Maldito GPS

Trajetória oscilante

Já tive oportunidade de publicar aqui uma avaliação do GPS Forerunner 305, da Garmin, em que coloquei pontos positivos desse produto assim como seus claros defeitos.

Mais tarde, falei das falhas clamorosas do aparelho em uma corrida.

Depois daquela prova, no litoral paulista, fui em busca de esclarecimentos da assistência técnica. Descobri que vários outros aparelhos tinham registrado falha semelhante (deixaram de registrar a freqüência cardíaca). E o conserto, se houve, poderia implicar ter de esperar peça do exterior.

Quando recebi esse diagnóstico, faltavam dois dias para minha viagem para a Itália, onde eu faria minha primeira prova de cem quilômetros, como já relatei aqui.

Sabia que a bateria do Forerunner não agüentaria as mais de 15 horas em que eu previa correr a prova (para o 305, a empresa informa duração de bateria de dez horas, mas vários depoimentos que recebi e a minha própria experiência indicam tempo inferior).

Então pensei em comprar um segundo aparelho, que usaria na prova e revenderia depois. Abriria mão do monitoramente cardíaco (usando também o meu aparelho defeituoso), mas teria o acompanhamento do GPS para poder montar um quadro preciso e belo do trajeto no Google Earth e imprimir um registro da altimetria mais exato que o quadro relativamente grosseiro fornecido pela organização da prova.

Para não gastar tanto, acabei optando pelo modelo 301, que é mais mangolão, mas promete mais tempo de bateria e custa, em reais, um terço do preço do 305. Também tem visor maior e números maiores, o que é excelente para um sujeito na minha idade. Em contrapartida, a sensibilidade do GPS é menor, segundo a própria Garmin (que dá a informação pelo outro lado, dizendo que a do 305 é maior...).

Bem, pude constatar, infelizmente, a baixa sensibilidade do GPS. Ao longo da prova, especialmente quando nas subidas de montanhas, o aparelho avisou sobre sinal fraco. Mas seguia funcionando.

Lá pelas 12 ou 13 horas de prova, notei que o reloginho não informava mais o ritmo, apesar de continuar marcando tempo e distância.

Para me garantir contra uma pane seca do 301, lá pelo km 70 coloquei também o 305.

Como o modelo menos sofisticado continuava funcionando, segui com ele.

Ao final da prova, sua marcação de tempo batia com a oficial. A de distância indicava quase 700 metros a mais que os tais cem quilômetros. Quando dei o Enter para fechar a prova, o 301 simplesmente desabou, desligou, fechou, morreu.

Por falta de compatibilidade entre as tomadas italianas e o plug do aparelho, não o recarreguei durante a viagem.

Quando, finalmente, coloquei o 301 ligado ao computador, tive a grata surpresa de ver o completo monitoramento cardíaco e todas as 101 voltas (a 101ª incompleta, claro). Mas várias voltas tinham tempo zero ou distância estranha (as tais, imagino, em que ele alegou sinal fraco do GPS). Então vale como referência, mas a informação completa não é confiável.

O pior de tudo foi na hora de mapear o percurso. Por incrível que pareça, apesar de, como disse, o aparelho ter registrado todos quilômetros, só marcou no mapa da metade do percurso em diante (ou seja, as montanhas mais cabeludas desapareceram). Eu fucei um pouco para tentar entender ou, com sorte, resolver o problema, mas acabei ficando tão furioso que deixei de lado e aceitei a vida como ela é.

Resumo da ópera: vou continuar usando essas traquitanas para marcar meus treinos, mas não dá para depositar muita confiança nelas. E olha que, para meu gosto, esses aparelhos são os melhores do mercado.

O que dá bem a noção do quanto elas precisam melhorar para que se tornem efetivamente úteis para os corredores.