Rodolfo Lucena

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Cara e coragem

Bob Dolphin

Bob Dolphin

Enfim, a quadricentésima

Cinco horas, 39 minutos e 27 segundos. Esse foi o tempo que Robert Dolphin levou para completar a Yakima River Canyon Marathon no sábado passado, em Washington. Dolphin tem 78 anos e essa foi sua maratona de número 400, num evento que ele mesmo organiza com sua mulher e que acabou de completar sua sétima edição.

O veterano corredor começou a enfrentar as provas de 42.195 metros aos 51 anos. Desde então, chegou a trafegar pelas ultramaratonas, mas agora está totalmente dedicado às provas "curtas": no ano passado, correu 24 maratonas.

Já sofreu vários contratempos. Um dos mais doloridos talvez tenha sido o recente problema de saúde da mulher, Lenore, que o acompanha pelo mundo nas corridas e que é responsável pela distribuição dos relatos que Dolphin faz acerca da provas que participa.

Os dois superaram as dificuldades (Lenore ainda se recupera de uma angioplastia...) e chegaram juntos à linha de largada em Yakima, Washington, no frio noroeste dos Estados Unidos. Dolphin foi correr, Lenore tinha como missão incentivar a ele a a todos os outros lá presentes.

Depois da prova, troquei e-mails com com Bob. A "conversa"  completou uma entrevista que fiz com ele em outubro do ano passado. Leia a seguir os principais trechos.

Folha - Qual é a importância de completar sua maratona de número 400?

ROBERT DOLPHIN - Os maratonistas contam cada uma de suas maratonas porque é muito difícil completar essa prova, que é tão exigente e especial. Marcos como a maratona 400 são objetivos que merecem uma celebração, e daí partimos para a próxima meta (a 500ª, no meu caso). A mensagem é que você pode se colocar objetivos difíceis de alcançar e, mesmo assim, alcançá-los. Eu queria ser o primeiro corredor do Noroeste do Pacífico (dos EUA) a completar a maratona 400; agora, quero ser o primeiro do Oeste dos EUA a correr 500 maratonas.

A minha maratona 400 foi muito boa. As coisas funcionaram bem, e minha corrida foi melhor do que eu esperava. Eu estava sob muita pressão, mas CONSEGUI! Essa foi a primeira vez, em três anos, que terminei a maratona de Yakima em menos de seis horas. O tempo estava ideal, e tive apenas leves caimbras nos últimos cinco quilômetros.

Na chegada, fui tratado como um rei, com beijos e abraços da Lenore, champanhe, fotos, parabéns. Havia mais de 200 balões coloridos com o desenho de um golfinho (dolphin) e a inscrição "Bob’s 400th" (a 400ª de Bob), e muitos amigos correram comigo a parte final da prova. Meu filho Jeff e sua família vieram para a festa, assim como a milha filha Ellen e seu marido. Uma sobrinha-neta correu a maratona, e outros parentes também ajudaram na organização e nos trabalhos de apoio aos corredores.

Folha - Quem era você antes de começar a correr?

ROBERT DOLPHIN - Tenho doutorado em entomologia. Trabalhei como entomologista por 26 anos. Trabalhei na área de controle de mosquitos do Estado da Califórnia, e depois no Departamento de Agricultura dos EUA, onde fiquei por 23 anos. Minhas pesquisas incluíram trabalhos na área de controle biológico de pragas, o uso de inimigos naturais, insetos contra insetos.

Folha - Paralelamente à sua vida profissional, o senhor já tinha, naquela época, uma vida esportiva?

Dolphin - Eu pratiquei atletismo quando estava no segundo grau: salto em distância, algumas provas curtas de corrida e até uma prova de três milhas. Quando eu estive no Marine Corps, participei por um pequeno período de tempo da equipe de corridas da unidade em que estava. Depois, voltei à universidade e também ao trabalho na área civil. Todo esse tempo eu tive uma vida ativa, mas não pratiquei nada de esportes porque estava simplesmente muito ocupado: tinha uma família para cuidar, o trabalho, os estudos... E as corridas só se tornaram tornaram populares nos Estados Unidos em meados da década de 70. Eu comecei a correr em 1979, quando tinha 49 anos. No ano seguinte eu corri uma prova de dez quilômetros (Human Race, em maio, em Columbia, MO). Daí eu entrei num clube de corridas e passei a participar de provas curtas. Em 1981, corri minha primeira maratona, e não parei mais.

Folha - O que fez com que o senhor passasse das provas curtas para a maratona?

DOLPHIN - Nesse clube de corrida, vários dos colegas corriam maratonas, e eu fiquei tentado a fazer uma também. Então fiquei treinando. Nesses dois anos em que corria, de 79 a 81, eu fui aumentando as distâncias. Corri a minha primeira maratona na cidade onde eu estava morando na época, em Columbia, Missouri, e foi a Heart of America Marathon, 1º de setembro de 1981, Dia do Trabalho nos EUA. Fiz esse difícil percurso em 3h50. Algumas semanas, depois corri uma outra em Kansas City, num tempo parecido. Mais algumas semanas e corri em Saint Louis, em 4h15. E fui indo. No ano seguinte, corri oito maratonas. Nos primeiros dez anos em que corri maratonas, fiz em média dez provas por ano. Não há muito problema, desde que faça em fim de semanas seguidos, desde que você deixe algum intervalo entre as provas.

Folha -E por que tantas? A maioria dos treinadores de corrida e médicos do esporte recomendam no máximo duas provas por ano...

DOLPHIN - Eu não gosto muito de fazer treinos longos. Tentei algumas vezes, e descobri que prefiro correr logo uma maratona do que fazer um treino de 20 milhas (a maratona tem 26,2 milhas). Eu gosto do clima das maratonas, do esporte, das viagens, dos amigos que você faz, gosto do desafio que envolve. Então, assim como quem gosta de sair para jogar golfe ou jogar tênis num fim de semana, eu saio para correr uma maratona.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h51

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Bob Dolphin - parte 2

Bob Dolphin - parte 2

"Eu corro maratonas"

Segunda parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Isso não lhe parece uma espécie de vício?

DOLPHIN - Acho que sim, até um certo ponto. Mas não mais do que o caso de alguém que gosta de jogar golfe todos os finais de semana. É um vício saudável. Eu gosto do desafio, gosto da competição. Eu gosto muito da competição nas faixas etárias. Eu sempre me saí muito bem na minha faixa etária. Pertenço a um grupo chamado Marathon Maniacs (Maníacos por Maratonas), e todos lá correm muitas maratonas porque eles gostam. É uma maneira de ficar em forma, de fazer muitos amigos e de conhecer o país. Não é incomum, hoje em dia, ter pessoas correndo muitas maratonas. Minha mulher e eu somos diretores do Clube das 100 Maratonas. Nós temos 175 membros, e há gente se associando a toda a hora. Nós não estamos tentando ganhar as corridas, mas tentamos nos sair bem, competir na faixa etária. Você pode correr um grande número de maratonas. Você não perde seu treinos. Você pode usar cada maratona como um treino longo para a próxima maratona.

Folha - O senhor tem um médico que o acompanha ou um técnico? Imagino que eles digam que fazer tantas maratonas não é bom para a saúde...

DOLPHIN - Bem, eu estou com 77 anos (na época da entrevista; hoje ele está com 78 anos) e me considero em bom estado de saúde. Não tenho problemas de articulações, passo muito bem nos meus exames anuais, estou em muito boa forma. Alguns médicos admiram o que eu faço... Isso está se tornando uma tendência, em que mais pessoas correm maratonas mais freqüentemente. Eu costumava fazer também ultramaratonas, mas parei quando fui ficando mais velho. Agora me especializei em maratonas.

Folha - Qual é o impacto da corrida em seu cotidiano? O senhor treina muitas horas?

DOLPHIN - Às vezes, na primavera e no outono, eu corro maratonas em seis fins de semana seguidos. E se eu for fazer uma maratona a cada final de semana, não faço nenhum outro exercício especial. Corto a grama, faço algumas pequenas caminhadas, mantenho-me ativo, mas não treino corridas. Em outros períodos, em que as maratonas estão mais espaçadas no tempo, daí, sim, eu faço alguns treinos curtos de corrida, de cinco a dez milhas. Mas a maior parte das minhas corridas é mesmo em competições. Participo de provas curtas, especialmente no inverno, e faço parte de times que participam de duas corridas de revezamento, o Hood to Coast (www.hoodtocoast.com/dev/) e Mt. Rainier to the Pacific Relay. Faço muitas corridas curtas também, que funcionam como treinos de velocidade _elas me dão velocidade, acho. Enfim, eu me considero um afortunado por ser capaz de , na minha idade, fazer uma maratona a cada final de semana ou a cada quinze dias.

Folha - E o que o senhor me diz sobre suas atividades que não envolvem a corrida?

DOLPHIN - Meu objetivo na vida é correr o máximo que eu puder. À medida em que vou ficando mais velho, tenho de caminhar mais durante as corridas. Caminho nas subidas, nos postos de hidratação, nas últimas milhas, quando a prova fica difícil. Mas eu ainda corro cerca de 80% da distância total e caminho apenas para completar, quando sinto que é necessário. Já caminhei maratonas inteiras, do começo ao fim, e já fiz caminhadas de 24 horas algumas vezes. Então eu sei que, quando eu não puder corrê-las mais, ainda poderei caminhar as maratonas. Um amigo meu, de 85 anos, já correu 700 maratonas _começou mais cedo do que eu. Ele já não consegue correr a maratona, mas consegue caminhar. Então ele começa a prova antes, quando isso é permitido, e ele caminha a maratona inteira. Ele faz muito mais maratonas do que eu faço por ano. Só conheço umas poucas pessoas no país que fazem isso, e ele é uma delas.

Folha - Então eu volto à pergunta: por que fazer isso? O senhor disse que gosta da competição. Mas o que correr faz ou traz de bom para a pessoa?

DOLPHIN - Nas faixas etárias, seu competidores vão envelhecendo assim como você, então você tem chances de se manter competitivo. Às vezes, um ou outro cai fora, e a competição fica mais fácil à medida que você fica mais velho. Alguns sujeitos que, há 20 anos, costumavam correr comigo e me vencer não estão mais correndo. Foram para outros esportes ou sofreram cirurgias, então a competição já não está mais tão dura como foi. É simplesmente um estilo de vida, é uma identidade. É quem eu sou. Se me perguntam o que eu sou, o que eu faço, eu respondo: "Eu corro maratonas".

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h45

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Bob Dolphin - parte 3

Bob Dolphin - parte 3

Dançando para o amor

Terceira parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Como é o trabalho com sua mulher?

DOLPHIN - Lenore e eu, nós formamos uma dupla. Nós somos co-diretores da Yakima River Canyon Marathon. Minha mulher toma conta das coisas e eu corro. As pessoas gostam de nossa prova e voltam ano após ano...

Folha - E ela o acompanha em provas pelo país.

DOLPHIN - Ela é muito ativa. É uma excelente diretora de prova, muito conhecedora. Ela tem uma deficiência física e não pode caminhar muito bem, quanto mais fazer outras coisas, por causa de dores nas costas e tudo isso... Mas ela é uma entusiasta e atua como voluntária em diversas provas. E ele e eu vamos a encontros e seminários de diretores de provas, e ela é bem conhecida na comunidade de corredores, tem boa fama como diretora de prova. E ela me dá muito apoio. Toma conta de todos os detalhes das viagens. Quando eu escrevo um artigo, ela digita e edita o texto. Nós somos um time.

Folha - Você estão casados há quantos anos?

DOLPHIN - Vamos completar 12 anos no mês que vem (novembro 2006). É por isso que nós temos duas casas. Ela morava perto de Seattle, em Renton, e eu tinha essa casa em Yakima, onde eu estava alocado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Nós mantivemos nossas casas.

Folha - O senhor tem filhos, netos?

DOLPHIN - Tenho uma filha casada, em Yakima, e ela tem uma filha casada em Renton, e ela tem outros filhos que moram na Califórnia e no Estado de Washington. Eu tenho outra filha casada que mora em Illinois. Nós juntamos nossas famílias. Nós já somos bisavôs e provavelmente somos os mais velhos diretores de prova nos Estados Unidos.

Folha - Como vocês se conheceram?

DOLPHIN - Eu voltava de uma competição de atletismo, e a gente se encontrou em Ellensburg, que é cerca de 35 milhas ao norte de Yakima. Eu estava solteiro, era viúvo, minha primeira mulher já tinha morrido, e eu fui a um clube, Eagle Club, e ela estava lá com algumas amigas, colegas de escola. Eu dancei com várias daquelas senhoras, e ela e eu nos demos muito bem, trocamos números de telefone, passamos a nos encontrar e casamos um ano e pouco depois.

Folha - O que seus familiares pensam de sua corrida?

DOLPHIN - Minha mãe ainda está viva, mora numa casa de repouso para idosos _ela está com 95 anos. Até alguns anos atrás, ela costumava dizer que eu iria prejudicar minha saúde, mas acho que acabou aceitando. E meus filhos, netos e bisnetos, todos eles me dão muito apoio, eles acham que é muito bom. E meus filhos adotivos também dão muito apoio. Acho até que eles têm um pouco de orgulho de minhas realizações. E ninguém tenta me convencer a parar de correr.

Folha - O senhor acha que teriam sucesso se tentassem?

DOLPHIN - Acho que não. É uma coisa que eu gosto de fazer, e espero continuar fazendo enquanto durar minha saúde. Pretendo continuar competindo enquanto não tiver dores, enquanto não sofrer. Eu já tive muitas lesões, mas tudo já passou, nunca tive nada crônico. E também nunca tive de sofrer uma operação.

Folha - Bem, hoje o senhor está aposentado, como é que o senhor vive?

DOLPHIN - Já estou aposentado há quase 20 anos, eu me aposentei com 58 anos. Tive uma boa aposentadoria, uma boa pensão. Minha esposa trabalha para o filho dela, cuida de sua contabilidade, e também ganha algum. E nós fazemos muitas maratonas em locais próximos, que não exigem grandes viagens nem grandes gastos. Nós não vamos muito freqüentemente a outros Estados, e a única viagem que fizemos à Europa foi para fazer a maratona de Londres _foi minha maratona de número 200. Nós tentamos economizar. Nas viagens, ficamos com amigos ou parentes sempre que possível, e até agora estamos nos dando muito bem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h40

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Bob Dolphin - parte 4

Bob Dolphin - parte 4

"Tento não exagerar"

Última parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Qual a maratona que o senhor mais gostou e qual foi a pior?

DOLPHIN - Minha favorita é a Yakima River Canyon Marathon (foto), que nós organizamos. É um lindo cenário, bem organizada, nós gostamos. A segunda é a Royal Victoria Marathon, em Vancouver. É uma prova muito bonita, muito bem organizada. Foi lá que fiz minha maratona de número 300, alguns anos atrás, e eles me deram inscrição gratuita vitalícia, e eles sempre me tratam muito bem, saúdam minhas realizações.

Também tive meus momentos difíceis, especialmente no calor. Corri a Crater Lake Marathon no ano passado, a altitude chega a quase 2.000 metros e estava muito quente, quase nos 30 graus, levei 7h30 e quase não consegui completar. Eu fiz a Pikes Peak Marathon  uma vez. Lá você sobe a mais de 4.500 metros, dá a volta e desce tudo de novo. Levei cerca de oito horas e meia e tive o mal de altitude.

Tive minhas dificuldades, mas eu tive sorte: fui obrigado a parar em apenas uma maratona e em uma ultramaratona. A maratona foi há um ano e meio, tive uma lesão que não me permitiu ir além da milha 15. Anos atrás, tive de abandonar uma prova de cem quilômetros na milha 12 porque eu estava com uma lesão à qual não dei bola. Eu não deveria ter nem sequer entrado na prova, mas fui assim mesmo e me dei mal.

Folha - O senhor tem algum tipo especial de dieta?

DOLPHIN - Não, nada em especial. Eu não como muita carne. Gosto de peixe, saladas, frutas, vegetais, massa. Minha alimentação tende a ser mais carboidratos. Não bebo muito, apenas um pouquinho de cerveja, um pouco de vinho, mas é só. Acho que minha dieta é muito saudável...

Folha - E as sobremesas?

DOLPHIN - Adoro sorvetes. São minha fonte de cálcio (risos)... Tento não exagerar.

Folha - O senhor falou que usa as provas curtas como treinos de velocidade. E como são seus treinos de força? Faz musculação?

DOLPHIN - Eu gosto de fazer caminhadas e hiking, é o meu segundo esporte. Já fiz um pouco de musculação, mas não fui muito religioso. Tenho de voltar a fazer, pois sinto falta, vejo que estou perdendo massa muscular. Mas eu gosto mesmo é de longas caminhadas, de cortar grama, essas coisas. Eu cheguei a fazer triatlos, cheguei a fazer uns 15, mas eu não era muito bom, acabei desistindo. Acho que, fora das corridas, as caminhadas são meu outro esporte. Eu descanso bastante entre as maratonas, tento dormir e relaxar. Eu gosto de treinar, mas tento não exagerar. Então, talvez na maioria das vezes eu esteja subtreinado do que treinado em excesso. Eu já tive lesões no passado, então eu tento não exagerar para não me machucar novamente.

Folha - Que conselhos o senhor daria para quem está começando a correr?

DOLPHIN - Quem gosta de correr deveria ser encorajado a continuar. Correr pode ser cansativo, você pode se machucar, e você deve fazer o melhor possível para evitar lesões ou aprender a conviver com os problemas. Eu nunca corri uma maratona que fosse fácil, especialmente nas últimas seis milhas (cerca de dez quilômetros). É realmente muito desconfortável, mas é o desafio que você tem de enfrentar. É uma questão de resistência, de persistência.

Folha - O senhor tem uma lista de coisas que se devem e que não se devem fazer?

DOLPHIN - Eu tento não começar a prova muito rapidamente, procuro guardar alguma energia para as últimas milhas e tento não me cansar exageradamente por correr subidas fortes -vou mais devagar ou caminho para economizar energia. Tomo líquidos constantemente e também uso carboidrato em gel, provavelmente na maratona eu como e bebo mais do que a maioria das pessoas costuma. Também consumo essas cápsulas com três tipos de sal, pois tenho tendência a ler câimbras nas pernas. Enfim, procuro encontrar formas para completar a maratona confortavelmente.

Troco de tênis periodicamente para não ter lesões por causa de tênis muito gastos, e tento usar roupas apropriadas para o clima, e sempre tenho roupas extras, em caos de o tempo mudar durante a prova e eu tenha de me proteger contra o vento ou a chuva. Tento ter tudo o que preciso comigo, numa pochete, com minhas cápsulas, meus sachês de gel e outras coisas.

Com a experiência, você acaba aprendendo o que funciona para você. Eu tenho de usar protetor solar para não ter câncer de pele, eu já tive melanomas removidos. Eu tenho tendência a desenvolver câncer de pele, então preciso me cuidar.

Folha - Depois de tantas maratonas, o senhor ainda fica nervoso antes da prova?

DOLPHIN - A gente sempre tem alguma preocupação, especialmente com o clima: se vai ser muito quente, se vai chover... A gente sempre quer fazer o melhor. Cada vez que vou fazer uma maratona, fico um pouco apreensivo um ou dois dias antes, desejando me sair bem, esperando não ter muito problemas. Há sempre algum grau de excitação, de entusiasmo e de preocupação. Você nunca pode ter certeza de que vai completar a maratona até que você veja a linha de chegada. Nada é garantido. Às vezes, surgem lesões ou outros problemas que te impedem de continuar. Nada é garantido. Simplesmente tente fazer o melhor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h37

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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