Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Momento a momento, veja como foi o salto de Fabiana

 

Tudo bem, você já sabe, mas não custa relembrar: Fabiana Murer fez história hoje em Daegu, na Coreia do Sul, ao conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil em Mundiais ao ar livre. O salto foi uma obra de arte, como a imagem do alto (Divulgação). Como toda obra de arte, envolveu muito trabalho e dedicação, que, combinados com o talento da moça, permitiram chegar aos movimentos precisos que vimos hoje. A seguir, acompanhe alguns dos grandes momentos do salto de Fabiana (a primeira imagem é da AFP; as demais, da AP).

Ela começa aqui a alçar vôo para passar o sarrafo a 4,85, igualando o recorde sul-americano, que é dela mesma, e passando a ser multicampeã mundial: Fabiana levou o ouro no Mundial em quadra coberta, em Doha, no ano passado.

Com esse salto, Fabiana deixou para trás competidoras como a recordista mundial, a russa Yelena Isinbayeva (5,06 m), e a líder da temporada, a norte-americana Jennifer Suhr (4,91 m), que nem sequer chegaram ao pódio hoje em Daegu. A prata ficou com a alemã Martina Strutz, uma superloura de físico impressionante, que saltou 4,80 m; o bronze foi para a russa Svetlana Feofanova (4,75 m).


Como outras concorrentes supergabaritadas, Fabiana entrou na prova depois que outras candidatas já tinham passado alturas mais baixas. Passou na primeira tentativa pelos 4,55 m e pelos 4,65 m e depois mando o sarrafo direto para 4,75. Levou um susto nos 4,80 m, mas passou na segunda tentativa, e limpou 4,85 m de prima. A medalha já estava garantida. A brasileira só poderia perder o ouro para Martina Strutz, que resolveu arriscar e pediu o sarrafo a 4,90. Não deu para ela.

"Na hora em que passei os 4,85 m, já sabia que era campeã mundial", disse Fabiana. "Conheço muito bem a Strutz, já competi com ela muitas vezes na temporada e sabia que ela não estava preparada para saltar essa altura. Com o título na mão, ainda fiz uma última tentativa muito boa de passar os 4,92 m e não consegui por pouco.“ Fabiana disse não ter conseguido passar 4,80 m na primeira tentativa por causa da vara, "um pouco fraca para a altura". Trocou o aparelho e conseguiu a vitória.

O técnico Elson Miranda, também marido da atleta, comemorou: "É maravilhoso conquistar o ouro, ainda mais em uma prova como essa, com a presença da recordista mundial. A Fabiana se mostrou campeã, se portou como campeã. Brigar pelo ouro nunca é fácil. Achávamos que 4,80 m já dava medalha. Mas primeiro tem de saltar para depois ver a colocação. Ou salta ou não tem medalha. Primeiro salta, depois vê colocação."



No caso de Fabiana, a colocação foi o primeiro lugar, que ela comemorou dando um passeio com a bandeira brasileira. “É só felicidade”, disse ela, que ainda vai buscar mais ouro para o Brasil neste ano, no Pan de Guadalajara.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cenas de um dia histórico da maratona

Como você leu aqui neste blog, Quênia conquistou feito inédito no Mundial de atletismo ao tomar conta de todo o pódio da maratona, no primeiro dia da competição que está sendo realizada em Daegu, Coreia do Sul. O trio vitorioso, que se abraça na foto do alto, é formado por Edna Ngeringwony Kiplagat, ouro, à direita, Priscah Jeptoo, prata, esq., e Sharon Jemutai Cherop. A seguir, acompanhe outra cenas da maratona feminina, realizada na manhã de sábado (noite de sexta-feira no Brasil).

No bloco acima, as quenianas, que ficaram sempre cozinhando o galo, aparecem na frente.

Momento da norte-americana Colleen de Reuck, de 47 anos. Ela completou a prova lá no final, em 2h44min35, mostrando que é mesmo uma veterana de ferro.

E agora é a hora de Edna, que chega sozinha...

...e sozinha cruza a linha de chegada, de braços abertos, mãos espalmadas e sorrindo.

Para a americana Tera Moody, a chegada foi bem mais dolorida; ela perdeu o equilíbrio e teve de ser atendida pelos médicos; em outras imagens, seu rosto aparenta grande sofrimento...

...como o da chinesa Wang Xuequin, que também precisou receber atendimento.

Outra chegada dolorida, a da croata Lisa Stubli.

E Edna mostra ao mundo seu troféu e sua medalha de ouro (fotos AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Em chegada inédita, Quênia domina pódio da maratona feminina no Mundial de atletismo

O Mundial de atletismo começou na Coreia do Sul com um resultado inédito não apenas em Mundiais mas também em Jogos Olímpicos, segundo o blog da IAAF, a Fifa do atletismo. Pela primeira vez na história dessas competições, uma país dominou totalmente o pódio: as mulheres do Quênia tomaram conta do pedaço. E, para variar um pouco a história, deu a lógica, com as donas das melhores marcas chegando efetivamente nos primeiros postos.

A vencedora foi Edna Ngeringwony Kiplagat, 31, que, como você tinha visto aqui neste blog, era mais rápida entre as 55 concorrentes, com recorde pessoal na casa das 2h20. Na quente e úmida Coreia, ela ficou bem longe dessa marca, mas ainda assim estabeleceu respeitabilíssimas 2h28min43. Só para lembrar, apenas cinco brasileiras, em toda a história, correram a maratona em menos de 2h33.

Kiplagat fez uma corrida maravilhosa, a julgar pelas passagens dela a cada bloco de cinco quilômetros. Ficou mais de dois terços da prova na maciota, na rabeira do segundo pelotão, um bloco mais ou menos compacto que ficava sempre dois ou três segundos atrás do grupo que liderava. Para você ter uma idéia mais precisa, no km 30 ela não era sequer uma das três melhores quenianas –e olhe que a terceira estava em 15º posto no geral.

A partir dali, porém, ela ligou o turbo e começou um ataque que, aos poucos, foi detonando as adversárias e iniciando a montagem da trifeta queniana. A etíope Aselefech Mergia, que liderava no km 30, passou o km 35 na 14º posição, quando Kiplagat já tinha assumido a liderança, secundada pela compatriota Priscah Jeptoo; talvez entusiasmada com a performance das companheiras, Sharon Jemuta Cherop, que estava no mesmo segundo, mas um pouquinho atrás, tratou de se livrar da etíope que a separava das companheiras.

Foi tamanho o entusiasmo das quenianas enfim livres de adversários que elas se chocaram em um posto de água, levando Kiplagat ao chão. Ela não deu muita bola para a trapalhada, levantou-se e mandou ver; com tombo e tudo, fez o percurso do km 35 ao km 40 em meros 16min10...

A essa altura a trifeta já estava montada e seguia como locomotiva poderosa rumo ao final. O inédito barba, cabelo e bigode (ainda que essa expressão pareça deslocada em uma competição feminina) deu também o título por equipe a Quênia: suas três melhores competidoras somaram um tempo de 7h26min57, quase cinco minutos inteiros à frente da segunda colocada, que não foi a Etiópia, como se poderia esperar pelo desenrolar dos primeiros 35 quilômetros da prova, mas a China, que emplacou corredoras no sexto, oitavo e 11º lugares.

Escrito por Rodolfo Lucena às 00h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona feminina abre Mundial de Daegu

Noves fora zero. Chegou a hora da largada. A maratona feminina marca o início oficial do Mundial de atletismo em Daegu. A prova será realizada hoje à noite, 21h no horário de Brasília, manhã de sábado na Coreia do Sul.

O primeiro dia será longo, com competições das 9h às 22h40 (horário local). Isso significa que, se tivéssemos uma TV transmitindo ao vivo, um brasileiro fanático por atletismo poderia passar a noite em claro assistindo à performance de alguns dos melhores atletas de todos os tempos. Se você é um desses fanáticos, porém, pode ir tirando o cavalinho da chuva: consultei  na internet a programação das várias emissoras esportivas que atendem ao nosso país, e nenhuma delas informa sobre cobertura de Daegu. Nem a Record, que tem os direitos dos Jogos Olímpicos e do Pan, afirma que vai passar. Isso não significa, porém, que não possam surgir novidades. Se eu descobrir algo, coloco aqui imediatamente.

Na maratona feminina, mais de 50 competidoras devem se alinhar na linha de largada. Edna Ngeringwony Kiplagat, 32, é a dona do melhor tempo. A queniana correu a maratona de Londres, em abril passado, em 2h20min46, uma melhora de quase oito minutos em relação ao tempo que estabelecera em Nova York, em novembro.

Há apenas outras duas corredoras com tempos na casa das 2h22: a também queniana Priscah Jeptoo e a etíope Aselefech Mergia. Claro que estão entre as favoritas, mas, como se sabe, na maratona como na vida o que vale é o jogo jogado.

Velhinho que sou, vou acompanhar com atenção o desempenho da norte-americana Colleen De Reuck, de 47 anos bem vividos. Suas chances de chegar ao pódio são talvez mínimas, mas não há dúvida que essa veterana atleta é uma lutadora: no ano passado, completou a maratona de Copenhague em 2h30min51. Para que você tenha exata consciência do feito, basta lembrar que, em toda história, apenas cinco brasileiras correram a maratona em menos de 2h33.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Com frio, caem recordes na meia do Rio

A brusca queda da temperatura e a chuva intermitente contribuíram para tornar mais corrível a meia maratona do Rio de Janeiro, que costuma ser realizada sob sol inclemente. Na manhã de hoje, os termômetros marcaram 18 graus e, ao longo do percurso, chegou a haver queda para 17 graus, facilitando a vida dos competidores e ajudando a melhorar os tempos. Os recordes da prova, no feminino e no masculino, foram detonados.

No feminino, o desempenho da agora tricampeã e recordista Eunice Kirwa foi simplesmente impecável. Liderado por ela, o trio completado pela veterana italiana Nadia Ejjafini e pela brasileira Cruz Nonata despontou na liderança logo aos primeiros metros e ficou embolado até por volta da metade da prova.

Por volta do km 11, a italiana a brasileira se tocaram. A italiana caiu e Cruz despencou em seguida. Eunice, que seguia na frente, não entendeu nada; até deu uma paradinha para ver se tudo estava bem. Esperou Cruz chegar perto e Nadia levantar para retomar seu ritmo.

Por um breve período, a brasileira seguiu parelha com a queniana; estava claro que não venceria, mas parecia poder conquistar o segundo lugar. A italiana foi se recuperando, porém, e já a superava na primeira passagem pelo ponto de chegada (na meia do Rio, os corredores, na altura do km 16, veem a chegada do outro lado da rua; precisam ainda seguir mais de dois quilômetros para fazer o último retorno e embicar para a reta final.

Eunice, por seu lado, se desgarrou e correu sozinha, com vontade: quando faltava pouco mais de três quilômetros, sua previsão de chegada era na casa de 1h09, cerca de dois minutos abaixo do recorde da prova (2h11min22, da grande Margaret Okayo, bicampeã de Nova York e derrotada na São Silvestre por Maria Zeferina Baldaia).

Mesmo sem nenhuma ameaça, ela não aliviou muito e acabou completando em 1h10min29, que é a nova marca a ser batida na meia do Rio.

No masculino, as coisas não foram tão tranqüilas para o novo recordista, o queniano Mark Korir. No último terço da prova, ele ficou o tempo todo nos calcanhares de James Kwambai, terceiro melhor tempo da história em maratonas, que estava fazendo uma corrida belíssima, muito forte.

Talvez os esforços de Kwambai para enfraquecer o oponente ao longo da prova tenham sido a razão de sua derrota. Quando faltavam cerca de 300 metros, Korir puxou, ultrapassou e não viu ninguém em sua perseguição. Depois, comentou: “Ele não deu o sprint, e eu estava me sentindo forte, então eu fui [dar o sprint]”.  O resultado foi o novo recorde: 1h01min33, enterrando de vez a marca do também queniano John Gwako, que correu 1h01min48 no solzão terrível da edição do ano 2000.

Mais atrás, outro duelo de resultado semelhante. Damião Ancelmo, melhor brasileiro na recente 10 Milhas Garoto, vinha na cola de Paulo Roberto de Almeida Paula, que também chegara ao pódio naquela prova. Faltando menos de um quilômetro, Damião atacou e Paulo não conseguiu resistir. Foi um esforço grande para Damião, que ainda estava ofegante três minutos depois de passar a linha de chegada.

No masculino e no feminino, os segundos colocados também fizeram tempos melhores do que os recordes anteriores.

Sobre a prova, sua organização e cobertura, observo que a) nos últimos dias, saíram na internet fotos de filas imensas do povo que ia retirar o kit, sob solzão de dar dó; pelo jeito, a coisa não foi muito bem organizada não; e b) de novo, fica evidente que a Globo deveria botar reportagem acompanhando a prova ou, pelo menos, mais uma câmera seguindo o segundo pelotão feminino e outra seguindo o segundo pelotão masculino; por causa dessa falta, perdemos momentos cruciais da prova, das ultrapassagens de Cruz Nonata pela italiana e do duelo de Damião e Paulo; além disso, como já destaquei outras vezes, fica evidente que o narrador e o comentarista, por mais esforço que façam e boas intenções que tenham, sabem da prova quase o mesmo tanto que o espectador atento. Obviamente, não é uma questão de economia: a Globo põe até helicóptero para acompanhar a prova; poderia, para maior satisfação do público, incorporar também mais jornalismo.  

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meia de Montevidéu é plana e prazerosa

Medo. Receio, temor, paúra, desespero, pavor ou cagaço puro e simples. Tudo isso e mais um pouco gelou meu coração quando um raio de dor atingiu bem o meio de minha bunda esquerda, a região do glúteo médio, onde se encontram e de onde saem músculos por demais conhecidos dos corredores: o maldito piriforme, o lancinante ísquio-tibial, o recalcitrante bíceps femoral.

A dor veio quando eu já seguia, alegre e satisfeito, quase na metade da meia maratona de Montevidéu, primeira prova longa que fazia desde que abandonara, por dor e lesão, uma maratona no Peru, já lá se vão mais de 12 meses.

Será que ela viria me atucanar, derrubar, destruir? A dor naquela região pode ser causada por contração muscular na região da lombar, ser prenúncio de incômodo no posterior da coxa ou aviso de complicações outras. Enfim, como todos sabemos, o glúteo está no coração da correia de transmissão muscular que movimenta nosso corpo.

E devo dizer que meu corpo estava, até então, se movimentando muito bem. A meia maratona de Montevidéu é uma prova bacana, gostosa de correr, com pequenos problemas de organização, mas muito simpática.

A simpatia começou pela inscrição, que foi só apalavrada por e-mail, já que a forma de pagamento proposta acabava me obrigando a arcar com taxas indesejadas. Quando cheguei, demoraram um pouco para achar a confirmação do registro e acabaram por não encontrá-la mesmo. “No hay problema”, disse o diretor da prova, sentando-se ao computador para acertar ele mesmo a inscrição, que paguei na hora sem burocracias outras. Pequei a camiseta vermelha da prova e segui então para meu hotel, próximo ao cento histórico de Montevidéu.

Era a primeira vez que visitava a capital do Uruguai, e a cidade me parece bela, ainda que um tanto modorrenta. Tem um ar de elegância dos anos 50, uma altivez, fidalguia. As ruas são amplas, há muitas árvores, e prédios antigos convivem com arquitetura modernosa. Pouca gente na rua e baixíssimo movimento de veículos, mesmo considerando que estava no final da tarde de sábado.

Na manhã seguinte, porém, o movimento era grande na área da largada da prova, no parque Rodó, uma das generosas áreas verdes da cidade. Falta menos de uma hora para a largada, o pórtico não estava montado, chips ainda eram distribuídos e voluntários cortavam bolos que mais tarde seriam servidos aos corredores.

Na hora marcada para a saída, não aconteceu nada, mas, minutos depois, começou o aquecimento, um longo processo de pulos, saltos e brincadeiras orientado pelo próprio diretor da prova. Estávamos indóceis no partidor, mas de maneira geral o bom humor parecia predominar, apesar do atraso. Enfim, com mais de 15 minutos passados das dez, saíram os cadeirantes e, em seguida, a massa vestida de vermelho e cinza –estes fariam uma prova de 7 km.

O desenho do percurso da prova é bem simples. Grosso modo, seguimos para a frente cinco quilômetros e um pouquinho, voltamos uns dez e retornamos mais uns cinco em direção à largada, que é também o ponto final. Praticamente todo o tempo corremos pelas ramblas –que, no mapa, trocam de nome, mas são uma mesma enorme e plana avenida que margeia o rio da Prata (confira o percurso AQUI).

Aquela água toda que nos olha acalma o espírito, mas também pode soar ameaçadora; como muitos outros rios, o da Prata tem as águas em tons de marrom, e devem ser geladas. Não dá para deixar de ver o rio, de permitir que ele faça parte da própria corrida, ainda que eu procure ficar sempre atento ao asfalto, para fugir de eventuais e traiçoeiros buracos.

O percurso, porém, é livre de armadilhas, e eu trato de seguir tranquilo. Equilibrar músculos de costas, quadril, abdome, pernas, fazer com que tudo funcione em sintonia sem que ninguém tente exagerar, essa é a minha missão na corrida.

Sei que estou na rabeira do pelotão e busco acompanhar a turma de camisetas cinzas, que vai fazer a prova curta. Eles nos abandonam logo depois do terceiro quilômetro, e então a coisa fica feia: há menos corredores, fico mais solitário, o vermelho mais próximo está lááá na frente, parece inalcançável.

É um momento difícil. Não há competidores por perto, rivais que apresentem desafio; o corredor precisa buscar dentro de si forcas para seguir, acertar seu relógio vital, que pulse sem explodir, mas também sem afrouxar. A corrida é, mais do que nunca, nas frias margens do Prata, um esporte solitário, ainda que feito em grupo.

Depois de pouco mais de cinco quilômetros, chego à primeira volta do percurso sem ter afrouxado o passo. Estou tão satisfeito comigo mesmo que nem me importo de beber água em galão. É preciso caminhar para não perder o equilíbrio, mas tudo me diverte.

Até ali, mal notara a cidade em volta. Voltando, me permiti abrir os olhos para outras coisas que não o chão e meu ritmo; notei uma placa que anunciava como atração turística um tal de templo inglês. Busquei a construção, que imaginei histórica, e logo vi um imenso prédio branco, no meio de uma colina, e fiquei satisfeito com minha descoberta.

 Ledo engano: mais tarde fiquei sabendo que o tal templo, réplica de construção do século 19, estava mesmo à minha frente, no centro de um gramado verdejante, e era bem menos imponente do que eu imaginara.

Também não notei outros monumentos históricos, como o Cubo Del Sur, ruínas da muralha que há séculos protegeu a cidade. Ainda resta por lá um canhão multicentenário, mas nada que chame a atenção de um sujeito que passa correndo pelo asfalto.

O que me chamou a atenção foi a música que vinha de um posto de água, logo à frente. Lá também estava a Eleonora, a me incentivar. Fiquei tão satisfeito que até ensaiei uma dancinha desengonçada ao som dos tambores.

Pois foi logo depois disso que a pontada de dor veio, assustadora, apavorante. Foi só um átimo, um raio, um repuxão no músculo, o suficiente para me trazer de volta à dura realidade de um convalescente, que precisa fazer tudo com o máximo cuidado para que músculos, ossos e cartilagens não desandem em dolorido desastre.

A causa do repuxão fora uma passada mais aventureira, imaginei eu, já me recriminando por não ter seguido, até ali, o plano que traçara com meu treinador.

O projeto era fazer da meia maratona uma reprodução de meus treinos longos, em que combino corrida e caminhada para cumprir distâncias que passem mesmo dos 20 km. No papel, correria blocos de cerca de 5 km, com pausas caminhadas de aproximadamente 500 metros. Mas o dia estava fresco, o asfalto plano, a cidade convidativa, o aplauso da Eleonora era um afago, e fui seguindo correndo, esquecendo das pausas e da vida, pensando que estava em meus bons tempos.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 01h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meia de Montevidéu é plana e prazerosa – parte 2

 

Quando comecei a meia maratona, imaginei que conseguiria terminar em 2h45, naquele meu modelo de caminhada e corrida. Depois de cinco quilômetros, já calculava fechar em 2h30, esquecendo as caminhadas planejadas, deixando que eventual cansaço pedisse breve refresco ao corpo.

Pois agora me encaminhava para a metade da prova, sem pretender parar e já pensando em fechar com sub2h30. A dor não voltara, minhas passadas estavam equilibradas, e eu conseguia até dar olhos ao derredor.

O que mais me chamou a atenção, além das belezas naturais, foi a quantidade de pichações nos muros, paredões, calcadas... Parece que a política vibra no sangue uruguaio, deixa efervescente a sonolenta cidade. Há cartazes convocando greves, panfletos denunciando problemas sociais, anúncios de passeatas e manifestações.

No domingo da meia maratona, pouco depois da corrida, passei por uma manifestação que exigia mais verbas para a educação e melhores condições de trabalho. No final do dia, quando saía do hotel para a janta, deparei-me com uma passeata, esta gigante, com centenas de estudantes que carregavam cartazes, gritavam palavras de ordem, entoavam canções militantes e faziam tremular bandeiras do Uruguai, do Brasil, de Cuba, da Argentina, da Venezuela, de toda a América.

Era a manifestação de encerramento do 16º Congresso Latino-americano e Caribenho de Estudantes, que me fez rememorar meus tempos de movimento estudantil. Lá em 1980, no Congresso da UNE em Piracicaba, em plena ditadura militar, cantávamos todos: “Quem é, quem é, que luta pela paz? A UNE e a UIU e a Oclae, Oclae, Oclae”. Escrito assim, parece não ter musicalidade e certamente não há rima, mas posso dizer que, em nossas vozes então jovens, a canção fazia tremer o ginásio da onde nos concentrávamos.

Pois agora estava eu vendo os momentos finais do que parece ter sido um grande encontro da Oclae (Organização caribenha e Latino-americana de Estudantes). Mereceu até cobertura da imprensa local: o “El Pais” publicou reportagem abrindo página, com foto e tudo (confira AQUI).

Tudo isso aconteceu depois da corrida. Durante meus quilômetros no asfalto, apenas refletia rapidamente sobre o vigor político no país vizinho, irmão gaúcho, que há pouco elegeu como presidente o ex-Tupamaro José Mujica (saiba mais sobre ele AQUI).

Deixando o pensamento voar, os quilômetros passavam mais rapidamente. Depois de cruzar a metade da prova, já previa que poderia terminar em menos de 2h25, se tudo desse certo e nada saísse errado.

Já não corria tão sozinho. Tinha passado alguns rivais, via alvos a cem, 200, 300 metros. Eram poucos, mas eles pareciam todos estar cansando, enquanto eu me sentia cada vez melhor, apto a vencer adversários que até então eram mais poderosos.

Pois que ninguém se engane: a corrida é uma guerra em que você é o herói e todo o resto é adversário. Você mesmo talvez seja seu maior rival, sempre se cobrando e querendo melhorar; mas há também o vento, o calor, o frio, a pela lanhada, as assaduras, a sede, a fome, a pura distância e todos aqueles na sua frente, obstáculos que se interpõem entre você e a linha de chegada.

Você pode, como eu, ser lento e ter vários problemas musculares, articulares e esqueléticos. Pode, como eu, dizer que não se importa com o tempo, que chegar é uma vitoria e que o divertido é completar, superar a si mesmo e ampliar os limites do seu corpo.

 

Na hora do vamos ver, porém, o que você quer é passar o infeliz que esta na sua frente, é alcançar aquela guria de verde lá longe, é derrotar o sujeito de cabelo pintado, é colocar aquele jovem bombado no seu devido lugar. E vou lhe dizer: se você não quer, eu quero.

Por isso, trato de movimentar as pernas um pouco mais rapidamente. Vejo passarem os quilômetros, recalculo minhas metas, miro em alvos. Eles são, ao mesmo tempo, rivais e parceiros, coelhos de minha corrida, irmãos do perseguidor da linha de chegada.

Pouco depois do km 15, superei um grupo de meia dúzia de corredores que, quilômetros antes, me parecia inatingível. Agora, tinha como alvo um casal de uniforme verde, da Correcaminos, e uma moca dos Corredores Del Sur. Havia também um sujeito de cabelo acaju pronto para ser ultrapassado...

A guria de camiseta branca, laranja e preta foi a primeira a cair. Passei por ela e me fui, perseguindo os verdinhos e o sujeito de cabelo pintado, que pareciam muito mais rápidos. Pois passei por eles por volta do km17 e já imaginava poder chegar em 2h20.

Ao passar o km 18, lágrimas me vieram aos olhos. Não tinha caminhado nada ate então e não tinha vontade nem parecia ter necessidade de descanso. Estava absolutamente tranquilo, músculos em paz, corpo seguro. Fazia muito tempo, mas muito tempo mesmo que não corria tantos quilômetros sem ter de parar por dores ou cansaço.

As condições do dia eram ótimas, mas minha situação também era exultado de um longo processo de retreinamento, de reaprendizado de caminhar e correr, de enfrentamento a dores, de quedas, de momentos de depressão e de instantes de desvario alucinado. Para o corredor de longa distância, ficar sem correr é uma tortura que ofende a dignidade e maltrata os sonhos. Pois eu agora estava correndo e queria mais.

No km 19, sabia que dava para sub2h20, se não caminhasse nem um mísero metro. Sub 2h15 parecia impossível: seria preciso engolir mais de um minuto em apenas dois quilômetros. E não podia correr muito mais, não devia abrir a passada, sabia que a pontada de dor tinha sido um aviso, uma advertência que precisava respeitar.

Que tal então manter a passada curta, medida, estável, mas aumentar a freqüência? Na minha segunda maratona, já lá se vão mais de dez anos, inventei para mim um mantra que dizia: Velocidade não é nada, ritmo é tudo; ritmo é tudo, velocidade não é nada.

Aos poucos fui aumentando o ritmo, forçando a frequência das passadas, ultrapassando mais rivais, tornando possível o que antes da largada parecia inimaginável. Queria apenas completar sem dor, com intervalos para comportadas caminhadas, e me via correndo quase toda a meia maratona.

Já imaginava a Eleonora me esperando na chegada, o grito que eu daria. Chorava, ria e metia o pé no asfalto; acelerava e me recriminava, voltava ao passo firme. Não iria mais olhar no relógio, não tinha tempo para mais cálculos, mas acreditava estar no rumo certo...

Vi a chegada! Vi a Eleonora, postada em local por certo proibido, logo depois do pórtico, onde pessoas da organização anotavam os números dos chegantes (apesar de termos chip, nossos números fora devidamente anotados em cada um dos retornos importantes e na chegada...). E para a Eleonora me fui, gritando sei lá o que e parando só nos braços dela.

Por instinto, meio sem pensar, parei também o cronômetro. 2h14min12. Berrava, ria, abraçava a Eleonora. E sentia vibrar em mim uma promessa, uma advertência, um sonho: Te cuida, maratona, que eu estou na tua cola!

Saravá!

 PS.: Veja mais fotos clicando AQUI

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 01h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Carlos Dias completa volta do Brasil

O ultramaratonista Carlos Dias completa neste sábado mais um desafio monumental de sua carreira, que se caracteriza por grandes travessias solitárias. Na tarde da véspera do Dia dos Pais, ele chega ao parque do Ibirapuera, em São Paulo, de onde saiu há quase um ano para fazer um trajeto que pode se chamar de Volta do Brasil.

Ao terminar a jornada, Dias terá percorrido 18.250 km num trajeto que começou em São Paulo, passou por Minas e pelos Estados do Centro-Oeste, foi ao Norte do Brasil, retornou ao Nordeste, desceu até o Sul e agora volta ao ponto de partida.

Foram mais de 320 dias em que ele correu e caminhou, em média, 56 km. Uma travessia em busca de autoconhecimento, mas também uma demonstração de solidariedade, pois um dos objetivos do projeto era arrecadar fundos para o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), por meio da venda de quilômetros.

Ao longo do caminho, Dias manteve um blog especial, contando histórias do percurso (veja AQUI).

Para você ter uma idéia mais precisa do que foi o trajeto desse ultramaratonista solitário, confira o mapa abaixo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Sobre mamilos, maratonas e chefes

Assisti um dia desses à divertida comédia “Quero Matar Meu Chefe”, que está em cartaz em São Paulo. A crítica considerou o filme apenas regular, mas eu ri boa parte do tempo, o que me faz crer que meu senso de humor não coincide com o dos críticos de cinema.

Isso é problema meu e dos críticos. O que interessa a este blog é que, lá pelas tantas, um dos horríveis chefes –por sinal, praticante de jogging— faz uma referência ao mundo das maratonas.

Lá pelas tantas, enquanto inferniza a vida de seu subordinado, o personagem vivido por Kevin Spacey (que estrelou “Beleza Americana”), sai-se com a seguinte pérola: “A vida é uma maratona, e você não pode vencer uma maratona sem colocar bandeides nos mamilos”.

O coitado do funcionário não entendeu nada, e confesso a você que também não compreendi a profundidade da tirada filosófica, mas o fato é que, realmente, é recomendável que você coloque alguma forma de proteção nos mamilos quando for correr por muito tempo. Não que isso o leve a vencer alguma maratona, mas ajuda a completá-la com menos sofrimento.

É que o roça-roça da camiseta, por mais tecnológica que seja, acaba afetando a área, que é muito sensível, como sabemos todos. Nos meus primeiros tempos de corrida, achava que isso era bobagem até que uma camiseta mais grossa acabou deixando a área ensanguentada.

Desde então, sempre que vou correr mais de duas horas, trato de usar alguma proteção. Os bandeides, propriamente dito, não me parecem os melhores; com o suor, tendem a cair. O que faço, em geral, é passar algum tipo de pomada e aí cobrir com microporo ou mesmo com esparadrapo, que é o mais seguro.

 Já que estamos falando de proteção, é bom cuidar também de coxas e braços, especialmente no calor. Uma assadura bem feita pode derrubar um sujeito na prova; aquele incômodo fica dando nos nervos até que você estoura. Para evitar, é bom besuntar coxas e braços com algum preparado que diminua a fricção na região. Um bom e barato é vaselina líquida, mas há até pomadas especiais –e caras— para prevenir assaduras.

Enfim, como se vê, correr pode envolver muito mais do que apenas colocar uma perna na frente da outra e sair pelo mundo afora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Solaço de aço nas Dez Milhas em Vitória

Organizadores de provas podem dizer o que quiserem, mas o fato é que, no Brasil, nenhuma corrida de mais de dez quilômetros deveria começar às 9h. Para a saúde dos atletas e a obtenção de boas marcas, o ideal é que essas provas comecem quando ainda não esteja tão quente, como 7h ou até antes, no Nordeste.

Ou mesmo no Sudeste. No último domingo, em Vitória do Espírito Santo, pouco antes das 9h, o sol brilhava com uma disposição de fazer inveja aos olhos de Liz Taylor, e os termômetros corriam céleres em direção aos 30 graus, gerando apreensão nos mais de 5.000 corredores que esperavam a largada para a 22ª edição das Dez Milhas Garoto.

Eu fiquei mais preocupado ainda quando recebi a notícia de que um atleta havia morrido na Meia Maratona da Asics em São Paulo. Era exagero. Mais tarde, soube que um corredor de fato sofrera parada cardíaco na altura do km 5, mas fora atendido rapidamente e reagira às medidas de ressuscitação; ele está hospitalizado, ainda em estado grave, no momento em que escrevo esta mensagem.

Não havia dúvida de que o calorão iria atrapalhar. Nos céus, nem um sinalzinho de nuvem. O jeito era aproveitar todos os postos de água (a cada dois km, mais ou menos, com água fresca em boa parte deles; eu peguei água quente uma vez) e tentar buscar frestas de sombra quando o percurso chegasse às ruas de Vila Velha, cidade-irmã de Vitória (que, como você sabe, é uma da poucas capitais de Estado no Brasil que ficam em ilha; as outras são Floripa e São Luís, se não me falha a geografia).

Até lá, porém, foi sol no lombo sem piedade, com destaque para a subida e descida da ponte que liga as duas cidades, cerca de 3 km em que o ventinho até disfarçava o calorão. Para mim, que até ali tinha conseguido manter a lombar sem gritar, a descida foi um aviso de que as dores poderiam surgir a qualquer momento.

Era a primeira vez que fazia uma prova tão longa (dez milhas são 16.090 m) desde que abandonara, por dores, uma maratona no Peru, no ano passado. Minha tática foi tentar manter o equilíbrio, sustentar um determinado ritmo e não ceder à tentação de acelerar; chegaria quando chegasse, o que eu não queria era sentir dor. O que eu queria era poder aproveitar a corrida.

E consegui. A cada dois ou três quilômetros, dava uma caminhadinha de alguns minutos, como venho fazendo nos treinos mais longos. Em alguns momentos, parava para tirar fotos como as que ilustram este texto (confira outras AQUI). Fiz uns poucos quilômetros em torno de seis minutos cada um e até menos; completei outros em mais de sete e até oito ou nove minutos. Mas eu estava no comando do meu corpo; não eram as dores que dominavam a minha vontade.

Deu para me divertir com os bombeiros e representantes de outras Forças Armadas que corriam em grupos fazendo suas cantorias de marcação de ritmo. Vi namorados correndo apaixonados, amigos se provocando, colegiais desencantados com sua falta de capacidade de seguir adiante. Sorri com os fantasiados e gargalhei com a turma que se esbaldava nos banhos de mangueira propiciados por populares, tive pena de quem não conseguiu guardar forças para ir até o fim do desafio e me preocupei com as sirenes abertas de ambulância correndo de lá para cá ao longo do trajeto.

Pois o sol de fato fez vítimas. Os serviços médicos atenderam mais de cem pessoas (117 na contabilidade oficial), mas não tenho informação sobre algum caso mais grave. Mesmo a elite, que parece feita de super-homens, sentiu: o vencedor deste ano, o queniano Kimutai Kiplimo, completou a prova em 48min05, cerca de três minutos a mais do que o tempo do vitorioso do ano passado. “Foi difícil por causa do sol e do calor”, disse sua compatriota Eunice Jepkirui, que fechou em 55min43 para conquistar o bicampeonato.

Eu cheguei uma hora depois dela, feliz da vida, sem dores na lombar, mas com as costas vermelhas –apesar das recomendações que sempre faço, esqueci de colocar protetor solar. Era prenúncio de uma tarde dolorida, mas satisfeita. E divertida com as lembranças da prova e do bom humor dos capixabas: numa curva do caminho, um grupo de jovens que me viu correndo, barba branca ao vento, mandou firme no coro: “Osama não morreu, Osama não morreu!”.

Pode ser. Ou não. Vai saber. Saravá!

  

Obs.: O jornalista viajou a Vitória a convite da Garoto.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida integra campanha contra câncer da próstata

Além de boa diversão e ótimo lugar para fazer as ruas, as corridas de rua já se consolidaram como elementos importantes de campanhas de divulgação de informações para prevenção de doenças. Já temos, por exemplo, as corridas contra o câncer de mama e contra o câncer de boca. No próximo dia 21, será realizada em São Paulo uma corrida cujo objetivo é divulgar medidas preventivas contra o câncer de próstata e outros tumores urológicos.

Ao longo do percurso, haverá informação sobre a prevenção, e os corredores e caminhantes receberão cartilhas sobre o tema. A corrida é de 8 km; a caminha, de 4 km. Ambas largam da avenida Pedro Álvares Cabral, do lado do parque Ibirapuera. As inscrições estão abertas e custam R$ 70 para que não é associado da Corpore (saiba mais AQUI e AQUI).

Se você, porém, não quiser correr ou não quiser gastar essa grana da inscrição também pode conseguir mais informações sobre a prevenção desses tumores malditos.

Na próxima terça-feira, dia 9, haverá um ciclo de palestras gratuitas com especialista do Núcleo Avançado de Próstata do hospital A. C. Camargo.

Os médicos não se cansam de repetir o quanto é importante que a população esteja informada sobre esse e outros problemas de saúde, pois isso ajuda na descoberta precoce da doença e consequente aumento das chances de sobrevida do doente: “Entre cada dez casos de câncer descobertos logo no início, nove são curados. Em se tratando de tumores de próstata iniciais, o índice de cura está em 98% dos casos”, diz o diretor do Núcleo Avançado de Próstata do A.C. Camargo, Gustavo Guimarães.

Os especialistas também destacam que, embora estejam tratando no evento de doenças masculinas, as mulheres são mais do que bem-vindas, pois são muito importantes no incentivo a que o marido, filho ou parente busque ajuda médica.

O encontro com os especialistas está marcado para as 17h30 de terça, no Hospital A.C.Camargo, Auditório José Ermírio de Moraes, rua Professor Antônio Prudente, 211. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail: encontro@accamargo.org.br. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nova recordista dos 10.000 m chegou a SP com R$ 52

Em uma tarde de gala no Ibirapuera, Simone Alves da Silva (foto CBAt/Divulgação) derrubou hoje mais um recorde da grande Carmem Oliveira. Ela correu os 10.000 m em 31min16s56, estabelecendo nova marca sul-americana –o recorde de Carmem faria 18 anos no próximo dia 21. Com esse tempo, Simone, 26, também conseguiu índice para participar do Pan de Guadalajara, em outubro, e do Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, que começa no próximo dia 27.

A vitória mostra a consistência da evolução de Simone, que foi a melhor brasileira na São Silvestre do ano passado e que, em maio último, também na pista do Ibirapuera, quebrou o recorde sul-americano dos 5.000 m –outra marca de Carmem Oliveira que já estava na maioridade.

Acima de tudo, as conquistas demonstram a determinação dessa baiana de Morro do Chapéu, que chegou a São Paulo há dez anos sem dinheiro nem trabalho, apenas com a vontade de ser atleta.

“Mãe, vou para São Paulo. Vou treinar com o técnico do Marílson, mãe, do Marílson!!!”, disse a menina de apenas 16 anos à mãe, que trabalhava como lavadeira em Jacobina, onde a família vivia na época.

Simone, que começara a correr com 14 anos, depois de uma brincadeira, uma gincana com colegas de escola, já tinha se entusiasmado com o mundo das corridas de rua. Obteve alguns bons resultados na região, e um amigo acabou apresentando a garota para o técnico Adauto Domingues, que viu nela grande potencial.

Convencer a mãe até foi fácil, difícil foi arranjar dinheiro. A mãe não tinha de onde tirar e pôde apenas dar R$ 2 a Simone, que conseguiu com amigos e parentes na cidade outros R$ 50; a passagem em um ônibus clandestino foi de graça, e enfim a garota desembarcou em São Paulo.

Seu abrigo foi com a irmã, que já estava havia alguns anos na cidade grande e trabalhava como cabeleireira. Simone queria treinar e participar de corridas de rua, tentar beliscar um pódio, algum prêmio. Mas só com isso não dava para viver.

“Trabalhei como babá, fui faxineira, vendia lingerie para as colegas de corrida”, lembrou ela hoje, depois de sua bela vitória na pista do Ibirapuera.

O suficiente para se manter, mas não para garantir uma alimentação adequada para uma atleta: “Teve época em que eu comia pipoquinha doce no café, no almoço e na janta; era o que dava”.

Os treinos e as corridas era seu esteio, e os colegas de atletismo uma nova família –literalmente: durante dois anos morou na casa da família de Adauto Domingues e na equipe veio a conhecer seu marido, com quem vive hoje em uma casa alugada em São Caetano.

Situação bem melhor do que a enfrentada há pouco mais de dois anos, quando o casal tinha de morar com a sogra de Simone, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Ela e Carlos levavam até três horas de ônibus para chegar aos treinos e ainda precisavam fazer bico, como o trabalho de sacoleira de Simone.

Até que Adauto apresentou a garota aos patrocinadores, e ela acabou sendo contratada. Com renda fixa, ganhou tranquilidade, os resultados melhoraram, a família teve mais paz. E o casal continuou sempre se ajudando, tanto que Carlos deu um tempo em seus treinos específicos –também é corredor de 5.000 m e 10.000 m—para servir de coelho durante a preparação de Simone.

O resultado está se vendo nas pistas brasileiras. Em breve, em pistas internacionais.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fantasias enfeitam corrida em Fortaleza

Ó, xente! No Ceará também tem corrida --e das boas. A leitora LIA CAMPOS nos conta a bela diversão que foi a terceira edição da Pé na Carreira, realizada no domingo passado em Fortaleza. Marcada pela irreverência, a prova recebe muita gente fantasiada, como os palhaços que ladeiam Lia na foto acima. Funcionária pública, Lia corre há sete anos. Hoje na categoria 40-45, está conquistando o filho Bruno (também na foto acima) para o mundos das corridas. Confira a seguir o relato que ela mandou.


"Os fantasiados eram muitos: Zorro, He Man, Batman,  Patati e Patatá, Emília, um grupo de cangaceiras animadíssimas, muita “puliça”, abelha, paquitas,  pretos velhos, mosquito e mosquita da dengue, morte, vampiro, Tartarugas Ninja e até a Amy Winehouse apareceu pra meter o pé na carreira, entre tantos outros tipos criativos.
Senti falta dos sanfoneiros dos anos anteriores tocando o Hino Nacional, mas a vaia da largada foi dada pontualmente às 16 horas e todos partiram numa grande animação em meio aos gritos de “Ó o meeeei!”.

 O percurso desse ano foi pelo centro da cidade, passando pela Praça do Ferreira, Praça José de Alencar, Praça da Estação, Passeio Público, Catedral, Mercado Central, Praça dos Leões. A meu ver um percurso excelente, valorizando nossa cidade, saindo um pouco da Beira Mar-Praia de Iracema.
No começo o sol castigou um pouco, mas logo entramos por ruas sombreadas do centro e tudo ficou mais fácil. Ao longo do percurso as pessoas se surpreendiam com aquela “ruma” de gente correndo e caíam na risadaria com os fantasiados. Foi tudo tão divertido que de repente já estávamos chegando  ao final, ao som de um “Carruagens de Fogo” “cearentizado”, pra receber água, isotônico, nosso picolé Pardal e a medalha.
Finalzinho da tarde ainda teve sorteio entre os participantes e a premiação das 3 categorias: “Se garante ó!!!” – 8 km; “Chinela negrada” – 4 km;  e “Agora eu me abri!!!” – fantasiados

Acho que o Pé na Carreira tem tudo pra entrar no circuito nacional de corridas de rua, encerrando as férias na nossa cidade com muita alegria e bom humor. Parabéns aos organizadores. “Carreira”  organizada e que cumpriu o que prometeu: uma tarde divertida, alegre e criativa, do jeitinho nosso tão cearense de ser. “Só o miiiii”. “

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Marílson corre no Troféu Brasil em São Paulo

 

Quem estiver em São Paulo nesta semana terá a oportunidade de aproveitar o puro creme do milho quando se trata de atletismo: começa nesta quarta-feira o Troféu Brasil. E, logo no dia de abertura, teremos Marílson Gomes dos Santos na pista. O melhor fundista brasileiro da atualidade vai em busca de seu oitavo ouro consecutivo nos 10.000 m.

Segundo seu técnico, Adauto Domingues, Marílson deverá disputar a mesma prova no Mundial de Daegu (Coreia do Sul), que começa no próximo dia 27, e no Pan de Guadalajara (México), em outubro. Ele não tenta maratona nessas competições porque, em geral, as condições de clima e percurso não favorecem bons tempos. Na prova longa, dará preferência a Chicago, que já foi cenário de vários recordes mundiais.

Bom, mas há muita coisa para ver na quarta-feira, além da corrida de Marílson. Por exemplo, a qualificação do salto triplo feminino. E, nas corridas, há a prova dos 10.000 m feminino. Além disso, a medalhista olímpica Maurren Maggi também deverá dizer presente.

Pelo que vi nos mais recentes 10.000 m, talvez a prova feminina seja até mais interessante. No masculino, a questão é saber quem será o segundo; às vezes, a partir da metade da prova, isso também fica definido, e a disputa passa a ser pelo terceiro ou pelo quarto lugares. No feminino, as emoções em torno de quem será a primeira costumam durar pelo menos 20 das 25 voltas; não raro, o quebra-pau vai até o fim.

A cerimônia de abertura está marcada para as 14h desta quarta-feira, no estádio Ícaro de Castro Melo, no Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera. Segundo a programação oficial, que você pode conferir AQUI em detalhes, a qualificatória do salto triplo feminino será às 14h40, a final dos 10.000 m feminino, às 16h20, e a final dos 10.000 m masculino, às 17h.

O Troféu Brasil vai até domingo e terá a participação de cerca de 800 atletas, envolvidos em 44 provas.


O ingresso é livre.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.