Dicas de treinamento

A questão da hidratação

A morte de um corredor na maratona de Londres, supostamente por hiponatremia, e os casos de desidratação em Londres e na prova de Roterdã voltam a levantar a questão da hidratação em treinos ou provas de longa duração.

Não sou médico nem especialista no assunto, mas vou dar minha palhinha e contar o que faço.

Em provas longas, bebo água em todos os postos. Uma vez li que o corredor deveria beber em goles curtos, e criei uma espécie de rotina para mim: bebo pelo menos três goles de água em cada posto.

Também uso um sachê de carboidrato a intervalos de 50 minutos ou uma hora, mais ou menos. Ainda não testei, mas vários corredores com quem converso já experimentaram, com sucesso, comer batatinhas cozidas e salgadas lá pela metade da maratona ou mesmo mais tarde, em torno do km 30.

O certo é que é importante beber água, mas sem exageros (neste blog, já postei matéria com recomendações do colégio norte-americano de medicina esportiva, em que eles dizem exatamente isso: siga o que seu corpo manda).

A ingesta de água em quantidades, aliás, não contribui para diminuir a temperatura corporal nem melhora a performance. Pelo menos, é o resultado de uma pesquisa feita por especialista da Universidade de Exeter, na Inglaterra.

O doutor Chris Byrne e sua equipe mediram a temperatura interna do corpo de atletas, em uma prova de verdade. Ele monitoraram um grupo de corredores que participou de uma meia-maratona em Cingapura, realizada sob temperaturas de 26 a 29 graus e umidade relativa do ar de 75% a 90% (ou seja, condições para que a prova NÃO fosse realizada).

Na véspera da prova, os corredores ingeriram um sensor de temperatura, que mandava sinais de radio para um aparelho receptor que o corredor usou durante a prova. Segundo os pesquisadores, foi a primeira vez que a temperatura de corredores foi medida ao longo de todo uma prova, em tempo real.

Mais da metade dos corredores monitorados chegaram a uma temperatura corporal de mais de 40 graus e todos perderam em média 1,5 litro de suor por hora. Eles repuseram de 6% a 73% dos líquidos perdidos durante a prova. Não houve relação entre a quantidade de fluidos consumidos, a temperatura dos corredores e sua performance na corrida.

A mais alta temperatura corporal (41,7 graus) foi registrada no corredor que mais se reabasteceu (repôs 73% dos líquidos perdidos) e que, portanto, seria o menos desidratado do grupo.

Donde se conclui nada, como se pode ver pelo conselho do doutor Byrne aos corredores: "Ouça seu corpo e beba se tive sede, mas saiba que beber vários litros de água não vai melhorar sua performance".