Rodolfo Lucena

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Cara e coragem

Melhores do ano - 2

Melhores do ano - 2

Renovação nas top 10

No balanço feito pela IAAF, a grande vitoriosa do ano foi a holandesa Lornah Kiplagat (nascida no Quênia), que conquistou o Mundial de corridas de rua em outubro. Ela estabeleceu lá um novo recorde mundial para a distãncia de 20 km: 1h03min21, que lhe valeu um bônus de US$ 50 mil.

Segunda naquela prova, a romena Constantina Tomescu, 36, igualou o recorde europeu para 15 km, que era da própria Kiplagat (47min10).

Na meia-maratona, o melhor tempo do ano foi da veterana Edith Masai, do Quênia, que aos 39 anos correu 1h07min16 em Berlim.

A maratona viveu um ano menos empolgante por causa da ausência de Paula Radcliffe, que está prestes a ter seu primeiro filho (o parto está previsto para sexta-feira próxima). Mas três corredoras abriram caminho nas top 10 de todos os tempos: Deena Kastor, dos EUA, com 2h19min36 em Londres, a chinesa Zhou Chunxiu (2h19min51 em Seoul) e a elegantérrima etíope Berhane Adere (foto), que marcou 2h20min42 em Chicago.

No balaço geral, porém, 2006 não se destaca entre os outros deste novo século: o décimo tempo (2h23) e o centésimo (2h31) são os mesmos de todos os anos do milênio.

Veja detalhes do balanço feito pela IAAF e links para os rankings do ano AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h57

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São Silvestre

São Silvestre

Vida dura

Os mais rápidos participantes da São Silvestre são também os que consideram ter a mais baixa qualidade de vida e os que têm o mais baixo índice de escolaridade, revela tese de doutorado apresentada pelo médico Joel Tedesco à Faculdade de Medicina da USP.

A tese é resultado de entrevistas feitas com 962 atletas que participaram da São Silvestre em 2002. Eles foram divididos em cinco grupos, de acordo com o seu desempenho (o grupo 1 era o dos corredores que completaram a prova em até 1h09min56, no masculino, e até 1h19min56; o grupo 5 ia de 1h44min08 a 2h57min02 no masculino e de 1h56min44 a 2h24min26 no feminino).

Os pesquisadores tiraram várias medidas (peso, altura, circunferência da cintura etc.) e fizeram um questionário para medir sua percepção de qualidade de vida e seu grau de satisfação com a vida que levavam. Com isso, Tedesco conseguiu montar um perfil dos corredores pesquisados. Vejam a seguir o que diz a tese, que foi aprovada em outubro passado e publicada no site da USP (AQUI) há pouco mais de dez dias.

"Os corredores mais velozes da amostra masculina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de estatura; d) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; e) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; f) o mais baixo valor da média de circunferência do quadril; g) o valor mais elevado da média de número de sessões de treinamentos semanais; h) média de nove anos de treinamentos regulares; i) o menor valor da média de idade; j) níveis de escolaridade entre fundamental e médio; k) média de 31 anos de idade.

"As corredoras mais velozes da amostra feminina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; d) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; e) o maior valor da média de número de sessões de treinamentos semanais; f) média de sete anos de treinamentos regulares; g) o menor valor da média de idades; h) nível de escolaridade médio; i) média de 30 anos de idade."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h58

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Corrida por um ideal

Corrida por um ideal

Leonardo Wen/Folha Imagem

A atleta brasileira posa para foto com a bandeira palestina

Palestina no Rio de Janeiro

O caderno "Esporte", da Folha, traz hoje a inusitada história da corredora de rua Maria Lima de Oliveira. O repórter Guilherme Roseguini conta as aventuras dessa filha de um guerrilheiro comunista, que adotou o islamismo após o casamento e agora recebe incentivos de muçulmanos no Brasil.

¦"Eu recebi um documento, assinado pela embaixadora, me incentivando a continuar exibindo a bandeira (nas corridas de rua) e dando visibilidade para a luta dos palestinos. Eu não conheço o território, mas entendo a batalha por terras com Israel e quero demonstrar o meu apoio", diz a atleta, que sonha em conquistar índice para participar do Pan no Rio de Janeiro.

¦A reportagem completa pode ser lida AQUI, exclusiva para assinantes da Folha e/ou do UOL.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h36

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Corredora de fé

Corredora de fé

Jerry Lampen/Reuters

Ruqaya Al Ghasara, do Bahrain, vence a final dos 200 m nos Jogos Asiáticos

Vestida para vencer

Ela corre coberta dos pés à cabeça, em óbvio contraste com suas oponentes, de microshorts e tops coladíssimos. E corre muito bem: hoje venceu a prova de 200 m nos Jogos Asiáticos, em Doha, no Qatar. E já havia conquistado o bronze nos 100 m.

"Usar as vestimentas muçulmanas tradicionais me dá mais coragem. Não é um obstáculo, mas o contrário", diz a velocista Ruqaya Al Ghasara, do Bahrain.

É um tradicionalismo cheio da modernidade das mais avançadas tecnologias do vestuário: suas roupas são feitas de tecido especial e a marca do patrocinador está firme e forte no lenço que protege sua cabeça.

Trata-se de uma opção evangelizadora, digamos assim: "Usar essas vestimentas mostra que não há obstáculos. Foi com elas que fiz meus melhores tempos e me qualifiquei para o Mundial de Osaka", fala a corredora, que tem 24 anos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h57

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Longevidade

Longevidade

Bisavó põe neto para correr

No próximo domingo, uma mulher especialíssima vai largar entre os cerca de 29 mil participantes esperados na maratona da Honolulu, no Havaí. Trata-se de Gladys Burrill, uma novata nas corridas, mas veterana no esporte da vida. Aos 88 anos, essa bisavó prepara-se para fazer sua terceira maratona.

Desde menina, no frio e distante Estado de Washington, ela gostava de correr pelas colinas. Mas nunca se arriscara a enfrentar uma prova. Quando viu a maratona de Honolulu em 2003, porém, não resistiu e resolveu se inscrever para o desafio.

Aproveitou que estava embalada e inscreveu também o filho, o neto e a mulher dele. Todos terminaram felizes e satisfeitos a prova de 2004, a primeira maratona da mulher que ficou conhecida como Gladyator, por sua fibra e disposição de luta, uma gladiadora dos combates quotidianos.

"Esqueça esse negócio de idade e simplesmente aproveite o fato de estar lá, fazendo exercício, caminhando ou correndo", recomenda a bisavó, que neste ano pretende completar a prova em sete horas e meia _novamente com o filho, o neto e a mulher do dito cujo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h09

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Kuala Lampur

Kuala Lampur

Superação total

Bazuki Muhammad/Reuters

 

O chinês Ding Junjun (à esq.) cruza a linha de chegada, com seu guia, para vencer a final dos 200 m na nona edição dos Jogos para deficientes da Fespic (o segundo maior evento esportivo internacional para deficientes, atrás apenas dos Jogos Paraolímpicos), realizada em Kuala Lampur, Malásia

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h48

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Fala, leitor

Fala, leitor

Delícia de batatinha

Pessoal, hoje trago para vocês o relato de um debutante. Em Curitiba, no dia 26 de novembro, Alexandre Issao Minamihara, 24, fez sua estréia na maratona. Ele nasceu em São Paulo, mas hoje mora no Rio. Engenheiro de produção, corre desde 2001. Leia a seguir o texto do Issao, como é chamado.

Estou muito, mas muito feliz por ter feito a minha primeira maratona!

Agora, não sou mais um mero corredor: sou um MARATONISTA! Claro, foi muito mais difícil do que eu poderia imaginar. Mas é melhor assim, sinto-me recompensado por ter superado os 42.195 m da maratona.

Como dizem por aí que a maratona só começa no km 30, meu relato começa no km 30,5. Nesse momento, o China (acho que alguns de vocês o conheçam, da organização de provas da Corpore, como Jorge) emparelha do meu lado, diz algumas palavras de incentivo e logo dispara.

No km 31, havia um posto de água. Eu comi o pedaço de batata cozida que levava comigo (nunca comi nada tão gostoso na minha vida....) e emparelho novamente com o China.

Seguimos na mesma balada até o km 33, quando o corpo finalmente se sobrepõe à mente e eu tento caminhar um pouco. O problema é que, naquela altura do campeonato, caminhar era uma alternativa pior do que continuar correndo: as pernas travaram e foi difícil retomar a corrida.

Logo depois eu alcanço o China novamente, que não devia estar em um de seus melhores dias (eu estava no meu melhor dia!).

No km 35, o China diz que esse é o número mágico, só faltam 7km para a chegada: a subida do viaduto, uma outra subida e depois plano até o final!

Eu caminho novamente, o China dispara, eu volto a correr e alcanço o China novamente no km 37. No mesmo local, eu ultrapasso a Paty, amiga das corridas em São Paulo, e converso um pouco com ela. Era o final de uma subida.

No início da descida que se sucedeu, comecei a sentir câimbras nas duas coxas. Fui obrigado a parar e me atirar no chão, aguardando a câimbra passar. Um pouco depois, a Paty passa me oferecendo um copo d’água, que foi imediatamente aceito.

Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali jogado no chão, mas foram quase cinco minutos de agonia, até que resolvi levantar e continuar correndo.

Passo pelo viaduto, caminho um pouco na subida e no posto de água do km 40 encontro o China novamente! Fizemos juntos os próximos 1,5 km dentro do Passeio Público.

Na reta final, o China dispara e eu fico ali, curtindo cada segundo que me separava da linha de chegada.

É bom demais terminar uma maratona!

Acho que não vou esquecer destas 3h49min28 tão cedo. Mesmo porque a cada passo que eu dou as minhas pernas me lembram que eu corri uma maratona....

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h49

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Fala, leitor

Fala, leitor

Lembrete

Esta mensagem é apenas para lembrar que amanhã é o Dia do Leitor. Vou trazer para vocês o relato das emoções de um jovem que fez em Curitiba sua estréia no mundo das maratonas.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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