Rodolfo Lucena

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Tênis e trecos

Primeiras impressões

Primeiras impressões

Creation 8

Acabo de testar o Creation 8, que a Mizuno está lançando agora no Brasil para corredores com pisada neutra ou supinada.

Trata-se de uma verdadeira evolução em relação ao Creation 7, mas também mantém os problemas da linha (e acho que dos produtos Mizuno em geral).

O modelo novo é bem mais bacana que o anterior. O design é mais agressivo, e a combinação de cores tem mais impacto. É bem verdade que havia alguns modelos do Creation 7 com cores sólidas que eram muito legais também (e o  verde-amarelo é muito simpático).

Bom, mas a principal mudança é no sistema de amortecimento. As estruturas ovais no calcanhar (entre a "onda" plástica e a sola propriamente dita) estão maiores, mais altas e mais alongadas, o que me deu impressão de mais balanço (na foto do alto, o Creation 8 é o da direita).

Há mais conforto no calcanhar. Parece que a Mizuno alargou um pouco a estrutura: ali, o Creation 7 fica justo, enquanto o 8 ficou um pouco folgado, exigindo uma amarração mais cuidadosa.

O novo modelo também está um pouco mais flexível, mas mantém a característica de "dureza" que marca os tênis da Mizuno. Fiz treinos de até 15 quilômetros. Acho que, em distâncias maiores, há risco de aumentar bastante o desconforto na parte da frente do pé.

Esse, por sinal, é um problema dos dois modelos: o amortecimento é relativamente bom no calcanhar, mas insuficiente na parte da frente (outras fabricantes já estão dando mais atenção a essa área). Tenho a impressão de que houve uma pequena evolução do Creation 7 para o 8 nesse terreno, mas nada muito notável.

Outro ponto duvidoso é o solado. Corri muito bem no asfalto do Ibirapuera, mas bastou passar por áreas mais úmidas para sentir o tênis perder a aderência. A sensação se repetiu em terreno de chão batido.

Claro que há lugares que são escorregadios para qualquer tênis comum, mas a reação do Creation 8 me pareceu exagerada (o Glycerin 4, da Brooks, também não se sai muito bem em terreno escorregadio).

Em resumo, é um tênis mais confortável e flexível que o modelo anterior, mas manteve os principais defeitos da linha.

E outra coisa: não confio muito naquelas estruturas ovais tão grandes. Só de olhar parece que vão desabar. Claro que é apenas impressão, e pode ser que as tais estruturas sejam ainda mais resistentes que a modelagem anterior. Mas não sei não...

O preço, R$ 549, está fora da realidade. Por R$ 50 a menos, você compra modelos de outras marcas tão bons ou melhores. De qualquer forma, os preços dos tênis no Brasil voltaram a explodir, tornando a compra no exterior um imperativo para quem tem a oportunidade.

Nos Estados Unidos, modelos de amortecimento top de linha são encontráveis por de US$ 80 a US$ 120 nas lojas comuns. Comprando pela internet ou em outlets, os preços são ainda menores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

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Pegasus Air

Pegasus Air

Palmilha incômoda

Ao longo de meus anos de corredor, raramente usei tênis da Nike. Talvez uma espécie de vingança, pois meus primeiros calçados de corrida foram da empresa e destruíram minha unha do dedão...

É porque a forma mais afilada não casa com os meus pés meus largos e altos.

Isso começou a mudar com o lançamento da linha Pegasus. É um bom modelo de tênis neutro, comparativamente leve e um pouco mais largo que o estilo que caracteriza a Nike.

Já testei pelo menos duas gerações, com algum sucesso e também decepções. Basicamente, servem, no meu caso, para treinos curtos, de até uma hora e meia. Mais do que isso, há risco de bolhas e de desconforto.

Apesar de saber disso, bateu o olho grande quando vi numa loja aqui nos EUA o Pegasus Air, que eu não conhecia. Para meu gosto, é muito mais bonito que o Pegasus comum, tem menos jeito de mangolão, um ar mais agressivo.

Experimentei e já saí da loja com ele. Superconfortável, larguinho e bem mais leve que os tênis com que estou acostumado, sem perda de amortecimento.

Bom, mas nada poderia ser tão perfeito assim.

Na manhã seguinte, quando fui amarrar os tênis para valer, para enfrentar um longuinho que durou quase três horas, já me incomodei com os cadarços. São cilíndricos, e não chatos, o que é comum, mas deixa a amarração menos segura. O pior é o tecido, que acho que tem muito nylon ou coisa que o valha, pois é bem escorregadio. Em suma, o nó duplo é obrigatório, e não uma simples recomendação de segurança.

Os primeiros quilômetros foram uma beleza, mas depois de uma meia hora comecei a sentir um repuxado bem no meio do pé. Percebi que podia se tornar um problema grave, bolhas no arco dos pés no meio de um longo...

Não ia parar mesmo, então fui correndo e ajeitando os pés. Quando sentia a dor, movia um pouco, tentava evitar de deixar o pé sempre no mesmo ponto dentro do tênis.

Resumo da ópera: depois da corrida percebi que a palmilha do Pegasus tem um arco que avança um pouco na lateral. É isso que provoca o incômodo (não chegou a dar bolhas).

Pensei que seria apenas uma questão de adaptação e rodei mais um dia com ele, mas sem sucesso. Acho que até poderia agüentar, mas nunca teria confiança de usar o tênis em uma prova.

Em suma, o produto pode ser uma beleza, mas não deu certo para mim. Talvez corredores com arco do pé um pouco mais alto se dêem melhor.

O mais legal é que a loja aceitou receber o tênis de volta, mesmo com 32 quilômetros nos costados (ou no solado, no caso). Talvez porque seja uma loja de corredores para corredores (os caras organizam treinos gratuitos na comunidade e fazem promoções para equipes; eu ganhei desconto por ser do Marathon Maniacs), mas as lojas brasileiras especializadas também poderiam aprender com isso. Tênis de corrida se testa correndo, e a loja deveria ser parceira do cliente nessa experiência.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h57

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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