra o desastre que foi a maratona de Chicago de 2007, que também registrou uma morte por causa do calor inesperado. Naquela ocasião, cerca de 300 pessoas foram atendidas pelo pessoal médico e em hospitais da cidade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h49

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Bolt dá espetáculo, mas precisa correr mais

Nos últimos dias, assisti ao vivo a duas corridas do homem mais rápido do planeta. Depois de um longo período de tratamento e recuperação de dores nas costas, o jamaicano Usain Bolt voltou às pistas no último sábado, vencendo a prova de 100 m da edição de Roma da Liga Diamante e voltando a vencer no meio da semana, na 50ª edição do Golden Spike, em Ostrava, República Tcheca.

Nos dois eventos, o corredor mostrou por que é avaliado como o atleta internacional que mais dá retorno de marketing. O cara não só é uma simpatia, como aproveita todos os instantes possíveis para se comunicar com o público de forma positiva, deixando sempre à mostra a marca de seus patrocinadores.

Em Roma, tirou a camiseta, exibiu seus músculos, sorriu para as câmeras e fez a já famosa pose dos braços de Bolt, em que se transforma em arqueiro virtual.

Foi em Ostrava, porém, que soltou seu espírito performático com mais liberalidade. Chegou à pista uns bons cinco minutos antes dos demais concorrentes, acenou para o público e por aí vai.

Ouvindo o som ambiente, fingiu tocar um piano no ar; depois, novamente tirou a camisa e fez pose de musculoso, o que as câmeras adoraram. Trocou de camiseta ainda uma vez, antes de ficar com a roupa de competição, apenas para mostrar um novo design que certamente estará em lojas de seu patrocinador.

Finalmente correu. Pouco. Venceu com os mesmo 9s91 que lhe deram a vitória em Roma. Deixou, portanto, de cumprir a promessa de um tempo melhor que o registrado na prova italiana, que considerou a pior de sua carreira.

É bem verdade que derrotou, em Ostrava, o compatriota Steve Mullings, em um final de corrida em que um sorriu para o outro. Bolt parecia dizer: “Te peguei”, enquanto Mullings, dono do melhor tempo do ano, que se manteve de pé apesar da volta do Raio Jamaicano, aceitava a derrota com bom humor.

 A largada de Bolt, mais uma vez, deixou a desejar –foi o terceiro em tempo de reação--, assim como a primeira metade da prova. Em compensação, foi fabuloso na segunda parte, especialmente nos últimos 20 metros.

Bueno, o fato é que está cerca de um terço de segundo mais lento do que seu recorde –9s58. Mas também é fato que a temporada está apenas começando e que Bolt está voltando de um processo de recuperação, pouco a pouco entrando no clima da corrida, como ele mesmo diz.

“Eu me senti muito melhor nessa prova”, comentou, referindo-se à competição de Ostrava, no meio desta semana.  “Acho que poderia ter corrido um pouco melhor. Espera um tempo mais rápido, mas tudo bem, estou satisfeito. Terminei a prova sem me machucar e agora é partir para outra.”

Falou e disse.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h59

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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