Rodolfo Lucena

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Dores e medos

Pesquisa

Pesquisa

Maratonistas e câncer

Se você leu a nota que saiu hoje no caderno "Equilíbrio", da Folha, veio correndo para este blog e não viu nada, não se desespere nem xingue os jornalistas.

A reportagem está aqui, sim, e também está a entrevista exclusiva com a dermatologista-corredora da Áustria que participou da tal pesquisa. Basta rolar a página mais para baixo que você encontrará os dois textos.

A entrevista vai aparecer primeiro, mas ela foi feita depois... Logo em seguida virá o texto sobre a pesquisa. Boa leitura e use protetor solar -pelo menos, é a recomendação médica.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h58

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Palestra

Palestra

 Corra com saúde

"A Arte de Correr com Saúde" é o tema do simpósio que Turíbio Leite de Barros, diretor do Centro de Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube, comanda no próximo sábado no auditório do MAM (Museu de Arte Moderna), no parque Ibirapuera.

As dores pós-treinos, suas causas e tratamentos ou medidas para evitá-las serão o foco da palestra.

As inscrições são gratuitas e as vagas, limitadas.

Mais informações você encontra no site da Corpore.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h04

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Entrevista exclusiva

Entrevista exclusiva

Usem protetor solar

Esse assunto de câncer de pele atingindo maratonistas é muito assustador e, para tentar saber mais sobre o tema, fui logo à fonte original. Trago agora para vocês uma entrevista exclusiva, feita por e-mail, com a doutora Christina M. Ambros-Rudolph, que participou da pesquisa que concluiu que maratonistas têm mais risco de contrair câncer de pele. Christina tem 35 anos e, como seus colegas, mora em Graz, na Áustria, onde trabalha no Departamento de Dermatologia da Universidade Médica de Graz. Ela corre há vários anos, por diversão, e nunca participou de uma prova _maratona, nem pensar. Prefere explorar os parques e as verdes colinas da cidade ("há lugares ótimos para correr", diz ela).

Bem, vamos à entrevista.

Folha - Li que você e seus colegas são corredores. Quanto vocês correm? E usam protetor solar nos treinos?

Christina M. Ambros-Rudolph - Duas pessoas já correram várias maratonas. Uma delas, agora com 65 anos, passou a fazer ski cros country e até participou da Wasa, uma espécie de maratona para ski cross country. O outro, de mais de 50 anos, mudou para o triatlo. Quando corria maratonas, chegou a fazer uma em 3h50 e treinava de quatro a cinco vezes por semana, uns 50 a 70 km por semana. Os outros correm mesmo apenas por hobby, como eu. Os dois corredores usavam, sim, protetor solar nas corridas, mas nos treinos o uso era irregular -mas eles não treinavam sob sol forte e nunca das 11h às 15h. Além disso, costumavam usar boné e roupas que pelo menos lhes cobrissem os ombros.

Folha - Apesar do clima brasileiro, creio que os corredores aqui não usam protetor solar regularmente. E os corredores que vocês analisaram usam? Em caso negativo, vocês investigaram as razões?

Ambros-Rudolph - Veja os nossos colegas: mesmo eles usavam proteção de forma irregular. Eu uso sempre, especialmente no pescoço, nos ombros e nos braços, quando não posso evitar correr sob o sol. Nós não perguntamos aos maratonistas por que eles não usavam protetor solar. Mas acho que, apesar de ouvirmos bastante sobre câncer de pele e proteção contra o sol, nós esquecemos disso na hora de praticar esportes.

Folha - O uso de protetor solar parece aumentar a sensação de calor. Isso tem alguma base científica? O protetor solar dificulta a evaporação do suor?

Ambros-Rudolph - Nunca ouvi falar disso, mas certamente depende da fórmula do produto. Eu recomendo, especialmente para homens com bastante pelos nos braços e no corpo, que usem gel ou spray. O spray, especialmente, é muito fácil de aplicar e costuma ser mais bem aceito pelos homens, que em geral odeiam usar cremes e loções (pelo menos, os meus paciente homens e meu marido...). E certifiquem-se de que o produto é resistente à água..

Folha - A mistura de protetor solar e suor caindo nos seus olhos durante a corrida não é exatamente uma sensação agradável...

Ambros-Rudolph - Use uma faixa na cabeça, ou um boné ou um chapéu -o que é ainda melhor, pois dá proteção para a cabeça ao mesmo tempo, muito importante para quem sofre de calvície.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h52

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Pesquisa

Pesquisa

O perigo do câncer de pele

Não fosse este um blog totalmente família, eu começaria esta mensagem com um sonoro palavrão. Não bastassem as fascites malditas, canelites infelizes, distensões, contraturas, torsões e fraturas as mais diversas, agora temos de lidar com o câncer. De pele, ok, mas mortífero como qualquer outro.

O "Archives of Dermathology" traz, na edição deste mês, um estudo afirmando que os maratonistas temos mais risco de sofrer de câncer de pele, notadamente o melanoma, o mais letal deles.

"Somos os primeiros a constatar isso", afirmou Christina Ambos-Rudolph, integrante do grupo de pesquisadores da Universidade Médica de Graz, na Áustria, responsável pelo estudo. A equipe decidiu realizar a pesquisa depois de ter tratado, ao longo da década passada, de oito ultramaratonistas que sofriam de melanoma maligno.

Os pesquisadores estudaram 210 maratonistas e um grupo de controle de 210 não-maratonistas com a mesma composição de sexos e faixas etárias. Todos brancos, o que, por si só, já é um fator de risco para o câncer de pele.

Os resultados mostraram que há uma diferença de risco entre os dois grupos, especialmente na ocorrência de "manchas de velhice" provocadas pela exposição ao sol. Ninguém tinha melanoma, mas 24 dos maratonistas e 14 dos não-maratonistas foram encaminhados para cirurgia para tratamento de lesões que pareciam ser manchas pré-cancerosas. Não foi estabelecido, porém, quão maior é o risco dos maratonistas.

O perigo não aumenta apenas por causa da exposição ao sol, que é o fator principal, mas também porque o exercício de longa duração provoca o enfraquecimento do sistema imunológico do indivíduo _é por isso, por exemplo, que estamos mais sujeitos a pegar gripe ou outros males oportunistas no período pós-maratona ou depois de longões.

Outra coisa: fazer exercício ao sol pode ser mais perigoso para a pele do que simplesmente deitar na praia. Isso porque, segundo indicam os pesquisadores, o suor aumenta significativamente a sensibilidade da pele aos raios ultravioletas, tornando mais provável a ocorrência de queimaduras.

Cerca de um terço dos maratonistas analisados corria até 25 milhas por semana _que raio de maratonistas são esses? Metade era mais normal, correndo entre 25 e 45 milhas (40 a 72 quilômetros), e 15% fazia mais do que isso. Os de treino mais intenso apresentaram maiores índices de lesões na pele. Apenas metade deles usava protetor solar regularmente.

Nos Estados Unidos, devem ser registrados neste ano cerca de 62 mil novos casos de melanoma e mais de 1 milhão de casos de câncer de pele não-melanoma, segundo a Sociedade Americana do Câncer.

E hoje a Folha publicou reportagem sobre a incidência de diversos tipos de câncer no Brasil. Leia AQUI, exclusivo para assinantes da Folha e/ou do UOL.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h14

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Drogas

Drogas

 Maldito doping

A esta altura vocês já devem ter lido as notícias sobre suspeita de doping do medalha de ouro nos 800 m em Sydney-2000, o alemão Nils Schumann. Também está sob investigação da Federação de Atletismo Alemã o ex-campeão europeu dos 400 m, Grit Breuer.

O doping é uma maldição nas competições, perseguido em todos os esportes, mas também alimentado pelo próprio espírito competitivo e, principalmente, pelos dólares envolvidos na atividade.

Há uma luta sem quartel contra o doping, mas os laboratórios que criam as drogas parecem estar sempre à frente dos comitês antidopagem.

Por isso, há quem defenda que deve ser tudo liberado de uma vez, e que vença o melhor (ou o mais dopado).

Veja o texto em inglês AQUI.

Mas os males para a saúde são grandes, como mostra este texto AQUI. Veja também esta pesquisa sobre uso de drogas anabolizantes em um bairro de Salvador.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h23

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Nutrição

Nutrição

Coma d e v a g a r

Esta é uma mensagem noturna, como pode-se ver pelo horário da postagem, mas sugiro que você a encare como a primeira do dia. Diz respeito à sua alimentação. E a mensagem é a seguinte: coma devagar. Assim você vai comer menos.

Claro que estou assumindo que você, como eu, está sempre um pouco além do que deveria. Aliás, quando  descrevo minhas características físicas, uso a fórmula "mais baixo do que gostaria, mais pesado do que deveria", que é batida, mas dá o recado.

Mas voltemos à pesquisa que supostamente comprovou a velha tese esposada por um grande número de nutricionistas. Um grupo de mulheres foi orientado para comer rapidamente um pratão de macarrão. As madames mandaram bala em 646 calorias em nove minutos. Depois, com um prato cheio com a mesma quantidade, foi dito ao mesmo grupo que comesse devagar, mastigando bastante, numa boa. Pois elas consumiram então apenas o equivalente a 579 calorias em 29 minutos. E, quando comeram mais devagar, disseram ter ficado mais satisfeitas.

Mais informações sobre o caso você encontra AQUI, em inglês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h50

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Tratamento

Tratamento

Sem parar de correr

 Hoje fiz parte de meu treino no Minhocão, onde encontrei o veterano Geraldo, 60, corredor há 15 anos e com 19 maratonas nas costas. Eu corria, mas ele estava de bicicleta. Uma lesão brava o tirara das ruas pouco depois da São Silvestre do ano passado.

As dores no quadril mal permitiam que ele caminhasse, mas talvez a incomodação maior fosse ir de um médico a outro sem encontrar uma palavra que lhe desse confiança no diagnóstico e no tratamento proposto.

Depois de passar por vários, enfim achou um médico que lhe pareceu confiável e iniciou o tratamento de verdade. No início, quando as dores ainda estavam muito fortes, sua atividade não passava de horas e horas, ao longo da semana, trabalhando o alongamento.

Mas logo o médico deu-lhe a boa nova: ele iria continuar sendo tratado, mas precisava começar também a entrar em ação. Estabeleceu um programa progressivo de caminhadas em que o limite era a dor.

Depois vieram os trotes leves, alternados com as benditas caminhadas. E as primeiras corridas, a volta às provas. O tratamento de um corredor inclui correr, pois senão o sujeito fica triste, cabisbaixo, nervoso.

Claro que cada caso é um caso, mas, pelo que já vi na minha curta vida corrida e pelo que aprendi nas conversas com colegas corredores e com médicos, uma boa parte das lesões pode até exigir um período de parada total, mas logo o tratamento deve prosseguir com uma lenta e controlada, mas progressiva, volta à ação.

É bem capaz que médicos tradicionais não pensem assim, preocupados em proteger o paciente. Por isso, se você se lesionar, busque um médico do esporte ou, melhor ainda, um que tenha experiência com corridas. Fale com seus colegas, procure dicas com seus treinadores, tente encontrar alguém que compreenda também o seu mundo, além de entender do seu eventual -e passageiro- problema.

Geraldo continua em tratamento, mas já participa de corridas. Faz seus treinos com cuidado, roda na bicicleta, alonga, começa um trabalho de fortalecimento muscular. E está inscrito na São Silvestre. Que tenha numa boa prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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Corra com o cérebro

Corra com o cérebro

Estratégia é tudo

Todos nós, corredores, da elite, medianos ou lentos, chegamos às provas dispostos a fazer o melhor. E aposto que a maioria de nós acha que isso significa dar o máximo durante o maior tempo possível. Pode até ser, mas isso não necessariamente produz os melhores resultados.

Marilson Gomes que o diga. Ficou o tempo todo no pelotão, protegeu-se do frio, estudou com seus técnico as condições da prova e avaliou as suas próprias condições e o seu potencial. Quando foi a hora, atacou. E venceu em Nova York.

Nas corridas em condições adversas, costuma valer mais a pena o sujeito se poupar para agüentar. Quem não economiza paga, como Paula Radcliffe na Olimpíada de Atenas. Se isso vale para a elite, para os profissionais, vale também para nós outros, amadores.

Tudo isso é para introduzir uma educativa história que um medalhista norte-americano contou durante um simpósio técnico realizado nos Estados Unidos como preparação aos Jogos de Pequim-2008 , conforme relato publicado no "The New York Times".

Steve Spence, o maratonista em questão, chegou a Tóquio em agosto de 1991 para disputar o Mundial de maratona. O clima era péssimo: quente, úmido, superpoluído. "As piores condições em que jamais havia sido corrido um Mundial", segundo seu conselheiro, o fisiologista do esporte David Martin, hoje professor na Georgia University.

Quando chegou a hora da largada, com temperatura acima dos 20 graus Celsius e alta umidade, Spence sabia que não podia nem pensar em sair no ritmo em que treinara. Tratou de segurar, segurar, segurar, esperando que assim pudesse resistir ao clima e aumentar o ritmo mais perto do final.

Foi desesperador, ele lembra. "Os líderes estavam tão distantes que eu pensava que nunca iria sequer chegar perto deles. Será mesmo que eles não iriam resistir e quebrariam mais tarde?".

Eles quebraram. No total, 40% dos que largaram não completaram a prova. Spence chegou em terceiro, 40 segundos depois do vencedor, o japonês Hiromi Taniguchi, e tornou-se um dos pouco norte-americanos a levar para casa uma medalha no Mundial da maratona.

"Será que era era a terceira pessoa em melhor forma naquele grupo? Não, de jeito nenhum. Seria o terceiro mais talentoso? Também não". Para ele, o que fez diferença foi seu planejamento e estratégia de prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h24

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Preparação

Preparação

Hora da tremedeira

A Nike Run Americas, que terá sua edição brasileira realizada em São Paulo no próximo domingo, provavelmente vai marcar a estréia de muitos corredores no mundo das competições. Pelo que já aconteceu no passado, provas como essa atraem até mesmo pessoal que faz algum tipo de esporte de vez em quando e resolve ir para a festa. Isso é muito legal, mas os iniciantes e/ou estreantes costumam sentir aquele friozinho na barriga quando vêem que está chegando a hora-do-vamos-ver. Aliás, corredores experientes também se emocionam e até esquecem detalhes importantes quando a adrenalina começa a bombar.

Por causa disso, convidei o professor Nélson Evêncio para dar algumas dicas que podem ser úteis para a prova deste domingo e para suas futuras competições. Evêncio é pós-graduado em treinamento esportivo, técnico de atletismo nível 1 pela International Association of Athletics Federation (a Fifa do atletismo) e vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo. Vamos ao texto dele.

Na véspera

* Descanse o máximo possível.

* Procure ingerir massas no jantar, evite bebidas alcoólicas e tente deitar-se cedo.

Antes de sair de casa
* Tome um bom café da manhã, mas evite comer ou tomar algo que não esteja acostumado.

* Não corra de estômago vazio em hipótese alguma.

* Coloque o chip no tênis, pois por meio dele dele será computado seu tempo de prova.

* Vista sua camiseta amarela com o número estampado no peito para participar da prova e entrar na área destinada ao show. Sem a camiseta oficial você não terá acesso aos locais.

Chegada ao local e preparativos antes da prova

* A largada está agendada para às 8h, mas procure chegar à concentração em torno de 6h30/7h.

* O acesso ao local só poderá ser feito a pé, de bicicleta e nos veículos da organização que farão os translados entre os estacionamentos oficiais e a arena. Não será permitido estacionar de carro ou de moto dentro da USP. !Os estacionamentos disponíveis serão: Shopping Eldorado - av. Rebouças, 3970; CENU - av. das Nações Unidas, 12.901; WTC - av. das Nações Unidas, 12.551; Market Place - av. Dr. Chucri Zaidan, 902; e editora Abril - av. das Nações Unidas, 7.221)

* Guarde seus pertences na sacola plástica cedida pela organização, no guarda-volumes da prova. Não serão aceitos volumes fora da sacola numerada.

* Em torno de 7h20/ 7h30, realize um trote leve de dez minutos ou 15, caso você tenha mais dificuldade para aquecer o corpo.

* Faça os alongamentos de costume ou siga o alongamento que será ministrado por um profissional de educação física às 7h30.

* Em torno de 7h40, direcione-se à largada e posicione-se nas baias, de acordo com a cor de sua pulseira e seu nível técnico. Respeite as placas para não sair acima de seu ritmo, o que pode comprometer o seu resultado final e atrapalhar outros corredores.

Após a largada
* Contenha-se no primeiro quilômetro, principalmente nos primeiros minutos, procurando sentir seu corpo e achar seu ritmo ideal.

Detalhes muito importantes

* Não corra sem estar inscrito.

* Ao sentir algum mal-estar, diminua o ritmo, ande ou pare imediatamente e aguarde o auxilio de um profissional de saúde.

* Beba um pouco de água oferecida nos postos, mesmo que não sinta sede.

* Respeite e incentive seus colegas durante a prova. Agradeça ao público com um sorriso, com um gesto de positivo, ou uma palavra de gratidão, caso seja possível!

* Vá para prova com a alegria de que vai a uma festa e não com a preocupação de quem vai prestar vestibular. Lembre-se de que é um grande privilégio poder desfrutar de saúde para treinar e participar de um evento desse porte, independente de seu tempo e sua colocação final.


Boa prova!

 

  

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h44

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Especial

Especial

Primeiros passos

Muitos de nós se entusiasmam ao ver feitos esportivos como a vitória de Marilson em Nova York ou a determinação de Vanderlei na maratona olímpica. Com esses heróis na mente ou simplesmente para cuidar da saúde, baixar a barriga ou buscar nova diversão, saímos atrás de exercícios. A corrida aparece como uma boa opção, mas nenhum iniciante deve sair por aí rodando quilômetros em penca.

Antes de disparar pelas ruas, não deixe de ler o texto que o doutor João Gilberto Carazzato, um dos mais reconhecidos especialistas em medicina esportiva no país, preparou especialmente para este blog.

Ex-técnico e atleta de vôlei, participou de várias seleções brasileiras. Como médico, esteve na delegação brasileira em três Olimpíadas e quatro Pans. Professor-doutor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, ele chefia o Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas.

Mas chega de conversa. Vamos ao texto.

 

"De todos os métodos utilizados para preservar a saúde e para prevenir e, mesmo, curar as doenças, não há nada melhor que o exercício físico. O exercício é mais eficaz que os medicamentos e deve ser praticado durante toda a vida para preservar e restaurar a saúde", já dizia Nicholas Andry em seu livro "Orthopedia" , publicado no século 18.

Como também refere Carazzato na introdução do seu livro de Medicina Esportiva: "O ser humano, durante toda a sua existência, preenche as 24 horas de cada dia das mais variadas formas possíveis. Há os que acordam cedo, trabalham muito e têm pouco tempo para alimentação, repouso e lazer. Há os que, na prática, ´nada fazem`.

"É evidente que a programação do dia de cada pessoa tem por base seu grupo etário. Assim, o recém nascido permanece praticamente imóvel durante 24 horas, sendo apenas ´acordado` para higiene e alimentação. Muitos idosos, em seus últimos momentos de vida, encontram-se também em condições semelhantes. Em todos os demais grupos etários, as programações apresentam características absolutamente particularizadas e individuais.

"Sabemos também que, além da alimentação, do repouso, do trabalho, do estudo e do lazer, a prática de atividade física é também considerada essencial para o ser humano e, portanto, deve ser realizada em toda a sua existência. Assim, independente de seu grupo etário, você deve fazer atividade física."

Vamos supor que você resolva iniciar um programa de atividade física. Como fazê-lo?

Dependendo do seu grupo etário, você deve inicialmente avaliar suas condições de saúde. Uma avaliação médica com alguns poucos exames laboratoriais pode considerá-lo apto ou detectar pequenos distúrbios que devam ser sanados inicialmente.

Para um início de atividade física, não são necessários grandes e complexos esquemas de avaliação cardiocirculatória tais como teste ergométrico e detecção dos limites aeróbios e anaeróbios, tão importantes nos esportes competitivos e nos programas de atividade física de alta intensidade e que são determinados por médicos especialistas em medicina esportiva.

Assim, um início simples pode ser conseguido com a mais rudimentar das atividades físicas, ou seja, o andar.

Para haver benefícios cardiocirculatórios, o andar deve observar três princípios básicos: freqüência, intensidade e continuidade.

A freqüência deve ser de um mínimo de três vezes por semana, se possível cinco vezes, e nunca sete vezes.

A intensidade ideal seria de 120 passos por minuto.

A continuidade deve ser conseguida em todo o ano.

Como conseguir isto?

Podemos fazer um protocolo inicial muito simples, a saber: ande em linha reta por cinco minutos com passos amplos com a mesma velocidade que você utiliza no dia a dia. Conte o número de passos. Vamos chamá-lo de X.

Sabendo que o ideal seria 120 passos por minuto o total seria 600 passos em cinco minutos, faça a diminuição 600 – X = Y. Ou seja, Y é o número de passos que faltam para atingir os 600 passos em cinco minutos.

Divida este número Y por dez ( ou mais ) dias e teremos Z que é o número de passos que você deve alcançar a cada dia que andar, até atingir o número ideal de 120 por minuto em cinco minutos.

Conserve sempre o tempo de cinco minutos.

Conseguido o andar com 120 passos por minuto, passe a aumentar o tempo em um minuto a cada dia que andar até atingir o tempo que queira disponibilizar para sua atividade.

Caso você não consiga atingir o número de 120 passos por minuto, não desanime. Estabeleça o seu limite, que pode ser, por exemplo, 80, 90 ou cem passos por minuto, que será aquele que você deve utilizar.

Bem, esse é o início.

Posteriormente poderemos correr, nadar, andar de bicicleta, fazer musculação, ginástica especializada ou até as mais diversas modalidades esportivas. Mas isso veremos em informações posteriores.

Comece de forma simples, que não exija demais de suas condições, para que possa ir progredindo lenta e gradativamente, sem desgastá-lo, sem estresse e, assim, sem oportunidades para frustrações em não conseguir chegar a limites que sejam ambiciosos demais.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h17

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Dica saudável

Dica saudável

Alta umidade

Acabei de voltar de um treininho de uma hora na avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo e tenho um lembrete para todos os que estão para começar seus treinos ou ainda vão correr ao longo do dia.

Apesar da temperatura, pela manhã, ainda estar agradável (senti até uma leve brisa), a umidade está muito alta e "derruba" a gente.

Meu treino foi bem leve, pois estou em recuperação da maratona de Buenos Aires, mas suei muito, como se estivesse correndo uma prova de 10 quilômetros.

Então procurem levar água, mesmo para treinos curtos, ou planejem um percurso em que possam se hidratar.

E não deixem de beber pelo menos um copo de água antes e depois do treino. Você vai correr melhor, vai cansar menos e sua recuperação será mais rápida.

Ao longo do dia, continuem bebendo. Água, é claro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h08

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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