Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Cara e coragem

Desafiante

Desafiante

Cuidado com ela

Divulgação

A mexicana Madaí Perez Carrillo, ao que tudo indica, virá ao Rio para disputar os 5.000 e os 10.000 m no Pan-Americano. E aí ela já vai dar trabalho para as especialistas nacionais na distância, como a recém-vencedora da Samsung 10 k, em São Paulo, Ednalva Lauriano da Silva, e a segunda colocada na mesma prova, Fabiana Cristine da Silva, esta dedicada aos 5.000 m.

A mexicana já fez 15min57.86 nos 5000 m e 32min22.09 nos 10.000 m. Claro que não dá para comparar tempos em pista e em rua, mas só para que se tenha uma idéia da qualidade da oposição, Ednalva venceu em São Paulo no domingo passado com 34mil41. De qualquer forma, tem concorrência.

Se Madaí Carrillo viesse para a maratona, porém, as coisas poderiam se complicar mais. Ela obteve em Chicago, em outubro passado, sua melhor marca. Tornou-se, com 2h22min59, a primeira mulher de língua espanhola a baixar de 2h23. Terminou em quarto lugar com uma explosão de alegria, festejando com seu treinador, Gérman Silva, e com seu marido, o corredor mexicano de elite Odilón Cuahutle, que fizera na prova 2h18min43.

Para comparar, o recorde brasileiro feminino é de 2h27min41, obtido por Carmem de Oliveira Furtado em Boston em 1994. Neste ano, os melhores tempos são 2h35min28, de Márcia Narloch em Berlim, e 2h35min45, de Sirlene Sousa de Pinho em Amsterdam.

Para saber mais sobre Madaí Carrillo, leia AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

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Paul Tergat

Paul Tergat

Reflexos do baile

Olha só o que disse Paul Tergat sobre a vitória de Marilson na maratona de Nova York.

"Sinceramente, eu não sabia quem ele era. Eu pensei que poderíamos deixá-lo ir, que iriámos pegá-lo depois. Eu não sabia que ele tinha corrido 2h08 em Chicago." 

Será?

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h03

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Fala, leitor

Fala, leitor

Detonando a esteira

Hoje publico a primeira colaboração de leitor. A escolhida para a estréia foi a publicitária aposentada Sônia Maria Farhat, 64, que começou a correr aos 60 anos, quando se aposentou de uma longa carreira. Ela começou a trabalhar aos 18 anos e atuou na Standard Propaganda, na revista "Visão" e na editora Abril, entre outros. Vamos ao texto dela, que aparece na foto ao lado terminando a meia-maratona de Miami.

Quando jovem, era preguiçosa, gostava de dormir até tarde. Depois que casei, tive dois filhos e vi que ficou difícil manter o peso sem fazer alguma atividade física. Comecei a jogar tênis duas a quatro vezes por semana.

Quando finalmente me aposentei e podia realmente me dedicar a jogar tênis, tive uma fratura grave no ombro. Daí começou o namoro com a corrida. Primeiro comprei a esteira e sou a única pessoa que conheço que conseguiu destruir uma, com apenas alguns meses de uso. Nessa época, descobri uma vizinha que era treinadora de corrida. Através dela, conheci minha atual treinadora, Eliana Reinert, do "Projeto Correr".

Lembro bem como fiz a primeira volta na pista de 400 m. Quase morri!!! Mas amei. A partir de então, com 60 anos passei a treinar todos os dias. Em poucos meses, coloquei na cabeça que iria correr a Maratona de Paris em 2004. Consegui. Levei 6h19 correndo, mas adorei a experiência.

Neste ano, já corri seis meias-maratonas e uma maratona, a de Chicago. As pessoas ficam surpreendidas de ver minha alegria e vontade de correr cada vez mais e melhor. Sei que nunca vou ser uma corredora veloz, mas serei sempre uma corredora de longa distância porque tenho muita paciência, e não me preocupo em correr muito rápido. Minha preocupação é apenas chegar.

Vejo que, depois de uma certa idade, as pessoas se machucam com facilidade porque invariavelmente forçam o corpo, correndo em velocidades acima dos seus limites, desprezando suas histórias. Um advogado ou um médico não se dedicou tanto ao esporte quando um atleta. Por isso, acho que médicos, advogados ou jornalistas devem querer correr como médicos, advogados ou jornalistas, e não como atletas de ponta.

Hoje encaro a corrida como uma grande diversão, que levo a sério no que diz respeito ao treinamento. Tudo que é pedido de mim, faço com prazer. Adoro os treinos, as viagens, o contato com gente jovem, o antes, o durante e o depois das corridas.

Conto isso para incentivar pessoas que querem começar a correr ou a fazer qualquer outro esporte, pedindo a elas: não esperem mais um minuto. Comecem logo. A prática de atividade física é tão boa para o corpo e para a alma que vocês nem podem imaginar. Façam como eu: aceitem suas limitações, mas não se deixem inibir por elas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h47

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Recorde mundial

Recorde mundial

Momento mágico

Na maratona de Berlim de 2003, como todos se recordam, o recorde mundial foi reduzido a pó. Não só Paul Tergat fez sub-2h05 como também o coelho da prova transformado em duelista, seu compatriota Sammy Korir, despachou a marca anterior, que era de Khalid Khannouchi,

Como recordar é viver, levantei no YouTube a chegada de Tergat perseguido por Korir, um momento especialíssimo na história do atletismo mundial e da maratona em particular.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40

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Polêmica

Polêmica

O tempo de Cicarelli

Como prometido, trago hoje aqui a resposta da apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli a respeito das contestações que leitores deste blog levantaram sobre seu tempo na maratona de Nova York, em 2003.

A resposta é uma não-resposta: segundo sua assessoria, Cicarelli prefere não comentar a polêmica surgida.

De qualquer forma, a quem interessar possa, eis aqui os resultados publicados no site da prova para Daniela Lemos e Luiz Milano, com quem ela foi casada.

LUIZ MILANO M47 2736 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

DANIELA LEMOS F24 F383 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

O primeiro tempo é o bruto e o segundo, o líquido. 

Para terminar, devo dizer que este blog não julga ninguém pelo seu tempo em maratonas, meias-maratonas, provas de dez quilômetros ou qualquer outra quilometragem. Aproveito a sabedoria dos antigos e fico com o dito popular, que sentencia: "Cada um com seu cada qual". 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h48

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Marilson

Marilson

Correndo forte

 

Caio Guatelli/Folha Imagem

A entrevista se encaminha para o final. Depois da série de perguntas, Marilson recebe de João Paulo Diniz um prêmio oferecido pelo Pão de Açúcar: um ano de supermercado grátis. A seguir, o final da coletiva de hoje..

 PERGUNTA - Na corrida, qual foi o momento em que você deu aquela olhada para trás e falou: "Deu..."?

MARILSON - Teve um momento da prova, quando eu entrei no Central Park, eu olhei para trás e não vinha ninguém. Então eu falei: "Não, vou diminuir um pouco o ritmo, vou controlar o ritmo da corrida para que não me aconteça nada, para tentar garantir mesmo a vitória". Mais um pouco para a frente, eu olhei para trás e vi que eles encostaram, eles tiraram um pouco a diferença, e aí eu comecei a correr novamente mais forte até a linha de chegada.

PERGUNTA - Minha intenção não é fazer você chorar, mas queria que você comentasse a importância de sua pai, seu Vitorino, da dona Célia...

MARILSON - Dona Cíntia. Meus pais sempre me apoiaram bastante em tudo o que eu fiz na vida, nos estudos, no atletismo. Na verdade, eles são os meus torcedores número 1. Eles sempre me apoiaram bastante. Foi difícil para eles, também, porque eu tive que sair de casa ainda criança, com 15 anos de idade. Tanto para eles quanto para mim, foi uma época muito difícil. Eu era um garoto muito caseiro, nunca tinha saído de casa nem para dormir uma noite fora. De repente, sair de casa para viver em outra cidade, levar outro estilo de vida, foi uma transformação muito grande. Isso eles aceitaram numa boa e sempre me apoiaram no que era possível.

PERGUNTA - Você ficou com medo de que algum padre ou que houvesse algum incidente, como ocorreu com Vanderlei?

MARILSON - Não, acho que ali foi um fato único, lamentável para o atletismo brasileiro e para o Vanderei. Mas lá eu não temia isso, porque a prova é superorganizada. O tempo todo a gente tem os batedores acompanhando, os policiais pelas ruas, eu não temia nenhum tipo de ataque.

PERGUNTA - Qual sua expectativa para o Pan? E para a maratona olímpica em 2008?

MARILSON - O Pan vai ser uma competição muito importante para a gente. Eu quero melhorar meus resultados. Fui medalha de bronze nos 5.000 metros e medalha de prata na prova de 10.000 no último Pan, e a expectativa é melhorar esses resultados. Quanto à maratona, agora a gente vai ter que planejar tudo certinho para que eu não cometa o mesmo erro que cometi na Olimpíada passada e fiquei de fora.

ADAUTO - No Pan, pode ser que esteja muito quente. Nós temos grandes atletas hoje na maratona, teremos uns seis atletas brigando por três vagas. Em compensação não tem talvez um outro atleta no Brasil com chances de ganhar no 10.000. Pelas marcas, dificilmente ele perde a medalha de ouro. E ao mesmo tempo ele abre oportunidade para outro atleta correr na maratona do Pan.

PERGUNTA - No início da sua carreira, você chegou a correr descalço. Como você vê isso, agora?

MARILSON - Eu comecei em Brasília com 14 anos, com um grupo de corredores, com o Albenis, que já tinha revelado alguns atletas antes e tinha feito contato com alguns clubes de São Paulo e enviado atletas para São Paulo. Cheguei a correr algumas provas descalço, mas não era porque eu não tinha calçado. O meu pai sempre trabalhou, sempre deu o sustento para a gente, tudo o que a gente precisava. Eu achava que aquilo era o melhor para mim. É diferente correr descalço porque você não tem condições de ter e correr porque eu achava que aquilo era o melhor para mim.

PERGUNTA - Os quenianos realmente correm em equipe e impõem respeito aos adversários?

MARILSON - Todo mundo pensa que os quenianos correm em equipe, mas na realidade não acontece isso. Numa prova de grande porte, como a de Nova York, a impressão que passa é essa, mas ali todo mundo que dar o melhor de si mesmo, quer conseguir o seu melhor resultado, até mesmo porque trabalham com técnicos e agentes diferentes, cada um quer obter o melhor resultado.

ADAUTO - Imagine uma situação nos 10.000 no Pan. O Marilson é um atleta de um poder de ritmo muito grande, mas que não tem um final tão rápido. O Hudson é o inverso: é um atleta que acompanha muito bem e tem um final muito rápido. Pode acontecer de o Marilson puxar a prova toda, dar um ritmo muito forte, e o Hudson vai e ganha. Aí vão dizer lá fora que os brasileiros correm em equipe. mentira, o Marilson estava treinando fugir... Com os quenianos é assim, cada um quer ganhar a prova, mas, como eles são muito iguais na condição física, um acaba acompanhando o outro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h35

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Marilson

Marilson

Olhando para o futuro

Segue a entrevista. Como é uma coletiva, não há um fio condutor para as perguntas, que abordam diversos aspectos da vida e do trabalho do atleta.

PERGUNTA - Você foi para Nova York sem seu o técnico. Em algum momento você lembrou coisas que havia trabalhado?

MARILSON - Sou acostumado a correr grandes provas. Corri Chicago, corri o Mundial de Helsinque, desde categorias menores venho participando das principais provas da Iaaf (entidade internacional do atletismo) e nem sempre o técnico pode estar presente. Isso a gente tem de ter em mente. A gente tem de ter uma grande concentração tanto antes quanto durante a prova para fazer com que isso não atrapalhe. O mais importante é que a gente já tinha planejado tudo antes, aqui no Brasil, já tinha feito o treinamento, já tinha dado tudo certo. Eu já tinha ido para lá muito confiante, o mais importante é isso.

PERGUNTA - Você já sabe o que vai fazer com o dinheiro?

MARILSON - Minha vida teve uma reviravolta muito grande, desde que quando comecei a treinar. O que eu tenho que pensar agora é em manter o nível e depois pensar o que vou fazer com os prêmios, com o dinheiro. Tenho que somente manter a cabeça no lugar, os pés no chão e dar continuidade no meu trabalho.

PERGUNTA - Como foi a maratona de compromissos depois da vitória?

MARILSON - Na verdade, até agora a maratona não acabou. Estou sempre cheio de compromissos. Lá, depois da maratona, os dois dias seguintes foram muito corridos. Tive de assumir alguns compromissos, como acontece sempre com o campeão da prova. Como eu disse, é uma grande maratona, de status mundial, então não tem como fugir. Mas isso é bom para mim, para quem ganha uma maratona, assumir esses compromissos. É sempre uma grande honra participar desses compromissos.

PERGUNTA - O que vai mudar na sua vida agora? Você acha que vai haver alguma grande mudança?

MARILSON - Com certeza. Mas vou tentar seguir a minha vida como sempre segui, com humildade, trabalhando do mesmo jeito como sempre trabalhei, para que eu também não seja atrapalhado por isso. O mais importante é que eu consiga ser a mesma pessoa de sempre.

PERGUNTA - Qual foi o momento mais difícil da prova? Você chegou a ter medo?

MARILSON - Teve um momento da prova em que eu fiquei preocupado. Foi na meia maratona, porque eu comecei a sentir algumas dores musculares, no anterior da perna direita, na coxa. Fiquei preocupado, porque eu não sabia o que estava acontecendo, até mesmo porque eu estava correndo muito fácil até ali, e de repente começaram a surgir essas dores. Mas procurei centrar o pensamento na prova e esquecer, sempre pensando que mais tarde ia passar, como passou e não chegou a atrapalhar tanto...

PERGUNTA - Para o Pan, você tem um adversário muito forte, que é o Hudson de Souza, nos 5.000 metros... Você acha que pode vencê-lo?

MARILSON - O Hudson, aliás, é da nossa equipe e também é de Brasília. Convivi muito com ele. Acho que se a medalha estiver nas minhas mãos ou nas dele vai estar com o Brasil, o mais importante é isso. Tanto ele quanto eu vai tentar vencer a prova. Que vença o melhor.

PERGUNTA - Há planos de o Marilson ficar só nas maratonas?

ADAUTO DOMINGUES - Acho que não é impossível, não é inviável o Marilson ser um excelente maratonista e ter boas marcas em provas de 10 mil. Acho que os 5.000 metros, para ele, pode começar a ficar uma prova muito rápida. Mas eu vou sempre querer que ele faça as provas de dez quilômetros, que a gente consiga melhorar as marcas. Ele é novo, tem 29 anos, a gente ainda tem muita coisa para fazer. O Marilson é um cara muito fácil de trabalhar. Ele tem uma dedicação muito grande e uma disciplina muito grande, isso é uma coisa chave, fora o fator genético. E espero que a vida dele não mude muito, não, porque as coisas estão dando certo. Eu já o conheço há 14 anos, e acho que essa vitória muda muito pouco... Claro, ele vai ter de lidar um pouco com essa coisa de assédio, mas isso abaixo a poeira e a gente segue...

PERGUNTA - Por que o treinamento em Campos do Jordão e por que 35 dias, e não 20 ou 40?

MARILSON - Normalmente, ele iria para Paipa, na Colômbia, fazer essa preparação. Só que ele estava com um problema no pé e, se essa coisa agravasse, aqui no Brasil seria mais fácil de a gente tratar. Por isso, escolhemos Campos do Jordão. Ele tem uma resposta muito boa ao treinamento. Esse se afastar funciona muito mais por causa da tranqüilidade. Lógico, tem o efeito fisiológico tremendo por causa da altitude. Em geral, a gente fica quatro semanas. A primeira semana ele dá uma segurança, e aí tem 21 dias que ele tem sempre bons resultados. Mas em Campos foi mais a tranqüilidade de poder treinar. Por mais que ele seja um cara caseiro, em São Paulo sempre é muito difícil. E lá as coisas são mais fáceis, mais práticas...

PERGUNTA - O fato de você não ter sofrido pressão da imprensa antes da prova facilitou as coisas para você?

MARILSON - Com certeza. tome como exemplo a São Silvestre, que é a maior prova que a gente tem aqui no país. Eu sofro essa pressão a cada ano e é sempre complicado correr em cima de pressão. Lá eu não tive pressão nenhuma e isso foi um fato que me ajudou bastante. Agora eu vou ter que administrar, que lidar com essa pressão. mas acho que eu vinha administrando bem, até mesmo aqui no Brasil. Um bom corredor tem que aprender a lidar com essas situações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Marilson

Marilson

O que diz Juliana

A mulher de Marilson, JULIANA PAULA GOMES DOS SANTOS, 23, corredora de 800 m (2min01) e 1.500 (4min16), acompanhou a entrevista da platéia, em silêncio, sorrindo ás vezes, esperando a sua vez.

Ela foi terceira do mundo nos 800 metros, em 2003, no Mundial Juvenil de atletismo, tornando-se a primeira brasileira a conquistar medalha em Mundiais na modalidade. A segui, ela conta sua primeira conversa com Marilson depois da vitória. 

"Eu fiquei sabendo logo depois que terminou a corrida, pelo meu técnico, o Adauto, porque eu não tinha mais acesso à internet. Eu só fui falar com o Marilson umas duas horas depois, questão assim de menos de três minutos. Ele só falou assim: "Amor, conseguimos". Era o que a gente queria mesmo, o que a gente tinha lutado para conseguir. Não esperava que fosse tão rápido, veio muito rápido, graças a Deus, ele conseguiu acertar, achou o dia... E ficamos muito felizes. Ele falou: "Nossa, tou cansado, mas tou feliz, tou feliz. Você sabe que essa vitória também é sua". Bem, foi uma conversa muito rápida, mas foi muito bom."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h25

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Marilson

Marilson

Momento de emoção

Caio Guatelli/Folha Imagem

 

Segue a entrevista com Marilson. Quando fala sobre o resultado, o corredor se emociona e chora por alguns momentos.

PERGUNTA - Você pretende correr a São Silvestre?

MARILSON - A gente vai conversar, eu e o Adauto, e a gente vai ver o que é melhor para mim e para a equipe.

ADAUTO DOMINGUES - Hoje, não está descartada a participação, mas também não está confirmada. Depois de uma maratona, sempre há alguns traumas. A gente vai ter de avaliar isso clinicamente, com exames médicos, e fisicamente, para ver como será possível recuperá-lo. Há outras competições tão importantes quanto a São Silvestre.

PERGUNTA - Você enfrentou frio, dor e os maiores atletas do mundo. quando faltavam uns dez metros para a chegada, o que você pensou?

MARILSON - Passa um pequeno filme pela cabeça. A gente pensa em tudo. Eu estava até um pouco... Um pouco, não, bastante emocionado. É uma prova de muito status mundialmente. E, de repente, eu, que não era cotado entre os favoritos, chegar a vencer a prova, isso para mim foi o ápice da minha carreira.

PERGUNTA - Por que você não vai correr a maratona no Pan, e vai voltar às suas provas de origem os 5.000 e os 10.000 metros. Isso está decidido mesmo?

MARILSON - Acho que o Adauto pode responder melhor.

ADAUTO - O Marilson tem como objetivo final a maratona de Pequim 2008, nos Jogos Olímpicos. Isso vem desde o final de 2003. A gente fez uma preparação para ele correr a maratona olímpica em Atenas, infelizmente, por 50 segundos, ele ficou fora do ranking dos três melhores do Brasil. depois ele mostrou que era capaz, porque correu 2h08. Como eu disse antes, o Marilson tem um final um pouco lento. Então, a gente quer que ele melhore ainda alguns resultados nos 5.000 e nos 10.000. É uma questão matemática: é impossível você fazer 30 minutos nos 10 mil metros se você não tem 15 nos 5.000. Em cima disso, a gente quer que ele melhore essas marcas de 10.000 para que ele possa, numa maratona olímpica, ter uma passagem com um pouco mais de conforto para ir até o final da prova. Aqui ninguém de vocês pode me garantir que na maratona do Pan não vá estar 32 graus. É possível estar 32 graus no inverno no Rio de Janeiro. E eu preciso que ele faça uma maratona rápida. Então, se eu o colocar na maratona no Rio de Janeiro, eu perco provavelmente algumas provas rápidas no segundo semestre. Ou perco Chicago ou perco Berlim. E eu não quero arriscar novamente que ele fique de fora da Olimpíada, agora com chance de chegar entre os primeiros.

PERGUNTA - O que representa para aquele rapaz que veio aos 15 anos lá de brasília hoje ser conhecido no mundo inteiro, ter sua foto nos jornais do mundo inteiro...

MARILSON - É com eu disse, é o ápice para mim. Ninguém, nem eu mesmo, imaginaria que um dia eu pudesse chegar a esse ponto. Um menino que saiu de Brasília, da Ceilândia, uma cidade muito humilde.... (emocionado, começa a chorar)....

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h16

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Marilson

Marilson

Sofrimento e glória

Acompanhe a primeira parte da entrevista coletiva de Marilson, realizada hoje pela manhã no auditório do Pão de Açúcar. Algumas de suas respostas sõa complementadas pelo seu técnico, Adauto Domingues.

PERGUNTA - COMO FOI SUA PREPARAÇÃO?

MARILSON GOMES DOS SANTOS - A preparação para uma maratona é sempre dura, sempre complicada. Eu fiquei ausente de casa uns 35 dias, em Campos dos Jordão. Logo depois do Troféu Brasil eu fui para Campos do Jordão me preparar, fazendo mais ou menos 200 quilômetros por semana, em média, com duas sessões diárias de treinamento. É sempre sofrido, muito complicado, porque a gente tem de abrir mão de algumas coisas, até mesmo da família, da minha esposa, Juliana, também, porque, se não for assim, não dá certo. Mas eu fiquei feliz porque eu consegui alcançar o meu objetivo, que era acertar uma grande maratona, e acabou dando certo na maratona de Nova York.

PERGUNTA - EM QUE MOMENTO DA PROVA VOCÊ ACHOU QUE PODIA GANHAR?

MARILSON - Quando eu comecei a abrir distância, depois da milha 19 (km 30, aproximadamente), eu senti uma confiança muito grande, porque era um momento em que eu estava me sentindo muito bem na prova. Comecei a abrir vantagem cada vez mais, então ali eu percebi que teria grandes chances de chegar como vencedor da prova.

PERGUNTA - CONTE UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA DA PROVA DESDE O COMEÇO E COMO VOCÊ CONTROLA SEU RITMO PESSOAL

MARILSON - A maratona de Nova York tem um percurso difícil, bastante duro, com muitas subidas e descidas, além do nível da maratona. Estavam presentes o campeão olímpico, o vice-campeão olímpico, o recordista mundial, vários atletas com 2h06, mas durante o decorrer da prova, o ritmo foi bem confortável. Foi uma passagem cômoda, não só para mim, para todos, a primeira parte da maratona foi fraca. Eu estava me sentindo bem, e estava saindo tudo de acordo com o planejado. Meu plano era sair, depois do 30, do km 35, para ver se diminuía o pelotão de elite, os atletas que estavam na frente, ou que eu pudesse abrir alguma vantagem, que viesse um ou outro, apenas. Como ninguém veio, eu acabei me destacando mais e consegui vencer a prova.

PERGUNTA - VOCÊ JÁ SAIU NO GRUPO DA FRENTE?

MARILSON - Na maratona de Nova York, o pelotão de elite é grande. Eu procurei sempre ficar atrás do grupo, me proteger do frio, do vento, e não ir muito para frente, sempre correndo no vácuo... Eu sabia que era uma prova difícil e que a parte final, quando você entra no Central Park, seria muito desgastante, muito difícil. Eu procurei economizar no começo o máximo possível para que eu pudesse depois encontrar energias para terminar o percurso.

ADAUTO DOMINGUES - No km 25, havia 29 atletas no pelotão de elite. Eram 29 atletas que podiam vencer a prova. A diferença do primeiro para o 29 era de dois segundo. Desses 29 atletas, 14 eram quenianos. Por isso, quando ele tentou sair no km 30, o objetivo ainda não era ganhar a prova, mas, sim, fazer com que esse grupo diminuísse para que ele tivesse mais chance de uma melhor colocação. Quem conhece o Marilson sabe que ele tem um final de prova não tão rápido como têm outros atletas. Então, o objetivo da escapada era diminuir o número de atletas para obter uma melhor colocação. A escolha por Nova York é em cima de colocação, não em cima de marca, pois a gente sabe da dificuldade da prova.

PERGUNTA - QUANDO VOCÊ DECIDIU QUE ROUPA USARIA? VOCÊ JÁ TINHA CORRIDO COM OS MANGUITOS?

 MARILSON - Para mim, quatro graus, cinco graus, que estava previsto para o dia da prova, é frio. Eu tenho uma porcentagem de gordura muito baixa (3,7% a 4,2%; o comum em não-atletas é acima de 16% ou 18%, segundo o treinador Adauto Domingues) e sinto bastante frio nas principais provas de maratona, que são realizadas no frio. Então eu procurei me defender do frio, me proteger o máximo possível, usando o gorro, as luvas, os manguitos para não sentir tanto frio durante a prova.

PERGUNTA - ANTES DE VOCÊ EMBARCAR, VOCÊ ESTAVA COM UM PROBLEMA NO PÉ. VOCÊ SENTIU DORES E COMO VOCÊ ESTÁ AGORA?

MARILSON - Na verdade, essa lesão minha ainda não passou. Vou ter de parar agora. Estou com uma fascite plantar, que é uma inflamação na planta do pé, e acabou até me atrapalhando nos treinos para a maratona, mas agora é o momento de parar para poder programar as futuras provas. Essa inflamação, durante a prova, não me atrapalhou, eu não senti tanto. Só no término, quando o corpo começou a esfriar, aí eu não conseguia nem andar direto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h20

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Marilson Gomes dos Santos

Marilson Gomes dos Santos

Pura emoção

Primeiro sul-americano a vencer a maratona de Nova York, Marilson Gomes dos Santos chegou hoje pela manhã a São Paulo e foi direto para uma entrevista coletiva no auditório do Pão de Açúcar.

Contou sobre os momentos mais duros e mais felizes da prova, lembrou a carreira, falou um pouco sobre o futuro e não conteve as lágrimas ao tentar comentar o que a vitória mudava na vida daquele garoto que, aos 15 anos, saiu de sua Ceilândia (DF) natal para vir tentar a sorte no atletismo em São Paulo.

Não conseguiu continuar sua fala naquele instante e foi socorrido por João Paulo Diniz, conselheiro do grupo Pão de Açúcar, e por Sérgio Coutinho Nogueira, diretor-técnico da equipe BM&F, que compunham a mesa, completada pelo técnico de Marilson, Adauto Domingues.

Janaina, mulher de Marilson e primeira brasileira a ganhar uma medalha em um Mundial de atletismo na prova de 800 metros, estava na platéia. 

Agora vou tirar a entrevista e logo coloco mais informações.   

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h47

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Campeão

Campeão

Marilson vem aí

 

Ele será recepcionado por seus patrocinadores e deverá falar à imprensa agora pela manhã, no auditório do Pão de Açucar, em São Paulo.

Depois eu conto como foi.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h48

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Polêmica

Polêmica

Qual o tempo de Cicarelli?

 

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

 

A apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli contou para este blog que fez sua primeira e -até agora- única maratona em 4h12 minutos, em Nova York, em 2003. Comentou até: "Seis minutos por quilômetro, imagina!". Mas a informação foi contestada por leitores deste blog.

Um deles disse ter pesquisado nos resultados da prova e encontrado uma Daniela Lemos, que completou a corrida em 4h33'25" .

Outros leitores reagiram, dizendo que pouco importa o tempo, o importante é a dedicação ao esporte.

Encaminhei a polêmica para a assessoria de imprensa da apresentadora. Mais tarde conto o que deu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h21

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Palavras de Marilson

Palavras de Marilson

Eu sou mais eu

"Havia um grupo de grandes corredores, mas eu também sou um deles. Para vencer, você precisa ter coragem, e hoje eu tive a coragem de tomar a frente e vencer a corrida."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Arquivo

Arquivo

Fotos históricas

O dublê de ex-corredor, técnico e, principalmente, apaixonado pelo atletismo Nilson Duarte Monteiro colocou no ar um fotoblog com imagens de seu arquivo.

Há cenas sensacionais, como o aceno de Eleonora Mendonça, representante brasileira na primeira maratona olímpica feminina, em Los Angeles-84.

Veja outras fotos AQUI.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17

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Na hora

Na hora

Chegada

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Deu no New York Post

Deu no New York Post

Luvas negras

A reportagem publicada no "New York Post", com informações de agências, foi a primeira que vi que descreveu o modelito de Marilson.

Diz o texto: "Vestindo luvas negras e com manguitos (aquelas mangas compridas separadas da camiseta) também pretos até o bíceps, boné preto e camiseta regata amarela, Gomes cruzou a linha com os braços levantados e depois fez o sinal da cruz. E logo foi cumprimentado pelos dois quenianos que o seguiram, que abriram largos sorrisos ao abraçar Gomes, que parecia estar sofrendo um pouco".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h43

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Tática

Tática

Mais e depois + um pouco

 

Marilson, por um intérprete, revelou sua tática para os repórteres da Associated Press. Aqui neste blog vai a tradução da tradução.

"Eu acelerei, apertei o ritmo para ver se ficava menos gente no pelotão", disse Marilson.  "Daí continuei a acelerar e eles continuaram a ficar para trás".

Em resumo: ele acelerou um pouco e depois acelerou um pouco mais.... E se tornou, segundo as agência de notícias, não só o primeiro brasileiro campeão na Big Apple, mas o primeiro sul-americano a triunfar em Nova York.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h29

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Stefano Baldini

Stefano Baldini

Em paz consigo mesmo

 

"Sou um homem tranqüilo", diz o campeão olímpico antes de começar a maratona de Nova York. "Ao ganhar o ouro em Atenas, provavelmente atingi o máximo com que um corredor pode sonhar. O que vier agora é lucro".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h16

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Mil maratonas - parte 4

Mil maratonas - parte 4

Na reta final

Parte final da entrevista exclusiva com Norm Frank, aposentado norte-americano que corre para completar sua milésima maratona

FOLHA - O senhor correu a maratona de Boston por 30 anos seguidos, correu uma maratona por mês por 216 meses seguidos...
FRANK
- É, isso foi lá no começo. Eu nem sabia que tinha esses recordes. Quando eu compilo meus dados, mando para esse clube do Japão, e eles que me disseram que eu tinha esses recordes. Mas eu tive uma cirurgia da próstata e tive uma infecção muito grave, que me deixou praticamente um mês sem poder correr. Como eu não sabia que tinha esses recordes, nem cheguei a fazer uma tentativa de manter a seqüência. Daí os dois recordes caíram no mesmo ano, em 1997, caíram sem que eu nem ao menos soubesse que os tinha..

FOLHA - Bem, esse foi um problema grave de saúde, mas não relacionado com as maratonas. O senhor já teve problemas graves de saúde relacionados com sua corrida?
FRANK -
Não. Tive uma cirurgia na aorta, uma operação de coração aberto. Mas não foi por causa da corrida, eu nasci com o problema e chegou a um ponto em que ela precisava ser substituída porque já não estava mais funcionando direito. Provavelmente funcionou por mais tempo do que poderia porque eu corro. Eu já tive minhas lesões. Já rompi o tendão de Aquiles, tive várias lesões ao longo dos anos, mas elas só me deixaram fora de combate por algumas semanas, um mês no máximo.

FOLHA - O senhor considera isso um vício?.
FRANK -
Sim, absolutamente. Eu diria que certamente é um vício, mas um bom vício. Eu não bebo nem fumo. Correr alivia o estresse. Eu tinha meu negócio, minha empresa, mas no final de semana eu corria, na segunda estava pronto para voltar ao trabalho. Eu gosto de viajar e, durante um certo tempo, viajei bastante, foi muito divertido. Agora é mais difícil.

FOLHA - Sobre sua família: o senhor é casado, tem filhos.
FRANK -
Eu fui casado, mas me divorciei há uns 30 anos e vivo sozinho. Tenho um filho, de 47 anos, que é um ultraciclista, corre umas 100 milhas todos os finais de semana, e minha filha vai fazer 40 anos, ela nasceu no mesmo ano em que comecei a correr. Ela tem dois filhos. Ela corre quando tem tempo, porque ela é muito ocupada com o trabalho e com a família, mas tem muita vontade de correr uma maratona. Ela gosta de correr, ele gosta de pedalar.

FOLHA - O senhor tem esse objetivo de completar sua milésima maratona. Já tem tudo planejado, qual será?
FRANK -
Eu não tenho tudo planejado, pois não dá para pensar com tanta antecedência. Em primeiro lugar, porque tenho 75 anos e posso nem sequer estar aqui em dois anos... Mas, se as coisas derem certo, minha milésima maratona será na minha cidade, Rochester, em setembro de 2008 Isso é o que eu imagino, pois dificilmente será antes dessa data. Vai ser legal, minha família está aqui, meus amigos, vai ser uma grande celebração se eu conseguir fazê-la aqui.

FOLHA - O senhor tem alguma mania, alguma rotina antes de cada prova? Usa sempre a mesma roupa, come a mesma coisa?
FRANK -
Eu tomo uma xícara de café e como um donut. Durante a prova, tomo alguma bebida esportiva ou água, como uma banana ou o que me oferecerem. Nas ultramaratonas há mais comida... O que eles tiverem, eu como.

FOLHA - Qual sua mensagem para os corredores ou para as pessoas que gostariam de correr?
FRANK -
Eu sugiro que todos experimentem correr, participar de corridas e que não fiquem decepcionados se não se derem muito bem no início. Sejam pacientes e pensem nas razões para fazer isso. Algumas pessoas começam a correr apenas para perder peso. Tente aproveitar a corrida, faça dela uma diversão, uma experiência. Não seja exagerado, tente não ficar tenso, tente não exigir muito de si mesmo.

FOLHA - O senhor conhece algo sobre corridas no Brasil?
FRANK -
Nunca fui ao Brasil. Fui ao Panamá uma vez, ao canal do Panamá. Eu ia correr do oceano pacífico ao oceano Atlântico, cerca de 52 milhas. Mas fiquei no sol e me queimei de tal forma que não conseguia sequer colocar as meias. Fui até lá e não pude participar da corrida. Esse é o lugar mais próximo do Brasil em que já estive.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h17

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Mil maratonas - parte 3

Mil maratonas - parte 3

No "Livro dos Recordes"


Aqui continuamos a entrevista de Norm Frank, o jardineiro norte-americano aposentado que corre para completar sua milésima maratona -neste ano, ainda planeja correr pelo menos duas provas de 50 quilômetros, além de duas maratonas. Na mensagem anterior, ele falou sobre seu processo de aprendizado dos segredos da corrida. Agora, segue o baile.

FOLHA - Como o senhor prova que correu todas essas maratonas? Como documentou seus feitos para entrar no "Guinness"?
FRANK -
Eu tenho toda a documentação. Para entrar no "Guinness", eu tive de apresentar um certificado de todas as maratonas em que participei _o que eu fiz. Se não tivesse um certificado, um artigo de jornal ou o resultado publicado da prova, mas da maioria delas eu tinha um certificado oficial com o meu tempo etc.

FOLHA - Quando o senhor bateu o recorde mundial?
FRANK -
Em 1994. Foi quando eu completei 525 maratonas. O recorde anterior era de 524, e eu o quebrei em maio, em Buffalo. E eu o tive por alguns anos [hoje, o recorde registrado no "Guinness" é do alemão Horst Preisler, que correu 1.305 maratonas ou provas mais longas de 1974 a 2004].

FOLHA - Em que ano o senhor correu seu maior número de maratonas?
FRANK - Não lembro exatamente, mas acho que foi 1996, mas eu venho correndo entre 35 e 40 por ano desde que quebrei o recorde. O que acontece é que as mulheres começaram a correr, assim como pessoas passaram a caminhar as maratonas para alguma causa (combate ao câncer, luta contra a leucemia), as cidades começaram a ganhar dinheiro com isso, e então passaram a organizar e promover maratonas. Passou a haver dinheiro nisso, para as cidades, o turismo, os restaurantes. E surgiram mais provas, nasceu o clube dos 50 Estados (para que correm uma maratona em cada Estado norte-americano), há dois deles, com centenas, milhares de membros. Isso é muito bom para as cidades. Agora, em Nova York, 37 mil pessoas vão correr a maratona. Pode imaginar quanto dinheiro isso gera? Então também ficou mais fácil correr uma maratona, pois você não precisaria sair de Nova York e ir até a Califórnia para participar, porque você poderia ir ao Maine ou a outro local mais próximo. Hoje, eu consigo correr praticamente uma por semana sem ter de viajar de avião, eu não viajo mais tanto _e nem teria condições de fazê-lo...

FOLHA - Como o senhor se sustenta hoje?
FRANK -
Bem, eu sou aposentado. Tinha meu próprio negócio e me aposentei e vivo de minha aposentadoria.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h11

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Mil maratonas - parte 2

Mil maratonas - parte 2

Menos é mais

Leia a seguir a seqüência dos melhores momentos da entrevista com Norm Frank, 75, norte-americano aposentado que planeja chegar, em 2008, à maratona número 1.000.

FOLHA - Mesmo esses seus números do começo da carreira, de três a cinco maratonas por ano, já eram maiores dos que os recomendados por treinadores ou médicos do esporte...
FRANK - Por muitos e muitos anos, sempre se pensou que você podia fazer apenas duas ou três maratonas por ano, que seu corpo não iria resistir, que não era saudável. Eu até acho que isso possa ser verdade para quem está tentando fazer a maratona em menos de duas horas e meia, mas para quem corre como eu... Eu nunca na verdade fui bom o suficiente para correr tanto que me quebrasse, então... Eu simplesmente não achava que eu tivesse algum problema por fazer a quantidade de maratonas que eu fazia. À medida que passavam os anos, havia mais maratonas, e eu passei a fazer cada vez mais maratonas por ano. Nos últimos dez anos, venho fazendo mais de 35 por ano.

FOLHA - E por que tantas? O senhor disse que o desafio o atrai, mas um desafio desses a cada semana?
FRANK - Sim, acho que sim. Os percursos são sempre diferentes, o clima também faz diferença. Quando você vai para a Flórida, é calor; quando você para o oeste, tem as montanhas. Cada uma das maratonas que fiz foi um novo desafio. Nunca fui muito fanático sobre o meu tempo, eu queria me sair bem, mas não pensava que eu tinha de correr mais rápido a cada prova...

FOLHA - Qual era o seu objetivo, então?
FRANK - Meu objetivo era terminar a prova. E esse tem sido meu objetivo desde sempre, e hoje é um desafio ainda maior do que era há 20 anos, pois estou mais velho, é mais difícil, eu estou mais lento. Mas acho que é por isso que eu me dei tão bem e fiz tantas maratonas, pois considero cada nova prova um desafio. Você precisa respeitar a distância cada vez que você corre uma maratona.

FOLHA - O senhor tinha uma rotina de treinamentos? E como é hoje?
FRANK - Quando comecei, eu realmente tinha um plano de treinos. Era um processo, e você precisa lembrar que corro há 40 anos. Ao longo do tempo, fui aprendendo. E atribuo parte da minha capacidade de correr por tanto tempo ao fato de que eu não treinava muito, que não exagerava nos treinos nem nas provas. Hoje eu corro talvez um dia por semana, no meio da semana, entre as provas, e apenas umas cinco milhas (oito quilômetros). Eu caminho bastante. Gradualmente, ao longo dos anos, fui passando de correr todos os dias para quatro dias, três dias e, hoje, talvez um dia por semana, às vezes nem isso. Acho que muitos corredores exageram nos treinos. E se machucam. Quebram. A maioria dos corredores sofre lesões nos treinos, por causa do excesso de treinos. Eles não se machucam nas provas, mas sim nos treinos.

FOLHA - É melhor correr provas em excesso do que treinar em excesso?
FRANK - Sim. O treinamento excessivo é um fator importante de lesões. Eu não estou dizendo que você não deve treinar, mas esses caras que fazem 160 quilômetros por semana, você não os vê correndo por 20 anos. Você simplesmente não consegue manter isso. Todos aqueles caras que ganhavam as corridas quando eu participava da maratona de Boston, há 30 anos, você não os vê correndo. Você vê outros corredores mais velhos, como eu, que não corriam na frente... Eu fico satisfeito de não ser tão rápido, talvez eu não estivesse aqui agora [seu recorde pessoal é de 3h20; hoje leva entre seis horas e meia e sete horas para completar uma prova].


 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h06

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Mil maratonas

Mil maratonas

Jardineiro ultrasupermega

Persistência é a mais marcante característica de Norm Frank, no próprio dizer desse solitário senhor aposentado que, aos 75 anos, tem como meta na vida chegar à milésima maratona. Ele não está longe disso: no final de outubro, contabilizava 931 maratonas, sendo 175 delas ultras -corridas em distâncias superiores aos 42.195 metros da prova olímpica.

Frank nasceu em 20 de junho de 1931, em Rochester, Estado de Nova York, no nordeste norte-americano. Começou a correr aos 35 anos e nunca mais parou: faz entre 35 e 40 maratonas por ano e já teve seus feitos registrados no "Livro dos Recordes".

Ele conversou com a Folha por telefone de sua casa em Rochester, onde mora sozinho -divorciou-se há cerca de 30 anos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

FOLHA - Quando o esporte entrou em sua vida?
NORMA FRANK -
Eu sempre levei uma vida ativa e pratiquei esportes. No ginásio, corria cross country, participava da equipe de atletismo, jogava basquete, tênis, futebol americano, era bastante ativo. Eu saí direto do segundo grau para o trabalho, não cheguei a fazer nenhum curso universitário. Trabalhei na construção civil durante um tempo, depois estive no Exército por uns dois anos, joguei futebol e basquete, mas nada de atletismo. Quando eu saí do Exército, em 1955, costumava jogar squash. Trabalhava na construção civil, depois entrei na área de publicidade. Quando cheguei à maratona, eu já tinha trocado de carreira: estava no paisagismo. Tinha minha própria empresa de jardinagem e paisagismo, Marathon Lawn Service, e fiquei nela até me aposentar. Tive meu próprio negócio por cerca de 40 anos. Eu me saí bem nisso e tive a oportunidade de ser o meu próprio patrão: eu podia sair na hora que quisesse e ninguém podia me dizer que não era permitido. Eu era o patrão.

FOLHA - O que o levou à corrida e às maratonas?
FRANK - Eu jogava muito squash. Perto de onde eu morava tinha uma represa, em Cobb Hill, era um lugar bacana para correr. Eu ia até lá e corria um pouco, para soltar os músculos antes ou depois de uma partida. Um dia, conversei com um sujeito, que me perguntou: "Você está treinando para Boston?" E eu perguntei: "Boston?", eu não tinha idéia de a que ele estava se referindo. Ele me contou, falou que tinha corrido a maratona, eu me interesse. Era algo novo, parecia um desafio, e eu queria experimentar. Então eu fui e adorei, fui fisgado para as maratonas na primeira vez que corri Boston.

FOLHA - O que fez com que o senhor gostasse tanto?
FRANK - O desafio. Era difícil, muito duro. Os outros esportes, eu podia praticar por horas a fio, eu era até bastante bom não tinha problemas, nada era difícil para mim. Mas a primeira maratona, ah!, ela foi muito difícil. Depois que terminei, eu não conseguia me segurar de vontade: queria logo fazer uma segunda porque eu tinha de melhorar, eu queria que ela não fosse tão difícil. Nos anos seguintes, ir a uma maratona, viajar, se tornou parte da corrida. Fui para todos os Estados dos EUA, fui a Dublin, na Irlanda, a Berlim, a Atenas, lugares para onde eu nunca jamais iria se não fossem as maratonas.

FOLHA -  Quando fez sua segunda maratona?
FRANK - Acho que uns dois meses depois, em Toronto, Canadá. Não havia muitas maratonas naquela época. Por vários anos, eu consegui apenas correr umas três ou quatro maratonas ao ano. Por uns dez anos, eu não corri mais de cinco ao ano. Não havia muitas e, se havia, você não sabia, não tinha informação. Não conhecia ninguém em Rochester que corresse maratonas. Ninguém para dar dicas ou conselhos, não havia livros de treinamento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h33

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Entrevista - parte 3

Entrevista - parte 3

Em Chicago, de patins

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

FOLHA - Das corridas que você fez, qual que você lembra com mais carinho?

CICARELLI – A de Nova York eu terminei em prantos porque eu não acreditei que eu tinha corrido uma maratona. Eu falei: "Gente, não é possível que eu corri uma maratona". Eu corri, eu não tinha muita noção de corrida e corri.

 Eu tenho medo de altura e, quando deu a largada, eu estava antes da  ponte do Brooklin, assim, beleza, 40 mil pessoas estavam lá. Quando eu subi na ponte, a ponte começou a balançar. Eu olhava para baixo e travei, fiquei na ponte escorada... Eu falei: "Gente, eu não vou sair daqui".

 Eu praticamente engatinhei na ponte de tanto medo, a ponte balança. Quarenta mil pessoas em cima da ponte a ponte faz assim, olha, e eu fiquei apavorada. E terminei chorando, numa felicidade enorme.

FOLHA - Bom, as suas dores, você falou que tinha tendinite...

CICARELLI - Eu tenho a tal da tendinite, cada um tem a sua. Já tive fratura de estresse. Eu tenho tendinite na tíbia esquerda. Às vezes volta, mas tudo bem. É um problema sem solução, não é como um problema de joelho. Um problema de joelho você opera, mas esse negócio não tem, você tem que parar de correr. Você põe gelo, coloca aqueles adesivos, passa pomada antiinflamatória, faz fisioterapia, faz alongamento, faz massagem, faz aqueles ultra-sons. São paliativos, mas, quando o negócio vem, a solução é parar de correr, não tem outra coisa.

FOLHA - Alguma prova que gostaria muito de correr?

CICARELLI - Outro dia eu fiquei sabendo de uma maratona que tem na Noruega, que é do Sol da Meia-Noite. E tem as mais convencionais, como a de Chicago. Eu, no primeiro ano, fiz a maratona de Nova York. No segundo, comecei a treinar para a maratona de Chicago. Mas aí tive uma fratura de estresse, que eu descobri depois da meia do Rio, que é em agosto, e a maratona de Chicago é em outubro. . Já estava com a passagem paga, já estava com tudo pago. Então eu fui para fazer a maratona de ... patins. Nunca fui tão xingada em toda a minha vida. Acho que eles pensavam: "Espera aí: eu passei o ano inteiro treinando e agora vem essa mulher de patins e corre do meu lado. Ela está louca?" Mas, me xingaram, me xingaram, os 42 km eu ouvi. Então eu fiz uma outra maratona, também, de patins, mas essa não vale.

FOLHA - O que você recomenda para quem quer começar a correr?

CICARELLI - Eu não sou treinadora para recomendar, mas eu recomendo fazer o esporte, porque é muito gostoso, muito legal. É um esporte que todo mundo pode fazer. Eu já tive amigas que nunca tinham corrido ou que eram gordinhas, que fumavam. Começava caminhando no parque e foi evoluindo, no final dava aquela corridinha, sabe? Aquela corridinha toda tímida e que deixava a pessoa extremamente feliz. Da mesma maneira que um dia também eu comecei caminhando e um dia corri uma maratona. Eu recomendo correr, porque é um esporte muito gostoso, muito popular. Não é um esporte de elite. É um esporte do povo mesmo, e eu tenho o maior orgulho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h42

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Entrevista - parte 2

Entrevista - parte 2

Moacy Lopes Júnior/Folha Imagem

Delícia de vício

A corrida conquistou Daniella Cicarelli em São Paulo, para onde a garota mineira se mudou em 2001 para investir na sua carreira de modelo. Foi no parque do Ibirapuera que ela deu seus primeiros trotes, experimentou correr sem parar por longuíssimos 12 minutos e ficou com o coração na boca. Hoje, a corrida virou um vício para a apresentadora de 1,79 metro e 62 quilos. Foi no Ibirapuera, também, que ela deu esta entrevista exclusiva na semana passada. Leia a seguir os principais trechos da conversa.

FOLHA - Já vi muitas notícias dizendo que você estava treinando para uma maratona, mas não lembro de alguma falando que você tinha efetivamente feito a prova. Você já correu uma, afinal?

DANIELLA CICARELLI - Eu fiz a minha primeira maratona em Nova York, em 2003. Comecei a correr em 2001: uma amiga minha estava correndo, treinando para uma maratona. Eu falei: "Mas o que é isso?" Quarenta e dois quilômetros ponto 195. Eu acho muito importante esse ponto 195, são os finais, são os piores. Aí, eu falei: "Mas como assim? Alguém corre isso? Isso existe? Alguém já correu? Você vai ser a primeira?" Aí, eu resolvi começar a correr. Lembro que a primeira vez que eu vim correr aqui no parque, eu corri 12 minutos, sentei no chão e fiquei, parecia que eu ia ter um troço. Isso eu tinha 21 anos (ela completa 27 anos na próxima segunda-feira).

FOLHA - E como foi a maratona?

CICARELLI - Fiz minha primeira maratona em 4h12 _imagina, seis minutos por quilômetro. Sofri, sofri, sofri, mas terminei. Quando eu vi a plaquinha do quilômetro 41, nossa, eu chorava, chorava. As pessoas perguntam: "Você chora? Mas chora do quê? De tristeza?" Eu falei: "Não, você chora de pura felicidade, porque maratona nada mais é do que você impor um objetivo para você e você se superar". Você pode até competir com seu vizinho, com seu amigo ou com sua amiga, mas o objetivo, a superação é sua, porque é você que sente a dor. Dói tudo, dói do fio do cabelo até a unha do pé. A unha do pé, então, principalmente, não é?

FOLHA - A corrida acompanhou sua carreira de modelo ou você já tinha destaque?

CICARELLI - Não, estava no começo. Quando vim para cá, em 2001, eu estava começando. Comecei uma vida nova. Antes, eu fazia faculdade de administração, em Belo Horizonte. Aí mudei para cá. Comecei a correr, comecei a trabalhar como modelo, logo depois eu entrei na TV. Então, a corrida esteve ao lado nessas grandes mudanças. Em 2001, eu era exatamente modelo. Agora, não sou mais, agora sou apresentadora de TV, principalmente, porque as modelos agora têm 12 anos, 14 anos, eu sou tia delas, não é? Então, no começo eu era modelo e corria e ninguém acreditava, porque todo mundo falava: "Gente, modelo não come, como é que consegue correr?"

FOLHA - Modelo come alface, corredor come massa.

CICARELLI - É verdade, só que eu sempre tive o negócio da gula. Sou filha de família italiana, então eu amo massa. Para mim, não é uma obrigação comer uma massa à noite para fazer um treino longo de manhã. É um delírio, eu adoro. Eu adoro comer, eu como chocolate, como massa. Eu sou do carboidrato total, total, total, total, eu gosto e contei com a genética e agora com a corrida, não é? Porque chega uma hora em que a genética acaba. Aí entra a corrida.

FOLHA - Você tem um treinador que dá orientação?

CICARELLI - É uma assessoria esportiva. Não tenho um treinador do meu lado, comigo, correndo, não. Você vai, paga uma mensalidade, você tem a infra-estrutura dos treinos e ele te manda uma planilha. A minha planilha geralmente é: segunda, eu corro e nado; terça, eu faço musculação e pedalo; quarta, eu corro e nado; quinta, musculação e pedal; sexta, eu corro e nado; Sábado, faço treino longo de corrida e domingo, treino longo de pedal.

FOLHA - E você consegue cumprir a planilha?

CICARELLI - Depende, eu estou sempre tentando encaixar, mas tem dia que, obviamente, não dá. Tem dia que você está cansada, não se alimentou direito, está meio fraca e não vai. Mas é um dia incompleto. O dia que eu não treino é um dia incompleto.

FOLHA - Incompleto por quê? O que falta? Como você se sente quando não treina?

CICARELLI - Não sei, me dá uma sensação de preguiça grande, assim... Não sei explicar. É uma sensação de corpo preguiçoso. É uma loucura, porque, realmente, eu tenho essa turma do triatlo e é geral assim: todo mundo que fica sem treinar fica praticamente deprimido. É uma droga mesmo.

FOLHA - Uma droga? Um vício?

CICARELLI - É um vício, é um vício louco.

FOLHA - O que ele traz de bom?

CICARELLI - Eu acho que a número um é a superação, não é? Hoje, eu consigo correr dez quilômetros, amanhã eu consigo correr 12, depois de amanhã eu vou correr meia maratona, um dia eu vou correr a maratona, um dia vou baixar o tempo da minha maratona, um dia vou ganhar do fulano. Essa coisa competitiva que é bacana. A coisa de superação também, eu acho que é o melhor. Se eu pensar que um dia eu não conseguia correr 12 minutos e um dia corri uma maratona, eu fico superfeliz.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h38

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ENTREVISTA

ENTREVISTA

Cicarelli e o mundo das corridas

 

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

"Dona Cicarelli, na contramão não dá, tem imprensa no parque. Imprensa, dona Cicarelli."

Com algo de cúmplice, ainda que firme, o policial da Guarda Civil Municipal que cuidava de botar ordem na bagunça do estacionamento próximo ao viveiro Manequinho Lopes, no parque Ibirapuera, obrigou Daniella Cicarelli a fazer a volta e sair do bolsão por onde irregularmente havia entrado.

Ela ligou avisando que ia atrasar um pouco mais para a entrevista exclusiva marcada com o (+)corrida. Levou seu jipão até sua casa e voltou a pé, sozinha.

Boné laranja enterrado no rosto, passos rápidos, chegou contando o incidente no estacionamento e reclamando do trânsito. Mas, para a conversa, a apresentadora dublê de maratonista estava bem disposta.

"A roupa tá boa?", perguntou ao fotógrafo, mostrando que sua camiseta rosa-choque não tinha marcas de patrocinadores.

 No local escolhido para as fotos, ainda perguntou: "Com boné ou sem boné?" E foi se posicionar. Uma corridinha para cá, outra para lá. Mais uns tantos piques, fotos de frente, de lado. Em cerca de dez minutos, foram 225 cliques _a seleção dos melhores está apresentada aqui. As fotos são de Moacyr Lopes de Souza, da equipe da Folha, e você pode ver a galeria AQUI.

 Depois, sentada num banco de pedra, numa sombra no Ibirapuera, uma conversa desarmada sobre suas grandes diversões: correr, nadar, pedalar.

A corrida vem antes de todos: "Tanto a natação quanto a bicicleta são os esportes mais difíceis de praticar. A bicicleta tem toda aquela parafernália, lugar, é um esporte muito perigoso. Para a natação, você precisa de uma piscina. A corrida é o mais popular deles, sabe, aquele que todo mundo pode fazer. Já a natação você precisa de uma infra-estrutura, de um clube, de uma piscina, de uma academia, alguma coisa. A bicicleta é supercara, é um equipamento: bicicleta, fora que é perigoso também e acho que a corrida é mais popular, assim, e ela é mais gostosa".

Cicarelli, que vai fazer 27 anos na próxima segunda-feira, não se cansa de elogiar o esporte, que pratica com a orientação de uma assessoria esportiva.

"É uma delícia, porque são todos os tipos de pessoas, são todos iguais, porque todos sofrem igual, todos têm dor, todos passam mal e todos também têm suas grandes recompensas. Então, eu sou fã número um. Eu faço bicicleta e natação também. Mas acho que, como corrida, não tem. Fora que eu acho muito prático, não é? Você leva um tênis e está pronta, em qualquer lugar você pode correr."

Leia na seqüência mais trechos da entrevista com a maratonista, apresentadora e modelo Daniella Cicarelli.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h08

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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