Rodolfo Lucena

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Miami

Miami

"Velhinhas" poderosas

Está certo que a maratona é uma corrida para gente experiente. Mas a russa Ramila Burangulova abusou: aos 45 anos, idade provecta para o mundo esportivo, não tomou conhecimento da concorrência feminina e venceu de cabo a rabo a maratona de Miami, realizada ontem.

Para comprovar que o povo daquelas bandas é da pesada mesmo, a segunda colocada foi a ucraniana Rima Dubovik, de 43 anos. A terceira colocada é dez anos mais jovem que a campeã, que fechou em 2h40min25.

"As mulheres russas conseguem correr por mais tempo porque somos muito fortes por dentro", disse a líder, que treina e vive nos Estados Unidos. "Nós somos jovens. Nós somos fortes", completou ela, que também venceu a maratona de Palm Beach no início do mês passado.

No masculino, o vencedor foi o etíope Teshome Gelana, 23, mas quem chamou a atenção do público foi o queniano Charles Kamindo, que correu descalço mais de um terço da prova. Os tênis estavam deslizando muito no asfalto molhado, e o corredor resolveu abandonar os calçados na altura do km 26. Chegou com as meias rasgadas e os dedos murchos, mas sem nenhum machucado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h50

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Mumbai

Mumbai

Chips ativos

Um show de tecnologia está sendo prometido pela maratona de Mumbai, a mais populosa cidade da Índia e talvez a mais densamente povoada do mundo. Mais de 20 câmeras serão usados para monitorar o público e os corredores, numa tentativa de aumentar a segurança do evento. Além dos olhares eletrônicos, cerca de 2.500 participantes do evento -que, no total, deve atrair cerca de 30 mil pessoas- vão usar chips de identificação com radiofreqüência ativa (RFID), que servirão para acompanhar o andamento da prova de cada um dos atletas.

Organizadores de corridas ao redor do mundo têm usado chips RFID passivos para registrar o desempenho dos corredores e tentar evitar fraudes. Mas, com esse sistema (que é usado nas grande provas brasileiras), é preciso colocar ao longo do percurso tapetes que captam o sinal dos chips. Conforme o orçamento da prova, os tapetes são colocados em mais pontos. Em geral, estão na largada, na chegada e no meio ou em algum ponto de retorno do percurso.

Com o novo sistema, os tapetes não são necessários. Os chips de radiofreqüência ativa têm uma bateria interna que liga e desliga ao passar pelos pontos de captação do sinal (instalados na largada, na chegada e a cada cinco quilômetros, no caso da prova da Índia). E, segundo os organizadores, oferecem mais precisão, mesmo quando uma grande quantidade de atletas passa ao mesmo tempo pelo mesmo ponto.

Para os organizadores da Maratona de Mumbai, há também uma vantagem econômica, pois os custos são menores. A redução acontece até no custo do transporte, pois todo o material usado para o sistema de cronometria da prova, com a tecnologia usada de 2004 até a prova do ano passado, pesava 3.000 quilos. O peso do material usado para o novo sistema totaliza 800 quilos.

Aproveito para registrar que esta é a primeira a fazer uma ponte entre os meus dois blogs, Circuito Integrado e +Corrida. Esporte também é tecnologia. E vice-versa ao contrário, como queiram.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h59

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Paraisópolis

Paraisópolis

Os ultras chegaram!

Um corredor de última hora, que nem planejava participar oficialmente da prova, chegou em terceiro lugar na ultramaratona Brooks BR135, a prova mais difícil do Brasil, que teminou hoje à tarde nas encabritadas escarpas da serra da Mantiqueira, em Paraisópolis, Minas Gerais. 

Trata-se de Eber Valentim, um sujeito como a gente, que participa de provas de rua, mas gosta mesmo de ultras. Ali, ele já não é como nenhum de nós: cai no terreno dos superdotados, mostrando uma resistência fenomenal mesmo sem condições de seguir o melhor regime de treinamento.

Eber, que faz parte da equipe Nossa Turma, terminou os 217 quilômetros em pouco mais de 30, inteiraço de aço, atrás de Agnaldo Sampaio, que é professor de corrida em uma academia de São Bernardo e completou em 28h53min01. O vencedor foi Valmir Nunes, o melhor ultra brasileiro, que fechou em 27h26min30. Valmir teve de ser hospitalizado logo depois de chegar para receber soro.

Parabéns aos donos do pódio e aos 15 participantes dessa dificílima prova, que começou na manhã de segunda-feira última em Águas da Prata.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h41

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Águas da Prata

Águas da Prata

Ultradifícil

Quinze supercorredores largaram hoje pela manhã na segunda edição da difícil ultramaratona brasileira, toda ela corrida na serra da Mantiqueira, em parte do chamado Caminho da Fé. É a Brooks BR 135 (o número indica a distância em milhas, que equivale a pouco mais de 217 quilômetros).

A largada foi às 8h10 de uma manhã chuvosa em Águas da Prata. A primeira parada, abaixo de um temporal, foi no pico do Gavião, que fica numa altitude de 1.630 metros.

O primeiro a cobrir os 23 km até o morro foi Valmir Nunes, o principal ultramaratonista brasileiro, que chegou ao posto em 2h19.

Os corredores precisam completar o percurso em até 60 horas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

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Paquistão

Paquistão

Contra a discriminação

Apesar das resistências de grupos islâmicos, o Paquistão realizou ontem a terceira edição da Maratona Internacional de Lahore com a participação de homens e mulheres (foto da AP,abaixo). O evento foi aberto pelo presidente do país, general Pervez Musharraf, que disse que corridas como essa deveriam ser realizada sem mais cidades paquistanesas.

Há dois anos, a maratona mista teve de ser transferida por causa das ameaças. E, quando ocorreu, muitos participantes foram agredidos a pedradas.

Ontem, porém, não houve incidentes na corrida, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas várias modalidades (havia também provas mais curtas) e distribuiu US$ 115 mil em prêmios.

No sábado, o porta-voz do partido islâmico Jamaat-e-Islami disse que a organização era contra a maratona mista porque "tais eventos esportivos têm como objetivo disseminar a obscenidade". Mas adiantou que o partido não iria interferir porque a população "rejeitava" a corrida.

Já o presidente do país afirmou que a população rejeitou o extremismo ao participar da prova, que foi vencida por corredores etíopes tanto no masculino quanto no feminino. Ketma Amerssissa completou em 2h15min26. Merima Danboban dominou o campo feminino ao terminar em 2h3254. Cada um levou um checão do equivalente a US$ 15 mil entregue pelo ministro-chefe Chaudhary Pervaiz Elahi, que foi o convidado mais graduado na festa de encerramento.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h45

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Londres

Londres

Marilson e o Big Ben

Os organizadores da Maratona de Londres estão fazendo o maior hype da corrida, que será em abril próximo. Já divulgaram a tropa de elite que vai disputar a prova feminina (que você ficou conhecendo neste blog) e agora anunciam os supercorredores que vão disputar o prêmio na prova masculina.

O recordista mundial Paul Tergat encabeça a lista, seguido pelo ex-recordista Khalid Kannouchi e pelo candidato a recordista Haile Gebrselassie. O brasileiro Marilson Gomes dos Santos também está lá no pedaço, firme e forte, como um dos que vão ouvir as badaladas do Big Ben.

Se tudo for confirmado, ele tem o 11º melhor tempo entre os já anunciados.

Faz sentido, pois o técnico de Marilson, Adauto Domingues, havia dito que o atleta deveria fazer duas maratonas neste ano para tentar o índice olímpico. Ele está de olho em Pequim, não no Rio.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h36

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Disney World

 

SuperMickey

Adriano Bastos mostrou que, no asfalto da Flórida, não tem prá ninguém: pela quarta vez, o brasileiro venceu a maratona da Disney e fez a maior festa. Com toda a razão, pois já era o primeiro e único tricampeão da prova. Agora, deixa seu recorde ainda mais difícil de ser alcançado.

Como tricampeão, Bastos já recebia as maiores mordomias dos organizadores e empresas envolvidas no evento. Ontem, foi atendido na Bibbidi Bobbidi Boutique, um "mágico" salão de beleza em Lake Buena Vista, onde ficam os parques temáticos da Disney. Recebeu um penteado especial, com fitinhas verde-amarelas.

Hoje, foi a vez de ele fazer barba, cabelo e bigode. Completou em 2h19min23, reduzindo em 20 segundos o seu tempo vencedor do ano passado.

A diferença de mais de dez minutos sobre o segundo colocado, o americano Matthew Dobson, que fechou em 2h32min22, fala por si só.

No feminino, a disputa foi bem mais acirrada. Gabriela Traña, da Costa Rica, fechou em 2h57min02, lutando bastante para manter sua superioridade sobre a americana Christa Benton, que terminou 22 segundos depois. A brasileira Elisabete Cruz chegou em terceiro, com 2h59min37.

Fotos: AP Photo/Phelan M. Ebenhack e AP Photo/Walt Disney World, Todd Anderson

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h50

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Cuiabá

Cuiabá

O carro é do Clodoaldo

Desta vez, Franck Caldeira não conseguiu resistir ao baixinho. Clodoaldo Gomes, que vocês viram na São Silvestre dando aquela arrancada na subida da Brigadeiro para terminar a prova em segundo, venceu a Corrida de Reis de Cuiabá na manhã de hoje e levou o carro que completa a premiação do vencedor. Terminou os 10 km em 29min51 (tempo não-oficial), seguido por Caldeira.

No feminino, a mineira Lucélia Peres vai começar o ano motorizada, depois de vencer acirrada disputa com Fabiana Cristine.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h41

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São Caetano do Sul

São Caetano do Sul

Muvuca de Reis

Deu a maior muvuca na Corrida de Reis de São Caetano, na tarde de ontem. Muita gente correu sem número nem chip, que deveriam ter sido retirados até as 13h, de acordo com o regulamento. Mas parece que muitos pensaram que o horário seria mais flexível -de fato, foi, mas não tanto, como relatou o nosso leitor Hideaki no fórum RunnerBrasil:

"Cheguei ao posto de retirada de kits às 13h15. E consegui garantir o chip. Depois disso, perguntei até que horas ia a entrega de kits. e a moça me respondeu: ‘Era pra ser até 13h, mas acho que a gente fica mais um pouco, até pelo menos boa parte dos atletas retirarem o kit...’"

Vejam o que diz o ultramaratonista Júlio César Latini Jr., 35, em mensagem no fórum RunnerBrasil: "Às 15h estava no local na prova. Fiquei ali conversando e esperando uma muvuca desgraçada que estava formada onde seria a retirada do chip. Muitos policiais, empurra-empurra, ameaça de prisões. Saí de lá para não sobrar para mim...."

Bom, o corredor voltou mais tarde e, como ele, outras cem pessoas, aproximadamente, tentavam garantir o que consideravam seu direito. Diz Latini Jr., mais conhecido como Bond entre os corredores: "Fui até um funcionário e perguntei quais eram as chances de receber meu chip e número. A resposta foi nenhuma, mas os atletas que desejassem poderiam pegar seu lanchinho, camiseta e medalha com ele".

Apesar da bagunça, a largada atrasou relativamente pouco: a prova iniciou às 17h17, depois de intervenção policial (houve pelo menos um detido, segundo Bond).

A corrida, em si, parece ter sido divertida (se é que dá para ter uma diversão pacífica depois desse tumulto todo). Havia bastante água no percurso e, segundo o Hideaki, o kit pós-prova foi substancioso: dois sanduíches, um suco de limão, um achocolatado, um doce de amendoim e uma paçoca.

Mas a confusão teve conseqüências. A vencedora da prova feminina foi Sirlene Pinho, que completou em 34min52, seguida por Marily dos Santos, e por Maria Zeferina Baldaia, que correu sem número e foi desclassificada. Alías, mais tarde, segundo relata o site WebRun, o organizador do evento afirmou que Sirlene também será desclassificada.

Na prova masculina, a bagunça se repetiu. Luis Carlos Fernandes venceu em 29min49, seguido por Sérgio Celestino, que correu sem número e não teve seu tempo computado. Assim, o vice oficial foi Fábio Chagas, com 30min16.

Eu liguei hoje pela manhã para a organização da prova (a Diretoria de Esportes e Turismo da Prefeitura de São caetano do Sul), mas não tive resposta. No texto do WebRun, o repórter Alexandre Koda publica a seguinte declaração de Mauro Chekin, coordenador-geral do evento: "No banner estava escrito isso (o horário de entrega do chip) e vamos atrás para mostrá-lo aos atletas e provar que estávamos certos. O problema dos atletas é que não lêem".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h23

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Madri

Madri

O recorde que não foi

Eu pretendia deixar meu poético texto de abertura do ano solito na página o dia inteiro, mas não posso deixar de registrar a quebra não-oficializada do recorde mundial dos 10 km, ocorrida no apagar das luzes de 2006 em terras madrilhenhas.

O vencedor da San Silvestre Vallecana e o segundo colocado correram abaixo da marca de 27min02 estabelecida há quatro anos por Hailé Gebrselassie, mas a façanha do queniano Eliud Kipchoge (26min54) na Espanha não deverá figurar nos rankings da IAAF. Isso porque o percurso da prova espanhola tem mais descida que o admitido pelos regulamentos (a diferença das altitudes da largada e da chegada é maior do que a aceita pela IAAF, caracterizando um circuito lomba abaixo -"downhill").

O queniano, que era dono da melhor marca do ano na distância, teve de dar tudo o que tinha para se manter na liderança, pois o campeão mundial dos 20 km estava fungando no seu cangote. Zersenay Tadesse, da Eritréia, fechou no mesmo segundo, mas centésimos atrás do vencedor, que assumiu a liderança com menos de um minuto de prova, ligou o turbo e disparou atrás do recorde que foi , mas não foi.

No feminino, a bicampeã da maratona de Nova York mostrou que é boa também em percursos mais curtos. Jelena Prokopcuka, da Letônia, fechou em 31min27, mais de 40 segundos à frente da segunda colocada, a australiana Benita Willis-Johnson.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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