Rodolfo Lucena

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Corrida em ilha gaúcha tem até moranguinhos

De vez em quando aparecem umas provas que só fazem aumentar minha raiva por estar lesionado. A Volta Ecológica da Ilha é uma delas. Por ignorância minha ou por falta de divulgação ou talvez os dois, só fiquei sabendo da existência dessa prova neste ano, quando ela teve sua sexta edição. A ilha em questão é dos territórios deste Brasil pelo qual tenho maior carinho: trata-se da ilha dos Marinheiros, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul.

Lá, quando criança, passei um inesquecível veraneio (é como a gente, no sul, chama o período das férias de verão). Foi a família Lucena inteira, viver uma semaninha no meio do mato, que naquele tempo, há mais de 45 anos, aquilo lá era uma biboca, mas muito acolhedora e generosa com os visitantes.

Pois foi lá que se realizou no último dia 20 a VI Volta Ecológica da Ilha, que teve como competição principal uma corrida de 24 quilômetros (é por essa que fico me babando...). O programa inclui também provas de 10 km e 5 km, maratoninha de 2 km e caminhada. Enfim, um programão para toda a família. A organização é da Associação dos Corredores de Rua de Rio Grande, a Acorrg, conhecida no país inteiro por ser a anfitriã da supermaratona de Rio Grande, que é talvez a ultramaratona mais antiga do país. Ela faz uma parceira com a prefeitura e com a associação dos agricultores da ilha dos Marinheiros.

A ilha tem pouco mais de 39 quilômetros quadrados, fica a 1,5 km de Rio Grande, no sul da Lagoa dos Patos, e tem pouco mais de 1.300 habitantes (censo de 2000, hoje deve ter mais do que isso).

Bem, não deu para eu ir, mas um leitor deste blog, o engenheiro agrônomo Luiz Eduardo Mattos, de Pelotas, disse presente e contou um pouquinho da festa no blog Canela Fina (confira aqui), que ele assina. Com autorização do Luiz, mostra aqui fotos que ele colocou no ar e uso algumas das informações postadas por ele.

“Corri os 24 km com muito entusiasmo e felicidade. Compartilhei isto com os atletas e moradores que na beira da estrada lá estavam a nos saudar, era muito emocionante”, conta Luiz.

E daí dá aquela cortada final, que é para deixar a gente babando de inveja: “O charme da prova ficou no km 12, com uma mesa com moranguinhos gelados para enchermos a mão e continuar correndo saboreando essa delícia ali mesmo produzida”. 

O melhor é que a prova não terminou na linha de chegada. Teve almoço para quem quisesse (R$ 12, criança não paga) e baile à tarde com animação de uma banda da ilha.

Bueno, tenho de ficar logo de novo em condições de correr provas longas. Ano que vem pretendo estar lá, nem que seja só para me empapuçar de moranguinhos gelados e dançar o vanerão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h41

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Fantasia rouba a cena em corrida no Líbano

Quem corre a São Silvestre está mais do que acostumado a dividir o asfalto com corredores fantasiados. Tem Ayrton Senna, tem cangaceiro, tem super-herói, tem Pelé, noivinha e muito mais.

O que eu nunca vi foi uma fantasia coletiva como a que você pode conferir abaixo (foto AP).

A cena foi clicada durante uma prova de 10 km que fez parte dos eventos da maratona de Beirute, realizada no último domingo. Os caras podem ter uma certa dificuldade para correr, mas que se divertem, lá isso se divertem.

E você, já correu fantasiado? Se não correu, gostaria de correr? Qual é a  sua fantasia?

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h28

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Corrida com tora é prova nos Jogos Indígenas

Correr já é difícil, agora imagine só correr carregando nas costas uma enorme tora de madeira. Pois essa foi uma das provas dos Jogos Indígenas do Amapá, espécie de Olimpíada regional realizada ao logo de três dias e que teve seu gran finale no domingo dia 20.

Participaram atletas das etnias galibi marworno, galibi kalinã, palikur, karinpuna, wajãpi, tiriyó, kaxuyana, txikuyana, apalay e wayana, que disputaram provas como arremesso de lança, arco e flecha, subida do açaizeiro, natação, canoagem, corrida de tora, corrida de jamaxi, zarabatana e cabo de guerra. Houve ainda um acirradamente disputado campeonato de futebol, também masculino e feminino.

Pelas imagens (Divulgação/GEA), dá para perceber o tamanho da encrenca que é a corrida de tora, que é um revezamentocom a participação de cinco atletas. A tora pesa cerca de 30 kg, na competição masculina, e 20 kg na feminina. 

Também ainda estou esperando detalhes sobre o que é a tal corrida do jamaxi, mas descobri que o dito cujo é uma espécie de cesto; deduzo que se trata de uma corrida carregando um cesto, mas não vi imagens. Essa é só para homens e o cesto vai carregado com produtos agrícolas, pesando cerca de 30 kg.

Dureza, não?

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h42

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Brasileiros abandonam prova em montanha do Nepal

Os brasileiros Carlos Dias e Monica Otero, que participavam de uma ultramaratona em montanha no Nepal, abandonaram a prova sem conseguir terminá-la.

Carlos dias ainda conseguiu seguir 103 km dos 250 km do percurso todo, mas fortes dores de estômago impediram que ele continuasse. Completou quatro das seis etapas (uma delas é dividida em dois dias), mas não deu para prosseguir.

Monica Otero, por sua vez, foi cortada logo na primeira etapa por não ter conseguido completar o percurso no tempo máximo estabelecido pela organização. Ela ainda voltou na última etapa, já fora da competição, e correu um total de 52 km, segundo informa mensagem enviada por Carlos Dias.

O ultramaratonista, cuja façanha mais recente foi correr o Brasil inteiro ao longo de quase um ano, afirmou o seguinte: “Essa prova foi uma das mais difíceis na minha vida. Subimos até 3.050 metros de altitude, e as descidas forçavam ainda mais meu corpo. Tentei me manter bem, mas vomitei três dias direto. Com fortes dores, não agüentei. A fraqueza, associada à altitude, me fez parar”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h36

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Corrida no final da tarde, depois da chuva

Temos por aqui excelentes fotógrafos profissionais especializados em corridas. Talvez o decano deles seja Tião Moreira, que produz imagens para publicações especializadas e também clica amadores pelo país afora, vendendo aos corredores o registro de momentos alegres e vitoriosos. Fernanda Paradizo, maratonista de primeira, e Marcos Viana “Pinguim”, que corre e fotografa, são outros destaques nessa especialidade.

O raro mesmo é ver um fotógrafo profissional de qualquer outra área ter algum interesse pela corrida como alvo de suas câmeras. Não para vender imagens, mas simplesmente pelo prazer de registrar a dramática plasticidade de um ser humano contra o asfalto.

Pois foi disso que gostei na cena abaixo, capturada pelo gaúcho Fábio Mariot (acho que é gaúcho, pelas imagens, mas o fato é que o site dele, que você pode conhecer AQUI, não traz o perfil do autor. Diz apenas: “fotografia”). O que importa é o trabalho do cara. Por isso, chega de falar e já coloco aqui a foto em questão.

Como legenda, ele escreveu: “Uma corrida no final da tarde de um sábado. E o asfalto quente depois de uma chuva de verão”.

Beleza, não?

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h30

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Trapaceiro pega ônibus em maratona britânica

Sabe-se lá o que deu na cabeça do sujeito, mas, pouco depois do km 30 de uma maratona no norte da Inglaterra, Rob Sloan resolveu tomar um ônibus para chegar mais rápido ao final da prova.

Saiu-se tão bem que conquistou o terceiro posto. Sua alegria, porém, não durou muito, pois logo foi desmascarado. Acabou perdendo a medalha, o troféu e a boa fama. Ao contrário: a história foi distribuída por agências de notícias pelo mundo afora, com textos e a foto do cortador de caminho (AP).

Ele ainda tentou negar, mas depois reconheceu o erro, pediu desculpas, mas aí já tinha até sido expulso de seu clube de corrida.

Eu fico me perguntando o que leva um sujeito a fazer uma coisa dessas. Há quem diga que ele apenas queria chegar e ganhar a camiseta da prova, mas se deu bem demais e chamou uma atenção indesejada.

Bom, como todos nós sabemos, ele não foi o primeiro nem o único trapaceiro encontrado em corridas de rua, o que mostra que nem todos os corredores são totalmente do bem, como muitos gostamos de acreditar.

Há casos famosos, registrados nas maratonas de Boston e de Nova York, que já fazem até parte da história desses eventos –-povo que toma metrô, essas coisas. 

Na minha segunda maratona de Porto Alegre, eu vinha perseguindo um cara até o km 21; às vezes ele me passava, às vezes eu conseguia superá-lo, até que despachei o sujeito por volta do km 22, lá na zona sul.

Pois não é que, quando chego à av. Ipiranga, o que devia ser pelo km 38 ou 39, o cara aparece lépido e fagueiro na minha frente? Ah, deu muito raiva e eu fiz o que pude para passar do sujeito. Ele pode ter deixado muita gente para trás, mas de mim não ganhou.

E você, já viu casos semelhantes nas corridas em que participou?

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h17

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Ex-obesa debuta na maratona de Curitiba

Aos 20 anos, SANDRA NITTA lutava contra o peso. Um superpeso: estava com 120 kg, uma situação de obesidade mórbida que a deixava sem fôlego para praticamente qualquer tipo de atividade física. Quando via a São Silvestre pela TV, achava aquilo coisa de outro mundo: imagine alguém correr 15 quilômetros.

Para enfrentar seus problemas de saúde, começou a fazer pequenas caminhadas, já lá se vão cerca de 12 anos. Aos poucos, o condicionamento físico foi melhorando e o peso caiu. Nas caminhadas, também de forma muito gradativa, passou a incluir breves minutos de trote. Sandra, que trabalha como gerente de TI (tecnologia da informação) e hoje tem 32 anos, virou uma corredora.

Paro de falar por aqui, deixando que ela nos conte sua história, num breve relato que mandou para este blog depois que debutou na maratona de Curitiba, no último domingo. Além da emoção, da medalha e da festa, SANDRA teve direito até a foto com o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima.

  

“Dos primeiros trotes passei à corrida e logo comecei a participar de provas de rua. Essa descoberta se desdobrou em mais de 110 provas nos últimos quatro anos, participando de corridas em distâncias variadas, de 5 km a 25 km.

Eu precisava de uma próxima meta e tinha que ser desafiadora! Foi então que decidi fazer uma maratona. Por que não? Será que isso era possível? Manifestei esse interesse ao meu treinador Tavares e montamos uma planilha de treino para a temida Maratona de Curitiba!

Muitos amigos corredores acharam a minha escolha meio maluca, uma vez que a altimetria da prova não é das mais amigáveis, ainda mais para uma estreia. Mas, por parecer uma prova tão difícil, aí sim resolvi encarar! Topei o desafio e comecei a treinar.

Incorporar os treinos na rotina da semana não foi fácil: acordar às cinco da manhã para correr ou chegar em casa do trabalho às 21h e ainda sair para correr. Finais de semana regrados na alimentação e nos horários.  Meu marido e minha família achavam que eu estava ficando louca; aliás, tinham certeza disso!

Até a semana da véspera da prova, o balanço dos treinos de 2011 para a Maratona foram 1.848 km rodados, seis dias por semana, sob sol, chuva, frio ou calor. Além do acompanhamento do treinador físico, procurei orientação de vários profissionais: nutricionista, fisioterapeuta e personal trainner. O projeto “Minha Primeira Maratona” tinha que dar certo!

Finalmente, chegou o dia 20 de novembro! Muita ansiedade e, na véspera, até sonhei com o percurso da prova. Nos minutos antes da largada, às 7h, começou a passar um filme em minha cabeça com flashes de tudo que havia ocorrido durante os treinos!

O grande momento havia chegado.

Largada dada, muita concentração! Fui bastante conservadora no tempo por quilometragem, buscando manter uma média de 6min30/km e seguindo minha colinha de consumo de gel e cápsula de sal.

Vários imprevistos durante o percurso me lembraram o quão difícil era uma maratona: ausência de banheiros químicos no trajeto (somente no km 20), perda de duas unhas do pé esquerdo (pois é, imaginem a aflição de senti-las raspando na meia... urhhh) e dor no quadril pela compensação da pisada. Na altura da subida entre os quilômetros 29 e 30, o psicológico entrou em ação para compensar as dores físicas: pensava nos meus pais, no meu marido, em todas as pessoas que me ajudaram no preparo para a maratona e tinha a certeza que não poderia decepcioná-los.

Na altura do km 41, um amigo corredor, Dirceu, veio me acompanhar até a linha de chegada! Foi uma ajuda fundamental! Busquei a força que ainda existia para conseguir cruzar a linha de chegada: e consegui!! Finalmente, completei a prova de 42.195 metros em 5h07, com muitas lágrimas nos olhos e muita emoção! Era uma mistura de sentimentos: dor, alegria, realização e cansaço!

E para fechar com chave de ouro essa estréia como maratonista, tirei uma foto com Vanderlei Cordeiro de Lima, padrinho da prova! Ele foi fantástico! Muito atencioso e me incentivou bastante a continuar os treinos.

Depois da prova, ainda sinto reflexos no corpo, mas de uma coisa tenho certeza: quero fazer mais uma maratona! E logo! A próxima meta já foi estabelecida: Desafio do Pateta, na Disney! Quando as dores aliviarem, já sei o que vou fazer: treinar!”

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h28

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A beleza que surge da maratona

Dezenas de maratonas foram realizadas pelo mundo afora no último fim de semana. Cá no Brasil, tivemos a difícil prova de Curitiba; no México, a nobre competição marcou o último dia dos Jogos Paraolímpicos Pan-Americanos.

Veja a seguir algumas imagens dessas corridas, começando por uma cena em alta velocidade da multidão que participou da Indira Marathon, prova em homenagem à ex-dirigente da Índia Indira Gandhi. A corrida foi realizada no sábado em  Allahabad (foto AP).

No domingo japonês, as mulheres fizeram a festa em Yokohama, que foi mais uma vez palco de uma das mais importantes maratonas femininas do mundo. A corrida foi difícil e a competição ferrenha, como mostra a expressão da vitoriosa Ryoko Kizaki, que defendeu as cores nacionais ao cruzar a linha de chegada em 2h26min32. (foto AFP)

Nos Estados Unidos, a alegre maratona da Filadélfia teve nota trágica com o registro de duas mortes: um estudante de 21 anos e um homem de 40. A foto abaixo mostra um corredor sendo atendido pelos paramédicos, mas a legenda enviada pela agência não informa quem é nem se foi uma das vítimas. (foto AP)

Finalmente, em Guadalajara, o presidente do México, Felipe Calderon (esq.) entrega prêmio ao seu compatriota Aaron Gordian, que venceu a maratona no Parapan, os Jogos Paraolímpicos Pan-Americanos, na manhã de domingo. (foto AP)

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h39

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Duas mortes na linha de chegada

Dois corredores morreram ontem durante a maratona da Filadélfia, nos Estados Unidos. Como costuma acontecer nesses casos, o colapso dos atletas ocorreu bem próximo à linha de chegada.

Um dos mortos foi o jovem Jeffrey Lee, estudante universitário de apenas 21 anos. Ele participava da meia maratona, uma das provas do evento, que reuniu cerca de 25 mil pessoas. Terminou a corrida em 1h58, caiu, ainda foi atendido por paramédicos elevado a um hospital, mas não resistiu.

O outro foi um corredor de 40 anos que participava da maratona. Ele passou mal cerca de 400 metros antes da chegada, foi também atendido na hora e levado a um hospital próximo, onde morreu.

Segundo os organizadpores, essas foram as primeiras mortes na maratona da Filadélfia em mais de uma década. Segundo a imprensa local, as duas vítimas devem ter sofrido um ataque cardíaco.

É sempre triste falar de mortes relacionadas a corridas, uma atividade que muitos buscam exatamente para melhorar sua condição de saúde. Mas é preciso lembrar que, como todo esporte, a corrida é uma atividade de risco e a gente precisa se precaver e se preparar para enfrentar o esforço.

Exames médicos prévios podem ajudar a prevenir riscos, como mais de uma vez cardiologistas esportivos apontaram aqui neste blog. Claro que a gente nunca está garantido, pois a vida sempre tem alguma surpresa do outro lado da curva, mas é bom pelo menos tentar não dar chance ao azar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h36

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Dois brasileiros enfrentam montanha no Nepal

O ultramaratonista Carlos Dias e a ultraperegrina Monica Otero estão no Nepal, onde participam a partir deste domingo de uma ultramaratona na montanha Anapurna.

O trajeto da prova chega a uma altitude superior a 3.000 m, e o percurso oferece desafios com passagens estreitas, pontes suspensas e subidas e descidas do arco da velha. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, cada participante é responsável pelo próprio abastecimento, que deve carregar consigo em uma mochila.

E o rango não é apenas para uma corridinha de 42 mil metros, não. A prova dura sete dias, com um total de 250 quilômetros.

O ultramaratonista Carlos Dias tem se notabilizado no Brasil por construir desafios solitários: sua última aventura foi fazer um quase-perímetro do Brasil, percorrendo 18.250 quilômetros em 325 dias.

Monica Otero também é uma corredora experiente. Caminhando e trotando, foi a primeira brasileira a completar a ultramaratona de Badwater, nos Estados Unidos, considerada uma das mais difíceis do mundo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h55

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Primeiras impressões sobre a nova São Silvestre

Aproveitei o friozinho e a chuva fina da manhã do feriado para experimentar o novo percurso da São Silvestre, apontado como definitivo pelos organizadores.

A atual configuração da prova só foi definida no início deste mês, a menos de 6º dias da data da realização da mais importante corrida de rua do país. Anteriormente. Os organizadores haviam avisado que o percurso antigo seria modificado e até anunciaram um novo trajeto, que descia a Consolação, subia o Minhocão e depois enveredava por uma série de ruas estreitas da região central da cidade.

A grande novidade era o final, que saí da Paulista, sendo transferido para o Ibirapuera. Era incorporada, portanto, uma forte descida na parte derradeira da prova.

O percurso anunciado como definitivo mantém o novo final do Ibirapuera –afinal, tirar a chegada da Paulista foi a principal razão da modificação da rota da São Silvestre. O objetivo, segundo os organizadores, foi evitar a conjuminância das multidões envolvidas na prova e na festa de virada do ano, que também acontece na Paulista.

Agora, a grande novidade do trajeto definitivo é que não terá apenas uma, mas duas fortes descidas. A primeira, que vem logo depois da passagem do primeiro quilômetro, é a pior.

No treino que fiz, desci caminhando a Major Natanael, que despenca da dr. Arnaldo em direção ao estádio do Pacaembu. É bem verdade que o asfalto estava molhado e escorregadio, além do que sou medroso para descidas, mas aposto que ali será um trecho lento e que poderá ser palco de alguns tombos se o povo não for cuidadoso.

Depois da praça Charles Miller, o caminho segue relativamente plano por cerca de sete quilômetros, passando sempre por grandes avenidas.

Finalmente, chega-se ao encabritamento final, com a subida e descida da Brigadeiro. A lomba abaixo começa não muito íngreme, por cerca de dois quarteirões, depois despenca por meio quarteirão e então se aplaina até o final.

Tenho a impressão de que será uma prova mais rápida e mais perigosa. Médicos e treinadores que consultei recomendam um treinamento especifico para descidas para evitar surpresas desagradáveis.

Apesar do período de indefinição em relação ao percurso e das críticas feitas ao novo trajeto por um grupo de jornalistas e treinadores, 70% das vagas já foram tomadas, segundo afirmam os organizadores. No total, os organizadores esperam 25 mil participantes; até dia 30, as inscrições custam R$ 100, aumentando para R$ 110 a partir de 1º de dezembro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h05

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Goldie Hawn corre mais do que um bando de marmanjos folgados

Zapeando preguiçosamente pelas telinhas do final de semana, de repente dei de cara com uma produção velhusca, com ares do milênio passado, que me cativou num instante e me faz largar o controle remoto.

Tinha visto o rosto enfurecido de Goldie Hawn, já então uma saudável quarentona, discutindo com um bando de marmanjos tratados a cookies, chocolate, hambúrgueres e vitamina de aveia com banana.

 Mãe recém-separada, precisava de emprego para sustentar os dois filhos. Aproveitou sua experiência de professora e caiu de paraquedas em uma vaga de treinadora do time de futebol americano local. Quando eu parei o controle remoto em “Wildcats” (“Uma Gatinha Boa de Bola”, 1986), ela estava sendo completamente desprezada pelos marmanjos da equipe, cada um mais folgado do que o outro.

Furibunda, ela berra: “Vocês acham que são durões???!!!” E chama toda a turma para brigar. Sem socos nem pontapés, mordidas ou puxões de cabelo. A disputa será na pista de atletismo: se um, apenas unzinho dos durões aguentar correr mais voltas do que ela, Goldie promete enfiar o apito no saco e ir varrer o chão da cozinha de sua casa. Porém, se todo mundo abrir o bico e só ela continuar correndo, então o time vai calar a boca, baixar a cabeça e obedecer aos comandos da nova treinadora.

Adivinhe só o que aconteceu?

A moça começou a correr compassadamente, equilibradamente, volta a volta no mesmo ritmo impecável, enquanto os marmanjos fortões, gordões, musculosos, gigantescos iam aos poucos desabando pela sarjeta, caindo na pista –que, para acrescentar mais num pouco de drama à brincadeira, estava totalmente embarrada, molhada por uma chuva incessante.

No final, restou um, que na foto acima está em seus derradeiros centímetros antes de sucumbir à exaustão. Goldie Hawn ainda seguiu por alguns metros e despejou, sem dó: “Vocês me devem um cronômetro novo, seus mulherzinhas!”

O dela tinha quebrado em uma das confusões ao longo da destruidora corrida. Como se fosse um lembrete, ela ainda arremata: “Ah, eu tinha esquecido de avisar você: eu corri a maratona de Boston. Duas vezes”.

E o filme segue nessa toada de humor, desafio e superação, numa bela e descompromissada sessão da tarde.    

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h05

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Atleta do ano, Bolt leva US$ 100 mil

O supervelocista jamaicano Usain Bolt recheou ainda mais seu armário de troféus neste sábado, quando ganhou o prêmio de Melhor Atleta do Ano concedido pela IAAF, a Fifa do atletismo. Além da comenda, o homem mais rápido do mundo também ganhou um prêmio de US$ 100 mil.

Na sua página no Twitter, o jamaicano publicou a foto que aparece no alto, em que ele está vestido para a cerimônia de gala realizada em Mônaco, quando foi anunciada a premiação. E disse aos seus seguidores: “Obrigado por tudo…”

No feminino, a galardoada foi a barreirista australiana Sally Pearson, 25, que venceu dez das 11 provas de 100m com barreiras disputou no ano. Cravou sete dos 11 melhores tempos do ano, incluindo a marca de 12s28, que lhe valeu o Mundial.

Bolt, também de 25 anos, ganha o título pela terceira vez (foi escolhido Atleta do Ano também em 2008 e 2009) em um ano em que não conseguiu desafiar sua marcas anteriores. De recorde mundial em 2011, contabiliza apenas um por equipe: 37s04 no 4x100. Venceu cinco de seis provas de 100 m, com melhor marca do ano, e defendeu o título Mundial dos 200 m, distância em que não foi derrotado no ano.

Apesar desses resultados impressionantes, eu cá comigo acho que Bolt termina o ano um pouco frustrado, ainda que apresente para o mundo uma figura de sujeito sempre bem humorado e superdescontraído. Ele cravou marcas menos flamejantes do que dissera almejar e teve aquela terrível largada queimada na final dos 100 m no Mundial de Daegu. Foi um “óóó” no estádio e um punhal cravado no orgulho do atleta.

A IAAF, ao que parece, não deu muita bola ao novo recordista mundial da maratona, Patrick Makau, que apareceu nas listas prévias, mas não chegou como vencedor em nenhuma categoria. Entre os corredores de longa distância, a única premiada foi a queniana Vivian Cheruiyot. Seu desempenho no Mundial de Daegu, onde conquistou ouro nos 5.000 m e nos 10.000 m, foi considerada a melhor performance feminina do ano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h53

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Correndo em homenagem ao filho morto por um tubarão

Em outubro do ano passado, um grande tubarão branco atacou e matou o jovem surfista Lucas Ransom, então com 19 anos. A tragédia quase destruiu a família, que vive na Califórnia; hoje, homenagear a memória do garoto é também um exercício de sobrevivência para os que ficaram.

A mãe dele, Candace, corre neste domingo uma meia maratona em Santa Bárbara levando Lucas no coração. Espera repetir o gesto do filho, que doava as medalhas conquistadas em corridas para crianças doentes internadas no hospital local. Além de entregar a sua, Candace vai pedir a outros corredores que também lhe ofertem as medalhas.

Elas serão entregues às crianças como uma homenagem à bravura dos pequenos pacientes, que enfrentam doenças graves, algumas incuráveis (ou quase).

Medalhas não são remédio, mas, segundo o hospital e as próprias crianças, são uma demonstração de carinho, de incentivo. ´´Ajuda porque eu vou saber que não estou sozinho, disse um garoto de 11 anos hospitalizado com fibrose cística.”

Não sei se algum hospital aqui em São Paulo tem algum programa semelhante, mas me parece uma boa idéia. Receber manifestações de solidariedade, em qualquer circunstância, sempre dá algum conforto à pessoa.  

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h20

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IAAF recua e mantém recorde de Paula Radcliffe

 A IAAF, entidade que comanda o atletismo internacional (uma espécie de Fifa do atletismo), voltou atrás em sua decisão de rever a história dos recordes femininos e decidiu manter tudo como está. Novos recordes femininos em corridas de rua, porém, só serão considerados se obtidos em provas exclusivamente para mulheres.

Se você não acompanhou a pendenga, talvez não esteja entendendo nada da confusão. Eu explico.

Durante o Mundial de Daegu, em agosto último, o Congresso da entidade decidiu que recordes femininos em corridas de rua só seriam considerados se obtidos em provas em que participassem apenas mulheres. A resolução causou celeuma, pois uma de suas interpretações era a de que a melhor marca jamais obtida por uma mulher em uma maratona iria para o lixo da história, deixaria de ser reconhecida oficialmente como recorde e passaria a ser chamada melhor marca do mundo.

Tratava-se do excepcional tempo de 2h15min25 cravado por Paula Radcliffe na maratona de Londres em 2003, quando homens e mulheres da elite largaram juntos. O recorde continuaria a ser de Radcliffe, porém uma marca pior, obtida também em Londres, em 2005.

Paula, seus patrocinadores e fãs passaram então a fazer uma campanha em todos os ambientes possíveis, notadamente nas redes sociais para derrubar a medida, que só passaria a valer efetivamente a partir de janeiro próximo. O mote da campanha era “history stands”, vale a história.

Agora, o Conselho da IAAF baixou resolução esclarecendo tudo. De fato, vale a história: para as corridas de rua, os recordes femininos existentes continuarão sendo reconhecidos como recordes, independentemente do tipo de prova  –mista ou exclusivamente feminina— em que foram cravados. Novas marcas, porém, só serão avalizadas se obtidas em provas apenas para mulheres.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h30

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Não se esqueça de beber água, correndo ou não

Treinadores, nutricionistas e médicos são pródigos em recomendar ao corredor a ingestão de bastante água, mas nem sempre a gente cumpre o prometido. As lides do dia a dia, o trabalho, as precoupações fazem com que a gente acabe esquecendo de ir até o bebedouro ou de encher a garrafinha mais uma vez.

Ao fazer isso, o corredor está prejudicando seu desempenho em treino e aumentando o tempo necessário para sua recuperação, sem falar de outros problemas que podem ser causados pela falta de hidratação adequada.

Meu regime é de dois a três litros de água ao longo do dia. Vale aquela xícara de chá, mas os nutricionistas alertam que a maior parte deve ser da boa e velha água, geladinha ou fresca (quente não dá para encarar, não é?).

Eu recebi texto enviado pela nutricionista Regina Celia da Silva que destaca os benfícios da água: ela hidrata, lubrifica, controla de temperatura do corpo , transporta nutrientes, elimina toxinas , repõe energia, mantém a pele hidratada e transporta oxigênio e outros nutrientes essenciais para suas células.

Em contrapartida, a falta de hidratação adequada pode provocar, segundo o texto que recebi, “desvitalização dos cabelos; distúrbios de concentração; sono e memória, com perda da disposição para realização das atividades diárias, em virtude da circulação cerebral por baixa quantidade de água que faz o sangue ficar mais "viscoso" e "grosso", de circulação mais lenta; conjuntivites; sinusites; bronquites; pneumonias; constipação e por vezes, sangramento retal (devido a fezes ressecadas, endurecidas que lesam o tecido intestinal ao moverem-se em seu interior); impotência ou disfunções eréteis; no caso das mulheres, sangramentos vaginais.”

 

Durante a corrida ou mesmo treinos, eu costumo beber água a cada 30 minutos mais ou menos; se estou numa corrida, bebo em cada posto de água, dando pelo menos uns três goles. Com o calor, esses intervalos podem ser até menores.

 

Para verificar se a ingesta de água está adequada, uma forma é observar a cor da urina, que deve ser incolor. Quanto mais forte o tom, maior a indicação de falta de hidratação.

 

Os benefícios da água, além das funções que já citei antes, também são muitos. De alguns, eu nem suspeitava. Por exemplo: az água ajuda a emagrecer. A explicação da nutricionistas é a seguinte: “Isso acontece principalmente quando ela é consumida junto com fibras solúveis, encontradas, por exemplo, nas frutas e na aveia. Em contato com a água, as fibras incham como uma esponja e dão sensação de saciedade. A água também pode “enganar” temporariamente o estômago com sua presença, mas, como ela não sofre digestão e absorção, essa sensação passa rapidamente e a fome reaparece”.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h11

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Portuguesa vai de desistente ao quase-pódio em Nova York

Antes da maratona de Nova York, comentei que Portugal chegava à maior maratona do mundo com uma boa equipe feminina. Pensava, então, em Jéssica Augusto, que conquistou um bom oitavo lugar em sua estréia em maratonas, em Londres, em abril último, quando cravou 2h24min33.

Mas foi a mais lenta (2h26min30 de recorde pessoal) e mais experiente Ana Dulce Félix quem surpreendeu o pelotão de quenianas e russas donas de marcas bem melhores que a da portuguesa.

Marcada pela tristeza de não ter sido capaz de completar a prova do ano passado, Ana Dulce veio agora com a firme decisão de chegar ao final. Para isso, sua estratégia foi fazer a primeira metade da prova em ritmo bem conservador. Mas sua passagem na meia foi mais rápida do que imaginava.

"Passei a meia maratona em 1h11 e assustei-me um pouco porque ainda faltava outra meia, e a última parte era muito mais difícil, no Central Park”, disse a atleta de 29 anos.

A atleta de 29 anos foi aos poucos ganhando posições, pois as ponteiras tinha se desgastado muito por causa do ritmo imposto pela líder, a queniana Mary Keitany (que também não aguentou).

 "Disse: estou bem, vou conseguir, vou superar-me a mim mesma e foi o que fiz, acabei contente", concluiu Anda Dulce, que chegou num belíssimo quarto lugar, melhorando sua marca pessoal para 2h25min40.

Sameiro Araújo, treinadora da atleta, também festejou: "Ela ainda vinha com o problema da desistência do ano passado, quando a corrida foi muito lenta, este ano foi demasiado rápida. Acabou por fazer a parte inicial da corrida rápida, mas aguentou-se muito bem, contrariamente a atletas da frente. Fez uma prova muito inteligente e acabou bastante forte".

Jéssica Augusto, por sua vez, aparentemente abandonou a prova –pelo menos, não encontrei seu nome na lista dos concluintes.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h45

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Cai recorde da maratona de Nova York

O maratonista mais rápido da história confirmou sua fama e não só venceu a maratona de Nova York como estabeleceu novo recorde da prova. Geoffrey Mutai completou o circuito dos cinco bairros nova-iorquinos em 2h05min06, tirando mais de dois minutos e meio do antigo recorde (2h07min43, de 2001).

O queniano, que treina sozinho e havia prometido correr bem, leva um prêmio de US$ 130 mil e mais US$ 70 mil de bônus por ter corrido abaixo de 2h07min30 (a simples quebra do recorde daria um bônus de US$ 60 mil).

A corrida masculina foi bem no script que Mutai já desenvolveu: o pelotão veio enorme até a metade da prova, diminuiu num pouco até o km 25, ficou menor no km 30 e, quando passou o km32, só havia um homem na liderança: Geoffrei Mutai, que arrancou em largas passadas para logo se distanciar dos perseguidores e seguiu sozinho até a vitória.

Emmanuel Mutai, que é compatriota, mas não parente do líder, seguiu atrás, perseguido pelo medalhista olímpico Tsegaye Kebede. O etíope brigou, mas acabou ficando mesmo em terceiro. Os dois também terminaram bem abaixo do recorde da prova: Emmanuel fez 2h06min28 e Kebede, 2h07min13.

Na prova feminina, a situação foi bem outra, com terror e drama se desenrolando a partir do km 35, mais ou menos, quando a líder Mary Keitany  começou a fraquejar, enquanto o grupo perseguidor, quase um quilômetro atrás, passou a conquistar terreno.

A cada quilômetro, todos consultavam seus relógios: a vantagem, que chegara a mais de 2min30, se esfarelava a olhos vistos. Na perseguição, vinham quatro soberbas atletas, mas logo duas se destacaram, as etíopes Buzunesh Deba, saudada por ser a mais rápida moradora de Nova York –ela vive no Bronx- e Firehiwot Dado, tricampeã da maratona de Roma.

Elas perseguiam a vitória, porque o recorde esperado aos poucos ia escapando... Keitany, chegara a correr em ritmo de recorde mundial, agora lutava para ficar de pé.

No Central Park, as duas encostaram na queniana, que reagiu e lutou e lutou. Na batalha final, a “nova-iorquina” Deba (a quem chamam de Buzu, diminutivo de seu primeiro nome) ficou um pouco para trás, mas a rainha de Roma não largou no osso e acabou passando Keitany.

Quando a linha de chegada já estava à vista, a queniana foi superada também por Deba, que completou em 2h23min19, quatro segundos atrás da campeã. O recorde de Margaret Okayo, 2h22min31, continua intacto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

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Dr. Arnaldo e Pacaembu entram na São Silvestre

A direção da São Silvestre anunciou nesta sexta-feira o percurso completo da 87ª edição da prova, que terá um grande número de mudanças.

Como já havia sido divulgado, a principal alteração é no final da corrida, que sai da av. Paulista e passa para a região do Ibirapuera. O objetivo da troca, segundo os organizadores, é evitar a conjuminância das multidões que participam da prova e que chegam para a festa de fim de ano na Paulista.

Há outras modificações importantes em relação ao novo trajeto inicialmente anunciado. Logo ao sair da Paulista, por exemplo, os corredores não vão descer a rua da Consolação, mas sim seguir em frente pela avenida Dr. Arnaldo.

Vão apenas até o IML, dobrando então à direita e enfrentando o primeiro grande desafio da corrida: a enorme e íngreme descida da Major Natanael. Ali, todo o cuidado é pouco para evitar quedas, joelhos e tornozelos torcidos, sem falar do desgaste prematuro da musculatura.

A prova segue contornando o estádio do Pacaembu e descendo pela avenida Pacaembu até a av. Marquês de São Vicente, onde então dobra à direita em direção ao centro seguindo basicamente o percurso tradicional até o topo da av. Brigadeiro Luiz Antonio.

Na marca do km 12,5, o corredor vai então cruzar a avenida Paulista e descer a Brigadeiro em direção ao Ibirapuera –de novo, gente, muito cuidado aí—para terminar em frente ao Obelisco.

O novo trajeto elimina as ruas estreitas do Centrão que tinham sido incluídas na primeira versão do percurso modificado. Tira também a passagem pelo Minhocão, pelo que pude perceber, mas mantém a passagem pela esquina da avenida Ipiranga com a São João. Acrescenta duas fortes descidas, que vão exigir especial atenção do corredor.

Rua por rua, veja como é o percurso, segundo informado pela direção da São Silvestre:  

 

Largada – Avenida Paulista (Masp / Itapeva)

Avenida Dr. Arnaldo

Rua Major Natanael

Rua Capivari

Rua Itápolis

Praça Charles Miller

Avenida Pacaembu

Viaduto Pacaembu

Avenida Marquês de São Vicente

Rua Norma Pieruccini Gianotti

Avenida Rudge

Viaduto Engenheiro Orlando Murgel

Avenida Rio Branco

Avenida Ipiranga

Avenida São João

Rua Conselheiro Crispiniano

Praça Ramos de Azevedo

Viaduto do Chá

Rua Líbero Badaró

Largo São Francisco

Avenida Brigadeiro Luis Antônio,

Rua Marechal Stenio de Albuquerque

Rua Manoel da Nóbrega

Avenida Pedro Álvares Cabral

Obelisco – Chegada

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h13

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Ex-atleta olímpico vira herói de guerra e best-seller

Aos 94 anos, Louis Zamperini é um simpatico velhinho de cabelos broncos, pela enrugada, sorriso fácil e mente alerta. Quem vê aquele corpo fragilizado pelo tempo talvez nem desconfia que ali está um sujeito com têmpera de aço.

Ex-atleta olímpico, assombrou Hitler c om sua corrida desvairada nos Jogos de Berlim-1936; militar na Segunda Guerra,viu seu avião ser cravejado de balas,caiu ao mar e ficou quase um mês à deriva até ser encontrado pelos inimigos; prisioneiro dos japoneses,sofreu torturas brutais até o dia da libertação, depois do final da Guerra; de volta aos EUA, encontrou uma paixão, mas sucumbiu ao álcool e às drogas; ressuscitou do mundo dos drogados e hoje faz palestras contando sua história de resistência e luta.

A vida desse ex-corredor de 5.000 m daria um livro. De fato, já foi tema de vários. O de maior sucesso é “Unbroken”, há quase um ano nos primeiros lugares da lista dos mais vendidos do “New York Times”. Escrevi uma resenha sobre o livro, publicada na Ilustrada (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), e fiz uma breve entrevista, por e-mail, com o próprio Zamperini. Leia a seguir, com exclusividade para este blog, os trechos principais.

+CORRIDA – O senhor enfrentou muito sofrimento ao longo da vida. Qual foi o período mais difícil?

LOUIS ZAMPERINI – Os 43 dias que eu passei em Kwajelin (“Ilha das Execuções”) foram os mais duros. Tudo era muito ruim, a comida era atirada na sujeira, um buraco na minha cela servia como latrina, e eu tinha de ficar com a cabeça perto da latrina a noite toda. Havia insetos por toda a parte. Eu rezava para que fosse possível voltar ao bote no mar [onde quase morreu por inaninação ao ficar 27 dias à deriva sem água nem comida]...

+CORRIDA – O que fez com que o senhor sobrevivesse a todas as dificuldades?

LOUIS ZAMPERINI – Eu sempre fui um sujeito rebelde e cresci aprendendo a ser durão. Também estava bem preparado para enfrentar as dificuldades por causa de meu aprendizado nos escoteiros e nos cursos de sobrevivência [no Exército].


+CORRIDA – Qual a importância da corrida para sua sobrevivência como prisioneiro de guerra?

LOUIS ZAMPERINI – Acho que aumentou a minha capacidade de suportar a dor.


+CORRIDA – Qual foi a importância da corrida na sua vida? Qual sua melhor e pior corrida.

LOUIS ZAMPERINI – A corrida me tirou de uma vida de confusão [quando começou a correr, na adolescência, era um garoto rebelde e se encaminhava para uma vida transviada]. Minha melhor corrida foi quando eu ainda era estudante,no campeonato estadual de cross country. Em ganhei de todo mundo, até mesmo de rapazes mais velhos e mais experientes,e estabeleci novos recordes estudantis. Minha pior corrida foi um desafio de duas milhas contra um colega, Cal Berkley, quando eu desmaiei depois da prova, sem saber que um dos meus pulmões estava cheio de pus, por causa de uma doença chamada pleurisia.

+CORRIDA – O senhor ainda corre ou faz exercícios?

LOUIS ZAMPERINI – Hoje em dia, já não corro, mas faço exercícios como subir escadas ou fazer flexões apoiado no armário da cozinha.

+CORRIDA – Qual é a sua atividade atual?

LOUIS ZAMPERINI – Eu venho fazendo palestras, ensinando às pessoas como enfrentar o estresse, a raiva e a hostilidade.Eu procuro ficar animado em quaisquer circunstâncias, porque acredito que todas as coisas acabam contribuindo para o bem. Eu aconselho o meu público a ser durão. Por ser durão eu quero dizer que as pessoas devem desenvolver a capacidade de resolver seus próprios problemas. Assim, a gente se torna mais capaz de enfrentar outros tipos de problema.

+CORRIDA – Qual foi o impacto do sucesso de “Unbroken” na sua vida?

LOUIS ZAMPERINI – Eu não estava preparado para o “assalto” à minha agenda,que agora está sempre lotada, mas estou adorando receber os convites para palestras. Eu falo a grupos em todo o país, umas duas ou três vezes por semana. O melhor é que estou viajando de primeira classe, sou muito bem recompensado e ainda passo a conhecer muita gente interessante.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h52

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No final da mostra, não perca “Marathon Boy”

 

Quem acompanhou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acaba hoje, percebeu que a safra de documentários deste ano esteve muito legal. O que eu mais gostei e recomendo a todos foi “Sobre o Poder”, um exercício de edição sobre imagens da violência policial contra manifestações populares na Itália. É aterrorizante, mas, acima de tudo, revoltante.

O mundo das corridas também foi contemplado com a apresentação de “Marathon Boy”, que tem sua última sessão na mostra hoje às 13h30 no Unibanco Arteplex, sala 2, no Shopping Frei Caneca..

Durante cinco anos, a documentarista Gemma Atwal acompanhou a saga do menino indiano Budhia Singh, cuja história você já viu neste blog. Trata-se de um garoto que desde muito cedo mostrou habilidade e resistência para correr enormes distâncias.

Começou aos três anos e logo estava participando de meias maratonas; aos cinco anos, assombrou o mundo ao correr um percurso de 65 quilômetros acompanhando por seu treinador, que também tinha virado então uma espécie de pai adotivo.

A mãe, que morava em uma favela indiana e tinha vendido o filho, voltou a cena, denunciou o treinador por torturas, o governo entrou na história, deu um rolo danado.

O treinador acabou assassinado em circunstâncias até hoje não esclarecidas, e o garoto está em uma escola do governo, onde também faz atividade física –compatível com sua idade, segundo dizem.

Bueno, o filme é delicado, apaixonado pelo menino, mas apresenta os vários lados da história, ainda que com um certo viés pró-treinador. Às vezes, ele aparece como vilão, mas no conjunto sai como herói da história.

De qualquer modo, vale simplesmente por mostrar para o mundo um fotograma da miséria e o que as pessoas são capazes de fazer para fugir, ainda que por poucos passos e breve tempo, da pobreza absoluta.   

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h13

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No feriado, corredores fazem treino contra nova São Silvestre

Dezenas de corredores participaram na manhã de hoje de um treinão de protesto contra a mudança do percurso da São Silvestre. Neste ano, a mais tradicional corrida de rua do país não vai terminar na avenida Paulista, como acontece há décadas, mas sim no Obelisco, em frente ao parque Ibirapuera.

Organizadores e autoridades municipais justificam a mudança afirmando que o objetivo é evitar a confluência de duas multidões na Paulista, os que correm a São Silvestre e os que chegam para a festa de Ano Novo. Dizem que o novo ponto final será mais espaçoso, aumentando o conforto para os corredores.

Não é assim que pensa uma boa turma, como o pessoal que correu hoje fazendo o percurso da prova do ano passado, começando e terminando na Paulista. Além de anônimos corredores de rua, os protestantes receberam o apoio do ex-campeão da São Silvestre José João da Silva e do senador Eduardo Suplicy.

Já outros corredores não estão nem aí para as querelas político-esportivas e preferem se preparar para o que der e vier. Ainda que mais minguado que o grupo dos protestantes, uma turminha também com algumas dezenas de participantes fez hoje, na mesma hora, um treino pelo novo percurso da São Silvestre.

Eu acompanhei esse pessoal, no meu ritmozinho sem-vergonha, mas consegui completar sem maiores problemas. Confirmei, músculo a músculo, as minhas observações iniciais: o novo percurso oferece mais risco aos corredores, as chances de um tombo e de lesão são maiores.

O principal problema, como já apontei, é a descida da Brigadeiro em direção ao Ibirapuera. Mas há outros, como vários pontos de estrangulamento no percurso.

É bom dizer que o trajeto completo não está totalmente sacramentado. Ontem recebi comunicado da Fundação Cásper Líbero reafirmando que a prova terá seu final mesmo no Obelisco, mas adiantando que, a pedido da entidade “outros ajustes ainda estão sendo estudados”.

Os organizadores fazem questão de dizer que a medalha será entregue depois da prova, como é de se esperar, ainda mais depois do fiasco do ano passado, quando a medalha foi distribuída antecipadamente.

Em breve voltarei ao assunto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h50

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Uma corrida com onças, tatus e tamanduás

Já se passaram alguns dias desde que a mineira CARLA PENHA GOULART DE ALMEIDA, 35, venceu a Jungle Marathon, uma da provas mais difíceis do mundo, realizada ao longo de vários dias em plena selva amazônica num total de mais de 242 km. Mas a história é tão legal que trago para vocês o relato que a Carla mandou para este blog, mais algumas fotos que dão uma boa idéia do tamanho da encrenca.

Para a mineira, que corre desde os 12 anos e vem se dedicando às provas longas nos últimos anos, talvez o esforço maior tenha sido conseguir os recursos para bancar seu desafio. Formada em serviço social e enfermagem, perdeu o emprego há alguns meses e foi desempregada que completou seu treinamento. Ganhou as passagens da prova, treinadores ajudaram na preparação e, na hora da maior necessidade, fez uma coleta entre amigos e conhecidos, vendendo quilômetros de treino para arrecadar fundos.

Conseguiu chegar à hora da largada; na sua última ultra, na serra de Caparaó (MG), completara em segundo lugar. Agora, na selva amazônica, o primeiro objetivo era terminar, mas o melhor seria chegar em primeiro. Vamos ver o que aconteceu, segundo as próprias palavras de CARLA.

1ª etapa – 21,56 km

"Já começo errando! Depois de 800 metros de corrida, era para virar a direita seguindo as fitas de cores amarela, vermelha e azul. Fui direto e só depois de uns 20 minutos percebo o erro. Outros três atletas me seguiram... Voltamos correndo atrás dos minutos perdidos. Nessa etapa foram quatro postos de controle (PC), atravessamos igarapés , pântanos, mata densa. Na mata, o calor era de mais de 40º e umidade de 100%, era como se corrêssemos dentro de uma panela de pressão, com áreas muito  íngremes e até estrada de terra. Tropeção, era um atrás do outro. Cheguei com 20min de vantagem sobre a segunda colocada.

2ª etapa – 23,98 km

Começo nadando em um rio, com medo de encontrar poraquês, jacarés, aranhas e outros insetos. Fui a primeira a pegar na corda que nos ajudava na travessia, mas, quando cheguei à metade, o povo já veio atropelando. Na água, quando percebi que não tinha pé, fiquei meio desesperada. O temor, porém, não prejudicou minha corrida. No meio do percurso encontro um coreano que era o atleta mais sorridente da prova, através de gestos nos comunicamos e chegamos juntos na final da etapa. Lidero com 18min de vantagem.

3ª etapa – 31,78 km

Outro rio. Dormi preocupada, chegando a sonhar. Decidir usar outra estratégia: ser a última a entrar no rio e colocar bóias de garrafas pet de 2 litros amarradas na mochila. Fui cantando: “Eu  não tenho medo...eu não tenho medo...”  Acabando de atravessar, saio correndo com mais garra atrás das outras competidoras, que estavam longe. Depois de 4 km já liderava a prova no feminino. No meio da trilha, um americano estava com um espinho enorme no braço direito, ofereço ajuda, ele não aceita, deixo com ele minha garrafa com água. Nesse percurso  estão as maiores elevações de toda a prova, mas são poucas. Há chances de encontrar uma onça ou qualquer outro animal porque a trilha passa pela parte mais intocada da floresta. Corri sozinha durante horas, mas sempre elevava meus pensamentos às coisas boas e agradecia por estar ali em contato com aquele lugar maravilhoso. Cheguei ao final da etapa com 1h13 de vantagem.

Dormimos sob proteção de mateiros armados (caçadores). Na madrugada, sentia vontade de comer pão com queijo minas, café, biscoito de maizena com leite. Eu queria conversar e o pessoal estava querendo dormir. Olhava para o chão de curiosidade para ver se aparecia um escorpião, mas os animais correram de mim. Os guardas disseram que duas onças apareceram enquanto os atletas dormiam. Eu não vi.

4ª etapa – 37,15 km

Basicamente áreas planas e um pequeno igarapé para refrescar o pessoal. Atravessei junto do bombeiro, cantando novamente que não tinha medo. O bombeiro me acompanhou para ajudar caso eu entrasse em pânico. Passamos por várias comunidades ao longo do rio Tapajós. Depois era correr por trilhas e estradas.

5ª etapa – 105,19 km

Dia da etapa longa: 105 km a serem completado em 35 horas. Nesse dia, me perdi várias vezes na mata, encontrei três tamanduás e um tatu e acabei chegando às 16h33 no PC 5, o que me obrigou a aguardar até as 22h para continuar o percurso com escolta militar. Fiquei deitada em uma rede, mas não conseguia dormir: ganhei o apelido de pilha alcalina.

De madrugada, atravessei um pântano em que a lama batia na minha cintura. Ao amanhecer, o sol já vem muito forte. Estou chegando a um rio, onde vejo, quase na beira da água, um atleta quase desacordado. Eu o ajudo a levantar, ele se apóia no meu ombro; logo chega mais uma pessoa do resgate e juntos carregamos o japonês por 5 km até a linha de chegada. Ele já não tinha mais as solas dos pés de tanta bolha; teve de tomar soro, colocaram gelo no seu corpo.

6ª etapa – 22,50 km

Um filhote de morcego caiu no meu pé...

Toda a etapa é feita nas praias cristalinas do Tapajós. O sol estava muito forte, sabia que era só completar para ser campeã da prova, não precisava forçar e nem fazer nada errado. Faltando 500 metros, peguei a bandeira do Brasil saboreei aquele momento inesquecível na minha vida, ganhar uma das provas mais difíceis do mundo. Foi minha primeira vitória em ultra. Agora vamos ver o que vem pela frente."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h53

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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