Eu não disse?

Contra o iPod – parte 2

 

 

Tempos atrás, dediquei a coluna +Corrida, que escrevo mensalmente no caderno Equilíbrio, da Folha, ao momentoso tema do uso de iPods e congêneres por corredores. Intitulei o texto “Contra o iPod” (AQUI, apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL).

 

No texto, dizia que várias maratonas norte-americanas já condenam o uso dos aparelhinhos, mas não chegam a tomar medidas punitivas contra os corredores que preferem participar da prova ao som de sua música pessoal.

 

Pois bem, a Grandma`s Marathon resolveu engrossar. Trata-se de uma das maiores dos Estados Unidos e talvez a mais “runner-friendly”, como eles gostam de dizer, referindo-se ao espírito amigável da prova e aos organizadores interessados no bem-estar dos atletas.

 

A partir da edição deste ano, em junho próximo, os toca-MP3 e congêneres estão banidos, proibidos. O uso dos aparelhos sujeita o corredor à desclassificação, e o nome do incauto não vai constar na lista dos concluintes.

 

No site da prova, que teve 6.909 concluintes no ano passado, os organizadores recomendam que os inscritos nem sequer levem seus aparelhos ao evento. Quem levar terá a opção de entregar os dispositivos, que serão guardados e devolvidos por correio aos legítimos donos.

 

Assim, a prova e outras corridas dos mesmos organizadores se adaptam às regras definidas pela entidade norte-americana de atletismo (USATF).

 

Na verdade, pelo que observei, acho que o artigo não tem muito a ver com o espírito das provas de rua. O objetivo do item citado (regra 144.3b) para justificar o banimento de dispositivos eletrônicos de áudio ou vídeo é impedir que os competidores recebam algum auxílio externo. E claro que não é essa a razão pela qual os corredores usam seus iPods e outros tocadores de música digital.

 

Além disso, até agora, eu sempre tinha visto a segurança e o respeito aos demais corredores alinhados como razões para que os organizadores de provas recomendassem que tocadores de músicas não fossem usados pelos atletas. O que, na minha opinião, até faz sentido. Mas deveria ser uma recomendação, não uma condição.

 

E outra coisa: os termos do comunicado colocado no site da prova poderiam ter sido mais elegantes e simpáticos, ainda mais considerando que a prova se orgulha de ser hospitaleira e ter grande espírito comunitário.