Rodolfo Lucena

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Recorde mundial da maratona está em perigo

 

Bom, permita-me começar puxando a brasa para minha sardinha: no exato dia em que no queniano Patrick Makau quebrou o recorde da maratona, no final de setembro passado, em Berlim, eu avisei que a nova marca corria o risco de não durar muito.

Pois foi por pouco, muito pouco, pouco mesmo que ela não caiu ontem, também em terras germânicas. Na maratona de Frankfurt, Wilson Kipsang, compatriota do recordista mundial, cravou 2h03min42, apenas quatro segundos a mais do que a marca de Makau.

Com o segundo melhor tempo da história, Kipsang garantiu o bicampeonato da corrida na capital financeira da Alemanha e se credenciou para o time olímpico queniano. Ele disse que estava tudo bem, elogiou o trabalho dos coelhos, mas ficou clara uma certa decepção por não ter conseguido estabelecer a nova marca: “No ano que vem eu volto para quebrar o recorde mundial”, prometeu o queniano.

A prova foi muito bem até a meia maratona, quando eles passaram quatro segundos abaixo do recorde; mas o ritmo foi decaindo, incomodando o candidato a recordista. No km 33, Kipsang encostou no coelho, como a pedir mais velocidade, e no 35 decolou de vez, em vôo solo. Os quilômetros finais foram de desabalada (desesperada?) luta contra o relógio, sob o aplauso do público, que acompanhava a batalha do queniano.

No final, não deu. Mas seu desempenho mostra que há mais candidatos a maratonas em 2h03 e alguma coisa além dos quenianos Geoffrei Mutai e Moses Mosop, que correram Boston nessa balada, mas não valeu para o recorde por causa de características do percurso. Independentemente do aval oficial, porém, é claro que os dois têm potencial para ir em busca do recorde.

Voltando a Frankfurt, a prova festejou outro recorde (além da quebra da marca do percurso): 14 homens completaram em menos de 2h10, mostrando que se trata mesmo de uma prova rápida.

No asfalto alemão, a brasileira Marily dos Santos perseguia uma vaga nos Jogos de Londres 2012. Não conseguiu, mas marcou o melhor tempo de sua carreira ao completar em 20º lugar entre as mulheres, com 2h35min32 –o índice exigido pela CBAt é de 2h30min07. Marily passou a metade da prova com 1h13min56, mas não conseguiu manter o ritmo na segunda etapa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h57

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Ex-gari Solonei conquista o ouro na maratona do Pan

 

“Penápolis, eu amo vocês”, disse Solonei da Silva instantes depois de conquistar o ouro na maratona do Pan de Guadalajara, no início da tarde deste domingo. O ex-gari, ex-trabalhador em curtume e atleta profissional há apenas dois anos cumprimentava sua cidade natal, no interior de São Paulo, onde o pessoal soltou rojões e festejou pela vitória do filho da terra.

Solonei da Silva (foto Reuters) completou em 2h16min37 depois de uma arrancada fulminante ainda na primeira etapa da prova: na passagem do km 20 ele começou a se desgarrar do primeiro pelotão, aos poucos abrindo uma diferença que, no último quarto da corrida, chegou a ser superior a 1min30 em relação ao segundo colocado.

A estratégia da corrida foi montada confiando na forma do atleta e na análise dos resultados dos adversários. O brasileiro tem o melhor tempo da temporada entre os 21 corredores que largaram e também é dono do melhor recorde pessoal. Além disso, tem uma história de boa resistência a condições adversas, como o calor que assolou a turma hoje em Guadalajara –agora, quando escrevo, cerca de uma hora depois da chegada de Solonei, a temperatura é de 23 graus, mas a máxima chegou a 28 graus.

Quilômetro a quilômetro, o brasileiro foi aumentando a distância em relação ao grupo perseguidor, formado por cinco e, depois, seis atletas. Mas, na hora do vamos ver, apenas dois colombianos seguiam em busca de desafiar o brasileiro. Teriam de fazer muito esforço, pois Solonei vinham em ritmo batido, firme em 3min12 por km, numa balada de cruzeiro que dificilmente alguém teria condição de alcançar.

A confiança era tanta que o ex-gari (o desligamento oficial do emprego em Penápolis foi em agosto deste ano) catou uma bandeira brasileira no km 38 e desfraldou a flâmula verde amarela por sobre os ombros, abriu a bandeira e deixou o vento bater. Foi por alguns instantes e logo enrolou a bandeira no braço.

O colombiano que liderava o segundo bloco deve ter ficado mordido e tratou de acelerar. Imaginou, talvez, que o adversário estivesse reduzindo o ritmo com seus festejos e poderia ser presa menos difícil. Ele imaginou certo, pois de fato Solonei reduziu suas passadas, sabe-se lá se por causa das festas, de cansaço ou para guardar forças para manter firme o ritmo. O certo é que, no km 40, a diferença sobre o segundo colocado era de 1min03. Impossível de ser alcançada, a menos que sobreviesse um desastre. Mas ficou menor: a diferença final foi de 35s.

Como a prova é em voltas, por várias vezes os que iam se cruzavam com os que estavam voltando. Em uma dessas vezes, Solonei chegou a sair de seu trajeto para bater mão com Jean da Silva, o outro brasileiro presente na prova. O cumprimento e incentivo se repetiram segundos depois de Solonei ter cruzado a linha de chegada; antes de qualquer outra coisa, estendeu o braço para saudar o amigo que partia para ainda vários quilômetros de asfalto (Jean chegou em 9º, com 2h22min41).

Apesar de seus 29 anos, Solonei é relativamente novato no atletismo competitivo, como ressaltou em uma de suas primeiras declarações depois da vitória: “Eu tenho dois anos como profissional, em dois anos atingi essa glória”, falou ele, prometendo em seguida lutar para conseguir vaga na equipe nacional que vai disputar a maratona olímpica. Por enquanto, o único brasileiro que tem índice A para Londres-2012 é o paulista Paulo Roberto de Almeida Paula.

 O fato é que ele tem boas chances de chegar lá, pois seu melhor tempo é mais de três minutos mais rápido do que o exigido (2h15). Ao que tudo indica, ainda tem chão para crescer na maratona.

Com o resultado de Solonei da Silva, o Brasil encerrou com ouro as competições do atletismo no Pan. A abertura, como você lembra, também foi com ouro para o Brasil: Adriana Aparecida da Silva quebrou o recorde do Pan depois de emocionante arrancada sobre a atleta da casa, Madai Perez.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h06

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“Chegou a minha vez”, desabafa Marílson, ouro no Pan

As primeiras declarações de Marílson Gomes dos Santos depois da conquista do ouro nos 10.000 m no Pan, no fim da tarde de ontem, foram uma espécie de desabafo:

“Essa conquista estava engasgada. Muitos queriam que eu disputasse a maratona, achavam que a chance poderia ser maior, mas eu optei pelos 10.000 m. Era uma prova que eu queria muito. Como brasileiro, não desisto nunca."

Ele queria muito porque, nos dois Pans anteriores, já tinha batido na trave e ficado com a prata. Agora, só a vitória interessava. As condições não eram as melhores do mundo para os corredores, mas quem vai para as cabeças não escolhe clima. Veja o que disse Marílson (fotos Divulgação):

"Foi uma prova dura porque estava muito quente, muito calor. Estou feliz com a minha tática hoje. Acabei sofrendo um pouquinho com a altitude e o sol quente, mas o mais importante é que saí com o ouro. Acho que, mais do que ninguém, merecia essa medalha nessa prova. Já tinha sido duas vezes vice. Agora, chegou a minha vez".

o    Por e-mail para este blog, o técnico de Marílson, Adauto Domingues, comenta as dificuldades superadas: “As provas de fundo por aqui tem sido táticas e sabíamos que era preciso impor um ritmo forte para ter alguma chance e assim foi feito. Sabíamos também que o sol forte na hora da prova era um motivo a mais para que pudéssemos evitar aquela corrida [mais lenta] com chegada [forte] e assim foi feito. Felizmente pra nós, deu certo, e o Marílson ganhou a medalha de ouro que escapou em 2007”.

O brasileiro terminou em 29min00s64, com muita folga sobre o segundo colocado, o mexicano Juan Carlos Romero, que completou em 29min41. Já o brasileiro Giovani dos Santos resolveu festejar antes da hora e quase é defenestrado do pódio, mas acabou com o bronze em 9min51s71, sentindo os rivais fungando na nuca.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h16

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“Nossa chance era aproveitar um erro da Madai”, diz técnico de Adriana

Agora que a poeira já baixou e o pessoal já festejou bastante a vitória de Adriana Aparecida da Silva na maratona do Pan, trago para você, com exclusividade, depoimento do técnico dela sobre a processo que levou à vitória no domingo passado. Claudio Castilho faz um balanço dos dias que antecederam a corrida e daquelas horas de fogo e suor.

Deixo as declarações dele na íntegra e depois retomo a conversa. Fique com o que nos diz Claudio Castilho:

 

“Tínhamos noção das reais chances da Adriana e sabíamos que seria difícil bater a Madai Perez na terra dela. Isso ficou muito mais aparente quando chegamos em Guadalajara e nos deparamos com um clima muito ruim e com toda a expectativa que se havia criado em torno da vitória dela. Eles contavam o ouro da Madai como certo!

“Nossa única chance seria aproveitar um erro estratégico dela. O início da Gladys [a corredora peruana] nos favoreceu bastante, pois ela levou a Madai em um ritmo que sabíamos ser impossível manter naquelas condições.

“Nosso maior cuidado era determinar o ritmo correto que a Adriana pudesse suportar durante toda a prova independentemente do que fosse acontecer na frente. Nossa ambição era correr para o recorde pan-americano, sabíamos que nessa condição iríamos brigar por medalha, o ouro seria consequência dos acontecimentos!

“Frisei muitas vezes para a Adriana que estivesse atenta às minhas orientações de ritmo e diferenças entre as lideres, pois, se houvesse a chance, ela teria que tomar a iniciativa, e não desperdiçar a oportunidade.

“A Gladys e a Madai iniciaram a prova já para o ritmo de 3min35/km, pedi que a Dri estivesse próximo para se testar e ver como elas iriam se comportar. Ela fez 3min38 no primeiro quilômetro e logo ajustou para a velocidade de cruzeiro que havia determinado, que era 3min40/3min41. Por isso, a diferença chegou a ficar de 2min nos 21km, mas já era visível que as duas ponteiras iriam pagar um preço bem caro nos últimos 10 km de prova.

“Gritei para a Dri para ter paciência e manter o ritmo, pois no meio da terceira volta ela já poderia pegar a posição da Gladys, o que realmente aconteceu na altura do km 24. Teríamos que ficar mais atentos para ver até onde a Madai iria suportar para depois cair.

“Quando elas passaram por mim na altura do km 29, a diferença era de 1min34 e logo após, na altura do 31k, quando retornaram, abrindo a última volta, a diferença já era de 1min17; em resumo, a Dri tirou 8,5s por km. Depois você já sabe o resto da história!”

 

Claudio me adiantou que decidiram que não vão deixar para buscar o índice olímpico no apagar das luzes do prazo. Adriana descansa agora por duas semanas e depois retoma os treinos visando uma maratona para obtenção do índice para Londres-2012, 2h30min07.

Ainda não está definida a prova, pois depende de negociação com os organizadores, mas deverá ser em meados de fevereiro. Claudio cita Sevilha, mas não descarta Tóquio, que é realizada um pouco mais tarde.

Adriana, por sua vez, é só alegria: “Estou muito contente com o resultado, essa vitoria mostra que deu certo toda a preparação que fizemos para os jogos e que alem da vitoria conseguimos o recorde. Agradeço a todos pela torcida e pela forca que me deram desde o principio da preparação até a conquista da medalha."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h52

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Marílson é uma ilha em um mar de quenianos

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos é o único não queniano entre os donos das 20 melhores marcas na maratona neste ano, segundo ranking da IAAF (a Fifa do atletismo) que acaba de ser atualizado.

Seu tempo de 2h06min34, registrado em Londres em abril é a 17ª melhor marca deste ano. Todas as anteriores e várias posteriores são de quenianos, a começar pelo novo recordista mundial, Patrick Makau, que correu a maratona de Berlim em 2h03min38.

O segundo não queniano a aparecer na lista é o etíope Bekana Daba, com lerdíssimas 2h07min04, que lhe valeram tão somente a 23ª posição no ranking da IAAF.

Marílson corre hoje no Pan, por volta das 19h, a prova dos 10.000 m. Na versão feminina da prova, há dois dias, a brasileira Cruz Nonata chegou em segundo lugar. Se eu conseguir achar uma transmissão direta da prova de Marílson, vou mandar notícias pelo meu Twitter: twitter.com/rrlucena. Confira lá.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h09

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Adriana teve de superar muita dor para correr

Quem viu Adriana Aparecida da Silva dar um show na maratona do Pan, administrando suas forças e fazendo ultrapassagens irrespondíveis, nem imagina que há pouco tempo, cerca de três anos, ela mal conseguia caminhar.

Estava em processo de recuperação de cirurgias nos dois pés e, tal como muitos de nós e boa parte dos mortais, tinha sérias e dolorosas dúvidas sobre sua capacidade de recuperação, se um dia voltaria a correr em nível competitivo.

As dúvidas eram tantas que as dores prosseguiam mesmo depois de passado o período previsto pelos médicos; algo estava estranho... Descobriram que, mesmo com atletas de elite, forjados na dor e sempre dispostos a exigir um pouco mais do corpo, às vezes a mente prega peças.

Adriana passou a ser atendida por uma equipe multidisciplinar, com ortopedista, psicólogo, fisioterapeuta e o apoio do treinador, que sempre manifestou confiança na capacidade de recuperação da atleta.

E isso efetivamente aconteceu, como me relatou uma das profissionais envolvida no processo, a psicóloga do esporte Carla di Pierro. Demorou, mas o grupo de apoio conseguiu ajudar Adriana para que ela mesma se ajudasse –como muitos de nós já experimentamos, é preciso querer lutar para poder lutar. E, aos poucos, foi conseguindo resultados, que traziam luz para sua vida.

Antes, teve mesmo de reaprender a correr. Aquela coisa: caminha um pouquinho, corre um minuto, caminha dez minutos, corre um minuto; melhora na semana seguinte e assim vai. Coisa que exige muita determinação e espírito combativo para fazer.

Às vezes, uma dor mais forte, uma torção, um esbarrão sombreavam tudo de novo. Em um segundo, voltava o temor de que tudo poderia ficar como antes. Nesses momentos, a turma de apoio estava lá para dar aquela força para Adriana, que foi guerreira em todos os momentos.

No ano passado, ela completou a maratona de Berlim em 2h32min30, o quinto melhor tempo da história para as maratonistas brasileiras. Neste ano, participou de provas de pista com bons resultados e agora, depois de entrar para a histórica como recordista pan-americana da maratona, vai atrás do índice para representar o Brasil na maratona olímpica em Londres 2012.

Terá um breve, mas merecido descanso e logo recomeça os treinos visando uma corrida ainda não definida, mas provavelmente em abril, prazo máximo para obtenção do índice. Ainda não falei com o treinador dela, Claudio Castilho, depois do Pan, mas eu chuto Roterdã como um dos melhores palcos para uma maratona rápida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h00

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Guinness não reconhece recorde de maratonista de cem anos

 A façanha do indiano Fauja Singh, que tem cem anos e completou recentemente uma maratona no Canadá, não será registrada no Livro dos Recordes.

O Guinness World Records não reconhece o feito afirmando que o maratonista não apresentou provas suficientes para demonstrar sua idade. A organização exige a certidão de nascimento, mas esse tipo de documento não era emitido na índia em 1911, afirma o treinador do maratonista.

Aliás, o próprio governo da Índia mandou ao Guinness carta afirmando que não havia registro dos nascimentos no país em 1911, mas a entidade não considera que isso prove alguma coisa, assim como não considerou declaração firmada por um vizinho de Singh quando ele morava na índia.

Hoje cidadão britânico, Fauja Singh viaja com passaporte da Grã-Bretanha; nele, a data de nascimento registrada é 1º de abril de 1911. Neste ano, no dia de seu aniversário, o corredor recebeu carta da rainha da Inglaterra lhe dando os parabéns.

A carta e o passaporte também foram apresentados ao Guinness, que disse nana-nina.

O editor-chefe do Guinness World Records, Craig Glenday, disse: “Nós adoraríamos registrar esse recorde, mas o problema é que não há evidência suficiente para comprovar sua idade. Nós aceitamos apenas certidão de nascimento oficial emitida no ano do nascimento. Qualquer outra coisa não serve para nós”.

Então tá. Outras entidades, que aceitam o passaporte como prova de idade, registram recordes anteriores de Singh. A World Masters Athletics (associação internacional de veteranos do atletismo) tem o corredor na sua lista como recordista mundial na maratona, categoria mais de 90 anos, e provavelmente vai reconhecer outras marcas em distâncias menores e em idades maiores.

Independente da idade cronológica registrada por quem quer que seja, dá para perceber que Fauja Singh é bem velhinho e se trata de uma figura inspiradora para qualquer um de nós, mais jovens, que muitas vezes pensamos em deixar de lado o esporte por cansaço ou preguiça.

Ele completou recentemente a maratona de Toronto em 8h25min55, chegando na 3.850ª posição, deixando para trás outros cinco competidores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h05

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Adriana ganha ouro e quebra recorde na maratona do Pan

A brasileira Adriana Aparecida da Silva (foto Reuters) venceu hoje a maratona do Pan e estabeleceu novo recorde na competição. Cravou 2h36min37 e deu um show de maturidade, correndo atrás, segurando a onda, partindo em busca da terceira, passando de passagem da segunda e perseguindo a primeira sem perdão até deixá-la para longe. O recorde anterior era da chilena Erika Oliveira, 2h37min41 em Winnipeg, no Canadá, em 1999. A ex-recordista, por sinal, completou em quinto lugar a prova deste domingo.

As corredoras que iriam chegar ao pódio partiram na frente desde o início. Depois de um começo em bloco fechado, quatro atletas abriram: a peruana Gladys Tejeda puxava a fila, seguida pelas duas mexicanas e pela brasileira.

Mesmo correndo toda encolhida, com uma postura pouco comum, cabeça baixa, a peruana ia rápida, tentando abrir; a mexicana Madai Perez, dona do melhor tempo entre as competidoras, achou que não dava para aguentar aquele acinte e partiu para disputar com a peruana, passando dela, mas parecendo deixar que a rival ditasse o ritmo. “Preciso ficar na frente de qualquer jeito!” parecia ser o pensamento de Perez.

Adriana deixou rolar, ficou um pouco distante das duas ponteiras, mas na mesma balada da terceira, Paula Apolonio, que estava fazendo muito mais do que podia.

De fato, enquanto as outras duas brigavam lá na frente, a brasileira tratou de passar a mexicana Apolonio no km 20. Aí começou a corrida de Adriana Aparecida da Silva. E que corrida!

Depois da ultrapassagem, logo teve no visual a peruana, que tinha melhorado um pouco sua forma de corrida, mas claramente sentia o esforço que fizera nos primeiros quilômetros. Adriana não acelerou que nem louca: manteve seu ritmo, como se tivesse confiança de que naquela batida engoliria a rival rapidamente, o que efetivamente aconteceu.

No km 30, Adriana já estava 1min36 à frente da peruana e 1min30 atrás de Madai Perez. Grosseiramente falando, precisava tirar 7,5s por km; foi tirando cerca de sete até o 34; depois, era apenas questão de tempo.

Madai Perez talvez tenha se sentido na obrigação de correr na frente, de mostrar coragem para seus compatriotas. Isso não deu certo, como costuma acontecer com quem vai muito cedo ao pote.

No km 37, as emoções de todos estavam à flor da pele: por causa do desenho do trajeto, em quatro voltas de 10 km (e mais um tanto), as atletas se viam em cada retorno, cruzavam olho no olho. Adriana parece ter sentido a rival fraquejar ainda mais. De novo, aos poucos, segundo a segundo, acelerou e, na passagem do km 38, já tinha a mira na nuca de Madai Perez.

Daí ligou o turbo, abriu a passada que foi uma beleza, enquanto a rival sofria cada vez mais; Madai já tinha tirado a viseira e olhava fixo no horizonte.  Cerca de 300 metros depois do km 38, o horizonte que ela viu foram as costas de Adriana Aparecida da Silva, que passou de passagem e ainda acelerou, como a dizer que não haveria chance para uma reação.

E, de fato, não houve. No 39, a diferença já tinha crescido e seguiu aumentando. O desafio passava a ser quebrar o recorde pan-americano, mas, para Adriana, mais importante ainda era mostrar sua brasilidade: quando a vitória já era certa, pegou das mãos de seu técnico, Claudio Castilho, a bandeira brasileira.

E com a bandeira nas mãos, erguida no alto e beijada, ela cruzou a linha de chegada quebrando o recorde pan-americano. “Água, água”, pediu ela ao sujeito da organização que a atendeu; depois, festejou com forte abraço em seu treinador. Saindo para o exame antidoping, ainda ouviu um grito brasileiro: “É nóis!”, disse alguém, e Adriana acenou.

A outra brasileira não completou a prova, em que houve ainda um destaque, também exemplo de calma para correr nos seus limites: a cubana Dailin Belmonte, que tinha apenas o 13º tempo na atual temporada, entre as 20 competidoras, passou o km 10 em oitavo lugar, melhorou para sexto no km 20 e passou o km 30 já em quarto lugar, posição que manteve até o final.

Agora, Adriana deve descansar alguns dias e logo, logo vai começar a pensar em suas chances de conseguir o índice olímpico. Seus tempos ainda estão relativamente longe da marca exigida, que é de pouco mais de 2h30. Em boas condições climáticas e com treinamento superfocado, porém, talvez haja chances; é difícil, porque o prazo é curto, até abril, mas é bom lembrar que todo o treino que tem feito também serve de base para sonhar com vôos mais altos.

Adriana superou momentos muito difíceis em sua carreira, com lesões que a impediram de correr por um bom tempo. Se, quando a gente para de correr, vai ficando cada vez mais nervoso, imagine como não deve ser para um atleta, que vive disso e daí também extrai as alegrias da vida... Talvez esse período mais complicado tenha exatamente servido para lhe fortalecer o espírito, dando-lhe o amadurecimento necessário para conhecer seu potencial e saber administrar sua força, resistência e velocidade, como fez hoje na prova em que trouxe mais um ouro para o Brasil e inseriu seu nome no livro dos recordes do Pan-americano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h47

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Adriana está pronta para a maratona do Pan

“Meu objetivo é conquistar uma medalha”, diz Adriana Aparecida da Silva, uma das cinco brasileiras que, ao longo da história, conseguiu correr a maratona em menos de 2h33.

Nos últimos momentos de sua preparação para a prova deste domingo, em Guadalajara, que abre as competições de atletismo no Paz, ela afirma: “Estou confiante. O treino já foi feito, tive vários treinos bons”. Mesmo assim, não deixa de reconhecer os desafios: “Vai ser uma prova dura devido ao clima, à altitude e ao nível da prova, em que as competidoras vão ser bem iguais”.

Conversei por e-mail com o técnico dela, Claudio Castilho, que confirma os problemas de clima, muito seco no horário da competição, e também a boa forma das concorrentes.

“A principal adversária é a mexicana Madai Perez, pois tem o melhor tempo na temporada e marcas expressivas em distâncias menores. A peruana Gladys já correu 2h32 neste ano na Coréia, a colombiana e a Venezuela também são concorrentes, ale de Michele Chagas, a outra brasileira.”

Apesar disso, Claudio acaba por brincar: “Adriana e Michele estão muito bem. Acho que a dupla brasileira literalmente vai dar samba”.

Vamos ver.

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h23

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Vanderlei quer voltar a correr

Imerso em compromissos sociais, ações com patrocinadores, apadrinhamento de jovens corredores e o trabalho em seu instituto, o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, 42, não tem conseguido fazer o que gosta: correr sem parar, correr forte, sentir a emoção da ultrapassagem e a adrenalina da disputa pelo primeiro lugar.

Isso vai mudar.

“Quero voltar a brincar de correr”, me disse hoje pela manhã o ex-atleta, que pretendo logo logo tirar o “ex” de sua designação.

Quando um profissional como Vanderlei fala em “brincar de correr” é porque não está para brincadeiras. “Acho que logo consigo correr maratona para 2h15, 2h20”, falou ele, que participa de um evento esportivo promovido por seus patrocinadores.

Para você ter uma idéia do que isso significa, 2h15 é o índice A para classificação para a maratona nos Jogos de Londres-2012.

Tudo vai depender, porém, dos próximos dois meses, que é quando Vanderlei pretende começar a testar sua nova agenda, garantindo um treino para voltar a treinar.

“Hoje, sem treinar, consigo correr 10 km para 36 minutos, talvez 37 minutos”, me falou ele, afirmando que, conseguindo treinar, em dois meses recupera pelo menos 70% de sua forma.

No período em que esteva sem participar de corridas, chegou a ganhar quatro quilos. “A gernte perde isso rapidinho”.

Ele pretende treinar “sossegado”, rodando até um máximo de 180 quilômetros por semana, o que até bem pouco tempo era a sua rodagem semanal mínima.

E aí, a idéia é correr uma maratona já no ano que vem.

“A gente sente muito falta da corrida”, diz ele, que também não tem conseguido tempo para seu hobby preferido, a pescaria em rio.

Hobby que o ajuda na maratona, pois na pescaria testa sua paciência, experimenta sua capacidade de planejamento. Por isso, quando lhe perguntam como consegue ser tão tranqüilo, o maratonista olímpico responde: “Sou um pescador”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h18

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Cenas de uma maratona desejada

 

Lá não se quebra nenhum recorde mundial, provavelmente nem sequer pode ser atingida a melhor marca pessoal. Mas outros ingredientes fazem da maratona Eurásia um sonho de consumo deste seu blogueiro.

O nome dela já é indicativo de sua principal característica: é a única maratona do mundo que cruza, une dois continentes, partindo da Ásia para a Europa e então serpentando pelos mistérios de Istambul.

A passagem se faz pela ponte do Bósforo, maravilha arquitetônica que, no domingo de corrida, abre seu manto de asfalto para os pedestres. E são milhares, como você pode ver na imagem abaixo (fotos Reuters).

Segundo as agências de notícias, cerca de 100 mil pessoas participaram da 33ª edição da prova, no último domingo. A maioria delas, 80%, era de caminhantes; os demais se dividiam entre as várias distâncias oferecidas para corredores.

Como em São Paulo, o domingão foi de chuva, o que só agregou colorido à corrida, picotada por guarda-chuvas e bandeiras.

Na única vez em que estive em Istambul, cheguei lá no domingo seguinte ao da prova. Tentei, pelo menos, cruzar correndo a ponte do Bósforo, mas fui barrado no baile: a passagem é só para veículos. Ficou a vontade: a maratona Eurásia está devidamente marcada no meu caderninho de desejos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h06

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Indiano de cem anos completa maratona no Canadá

 

Ao completar ontem a maratona de Toronto, no Canadá, o indiano Fauja Singh, 100, se tornou o mais velho maratonista do mundo –sem contestação.

Há sete anos, quando terminou uma prova com 93 anos, Singh foi reconhecido pela Associação Internacional de Maratonas (AIMS) como a mais velha pessoa do mundo a completar uma prova de 42.195 metros.

O Livro dos Recordes, porém, tinha outro vencedor. Segundo o Guinness, o mais velho maratonista da história era o grego Dimitrion Yordanis, que correra em Atenas em 1976, quando tinha 98 anos.

Agora, não há mais dúvida. Singh só começou a correr maratonas aos 89 anos, depois da morte da mulher e do filho e de se mudar para a Inglaterra, onde vive hoje. Conhecido como O Tornado de Turbante (por razões óbvias, que você confere na foto acima, da AP), completou a prova de ontem em 8h25 e mais um tantinho.

“Eu faço porque gosto”, disse ele, que tinha grande vontade de participar de uma maratona aos cem anos, segundo o tradutor que o acompanhava. Pois bem, ontem foi o dia.

Essa foi a oitava maratona do veteraníssimo corredor, que mostrou, ao longo da semana, energia que poderia surpreender os desavisados. Em uma pista de atletismo de Toronto, por exemplo, participou de uma corrida de 200 metros.

Ontem, correu a prova com seu indefectível turbante e com uma camiseta amarela com a inscrição “Sikhs in the City” (Os sikhs estão na cidade, alusão à sua religião).

Singh disse que seu segredo para uma vida longa é não fumar nem beber e manter uma dieta vegetariana –bem temperada com curry. Ele bebe chá e mantém uma rotina diária de exercícios, caminhando e correndo até 10 milhas (16 km) por dia.

“Vou continuar correndo enquanto puder. Isso me mantém vivo”, disse ele.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h01

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“Gêmeos” é o primeiro brasileiro a obter índice para a maratona olímpica

O paulista Paulo Roberto Almeida Paula, 32, é o primeiro corredor brasileiro ao conseguir índice para a maratona de Londres-2012. Conhecido como “Gêmeos”, mesmo apelido de Luiz Fernando, seu irmão... gêmeo e também corredor, Paulo Roberto completou hoje a prova de Amsterdã em 2h13min15.

“A gente ficou um pouco triste”, disse por telefone seu irmão. Luiz Fernando explica: “Ele tinha treinado para 2h10, 2h09...”  O problema é que o fantasma da estreia pesou para o debutante, que teve de parar duas vezes para fazer xixi e ainda sentiu dor de barriga no km 36.

Paulo Roberto, que é especialista em provas de 10 km, vinha tendo sucesso recentemente em corridas mais longas, chegando bem em várias meia maratonas. Usou essa experiência como lastrou, não tendo chegado a fazer um longo período de treinamento específico para a maratona.

“Foi no último mês”, me disse Luiz Fernando. “Ele nunca tinha feito antes treinos de 30 km, 35 km...”

Com o resultado, a dupla vai investir agora em preparação especifica para maratonas. Paulo deverá ainda fazer outra prova em abril, pois o fato de ter sido o primeiro a fazer o índice não garante nada: Marílson ainda não estabeleceu sua marca, e Solonei Rocha da Silva, que vai correr a prova no Pan de Guadalajara, também é candidato a integrar a equipe brasileira em Londres-2012.

O índice exigido pela CBAt é 2h18, o índice B da IAAF, que dá ao país direito a levar um atleta. Com o índice A (2h15), o Brasil pode levar três atletas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54

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Recordista mundial das maratonistas grávidas

 

June, que completa hoje uma semana de vida, passa bem. Se a disposição ajudar, quando crescer ela será uma maratonista das boas, daquelas que não desistem nunca. Pois genética ela tem de chega: sua mãe deu à luz depois de participar, com 39 semanas de gravidez, da maratona de Chicago.

“Corri mesmo só até a metade”, disse Amber Miller, 27, que depois caminhou até o fim com seu marido, completando a prova em cerca de seis horas e meia –quando não está nos últimos dias da gravidez, Miller faz maratonas em cerca de três horas e meia.

Ela devia ganhar o título de recordista mundial das maratonistas grávidas. Em maio, com 17 semanas de gravidez, Miller já havia corrido uma maratona, completando em 4h23. Tempo semelhante ao que fizera em maratona corrida durante sua primeira gravidez, em 2009.

Os médicos podem não ficar muito felizes de ver grávidas tão perto de dar à luza correndo maratonas, mas o fato é que as mamães estão mandando ver.

Hoje, na meia maratona de Kansas City, Alyssa Haughton completou a prova em 2h15min02 ostentando uma belíssima barriga de 31 semanas. Será o quinto filho dessa dona de casa de 37 anos, que disse ter tomado o maior cuidado durante a prova.

“Fui com calma, prestando atenção nos recados que o bebê mandava”, disse ela.

E você, já correu maratona ou prova mais curta durante a gravidez? Conte sua história. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

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Recordista brasileira dos 10.000 m é pega no doping

O que corria à boca pequena, em conversas de corredores e notícias na internet, foi oficialmente confirmado hoje: Simone Alves da Silva, recordista brasileira dos 5.000 m e dos 10.000 m, foi pega no doping.

Nota oficial da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) divulgada no meio desta tarde diz que a entidade “lamenta informar” que foi identificada em amostra de urina coletada durante do 30º Troféu Brasil, em agosto passado a presença da substância proibida eritropoetina recombinante (EPO). Trata-se de uma substância que pode melhorar a performance do atleta fundista.

Foi exatamente naquela competição que Simone quebrou o recorde brasileiro e sul-americano dos 10.000 m, que era de Carmen Oliveira e que estava então quase completando 18 anos. Anteriormente, a jovem corredora baiana havia derrubado outra marca histórica de Carmen, esta nos 5.000 m.

Agora, flagrada em exame antidoping, a atleta foi suspensa provisoriamente, até que seu caso seja julgado. A CBAt também informou que pediu ao Comitê Olímpico o cancelamento da inscrição da atleta no Pan, que começa hoje em Guadalajara.

Simone foi também desligada do clube de atletismo BM&FBovespa.

O caso de Simone vem rolando desde o início do mês passado, de acordo com a nota oficial da CBAt. A entidade diz que informou a atleta sobre o resultado no dia 5 de setembro. Uma semana depois, a corredora apresentou suas justificativas e solicitou a abertura da contraprova (amostra B da urina). Isso foi feito no último dia 5; hoje o resultado, confirmando o primeiro exame, foi entregue à CBAt, que não aceitou as explicações da atleta e tomou a decisão de suspendê-la provisoriamente.

Simone tem agora 14 dias para solicitar seu julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBAt.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h31

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Histórico encontro de gigantes da maratona

O ex-recordista mundial da maratona, Ronaldo da Costa, mandou para mim uma foto sensacional, que reúne numa só tomada alguns dos maiores corredores do planeta.

Tirada em dezembro de 1998, a imagem está embaçada pelo tempo, mas tem importância histórica. A tomada foi feita em Mônaco durante a cerimônia de premiação do atleta do ano, honraria concedida pela IAAF (a Fifa do atletismo). Bueno, confira aí a cena e logo a seguir eu explico quem são as figuras, se você não reconheceu de cara cada um deles.

A elegante senhora à esquerda é a queniana Tegla Loroupe, escolhida pela segunda vez atleta do ano –ela ganharia o título ainda uma terceira vez, no ano seguinte, depois de quebrar o recorde mundial da maratona ao completar a prova de Berlim em 2h20min43.

Ao lado dela, o etíope Haile Gebrselassie, talvez o maior corredor de fundo da história, que estabeleceu ao longo de sua carreira 27 recordes mundiais em diversas distâncias; sua marca na maratona, porém, acaba de ser destronada pelo queniano Patrick Makau.

A seguir, a simpática figura é o mineirinho Ronaldo da Costa, atleta do ano de 1998, quando derrubou um recorde que durava quase dez anos ao completar a maratona de Berlim em 2h06min05.

O grandalhão magricela que completa a cena é o queniano Paul Tergat, multicampeão da São Silvestre e que seria, também recordista mundial da maratona –de novo, tendo como palco Berlim.

A escolha do atleta do ano é feita por um complicado processo coordenado pela IAAF. Primeiro, um grupo de especialistas seleciona 20 atletas –dez homens e dez mulheres— considerados candidatos ao título. Essa lista é submetida a uma votação, em que os eleitores são o que a entidade chama de família do atletismo mundial (representantes das entidades filiadas).

As três mulheres e os três homens mais votados passam, enfim, pelo escrutínio do Conselho da entidade. O resultado é divulgado ao vivo em cerimônia de gala em Mônaco.

Neste ano, já saiu a primeira lista, a dos dez nomes. Entre os homens, o já citado Patrick Makau é um dos listados, além do jamaicano Usain Bolt, que neste ano ainda não foi rápido como um raio. No ranking feminino, duas das estrelas são as velocistas Carmelita Jetter, dos EUA, e Veronica Campbell-Brown, da Jamaica.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h03

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Com dor, caminho; sem dor, corro

Trago para você um relato muito especial: a especialista em marketing ZILMA RODRIGUES DA SILVA, de 38 anos, completou em setembro uma corrida de mais de 500 quilômetros pela Alemanha. A prova, de Horb a Berlim, é ainda mais longa, mas problemas de logística prejudicaram a atleta paranaense, que largou da quinta etapa –a prova completa tem 13 etapas, num total de 795 km. Zilma é mais um exemplo de gente como a gente, que dá duro e trabalha oito horas por dia –ou mais— para garantir o sustento e, nas horas vagas, deixa seu coração explodir no asfalto, fazendo coisas para muitos parecem impossíveis –mais ainda, impensáveis.

Zilma começou em 2007 um projeto para fazer provas de longa distância: seu objetivo é realizar a Comrades, em 2014, em 7h30 (neste ano, completou aquela ultramaratona na África do Sul em 8h59min27). Já realizou 11 maratonas e oito ultras; a corrida na Alemanha, para onde foi com a cara e a coragem, foi sua primeira prova em etapas. A partir de agora, deixo você com o relato emocionado de ZILMA, a quem agradeço por compartilhar com a gente sua experiência.

Primeiro dia – 67,2 km

"Depois de muita confusão na viagem, que me fez perder a largada da prova, afinal cheguei à cidade Ochsenfurt e tive mais uma decepção: mais uma bagagem extraviada. Agora me restava uma mochila com um par de tênis, três camisetas, uns dois pares de meia e short e a roupa que usava havia dois dias. O organizador da prova me recebeu e tratou muito bem, sua esposa providenciou toalhas e local para dormir.

A prova funciona assim: no primeiro dia, em Horb, a 795 km de Berlim, todos largam no mesmo horário. Nos dias seguintes, os mais lentos largam às 6h30 e os mais rápidos, às 7h. Você tem até as 16h para terminar cada etapa e passa por vários pontos de apoio, onde há água, refrigerante, sucos, bolachas, pão com queijo, ovos cozidos, tomate, cebola, pepino (eles comem tudo isso no café da manhã), pão com atum, chocolates de todos os tipos, uvas passas com e sem chocolate, pão pasta de amendoim, sopa, batata cozida, arroz, cerveja nos últimos check points, balas.

A gente dormia em ginásios, e cada um levava seu saco de dormir. Como o meu tinha sido perdido na viagem, em cada ponto havia sempre uma cama para mim. A gente acordava às 4h30, tomava café às 5h30, o jantar era servido as 18h e às 21h as luzes se apagavam.

Larguei junto com o pessoal mais rápido porque era meu primeiro dia e eles já estavam indo para o quinto dia. Saí escoltada por dois corredores locais para eu ir assimilando como funcionava. Saímos muito forte, a 5min/km e logo passamos os corredores que estavam liderando. A escolta foi comigo por 20 km, depois eu faria sozinha os 47 km restantes. Tinha de prestar atenção nas setas indicativas colocadas em postes ou no chão; nos postes, eram um adesivo na cor laranja que você conseguia ver de longe e no chão eram setas com giz indicando o caminho. Não há marcação de km.

Depois dos 20 km, comecei a correr livre. Via os caras caminhando na subida, eu trotava por ainda não tinha essa habilidade, tive de aprender na marra. No percurso, passamos por rios, aquelas todas bem arrumadinhas como são as casas na Europa, parecia pintura. Depois de uma imensa subida, começaram a aparecer plantações de uva, cada cacho lindo. Depois de uns tantos quilômetros, aquela beleza e perfeição começou a me irritar, acho que vou ficar muito tempo sem comer uvas, maçãs e peras de tanto que vi pelo caminho.

Depois do km 40, passamos por uma cidade, eu estava correndo muito forte, não prestei nas setas e me perdi corri 3km. Voltei à cidade, consegui retornar ao caminho, mas, mais tarde, me perdi novamente. Fiquei furiosa: isso quebra todo teu ritmo.

Quando faltavam uns 9 km, fui parada por um carro de policia dizendo que era perigoso correr pela via eu só mostrei o número, eles só fizeram ok e segui em frente.  Entrei num bosque, via a cidade após ele, mas o bosque não terminava nunca. Foi quando ouvi um barulho atrás de mim. Era uma mulher, o instinto da competição falou mais alto. Falei good luck e soquei a bota.

Nessa prova não dá para se iludir. Quando entrei na cidade, pensei “agora acabou”. Que nada! Você atravessa o centro todo e eu vendo a mulher forte também correndo muito e fui assim nos quilômetros finais num ritmo de 5h30. Cheguei apenas um minuto na frente da mulher que por sinal corria muito e foi a campeã da Horb-Berlim 2011. Completei essa etapa em 8h11.

Segundo dia – 62 km

Acordei bem, sem dor. Tentei empurrar o máximo de comida porque todos comentavam que eu comia muito pouco e ali tinha que comer muito.

Quando larguei, senti uma dor de leve na cabeça, mas achei que não era nada. No primeiro posto de hidratação, vi que todos começavam a me passar. Fiquei preocupada porque sentia calafrios pelo corpo todo. No segundo ponto de hidratação, lá pelo km 17, a dor de cabeça continuava e em seguida veio febre e dor de garganta. No terceiro check point, pedi um remédio e eles disseram que não podia. Fui assim, correndo nas subidas e descidas e nos planos trotando ou me arrastando. Creio que foram os 60 km mais difíceis na minha vida. Pensei: Que nada, o pior ainda está por vir.

Na chegada, os meus pés pegavam fogo. Estavam com bolhas imensas e inchados. A sra. Inga, mulher do organizador, passou um remédio e enfaixou, mas eu não podia andar, tinha de ficar com os pés para cima. Achei que no outro dia não ia aguentar correr porque os pés doeram muito à noite. Para meu espanto, os pés amanheceram sem inchaço eu corri com eles enfaixados mesmos.

Terceiro dia – 69,2 km

Um nevoeiro não permitia que a gente enxergasse quase nada; era mais trotar bem de leve do que correr. Eu tinha esquecido as bolhas e quando estava em percursos planos não muito escorregadio eu socava a bota.

As meninas diziam para eu ir devagar. Eu falava: “Com dor eu caminho, sem dor eu corro”.

A manhã toda foi de chuva e frio, mas depois do quarto posto de hidratação saiu um sol que eu não acreditava. Meus pés fritavam. Quando cheguei ao penúltimo posto de hidratação enchi a garrafa e após 2km comecei a jogar água nos pés de tanto calor. O francês dizia para eu não fazer isso porque eu ia precisar da água mais tarde. Ele tinha razão: o último posto nunca chegava; quando faltavam uns 3 km, eu já estava vendo miragem até que passou um carro vermelho e buzinou e parou logo a frente pensei vou pedir água, mas para minha grata surpresa aquele era o posto de hidratação.

Alguém me disse que faltavam apenas 7 km para terminar; como eu já estava esperta, disse para meu corpo que faltavam 9km. A chegada demorou! Em uma subida imensa, vi longe a torre de uma igreja. Pensei que era a cidade onde terminaríamos, mas lá chegando vi novas setas laranja: ainda tinha outra cidade à frente, e eu aquele sol no lombo. Fechei os olhos e corri assim por um bom tempo, depois comecei a usar a técnica de não olhar para frente, tudo para enganar meu cérebro, porque já sabia que não adiantava entrar na cidade, o ponto final era mais longe.

Quando toquei na faixa, esqueci todas aquelas regras de alimentação e tomei uma cerveja, mas era amarga demais. Fui pro chuveiro já pensando em dormir para descansar para a próxima etapa. Uma coisa que aprendi nessas etapas: nunca espere no posto de hidratação um refri gelado,água, suco e afins; os alemães comem macarrão frio e tomam cerveja quente."

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h20

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Com dor, caminho; sem dor, corro – segunda parte

Final do relato de ZILMA RODRIGUES DA SILVA.

Quarto dia – 52,2 km

"Largamos às 6h30 com um calor infernal. Até o km 30, foi tudo bem. Depois começou uma onda de vômitos; eu via todo mundo me passando. Tudo se tornou difícil; a água que eu bebia jogava para fora. Calculava quanto tempo levaria se fosse caminhando, mas aprendi que quanto mais lento mais sofrimento.

No último posto, tomei dois comprimidos para dor de cabeça; cortaram as minhas meias, porque os pés tinham inchado muito. Fui a penúltima a chegar; fiz os 50 km em 8h25. Aquele dia, um domingão, foi animado com um churrasco  de salsicha, cerveja e salada de maionese. O dia seguinte seria a etapa mais longa.

Quinto dia - 72,5 km

Não amanheci bem, não consegui tomar café direito, minha barriga doía muito. No primeiro posto de hidratação, tive de ir ao banheiro. No segundo, não comia mais nada, só bebia e mesmo assim minha barriga continuava a doer. Depois do terceiro posto, eu corria uns três quilômetros, tinha de ir ao banheiro; corria mais uns dois quilômetros, vomitava. Nunca chegava o quarto posto.

Fui ficando. Todos me passaram. Minhas pernas não iam, eu me sentia traída pelo meu corpo. Eu lutava para chegar ao posto, carregando os tênis porque meus pés estavam em carne viva. Eis que aparece um carro da organização, eu pedi para sair. Eu havia corrido uns 36 km. Um pouco adiante, uma outra pessoa da organização me ofereceu um sorvete, eles pareciam mais triste do que eu. Quando passei por dois postos de hidratação, os corredores que me viam dentro do carro ficavam se lamentando. Mesmo competindo, aquelas pessoas ali eram solidárias com minha dor. Pensei, porém, que não era feio ter abandonado a prova porque eu estava preservando minha saúde.

Quando desci do carro, uma francesa ainda brincou que eu era a primeira a chegar e que devia comemorar. Procurei uma farmácia, mas o médico da prova não me deixou tomar o remédio. Descansei  a tarde toda, pude escolher o melhor lugar no ginásio para dormir --nem tudo é ruim. No jantar, comi com medo, mas comi: arroz com frango e frutas. A noite foi tranquila, dormi bem.

Sexto dia – 66,5km

Eu amanheci com a coxa inchada, e o médico disse para eu descansar e não ir correr. Falei que ia largar; se doesse, eu entraria no carro, mas não queria ficar arrumando desculpas para meu corpo desistir antes de começar.

Larguei novamente as 6h30 eu já larguei forte lógico estava descansada eu fui abrindo e quando cheguei por primeiro no posto de hidratação as francesas que tinham me socorrido no dia anterior não acreditavam --até o papel higiênico para mim já estava separado...

Corria assim tão bem e tão livre por estradas imensas e muito verde. Eu me sentia a dona do mundo. Até o terceiro posto de hidratação, eu liderei a prova. Um quilômetro depois, entramos num percurso de estradinha de pedra que me lembrava os treinos em Ferrarias em Curitiba. Daí a pouco, entrei num atoleiro, era lama até os joelhos e assim foi por mais quatro quilômetros até atingir a estrada  novamente.

Sustentei a liderança até o penúltimo posto; isso é: liderei por 45 km. Quando os meninos me alcançaram, falaram goody. Eu ainda continuei socando a bota junto com eles por uns 5 km, mas fui ficando. Meu objetivo agora era não deixar o terceiro me passar e muito menos a melhor mulher. Em uma prova longa, você tem que buscar motivação para continuar e assim fui até fechar os 66km.

Chegando lá minha alegria era tanta que parecia que eu tinha vencido uma olimpíada. Um senhor local veio me trazer um ursinho; acho que ele pensou que eu era a melhor corredora. Eu nem sou muito chegada a esses mimos, mas peguei e agradeci.

Sétimo dia – 58,8 km

Larguei bem forte para manter alta a motivação. Dessa vez, liderei a prova apenas por 30 km, mais foi bom. O percurso não foi tão fácil, tinha estrada com muitas pedras, mas também uma paisagem de tirar o fôlego: muitas casas bonitas, estradas rodeadas de árvores.

Cheguei cedo dessa vez e fiquei curtindo a chegada dos bravos guerreiros. Cada um comemorava de um jeito, uns com raiva, outros alegres e outros com choro, todos parecendo seres frágeis, mas na verdade eram todos uns fortes: já haviam corrido 687 km e eu, 405 km.

Oitavo dia – 54 km

Larguei com os mais rápidos nesse dia. Nessa etapa, corremos bastante em cidades e isso me motivava. Depois de mais de 30km, eu sentia uma dorzinha no vasto lateral, mas mesmo assim tentei acelerar para ver se consegui alcançar um senhor que ia lá na frente... Foi quando levei um tombo, fui rolando por uns 50 metros. Quando levantei, bem do lado que doía estava tudo arranhado e sangrando, minhas mãos também sangrando, meu cabelo cheio de folhas. Aquilo ferveu meu sangue eu corri mais rápido.

Fui passando outros corredores e fiz os últimos 9,9 km num ritmo de 5min/km. Quando cheguei, tinha uma senhora servindo pão com salsicha. Havia também sanduíches de queijo, torta de maçã, morango, pêssego --eu pedi um pedaço de cada uma--, uma cerveja, dois sanduíches de salsicha. Fui comer feliz e pensei como a vida é boa. Dormi como um anjo.

Nono e último dia - de Fichtenwalde a Berlim, 49,7 km

Todo amanhecer era uma sinfonia de ais, mas tudo parava quando falavam “o café esta pronto”. Nesse último dia, o café foi muito mais caprichado: dava até dó de mexer nas bandejas todas arrumadas e decoradas, acho que tinha comida para mil pessoas. Eu ainda continuava no básico, ao contrário de meus colegas, que comiam ovos cozidos, tomates, pepinos, tomavam muito café com leite, comiam queijos aos montes.

Nesse dia havia três largadas, eu saí na última, com os meninos. Comecei a preparar minha mente para ser a última a chegar e de fato deu a largada os meninos nem quiseram saber de mim: saíram como loucos. Eu já havia aprendido: vou devagar porque quero chegar correndo a Berlim. No primeiro posto, fui a última a passar. No segundo, peguei a bandeira do Brasil. A partir dali, parecia que eu não tinha corrido mais de 400 km nos últimos dias. Entrei num ritmo de 5min30, às vezes 5min sem sofrimento.

Milhões de pensamentos, foram dias difíceis e de incertezas, mas agora tudo estava se tornando real. As bolhas no pé foram esquecidas, quilômetros de montanhas e estradas ficaram para trás, agora só me interessava o presente. A vida da gente se resume apenas no aqui e agora. Fazemos planos e às vezes até colocamos isso numa planilha, mas sobre o amanhã não sabemos nada.

Nessa corrida foi assim: todos os dias, quando se levantava você tinha a chance de superar os problemas ocorridos nas etapas anteriores. Aprendi que nunca seremos forte o tempo todo, que em algum momento você vai desmontar e um pequeno gesto de receber um olhar de vamos em frente faz você virar um gigante. Aprendi que temos defeitos demais, aprendi a separar o que as pessoas têm de melhor. Aprendi que ao levantar todos os dias eu não teria outra opção senão correr e fazer dessa corrida como se fosse a primeira da minha vida, sem saber se chegaria correndo ou confortavelmente num carro, aprendi que tinha que preparar o meu corpo para correr por 8horas ,10horas ou mais nunca sabia que tempo terminaria a etapa mesmo que fossem percursos curtos. Que devemos ser sempre agradecidos por alguém que nos ensina alguma coisa.

Entrei em Berlim. Cora corria mais rápido, de olho nas setas laranjas. Passei por calçadões onde as pessoas tomavam cerveja, café, alguns gritavam Brasil. Faltavam apenas cinco quilômetros, mas demorava demais, passando por praças, pontos de ônibus, parques... Até que avisto a chegada, as pessoas com balões nos saudando. Havia águas, sucos, energéticos, cervejas, café, bolos, toalhas branquíssimas que deu pena de usar...

Depois de todos chegarem, fomos para o portão de Brandemburgo ser filmados pela TV local. Na cerimônia de premiação, à noite, de repente ouvi alguém chamar meu nome. O organizador falou algo em alemão, eu não entendi nada. Alguém traduziu: eu havia sido premiada por cumprir oito etapas, recebia o prêmio de carreirista. Até agora não sei o que é, mas pulei demais ao receber meu troféu."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h18

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Manifestantes anticapitalismo se unem à maratona de Portland

Era para ter dado tudo errado. Desde quinta-feira, os recados da polícia e forças de segurança eram claros: o pessoal do Ocupe Portland (foto AP), manifestação anticapitalista que segue os cânones do Oucpe Wall Street, teria de abandonar a praça onde estavam acampados. Isso porque ali costuma ser o final da tradicional maratona da cidade e juntar os dois grupos poderia redundar em problemas de segurança, confusão etc. e tal.
As tensões na cidade foram aumentando até que, no sábado, uma reunião entre os organizadores da maratona e os líderes do Ocupe Portland (no Oregon, noroeste dos EUA) provou que os dois grupos não apenas podiam compartilhar o espaço como somar suas forças.
Em resultado do acordo, o pessoal do Ocupe Portland fez ontem sua maior passeata desde a manifestação inicial, na quinta-feira última. Em vez de se chocarem com o maratona, os manifestantes se uniram a ela (em caminhada, é claro).
Centenas de manifestantes se transferiram para uma outra praça da cidade e, no início da tarde, acompanharam o final da maratona até à praça onde originalmente estavam, transformando tudo numa grande festa e num happening político.
O melhor é todos ficaram satisfeitos, dos maratonistas aos responsáveis pela segurança da cidade, que não enfrentou nenhum tipo de confusão.
A maratona de Portland chegou ontem à sua 40ª edição. Com cerca de 15 mil participantes e mais de 5.000 voluntários, foi a maior da história. Com o reforço dos manifestantes do Ocupe Portland, acabou sendo chamada nas redes sociais de “Maratona do Povo”.
“O grupo Ocupe Portland foi um achado para nós”, disse o diretor da prova, Les Smith, argumentando que a coincidência de eventos acabou chamando mais atenção para a maratona local.
Além disso, cerca de 40 manifestantes ainda acabaram trabalhando como voluntários na prova. Você encontra mais informações sobre o grupo no site oficial, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h54

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Cai o recorde da maratona de Chicago; Marílson não completa a prova

O queniano Moses Mosop quebrou hoje o recorde da maratona de Chicago, ganhando bônus de US$ 50 mil além do prêmio de US$ 100 mil pela vitória. Ele concluiu em 2h05min37, quatro segundos abaixo da marca estabelecida pelo seu compatriota Sammy Wanjiru há dois anos. Wanjiru, como você sabe, morreu neste ano em uma queda da varanda do apartamento onde morava, no Quênia.

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos, que pretendia obter hoje o índice para a maratona olímpica em Londres-2012, parou no km 33. Ele começou a se sentir mal, tendo ânsia de vômito, no km 26; seu ritmo foi caindo, o que acabou fazendo com que desistisse da prova.

Adauto Domingues, técnico de Marílson, disse que estão tentando descobrir o que provocou o mal-estar do atleta. Uma hipótese é o fato de, por causa do clima, a bebida isotônica deixada nas mesas de hidratação ter ficado morna... A largada da prova foi com temperatura em torno de 13/14 graus, depois foi aumentando, sol aberto, mas não chegou a ficar quente nos padrões brasileiros.

Agora Marílson e seu técnico vão analisar a situação para decidir onde o maratonista deve ir buscar o índice. Uma hipótese é Roterdã.

Outra brasileira que sonhava com o índice olímpico era Cruz Nonata da Silva, 37, que fez hoje sua estréia em maratonas. Não conseguiu correr abaixo de 2h30min07, mas correu bem para uma debutante, completando em 2h35min35. Ela agora vai para o México, onde se integra à delegação brasileira que vai participar das competições de atletismo do Pan de Guadalajara. Cruz corre no Pan os 5.000 m e os 10.000 m.

Em Chicago, a vencedora no feminino foi a russa Liliya Shobukhova, que se tornou a primeira pessoa a vencer aquela prova três vezes seguidas. Ela completou em 2h18min20, uma vantagem de quase quatro minutos sobre a segunda colocada, a debutante Ejegayehu Dibaba, da Etiópia.

A transmissão da TV norte-americana NBC, via internet, foi muito boa. Mostra como os caras investiram na cobertura: na Redação, havia três jornalistas comandando o espetáculo e um convidado especial; vários repórteres no percurso, mostrando o público, fazendo entrevistas com apoiadores e gente que estava lá festejando o evento. Comentaristas especializados, com destaque para o luxo de ter a ex-recordista mundial Joan Benoit Samuelson, vencedora da primeira maratona olímpica feminina, e até entradas da moça do tempo para atualizar os dados sobre temperatura e umidade. Teve, até a hora em que escrevo este texto, mais de 173 mil visitantes ao longo da transmissão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h00

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Chicago sonha em ser palco do recorde mundial

Os organizadores da maratona de Chicago estão indóceis no partidor, talvez até mais nervosos e ansiosos do que o pelotão de elite que dispara na prova na manhã deste domingo.

É que se reúnem hoje na Cidade dos Ventos corredores muito capazes de desafiar o recorde mundial, que completa neste domingo apenas duas semanas de vida (foi estabelecido pelo queniano Patrick Makau na maratona de Berlim).

Pelo menos uma estrela da elite de Chicago já correu abaixo do recorde, mas seu tempo não foi reconhecido pela IAAF por ter sido cravado em Boston, cujo percurso não se enquadra nas regras da entidade. E teremos Marílson correndo contra a marca de Ronaldo da Costa.

Bueno, quem viver verá. A prova larga às 9h (horário de Brasília) e até agora não tenho notícia de televisionamento ao vivo cá no Brasil.

Provavelmente poderemos ver pela internet, no site da NBC, mas já tive desagradáveis surpresas anteriormente. Eu vou tentar obter informações superatualizadas do desenrolar da prova e colocarei o que der no meu Twitter. Apareça lá: http://twitter.com/rrlucena ou clique AQUI.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h21

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Havia um rino no meio do caminho

Pois estava eu muito bem treinando nas ruas de São Paulo quando dei de cara com um rinoceronte. Ainda bem que não era de verdade, pois esses monstros de mais de meia tonelada podem ficar bem furiosos quando corredores desavisados atravessam o seu caminho.

Tratava-se de uma das 60 esculturas de rinocerontes expostas em são Paulo como parte de um projeto Rinomania. Copiando a idéia da Cow Parade  (Parada das Vacas), os organizadores criaram em fibra de vidro estátuas de rinocerontes e as entregaram para artistas, que deram um trato especial na dita cuja.

A que vi (acima), na ponta de cima da avenida Sumaré, era toda verdosa e atende pelo nome de Rinotree 308, pois há árvores pintadas no corpo do bichão e o trabalho foi realizado por um grupo chamado Coletivo 308.

Com a visão, passei a observar meu trajeto com cuidado ainda maior, pois nunca se sabe o que as ruas paulistanas reservam para um corredor.

Pois ainda encontrei um carrinho de criança abandonado fora da estrada, sem todas as rodas, a deficiência impedindo sua livre movimentação na cidade. Talvez isso tenha algum significado, mas ele foge à minha compreensão. De qualquer forma, fica o registro de outro encontro em um treino matinal.  

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h36

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Marílson corre em Chicago de olho em Londres-2012

Marílson Gomes dos Santos, campeão sul-americano da meia maratona, já está em Chicago, onde participa domingo da maratona, de olho em fazer um bom tempo e garantir sua vaga na Olimpíada de Londres, no ano que vem.

“Eles está muito bem”, disse Adauto Domingues, técnico do atleta. “Se o clima estiver bom, bom sair uma boa marca”, previu ele, sem querer cravar um número. Mas é claro que Marílson, que já cravou este ano 2h06min34, sonha em derrubar o recorde sul-americano, propriedade de Ronaldo da Costa desde 1998.

Para isso, deve correr bem a primeira parte da prova e depois ver o que dá para fazer. Sua preparação vem sendo nessa direção e já teve como resultado a recente vitória na meia de Buenos Aires, com o bom tempo de 1h01min12. “Fazer uma parcial rápida significa correr no pelotão da frente em Chicago”, comentou então Adauto Domingues.

Se, em qualquer momento, Marílson perceber que fica muito arriscado correr para seu recorde pessoal, vai puxar o freio e garantir um bom tempo para se classificar para Londres sem dar chance a contestação ou desafio por parte de outros maratonistas brasileiros.

Depois da prova, o corredor vai descansar um pouquinho (bem pouquinho mesmo), mas não volta para o Brasil. Segue direto para o México, onde vai encontrar a equipe brasileira de atletismo que faz a aclimatação para o Pan de Guadalajara. No Pan, Marílson vai correr os 10.000 m.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h41

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No Facebook e no Twitter, Paula luta pelo seu recorde

A britânica Paula Radcliffe é a maratonista mais rápida da história, disso ninguém duvida. Em 2003, ela correu a maratona de Londres em 2h15min26, marca da qual nenhuma mulher chegou sequer perto (as melhores estão cerca de três minutos atrás). Uma recente decisão da IAAF (a Fifa do atletismo), no entanto, estabeleceu que esse tempo não pode ser reconhecido como recorde mundial porque foi obtido em uma corrida mista, e não em uma exclusivamente feminina.

Oito anos depois, a cartolagem do esporte resolve rever uma marca que ela mesmo havia referendado, como você já leu aqui neste blog. A diferença é que agora, ao contrário do que costuma ser a prática de atletas e clubes, que em geral baixam a cabeça para as decisões tomadas nos gabinetes do esporte, Paula Radcliffe (foto Divulgação) resolveu reagir, contestar e botar a boca no trombone.

Para isso, está fazendo uma movimentada campanha usando como armas seus concorridos espaços virtuais no Twitter e no Facebook. Neste último, criou uma página de campanha (causa, na linguagem da rede social) intitulada “Restore Paula Radcliffe's Marathon World Record” (Restabeleça o recorde mundial da maratona de Paula Radcliffe).

A página, que você pode ver clicando AQUI, até há pouco já tinha recebido mais de 1.650 “curtições”. Ela propõe que os apoiadores de Paula mandem e-mail à IAAF protestando contra a decisão. O texto sugerido diz que a decisão da entidade é “uma desgraça para o atletismo em geral e para as mulheres corredoras de todo o mundo”.
Além de receber comentários e apoios de internautas, corredores anônimos e celebridades, a página também manda ver com alfinetadas contra a decisão da IAAF. Alguns dos textos mandados por internautas fãs de Paula, porém, são ainda mais certeiros nas críticas. Um deles, por exemplo, sugere que a entidade desconsidere também todos os recordes mundiais masculinos estabelecidos em provas mistas, porque os caras teriam corrido tanto assim apenas para evitar a “vergonha” de serem derrotados por uma garota.
No Twitter pessoal da maratonista, que você pode conferir AQUI, Paula Radcliffe convida os apoiadores para a página do Facebook e também faz uma campanha, esta baseada em hashtag (o sinal #, que identifica um assunto). A “etiqueta” dela é #historystands (algo como Vale a História); no Twitter, Paula tem mais de 29 mil seguidores, muitos também metendo bronca na decisão da IAAF.
No microblog, Paula também dá notícias do andamento da campanha, que não fica só no apoio das massas e de empresas da área (como a poderosa patrocinadora da corredora britânica), mas também se estende ao terreno institucional.
A maratonista britânica revela que, na próxima semana, terá um encontro com o presidente da IAAF para discutir a questão. “Acho que deveria levar todos os tuítes”, diz Paula na página, referindo-se às mensagens de apoio recebidas via rede social.
A nova regra, estabelecida em reunião da entidade durante o Mundial de atletismo em Daegu, passa a valer a partir de janeiro. Por enquanto, como você pode ver na página da IAAF (aqui), a marca oficial é de Paula Radcliffe.
A ironia é que, se a nova regra efetivamente for efetivada, a britânica continuará sendo a recordista mundial, mas com uma marca mais lenta, de 2h17min42. O outro resultado será registrado como “melhor marca”, sem a chancela de “recorde”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h13

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Correr não é para qualquer um

Estamos cansados de ouvir que a corrida é o esporte mais simples do mundo: basta colocar os tênis, ou nem isso, e sair a flanar por aí. Eu estou cada vez mais convencido de que não é bem assim: a corrida envolve riscos e é preciso se precaver contra eles. Esse é o tema de minha coluna publicada nesta terça-feira no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Para produzir o texto, conversei com vários especialistas em medicina esportiva e exercício.

O doutor Nabil Ghorayeb, chefe da cardiologia do esporte do HCor e do Instituto Dante Pazzanese, diz que “a liberação universal, segundo a OMS e a World Heart Federation, é para caminhadas diárias. Quanto às corridas, deve-se fazer uma avaliação cardiológica dirigida à pratica esportiva”.

Ele adverte: “Façam a seguinte comparação: para viajar de carro, o veículo  necessita de revisão mínima. O corpo humano é igual, atividades físicas não previamente preparadas ou treinadas podem desencadear arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, elevação anormal da pressão e, se houver alguma doença não sabida, ela poderá se manifestar de modo agudo e grave”.

O ortopedista Wagner Castropil é também enfático: “Como especialista de medicina esportiva, acho que a corrida definitivamente não é para qualquer pessoa. Pelo maior índice de impacto, os indivíduos acima do peso (e aí incluiria aqueles com IMC maior que 28-29) não deveriam correr. Não é só isto, mulheres muito abaixo do peso corporal (IMC abaixo de 19) podem não ter a musculatura adequada para absorver os impactos da corrida.”

Mas ninguém precisa ficar parado: “Se o indivíduo está muito acima do peso, começar com uma caminhada enquanto reduz o peso corporal e depois introduzir a corrida progressivamente em blocos de um a dois minutos intercalando com caminhadas”.

Leia a seguir entrevistas com o ultramaratonista, triatleta e treinador Tubarão e com o especialista em reabilitação Vitor Tessutti.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h21

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Correr não é para qualquer um – parte 2

Confira agora as opiniões do nutricionista e professor de educação física Reinaldo A. Bassit, conhecido como Tubarão, ultramaratonista e triatleta especializado em ironman (já participou de 11), além de boxeador amador.

 

Mais Corrida - Todo mundo, independentemente de peso, idade ou experiência, pode começar a correr? 

TubarãoNão.

 

Mais Corrida - Quais são os requisitos para quem alguém comece a correr ou comece um programa de atividade física?

Tubarão - Para dar início a um treinamento de corrida, o proponente deverá passar por algumas avaliações que considero muito importantes. Dentro dessas estão: 1 - Avaliação bioquímica do sangue e urina (exames de sangue e de urina), que devem contemplar as dosagens de rotina (ex. hemograma, perfil lipídico, algumas enzimas hepáticas e musculares, perfil e vitaminas e minerais, urina-I, entre outros). Após essa, caso seja preciso, outras avaliações deverão ser feitas; 2 - Exame físico-postural - serve para identificar erros e vícios de postura e desenvolver a sua correção; avaliação cinemática do movimento - no caso da corrida, servirá para identificar e corrigir posturas e gestos inadequados e ineficientes para a prática do esporte, além de prevenir futuras lesões pela execução errada e contínua do gesto motor; 3- Avaliação nutricional - serve para identificar e corrigir os erros e vícios alimentares, bem como, para a adoção de uma dieta adequada, bem como, averiguar a necessidade do uso de suplementos alimentares; 4 - Avaliação corporal – é importante pois permite identificar a composição de gordura e da massa magra e, em combinação com a dieta e suplementação, traçar o perfil ideal para a perda ou ganho de gordura e músculos em relação à obtenção de um peso “Ideal” para cada indivíduo e considerado específico para a atividade física em questão. Isso evita a sobrecarga mecânica e repetida que desencadeia lesões musculares e articulares em indivíduos com sobrepeso;  5 Teste ergoespirométrico de esforço com consumo máximo de oxigênio (VO2Máx.) – se trata de um teste, geralmente realizado em esteira rolante, com aumentos progressivos na intensidade do exercício até que se atinja uma carga onde o indivíduo não consegue mais completar a duração plena de uma determinada carga de trabalho. Geralmente o pico (platô) do teste confirma que o VO2 máximo foi alcançado. A través dos parâmetros da freqüência cardíaca, velocidade e consumo de O2 obtidos pelo teste, pode-se traçar e programar o treinamento com segurança com ajustes da intensidade do esforço sem que haja falta ou excesso de estímulos; 6 - Eletrocardiograma de repouso e esforço – nesse exame é feito um registro da variação dos potenciais elétricos gerados pela atividade elétrica do coração. Serve para análise de doenças cardíacas, principalmente as arritmias, e é útil no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio . O eletro de esforço pode mostrar alterações não reveladas no eletro de repouso. ; 7 -Teste de lactato em campo – é um teste que avalia o aumento da intensidade do esforço pela produção de lactato sanguínea. Através desse teste pode-se obter o limiar de lactato (concentração de 4,0 mmol) e o máximo atingido durante o teste (semelhante ao ponto que se atinge o VO2Máx no teste consumo de O2). No entanto, é um teste mais preciso e tem menor margem de erro, quando comparado ao teste de VO2Máx. Isso porque esse teste pode ser realizado na rua e sem aparatos na boca e cabeça (máscaras e tubos). Não é necessário aplicar inclinação positiva para fadigar o individuo (como ocorre em esteira rolante), pois em campo, pode-se atingir a velocidade máxima e a fadiga num terreno plano. Os parâmetros do teste são obtidos pelo aparelho que nos dá a concentração de lactato sanguíneo (lactímetro) - em milimol por litro (mmol/l) - em cada intensidade de esforço, e pode vir acompanhado pelo monitoramento da velocidade, freqüência cardíaca e passo por quilômetro. Assim, o treinador poderá desenvolver, monitorar e avaliar o efeito de um programa de treinamento de forma mais específica.

 

Mais Corrida - Quais são os riscos para quem começa a correr sem estar preparado?

Tubarão - Os riscos são muitos e podem envolver lesão muscular, articular e óssea, bem como fadiga generalizada, prejuízo para o sistema imunitário com aumento e facilidade de se obter doenças do trato respiratório superior, faringite, laringite, sinusites, bronquite e outras, como otite, conjuntivite, gripe, e mononucleoses. Além disso, a morte súbita não poderá ser descartada, principalmente em pessoas com históricos de doenças cardíacas e aquelas com predisposição para trombofilias.

 

Mais Corrida - Qual é o processo ideal para que um sedentário comece um programa de corrida?

Tubarão - O processo ideal seria passar por todos exames descritos no item 2, além de o indivíduo procurar um treinador capacitado que possa organizar o treinamento de forma progressiva e adequada para cada um em particular. Aqueles com idade acima dos 30 deveriam passar por um cardiologista especializado em exercícios antes de iniciar a sua atividade.

 

Leia a seguir entrevista com o especialista em reabilitação Vitor Tessutti.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h17

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Correr não é para qualquer um – final

Veja a seguir o que diz Vitor Tessutti, mestre em ciências da reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP.


Mais Corrida - Todo mundo, independentemente de peso, idade ou experiência, pode começar a correr?
Vitor Tessutti -
Em minha opinião, a resposta é não. Correr não é tão simples como pensamos. Precisamos levar em consideração parâmetros ortopédicos e  fisiológicos para iniciar a corrida. Um dos maiores fatores de lesão, principalmente em iniciantes, é a forma como evoluiu o treinamento para esse público. O excesso de peso é um fator que aumenta muito a sobrecarga nas articulações durante a corrida, portanto começar a correr estando acima do peso é algo que pode até aumentar o gasto calórico, mas, em termos ortopédicos, não é a atividade mais segura para esse fim.
Em termos fisiológicos, iniciar a correr expõe o organismo a um estresse muito acima do que está acostumado, por isso a progressão da inclusão da corrida em uma atividade de caminhada deve ocorrer muito gradativamente. Começa-se caminhando e inclui-se aos poucos a corrida. Por isso, parâmetros fisiológicos determinados por meio de um teste ergométrico --e, melhor ainda, ergoespirométrico-- pode facilitar a prescrição do início da corrida de uma forma mais segura.

Mais Corrida - Quais são os requisitos para quem alguém comece a correr ou comece um programa de atividade física?
Vitor Tessutti -
Fazer um teste ergométrico e, melhor ainda, um teste ergoespirométrico,  para determinar a intensidade que pode fazê-lo. Depois disso, buscar um professor de educação física para determinar como evoluir o tempo de corrida  a cada treino. Caso não tenha acesso ao professor, buscar uma relação entre o seu nível de cansaço e sua respiração pode ser uma saída, mas nunca deixando de lado a questão da progressividade na quantidade de tempo ou metros que está correndo a cada treino.

Mais Corrida - Quais são os riscos para quem começa a correr sem estar preparado?
Vitor Tessutti -
Riscos de saúde e até mesmo de vida. Expor seu organismo a um exercício  que não está acostumado a realizar pode aumentar muito o risco de 
situações extremas como infartos e AVCs. Além de, a médio prazo, ocorrer o surgimento de lesões ortopédicas que podem impedir a continuidade da prática da corrida.

Mais Corrida - Qual é o processo ideal para que um sedentário comece um programa de corrida?
Vitor Tessutti -
Uma situação ideal seria a realização de todos os exames possíveis em  termos  cardiológicos e ortopédicos antes de correr. Solicitar a orientação de um professor de educação física especializado em corrida para a prescrição do treinamento. Controlar o seu treino dia a dia e perceber como seu corpo está  evoluindo em termos de resistência ao estímulo dado.

Mais Corrida - Que tipo de exame físico o candidato a corredor deve fazer? Há diferenças de exames ou procedimentos de acordo com a faixa etária do candidato?
Vitor Tessutti -
Além dos exames citados acima, acredito que um hemograma completo  possa sinalizar outros problemas que podem indicar risco na prática da 
corrida, como um acúmulo de colesterol que pode ter como consequência um entupimento parcial de alguma artéria ou veia. Caso o hemograma apresente algo acima do normal, deve-se investigar antes de iniciar a corrida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h13

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Não tá morto quem peleia, diz Haile

Tá bom, tá bom, não foram exatamente essas as palavras do ex-recordista mundial da marartona. Mas garanto que, se ele fosse gaúcho, a frase seria aquela sem tirar nem pôr. É que o grande corredor etíope, depois de forçado a abandonar duas maratonas por problemas físicos, depois de ver seu recorde mundial reduzido a pó por um jovem queniano, levantou a cabeça e disse, aos que pensavam que ele estava se preparando para ir embora: “Ói nóis aqui traveiz!”.

Ih, parece que de novo fiz poesia, mas a verdade é que o espírito de luta de Haile Gebrselassie é inspirador. Em mensagem no seu Twitter, ele disse que está muito feliz porque descobriu que a causa do problema que o atingiu durante a maratona de Londres, no dia 25 passado, foi uma forte inflação dos brônquios. “Agora a gente pode resolver o problema”, escreveu ele, que não jogou a toalha em nenhum momento.

Ao contrário, em entrevista à imprensa britânica, afirmou: “Atletas precisam ser confiantes, e eu estou com muita confiança, sim”. Ele se referia ao seu desejo, já muitas vezes divulgado, de disputar a maratona olímpica em Londres no ano que vem.

“Vai ser difícil”, afirmou, “porque, para entrar no time da Etiópia eu vou precisa me qualificar com um tempo de 2h04 ou 2h05 no máximo”. Para isso, pretende correr uma ou, se necessário, duas maratonas na busca da qualificação.  “Dubai em janeiro tem um bom clima, então pode ser uma opção”, adiantou,  sem deixar de lado a possibilidade de correr em Tóquio, que é outra maratona bastante rápida. Neste ano, aliás, sua volta à maratona deveria ter sido em Tóquio, mas ele se machucou e não pode cumprir o objetivo.

Aos que acham que tudo isso é uma somatória de problemas que vai acabar redundando em drama ainda maior, ele lembra: “Em 2007, quando eu abandonei a maratona de Londres, parecia que seria o fim de minha carreira. Seis meses depois eu quebrei o recorde mundial”.

 Demonstrando que está mesmo de olho em Londres-2012, Haile ainda deitou falação contra o horário escolhido para a largada da maratona olímpica.

“A largada às 11 da manhã não é boa, pois interfere com a rotina da maioria dos maratonistas”, disse ele à imprensa britânica. “Uma largada mais cedo, às nove horas, seria muito melhor”, afirmou o ex-recordista mundial.

Consciente das manipulações midiáticas que envolvem os Jogos, ele disse: “Tudo bem, é uma coisa da televisão, mas os orgizanizadores dos Jogos Olímpicos deveriam fazer alguma coisa. Se eu tivesse a chance de falar com eles, eu diria que eles deveriam revisar o horário da largada, porque correr 42 quilômetros não é uma coisa fácil”. De fato.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h41

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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