Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Este blog está de casa nova

Prezado leitor, amigo de tantas horas, amiga corredora

A partir de agora, a Folha está com uma nova plataforma de blogs. Eu acabei de colocar o primeiro post, depois de ficar toureando o sistema. Não é difícil, como sabem os usuários de WordPress, mas a primeira vez dá um certo suor.

De fato, porém, não foi a primeira vez. Eu já tinha feito uma experiência anterior, como você vai perceber, e ela deu muito certo. A atual, porém, ficou meio-meio. Não consegui acertar todas as fotos, mas as coisas vão melhorar.

Dito isso, fica o convite para que você visite minha nova casa e, por favor, não deixe de fazer seus comentários, mandar dicas e sugestões lá mesmo no blog.
Tá aqui a dita cuja:
No Atacama, maratona testa resistência de corredores  ==
http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br/

Ah, como você já percebeu, o acima é um endereço novo. Por favor, atualize sua lista de favoritos. Em breve, teremos um endereço mais fácil de memorizar. Os posts antigos são todos encontráveis aqui, e a Folha também vai informar um endereço geral.

Conheça os outros blogs da Folha.com em www.folha.com.br/blogs

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11

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Gaúchos enfrentam vulcão gelado e cruzam os Andes

Quem gosta de gelo, montanhas e carne assada tem um prato cheio na competição El Cruce, que cruza os Andes por território chileno e argentino. Disputada em duplas, tem como diferencial o fato de que os parceiros devem correr juntos –não é revezamento. Neste ano, cerca de 1.500 corredores participaram do evento, realizado em três dias no início deste mês. Entre eles estava a dupla formada pelos gaúchos CLAUDIO SAENGER FORTES, 57, e SÉRGIO CRESPO PINTO, 50, ambos militantes da área de informática, que hoje o povo gosta de chamar de TI, tecnologia da informação. Claudio já fez quatro maratonas, Sérgio tem três no currículo. Agora os dois são ultras --- a prova tem cerca de 100 km, no total, mas uma das etapas, prevista para 40 km, chegou a 45 km, sem contar o tanto de caminhada até a largada. Aqui, CLAUDIO nos conta um pouco de sua experiência na cordilheira gelada (Foto Divulgação).

"A prova merece a fama que tem, assim como o glamour. Tudo, desde o visual até a organização, impressiona. E esta ultima, quando falha, acrescenta novos desafios aos competidores. Neste ano o show ficou por conta do vulcão Mocho Cochuenco, que podia ser avistado desde o acampamento 1, desafiador.

Não há como saber o que aquela neve branquinha, vista ao longe, significa sob os pés do corredor. Foram 9 km no gelo que pareceram 20 km. O gelo é muito escorregadio e não dá tração, como a areia fofa.

O frio e o vento lá em cima (2.100 m) são terríveis para quem já subiu 15 km e está de bermuda e duas camisetas, com as mãos nuas. O paredão de acesso à coroa do vulcão (uns 500m) deve ter nos consumido uma hora. São passos de 40 cm, olhando para o chão à procura de onde pisar. Muito duro. Dar a volta na boca do bicho, mesmo com menos subidas, foi outra epopéia de mais de hora. Descer, um inferno branco e extremamente escorregadio. A neve fofa desliza e te leva, uma perna para cada lado.

O resto é pedra, de todos os formatos e tamanhos imagináveis. Um visual maravilhoso. Dezenas de vezes a gente para e se da conta: estou nos Andes! Nas alturas das montanhas dos Andes, correndo (mais ou menos).

Resultado do primeiro dia: mais de oito horas para fazer 38 km.

No segundo dia, os 40 km previstos acabaram se revelando 45 km, fora 4 km de caminhada até o ponto de largada.

Correndo conosco, há de tudo um pouco, de atletas que fizeram vários Ironman a gordinhos, de cabelos brancos a meninas quase adolescentes. Os argentinos predominam, em quantidade e qualidade. Uma dupla Argentina faturou o primeiro lugar pelo terceiro ano, deixando o segundo posto para uma dupla brasileira. Meninas argentinas passam voando pela gente (mas não o suficiente para superar a dupla brasileira formada por Cristina Carvalho e Rosalia de Camargo Guarishi, que se sagrou campeã com 12h13min15.)

Para nós, o segundo dia piorou depois de terminar!

Após nove horas de corrida, nossas mochilas com roupas, saco de dormir e toda a tralha não chegaram ao acampamento. Ficamos das 19h até as 5h da madrugada com a roupa da corrida, em volta do fogo, à espera das mochilas para poder ir dormir na barraca. Sem almoço (chegamos tarde) e sem janta (os pratos estavam na mochila e não dava para se afastar do fogo).

E olha que a comida é boa. Uma das proezas do Cruce é prover café da manhã, almoço e janta para 1.500 competidores. É digno de foto (e todos fotografam) a parillada em escala industrial num fogo de chão enorme. E a carne, uma delícia. Água, café, chá, isotônico, pão, frutas, tudo para manter as "máquinas" bem abastecidas.

O frio na cordilheira, depois que anoitece, é de lascar. Na primeira noite, trememos de frio dentro do saco de dormir usando duas camisetas e um abrigo fornecido pela organização da prova (confira AQUI o site oficial).

Depois dessa noite terrível, acordamos às 8h para encarar a terceira e última etapa. Mal deu tempo de preparar tudo e largamos para os 20 km finais. Subidas, descidas fortes, pedras. De diferente, a passagem pela fronteira dos dois países, Chile e Argentina. Foi a primeira vez que corremos com passaporte! Tivemos que fazer os trâmites (a jato!) nas duas aduanas.

Apesar das dificuldades, não tivemos de usar o posto médico, que foi bastante frequentado. Segundo alguns competidores veteranos, esta edição do Cruce bateu recorde de atendimentos. O que pode se justificar pela dureza da prova e pela possível inexperiência de alguns competidores com esse tipo de competição, onde se corre e caminha 40 km num dia, come, dorme numa barraca e no dia seguinte faz tudo de novo. Não há tempo para recuperação completa.

A segurança, felizmente, é uma das principais preocupações da organização. Ao longo da subida, helicópteros e motos de neve ficam de prontidão para socorro imediato em caso de acidentes.  Vários competidores foram obrigados a retornar sem contornar o vulcão, no primeiro dia, devido ao adiantado da hora.  Mesmo para um gaúcho que só admite a palavra frio para temperaturas abaixo de 10 graus, é aterrador imaginar ficar naquela montanha gelada à noite.

Mas tudo isso fica esquecido quando a gente avista a chegada, gloriosa depois de mais de 100 km em três dias nos Andes chilenos e argentinos. Nesta edição a prova largou do Chile e terminou na Argentina. A sensação de chegar é fantástica, já que, para a maioria dos mortais, como nós, o objetivo é somente este: chegar!

Neste ano, participaram corredores de 25 países, segundo a organização. E o legal é que todos correm com uma bandeirinha do seu país com seu nome gravado, presa atrás da mochila. Há muita camaradagem e troca de dicas.

Completamos na posição 366 no geral (entre 730 duplas) e 18 na categoria. Nada mal para uma dupla "caballeros C". Sabe o que é isso? Dois velhinhos cuja soma das idades dá 107 anos! Categoria sub-110. Te mete!

Voltar em 2013? Sei lá...

A decisão neste ano foi meio por impulso. Uma garrafa de vinho, uma analise "aprofundada" de prós e contras e estávamos inscritos! Valeu a pena, com certeza. Vencer esse desafio é algo que vai ficar na nossa cabeça e corpo para sempre."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h49

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Dores, quedas e conquistas de Manuela em ultra na Patagônia

Nesta terça-feira, o caderno Equilíbrio, da Folha, publica reportagem de capa sobre ultramaratonas e ultramaratonistas produzida por este seu blogueiro. Para fazer o texto, conversei com mais de 25 corredores de ultras, experientes e novatos, amadores e de elite, além de médicos, treinadores e psicólogos (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Agradeço a colaboração de todos; a maioria deles acabou não sendo citada no texto, mas a contribuição de cada um foi importante para tornar a reportagem mais precisa e (espero) interessante. Eventuais erros são por minha conta e também peço desculpas desde já.
Várias entrevistas, por sinal, valem por si mesmas, e pretendo usá-las como base de futuras mensagens neste espaço. Para começar, trago para você uma sessão de perguntas e respostas com Manuela Vilaseca, 32, que desde os 25 anos participa de esportes de aventura. No final do ano passado, fez sua estreia em ultramaratonas e já mostrou a que veio: foi a campeã feminina da difícil La Mision, prova de mais de 160 km em trilhas na Patagônia.
Nesta conversa, ela conta um pouco sobre a corrida e a vida.


+CORRIDA - Quais foram as maiores dificuldades em La Mision?
MANUELA -
A prova La Mision foi uma ultramaratona de montanhha, conhecida como Ultra Trail, de 167 km na região da Patagônia Argentina. Sua largada foi na segunda feira, 12 de dezembro, às 11h, e os competidores podiam cruzar a linha de chegada até quinta, 15/12, à noite. Os quilômetros foram percorridos por trilhas, subindo e descendo montanhas com picos de mais de 2.000 metros, cruzando rios e, vales, e o descanso ficava a critério do corredor (se é que ele julgasse necessário). No total, as subidas somam 8.000 m.
As maiores dificuldades, ao meu ver, são o clima e o terreno. Naquela região, o tempo pode virar repentinamente, ou seja, podemos pegar 35 graus de dia e uma tempestade de neve à noite. O terreno é extremamente técnico, ou seja, você não relaxa! Parece que existem armadilhas o tempo todo. Fui ao chão algumas vezes, por tropeçar num bambu ou enfiar o pé num buraco escondido debaixo de um monte de folhas.
O cruzar de rios também causou um problema para quase todos os corredores. Os pés ficaram molhados durante todo o percurso e isso destrói o pé. Terminei a prova quase sem poder caminhar.

+CORRIDA - Você perdeu unhas e sofreu bastante na prova. Como enfrenta essas adversidades?
MANUELA -
Perder as unhas é uma coisa que pode ou não acontecer. Acredito que esse tipo de problema não esteja somente atrelado à ultradistância em si, mas ao indivíduo. Algumas pessoas perdem unhas sempre, outras nunca. Não sei se isso tem a ver com o calçado ou simplesmente ao pé de cada um. O que causou isso comigo (nessa prova especificamente) foram as descidas muito inclinadas. Os meus dedos ficavam esmagados no bico do tênis, o que, depois de um certo tempo, provocou uma bolha de sangue entre a unha e o dedo. Quando essa bolha estoura, a unha descola e aí já era!
É claro que detesto perder unhas! Imagina, eu sou mulher! Não posso usar sandália agora no verão? É horrível, mas é o preço que se paga.

+CORRIDA - Qual era seu objetivo na prova? Quando você viu que poderia ser a primeira mulher?

MANUELA - Eu treino bastante e, sempre que vou para uma prova, vou com o intuito de fazer o meu melhor. A La Mision era uma prova totalmente nova para mim, mas eu sabia que poderia contar muito com a minha experiência de provas de aventura para isso. Quando cheguei lá, escutei de muitos amigos que a prova estava muito concorrida. As mulheres tinham vindo da Colômbia, Chile, Brasil, Argentina, todas em busca do título. Eu queria ganhar também, mas sabia que teria que correr 167 km e que nesse trajeto tudo poderia acontecer. Acho que fica até difícil dizer quem é favorito numa situação dessas.
Eu larguei escutando música e isso foi legal para mim. Minha estratégia era não prestar atenção em ninguém que não fosse eu mesma, então a música me ajudou nisso. Havia um carro de apoio acompanhando os corredores até sair da cidade. Naquele momento não se podia ultrapassar o carro.
As meninas estavam todas lá na frente. Quando começamos a chegar perto da saída da cidade as subidas começaram a aparecer. Eu corri para cima de todas elas e foi ali que me desgarrei. Não fui ultrapassada por nenhuma mulher. Posso dizer que ganhei a prova de ponta a ponta, para a minha surpresa. Fiquei muito feliz.

+CORRIDA - O que você fez depois da prova?

MANUELA - Eu cheguei com sono e cansada. Tinha virado uma noite e cheguei no início da noite seguinte. Fui recebia pelo Gustavo Muñoz, corredor argentino que chegou em quinto lugar. Eu estava hospedada na casa dele, e a família dele veio me receber. Comemorei a vitória e fui para casa. Tomei um banho e tinha um churrasco me esperando. Eu não como carne vermelha, então ele fizeram um peixe do lago Lolog (lago que contornamos durante a prova) especialmente para mim!
Eu estava exausta, mas com fome e muita sede. Eu estava desidratada e tinha câimbras alucinantes nas mãos. Meus dedos pareciam deformados, e as pessoas na mesa me olhavam com cara de espanto. Fiz o possível para comer, pois não conseguia segurar o garfo. Matei uma garrafa de um litro de cerveja e fui dormir sonhando com os anjinhos!

+CORRIDA - Por que você começou a correr ultramaratonas? Qual foi sua primeira? O que aconteceu nela?
MANUELA
- Essa foi a minha primeira ultra. Eu quis correr pelo desafio e principalmente porque era na Patagônia. Essa região me encanta. Sou apaixonada por esse lugar e acredito que não existe lugar no mundo que seja mais belo. Sempre que tiver a oportunidade de voltar, eu voltarei.

+CORRIDA - Antes de correr ultramaratonas, você já era adepta de provas e desafios extremos. O que a levou a participar desses eventos?
MANUELA
- Eu acho que gosto das provas de longa distância porque é nelas que tenho o meu melhor desempenho. Sou uma atleta muito mais de resistência do que de explosão. Meu corpo assimila bem as horas em atividade e a minha cabeça é muito boa também. Sei conviver bem com o sofrimento e as situações adversas. Acho que isso é um aprendizado que levo para toda minha vida, dentro ou fora do esporte. Sei que é sofrido, mas em contrapartida eu vivencio coisas que a maioria das pessoas nem sabem que existe. Me sinto privilegiada por ter saúde para chegar em tais lugares. Dinheiro nenhum no mundo compra isso.

+CORRIDA - Você diria que corredores de ultramaratonas têm paixão pelo excesso? O que a leva a correr ultras?
MANUELA -
Eu não sei se o termo correto seria "paixão pelo excesso". Eu acho que é a paixão pelo desafio, pela superação. Paixão pelo esporte, por viajar, pelos lugares inóspitos e pela sensação de estar vivo e pela certeza de que vim para essa vida para aproveitá-la ao máximo.
Foi uma coisa que descobri sozinha. Comecei a ver que tinha um bom desempenho em provas de ultraduração. Adoro fazer isso, acho muito divertido. Engraçado que numa prova dessas você pensa muito na vida. Reflete o tempo todo e acaba voltando de alguma forma diferente. Hoje me considero uma pessoa melhor.
Eu sou geminiana e dizem que as pessoas de gêmeos ficam entediadas com facilidade. Acho que por isso que eu gosto de diversificar. Vou pedalar, aí quando canso mudo para corrida, para natação, canoagem, o que for. Gosto de fazer uma viagem para fazer snowboard, ou para fazer kitesurf. Adoro esportes e mesmo quando estou viajando por lazer estou praticando alguma atividade. Sou agitada e detesto ficar parada fazendo nada.

 

PS.: As fotos de Manuela foram produzidas no Rio por Dado Galdieri/Folhapress

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h31

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Atendimento na hora não salva corredor em Hong Kong

A cena mostrada na foto acima diz tudo: um corredor desaba ao chão depois de completar a meia maratona de Hong Kong. Atrás dele, os rostos cansados de outros competidores dá bem a ideia de quão complicada foi a prova, que reuniu 70 mil pessoas em três eventos: maratona, meia e 10 km.

Segundo as agências internacionais, o jovem corredor Lau, de 26 anos, foi atendido imediatamente. Com o atleta no chão (abaixo), um homem tenta ressuscitá-lo com respiração artificial.

O corredor chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu.

O sofrimento, porém, não pode esconder que a corrida também foi um evento de muita alegria, de conquistas e de exemplos para todos nós.

Lá esteve, por exemplo, o indiano Fauja Singh, súdito britânico que diz ser o mais velho maratonista do mundo (completou, no ano passado, uma maratona no Canadá). O feito de Singh, de 100 anos, não é reconhecido pelo Guinness, que argumenta não haver prova da idade do atleta.

O centenário atleta participou da prova de 10 km, que completou em pouco mais de 1h34. “A corrida estava boa, gostei bastante”, disse ele (fotos AFP).  

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h32

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Britânico vai passar roupa enquanto corre maratona no deserto

Já vi muita coisa estranha no mundo das corridas. Tem gente que faz qualquer coisa para quebrar algum recorde obscuro e aparecer no Guinness. Mas esta agora era novidade para este escriba: um sujeito da Grã-Bretanha pretende passar ferro enquanto participa de uma maratona no deserto do Saara.

Simplesmente correr essa prova já é um enorme risco para a saúde e a própria vida (já houve várias mortes ao longo da história do evento). Não deixe que o nome maratona o engane: trata-se de uma ultramaratona disputada em etapas. Ao longo de seis dias, enfrentando calor de dia e frio à noite, os atletas devem cruzar cerca de 243 km carregando seus próprios suprimentos e água.

Pois na mochila de nosso herói, o britânico Paul Roberts, vai também uma tábua de passar roupa portátil, para que ele possa praticar seu esporte predileto, o “extreme ironing”, que, em tradução livre, é passação de roupa extrema. Não fica bem em português, e a palavra passação está registrada no Aulete com outro sentido (passar um cargo a outra pessoa), mas acho que você já entendeu o espírito da coisa. Trata-se de uma competição (sim, sim, sim), em que o contendor passa roupas em condições adversas, não no recôndito do lar.

Segundo me diz a Wikipedia, o esporte foi inventado exatamente pelos súditos da rainha. O site oficial (que estava fora do ar quando escrevi este texto) descreve a atividade como “o mais recente esporte perigoso, que combinas as emoções de uma atividade extrema na natureza com a satisfação de uma camisa bem passada”.

Um bom exemplo é a foto que ilustra este texto e que foi publicada neste site AQUI. Pelo jeito, a mania correu mundo, como você pode ver neste site AQUI.

A origem da coisa, segundo me conta a BBC, está no final do século passado. Em 1997, diz a lenda, um fanático escalador de montanhas tinha uma escalada programada, mas, em casa, havia uma montanha de roupas que precisavam ser passadas. Vai daí, o sujeito resolveu juntar a fome com a vontade de comer e deu no que deu. Já teve até campeonato mundial...

Voltemos, porém, ao nosso amigo Roberts. Diga-se a seu favor que ele não é nenhum novato na arte de passar roupa enquanto corre, nada ou pedala.

Já participou de um campeonato de snorkel no pântano (!!!) e levou o título de vestido mais bem passado, já enfrentou corridas de mountain bike de 24 horas passando roupa e até tentou um triatlo, mas fracassou na parte da natação: a tábua de passar roupa fazia com que ele afundasse...

Nos seus treinamentos para a corrida no Saara, que será em abril, Roberts corre com uma pesada mochila às costas, mas não faz pausas para passer roupa. “Isso fica apenas para ocasiões especiais”, diz ele.

Apesar das habilidades do atleta, a família não desfruta dela. “É que tenho 1,83 m, e me doem as costas”, desculpa-se Roberts.

Dói mesmo. Eu sou bem mais baixo do que ele e sofria bastante quando passava as fraldas de minhas filhas (na época, as descartáveis estavam muito, mas muito além de nosso orçamento).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h25

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Morre atleta que teve infarto após a Volta ao Cristo

Recebi ontem a notícia triste: morreu o atleta Antônio Donizete Magalhães, 54, que sofreu ataque cardíaco depois de participar da Volta ao Cristo, em Poços de Caldas (MG).

Conhecido com “Xim”, Donizete completou a difícil corrida, que tem longa e íngreme subida e também uma descida complicada. Depois da chegada, no estádio municipal Dr. Ronaldo Junqueira, foi descansar nas arquibancadas, onde também estavam outros corredores.

Foi então que passou mal, caiu e bateu a cabeça na arquibancada de concreto.

Foi levado ao hospital, ficou internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), onde morreu no última terça-feira.

Segundo o secretário municipal de Esportes, Carlos Alberto dos Santos, citado pelo blog Esporte Poços, esse foi o primeiro caso de morte em 30 anos da Volta ao Cristo.

 

ATUALIZAÇÃO

A leitora Vitoria, que participou da corrida, diz que a coisa não foi assim como o blog mineiro relatou. Ela mandou comentário a respeito, que reproduzo a seguir:

"Aí na matéria fala que ele foi descansar e caiu na arquibancada. Nao foi assim... Ele caiu na chegada. Bateu a cabeça no alambrado que separa a pista da arquibancada. Ele passou o pórtico de chegada já com a mão no peito passando mal e caiu infartando na minha frente e da Sueli Silva. O atendimento foi feito por um médico que participava da prova, pois não tinha médico dentro da ambulância que estava dentro do estádio."

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h37

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Maratonistas de elite voam baixo em ano olímpico

O ex-recordista mundial da maratona Hailé Gebrselassie vai ter de suar sangue na maratona de Tóquio, no final deste mês, se quiser mesmo entrar na seleção etíope que vai para os Jogos Olímpicos de Londres. Isso porque seus compatriotas estão voando baixo.

Na maratona de Dubai, no último dia 27, a primeira prova internacional que atrai corredores do primeiro time da elite internacional, por causa dos altos prêmios oferecidos, o campeão destruiu o recorde do percurso, que era de Hailé.

Na sua estreia em maratonas, o etíope Ayele Abshero fechou em 2h04min23. Seus compatriotas Dino Sefir (2h04min50) e Markos Geneti (2h04min54) completaram a trifeta de liderança.

Além deles, o quarto colocado, o queniano Jonathan Maiyo, também correu em menos de 2h05, tornando Dubai a primeira maratona certificada do mundo com quatro sub2h50 –no ano passado, Boston foi palco de performance igual, mas o percurso não é considerado válido para recorde pela IAAF (é ponto a ponto e tem muitas descidas).

Hailé vem enfrentando muitos problemas desde que abandonou a maratona de Nova York, em 2010. Na sua última prova, em Berlim, também saiu mais cedo, por causa de dores estomacais. Naquele dia, o queniano Patrick Makau se tornou o mais rápido maratonista do mundo, quebrando o recorde até então de posse de Hailé.

Voltando a Dubai: as mulheres também foram muito velozes. Pela primeira vez, três damas correram a maratona em menos de 2h20 numa mesma prova. Outros recordes da competição: seis foram sub 2h24 e oito, sub2h26. Apenas para comparação, o índice exigido pela CBAt para uma brasileira ter direito a ir à maratona olímpica é de 2h30min07.

A etíope Aselefech Mergia sagrou-se bicampeã ao cravar 2h19min31, tronando-se a primeira etíope a correr sub2h20. Suas perseguidoras completaram no mesmo minuto: a queniana Lucy Kabuu marcou 2h19min34 e a etíope Mare Dibaba, 2h19min52.

Além de correrem contra o tempo, todos eles, homens e mulheres, perseguiam polpudos prêmios. Os campeões levaram US$ 250 mil cada um, e os colocados a seguir, US$ 100 mil e US$ 50 mil. Para comparação: o vencedor da maratona de Nova York leva US$ 130 mil.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h36

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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